quarta-feira, 13 de novembro de 2024

13.11.2024 | Criação Cardinalícia

Beatíssimo Pai, Bonifácio II, hoje vossa santidade insere neste Colégio Cardinalício o Cardeal Everton Andrade. Este Colégio, Santo Padre, formado pelos vossos colaboradores mais diretos, quer estar sempre ao vosso serviço, apesar da debilidade de seus membros. Debilidades estas que também já havia entre os discípulos de Jesus, que diante do anúncio da Paixão ainda discutiam quem dentre eles era o maior, conforme ouviremos em breve. Ainda hoje, parece que nós estamos pelo mesmo caminho e com a mesma discussão, querendo saber quem dentre nós é o maior. Oxalá possamos um dia, como Colégio, superar isso para podermos viver o serviço junto a vossa Santidade. 

Eminentíssimos senhores cardeais, esta superação só é possível com a graça da unidade. A unidade nos faz superar, inclusive, àquela necessidade de ficarmos criticando, fazendo fofoquinhas sobre as funções do outro. Quando cada um de nós é capaz de olhar para o próprio ministério e exercê-lo com generosidade, superamos o próprio querer ser maior ou menor. Quando olhamos para os nossos encargos e pensamos que esta sé é mais importante que aquela por si só, ou que este ou aquele dicastério é mais importante, este ou aquele encargo... No fundo, o mais importante é que façamos bem aquilo que nos foi confiado. E, na dinâmica de ontem, ainda assim seremos servos inúteis, que fizeram o que devia ser feito.

Dom Everton Andrade, perceba, vossa eminência, que és inserido num Colégio de imperfeitos. És, agora, mais um imperfeito entre nós. Claro, demonstrantes estar apto para as exigências do Colégio Cardinalício, nivelando na medida alta de Cristo. Mas, não se iluda que recebes esta honraria por seus méritos. Agora, não passes a olhar, caro irmão, os outros de cima para baixo. Mas, olhe de baixo para cima, como o Cristo Jesus olhou aos seus discípulos quando lhes lavou os pés. O cardinalato é muito mais do que uma honra. É um título de serviço que nos obriga a sermos exemplares, mesmo sendo falhos, a nos dedicarmos no serviço ao Romano Pontífice, mesmo tendo limitações, nos obriga a amarmos até o fim, mesmo que banhemos nossas vestes vermelhas com o nosso próprio sangue para continuar a obra salvífica da Igreja, a obra de Jesus Cristo.

Obrigado!

terça-feira, 12 de novembro de 2024

12.11.2024

Amados irmãos e irmãs, neste dia em que Dom Jorge Snaif e eu celebramos nossoaniversário de Ordenação Episcopal, é uma enorme alegria nos reunirmos convosco para celebrar a Eucaristia, a Ação de Graças. Hoje, Dom Snaif e eu podemos dizer aquilo que Jesus nos diz no Evangelho e que todos nós deveríamos dizer: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer. Nossa luta, amados irmãos e irmãs – e aqui não digo apenas sobre mim e meu irmão no episcopado, mas, sobre todos nós – nossa luta é para fazermos mais do que o mínimo. Nós deveríamos viver mais do que aquilo que nos pedem os mandamentos da Lei de Deus. Deveríamos fazer sempre mais. O problema é que justamente nesse desejo de querermos fazer mais, pensamos que podemos fazer pelas nossas próprias forças. Mas, é sempre a graça de Deus que age, irmãos e irmãs. Se hoje Dom Snaif e eu comemoramos nossos tantos anos de Ordenação Episcopal e de serviço a essa Igreja, certamente não é por nhossos méritos, nem pela nossa santidade, nem pelo nosso esforço: é pela graça de Deus.  A carta de São Paulo a Tito caminha na mesma dinâmica, ao falar do ministério do ensino, algo que também é próprio do ministério episcopal, recorda à Tito que a graça de Deus se manifestou pela salvação universal em Jesus Cristo, que purificou o seu povo para que este se dedique a praticar o bem. Irmãos e irmãs, praticar o bem vai para além da prática, do seguimento aos mandamentos. Justamente porque Deus é bom ele nos dá a sua graça para superarmos o mínimo necessário, mas, atingirmos graus de perfeição no amor e no serviço. São Josafá, este santo bispo e mártir ucraniano que hoje celebramos, é um exemplo neste sentido. O apóstolo da unidade dos cristãos orientais, chamado de raptor de almas, trabalhou incansavelmente para reunir àqueles que estavam separados da comunhão com a Sé de Roma partindo daquilo que havia de comum entre eles. Ele via a unidade como dom, como graça, e essa unidade vivida na pluralidade. Caro Dom Snaif, obediência e paz, humildade, nossos lemas, são nossos desejos, nossos ideais de vida. Que a graça de Deus nos ajude, a nós, caro irmão, e a todos nós, comunidade reunida, a atingirmos nossos ideais, aquele grau de perfeição no amor e na unidade, sinal e manifestação do Reino de Deus. Assim seja! Amém.