Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade da Natividade de São João Batista, neste dia em que também rendo graças a Deus pelo meu aniversário natalício no dia de ontem. A liturgia de hoje nos mostra que Deus faz e cumpre as suas promessas. O segundo canto do servo sofredor, no livro do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura de hoje, nos fala de um Deus que escolhe o seu servo. A eleição, aqui manifestada sobre Israel, é presente também na narrativa do Evangelho, sobre a figura de São João Batista. No nome João, está também a manifestação da sua eleição: Deus é graça, Deus é benção, Deus é misericórdia. E essa graça, essa bênção, essa misericórdia são de Deus em favor a Isabel e Zacarias, que conceberam o filho na velhice. E, em Isabel e Zacarias está simbolizado todo Israel, todo o povo de Deus da Antiga Aliança, que ainda na velhice dá um último fruto, que é o último dos profetas. João Batista é o final definitivo do Antigo Testamento, porque, após ele, que aponta o Cordeiro de Deus, o próprio Cordeiro de Deus inaugura um novo tempo. De tantos precursores, de tantos profetas, João Batista é aquele imediato, aquele que aponta com seus dedos. Não em vão ele é o maior entre os nascidos de mulher, e ao mesmo tempo o menor no reino de Deus. Batizou com água, num batismo de conversão. Mas, batizou o próprio autor do batismo. Entre tantos batistas, ele se destacou por seu estilo de vida, pela coerência entre sua mensagem e sua prática. O anúncio da conversão não foi um simples anúncio de uma pequena ou mera mudança. Ele preparou o terreno, o caminho, para a verdadeira mudança e plena mudança no caminho de todos, na vida de todos, no percurso da humanidade. Mas, ao mesmo tempo ele reconheceu não ser digno de desatar as correias de sua sandália. O costume judaíco dizia que o homem a quem uma mulher fosse prometida em casamento, mas que a negasse, deveria desatar as correias da sandália de seu futuro marido. Todos achavam que João era o Cristo, mas, ele sequer era digno de passar-lhe a esposa, que é a Igreja. A esposa nunca foi dele, nunca lhe foi prometida. A promessa acerca de João, por outro lado, era de um Deus que daria até o fim os frutos a seu povo. Deus não se esqueceu de sua aliança com Israel, de sua promessa. Ele a cumpriu. Deus não é apenas um Deus de promessas, mas, é um Deus de realizações. Assim seja! Amém.
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