Caríssimo Dom Pablo Cardeal Maxi, decano do Colégio de Cardeais,
Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, Vigário Geral da Diocese de Roma,
Caríssimos concelebrantes, diáconos, seminaristas e demais servidores,
amado povo de Deus.
Estamos reunidos para celebrarmos a Dedicação desta Igreja sinal da nossa unidade e sucessão
da cátedra apostólica de Pedro. A primeira leitura dessa Liturgia da dedicação vai ao Livro de Neemias,
quando o sacerdote Esdras faz a leitura do livro de Deus, diante de todo o povo. Precisamos entender
o contexto dessa leitura. O povo estava voltando do exílio da Babilônia, e encontrou Jerusalém
destruída. Então o povo chorava, pois sabia que havia desobedecido ao Senhor, por isso estava exilado.
Mas agora, Esdras os anuncia a alegria que estava ali naquelas escrituras. Alegria pois tinham encontrado novamente
a graça diante do Senhor, pois aquele dia era um dia consagrado ao Senhor. Irmãos, quando eu
dedicava a Catedral do Rio de Janeiro, no primeiro dia após a volta dos hotéis falsos, eu dizia
que hoje nós temos essa mesma alegria, pois somos um povo que volto do exílio das doenças clericais.
Mas hoje, dedicando esse templo, nós precisamos voltar do exílio do nosso individualismo,
do exílio da nossa alma, que se afasta dos outros por razões políticas, e gera desunião e falta de comunhão.
E Esdras, faz algo que nós devemos levar a sério: ele explica a Palavra de Deus ao povo. Irmãos, nós precisamos aprender de Esdras, pois a dedicação dessa Igreja de São Pedro, deve
nos levar a um colocar-se a disposição do povo, para explicar para ele a Palavra. Aqui, nessa Igreja
Basílica de São Pedro, se deve dispersar a Palavra de Deus, para todo o mundo pela voz do sucessor
de Pedro, e pela voz dos sucessores de todos os apóstolos. Que bonito celebrarmos essa dedicação!
Dessa forma a segunda leitura, nós vemos São Paulo que quer nos recordar que somos todos nós
membros de um único grande corpo que é a Igreja. São Paulo nos interpela, nesse contexto atual,
a nos mantermos na unidade. Vivemos tempos de tão fácil dispersão, onde podemos inventar
desculpas para dispersão, mas a verdade é que queremos nos fechar em nossas doenças. Por isso,
é o momento oportuno de nos livrarmos de tudo que era do exílio, e iniciarmos a construção desse
corpo. Assim dedicamos essa Igreja, sinal visível e externo do corpo de Cristo. Corpo de Cristo,
que na dimensão do Evangelho proclamado, deve morrer e ressuscitar em 3 dias, pois o grande
templo é o corpo do próprio Cristo. E Jesus morre e ressuscita justamente para isso: fazer novas
todas as coisas. Que saibamos viver nesse espírito de renovação e que essa Igreja, construída de pedras,
possa representar o corpo de Cristo, Igreja militante, que caminha rumo a sua pátria definitiva.
Irmãos, que no dia da Dedicação da Basílica de São Pedro, nossa nova casa, possamos
re-afirmarmos
o nosso compromisso com a missão de levarmos a todos o Evangelho de Cristo, a qual São Pedro amou
de tal maneira que não se considerou digno de morrer como ele. Que desse lugar onde está sepultado
o príncipe dos apóstolos possa se espalhar pelos quatro cantos desse hotel, a boa nova:
O RESSUSCITADO VIVE ENTRE NÓS, ELE ESTÁ NA IGREJA E NOS IRMÃOS! Amém.
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