quarta-feira, 13 de novembro de 2024
13.11.2024 | Criação Cardinalícia
terça-feira, 12 de novembro de 2024
12.11.2024
Amados irmãos e irmãs, neste dia em que Dom Jorge Snaif e eu celebramos nossoaniversário de Ordenação Episcopal, é uma enorme alegria nos reunirmos convosco para celebrar a Eucaristia, a Ação de Graças. Hoje, Dom Snaif e eu podemos dizer aquilo que Jesus nos diz no Evangelho e que todos nós deveríamos dizer: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer. Nossa luta, amados irmãos e irmãs – e aqui não digo apenas sobre mim e meu irmão no episcopado, mas, sobre todos nós – nossa luta é para fazermos mais do que o mínimo. Nós deveríamos viver mais do que aquilo que nos pedem os mandamentos da Lei de Deus. Deveríamos fazer sempre mais. O problema é que justamente nesse desejo de querermos fazer mais, pensamos que podemos fazer pelas nossas próprias forças. Mas, é sempre a graça de Deus que age, irmãos e irmãs. Se hoje Dom Snaif e eu comemoramos nossos tantos anos de Ordenação Episcopal e de serviço a essa Igreja, certamente não é por nhossos méritos, nem pela nossa santidade, nem pelo nosso esforço: é pela graça de Deus. A carta de São Paulo a Tito caminha na mesma dinâmica, ao falar do ministério do ensino, algo que também é próprio do ministério episcopal, recorda à Tito que a graça de Deus se manifestou pela salvação universal em Jesus Cristo, que purificou o seu povo para que este se dedique a praticar o bem. Irmãos e irmãs, praticar o bem vai para além da prática, do seguimento aos mandamentos. Justamente porque Deus é bom ele nos dá a sua graça para superarmos o mínimo necessário, mas, atingirmos graus de perfeição no amor e no serviço. São Josafá, este santo bispo e mártir ucraniano que hoje celebramos, é um exemplo neste sentido. O apóstolo da unidade dos cristãos orientais, chamado de raptor de almas, trabalhou incansavelmente para reunir àqueles que estavam separados da comunhão com a Sé de Roma partindo daquilo que havia de comum entre eles. Ele via a unidade como dom, como graça, e essa unidade vivida na pluralidade. Caro Dom Snaif, obediência e paz, humildade, nossos lemas, são nossos desejos, nossos ideais de vida. Que a graça de Deus nos ajude, a nós, caro irmão, e a todos nós, comunidade reunida, a atingirmos nossos ideais, aquele grau de perfeição no amor e na unidade, sinal e manifestação do Reino de Deus. Assim seja! Amém.
terça-feira, 22 de outubro de 2024
22.10.2024 | Solenidade de São João Paulo II
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade de São João Paulo II, padroeiro de nossa Basílica. São João Paulo II é uma figura até os nossos tempos controversa. Por um lado, alguns o veem como alguém que revolucionou as estruturas eclesiais. Outros, porém, veem nele alguém que freiou as reformas do Concílio Vaticano II, um conservador. De fato, o próprio Santo Padre, se por um lado criticava duramente o sistema comunista, por outro, apontava as limitações do liberalismo econômico e social, mostrando, assim, que não está de nenhum lado. Sua crítica a Teologia da Libertação, tantas vezes tão destacadas por grupos extremistas, foi uma crítica a uma ala da Teologia da Libertação e não a toda ela. A verdade é que São João Paulo II foi um homem que soube dialogar. Não encontrou extremismos em sua vida, mas, encontrou o amor de Jesus Cristo, que o fez entender tudo, que o levou a abrir o coração, com coragem, de modo destemido. João Paulo II fez em sua vida a experiência de Pedro no Evangelho de hoje, a de manifestar o seu amor por Jesus Cristo. O manifestou pela vida, pelo cuidado com a Igreja. Manifestou como o peregrino que levou a esperança de Deus a tantos recantos do mundo. São João Paulo II, como artista nato que era, sabia tocar as pessoas, sabia ser próximo, sabia ouvir. Muitos dos ideais que hoje temos dentro da Igreja, já podemos vislumbrar em São João Paulo II. Um homem de seu tempo, que soube conduzir a Igreja a um novo tempo com este terceiro milênio. Que saibamos olhar para o seu testemunho com carinho e, percebendo os sinais dos tempos em sua vida e ações, abramo-nos a àquele pelo qual todo ser humano anseia e aspira, àquele que anunciamos, Jesus Cristo, o único Redentor do homem. Assim seja! Amém.
terça-feira, 13 de agosto de 2024
13.08.2024 | Saudação ao Papa Bonifácio II
Santo Padre, Bonifácio, "aqui entramos para amar a Deus e saímos para amar os irmãos". Esta frase que há anos marca a entrada de cada pessoa nesta basílica, hoje saúda também vossa santidade. Originalmente, ela está na igreja do Pateo do Colégio, na capital paulistana, uma igreja jesuíta. Neste dia em que celebramos Santa Dulce Lopes Pontes, acolho vossa santidade nesta Basílica Papal dedicada a São João Paulo II, sé do título cardinalício do Espírito Santo em Sassia, igreja que em nossa realidade cede lugar a esta. Tão próxima da Basílica Vaticana pela localização, é também uma casa dos romanos pontífices, que há tantos anos tenho o prazer de acolher aqui, como vossa santidade bem sabe, desde os idos tempos de 2015. Sem querer me alongar, mas, já me alongando, santidade, amar a Deus e amar aos irmãos parece-nos algo tão intrínseco uma realidade a outra que se torna difícil separar. Ao lhe receber nesta noite, caro pai, peço-te filialmente que não permita que estes vossos filhos se esqueçam do amor. Às vezes, sombreados pela noite do medo, desesperançados, poderemos esquecer de amar a Deus, aos irmãos, a Igreja, a vós, Santo Padre. Exorta-nos com paciência e pastorea-nos com amor, para seguirmos os teus passos e juntos servimos à Igreja, que é o Povo de Deus. Bonifácio é aquele que "faz o bem". Pois, então, Bonifácio, faz bem o bem, e o Bom Deus nos ajudará.
Hoje, Santo Padre, ainda te peço que rogues a bênção de Deus sobre estas imagens que agora farão parte do nosso espaço litúrgico: a do Divino Espírito Santo, que do alto do baldaquino olha, guia e inspira a Igreja; a Bem-Aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, padroeira do Habbo Hotel; São Carlos Borromeu, o santo arcebispo de Milão; Sant´Ana, Mãe da Virgem Maria, onomástico de minha avó materna; São Francisco, o reformador da Igreja, que desde cedo aprendi a amar; e São João XXIII, que trouxe a Igreja ao aggiornamento, a um tempo de mudança em diálogo com a modernidade.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
05.08.2024 | Missa em Ação de Graças pelo Pontificado
05.08.2024 | Consistório Ordinário Público
domingo, 4 de agosto de 2024
04.08.2024 | XVIII Domingo do Tempo Comum
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
02.08.2024 | Missa Exequial de Dom João Pedro Cardeal Silva
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para nos despedirmos de nosso amado Dom João Pedro Cardeal Silva. Nos despedirmos desse querido irmão, é nos despedirmos de um homem muito simples, que sempre agiu no silêncio. Dom João Pedro não precisou de palcos, de grandes catedrais, nem de tantas coisas superficiais, para falar de Jesus Cristo. Era um homem que pouco falava, mas, que quando falava, era pra espalhar o doce odor do Cristo. Seu exemplo permanecerá entre nós, como modelo de simplicidade. Amados irmãos, a morte sempre causa em nós um processo de luto. De fato, o luto faz parte de nossas vidas e é vivido de diversos modos e por diversas circunstâncias. O processo do luto nem sempre está ligado a um ente querido falecido. Às vezes vivemos o luto pelos términos de ciclos na vida social, profissional, amorosa, ou outros ciclos em nossas vidas. Fato é, que o luto faz parte de nossas vidas e não podemos fugir dele. Mas, para nós, cristãos, o luto pela morte é um luto revestido pela esperança. A primeira leitura, retirada do Segundo Livro dos Macabeus, é um relato de como Judas Macabeu oferece um sacrifício pelos mortos, pois crê na ressurreição final. De fato, é neste período, que surge o judaísmo como a religião que conhecemos - pois antes eram muito mais exclusivamente uma etnia e moradores de uma região - e com ele a fé na ressurreição. E sua fé não era desamparada. Pois, na plenitude dos tempos, o Filho de Deus, morreu e ressuscitou por primeiro, para que nós pudessemos seguir, também, o mesmo caminho. O Evangelho é justamente essa Páscoa do Senhor, sua Passagem, sua Morte e Ressurreição. A narrativa de São Lucas diz que cortina do santuário rasga-se, ou seja, estamos reconciliados com o Pai, e podemos entrar em contato com Ele, e Jesus morre na cruz. O Evangelho traz aquele texto que cantamos como refrão do salmo. Este é o grito de Jesus Cristo que se lança confiadamente nas mãos do Pai. Ele sabe que o Pai não o deixará na morte. O Pai não o desamparará. Ele se lança e o Pai o acolhe. Como a criança que não tem medo, pois confia no pai. Assim foi Jesus. Ele nos ensina a confiar em Deus. Confiar em Deus durante a nossa vida, mas, também confiar em Deus na hora de nossa morte. Porque um dia os nossos olhos vão se fechar para este mundo. E aí, confiamos em Deus. Ninguém sabe como será. O filósofo Blaise Pascal defendia que a crença em Deus era uma aposta. Podemos crer em Deus, viver a vida toda como crentes, morrermos e Deus não existir. Mas, aí, não haverá arrependimento, nem possibilidade de arrependimento. Porém, se apostarmos que Deus não existe, vivermos a vida do nosso jeito, e na morte nos encontrarmos com Deus, nos arrependeremos, mas não haverá mais possibilidade de remissão. Portanto, mesmo que assustador pensarmos na morte, apostemos em Deus. O Evangelho continua com a narrativa da manhã do domingo, quando as mulheres encontram-se com os anjos que anunciam que Jesus Ressuscitou. Nossa fé está embasada em Jesus Cristo Ressuscitado. Nós cremos e professamos um Senhor que é vencedor sobre o pecado e a morte. Ele, com sua Páscoa, destruiu a morte, o Diabo, o inferno. Portanto, confiemos, tenhamos fé em nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado, que nos revelou o Pai, e que nos precede no céu, para que, quando fizermos a nossa páscoa, nos uniremos a sua Páscoa. Tenhamos essa esperança e certeza, de que, quem se lançar ao Pai durante a vida, no fim dela será acolhido em seus braços e abraços. Assim seja! Amém.
terça-feira, 30 de julho de 2024
30.07.2024 | Declaração
Amados irmãos, convoquei-os esta noite para celebrarmos juntos os dezoito anos da instalação da cátedra pontifícia em nosso hotel. De fato, em minha homilia penso já ter dito o suficiente sobre a importância e o sentido desta celebração para nós. Mas, convoquei-os também para declarar que, plenamente livre em meus atos, renuncio ao ministério de Bispo de Roma, a Sé de São Pedro, ao encargo de sucessor de Gregório XVII, que me foi confiado pelos cardeais no dia dezesseis de março do corrente ano de dois mil e vinte e quatro. Tenho plena consciência da gravidade de meu ato, mas creio que para governar a Igreja, principalmente nestes tempos tão diferentes daqueles passados, a Igreja precisa de uma mente jovem, de um pastor cheio de ideais, que tenha tempo, disposição e forças para o leme da barca petrina, tais características que nos últimos dias venho percebido diminuir em mim de tal modo que já não posso mais bem exercer este ministério. Deste modo, a cátedra do Bispo de Roma ficará vacante na próxima segunda-feira, quinto dia de agosto, às vinte e duas horas e trinta minutos, e um conclave deverá ser convocado pelas autoridades competentes. Quanto a mim, retornarei ao colégio cardinalício, e desde já me ponho a disposição de meu sucessor. Dentre as reformas que pudemos iniciar, concluímos grande parte delas. Desejo desde já, porém, pedir que meu sucessor se empenhe em trabalhar pela conclusão do Código de Direito Canônico, há tanto desejado pela nossa Igreja, para o qual estabeleci diretrizes que podem muito colaborar com nossa missão, e do catecismo para os leigos. Amados irmãos, além disso só tenho a agradecê-los por carregarem comigo o peso deste ministério. O que foi possível fazer, foi graças aos senhores. O que não foi possível fazer, também foi por causa dos senhores. Peço perdão pelos meus defeitos, minhas falhas e misérias. Amados irmãos, Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem faz crescer. Podemos fazer muito ou pouco. Mas, tudo só acontece, pela graça de Deus. A Ele, Supremo Pastor da Igreja, Senhor do tempo e da história, a quem pertence o Reino, a glória e a majestade, louvor e glória pelos séculos dos séculos. Assim seja! Amém.
segunda-feira, 29 de julho de 2024
30.07.2024 | Comemoração da Instalação da Cátedra no Habbo Hotel
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando os dezoito anos da instalação da cátedra pontifícia no Habbo Hotel, isto é, o início do pontificado de Gregório XVII. Esta comemoração marca para nós o início de nossa Igreja como tal. Por isso, relembramos aquilo que declarou o Concílio de Jerusalém: a organização eclesial da Santa Igreja presente no Habbo demonstra sua principal missão: levar à glória da Igreja aos que se encontram neste parâmetro virtual, para que se sintam chamados, de fato, a cerne d'Ela, e, deste modo, possam encontrar-se com suas vocações – de modo especial os chamados ao presbiterado - e ter seu encontro com Deus, que usa-nos de diversas maneiras para conseguir almas para Ele. Celebrarmos a instalação desta cátedra, é celebrarmos a nossa própria Igreja como tal. Igreja que é lugar de encontro com Deus e encontro com os irmãos. Às vezes, podemos até nos sentir desmotivados. Olhamos para a nossa Igreja e pensamos onde está o seu futuro. Não temos ânimo para a missão, os irmãos tornam-se fardos para nós, a própria Igreja torna-se enfadonha. Como é triste quando vem alguns nos dizer que a Igreja está morta. A vontade é responder: sim, seu velho inútil, e o senhor a matou. Podemos contribuir pouco com a Igreja, mas o que fazemos se não contribuímos em nada? O que mais falta em nossa Igreja é esse sentimento de pertença e de corresponsabilidade, de saber que a missão depende de cada um e de todos nós. Nos falta o sentimento de que somos Igreja. Se o Concílio de Jerusalém declarou a necessidade de ser Igreja, é preciso lembrarmo-nos do que é a Igreja. A Igreja é o povo de Deus, é o Corpo místico de Cristo, o rebanho do Senhor, a vinha do Senhor, o edifício de Deus, a Jerusalém Celeste, nossa mãe, a esposa do Senhor. A Igreja foi fundada, na realidade, por Jesus Cristo, sobre Pedro e sua confissão de fé, como ouvimos no Evangelho. E o Pastor Supremo da Igreja é o próprio Jesus Cristo, e quem diz isso é o próprio São Pedro na segunda leitura que ouvimos. Nós somos pastores em nome de Cristo. Nos falta este senso que é em nome de Cristo. Não fazemos pelo papa, não fazemos por algum cardeal ou bispo. Fazemos, ou deveríamos fazer, em nome de Cristo. Cristo deve ser o centro de nossa Igreja. E não a Igreja deve ser o centro. Cristo é o centro. E este centro que é Cristo é aquele que derrama sobre nós o seu Espírito para enviar-nos para dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor, como diz o profeta Isaías na primeira leitura que ouvimos. A nossa missão é levar Jesus Cristo às pessoas e as pessoas a Jesus Cristo. Isto se faz, sim, levando-as à Igreja da realidade, por isso o Concílio Vaticano VII já declarava que a Igreja no Habbo é reflexo da Igreja da realidade. Mas, não conduziremos ninguém à Igreja da realidade se antes não as levarmos ao encontro com a pessoa de Jesus Cristo. E, se tantas vezes não levamos as pessoas a Cristo é porque nós próprios não nos encontramos com ele, porque nosso testemunho é falho. Devemos levar Jesus Cristo principalmente aos que estão com o coração quebrantado. E quantas vezes não é o nosso próprio coração, nosso como membros da Igreja, que é o coração quebrantado? Quantas vezes não somos nós os desanimados, os tristes, os desesperançados? O ano de 2025 será o jubileu da esperança. Devemos entrar já no espírito deste ano jubilar e encher os nossos corações de esperança. A esperança é uma característica tão própria do cristão. Porque nossa esperança, diferente da esperança dos outros, é já uma certeza. O nosso Deus é um Deus que na promessa já a cumpre. Confiamos no Senhor Ressuscitado, soberano sobre o pecado e a morte. Neste ano da oração, em preparação para o Jubileu, rezemos a Deus pedindo a graça da esperança. Esperança para nós como pessoas. Mas, também, esperança em nossa Igreja. Quantos de nós rezamos por este nosso apostolado? Rezemos, irmãos. Rezemos de coração. A história de nossa Igreja que começou há dezoito anos não acabou, não chegou ao final. Me lembro no Jubileu dos dez anos da Igreja, que nos perguntávamos se chegaríamos a quinze anos. Chegamos a quinze, e ainda nos perguntamos se chegaremos a vinte. Enquanto houver Habbo Hotel, existirá aqui uma Igreja. Há muito ainda a ser feito. Muitas pessoas as quais devemos chegar, levando Jesus Cristo. Muitos corações aos quais devemos levar a esperança. Muitas vocações a surgirem ou se fortalecerem aqui dentro. Há uma comunhão a ser reestabelecida. Há uma Igreja que será sempre reformada, sempre renovada, a medida que nós, seus membros, cheios de esperança, firmes na mesma profissão de fé de São Pedro, tivermos coragem para desempenhar cada qual a sua missão. Assim seja! Amém.
29.07.2024 | Missa Maronita
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando os Santos Marta, Maria e Lázaro, amigos de Jesus, com esta liturgia em rito maronita, para a qual, toda segunda-feira, reza-se em memória dos Santos Anjos. Somos chamados a sermos amigos do Senhor. E, amigos do Senhor, são aqueles que o amam. Por isso, na leitura, São João em sua primeira carta é tão enfático sobre o amor. O Evangelista nos aponta que primeiro Deus nos amou, por isso devemos amar. Não amamos com palavras vazias, mas, com gestos concretos. Justamente porque, por primeiro, Deus nos amou concretamente, criando o mundo, firmando a aliança, enviando o seu Filho para que pela Paixão e Ressurreição nos desse a vida em plenitude. O Evangelho que ouvimos, nos fala da relação de amizade entre Marta, Maria, Lázaro e Jesus. Jesus soube que seu amigo, Lázaro, havia morrido e vai para consolar Marta e Maria, suas irmãs. Marta que vai ao encontro, professa sua fé no Senhor. Não pede a ressurreição de Lázaro, porque sabe que Lázaro ressuscitará na ressurreição do último dia, essa crença que surgiu entre os judeus no tempo dos Macabeus. E, pouco antes de sua morte e ressurreição, o próprio Jesus se revela para Marta como a Ressurreição e a vida. É, de fato, este o último dos sinais do Evangelho de São João. E Marta faz a profissão que só poderia vir daquela pessoa que está na intimidade com o Senhor: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. Só quem está na intimidade, no amor de Cristo, sabe quem ele é. Quem não está, pode ter Jesus como alguém a mais, um filósofo, um espírito elevado, o que for. Mas, nós o conhecemos, sabemos que ele é Deus. Podem escarnecer de Jesus, zombar dele, esquecê-lo. Mas, quem está na intimidade de seu amor sabe quem ele é, o professa, o segue. Que sua graça nos conduza, cada vez mais, a intimidade de seu amor, para que, sabendo quem é Jesus Cristo para nós, possamos ser seus amigos. Jesus chamou Lázaro do sepulcro à vida e quis hospedar-se na casa de Marta; que ele nos condeca que, o servindo fielmente em nossos irmãos, mereçamos com Maria ser nutridos pela meditação da Palavra. Assim seja! Amém.
terça-feira, 16 de julho de 2024
16.07.2024 | 4 meses de Pontificado
domingo, 14 de julho de 2024
14.07.2024 | XV Domingo do Tempo Comum
quarta-feira, 10 de julho de 2024
10.07.2024 | 4ª feira da 14ª Semana do Tempo Comum
domingo, 7 de julho de 2024
07.07.2024 | XIV Domingo do Tempo Comum
quarta-feira, 3 de julho de 2024
03.07.2024 | Festa de São Tomé, Bênção da Igreja e Posse do Bispo de Óstia
domingo, 30 de junho de 2024
30.06.2024 | XIII Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o décimo terceiro Domingo do Tempo Comum. Deus é Deus da vida. A literatura sapiencial, no livro da Sabedoria da primeira leitura de hoje, nos lembra que nós não fomos criados para a morte. Esta morte que nós conhecemos não era do plano de Deus. Por isso, na segunda leitura, a segunda carta de São Paulo aos coríntios fala-nos deste Cristo que sendo rico, se fez pobre. Deus sendo imortal, se fez mortal. Assumiu a nossa morte. Aquele que não tinha pecado, se fez pecado phor nós, diz o Apóstolo. Deste modo, São Paulo está convidado a comunidade de Corinto à prática da generosidade. Não adianta sermos bons em tudo, na fé, na eloquência, na ciência, no zelo para tudo, e na caridade, se não praticamos a generosidade. E a generosidade para o Apóstolo é a igualdade. É se colocar no mesmo nível. Hoje quando falamos de igualdade, parece até que estamos indo contrários a justiça. Talvez, sim, contra a justiça dos homens, mas não contra a justiça do Reino dos Céus. Porque aqui a igualdade não é ter tudo igual, todos. Não é o igualitarismo proposto por sistemas econômicos. A igualdade proposta por São Paulo é a capacidade do cristão de rebaixar-se até os outros, como Cristo fez conosco. A igualdade é não ter medo de se sujar na sujeira do outro. Sujeita tantas vezes que não é física, mas é interior. No Evangelho que ouvimos, São Marcos faz o que lhe é muito próprio, ele costura uma história dentro da outra. A menina morta, filha de Jairo, e a hemorroísa. Eram duas mulheres em situação de impureza. A mulher com fluxo de sangue não podia ser tocada. Não se podia tocar em gente morta. Quem tocasse em pessoas nessa condição se tornaria impuro. Mas, Jesus não se deixa influenciar por esta noção de puro e impuro. Ele toca. Ele deixa-se ser tocado exteriormente e interiormente. Tocado interiormente porque sente compaixão. Tocado exteriormente porque ele é tocado e toca. Ele não tem medo de se tornar impuro, porque sabe que o que torna o homem impuro é não se deixar tocar, não se deixar sensibilizar, não se abaixar até os outros. Deus é Deus da vida. Jesus restaura a vida em plenitude daquela hemorroísa, e restaura a vida a filha de Jairo. Onde sangra em nós? Onde estão as nossas feridas? Onde está a nossa situação de morte? Nós nos deixamos ser tocados pelo Senhor? Deixamos que as pessoas que vem ao nosso encontro nos toquem, ou finjimos ser alguém que não somos para não sermos tocados? Somos capazes de tocar as feridas dos outros como Cristo, para cura-las, ou apenas tocamos para fazer sangrar mais? Diante do estado de morte dos nossos irmãos e irmãs, levamos a vida e vida em plenitude, ou as condenamos ainda mais a morte? Tanta gente está morta por dentro, e nós não tocamos. Às vezes, somos nós mesmos que estamos mortos por dentro. Desesperados, desesperançados, achando que nada mais tem jeito. Aí nós nos tornamos como Jairo e como a hemorroísa, porque sabemos que apenas um toque do Senhor é capaz de restaurar a nossa vida. Amados irmãos e irmãs, Deus não tem medo de nos tocar na nossa impureza, não tem medo de se rebaixar ao nosso nível, ele quer restaurar a nossa vida. Pela terceira vez eu repito nesta homilia: Deus é Deus da vida. Quer que nós tenhamos vida em abundância. Quer que sejamos capazes de levar vida e vida em abundância a todos que estão a nossa volta. Por isso, ele toca com sua mão nas nossas e nos diz: CHUM! LEVANTA-TE! Assim seja! Amém.
sexta-feira, 28 de junho de 2024
29.06.2024 | Solenidade de São Pedro e São Paulo
28.06.2024 | Vigília de São Pedro e São Paulo
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a vigília da Solenidade de São Pedro e São Paulo, padroeiros de Roma. A voz de Deus ressoa pela boca dos apóstolos. Pela boca de Pedro, na primeira leitura, a cura do coxo de nascença, nos mostra que os sinais acompanhavam os apóstolos, que realizam os mesmos feitos de Jesus. Pela boca de Paulo, na segunda leitura, a confirmação que o Senhor se revelou a ele, e ele passou a ser seguidor desse Senhor Jesus. No Evangelho, a relação de Jesus com Pedro, que o pergunta se o amava. Bem sabemos, duas vezes Jesus pergunta se Pedro o ama com um amor ágape, e Pedro só consegue responder com amor filia, o amor de amigo. Então, o próprio Jesus desce ao nível de amor que Pedro era capaz de amar, como amigo. E, por ser amigo do Senhor, ele será cingido e levado ao martírio. Ainda assim, o Senhor o interpela: "Segue-me". Nos Evangelhos, o Senhor não deixa de chamar desde o encontro com os apóstolos, até depois de Ressuscitado. O chamado a segui-lo, para Pedro e para Paulo, é um chamado de amor. E esse chamado vai em uma direção, que é o testemunho da fé em Jesus Cristo por meio do martírio. Esse que é o auge do amor. Este é o som que ressoa da boca dos apóstolos, da vida dos apóstolos: a experiência do chamado. Porque a pessoa que é chamada, tem a liberdade. Deus não aprisiona ninguém. Pedro podia ter dito que não amava Jesus. Paulo podia ter continuado perseguidor dos cristãos. Cada um deles poderia ter continuado a sua vida como estava. Mas, diante do chamado do Senhor, sentem o incomodo. O chamado do Senhor nos desestabiliza. E cuidado para não compreendermos o chamado do Senhor apenas como vocação a vida presbiteral, diaconal ou religiosa. O primeiro chamado do Senhor a cada um de nós é um chamado para a vida. Depois, um chamado a vida nele, que denominamos como vocação universal à santidade. Por fim, chama para as missões específicas, seja na vida consagrada, seja no matrimônio, seja em outros estados de vida que o Senhor suscitar. Entender o chamado do Senhor não é tão simples. Exige de nós uma abnegação de nós mesmos, sem abnegar a nós mesmos. Nos exige uma saída de nós, sem que nós deixemos de ser quem somos. O Senhor escolheu Pedro e Paulo nas suas limitações. Não deixaram de ser homens, muito humanos. Às vezes nós temos uma dificuldade que é acharmos que uma vez que o Senhor nos chamou para uma missão específica, nós estaremos prontos, seremos como seres angelicais, deixaremos a nossa humanidade de lado. E não é assim que acontece. A graça de Deus pressupõe a nossa natureza. Cristo desce ao nível do amor de Pedro. Cristo vai ao encontro de seu perseguidor para torna-lo seu seguidor. O Senhor não tem medo de quem somos, porque ele olha para quem nós podemos nos tornar. E mesmo se nós ainda não conseguimos, ele nos auxilia com a sua graça. Graças ao ressoar na vida de Pedro e Paulo, hoje a Igreja continua fazendo ressoar, no seu testemunho, o Senhor Jesus Cristo. Então, não tenhamos medo de abraçarmos o chamado a sermos seguidores e seguidoras de Jesus Cristo. Por meio de nossa vida e missão, continua a ressoar o som da voz de Deus, o som de sua Palavra, o som de seu amor. Assim seja! Amém.
terça-feira, 25 de junho de 2024
25.06.2024 | Consistório Extraordinário
Eminentíssimos senhores cardeais, meus caros filhos. A liturgia de hoje nos apresenta no evangelho de São Mateus a insistência de Jesus para que não demos coisas santas aos cães e pérola aos porcos. Com estas afirmações e com a sua colocação sobre a porta larga e a porta estreita, Jesus está instruindo seus discípulos no caminho do Reino. A porta é estreita e são poucos os que a encontram. Quem encontra a porta estreita é quem se encontrou com Jesus Cristo. Aqui nos cabe perguntarmos: conhecemos a Jesus Cristo? Não quero aqui propor uma homilia sobre a liturgia diária. Mas, antes, voltar o nosso olhar para aquilo que é central para o nosso Ministério: Jesus Cristo. Será que o nosso cardinalato não é coisa santa aos cães e pérola aos porcos? Como usamos desta honraria que a Igreja nos deu? Como eu uso do pontificado que a Igreja me deu? Usamos como autênticos conhecedores de Jesus Cristo? Ou será que os nossos ofícios e títulos são pérolas aos porcos? Meus diletos irmãos, não posso dizer que o último mês foi um tempo simples e fácil. A ausência de uma grande parcela do colégio cardinalício foi sentido e refletiu em toda a Igreja. Todos nós passamos, obviamente, por momentos de provas de fim de semestre, de outras atividades, e aqueles que se ausentaram solicitaram a devida licença. Sim, sim, não nego isso. Mas espero que agora, fim da do semestre, seja o momento de voltarmos às nossas atenções para a nossa Igreja. Eu sempre vos disse com muita clareza, não tenho nenhum problema com a pessoa que entende que não deve dar tanta atenção à Igreja no Habbo. Mas essa pessoa tem total liberdade de pedir emeritude. Agora, o que não dá é para permanecermos apenas ocupando uma cadeira. E ao mesmo tempo, não fazermos os nossos ofícios. Não cumprirmos com os nossos ofícios. Infelizmente, algo que pesa muito para mim é a amizade que tenho para com muitos dos senhores. Com todos, basicamente. Este colégio cardinalício, que está atualmente é um colégio de amigos. Não tenho inimizade com nenhum dos senhores. Por isso, quando os senhores vêm com as vossas justificativas, que muitas vezes considero válidas e necessárias, eu sempre digo que está tudo bem. Porque eu não posso me impor as vossas vidas pessoais. Não posso impor a nossa Igreja acima da vossa vida. Sequer acho saudável que alguém faça isso. Mas, essa amizade às vezes pode atrapalhar também o próprio andamento da Igreja. Os senhores bem sabem que a minha tendência é sempre a misericórdia. Só que chega um momento que não dá para empurrarmos mais algumas coisas com a barriga. Por isso, considero que devemos refletir, estou colaborando com a Igreja? O ofício que tenho colabora com a Igreja? O que eu posso fazer sem depender dos outros? Não que na Igreja alguém seja sozinho. A comunidade é essência da Igreja. Só que cada um aqui dentro, como cardeal, deve ter as suas próprias iniciativas. Eu detesto interferir nos dicastérios. E só interfiro quando acho realmente necessário. Eu sei que é muito difícil eu dizer algo porque corre-se o risco de comparar com o meu próprio ministério enquanto cardeal. Por isso, peço aos senhores que, antes de olhar para minha pessoa, olhem para o meu ofício e para a responsabilidade que tenho diante da Igreja para dizer o que direi. O Dicastério para evangelização não promove as missões que eram necessárias. O Dicastério para o culto Divino e a disciplina dos sacramentos está engatinhando nas reformas litúrgicas. O Dicastério para os seminários não consegue terminar a apostila. O Dicastério para os leigos, eu ainda sequer vi a alguma página da apostila para os leigos. As arciprestias as eu não vejo outra celebração nas basílicas a não ser as minhas. Vejo alguns trabalhos com os presbíteros, mas ainda não o suficiente. Sinto, na verdade, falta de apoio com os presbíteros. O próprio monsenhor Ruan é alguém carente e que precisa da nossa atenção, porque faz um belíssimo trabalho pastoral com os leigos. Eu não sei como estão os meus bispos. Tem duas figuras do colégio episcopal que eu não sei o que fazer, que são dom Erlei e dom Everton. Na verdade, meus caros, sinto falta de um apoio no geral. Quando me lembro das nossas conversas sobre pontificados mais curtos, o que fez o próprio meu antecessor, João Paulo VIII, Ter tido um breve pontificado, fico pensando: O meu pontificado também deveria ser breve, mas como deixar a Igreja ainda com essas situações? Sem qualquer ilusão de Salvador da pátria, sem messianismo. Mas continuo meu Ministério no desejo de que todos nós nos empenhemos para podermos cumprir com aquilo que devemos fazer para com a nossa Igreja. Quando olho para discursos como o que vimos no grupo, recentemente, de ex clérigos, agora cismáticos falando que estão nas outras igrejas por causa dos pagamentos que lá existem, eu fico de fato feliz. Porque percebo que os que estão aqui estão porque levam com seriedade a Igreja. Que este colégio com a sua bonita missão de colaborar de perto com o Romano pontífice em sua missão. Possa também levar com seriedade o Ministério que lhes foi confiado. Que possamos continuar ao mesmo tempo, com leveza, para termos gosto pelo que fazemos, mas com o devido compromisso que assumimos.
segunda-feira, 24 de junho de 2024
24.06.2024 | Natividade de São João Batista
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade da Natividade de São João Batista, neste dia em que também rendo graças a Deus pelo meu aniversário natalício no dia de ontem. A liturgia de hoje nos mostra que Deus faz e cumpre as suas promessas. O segundo canto do servo sofredor, no livro do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura de hoje, nos fala de um Deus que escolhe o seu servo. A eleição, aqui manifestada sobre Israel, é presente também na narrativa do Evangelho, sobre a figura de São João Batista. No nome João, está também a manifestação da sua eleição: Deus é graça, Deus é benção, Deus é misericórdia. E essa graça, essa bênção, essa misericórdia são de Deus em favor a Isabel e Zacarias, que conceberam o filho na velhice. E, em Isabel e Zacarias está simbolizado todo Israel, todo o povo de Deus da Antiga Aliança, que ainda na velhice dá um último fruto, que é o último dos profetas. João Batista é o final definitivo do Antigo Testamento, porque, após ele, que aponta o Cordeiro de Deus, o próprio Cordeiro de Deus inaugura um novo tempo. De tantos precursores, de tantos profetas, João Batista é aquele imediato, aquele que aponta com seus dedos. Não em vão ele é o maior entre os nascidos de mulher, e ao mesmo tempo o menor no reino de Deus. Batizou com água, num batismo de conversão. Mas, batizou o próprio autor do batismo. Entre tantos batistas, ele se destacou por seu estilo de vida, pela coerência entre sua mensagem e sua prática. O anúncio da conversão não foi um simples anúncio de uma pequena ou mera mudança. Ele preparou o terreno, o caminho, para a verdadeira mudança e plena mudança no caminho de todos, na vida de todos, no percurso da humanidade. Mas, ao mesmo tempo ele reconheceu não ser digno de desatar as correias de sua sandália. O costume judaíco dizia que o homem a quem uma mulher fosse prometida em casamento, mas que a negasse, deveria desatar as correias da sandália de seu futuro marido. Todos achavam que João era o Cristo, mas, ele sequer era digno de passar-lhe a esposa, que é a Igreja. A esposa nunca foi dele, nunca lhe foi prometida. A promessa acerca de João, por outro lado, era de um Deus que daria até o fim os frutos a seu povo. Deus não se esqueceu de sua aliança com Israel, de sua promessa. Ele a cumpriu. Deus não é apenas um Deus de promessas, mas, é um Deus de realizações. Assim seja! Amém.
sábado, 15 de junho de 2024
16.06.2024 | XI Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o XI Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo, recorda-nos que somos necessitados da graça de Deus. Na primeira leitura, Ezequiel profetiza a partir do exílio da Babilônia. Provavelmente o profeta estava na primeira leva dos que foram deportados de Judá para a Babibilônia, sob o julgo de Nabucodonosor. Em sua profecia, primeiro Ezequiel se empenha em criticar o povo de Deus. O profeta lembra-os que foi por causa da infidelidade do povo, que agora eles sofriam o exílio. Mas, agora, Ezequiel está trazendo uma mensagem de esperança. O próprio Deus vai tirar um galho da copa do cedro e vai planta-lo sobre o alto do monte de Israel e sob sua sombra virão os pássaros. E, por estar acima de todas as outras árvores, todas saberão que o Senhor elevou aquela árvore. Esta mensagem é uma mensagem de profunda esperança para o povo exilado. Porque mesmo estando ali no exílio, Deus não se esquece deles. A mensagem de Ezequiel é que é o próprio Deus quem vai tirar Israel, seu povo, do exílio e vai levá-lo de volta para o alto do monte de Sião, para Jerusalém. E o profeta ainda termina dizendo "Eu, o Senhor, digo e faço". Quem faz, meus queridos, quem faz é o Senhor. Quem vai libertar a Israel não são suas próprias forças. É o Senhor. No Evangelho é colocada para nós uma categoria muito importante: o Reino de Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, encarnou-se por amor, e encarnou-se para uma dupla missão, a de salvar o ser humano, e para anunciar e instaurar o Reino de Deus. Mas, o que é o Reino de Deus? Jesus explica através de parábolas, porque é difícil entender o Reino de Deus. Sabemos que o Reino de Deus está no já e no ainda não. Ou seja, ele já está presente na história humana, mas ainda não é o Reino em plenitude. Porque o Reino de Deus não é deste mundo. Tanto que na segunda leitura, São Paulo fala aos coríntios que nós preferimos deixar a moradia do nosso corpo para ir morar junto do Senhor. Isso não quer dizer, é claro, nós pormos um fim a nossa vida. Mas, quer dizer que lá, sim, alcançaremos a plenitude do Reino. Porque o Reino de Deus é aquela realidade onde ninguém mais vai sofrer, ninguém mais vai chorar, ninguém mais vai ficar triste. Reino de Deus é aquela realidade onde não haverão pobres, nem ricos ensoberbecidos, nem famintos, nem sedentos, nem nhus, nem doentes, nem prisioneiros, nem ladrões, nem assassinos, nem fofoqueiros, nem julgadores, nem nenhum tipo de mal. Mas, não nos iludamos. Se participaremos do Reino na eternidade, depende se já participamos do Reino agora. E não apenas nós devemos estar no Reino de Deus, é o Reino de Deus que deve estar em nós. E como esse Reino acontece em nós? Como esse Reino acontece no meio de nós? O Reino acontece por ação de Deus. Por graça de Deus. Nós podemos até espalhar a semente do Reino em nós e no mundo. Mas, o Reino vai crescer por ação de Deus. O Reino de Deus tem uma energia, tem um dinamismo próprio que o faz crescer. E aí precisamos ser pacientes. Porque a semente vai germinando e crescendo, mas nós não sabemos como isso acontece. Precisamos ser muito pacientes com os outros em suas imperfeições. Mas, acima de tudo, precisamos ser pacientes conosco mesmos. Precisamos entender que o Reino vai crescendo em nós no dia a dia, nas coisas pequenas, e que nós quase não percebemos. Ser pacientes e deixar que o tempo cure nossas feridas. Porque todos nós trazemos feridas. Ser pacientes e deixar que a ação de Deus aconteça. Grandes momentos de conversão e de mudança são sim necessários, mas tendem a ser como a folha seca que rápido queima. A verdadeira conversão, a verdadeira mudança, o verdadeiro crescimento do Reino de Deus em nós é aos poucos. Nós temos que ter confiança e esperança. Sim, confiança e esperança que o Reino de Deus está crescendo em nós e no meio de nós. Que ele, que ainda é a menor sementinha, o grão de mostarda, vai se tornar a maior das hortaliças. Que o Reino de Deus, já instaurado por Jesus, um dia será tão grande, tão grande, que será muito maior do que todos esses reinos deste mundo. Sabem o que é este Reino? É o amor. Porque o Reino é de Deus e Deus é amor. Que sejamos capazes de abrir os nossos corações para permitirmos que a semente cresça, que o Reino de Deus se dilate, até o dia que ele for tudo em todos. Assim seja! Amém.
domingo, 9 de junho de 2024
09.06.2024 | X Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o décimo domingo do Tempo Comum. Devemos tomar cuidado com o espírito de divisão. A primeira leitura é a narrativa do pecado original. Adão e Eva representam toda a humanidade que quer ser como Deus. Deus fez a humanidade livre. E na sua liberdade, diante do tentador, Eva e Adão comem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Não só desobedecem a ordem de Deus, de que não poderiam come-lo, mas, queriam ter o conhecimento de Deus. E de fato, ali eles tomam consciência que estavam despidos. Ou seja, conhecem o mal. E quando conhecem o mal, o ser humano que é bom por natureza, porque é criação de Deus, se divide do seu criador. Aí está um primeiro espírito de divisão que o ser humano optou em sua liberdade. Mas, há na liturgia de hoje uma segunda situação de liberdade, que é a liberdade de Jesus. A perícope do Evangelho de São Marcos que ouvimos fala sobre a relação de Jesus com seus parentes, e costura no meio disso um embate de Jesus com os mestres da lei. São Marcos faz muito isso. E hoje nos mostra Jesus em sua liberdade. Ele é livre das amarras com sua parentela, é livre das amarras institucionais dos mestres da lei, é livre. E aqui, livre, mas não dividido. É livre dos seus parentes, mas amplia sua família a todos aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põe em prática. É livre dos mestres da lei, mas não deixa de apontar a salvação, o caminho da verdade, também a eles. Diante dos parentes que achava que Jesus estava ficando louco por causa de sua missão, o Senhor mostra que sua missão é sim extrema. É preciso as vezes renunciar ao sono, a alimentação, a diversão, por causa do anúncio do Reino de Deus. Sua missão não é uma missão de melindrosos, mas de homens e mulheres livres, capazes de assumir os extremos do Evangelho. No embate dos os mestres da lei, que acusam Jesus de expulsar os demônios em nome de Belzebu, o príncipe dos demônios, Jesus mostra como é ilógico o raciocínio deles. Não há Reino que se divida contra si mesmo e subsista. Mas nós tendemos a dividir o Reino de Deus. Não somos capazes, mas muitas vezes temos essa tendência. E fazemos isso quando optamos por não viver esse Reino. Fazemos isso quando dizemos não aos extremos do Evangelho. A partir de quando a Palavra de Deus chegou aos nossos ouvidos nós já estamos comprometidos com ela, qualquer abstenção é ilusória. Por isso o nosso não divide. Divide-nos de Deus e nos divide a nós mesmos, pois o ser humano não pode ser completo senão em Deus. Por isso, São Paulo na segunda carta aos coríntios que ouvimos pode dizer com tanta segurança que após os sofrimentos desta vida, Deus nos prepara uma moradia na eternidade. Pois aquele que se uniu ao Senhor por toda a vida, também espera se unir a ele no céu. Mas, aquele que dividiu seu coração do coração de Deus, aquele que foi instrumento de divisão de famílias, de grupos de pessoas, de amizades, todo aquele que dividiu, também terá seu lugar com o divisor, o diabo. Somos livres para escolher: união ou divisão, ser família de Jesus em seu Reino ou sermos nós os nossos próprios deuses?
quinta-feira, 6 de junho de 2024
06.06.2024 | Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o dia de oração pela santificação do clero. Deus nos amou por primeiro. Diante desta mensagem de amor, o profeta Oséias traz a promessa de Deus de não destruir o seu povo. O profeta anuncia um Deus de coração que se comove no íntimo e arde de compaixão. É um Deus apaixonado. Deus amante dos homens. E como amante, espera receber de troca o amor. E mesmo quando o amado não devolve amor, o amante continua a amar. O amor é gratuito, não precisa receber amor em troca. Antoine di Saint-Exupéry, em O pequeno príncipe, diz que se o amado vem as quatro, desde as três o amante começará a ser feliz. Deus é este amante tão apaixonado. E de seu coração apaixonado e encarnado em Jesus Cristo, morto no alto da cruz, o amor gera frutos. Os frutos jorram como a água e o sangue, do coração traspassado do Divino Redentor, e que São João narra no Evangelho que ouvimos. O amor jorra para nós no Batismo e na Eucaristia. No Batismo nos tornamos membros do Corpo do Cristo amante. Na Eucaristia, comungamos o amor. Que coração cheio de amor, meus irmãos e minhas irmãs. Coração chagado por amor. Coração cheio de amor pra dar. O coração de Jesus pulsa eternamente de amor por nós. Precisamos por os nossos corações pertinho do dele. Pois assim como um casal de namorados tocam os seus corpos e os corações parecem bater na mesma frequência e ritmo, os nossos corações encostados com o do Senhor baterão na mesma frequência, no mesmo ritmo e no mesmo amor. Este é o amor, meus irmãos e irmãs, que São Paulo diz na carta aos Efésios que é um amor que ultrapassa todo conhecimento. Esse amor inimaginável é o amor que Deus tem por nós. Ele espera o nosso amor. Não o força, não o obriga, mas o espera. Que possamos abrir nosso coração ao Sagrado Coração de Jesus para experimentarmos a força do amor gratuito de Deus e sermos capazes de amar um pouquinho do que ele ama. Rezemos pelo nosso clero do Habbo e por todo o clero da realidade, para que o Senhor santifique o seu clero. O Senhor escolheu homens muito pecadores, muito falhos, cheios de misérias, justamente para experimentarem a força do poder misericordioso do seu coração amoroso. Que o Senhor que chamou os seu clero, o santifique para que sejamos capazes de, apesar da fraqueza humana, alcançarmos a fortaleza do pastor de coração manso e humilde, que nos dá um fardo leve e tem um julgo suave. Jesus, manso e humilde de coração. Fazei do nosso coração semelhante ao vosso.
terça-feira, 4 de junho de 2024
04.06.2024 | Missa Exequial de Dom Darci José Cardeal Nicioli
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrarmos a páscoa de Dom Darci José Cardeal Nicioli. Este nosso querido irmão faz sua passagem, isto é, muda de estado de vida. É momento de fazermos duas reflexões: o sentido de nossa existência como Igreja no Habbo Hotel e o sentido da morte na vida do cristão. Sim, mesmo que este nosso irmão continue sua vida na realidade, pensarmos no sentido da morte cristã, já que aqui celebramos o fim de sua vida no hotel. Portanto, me permitam dividir minha homilia em duas partes. Em primeiro lugar, falarmos de nossa Igreja, a partir de Dom Darci. Porque Dom Darci está entre os primeiros de nossos irmãos, que fizeram parte dessa nossa Igreja e que se tornaram clérigos na realidade. Nos lembra que nossa Igreja é lugar de florescimento, de poda e de amadurecimento de vocações. E nisto a Igreja no Hotel tem muito a colaborar. Porque, por mais que hajam pessoas que conseguem viver quase um alter ego aqui, o que talvez seja muito problemático, a maioria de nós somos aqui o reflexo de quem somos na realidade. E na vida comunitária que aqui temos, podemos crescer uns com os outros. Também nos reflete quem aquela pessoa será na Igreja da realidade. Não sem excessões, o clero acaba sendo um termômetro para a própria pessoa que quer abraçar o chamado à vida sacerdotal, de perceber os sinais da vocação, e até mesmo de perceber que não os tem. A Igreja também nos ensina a lidar com o outro enquanto outro, nas nossas diferenças. Nestes sentidos, nossa Igreja tem muito a contribuir com cada um de nós. E Dom Darci foi alguém que soube vivenciar muito bem essa experiência que a Igreja do Habbo o concedeu. Aqui por muitos anos se desgastou. No seu período de pausa no processo formativo, largamente doou seu tempo e sua sabedoria à Igreja. Um homem sempre muito disposto a abraçar as missões lhe foram confiadas, e muito sincero consigo mesmo e com a Igreja quando não podia desempenha-las. Seu amor e carinho especial pela Mãe Aparecida, o devotou não apenas o cuidado com a casa da Mãe, mas, também e sobretudo, o ofício de Arcebispo de Aparecida. Pensarmos em Dom Darci é pensarmos num homem simples, que soube ajudar a Igreja muitas vezes no silêncio, ajudando os outros, estando com, sendo presente. Pensarmos em Dom Darci é pensarmos em gratidão a Deus por sua vida, pelo seu ministério, por tudo que fez e viveu conosco, e pedir a Deus que o acompanhe e esteja com ele neste novo estado de vida. Em segundo lugar, amados irmãos e irmãs, pensemos na morte do cristão. Nós não fomos criados para ficarmos eternamente neste mundo. Mas, esta morte que nós conhecemos, que é incerteza, que é dor, não estava nos planos de Deus. Por isso, a Ressurreição de Jesus Cristo dá novo sentido à nossa morte. Sim, pecamos. Mas estamos cheios da esperança que Deus, em sua misericórdia, perdoe os nossos pecados de um modo ainda maior do que somos capazes de perdoar. Nós tememos a experiência da morte. Tememos porque nossa fé ainda não é do tamanho de uma semente de mostarda. Temos medo de cair na escuridão, na inexistência. Temos medo porque não somos capazes de imaginar a morte como experiência além do espaço e do tempo. Aí transformamos em nossa imaginação o céu, o inferno em lugares. Contamos até dias de purgatório, num lugar que não há tempo. Mas, irmãos e irmãs, diante de todo esse mistério que envolve a morte do cristão, tenhamos esperança. Tenhamos esperança que viveremos para sempre em Deus. Tenhamos esperança pois a vida saiu vitoriosa na batalha entre a morte e a vida. Tenhamos esperança porque ele foi nos preparar um lugar no céu. Não um lugar físico, não mais uma morada física, mas uma morada, um lugar eternos. Eterno é aquilo que não tem começo, nem meio e nem fim. Lá Deus será tudo em todos. E eu acredito que quando fecharmos os olhos neste mundo para abrirmos em Deus, ele só fará pergunta no juízo: "AMASTE?". E eu e você responderemos com toda sinceridade possível o quanto amamos e o quanto não amamos. Deus não nos acusa. O divisor nos acusa. Nós nos acusaremos, e agora sabendo de todas as coisas. O Espírito Santo será nosso advogado. Nossos juízes o Pai e o Filho. O Pai que amou tanto o mundo que enviou seu Filho. O Filho que amou tanto o mundo que morreu na cruz por amor. Amados irmãos e irmãs, diante deste tribunal, como não confiarmos na infinita misericórdia? Ele nos julgará com justiça. Mas, até o último instante de nossa vida, até o último sopro de existência em nós, ele estará procurando um meio de nos converter para que sua sentença para nós seja a misericórdia. Assim seja! Amém.
domingo, 2 de junho de 2024
02.06.2024 | Solenidade de Corpus Christi
Amados irmãos e irmãs, querida comunidade romana, estamos celebrando a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Celebramos, hoje, a solenidade do Sacramento. A primeira leitura do livro do Êxodo nos fala sobre a aliança firmada entre Deus e o povo, por meio de Moisés, quando o povo adere a aliança. E o sinal desta aliança firmada, é a aspersão do sangue dos animais do sacrifício, derramado sobre o altar e aspergido sobre o povo. É firmado um pacto de sangue. O sangue não é sinal da morte na tradição hebraica. Pelo contrário, o sangue era sinal da vida, que traz pureza e impureza. Pois bem, a vida nos veio não pelo sangue dos animais da antiga aliança, mas, pelo sangue de Cristo, derramado no altar da cruz e aspergido sobre nós, firmando uma nova e eterna aliança, como nos explicou o autor da carta aos Hebreus na segunda leitura. E ali, na cruz, ele fez-se ao mesmo tempo sacerdote, altar e cordeiro. Ele foi, como nos diz a liturgia da Igreja Maronita, Imolado Redentor, que oferecesteu a si mesmo ao Pai!: "Ó Cordeiro, que fostes de Vós mesmo o Pontífice sacrificador!". Ele mesmo, antes de padecer a Paixão e ser vitorioso na Ressurreição, quis instituir o memorial de seu mistério Pascal por meio da Eucaristia, como nos relatou São Marcos no Evangelho que ouvimos. De fato, no XI Sínodo dos Bispos, em 2001, os Bispos da Igreja afirmaram que a Eucaristia é fonte e ápice da vida e missão da Igreja, de modo que dela tudo brota e nela tudo culmina. O Senhor fez do seu Sacramento da Eucaristia para ser seu mistério Pascal e nosso alimento. Mistério Pascal pois não podemos reduzir a Eucaristia, a celebração eucarística, apenas a Paixão do Senhor. De fato, a celebração eucarística é o sacrifício incruento do Redentor. Ao mesmo tempo, ela é mistério do Cristo que desce a mansão dos mortos, é a celebração do Senhor Ressuscitado, que imolado já não morre e morto vive eternamente, e é a celebração da mesa do Senhor, da ceia que o Senhor Ressuscitado prepara para nós. Nós acreditamos que o mistério que celebraremos eternamente no céu, já o vivemos sob o véu do Sacramento. Já nos assentamos na mesa na qual queremos nos assentar eternamente no céu. Ali, na Ceia, Jesus institui a Eucaristia, "isto é meu corpo", "isto é meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança". A nova aliança, a aliança indestrutível, foi firmada no sangue Redentor. E nós nos alimentamos deste Corpo e Sangue. O Deus infinito, imenso, que não pode caber em lugar algum, que não podia morar em construção humana, se encarna e se faz homem, e, depois, se faz pão e vinho para nos alimentar. Quão grande mistério de amor! Os escritores sagrados dizem com beleza, admirados com o fato de terem um Deus tão próximo. Imaginem, irmãos e irmãs, se eles tivessem tido a oportunidade de contemplar o próprio Deus feito pão e vinho, que se dá como alimento? Esta solenidade de hoje, nos quer recordar a importância do Sacramento da Eucaristia. Mas, não apenas. Quer nos lembrar que se comungamos o Corpo e o Sangue do Senhor nas espécies do pão e do vinho, é para nos cristianizar, ou melhor, nos cristificar. Somos chamados a deixar que o Sangue de Cristo corra em nossas veias; que seu Corpo ocupe as feridas existentes em nosso corpo, até podermos dizer que é Cristo que vive em nós. Senão, a Eucaristia perde seu sentido. Porque, se o sentido da Eucaristia é fazermos comunhão com Deus, quando ela não nos transforma, não mexe em nosso interior, podemos até comer o Corpo de Cristo, mas, não fazermos comunhão. Por isso, nada vale o exterior, se não levarmos em consideração o interior. Os gestos, as palavras da liturgia, precisam ser cheias de vida. Não adianta comungarmos de joelhos, se não dobramos nosso coração diante do Senhor. Não adianta não tocarmos as mãos na Sagrada Eucaristia por respeito, mas o recebermos numa boca imunda de pecado. Não somos capazes de dar mais ou menos dignidade a Deus, pois ele já é digníssimo. Não vivamos uma exterioridade eucaristíca, enquanto nosso coração permanece fechado ao Corpo e Sangue de Cristo. Quero encerrar esta nossa reflexão, propondo também uma reflexão de São João Crisóstomo, que muito antes de Santo Tomás de Aquino recebeu o título de doctor eucharisticus, por sua elaborada teologia sobre a Eucaristia: "Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não o desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem ohonres no templo com vestes de seda, enquanto o abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que disse: 'Isto é o Meu Corpo' (Mt 26, 26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: 'Porque tive fome e não Me destes de comer' (cf. Mt 25, 35); e também: 'Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer' (Mt 25, 42.45). Aqui, o corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos desvelos. Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro. Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso.".
domingo, 26 de maio de 2024
26.05.2024 | Solenidade da Santíssima Trindade
Amados irmãos e irmãs, celebramos neste domingo a Solenidade da Santíssima Trindade, a Solenidade de Deus. O Pai que envia ao mundo o Filho, no Espírito Santo, revela para nós seu admirável mistério. Recordem-se àquilo que eu dizia numa catequese há algumas semanas: o mistério não é aquilo que não conhecemos; o mistério de Deus é àquilo que se revela a nós, que se deixa ser conhecido, e que ao se revelar, revela que há muito mais a ser revelado, porque este mistério é inexaurível, inesgotável. Portanto, somos capazes de compreender, ao menos particialmente, esta revelação de Deus como Trindade. Amados irmãos e irmãs, o próprio termo "Deus", em hebraico "Elohim", é um termo plural, tanto na nossa língua portuguesa, como também é no hebraíco. No Antigo Testamento, vários momentos apontam para a manifestação trinitária de Deus. Como o uso do "façamos" na criação do mundo já é sinal da Trindade e os três homens que aparecem a Abraão sob o carvalho de Mambré. Na primeira leitura, ouvimos Moisés ordena: "Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele." Mas, um pouco antes, disse: "Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações...?". Percebemos aqui a passagem da monolatria para o monoteísmo. Ou seja, diante de Israel, que antes acreditava que poderiam existir vários deuses, mas só adorava um Deus, agora passam a crer na existência de um único Deus. E este Deus, é o Deus de Israel. De fato, da descendência de Abraão surgem as três principais religiões monoteístas, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Mas, apenas para os cristãos, Deus se revelou ainda mais e não só que é um único Deus. Deus revelou ser um só Deus em três pessoas. Jesus Cristo, a Palavra de Deus, é o revelador do Pai e do Espírito Santo, como ouvimos no evangelho da solenidade de hoje. Este Jesus que envia os seus discípulos a fazerem discípulos seus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. De fato, Santo Atanásio nos recorda em sua fórmula de fé, com maestria, que o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus, mas, não são três deuses, é um só Deus em três pessoas, "e nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas, as três Pessoas são coeternas e iguais entre si." Daqui a pouco vai rezar o prefácio de hoje que "adoramos cada uma das três pessoas, na mesma natureza e igual majestade". Sim, irmãos e irmãs, conhecemos a Deus como o Pai, àquele que nos criou, como Filho, que nos salvou, e como Espírito que é o santificador. Mas, quando uma pessoa da Trindade age, age toda a Trindade em comunhão. E comunhão é a palavra forte para falarmos da Trindade. Santo Agostinho diz que "Por isso, Ele (Deus) é Trindade! Porque o amor supõe alguém que ama, alguém que é amado e o próprio amor.". A Santíssima Trindade é plena comunhão, é relação pericorética, ou seja, um amor tão profundo, tão imenso, tão inesgotável, que não somos capazes de compreender ou imaginar. Mas, este Deus é nosso modelo de comunhão também. O filósofo francês Emmanuel Mounier afirma que "só em momentos milagrosos há uma certeza de comunhão que serve de viático para a vida toda.". Assim, diante da dificuldade de fazermos e vivermos em comunhão entre nós, como irmãos e irmãs, em todo o mundo onde precisa reinar a paz, somos chamados a olhar ao nosso Deus-Trindade. E, mesmo sem compreendermos, experimentar o amor de Pai, de Filho e do Espírito Santo, sem limite, como comunhão de amor, e de joelhos diante deste tão grande mistério, nos inspirarmos para sermos promotores da verdadeira comunhão também neste mundo. Esta comunhão que é, como filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos e irmãs de Jesus, com o Espírito Santo que é Deus que habita em nós, sermos irmãos e irmãs entre nós, irmãos e irmãs universais, promotores e construtores de um mundo melhor, sem tanta guerra, sem violência, sem destruição a natureza, sem miséria, sem fome, sem que hajam irmãos que morrem por causa da maldade humana, e nas nossas micro-relações, que sejamos mais respeitosos, que consideremos e cuidemos dos outros como nossos verdadeiros irmãos e irmãs. E que nos acompanhe o modelo a intercessão de São Filipe Néri, o apóstolo de Roma que desgastou sua vida no serviço aos doentes, aos pobres e aos jovens, como irmão de todos. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 23 de maio de 2024
23.05.2024 | Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora com os Salesianos
Amados irmãos e irmãs, querida família salesiana, aos quais saúdo no nome do Dom Fernando Cardeal Haddad, "foi ela que tudo fez". Estamos celebrando a Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora, grande padroeira desta família de Dom Bosco. Foi ele mesmo que disse que “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso”. De fato, a primeira leitura nos fala de uma mulher no céu, coroada de estrelas, vestida de sol, com a lua sob os pés. Irmãos e irmãs queridos, esta mulher é Maria, mas esta mulher também é a Igreja. Nós cremos que aquilo que viveu Maria na sua assunção, também viveremos na ressurreição da carne. Cremos que há uma festa para nós no paraíso, e que no caminho para esta festa, Maria é nosso auxílio. Nas Bodas de Caná, que ouvimos no Evangelho, ela é auxílio para aqueles esposos recém-casados, diante da humilhação da falta de vinho. O vinho traz alegria. O vinho pelo qual roga a Mãe Auxiliadora, deve ser também o vinho da família salesiana. Vinho da alegria, mas também um vinho novo. Sem nunca perder de vista a novidade do Evangelho que deve ser sempre novo em seu anúncio aos jovens, anunciado com alegria. Mas, também sem nunca perder de vista que o milagre acontece nas mãos dos que servem. Eles tiram água das talhas e em suas mãos a água se torna vinho. Jesus faz o milagre por meio dos que servem. Peçamos que Nossa Senhora seja sempre nosso auxílio em todas as necessidades, para que nunca fiquemos desamparados, mas sempre obtenhamos sua materna intercessão e cuidado. Não somos órfãos, temos uma mãe. Deus quis ter mãe. E sua mãe é nossa mãe, e é Mãe Auxiliadora. E que ela seja nosso auxílio no caminho para a plenitude da vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor, levando conosco os nossos jovens. Assim seja! Amém.
domingo, 19 de maio de 2024
19.05.2024 | Domingo de Pentecostes
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o Domingo de Pentecostes. Este domingo que é a terceira mais importante solenidade do ano litúrgico, depois da Páscoa e do Natal é a festa do Espírito Santo. Entremos, pois, no mistério que celebramos. Estamos no quinquagésimo dia depois da Páscoa, o Pentecoste, dia em que segundo o relato dos Atos dos Apóstolos, os discípulos ficaram cheios do Espírito Santo no cenáculo de Jerusalém. De fato, o Espírito já havia sido soprado sobre eles por Jesus Ressuscitado, conforme o relato de São João. Mas, a partir do Pentecostes, nós percebemos os frutos, os dons, o agir do Espírito Santo. O Espírito Santo age, ele é Deus em movimento, e movimento de amor. É ele quem distribui os ministérios, os carismas e os seus sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, ciência, fortaleza, piedade e temor de Deus. É o Espírito Santo que ora em nós e phor nós. Ele precisa de nossa abertura de coração. E do mesmo modo que no Batismo recebemos o Espírito Santo e na confirmação, na crisma, assumimos com maturidade o agir do Espírito em nós, hoje a Igreja que nasceu do lado aberto do seu Redentor crucificado, que dele Ressuscitado recebeu o sopro do Espírito, torna-se madura na missão pela ação do mesmo Espírito. E como percebemos essa maturidade da missão? Os discípulos começam a falar em línguas estranhas, ou seja, em outros idiomas, e anunciaram o Evangelho. Precisamos perceber, irmãos e irmãs, como está a maturidade de nossa Igreja, e de modo especial a nossa Igreja no Habbo Hotel, a partir da nossa missão. É justamente neste contexto que a partir desta semana irei eu mesmo, como primeiro, presidir a Celebração da Palavra nos quartos públicos de nosso Hotel. Nós precisamos reaprender os modos de evangelização. Precisamos falar nas novas línguas. Algumas vezes podemos olhar, tanto para a nossa Igreja virtual tanto para a Igreja real e percebermos que vem diminuído o número dos membros da Igreja, diante de cisões, do desânimo e da falta de fé. Irmãos e irmãs queridos, que a Igreja de Jesus tenha poucos membros, não há problema. Problema é se formos insignificantes. Se nossa palavra, que é a Palavra, não tiver mais eficácia no mundo, na sociedade, não for transformadora e renovadora. Nossa palavra precisa ser quase um novo sopro do Espírito Santo sobre os outros. Sopro no sentido da ruah de Deus, naquele sopro criador do livro do Gênesis que manifesta o Espírito Santo ainda na criação do mundo. Sopro do Ressuscitado. Sopro que é aquela brisa leve onde Elias sente a presença de Deus. Sopro que é a forte ventania do dia de Pentecostes, que sinaliza a vinda do Espírito. Isto manifesta a força do Espírito Santo. Precisamos desta força. Mas esta força se manifesta no amor. Porque o Espírito Santo é o amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai, este amor é uma pessoa divina. Deste modo, quando pedirmos o Espírito Santo, não o peçamos de um modo intimista e individualista, como que apoderando-se do Espírito Santo e principalmente o honrando como Deus. Não usemos do Espírito Santo em vão. Percebamos, porém, seu sopro, sua ação que ocorre com força e carinho, quando abrimos o nosso coração a Ele e dizemos: Vem, Espírito Santo. Venha não apenas sobre mim, mas sobre todos nós. Vem para nos abrir ao amor. Vem com toda a força de vosso poder divino e vossa generosidade bondosa. Vem e rasga o nosso coração para conhecermos os vossos mistérios. Encerrando este tempo Pascal, Espírito Santo, vem como água viva e purifica nossos corações. Vem, Pai dos pobres, e inflama nosso coração do amor caridade uns pelos outros, para que frutifique em nós os dons que nos concedestes desde o nosso Batismo e confirmastes na Crisma para que assumissemos a maturidade da fé. Vem, Espírito Santo, sobre a vossa Igreja e não permita que ela caia na insignificância de ser incapaz de se comunicar com o mundo moderno, onde ainda tens tanto a agir. Age, Espírito Santo, em nós e phor nós. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 17 de maio de 2024
18.05.2024 | Missa da Vigília de Pentecostes
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos na vigília do domingo de Pentecostes, esta que é a principal solenidade do ano litúrgico após a Páscoa e o Natal. Estamos encerrando a semana de oração pela unidade dos cristãos aqui no hemisfério sul. Logo, a antífona de entrada dessa missa já canta para nós, o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito Santo que habita em nós. Amados irmãos e irmãs, celebramos hoje o mistério do Espírito Santo. Esta é a grande festa do Espírito Santo. Que também é festa da Igreja, porque a igreja que nasce no Coração de Jesus Cristo, recebe o dom do espírito para ser fortalecida em sua missão. A característica da vigília é sempre um momento de espera. Embora já celebremos o grande mistério de Pentecostes, o evangelho que ouvimos é Jesus que fala do Espírito Santo, fala daqueles e os de água viva, que jorram da pessoa que bebe nele, mas o Espírito ainda não havia sido dado. E nesta missa da vigília, o que queremos pedir é o dom do Espírito Santo. Que este Espírito repousa sobre nós. Mas não podemos pedir este dom do Espírito Santo sem entendermos quem é este espírito. Hoje fala-se muito de um Espírito Santo sem história. Um Espírito que vem quase como um servo. Um Espírito que parece que vem e que vai como se fosse uma mera incorporação. Devemos entender que o Espírito Santo é Deus. Estamos celebrando a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Aquele que pairava sobre as águas antes da criação do mundo. Aquele que, ao longo do antigo testamento, manifesta-se em muitos sinais e de vários modos, e que é revelado plenamente por Jesus Cristo. E por Cristo e pelo Pai enviado sobre nós. Não podemos pensar como Joaquim de Fiori, que há um tempo do Pai, um tempo do Filho e um tempo de Espírito Santo, porque, como bem sabemos, quando uma das pessoas da Trindade age, agem também as outras em comunhão. Mas se a ação do Espírito Santo é propriamente a de santificar, e ele quem continua santificando a todos nós, a Igreja as oblatas, o mundo todo. É belo que em toda eucaristia, oferecemos o Cristo no Espírito Santo. É ação do Espírito Santo que faz com que as nossas ofertas sejam consagradas e nós pedimos o Espírito Santo não apenas sobre as ofertas, mas também sobre nós. São as duas epicleses da missa. Na liturgia maronita a epiclese sobre as espécies eucarísticas o sacerdote. Movimentas mãos sobre as ofertas, como se fosse o bater das asas daquela pomba com a qual se manifestou o Espírito Santo quando desceu sobre Jesus no batismo. Ainda assim, o Espírito Santo não é uma pomba, não é o fogo, não é nada deste sinais. Eles são símbolos para se referir a essa realidade pohr nós, tão incompreendida, que é esse Espírito Santo. De fato, a Igreja oriental é muito mais pneumatológica do que nós, que somos totalmente cristocêntricos. Não que isso seja um problema, justamente porque só me conhecemos a Jesus Cristo por causa da ação do Espírito Santo que fez com que a mensagem da salvação chegasse até os nossos tempos. E se hoje pedimos o Espírito Santo, pedimos que ele abrase o nosso coração para a dádiva da unidade. O espírito que une tanta gente, tantas línguas diferentes numa mesma unidade, una também todos os cristãos sob um mesmo Senhor, sob um mesmo sentimento: sentimento comum de urgência do cuidado com a natureza que é dom de Deus; sentimento comum de urgência da paz entre as nações; sentimento comum da urgência do cuidado com os empobrecidos; sentimento comum de que mesmo sendo muitos os cristãos, se não cuidarmos de tudo isso, não somos, autenticamente cristãos sob o impulso do mesmo Espírito Santo. Assim seja! Amém.