domingo, 23 de dezembro de 2018

24.12.18

Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando a Noite Santa do Natal do Senhor. É privilégio papal 
antecipar um dia a grande solenidade do Natal, para que haja a plena participação do clero, ou melhor,
daqueles que se interessam em viver este momento. 
Nós vagávamos errantes, cada qual seguindo o seu caminho, em meio a sombra e as trevas,
mas a primeira leitura nos traz a bonita dimensão da luz que surge nessa noite em que vivemos.
Sim, Deus sempre age no meio da escuridão da noite. Essa noite santa, noite fria lá em Belém,
surge para toda a humanidade a nova luz. Mas a luz não apenas surge, ela rompe, ela rasga essa noite,
pois o Salvador do Mundo chegou,e vem trazendo a esperança. Ele vem para dominar os tronos 
e ser poderoso. É um menino que herdará o trono do seu Pai Davi. E então, nos encaminhamos 
para o Evangelho dessa noite santa. São Lucas narra para nós com detalhes, a maneira que Cristo
assume a fragilidade humana. Deus, o todo-poderoso, faz-se criança e nem tem lugar para nascer.
Cristo nasce numa estrebaria, e é envolto em faixas e posto em uma manjedoura. Ali estava o 
Salvador da Humanidade, feito frágil, tão simples, tão pequeno. Parecia impossível que aquele
que já surgia no mundo sendo humilhado, na verdade fosse o Filho de Deus. Então Deus se revela
um tão grande mistério de amor. E o Natal é isso, é festa do amor. É festa do amor de nosso Deus
que fez com que ele assumisse a posição de ser servo. É maravilhoso o mistério dessa noite. 
Cristo surge como servo, assume a condição de servo, já sendo recusado, e tudo isso para iniciar
um caminho que seguirá até cumprir completamente a salvação da Humanidade. Hoje é dia de alegria,
pois se inicia o processo de nossa Salvação. Este processo que passa pela cruz e caminha até a ressurreição.
Hoje os anjos cantam nos céus, e os pastores seguem apressadamente para ver o menino na manjedoura!
Deus se fez homem! Deus está conosco! Sim, Ele veio! Sim, Ele nos ama! Sim, Ele quis se fazer
presente no meio de nós! Hoje, irmãos, o entranhado amor de Deus entrou no mundo. Hoje Cristo nasceu no tempo. Deus entrou na história. O incomparável e eterno hoje de Deus 
marcou presença nas realidades quotidianas do homem! Bendito seja Deus, que quis ser presente 
no meio de nós. Que o mistério do Natal do Senhor penetre em nossas vidas! Que este mistério
nos transforme, e que todos os povos de todos os cantos da Terra, possam ver e se admirar. Que todos possam ouvir o brado dos anjos e o nosso brado de alegria: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS!
Glória a Deus que nos ama! Glória a Deus menino! Glória, pois a luz nasceu! Glória, pois chegou o
Salvador! Confiemo-nos Nele, pois Ele veio fazer de nós um reino para vivermos na alegria eterna!
A todos um feliz e abençoado Natal! 

domingo, 16 de dezembro de 2018

16.12.18

Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do advento, o domingo da alegria.
Avistando a proximidade do Natal, a Igreja nos convida a alegria. A Liturgia desse domingo nos
convida a uma reflexão profunda sobre o que devemos fazer.
A primeira leitura do livro de Sofonias nos convida a alegria. Sofonias, ainda na dinâmica do 
grande exílio do povo de Israel para a babilônia, narra que o Senhor Javé iria salvar o seu povo. 
Ele libertaria os cativos que ainda estavam na babilônia, organizaria os que ficaram no país, iria
dar a eles uma nova identidade, sendo seu líder, seu rei. Mas adentremos mais profundamente
nessa dimensão. A função primordial da autoridade política de Israel, o rei, era defender o povo.
Mas os reis de Judá e os de Israel, foram incompetentes, gananciosos, corruptos e opressores.
Assim, o povo foi quem pagou por isso tudo. Foi levado para o exílio, enquanto outros tiveram 
que trabalhar para pagar a dívida do país. Assim nos surge Jesus Cristo, como aquele, que quando
o povo se perdeu, veio, na plenitude dos tempos, para pagar a dívida de nossos pecados. O próprio
profeta Isaías vai recordar isso no capítulo 53: "A punição a ele imposta foi o preço dos nossos pecados."
O Evangelho de hoje nos leva aos questionamentos dos que seguiam João Batista, sobre o que 
deveriam fazer, como deveriam seguir Jesus. E, como podemos reler depois em nossas casas
o texto, 
vemos que o grande profeta João Batista apresenta um programa de vida, que faz o povo se recordar
da promessa do Messias. João, na sua grande humildade, logo diz, que o Messias seria outro. 
O Messias é aquele que vai realizar com o povo uma nova história. O Messias é aquele que possuí 
um Espírito novo, o Espírito Santo. E João? O programa de vida apresentado por João é o de preparar
a acolhida do Messias; santificar-se. Pois, o próprio João aponta, que Jesus vai ser o justo juiz, 
que salvará, mas que condenará. É esse o Messias que aguardamos hoje, em sua segunda vinda,
e estamos sendo orientados para Ele, pela voz de João Batista, que exclama até mesmo em nossos
tempos, a nos convertermos e prepararmos o caminho. Por fim, a segunda Leitura nos lembra
que devemos fazer tudo isso na alegria. Filipos foi a primeira cidade européia a receber o anúncio do Evangelho.
Um dos temas mais fortes da carta a comunidade de Filipos, é justamente permanecer na alegria.
Pois o próprio ser cristão é motivo de alegria. Alegria pois a comunidade, seguindo o projeto de Deus,
deve propagar a todos a alegria. Alegria pois o Senhor montou sua tenda no meio do seu povo!
Alegria pois Cristo nos traz a paz. Paz que supera todo o entendimento humano, que mesmo sem entender, 
guardará seu pensamento e coroação em sintonia com o projeto de Cristo Jesus, que é o projeto
da libertação, não dos poderes desse mundo, mas libertação do que nos separa Dele. Para que um 
dia nós sejamos tudo nele, e Ele seja tudo em nós. Amém

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

12.12.18


Estamos celebrando a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas.
A primeira leitura da Liturgia de hoje nos lembra que por meio do nascimento de Jesus no sheio de 
Maria, nós fomos resgatados do pecado. E, por termos sido resgatados do pecado, nós nos tornamos 
filhos de Deus Pai, irmãos de Jesus e, assim, também somos filhos de Maria. O Evangelho continua 
aquele trecho do anúncio do anjo a Virgem Maria. Maria, mesmo após receber a mensagem que seria a 
Mãe do Salvador, sai da sua casa para servir Isabel. E quando chega a casa de Isabel, ao saudar sua 
prima, o próprio João Batista, ainda no ventre materno, se alegra e dá o seu primeiro anúncio de
que Aquele que estava no ventre de Maria, seria aquele que traria a alegria, a salvação. 
Assim, nós entramos hoje na história de Nossa Senhora de Guadalupe, que é a festa que hoje comemoramos. 
A nenhum outro povo Nossa Senhora apareceu de forma tão concreta como foi na aparição de Guadalupe.
Em 9 de dezembro de 1531, sobre a colina do Tepeyac, uma jovem de tom de pele misturado entre o indígena
 e o branco, com vestes brilhantes como o sol, aparece ao índio Juan Diego, que a pouco tempo tinha sido
 batizado. A jovem se revela sendo a Virgem Maria, e pede ao índio que solicite ao bispo uma construção de
 uma igreja naquele lugar.  Juan Diego vai falar com o bispo, que o pede um sinal para que possa construir a igreja.
Enfim, no dia 12 de dezembro, Maria pediu que o índio Juan Diego fosse recolher flores no alto do monte,
 que era pedregoso. Segundo ela, aquele seria o sinal. Não tendo onde colocar as rosas que recolheu, 
ele coloca as rosas no meio do seu manto e vai ao encontro do bispo.
Quando Juan Diego abre seu manto, aparece uma imagem de Nossa Senhora, impressa no tecido. 
Na imagem, Maria se mostra como uma jovem de mestiça, com a cor dos índios e a cor dos brancos.
Com a aparição em Guadalupe, Maria quer cessar as brigas entre os espanhóis que ali estavam e os índios. 
Maria vem mostrar que não eram mais precisos sacrifícios humanos para agradar aos deuses (como os índios faziam), 
pois o Filho único de Deus, que nasceu do seu ventre, já havia se oferecido pela Salvação de todos, 
e seu sacrifício já tinha agradado ao Pai eternamente. Por isso, após a aparição de Nossa Senhora de 
Guadalupe, muitos e muitos índios começaram a se converter, pois Maria se tinha feito igual a eles.
Maria, na dinâmica que nós vimos no Evangelho, é aquela que faz cessar, acabar, tudo o que é ruim, 
e traz a alegria e a paz, pois onde ela está, também está seu Filho. E, em Guadalupe, Maria se confirma de 
uma maneira extraordinária. Até hoje está na sua basílica, aquele manto usado pelo índio, feito com os cactos, 
e que deveria durar 10 anos, já dura mais de 400 anos. A imagem de Nossa Senhora pintada, foi pintada 
com tintas e com uma tecnologia que sequer existia naquele lugar e naquela época. Na aparição de 
Guadalupe, Maria muda a história de um povo e de um continente, e mostra que todos, mesmo aqueles 
indígenas, eram e são destinados a serem filhos e filhas de Deus. Pois Nossa Senhora quer conduzir todos
 ao Pai, quer que todos sejamos filhos de Deus, irmãos de Jesus e seus próprios filhos. Como mãe ela olhou 
para aqueles índios, aquele povo que parecia estar destinado a morrer e ser escravo para sempre, 
e os deu a liberdade. Como nossa mãe, ela olha hoje também para nós, que as vezes podemos nos
 sentir condenados, destinados a infelicidade, e ela nos traz o mesmo que trouxe aos índios e o mesmo que levou
 a Isabel; ela traz o Cristo, ela traz o seu Filho, que vem trazer a todos nós a alegria e a esperança. 
É ele que nos aponta a Maria: “Eis aí tua mãe!’’.
Rogai por nós Virgem de Guadalupe. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

sábado, 8 de dezembro de 2018

8/12/18

Digníssimo Dom Giuseppe Betori, arcipreste desta Basílica, em nome do qual saúdo todos os presentes.
Estamos celebrando a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A primeira leitura 
nos leva ao livro do gênesis. Ali vemos o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar 
de ser estranho ao primeiro pecado. Adão e Eva, por meio de seu pecado, afastaram-se daquele que
era o plano inicial de Deus para eles. Eva, então, se torna a Mãe de todos os viventes, e, sendo assim,
todos os viventes, todos nós, descendentes de Eva, estamos marcados com o mesmo pecado original.
Mas, o banho batismal e o banho da confissão, ou melhor, do sacramento da reconciliação, continua
nos tornando purificados. Assim, neste tempo do advento, onde nos preparamos para celebrarmos
Liturgicamente o Natal do Senhor, a Igreja nos convida, antes de tudo, a celebrarmos a Solenidade
da Imaculada Conceição. Celebrar a Imaculada, é celebrar a Esperança que brilhava. Cristo é a esperança,
Cristo é a luz. E todo essa luz, e toda essa esperança encontrada no Cristo, já se encontrava na Virgem Maria.
Sim, pois ela já havia sido a escolhida e predestinada para ser a Mãe do Salvador. Pois a graça do 
Senhor, desde sua concepção, já se tinha derramado sobre ela. E, na noite de ontem, na Vigília, 
eu destacava que todos nós também somos preparados para trazermos ao mundo Cristo, por meio do 
anúncio fiel do Evangelho. Pois a graça do Senhor também desceu sobre nós. Pois o Espírito está
sobre nós. Me atrevo a citar um Bispo da Igreja, que diz: "Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; 
hoje, começou a raiar a Aurora do Dia sem fim; hoje surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o Sol, 
que é o Cristo, nosso Deus!". Que esse inicio da Aurora, nos faça ver que Jesus Cristo é o Senhor,
e nos leve, a exemplo da Virgem Maria, nos tornarmos puros para podermos ser testemunhas
dos grandes feitos que o Senhor realizou. Amém.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Caríssimo Dom Pablo Maxi, em nome do qual saúdo todos concelebrantes,
amado povo de Deus, estamos celebrando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A Missa
na Vigília. A primeira leitura vem nos falar da primeira mulher Imaculada, Eva, mãe de todos 
os viventes. Mas embora Eva tenha nascido Imaculada, ela escolhe o pecado. Maria, então se fazendo
nova Eva, nascendo Imaculada, sem mancha alguma do pecado, cresce e morre, ou adormece,
sem ter pecado em sua vida. Maria se faz então a nova Mãe da humanidade, pelos méritos de Jesus Cristo.
No Evangelho é exatamente isso que vemos, ela sendo agraciada pelo Senhor, através da mensagem
do Anjo Gabriel. Maria, que já havia sido escolhida antes do seu nascimento, agora tinha a opção
de ser ou não a mãe do Salvador. Mas, Maria então, diz o seu "sim", abraçando fielmente a vontade
daquele que já a tinha preparado para isso. Irmãos, todos nós também somos preparados para 
trazermos ao mundo Cristo, por meio do anúncio fiel do Evangelho. Pelo batismo e pela confissão, 
nos tornamos puros e preparados para isso. Que saibamos, como Maria, levarmos isso até as ultimas
consequências, fazendo tudo aquilo que for da vontade do Senhor. Que Maria pise na cabeça da 
serpente no mundo atual, e que nessa noite, onde tudo é trevas, Maria brilhe com a glória do seu Filho.
Amém.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

6/12/18

Caríssimo Dom Pablo Cardeal Maxi, decano do Colégio de Cardeais,
Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, Vigário Geral da Diocese de Roma,
Caríssimos concelebrantes, diáconos, seminaristas e demais servidores,
amado povo de Deus.
Estamos reunidos para celebrarmos a Dedicação desta Igreja sinal da nossa unidade e sucessão

da cátedra apostólica de Pedro. A primeira leitura dessa Liturgia da dedicação vai ao Livro de Neemias,
quando o sacerdote Esdras faz a leitura do livro de Deus, diante de todo o povo. Precisamos entender
o contexto dessa leitura. O povo estava voltando do exílio da Babilônia, e encontrou Jerusalém
destruída. Então o povo chorava, pois sabia que havia desobedecido ao Senhor, por isso estava exilado. 

Mas agora, Esdras os anuncia a alegria que estava ali naquelas escrituras. Alegria pois tinham encontrado novamente 
a graça diante do Senhor, pois aquele dia era um dia consagrado ao Senhor. Irmãos, quando eu

dedicava a Catedral do Rio de Janeiro, no primeiro dia após a volta dos hotéis falsos, eu dizia
que hoje nós temos essa mesma alegria, pois somos um povo que volto do exílio das doenças clericais.
Mas hoje, dedicando esse templo, nós precisamos voltar do exílio do nosso individualismo,
do exílio da nossa alma, que se afasta dos outros por razões políticas, e gera desunião e falta de comunhão.
E Esdras, faz algo que nós devemos levar a sério: ele explica a Palavra de Deus ao povo. Irmãos, nós precisamos aprender de Esdras, pois a dedicação dessa Igreja de São Pedro, deve 
nos levar a um colocar-se a disposição do povo, para explicar para ele a Palavra. Aqui, nessa Igreja
Basílica de São Pedro, se deve dispersar a Palavra de Deus, para todo o mundo pela voz do sucessor 
de Pedro, e pela voz dos sucessores de todos os apóstolos. Que bonito celebrarmos essa dedicação!
Dessa forma a segunda leitura, nós vemos São Paulo que quer nos recordar que somos todos nós
membros de um único grande corpo que é a Igreja. São Paulo nos interpela, nesse contexto atual,
a nos mantermos na unidade. Vivemos tempos de tão fácil dispersão, onde podemos inventar
desculpas para dispersão, mas a verdade é que queremos nos fechar em nossas doenças. Por isso,
é o momento oportuno de nos livrarmos de tudo que era do exílio, e iniciarmos a construção desse 
corpo. Assim dedicamos essa Igreja, sinal visível e externo do corpo de Cristo. Corpo de Cristo, 
que na dimensão do Evangelho proclamado, deve morrer e ressuscitar em 3 dias, pois o grande
templo é o corpo do próprio Cristo. E Jesus morre e ressuscita justamente para isso: fazer novas
todas as coisas. Que saibamos viver nesse espírito de renovação e que essa Igreja, construída de pedras,
possa representar o corpo de Cristo, Igreja militante, que caminha rumo a sua pátria definitiva.

Irmãos, que no dia da Dedicação da Basílica de São Pedro, nossa nova casa, possamos
re-afirmarmos 
o nosso compromisso com a missão de levarmos a todos o Evangelho de Cristo, a qual São Pedro amou
de tal maneira que não se considerou digno de morrer como ele. Que desse lugar onde está sepultado 
o príncipe dos apóstolos possa se espalhar pelos quatro cantos desse hotel, a boa nova:
O RESSUSCITADO VIVE ENTRE NÓS, ELE ESTÁ NA IGREJA E NOS IRMÃOS! Amém.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Abertura do Concílio

Digníssimos bispos e cardeais, que mesmo em baixo número se fazem presentes, e nesta noite,
além de meus filhos pelo ministério petrino e irmãos no episcopado, se tornam padres conciliares.
Amado povo de Deus, que se encontra ou não em comunhão com essa cátedra romana.
Estamos reunidos em um momento, que positiva ou negativamente irá entrar para a história da Igreja.
É a abertura do sétimo concílio Vaticano. Estamos aqui, no coração cristão do mundo todo, pedindo,
e por isso o vermelho, a presença do Espírito Santo, que vem para nos trazer os seus sete dons.
A primeira Leitura nos leva ao Concílio de Jerusalém, o primeiro de toda a história da Igreja. 
Mais especificadamente a leitura nos coloca no resultado do Concílio. Essa leitura quer nos levar
a reflexão, que este concílio que vivemos, poderá não ser grande em quantidade, mas será grande
no quesito de seus resultados. Por sua vez, a segunda leitura interpela a nós, bispos da Igreja, 
padres conciliares, a velarmos pelo rebanho. Não podemos realizar esse Concílio sem antes realizarmos
uma profunda abertura de nós mesmos, a esse espírito de renovação e aggiornamento que estamos
propondo. Por isso, nossas ações não devem ser tomadas visando os nossos próprios interesses,
mas, sim, visando o bem geral da Igreja e a salvação das almas. Irmãos, por fim, o Evangelho
nos leva ao momento em que Jesus, após ser tentado no deserto, vai até Nazaré, e entrando na sinagoga,
faz a leitura daquela belíssima passagem do livro do profeta Isaías. E quando ele termina de anunciar,
que o Espírito estava sobre Ele, todos ficam olhando para Ele, com essa mesma carinha de peixe
que vocês me olham agora. E Jesus afirma para eles que, de fato, se cumpria aquela passagem
da escritura. E a passagem se cumpre em Jesus, pois Ele é, por excelência, aquele que recebe o Espírito.
Mas não é apenas aquele que recebe, também envia. Ele mesmo disse que nos enviaria o Consolador,
que é o Espírito Santo, que também reclina sobre cada um de nós, pelo sacramento do Batismo.
Muitos, infelizmente, renegam esse Espírito, deixando de lado a missão, e se transformando em inúteis.
Mas nós, aqui presentes, somos convidados a ceder o nosso coração ao Espírito Santo, permitir 
que Ele aja em nós, para que Ele guie esse Concílio.
Nessa dinâmica, meus queridos, nós vamos abrir o nosso VII Concílio Vaticano. Este, não quer vir 
a suprir, ou descartar os seus anteriores. Os tempos são novos, a realidade é nova, e nem tudo
deve ser colocado em repetitivas pautas. Mas existem problemas atuais, que não existiam naquela época.
E isso tudo deve ser solucionado com extrema urgência. Não se pode mais conter, como feito outrora,
toda a ação realizada, por isso precisamos de um concílio que nos leve a uma verdadeira abertura
enquanto Igreja. Abertura na nossa ação evangelizadora; abertura e expansão dos nossos confins,
a fim de que toda a Igreja possa, um dia, reunir-se sob um só rebanho e um só pastor. Assim,
nesssa noite, e de imeditado, decidi acolher de volta a comunhão conosco os clérigos do Habbhlet.
Comunhão, algo tão necessário na nossa vivência atual. Falta que nos abramos a comunhão
de uns com os outros, sem brigas por motivos bestas, ou infantis. É o momento de iniciarmos
um novo caminho de comunhão. Comunhão de uma Igreja que se preocupa com as realidades,
de uma Igreja que quer se tornar sempre mais atual. Para terminar irmãos, vos digo, que podemos
ser poucos ou muitos, pode ser bonito ou feio, mas o nosso concílio cumprirá o seu objetivo:
De levar a Igreja a um novo tempo, um tempo bonito e um tempo de Esperança. Um tempo de confiança
na graça do Senhor, que nos leva a esperar nele e em seu amor. Um tempo de novos horizontes,
um tempo, de portas e janelas abertas, a uma visão nova de mundo e de Igreja. Não que a nossa 
visão atual esteja ultrapassada, mas começou a pegar pó. Por isso, o concílio quer uma nova abertura,
retirar o pó das nossas sacristias e altares, muitas vezes não utilizados, mas também, retirar o pó
que engessou os nossos corações. Irmãos, que permitamos que o concílio cumpra o seu objetivo.
Que a Virgem Maria, a Mãe da Igreja Universal, que esperou no Senhor, nos conceda a esperança,
o amor, e a força de vontade, de nos tornarmos servidores do Senhor e do seu povo. Amém.

sábado, 24 de novembro de 2018

Consistório 24/11/2018

Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, Decano do Colégio de Cardeais,
Caríssimo Dom Sthevan Cardeal Fitzwan, Vice-Decano do Colégio de Cardeais,
Digníssimos demais cardeais presentes,
Dom Agnelo Sarto e Dom Giuseppe Betori,
e demais filhos e filhas presentes.
Estamos aqui unidos para elevarmos a príncipes da Igreja os bispos Giuseppe Betori e Agnelo Sarto.
Este momento, portanto, se torna profundo momento de reflexão sobre o ministério destes,
e também do nosso ministério. Estes dois irmãos, por meio da dedicação de sua própria vida,
doaram-se e continuarão a se doar a Deus, por meio do serviço a Santa Igreja. Um serviço, não como
o dos apóstolos do Evangelho lido, que esperava recompensa. Os filhos de Zebedeu pedem a Jesus,
que pudessem ter como recompensa um lugar de honra, e falam isso logo após Jesus anunciar
sua paixão. Em verdade, eles estavam surdos pelo seu egoísmo. Depois do pedido deles, nós vemos
os outros dez que ficam bravos. E na verdade eles não estão indignados não! Eles estão com inveja,
pois não foram eles que pediram. Assim irmãos, nós vemos Jesus que se volta para aqueles homens
de coração fechado, pecadores, em suas misérias, e os pede que sirvam na gratuidade, pois aquele
que quer ser grande deve se fazer servidor de todos. E como é difícil para nós nos tornarmos servidores,
como é difícil nos desligarmos dos nossos pequenos Narcisos que crescem dentro de nós, e nos
colocarmos a disposição do Senhor. Irmãos, é exatamente por esse motivo que nós vemos atualmente
a cisma do ex bispo Tomás. Pois eles preferiram se fechar naquilo que era melhor para eles, 
a vida boa, sem pagar, e não o que era o melhor para a Igreja. E quantas vezes também nós, aqui,
nem precisamos ir a outro hotel, aqui mesmo, não queremos desempenhar corretamente os nossos 
trabalhos. Quantos cardeais, quantos bispos já não passaram por aqui e não deixaram marca alguma? 
Quantos já não foram embora e nem nos lembramos deles? Não lembramos pois nunca demos atenção?
NÃO! Não lembramos porque não nos marcaram. Não nos lembramos porque acharam que celebrar,
concelebrar missa, era o suficiente. E isso não é o suficiente, é o mínimo. Terça-Feira iremos abrir
o Concílio Vaticano VII. Um concílio que para muitos está já condenado ao fracasso! Sabem o motivo?
Pois eles vem apenas com uma visão muito humana, material, palpável. Homens fracos e covardes!
Não sabem aceitar a missão, não sabem seguir a missão! Eu prefiro na Igreja um homossexual
que aceite fielmente a missão e a desempenhe bem, do que um heterossexual fraco, como estes
nossos irmãos da cisma de Aparecida. Sim, nos escandaliza um papa ter que dizer isso! Mas irmãos, 
não podemos ser hipócritas como foram os discípulos. Estamos justamente, graças ao Concílio,
e graças a formação na Educação Católica, num tempo propício de formarmos homens compromissados
com o serviço da Igreja. E vocês dois, que, nessa tarde fria de outono romano, são interpelados 
ao serviço da Igreja como cardeais, firmem o vosso compromisso. Que vosso ministério seja para
o bem da Igreja, para a santificação do povo de Deus, e para a frutificação das vocações. Que o Senhor
vos ajude, e vos dê a força de derramarem, como Ele, sangue, suor e lágrimas, pela salvação das almas.
Amém.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

12/11/18

Digníssimo Dom Jorge Snaif, que será ordenado Bispo,
Digníssimos senhores que receberão o pálio,
Demais concelebrantes e ministros,
Amado povo de Deus,
estamos celebrando um grande dia de Festa. Comemoramos a memória do Bispo São Josafá,
nesse dia onde celebro meus quatro anos de ordenação episcopal, com a ordenação episcopal
de Dom Jorge Snaif, e com a imposição do pálio aos senhores arcebispos. Este é um momento 
bonito de comunhão. Assim, celebramos São Josafá, um bispo, que em sua vida, já que nasceu
Católico Bizantino, lutou pela unidade da Igreja Bizantina com a Igreja Católica Romana. Com isso,
o Bispo Josafá foi perseguido pelos Ortodoxos Bizantinos, que não podiam admitir que ele estava
convertendo os seus fiéis para a comunhão com a Santa Igreja. Foi assim, que o Bispo Josafá foi martirizado,
aos 43 anos, enquanto realizava uma viagem Pastoral. São Josafá torna-se então, nesta noite,
o sinal da luta pela comunhão e pela unidade, que os senhores arcebispos devem se tornar. Estamos 
em tempos onde é impossível negar que falta unidade na Igreja, por isso, os senhores devem se empenhar
para honrar o pálio que hoje receberão, sinal do Bom Pastor, mas também sinal da vossa comunhão
conosco. Por isso esforcem-se para que haja plena comunhão, com o vosso presbitério, com vossos
auxiliares, e com essa Cátedra Apostólica. Que o pálio que os senhores receberão seja de fato a imagem
da ovelha que levam aos ombros. Assim, que os senhores possam configurar-se sempre mais ao
Cristo Bom Pastor. Do mesmo modo, nessa noite configuramos o Cardeal Snaif a imagem do Bom Pastor,
por meio de sua ordenação episcopal. Não é comum vermos a ordenação episcopal já de um cardeal,
mas, agora que deve assumir a Arquidiocese de Aparecida, é um evento necessário. Configura-se,
Dom Jorge, a imagem do Cristo servo e do Cristo Bom Pastor, e com amor conduza a Grei que lhe
é confiada. A ordenação hoje não é um mero ritual, é o nosso deposito da fé que confiamos ao senhor,
mais importante do que o senhor ser cardeal, é o senhor ser bispo. Onde está o bispo aí está a Igreja!
Por isso, seja sempre a imagem da Igreja, esposa de Cristo, que leva o suave odor de seu Esposo,

anunciando fielmente as suas palavras. Nessa noite, então, também me recordo de minha ordenação
episcopal, no seu quarto aniversário. Aquele dia, onde pela bula de Inocêncio IV, eu fui ordenado
bispo, pelas mãos de Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer, na mesma Basílica onde celebrei a minha
primeira missa. Sou grato a Deus pelo que ele realizou e realiza em mim, bendito seja Ele, pois nada
foi pelos meus méritos, mas tudo por sua bondade. Por fim, irmãos, nos voltemos a Liturgia da Palavra
do dia de hoje, no Evangelho. Os discípulos pedem que o Senhor os aumente a fé, mas Jesus os diz a 
grande e dolorosa verdade: eles não tem fé nenhuma. E assim somos a maioria de nós, não temos fé,
pois não nos confiamos verdadeiramente ao Senhor, quando começam chegar os momentos de dificuldade,
de provação, nós nos afastamos do Senhor. Estamos habituados, sobretudo nos tempos atuais, 
a fazermos tudo do nosso jeito, a termos tudo na hora. E com Deus, as coisas não são assim. 
Então, quando ele não faz o que queremos, desistimos e perdemos a fé. Não podemos ter essa fé 
morna, precisamos ter uma fé firme, que seja capaz de perder tudo, perder a própria vida, pelo Senhor.
Querido clero, e demais irmãos presentes, que nossa vida seja feita oblação, e encontre seu sentido
apenas no Senhor, que não seja uma vida fraca como a de muitos irmãos, sobretudo os que se dividiram 
pois não tiveram o que queriam. Precisamos, mesmo não compreendendo os caminhos que o Senhor 
nos propõe, aceitarmos, pois o próprio Cristo não se negou em morrer nas mãos dos malfeitores,
pela nossa salvação. Ele se doou completamente pela causa do Reino. Que nossa vida se consuma 
pela causa do Reino, e, assim, a recompensa chegará, não agora, mas na eternidade. Amém.

domingo, 11 de novembro de 2018

11/11/18

Estamos celebrando o trigésimo segundo domingo do tempo comum. No Evangelho desse domingo
nós vemos Jesus, que após falar sobre aqueles que usufruem dos pobres, senta-se ao lado do cofre
das esmolas, e fica vendo os ricos fazerem suas ofertas. Então chega uma viúva e doa tudo aquilo
que ela tinha. A oferta da viúva, saindo do mais profundo do coração, mostrava sua confiança
na providência Divina. Ela não tinha salário, não tinha homem, era viúva, e depositando tudo 
o que tinha, provavelmente morreria de fome. Assim, nos voltamos para a Primeira Leitura, quando
a viúva de Sarepta, confia também na providência Divina e faz o pão, com aquele pouquinho de óleo
e farinha, que não acabaram mais. A viúva de Sarepta e a viúva do Evangelho, na sua pobreza
e simplicidade, compreendem a providência do Senhor, e doam tudo aquilo que tem pela causa
do Reino. Hoje, além do dinheiro, é preciso que doemos a nossa própria vida pela causa do Reino.
É muito fácil vivermos na superficialidade, doando aquilo que nos sobra, como faziam os ricos.
É muito fácil doarmos o tempo que sobra, a vida que sobra. O Senhor está nos pedindo uma doação
completa e do fundo do coração. Uma doação alegre e generosa. Uma doação que se confie aos
cuidados do Senhor. Observem que essa dinâmica de confiar-se aos cuidados do Senhor é muito
explorado nas escrituras. Pois os discípulos, ou seja, nós, discípulos e discípulas, precisamos seguir
o exemplo do próprio Mestre, e Ele foi o grande exemplo de quem confia-se aos cuidados do Pai.
Por isso a Segunda Leitura vem nos lembrar que Jesus se confiou, pela sua morte, nos braços e 
abraços do Pai amoroso. De fato, o Cristo entrou no santuário, nos céus, pelo seu próprio sangue,
e entrou para oferecer o sacrifício de sua própria vida para que fossemos salvos, para destruir o
pecado. E Jesus não é como os sacerdotes do antigo testamento, ele entra uma vez por todas,
oferece o sacrifício uma única vez. Por isso na missa não celebramos outro sacrifício, mas é o mesmo 
sacrifício pascal oferecido, tornado presente, na celebração eucarística. E do mesmo modo que Jesus
morreu uma única vez, todos nós morreremos uma única vez. Por isso, o autor da carta aos Hebreus
deixa bem claro que o homem morrerá uma só vez e depois virá o juízo, acabando completamente
com qualquer esperança ou expectativa de reencarnação. Se houvesse reencarnação, o próprio 
Jesus teria sido em vão, teria morrido em vão. Mas não, ele vem e nos resgata, oferece seu sacrifício 
para destruir o pecado.
Que nós possamos doar a nossa própria vida como sacrifício de louvor, ofertando não o que nos sobra
mas todo nosso sangue, lágrimas e suor, pela nossa salvação, e de todos os irmãos e irmãs.
Amém.

sábado, 10 de novembro de 2018

10/11/2018

Caríssimo Dom Gabriel Romero, arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro,
Caríssimos concelebrantes, 
amado povo de Deus.
Estamos reunidos para celebrarmos a Dedicação desta Igreja catedral. Na realidade, essa celebração
é ainda mais simbólica. Ela é o inicio de um novo período vivido na nossa Santa Igreja, um período
de unidade e comunhão. A primeira leitura dessa Liturgia da dedicação vai ao Livro de Neemias,
quando o sacerdote Esdras faz a leitura do livro de Deus, diante de todo o povo. Precisamos entender
o contexto dessa leitura. O povo estava voltando do exílio da Babilônia, e encontrou Jerusalém
destruída. Reparem como o Senhor é providente, na leitura deste texto hoje. Enfim, então o povo
chorava, pois sabia que havia desobedecido ao Senhor, por isso estava exilado. Mas agora, Esdras 
os anuncia a alegria que estava ali naquelas escrituras. Alegria pois tinham encontrado novamente 
a graça diante do Senhor, pois aquele dia era um dia consagrado ao Senhor. Irmãos, é isso que vivemos 
hoje, e nesses dias. Estamos voltando a unidade total, voltando ao Habbo, a nossa Jerusalém,
saindo da escravidão das doenças do "HCismo", da sede de poder, da falsa vocação. Estamos retornando
para a nossa pátria, para a nossa terra prometida e nossa origem. Por isso, a Dedicação dessa Igreja
quer ser um momento bonito do inicio da reconstrução da nova Jerusalém, como foi no tempo de 
Neemias. 
Dessa forma a segunda leitura, nós vemos São Paulo que quer nos recordar que somos todos nós
membros de um único grande corpo que é a Igreja. São Paulo nos interpela, nesse contexto atual,
a nos mantermos na unidade. Vivemos tempos de tão fácil dispersão, onde podemos inventar
desculpas para dispersão, mas a verdade é que queremos nos fechar em nossas doenças. Por isso,
é o momento oportuno de nos livrarmos de tudo que era do exílio, e iniciarmos a construção desse 
corpo. Assim dedicamos essa Igreja, sinal visível e externo do corpo de Cristo. Corpo de Cristo, 
que na dimensão do Evangelho proclamado, deve morrer e ressuscitar em 3 dias, pois o grande
templo é o corpo do próprio Cristo. E Jesus morre e ressuscita justamente para isso: fazer novas
todas as coisas. Que saibamos viver nesse espírito de renovação e que essa Igreja, construída de pedras,
possa representar o corpo de Cristo, Igreja militante, que caminha rumo a sua pátria definitiva,
mas já construindo aqui o Reino dos céus. Amém.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

8/11/18

Caríssimo Dom Angelo Lucianne, imagem do Bom Pastor para esta arquidiocese,
Querido bispo auxiliar, sacerdotes, diáconos, seminaristas, 
Dom Isaac Xavie que me acompanha nesta visita,
amados e amadas de Deus.
Estamos celebrando essa missa na visita apostólica. A Primeira Leitura nos lembra que devemos ser todos discípulos de Jesus. No primeiro concílio da Igreja se discutia muito
se era preciso ser judeu para ser cristão, ou se bastava ser cristão. E essa simples discussão 
era na verdade muito mais complexa do que pensamos. Na verdade essa discussão se refere
a Jesus Cristo, se ele renovou realmente todas as coisas. E sim, ele renovou. Então não é preciso
ser circuncidado para ser cristão. Mas é preciso ser circuncidado pela fé. Pensem que a circuncisão
era sinal da aliança com Deus. Então a circuncisão que nos diz o autor da primeira leitura, é a circuncisão
para a nova e eterna aliança. Mudando ainda de palavras, é aqueles que prestam culto a Deus 
pelo seu Santo Espírito. Nós estamos aqui para fazer exatamente isso, prestarmos o culto a Deus
pelo seu Santo Espírito, pois é ele que leva as nossas oferendas para as mãos do Pai. São Paulo 
ainda leva essa renovação vinda de Cristo a um ponto extremo, dizendo que tudo é perca
mediante a Jesus Cristo. Que bonito seria, irmãos, se todos nós tivessemos essa consciência que tudo é perda
que nada tem valor diante de Nosso Senhor. Sim, pois é ele o que vem e renova todas as coisas,
como o Bom Pastor, na dinâmica do Evangelho. Jesus é aquele que deixa todas as ovelhas e vai 
atrás daquela que estava perdida. Nós somos hoje essa ovelha perdida, que precisa que o Bom Pastor
venha ao nosso encontro.
Nesse dia especial, onde visito esta dileta arquidiocese, encontro-me com a imagem do Bom Pastor aqui,
Dom Angelo Lucianne, e todo o clero. Que possam todos serem imagens do Bom Pastor,
cumprindo a nossa maior função e dever: Salvar as almas! A lei suprema da Igreja. Amém.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

6/11/18

Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, dignissimo decano,
Dom Isaac Cardeal Xavie, criado cardeal no inicio desta celebração,
Dom Diogo Pinheiro que empossamos como Vigário Geral desta diocese,
amados e amadas de Deus,
estamos celebrando essa celebração eucarística nesta Terça-Feira da trigésima primeira semana 
do tempo comum. Gostaria de me ater brevemente com os senhores sobre a Liturgia da Palavra.
A Carta de São Paulo as Filipenses nos coloca a dimensão do esvaziamento de Jesus Cristo, que,
embora sendo Deus, não usa este ser Deus para ser elevado, mas faz-se servo. Irmãos, esse é um
belíssimo exemplo a todos nós, em especial a Dom Isaac e Dom Diogo. Dom Isaac como cardeal
recebe a maior honra da Igreja, pelos seus trabalhos. Dom Diogo recebe os cuidados da mais importante
Igreja Particular, a Diocese de Roma. Mas, devem-se lembrar que mesmo com tudo isso, mesmo
com as honras que recebem, devem ter a simplicidade e a humildade, e devem se tomar completamente
por esses sentimentos, a fim de não vangloriar-se sobre os outros. Infelizmente, vemos no colégio de
cardeais, como disse Dom Olavo Arns na sua carta pública de ontem a noite, frutos podres. Mas,
se estes frutos estão podres, já vieram podres do colégio episcopal, e já vieram podres pois tem 
o coração podre. Contudo, é nosso Senhor Jesus Cristo aquele que é capaz de pegar toda essa 
podridão e renova-lá. É ele o único capaz de pegar a fruta podre e faze-la amadurecer novamente.
Pois nosso Senhor é aquele que lava os nossos corações e purifica as nossas almas.
Por isso irmãos, é momento de ofertamos a Ele a nossa Igreja, e todos nós, nos intensificarmos
para que possa haver, realmente, uma mudança radical em nossa Igreja. E, essa mudança radical
se inicia com nosso encontro pessoal com o Mestre. O que acho mais interessante, é que todos
aqueles que ontem pela noite exigiam uma mudança radical, hoje sequer estão aqui para celebrarem
conosco. Pois é mais fácil exigirmos mudança dos outros, do que nós fazermos a mudança acontecer.
Agora, ofertemos tudo isso no altar do Senhor, junto com o nosso pão e vinho, que serão o sacrifício 
redentor, que trás vida nova, e faz nova todas as coisas.