Irmãos queridos, a liturgia deste domingo nos invoca a refletirmos o que estamos escolhendo no caminho de Jesus Cristo, Deus ou nós mesmos? O Senhor concedeu ao seu povo a sua lei, lei que preza pela vida, mas, o povo de Israel escolheu a morte ao invés da vida. Não escolheram a lei, não escolheram a Deus. Escolheram as leis que eles próprios criaram. Dentre seus preceitos e decretos haviam vários livros. Mas, um livro em específico, era todo escrito sobre o modo de lavar as coisas. Essa lei, inicialmente por justos motivos de higiene, se tornou o mais importante. A tradição humana, não Tradição Divina, mas, humana, tomou o lugar de Deus. Cuidado! Corremos o risco de fazer o mesmo em nossa Igreja. Corremos o risco de impormos tradições como verdades absolutas e nos esquecermos da vontade de Deus. Podemos achar que tradição é repetir simplesmente ritos e não encher os ritos de sentido e significado! "HIPÓCRITAS": Grita-nos Jesus. Esvaziamos os seus sagrados ritos de sentido e significado e o tornamos espetáculos, dos mais loucos à aqueles celebrados em latim. Shows, lindos por fora, que podem atrair muitos, mas, que são usados para a divisão. A lei foi usada pelos mestres para maltratar, dividir e oprimir. Hoje, podemos usar da própria Palavra de Deus e de seus ritos, instrumentos de divisão, de opressão, separando-nos do verdadeiro sentido. Mas, qualquer seguimento de Jesus Cristo que se esvazia, mesmo que por mais embasado nos estudos, que vai perdendo seu sentido evangélico, é um seguimento hipócrita, um culto vazio, uma vida vazia e sem sentido e nos faz escravos de nós mesmos e não servos e amantes de Deus.
domingo, 29 de agosto de 2021
sexta-feira, 13 de agosto de 2021
13.08.2021 - Audiência Geral
Irmãos e irmãs, um misto de sentimentos toma meu coração neste momento. Sabeis que ainda sou o Sucessor de Pedro, mas, em breve não mais o serei. É difícil resumir em poucas palavras todo o meu sentimento e tudo que gostaria de dizer-vos. Há um ditado francês que diz que a gratidão é a memória do coração. Meu coração, nesta noite, está repleto de memórias e cheio de gratidão. Corro o risco de falar alguns nomes e acabar me esquecendo de alguém que tenha sido muito importante, e, de fato, cada um foi muito importante. Por isso, resumo os vossos nomes a dois nomes, que é o de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici e Dom João Maria Cardeal Kekeison. Estes dois diletos irmãos foram meus braços neste pontificado. Sou grato a Deus por ter colocado os dois na minha vida e por todos os desafios que eles compraram comigo. Sou grato por cada um de vocês, queridos irmãos e irmãs, que comigo fizeram a Igreja acontecer. Rubem Alves, de modo muito belo, disse: "Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro." Irmãos e irmãs, de fato, nossos tempos e lugares se encontraram. O tempo é o Kairós, o momento da ação de Deus em nossas vidas, o lugar é a Igreja do Habbo Hotel, o local da construção do Reino de Deus. Sou grato por cada um que trabalhou e se esforçou comigo no projeto que nunca foi meu, mas, que é de Jesus Cristo. Alguns se assustaram com crescimento de cismas e até com baixas de clérigos. Eu já disse e repito: o Concílio de Jerusalém nos impôs uma medida alta com a definição do que é a Igreja, e já não podemos voltar ao que éramos antes. Não há, em nossa Igreja, mais espaço às futilidades, ganâncias e atos destrutivos. Só há, agora, lugar aos que querem ser Igreja, fazer Igreja, amar a Igreja. Como destacou recentemente e muito me encantou Dom Licínio Cardeal Rangel, as pessoas devem nos ver celebrando a missa, mesmo que sozinhos, e se lembrarão que Deus existe. Muito mais do que nossos grandes eventos e longos discursos, as pessoas devem olhar no mais simples dos altares e na mais bela das catedrais, e se lembrarem que Deus existe. Esta é a nossa missão. Não permitais, irmãos, o que alguns quiseram fazer no ano passado, que é tornar a Igreja um simples movimento político, onde todos os discursos se voltam para esse fim. Façais que o único foco da Igreja seja Cristo e seu Evangelho. Vos digo como um homem velho: amai a Igreja e amai ao papa! Amai verdadeiramente. Na minha coroação, eu vos disse que aceitava a tiara como símbolo da coroa de espinhos, como o sofrimento que viveria. E, de fato, vivi. Deixei outros programas, renunciando horas de sono, de descanso, de lazer, de encontro com os amigos e até familiares, para honrar meu compromisso para convosco. E vos digo, com sinceridade de coração, que valeu a pena cada renúncia. Não vos digo para deixar de lado a vida e se dedicarem apenas a nossa Igreja. Mas, não vos esqueçais dela e não a deixeis em último lugar. Nem todos conseguem fazer isso. É claro que dentro de todos nós há coisas boas e ruins, luzes e trevas, coisas boas e ruins. Mas, saiba renunciar o que pode ser renunciado, se quer estar aqui dentro da Igreja. Adotei como lema de vida essa frase, "renuncie a si mesmo", não porque é fácil e consigo. Mas, porque na dificuldade em renunciar a mim mesmo sou capaz de abraçar a cruz pela qual me encantei. Vos permitais encantar-se pela cruz. Inúmeros momentos importantes vivenciamos neste nosso pontificado - Nosso, pois também é vosso - como foi o XI Sínodo dos Bispos, a JMJ, os jubileus mensais, a grande celebração Jubilar dos 15 anos... Mas, o momento mais marcante que permanecerá em meu coração foi, sem dúvidas, a Semana Santa. A celebração da Semana Maior que pude presidir nas nossas basílicas romanas marcaram a direção de meu pontificado: a direção da cruz e da Ressurreição, promovendo a todos o encontro com Jesus na Ceia, na Paixão e Vida. Deixo, com este, 115 textos publicados, entre homilias e discursos, além da nossa carta encíclica, dos Motus Proprios, Exortações, Breves, e outros momentos que não foram escritos. Tenho esta firme certeza dos meus bons propósitos, agradeço aos que estiveram comigo, lamento pelos que não estiveram, peço perdão pelas minhas faltas e de coração digo: muito, muito, muito obrigado a cada um de vocês. Não vos esqueçais que a Ressurreição vem da Paixão, a Vida vem da vitória sobre a Morte, por isso, abracemos os espinhos e as flores. Jesus, se despedindo dos discípulos, disse: "no mundo tereis tribulações, mas, tende coragem, eu venci o mundo". Sim, nosso amor nos fará, sempre, sempre, sempre, vitoriosos como Igreja do Senhor.
13.08.2021 - Memória dos Santos Ponciano e Hipólito
Irmãos, nossa história faz parte de quem somos. Fomos construídos e seremos construídos a partir de nossa história. Josué tem, com o povo de Israel, uma experiência de fazer anamnese, de recordar-se, com o coração agradecido, de tudo aquilo que Deus fez com o seu povo e em sua história. Louvado seja Deus por suas obras em nossa história. Bendito seja Deus pela bonita história de nossa Igreja. É o esforço, o trabalho, o empenho de cada um, que constrói a história da Igreja. Ela nunca será o que um papa faz dela, ou alguns fazem dela. A Igreja é o que cada um, que cada pessoa, faz dela. Nós somos os construtores da história da Igreja.
CONSTRUTORES DA IGREJA!
Por sua vez, ela vai acontecendo e tornando presente o Reino de Deus pela graça santificante do Espírito Santo. Mas, ela não deixa de contar com o nosso compromisso. Precisamos ser homens e mulheres compromissados com nossa Igreja. Quando Jesus faz todo o discurso sobre o matrimônio, os discípulos tem medo do compromisso, das dificuldades da união, e dizem que seria melhor o homem não se casar. Mas, mesmo os que trabalham na construção do Reino de Deus não podem viver nesse medo. Não há como sermos Igreja sem compromisso. Há, sim, dificuldades que precisamos enfrentar. Mas, não podemos ficar parados e alheios, com medo, achando que seria melhor não dar os passos que precisamos dar. São Ponciano, papa, e Santo Hipólito, presbítero, que hoje celebramos, foram homens, clérigos, que foram às consequências do que é ser Igreja e nos devem ser exemplo. De tal modo, nos diz São Cipriano que Jesus Cristo, "que uma vez venceu a morte em nosso lugar, sempre vence em nós. Ó feliz Igreja nossa, iluminada pela honra da divina condescendência, que em nossos tempos o glorioso sangue dos mártires ilustra. Antes, alva pelas boas obras dos irmãos, fez-se agora purpúrea pelo sangue dos mártires. Entre suas flores não faltam nem os lírios nem as rosas. Lute cada um agora pela magnífica dignidade de ambas as honras. Ganhem coroas alvas pelas boas obras ou vermelhas pelo martírio."
ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS!
É sempre momento de dar um passo adiante, nos esforçarmos, de nos arriscarmos, de irmos às consequências do "ser Igreja". Assim seja! Amém.
quinta-feira, 12 de agosto de 2021
12.08.2021 - 5 meses do Pontificado
Irmãos, é sempre momento de passagem. Estamos celebrando, hoje, meus cinco meses de ministério petrino, as vésperas do dia em que deixo a Sé Apostólica. É um momento de muita alegria e ação de graças. Ação de graças pois Deus nos trouxe até aqui e agora, nos convida a passarmos o Jordão e iniciarmos uma nova fase em nossas vidas, como foi a experiência do povo de Deus que voltava para a terra prometida. O povo que passara quarenta anos no deserto, guiado por Moisés, agora tendo como líder Josué, revive a experiência do Êxodo. Outrora o mar vermelho se abrira e agora se abre o Jordão, para a passagem do povo de Deus e uma vida nova. E a Igreja vive constantemente esta passagem, esta renovação que deve acontecer. A renovação é em primeiro lugar interior, pois, se não nos renovamos interiormente e mudamos a nossa atitude, entrará papa e saíra papa e estaremos no mesmo lugar, imutáveis e alheios, como tantos foram ao longo destes cinco meses. Mas, sou grato a Deus por aqueles que comigo aderiram o projeto do Reino de Deus e colaboraram para que este acontecesse ao longo de todo este período de pontificado. Há cinco meses, na noite em que os cardeais me elegeram para sentar-me nesta cátedra romana, precisei escolher um nome para meu ministério. Escolhi Clemente. Acabara de ler as obras de São Clemente Romano, que tanto me inspiraram. Mas ao mesmo tempo, Clemente era um nome que representaria as minhas atitudes. Ser bondoso, acolhedor e suave fora meus objetivos. É claro que, em muitos momentos precisamos ser mais duros frente a algumas realidades, embora sempre abertos a reconciliação dos que nos procuraram. Foi assim que Jesus nos pediu para ser. A parábola que hoje ouvimos nos leva a compreender isso. Todos nós, pelo batismo, recebemos o perdão de Deus. Devemos, então, perdoar uns aos outros. Isso não quer dizer sermos bobos dos outros. Mas, quer dizer, sermos abertos a aventura que é amar mesmo aqueles que não podem estar junto de nós. Como Igreja, dou-vos este desafio: sejais clementes; não endureçais vosso coração nem a Deus e nem aos irmãos, pois, ao nos fecharmos, corremos o risco de perder o vínculo da comunhão, que nos faz Igreja. Louvemos a Deus por este ministério que há cinco meses iniciemos e peçamos que tudo que realizamos se transforme num grande sacrifício ao Pai. Assim seja! Amém.
quarta-feira, 11 de agosto de 2021
11.08.2021 - Santa Clara de Assis
Irmãos, o nome do Senhor dos reúne. Moisés foi essa figura que, no Antigo Testamento, em nome do Senhor, reuniu o povo com o seu Senhor. Moisés, desde a libertação do Egito, foi o guia da comunidade do povo Eleito, o conduzindo à Jerusalém. Contudo, o próprio Moisés não entrou na Terra Prometida. Isso, porém, não diminuiu o seu valor, e ele portanto, não teve o seu vigor diminuído, mas, sim, esteve na vontade do Senhor até o último dia de sua vida. Muitas vezes, temos dificuldade de encontrar essa vontade do Senhor que nos dá vigor, não conseguimos encontrar o caminho certo. Como Jesus disse no Evangelho, podemos precisar ser corrigidos e corrigir. Precisamos, sim, corrigir os que estão no erro, mas, também, precisamos permitir a correção dos outros e a correção da Igreja, estas correções que vão fazendo de nós pessoas mais abertas ao outro, mais dispostas e mais atentas a vontade do Senhor, mais humildes. Hoje celebramos a memória de Santa Clara, que aqui neste Santuário é elevado ao grau de Solenidade, como padroeira. Santa Clara é esse exemplo de alguém que aceitou as correções, se abriu ao outro, e foi ficando mais disposta a vontade do Senhor e mais humilde. Clara, a jovem bela de Assis, bem sabemos, amava Francisco de Assis. Francisco, por sua vez, também amava Clara. Se parássemos aqui, já teríamos uma linda história de amor e um casal que poderia ter sido um dos mais santos de toda a história da Igreja. Mas, quis Deus que São Francisco se apaixonasse por Ele por meio da pobreza. Assim, Francisco amou a Deus e aos pobres, aos que mais precisavam e começava a reunir seguidores, sempre homens. Clara vai viver este mesmo encanto. Ela não vai querer apenas se unir a Francisco. Não, Clara quer se unir a Deus! Ela vê no modo de vida do seu amigo, o modo de extrapolar o amor. E ambos, Clara e Francisco, extrapolam os níveis do amor que poderiam sentir apenas um pelo outro e fazem deste amor uma outra extrapolação, que ir aos extremos do cumprimento da vontade do Senhor. "Há entre Francisco e Clara algo misterioso que conjuga Eros e Ágape, fascinação e transfiguração". Apesar dos boatos que deviam ter em Assis sobre a relação dos dois, Francisco e Clara mantém frequentes encontros, mesmo depois da fundação das Damas Pobres. O relato histórico não poderia ser mais carregado de densidade amorosa. Francisco combinara com Clara que na noite do domingo de Ramos, belamente adornada, fugisse de casa e viesse encontrá-lo na capelinha que havia construído, a Porciúncula. Efetivamente ela fugiu. Chegou à igrejinha e lá estavam Francisco e seus companheiros com tochas acessas. Alegres a aplaudiram e a receberam com extremo carinho. Francisco lhe cortou os belos cabelos louros. Era o símbolo de sua entrada no novo caminho religioso. Agora eram dois num só e mesmo caminho e até hoje não se separaram. Quando Francisco morreu em 1226, seu corpo passa por São Damião para ser mostrado a Clara. Santa Clara vai ser mulher forte e importante para a Igreja de seu tempo. No momento em que as tropas de Frederico II iriam atacar onde viviam, Clara, com o Santíssimo Sacramento, afasta os soldados. Por fim, ela volta ao Pai em 11 de agosto de 1253, com suas exéquias sendo celebradas por Inocêncio IV, que abre seu processo de canonização. Assim, Clara clareia até hoje a nossa história, ensinando que quando observamos os irmãos, os que nos corrigem, nos ensinam e os que precisam de nós, nos tornamos verdadeiros amantes de todos e do Senhor. Que assim seja em nossa vida. Amém.
terça-feira, 10 de agosto de 2021
10.08.2021 - Consistório de Criação de Dom Marcos Messias
Irmãos, quanto mais alto subimos, de maior altura podemos cair. Os discípulos Tiago e João pediram lugares a direita e a esquerda de Jesus, pois queriam receber um pouco da glória que Jesus receberia. Mal sabiam, que a ascensão deles passaria pela experiência da queda. Hoje, estamos aqui reunidos para concedermos a Dom Marcos Messias este título de Cardeal. Este título que é honorífico nos recorda alguém que trabalha mais próximo do Romano Pontífice, mas, também, que desempenhando o exercício de seu ministério, foi visto com bom grado pelo Santo Padre e por seus irmãos, para receber esta honraria. Mas, esta honra vem com um serviço. O serviço que já vem sido feito, deve ser feito com ainda mais esmero. É a doação da própria vida, feita com alegria e generosidade que deve continuar permeando a vida deste nosso irmão, mas, também de todos os cardeais. Nós tendemos a achar que quando nos colocamos numa situação de poder e glória, nada nos tirará de lá. Porém, deste local alto, quando caímos, a queda muito alta. A queda é alta pois, muitas vezes, nos locais de poder, corremos o risco de dele usurpar e, ainda, de dele nos apegarmos. Tivemos, por exemplo, um irmão que se achou no direito de criticar a Igreja em suas redes sociais e por isso foi exonerado e depois demitido e hoje está cismando. É um claro exemplo de quem estava no topo e de lá caiu. Caiu não porque foi derrubado, mas, pelo contrário, porque de lá se precipitou. Normalmente, veneráveis irmãos, não são os outros que nos derrubam, somos nós que nos derrubamos. Em nossas atitudes de desprezo pela Igreja, quando não doamos a vida, e pior, quando cuspimos no rosto visível da Igreja, que é sua hierarquia, por meio de mensagens de ódio e de desobediência, na falta de comunhão com os irmãos, também quando usamos a Igreja para satisfazer as nossas necessidades e sedes, enfim, em todos estes momentos que nós maltratamos a Igreja, somos nós que nos derrubamos. Nos derrubamos pois a Igreja não merece ser escarrada por aqueles que estão dentro dela. E estes que tanto cospem em nossa cara, são os mesmos que depois recorrem pedindo retorno em meio a promessas políticas de campanhas inexistentes. Isto serve para todo o clero. Cuidado! O caminho da Igreja é o caminho para Jerusalém e Jerusalém é o lugar da Paixão e da Morte, mas, é também o lugar da Ressurreição. Nosso caminho no seguimento de Jesus deve ser este mesmo caminho, para bebermos deste mesmo cálice que é dar a vida. Neste caminho, não desonremos nosso Senhor com nossa soberba, mas, coloquemo-nos em humilde serviço. Por fim, volto-me aos cardeais para um público pedido. Bem sabeis que em poucos dias a Sé de São Pedro estará vacante. Quando fordes fazer a eleição para o meu sucessor, observai bem em quem votar. Não elejam, eminências, por favor, não elejam cardeais que falem de assuntos políticos. Não elejam quem fica preocupado falando só de crise na Igreja, porque disso estamos fartos de ouvir há muitos anos. Aliás, recordo que os chamamos momentos de glória da Igreja ali em 2014 e 2015 eram momentos de missas com 6 ou 7 pessoas. O momento da glória da Igreja é sempre o momento atual, por isso, falar de crise é buscar viver num constante e desnecessário medo, já que o que nos garante a vitória não é o número de membros, mas, o grau de comprometimento. Por isso, eminências, elejam alguém que fale de Jesus Cristo convosco. Se virem alguém fazendo campanha por si mesmos, caiam fora. Mas, se este alguém é alguém que vos fala de Jesus Cristo, que vá anunciar conosco Jesus Cristo, que vá mostrar aos outros Jesus Cristo em sua vida e obras, elegei este. É o meu conselho paterno e fraterno. Já sofremos demais com gente que viveu em constante guerra entre facções. Nos preocupemos, portanto, apenas com o que é necessário, Jesus Cristo, e doemos nossa vida em seu serviço e em serviço de sua Igreja. Assim seja! Amém.
10.08.2021 - São Lourenço, Mártir
Irmãos, o serviço é o que nos concede a honra de Deus. A Festa de São Lourenço, padroeiro dos Diáconos vem nos lembrar a beleza que é o ministério da Diakonia na Igreja. Mas, esta diakonia, este serviço, não são próprios dos diáconos. Embora, de fato, os diáconos sejam os maiores responsáveis pelo serviço da caridade, com os pobres, as viúvas e os órfãos, e, também, pelo serviço ao altar, todos nós temos que imitar este ministério do Cristo Servo. De fato, os presbíteros e epíscopos devem ser diáconos, pois foram ordenados diáconos. Mas, todos nós, cristãos, devemos desempenhar este papel do cuidado e do serviço com os outros. O serviço muitas vezes se faz nas pequenas coisas, nos pequenos gestos de cuidado. O serviço está nos grandes gestos, mas, pode estar também nos pequenos. Quando ajudamos alguém com uma caixa pesada, ou simplesmente acompanhamos uma senhorinha com suas sacolas, para atravessar a rua, ou, ainda, colaborando na limpeza de nossas casas, enfim, são todos gestos de serviço. E Cristo foi o grande diácono, o grande servidor, quando lavou os pés de seus discípulos para que nós também nos sirvamos uns aos outros. Hoje celebramos este grande diácono, Lourenço. A antiga tradição conta que São Lourenço, ao ver que iam matar o pontífice, Sisto II, disse-lhe: “Meu pai, vais sem levar o teu diácono?”. E o papa respondeu: “Meu filho, em poucos dias me seguirás”. Antes de ir ao martírio, Lourenço chama os pobres, as viúvas, os órfãos, enfim, seus assistidos, e diz ao prefeito que estes são o verdadeiro tesouro da Igreja. Queimando na fogueira, São Lourenço não sente a dor das chamas, mas, adentra com serenidade na vida eterna. Ele havia feito de sua vida um serviço, e, no final, recebeu a honra e a glória de Deus sem a sensação da dor e do sofrimento que traz lágrimas, pois suas lágrimas já haviam sido derramadas aos pés daqueles que em sua vida ele havia servido. Que em nossa vida possamos ter esta mesma disponibilidade de servir, para que, quando chegar o momento da consumação de nossa vida, possamos receber a mesma honra que nos é preparada. Assim seja! Amém.
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
09.08.2021 - Memória de Santa Teresa Benedita da Cruz
Irmãos, a busca pela verdade nos leva ao encontro de Jesus Cristo. Estamos celebrando essa mulher, nascida como Edith Stein, que foi uma grande filósofa. Ela tinha sido nascido judia e havia abandonado a sua fé, tinha se tornado ateia. Sua vida era uma busca pela verdade. A filosofia alemã, no contexto de sua época, era permeada pelo idealismo, que se centrava no que existia na ideia do homem. Depois, Edith se encontra com a fenomenologia, a busca pelo sentido na própria realidade. Mesmo aí, Edith não vê em seu devido lugar. Mas, quando entra em contato com a vida de Santa Teresa, a carmelita, Edith Stein se encontra com a verdade, pois se encontra com Jesus Cristo. Ela, então se debruça nos estudos sobre a Igreja e depois foi batizada, e, após longo período, entrou no carmelo e se tornou Teresa Benedita da Cruz. Por fim, ela foi martirizada em campo de concentração nazista de Auschwitz, vivendo o extermínio que viviam tantos que tinham a mesma origem que a sua, mas, ainda mais, por ser cristã. Santa Teresa Benedita da Cruz não se apegou ao que era humano e que só se podia ver num nível humano, seu intelecto a exige dar um salto em sua vida. Este salto, por sua vez, não foi dado pelos cobradores de impostos, como vimos no Evangelho. Eles ainda estavam presos a uma visão muito reduzida, que buscava a verdade meramente no cumprimento de uma lei e não eram capazes de ir além disso. Jesus, por outro lado, vai além da própria visão humana ao mandar Pedro pescar um peixe e pegar a moeda que estaria em sua boca. Em outras palavras podemos dizer que a resposta de Deus à limitação do nosso intelecto é sempre uma resposta que extrapola tudo aquilo que somos capazes de conceber. Além disso, Deus sempre subverte o que tende a ser o nosso pensamento, como vimos na primeira leitura. Percebamos, então, como Deus não se encontra nem nos fenômenos, pois nestes só percebemos sua ação, e nem nas ideias, pois nelas não imaginaríamos a imensidão de Deus. Por sua vez, Deus se encontra na imensidão do universo enquanto onipotente, mas, também, em nosso coração quando encontramos Nele a verdade que nada pode nos dar, nos propomos amá-lo e vamos, como Santa Teresa Benedita da Cruz, até as últimas consequências de termos escolhido Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Assim seja! Amém.
sábado, 7 de agosto de 2021
08.08.2021 - XIX Domingo do Tempo Comum
sexta-feira, 6 de agosto de 2021
07.08.2021 - Ordenação Episcopal do Mons. Thomas Hatcan
Irmãos, estamos aqui reunidos para ordenarmos como Bispo o Mons. Thomas Hatcan. Esta é uma tarde de muita alegria para toda a Igreja. Por isso, meditemos sobre o ministério episcopal que será conferido a este nosso irmão. É pela ação do Espírito Santo que Mons. Thomas será inserido no colégio apostólico. Foi o Espírito Santo que pousou sobre Ele e o impulsionou para a missão por meio dos sacramentos da Igreja. Agora, em nosso ministério, terá como função continuar com esse impulso do Espírito Santo, empenhando-se pela sua salvação e pela salvação de todo o rebanho. Com sua juventude, Mons. Thomas pode ser comparado a figura de Timóteo que ouvimos na primeira leitura. Mas, apesar de sua juventude, será pai para a comunidade e deve presidi-la na fé e na caridade. Ser jovem não seja motivo de ser considerado como despreparado. Pelo contrário, que o fato de ser jovem seja motivo para que muito mais de sua vida possa ser doada e desgastada no serviço apostólico, configurando-se ao Cristo Bom Pastor. O parâmetro para o que desempenha o ministério episcopal não é outro senão a figura de Jesus Cristo, nosso supremo e Bom Pastor. Ele mesmo estabelece que a medida do Bom Pastor é dar a vida por suas ovelhas. Por isso, Mons. Hatcan, não há outro caminho para o teu ministério episcopal. É preciso doar e desgastar a sua vida, querido monsenhor, para que ela frutifique e para que você seja um verdadeiro Bispo. Já há muitos mercenários, que desprezam o rebanho, que o fazem se perder e que as ovelhas não ouvem ou conhecem a voz. Seja, portanto, Bom Pastor. Que todos conheçam a sua voz, a voz de sua Palavra que deve ser Palavra da Salvação, Palavra da Vida, Palavra de Cristo. Mas, acima de tudo, querido Mons. Hatcan e todos os Bispos aqui presentes, nós devemos ser amigos de Jesus. Nossa palavra diz muito, mas, nosso testemunho grita. Se vivermos como testemunho vivo de Jesus Cristo, de sua vida, nosso ministério será verdadeiramente ministério de bons pastores. Unamos, agora, nossos corações, e permitamos que o Bom Pastor transforme sua Igreja, seu rebanho, num rebanho que seja digno de seu nome. Assim seja! Amém.
06.08.2021 - Despedida do Brasil
Irmãos, nós não vamos fazer aqui três tendas e permanecermos aqui, sobre o Tabor. É hora de voltarmos para as nossas Dioceses, para as nossas paróquias e colocarmos em prática a ordem do Pai de fazermos o que Jesus nos diz. Nossa visita apostólica, do meu ponto de vista, foi demasiadamente frutífera. Agradeço a cada um que se empenhou para que ela acontecesse. Agradeço a Arquidiocese de São Paulo, de Aparecida e de Salvador pelo empenho e dizer aos senhores em unidade que a Igreja espera o esforço de cada um de vocês, para que a Igreja de Cristo seja bela e gloriosa como seu Divino Mestre. A Igreja acontece com a atitude de vocês e não com os atos da Cúria Romana. A formação presbiteral, que deve ser a vossa prioridade, é o que motivará todas as outras atitudes na vida arquidiocesana e Pastoral da Igreja. Não me resta dúvidas que meu sucessor baterá na mesma tecla que tanto bati e, provavelmente, com ainda mais cobrança do que eu mesmo cobrei. Não se esqueçam que sempre é preciso descer do Tabor. Contemplamos, sim, a glória do Senhor, mas é preciso voltarmos a realidade. É preciso que desçamos do monte e nos encontremos com tantas realidades que precisam ser trabalhadas em âmbito eclesial, diocesano, mas, também em âmbito pessoal de cada um de nós. Deste modo, iremos ir assumindo as feições de Jesus Cristo como nossas feições. Neste final de viagem apostólica, peço que cessem as brigas por razões bobas e por coisas poucas. O que precisa ser corrigido deixem que os devidos superiores corrijam. Cessemos as fofocas e intrigas por razões tão fúteis como uma simples bandeira de um movimento que merece nossa atenção. Sabemos que aquele não era o lugar para ela, mas, entre aceitar uma bandeira de um movimento que defende a dignidade da pessoa independente de sua orientação shexhual e ferir uma celebração transformando-a numa balbúrdia e grande fofoca, foi preferível aceitar aquela simples bandeira. Como Igreja, precisamos nos lembrar do silêncio e da obediência de Pedro, Tiago e João quando descem do Tabor. Não saem fofocando sobre o acontecido, mas, guardam aquilo e só comentam entre si. Uma Igreja de intrigas e fofocas será sempre uma Igreja ferida, não uma Igreja que resplandece a glória de seu Senhor Jesus Cristo. Volto à Roma com este desejo: de que ao invés de criticarmos uns aos outros e ficarmos sentados sem fazer nada, gastemos nossas energias no exercício de nosso ministério e nos desgastemos para que todos conheçam a Jesus Cristo que nos chama a nos transfigurarmo-nos Nele. Assim seja! Amém.
06.08.2021 - Missa na Paróquia Nossa Senhora das Graças
Irmãos, precisamos ter atenção e ousadia. A palavra de Deus que ouvimos, na primeira leitura nos apresentou uma imagem bonita do trono de Deus, e de Deus mesmo, pois aquele ancião representa o próprio Deus. Imagem que nos consola, que nos faz perceber que Deus é o Senhor da história, que ele acompanha os fatos e acontecimentos da vida do dia a dia. Precisamos ser atentos a Palavra de Jesus Cristo. Da nuvem, o Pai nos convida a ouvirmos o seu Filho. Ouvir Jesus, como ouvi-lo hoje? Ele nos fala hoje, através da sua Palavra proclamada em cada celebração; na oração; no irmão. O Senhor continua a nos falar hoje. É preciso nos colocarmos na sua escuta. É ouvindo-o que se forma o coração do discípulo-missionário. O Senhor nos continua a falar através das Escrituras. São Jerônimo dizia: “Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”. A Escritura forma o coração do discípulo-missionário. Esta cena nos remete à centralidade das Escrituras na vida da Igreja e na vida de cada católico. Diante deste grande mistério que é Jesus Cristo corremos o risco de deixar que o impacto nos paralise e não sabermos o que fazer. Podemos achar que não somos capazes de cumprir a Palavra de Deus e nos deixarmos estagnar. Aí precisamos ter a mesma atitude de Pedro que é aproximar-se de Jesus e falarmos o que nos vem a cabeça. Mesmo quando não entendemos o que está acontecendo, Deus tem um propósito, um desígnio. Se nos deparamos com um momento onde não sabemos o que fazer, o que temos a fazer é sermos ousados e nos arriscarmos. Sem esses gestos, ficaremos apenas parados, olhando para cima, tentando compreender, e nada mudará. Quando agimos, por outro lado, damos passos concretos, não necessariamente para a nossa compreensão, mas, para a manifestação do projeto de Deus em nossas vidas.
06.08.2021 - Missa da Transfiguração e Posse em Salvador
Irmãos, transfiguremo-nos nas vestes gloriosas do Senhor. Estamos celebrando a Transfiguração do Senhor, o dia onde Jesus sobe com Pedro, Tiago e João à montanha e se transfigura diante deles. Jesus revela aos seus discípulos a glória que ele terá quando ressuscitar dos mortos. Suas vestes brancas e brilhantes são as vestes da pureza, vestes gloriosas. E Pedro então diz: "Mestre, é bom ficarmos aqui". É bom estarmos com o Senhor no momento de sua glória. É bom olharmos ao Senhor e o vermos glorioso e detentor de todo o poder, como é descrito pela profecia de Daniel. Mas, precisamos nos lembrar que o que concede novamente a Cristo essa glória tão grande foi a sua ressurreição, e sua ressurreição, por sua vez, depende completamente de sua cruz, sua morte obediente para cumprir a vontade do Pai. Quando Jesus está transfigurado, o Pai brada dos céus para cumprirmos o que Ele diz. Somente se cumprirmos o que diz Jesus poderemos nos revestir dessas suas mesmas vestes gloriosas. Seremos insensatos se buscarmos a glória mas não procurarmos a nossa completa transfiguração a Jesus Cristo. Transfigurarmo-nos em Jesus é assumirmos a sua imagem como nossa imagem e sermos, verdadeiramente outros cristos. Devemos assumir o ser de Jesus em nosso ser e repetir seus gestos e palavras no cotidiano de nossa vida para recebermos, no final, as mesmas vestes gloriosas que Ele recebeu ressuscitado. Mas, precisamos ir além, precisamos transfigurar toda a Igreja a figura gloriosa de Jesus Cristo. Corremos o risco de termos uma Igreja que busca, sim, a glória. Mas, não busca a glória Divina, mas, a glória humana. O nosso encontro de discípulos com a glória Divina resultará em querermos estar juntos do Senhor. Mas, não me surpreende que nem todos clérigos consigam fazer a experiência de Jesus, que nem todos consigam buscar a glória Divina e não a glória humana, pois o próprio Jesus não levou consigo ao Tabor todos os discípulos. Dos 12, apenas 3 foram levados com Jesus para o alto do monte. Todos o clero e todo o povo de Deus pode estar perto de Jesus Cristo, mas, nem todos conseguem fazer a experiência transformadora do Senhor, nem todos conseguem completar a sua beleza e assumirem para si esta Divina beleza. Contemplando a beleza de Cristo, encontramos Nele o verdadeiro sentido da vida humana. Em Cristo, o homem encontra o que é ser homem. Nele, o ser humano encontra o seu caminho, pois o mistério de Cristo revela ao homem o que é ser homem, pois Cristo é o homem segundo o projeto de Deus. Devemos passar do rosto transfigurado de Cristo ao rosto da Igreja e nos empenharmos na construção de um rosto bonito para a Igreja. A santidade da Igreja nos compromete, compromete a cada um de nós. A beleza ou feiúra do rosto da Igreja está traçado no rosto de cada um de nós. Nós somos a Igreja hoje. O rosto resplandecente da Igreja na história depende da doação alegre, generosa e bonita de cada um de nós. Hoje, subimos a montanha na companhia de Pedro, Tiago e João e contemplamos a cena da transfiguração, a montanha para nós é esta catedral de São Salvador da Bahia. Tomamos consciência de que esta gloria da transfiguração resplandece também em nós, seus filhos adotivos. Daí a pouco, voltaremos para nossas Dioceses, paróquias, casas com o coração alegre, pois contemplamos esta belíssima cena da transfiguração, beleza que nos Salva. Assim seja! Amém.
06.08.2021 - Chegada a Catedral de Salvador
Queridos irmãos em Cristo, é uma grande alegria chegar nessa tarde a cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos para este encontro fraterno com vocês. Iremos, em alguns instantes, dar posse como Arcebispo Primaz do Brasil, ao excelentíssimo Dom Marcos Messias, que também será elevado ao cardinalato na próxima semana. Dom Marcos, apesar de jovem, conta com um grande empenho e amor pela Igreja, o que já é um grande começo. Sua experiência como Bispo Auxiliar e tudo que já sofreu no passado, em situações as quais resistiu bravamente, o colocaram aos nossos olhos. Desejamos que no exercício de seu ministério nestas terras, Dom Marcos possa promover a unidade do clero que corre o risco de dispersar-se e ao mesmo tempo, empenhe-se com seus presbíteros na formação presbiteral dos seminaristas. Essa Igreja de Salvador poderá, deste modo, encher-se de vocacionados e movimentar-se com muitas admissões, instituições e ordenações. Cada passo desta história, Dom Marcos e queridos irmãos, depende do empenho dos senhores. Quem já demonstrou o seu amor pela Igreja de Cristo, agora precisa prova-lo por meio destes gestos concretos. Que a Igreja de São Salvador floresça e dê muitos frutos para a Igreja de Cristo e que venha em nosso auxílio a intercessão de todos os santos e santas de Deus aos quais os primeiros europeus nesta Terra de Santa Cruz, dedicaram esta Bahia. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
05.08.2021 - Missa no Santuário Nacional
Irmãos, venho como romeiro de Nossa Senhora a casa da Mãe Aparecida. Venho, nessa noite, num gesto de agradecimento a Mãe de Deus e nossa, pelos inúmeros benefícios realizados em meu favor. Venho, também, conceder a posse canônica ao vosso Arcebispo, Dom Miguel Dolezzio. Na verdade, Dom Miguel acha que é ele quem está tomando posse, mas, são vocês que devem tomar posse dele. É o povo que toma posse de seu pastor e que deve exigir dele que todas as necessidades desta Igreja Particular sejam bem atendidas. Aqui deve se iniciar um trabalho entre povo e rebanho, entre filhos e filhas de Deus, que se põe a serviço. O milagre acontece nas mãos dos servos. Quando acontece as Bodas de Caná, o primeiro sinal de Jesus, simbolizando as suas núpcias com a humanidade, falta vinho. Pela intercessão de Nossa Senhora, Jesus transforma a água em vinho. Jesus manda que as talhas sejam enchidas de água e quando os servos terminam de encher, imediatamente retiram a água e levam ao mestre sala. É na mão dos servos que se faz o milagre da transformação da água em vinho. É nas mãos de vocês, arcebispo, bispos, presbíteros e povo de Deus, que o milagre pode acontecer. O milagre não vem só de cima, mas, exige uma atitude de vocês. Tomarmos atitudes e não ficarmos esperando que as coisas caiam do céu é algo extremamente difícil, principalmente em tempos onde vemos realidades que precisam ser mudadas. Mas, as mudanças se iniciam nas pequenas atitudes que realizamos. O crescimento do clero, o crescimento de nossa missão, não precisa acontecer em grandes atos. Pelo contrário, é na celebração de uma missa, numa conversa, numa confissão, nos mais simples atos de amor e carinho que iniciamos grandes mudanças. Não pensem que Deus vai mandar que o Arcebispo fira a pedra e saia a água. Vai ser bem diferente. Vejam as grandes árvores; elas não surgiram de uma hora para outra. Pelo contrário, elas cresceram pouco a pouco, no dia a dia. Assim devem ser as grandes mudanças que esperamos: precisamos começar de algum lugar e, se iniciarmos no pouquinho que podemos fazer hoje, logo veremos o grande milagre acontecer.
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
04.08.2021 - Dedicação da Catedral da Sé
Irmãos queridos, é Cristo que nos preside na fé. Dedicarmos esta Igreja catedral nessa noite é dedicarmos o lugar de onde o digníssimo Arcebispo desta Igreja, Dom Gregório Michels, presidirá na caridade esta Igreja Particular em comunhão com a Sé de Roma. Esta é a cabeça de todas as igrejas da Arquidiocese de São Paulo e deve ser lugar do encontro fraterno entre irmãos. Dedicamos essa Catedral na esperança de que nela sejam ordenados muitos diáconos, presbíteros e bispos, muitas missas sejam celebradas, mas, acima de tudo, que seja o encontro de muitos com Jesus Cristo. Não há outro sentido para uma Igreja se não ser morada de Deus e local do encontro. Este encontro se faz com o Senhor, em espírito e verdade, e também nos irmãos e irmãs. Não somos como o povo que voltava do cativeiro da Babilônia e não tinha um templo para o encontro. Temos um lugar onde fazer o encontro e ouvir a Palavra de Deus que nos anima o coração. Mas, é preciso ir além, é preciso encher de sentido o que estamos fazendo. Este rito só se enche de sentido, a unção do altar e das paredes só ganha sentido, se aqui se fizerem presentes homens e mulheres ungidos pelo Senhor. E o que é a unção? A unção é a eleição. Quem deve encher de significado estes ritos sagrados que realizamos são os eleitos pelo Senhor, o povo de Deus, batizado por Cristo na força do Espírito Santo, que aqui realizarão o seu encontro sagrado. Mas, não apenas isso, o ungido pelo Senhor é o que anuncia a boa nova aos humildes, cura os corações feridos, anuncia a libertação aos cativos, a liberdade aos presos, que consola os aflitos e canta a glória em lugar do desespero. Aqui, nesta Catedral, devem se encontrar estes, que não ficam esperando cair as coisas dos céus, mas, que se alimentam da Palavra e da Eucaristia e vão em missão por tantos quartos. Mas, além disso, esta Catedral deve lembrar aos outros que Deus existe. Quantos caminhas sem fé pelos nossos quartos? O nome Catedral da Sé é muito conhecido e se o clero daqui for esperto atraíra muita gente para cá. E o que as pessoas encontrarão aqui? Jesus Cristo. Assumo o que foi dito por Dom Licínio Cardeal Rangel e digo: as pessoas devem encontrar aqui um padre celebrando a missa, mesmo que sozinho, e se lembrarão que Deus existe e está no meio de nós. Deus habita esta cidade e Deus habita este lugar. No meio dos altos edifícios brilha uma luz: é Jesus Cristo nos chamando para o encontro. Assim seja! Amém.
terça-feira, 3 de agosto de 2021
04.08.2021 - Discurso na Chegada ao Brasil
03.08.2021 - Comunicado de Renúncia
segunda-feira, 2 de agosto de 2021
02.08.2021 - Perdão de Assis
02.08.2021 - Audiência Geral (Tema: Fé, Conversão e Comunidade)
Irmãos, encerramos hoje o nosso ciclo de catequeses sobre o Querigma com os últimos dois passos do anúncio da fé: Fé e conversão, e comunidade. A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida. O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso. Quem tem fé em Deus o obedece e essa obediência é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus, que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão e a sua realização mais perfeita é de Nossa Senhora. Mas, precisamos compreender que a fé é uma graça, um dom de Deus que Ele próprio infunde no coração humano. Tanto que, quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o Senhor o diz que esta revelação não veio nem da carne nem do sangue, mas do seu Pai que está nos Céus. Assim, ter fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas. Por isso, não contrário à nossa dignidade prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador e entrar assim em comunhão intima com Ele. Sabemos, portanto, que a fé é o ato onde a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina. Justamente por isso, o motivo para crer não é que as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural. Mas, ao mesmo tempo, nossa fé procura compreender. É inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor. A graça da fé abre os olhos do coração para uma inteligência viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do desígnio de Deus e dos mistérios da fé, da íntima conexão que os Liga entre si e com Cristo, centro do mistério revelado. Ora, para que a compreensão da Revelação seja cada vez mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé, mediante os seus dons. Assim, conforme o dito de Santo Agostinho, "eu creio para compreender e compreendo para crer melhor". De fato, a fé é tão necessária que para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n'Aquele que O enviou para nos salvar. A fé é, portanto, um ato pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um ato isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo se deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé. Antes de mais, é a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé. A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe. A Igreja, que é coluna e apoio da verdade, guarda fielmente a fé transmitida aos santos de uma vez por todas. É ela que guarda a memória das palavras de Cristo. É ela que transmite, de geração em geração, a confissão de fé dos Apóstolos. Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé. Desde há séculos, através de tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar a sua fé única, recebida de um só Senhor, transmitida por um só Batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm apenas um só Deus e Pai. Falamos, aqui, da nossa Igreja: a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica. Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana. A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança, no termo da qual todas as divisões serão superadas. A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é a sem-pecado feita de pecadores. Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa. A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; é, por sua própria natureza, missionária. A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são os Doze apóstolos do Cordeiro; é indestrutível; é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos. É na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas. Somos membros dessa Igreja e temos essa fé, temos essa história que ouvimos na última semana. Que esse conhecimento nos ajude a nos santificarmos e amadurecermos a nossa fé. Assim seja. Amém.
domingo, 1 de agosto de 2021
01.08.2021 - XVIII Domingo do Tempo Comum
Irmãos, nunca ficamos satisfeitos com aquilo que Deus faz por nós. Por isso, Deus sempre se dá ainda mais e se revela ainda mais. Depois de sair do Egito, onde o povo era escravo, ele se deparou com o deserto e sentiu saudades da escravidão, pois lá tinha o que comer. Para o povo não bastou ser liberto por Deus, por isso, Deus os deu de comer o Maná. Este alimento que caia a cada dia, menos aos sábados, eram como que pequenos grãos, com os quais o povo hebreu se alimentou. Depois de Jesus ter alimentado o povo, quando multiplicou 5 pães e 2 peixes, conforme ouvimos no Evangelho do domingo passado, o povo ainda continuo seguindo Jesus. O povo não queria saber mais, queria comer mais. Não era o suficiente o que Jesus já tinha feito para eles, eles ainda queriam mais. Jesus tinha acabado, também, de realizar um sinal e antecipar a sua hora. Ainda sim, para aquele povo, o sinal não foi o suficiente e eles queriam ainda mais. Por isso, o Senhor Jesus se apresenta como pão da vida, como pão que sacia a fome e a sede que a humanidade tem. Precisamos deixar para trás o homem velho e a mulher velha, que eram famintos e insaciáveis e que, por isso, buscavam se saciar em tantas coisas e não em Deus. É em Deus que nos saciaremos. É no banquete Eucarístico que nos alimentamos do pão da vida eterna. Mas, em todas as experiências de Deus que fazemos nós nos deparamos com um sentimento de alegria imenso. Quando rezamos o santo terço, o breviário, as jaculatórias ou outras orações, diante do sacrário ou a Nossa Senhora e aos santos, nós sentimos paz pela oração que acabamos de fazer. Do mesmo modo, quando saciamos a fome e a sede dos que tem fome e sede, dos abandonados, quando vamos ao encontro dos sofredores, que sofrem de dores físicas ou psíquicas, nossa alma também se sente plena, pois neles nós nos encontramos com Deus. Nos encontramos com Deus em tantas realidades, mas, devemos aprender a percebe-lo e experimenta-lo. Dom Lindomar realizou essa experiência diversas vezes e de modo especial há seis anos, quando recebeu o barrete cardinalício. Desde lá, se empenhando para que os outros também faça essa experiência, deve ser tido pelos mais jovens como um exemplo de empenho e de fidelidade. Os arcebispos que hoje levam os seus pálios para serem impostos em suas arquidioceses devem favorecer lá uma cultura do encontro. O encontro deve se dar com os que estão afastados. Hoje, tive oportunidade de ler um comentário em uma rede social, onde o irmão dizia que o nosso erro como Igreja no Habbo Hotel foi nos esforçarmos tanto para chegarmos aos leigos. Me pergunto se vale a pena vivermos uma Igreja só de rosto, com muitos clérigos, sobretudo bispos e cardeais carreiristas e antissociais que não sabem fazer vida de comunidade. Por outro lado, não precisamos ser rosto que atraí os outros para Cristo? Aos que desejam uma análise de conjuntura sobre nossa situação atual, com poucos padres, eu respondo com simplicidade: desde o dia que descobrimos o que somos, nunca mais seremos os mesmos. Nós nos tornamos muito mais exigentes conosco mesmo e com os outros. Nós descobrimos para onde devemos ir e esse "onde" não é em busca só de clérigos a qualquer custo para encher uma "Igreja de Sacristia". A maturidade de nossa Igreja nos trouxe uma crise, pois os que não experimentaram Jesus querem sempre mais cargos e títulos e nunca mais ofícios e trabalhos. Se não fizermos a experiência de Deus no pouco que Ele nos dá e nos concede, jamais iremos realizar essa experiência no muito que ele está disposto a nos entregar.