quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31.12.2020

Caríssimos irmãos em Cristo, a liturgia de hoje nos propõe refletirmos sobre o início do tempo da 
graça de Deus. A bênção comunicada por Deus na primeira leitura, ao povo de Israel quando peregrinava 
do Egito à terra prometida, foi-lhes sinal da presença poderosa do Senhor dos exércitos. A bênção 
era valiosa para aquele povo. A bênção fora, antes, comunicada a Abraão, Isaac e Jacó, nossos patriarcas. 
Jacó até roubou a bênção de seu irmão. A bênção é a própria mão do Senhor, do Adonai, que toca 
o seu povo. E bênção maior ainda foi quando Deus não só tocou o seu povo, mas se fez presente 
em sua história pela encarnação do Cristo. Por isso, São Paulo nos recordou que a bênção, a graça
de Deus chegou a nós pelo Filho, que nos fez filhos. Em Cristo fomos feitos filhos de Deus, recebemos 
a filiação adotiva. Nos tornamos eternos herdeiros da bênção e da graça de Deus. E, para que isso 
acontecesse, São Paulo destaca, o Filho nasceu de uma mulher. Nasceu sujeito a lei, isto é, com as 
mesmas obrigações incumbidas ao homem por sua natureza. Santo Atanásio afirma que ao se unir 
com o Verbo de Deus, o corpo humano teve um engrandecimento sem par: “de mortal tornou-se 
imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno, transpôs as portas do céu”. Isso porque Jesus 
nasceu de uma mulher, Maria Santíssima. E estamos no oitavo dia depois do seu nascimento, celebrando 
o dia da circuncisão de Jesus. Neste dia, Jesus recebeu o seu nome: Yeshua, Deus Salva, memória 
que celebraremos em alguns dias. E o santo Evangelho nos destacou que Maria guardou em seu 
coração todos os acontecimentos do nascimento de Jesus e os meditava. Maria compreendia o tamanho 
da missão de seu Filho e foi fiel colaboradora dele. Ela sabia que não era mãe de um profeta, dela 
nasceu a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho. Ele, gerado antes dos tempos, não criado 
pelo 
Pai, mas, gerado na mesma substância do Pai, assumiu a condição humana em Maria. Dentro de Maria, 
Deus se fez homem, não apenas Jesus humano saiu dela, o próprio Deus habitou em Maria. Ela
se tornou Theotokos, portadora de Deus, o primeiro dos dogmas sobre Maria. E, retornando a reflexão 
de Santo Atanásio, vemos que o anjo Gabriel, com que prudência e sabedoria, já anunciara Jesus 
a Maria; “não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava 
de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti, para se acreditar que o fruto desta concepção 
procedia realmente de Maria”. Deste modo, continua o santo bispo, “mesmo tendo o Verbo tomado 
um corpo no seio da Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. 
É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um 
único Deus no Pai e no Verbo”. Este é o grande mistério da solenidade de hoje. Por isso, exaltando 
Maria no término deste ano de 2020, entrando no ano de 2021, pedimos a ela, que do mesmo modo 
que Deus cumulou nela todas as graças para fazer dela a Mãe de Deus, Ele possa cumular todas 
as bênçãos em sua Santa Igreja e fazer de nós verdadeiros portadores e anunciadores da Salvação 
que Cristo veio comunicar a nossa humanidade.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

24.12.2020

Chegou o Natal do Senhor. Um natal diferente e num tempo atípico. É claro, não passamos por um 
ano fácil. Este ano vivemos a dor do distanciamento e sofremos com inúmeras perdas. 
Mas, 
nesta santíssima noite, resplandece para nós o nascimento de Jesus Cristo. Hoje recordamos que Cristo, 
Deus eterno, Filho do Pai, assumiu a nossa fraqueza e se fez homem. Tão grande mistério enche o 
nosso coração de esperança. Jesus, trazendo consigo sua natureza humana, é capaz de entender as 
nossas dores e angústias e se compadecer de nós. Há dois mil e vinte anos atrás ele nascia da Virgem 
Maria em Belém e trazia ao mundo a certeza da Salvação. Hoje ele nasce em nosso coração e nos traz 
a certeza de que não estamos sozinhos, temos um Deus conosco. Ele está em nós e nos salva. Está 
em nós e nos enche com a sua alegria. Mesmo que neste ano pareça que nos faltam motivos para nos 
alegrarmos, que Cristo seja o grande motivo de nossa felicidade e razão de nossa esperança em dias melhores. 
Um feliz e santo Natal, irmãos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

07.12.2020 - Abertura da Porta Santa BSJPII

Ave, do mar Estrela, De Deus mãe bela, sempre virgem, da morada, celeste feliz entrada.
Beatíssimo Pai, Bento, e veneráveis irmãos no sacramento da ordem, amados irmãos e irmãs,
Estamos abrindo a Porta Santa de nossa basílica, celebrando as primeiras vésperas da Solenidade da
Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A liturgia desta solenidade com beleza nos leva a um percurso
pela história da salvação. Num primeiro momento vemos Eva, que conhece o pecado. Eva, mãe de 
todos os viventes, e seu marido Adão, desobedecem a Deus. Adão até tenta justificar seu erro e jogar
a culpa toda em Eva. Mas, sabemos que a culpa recaí sobre os dois. Adão e Eva são os pais da humanidade,
e os primeiros pecadores. Seu pecado? Nenhum pecado de cunho moral como muitos costumam dizer.
Seu pecado foi a desobediência. Eles simplesmente não podiam comer do fruto da árvore e comeram.
Foi o desrespeito a vontade de Deus que fez com que eles rompessem a relação com o Pai. Ao longo
de toda a história da salvação o Pai foi oferecendo a aliança aos homens e as mulheres e os intruiu
nos caminhos da salvação. Mas, foi na obediência de uma mulher, que Deus encontrou o meio de salvar
a humanidade caída no pecado e na morte. Não que por sua obediência seríamos salvos. Mas, por ela,
nos viria o salvador, o supremo obediente, que se faria obediente até a morte e morte de Cruz. Vejam,
irmãos, o fato de Maria ter sido preservada da mancha do pecado original desde sua concepção
em Santa Ana, o que cremos dogmaticamente, garantiu-nos uma mulher que não poderia ser desobediente.
Pois, se a desobediência, como vimos, é consequência do pecado, ela não conseguiria ser desobediente.
Pelo contrário, Maria responde ao anjo Gabriel, no Evangelho que ouvimos: Eis aqui a escrava do Senhor.
E, ao aceitar a missão de ser mãe do Salvador, com perfeita obediência, Maria nos dá o Redentor.
O Cristo, por sua vez, nascido de Maria, morto e ressuscitado, nos garante aquilo que São Paulo diz
na segunda leitura, na carta aos Efésios: Sermos santos e irrepreensíveis pelo amor. A santidade,
irmãos e irmãs, é conquistada pelo amor. Amor a Deus e amor aos irmãos. Amor que nos impulsiona
a deixarmos a desobediência e abraçarmos os planos e projetos de Deus para nós. Nem sempre 
esses planos são os mais fáceis. Porém, são os planos Dele que nos garantirão verdadeira felicidade.
Irmãos e irmãs, abrimos hoje a Porta Santa desta basílica, neste ano Jubilar. Mas, devemos abrir mais.
Devemos abrir o nosso próprio coração aos planos de Deus. Devemos abrir nosso ser a ação de Deus.
Ele não vai nos decepcionar. Pelo contrário, nos garantirá uma alegria que nem nós mesmos e nem
ninguém mais nos garante. Longe de Deus o nosso coração se angustia em buscá-lo. Isso é natural.
Somos homus religiosus. Isto é, buscamos naturalmente a religião. O nosso coração anseia e desfalece
por se unir ao coração do nosso Supremo Amor. E é a santidade que une nosso coração ao de Deus.
Que possamos, na alegria desse jubileu que celebramos, elevar para Deus os nossos corações e nos
unirmos plenamente a Ele. Assim, mesmo que não sejamos imaculados, imitaremos a Imaculada.
Desse modo, a obediência e o amor vão formar e gerar Cristo em nós. E nosso coração, tão estritamente
unido ao Sacratíssimo Coração de Jesus, poderá nos fazer servidores e construtores do Reino de Deus,
do povo Sacerdotal neste orbe habbiano. Amém.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

12.11.2020

 Beatíssimo Pai, Bento V, que hoje celebra seu segundo aniversário de Ordenação Episcopal, junto 
a mim que hoje celebro meus seis anos de Ordenação Episcopal, obrigado pela oportunidade de proferir
a homilia da missa de hoje. Saúdo o Santo Padre, os irmãos no episcopado, presbíteros, diáconos,
religiosos e religiosas, povo Santo de Deus. "Configura-se, Dom Jorge, a imagem do Cristo servo e do 
Cristo Bom Pastor, e com amor conduza a Grei que lhe é confiada. A ordenação hoje não é um mero ritual,
é o nosso deposito da fé que confiamos ao senhor". Foi com essas palavras, Santo Padre e queridos 
irmãos e irmãs, que na noite de 12 de novembro de dois mil e dezoito eu, então Papa João II, ordenava
nesta Sacrossanta Basílica o então Cardeal Jorge Snaif como bispo para a Igreja de Aparecida. Hoje,
os papéis se inverteram. E quem diria que levarias tão a sério, Santo Padre, o configurar-se a imagem
do Cristo servo e do Cristo Bom Pastor? Quem acharia que o senhor hoje estaria sentado nesta cátedra
petrina, conduzindo com amor a grei e velando pelo deposito da fé? Foi, claramente, um longo processo
de crescimento diário que o trouxe aqui, Santo Padre. E hoje, com muita alegria, vemos o senhor
como imagem do Bom Pastor para nós. O senhor se faz e continua a se fazer cada dia, exemplo do que é
desgastar-se pela causa do reino de Deus. O fato é que cada um de nós carrega as suas misérias. 
Mas essas misérias não diminuem em nós a graça de Deus, pelo contrário: fazem superabundar
a graça. Me lembro da tarde que fui eleito bispo. Eu fiquei surpreso, era padre jovem, não via em mim
os dotes necessários para o episcopado. E talvez não os tinha ainda. Mas, naquele mesmo dia, o Cardeal
Scherer junto com o Cardeal Montanna, na basílica da Imaculada Conceição, o mesmo lugar onde 
no mês anterior eu celebrava minha primeira missa, me ordenaram bispo para a Igreja de Deus.
Nesse momento, ocorreu em minha natureza humana a graça de receber a plenitude do Sacramento
da Ordem, que não me fez desistir, mas, pelo contrário, evoluir. Digo a minha experiência para animar-vos,
irmãos, para dizer-vos que é pela graça de Deus que tudo acontece. Talvez não sejamos os mais
capacitados, preparados, para a missão. Mas Deus faz uma escolha e escolhe quem ele quer. E, ninguém
é capaz de compreender a escolha de Deus, mas, sabemos que se ele escolheu ele capacitará. Esse 
foi o processo de Deus na minha vida, na vida do Santo Padre: é um caminho de crescimento diário
que só termina com a morte. Até o dia que nossos olhos se fecharem para este mundo continuaremos
aprendendo, continuaremos crescendo, continuaremos junto da voz do Supremo e Bom Pastor,
para que ele nos configure a si próprio, e nos faça bons pastores e servos de todos. Talvez tenha
sido providência divina que eu e o Santo Padre tenhamos sido ordenados bispos no dia deste grande
bispo da Igreja, São Josafá. Josafá foi um bispo que lutou pela unidade da Igreja a todo o custo. 
Era um pastor exímio, exemplo para todos nós. Suas visitas pastorais eram momentos intensos
de adquirir o cheiro das ovelhas, como nos diz Papa Francisco atualmente. São Josafá sabia da perseguição
pelos ortodoxos e ainda sim não teve medo de realizar a sua missão com fidelidade, ser verdadeiro
Esposo de sua Igreja. O bispo Josafá, nascido ortodoxo, convertido ao catolicismo, morreu pelas
mãos daqueles cismáticos, durante uma visita pastoral. São Josafá é exemplo, Santo Padre e irmãos
e irmãs, de um homem que soube deixar que Cristo vivesse nele plenamente. Nós ouvimos no Evangelho 
de hoje, Jesus dizer que o Filho do Homem deveria ser rejeitado e sofrer muito. Por isso, unamos
os nossos sofrimentos, nossas fadigas, as rejeições que sofremos, a dor do peso da cruz que carregamos,
aos sofrimentos de Cristo Jesus. São Paulo, que sofria muito, precisou de um apoio, Onésimo, servo 
de Filemôn. Não tenhamos medo de precisar da ajuda de Deus. Não tenhamos medo de precisarmos
nos entregar nas mãos do Senhor Jesus. Não tenhamos medo de chorar aos pés do Senhor. E não
neguemos a ajuda dos irmãos e irmãs ao nosso redor. É assim que se constrói a Igreja: quando reconhemos
que somos limitados e nos apoiamos mutuamente. É assim que se constroem amizades: ser cristão
é ser membro de uma comunidade, de uma irmandade. SAIBAMOS NOS CONFIAR NAS MÃOS
DO SENHOR. CONFIEMOS EM SUA GRAÇA, SUA AJUDA, SUA PROXIMIDADE, SEU AMOR
PARA CONOSCO. CONFIEMOS QUE TEMOS UM DEUS QUE NÃO NOS ABANDONA, PRINCIPALMENTE
QUANDO ESTAMOS FAZENDO A SUA VONTADE. Deus não é um Deus distante, é um Deus entre
nós, Deus em nós. E assim, no dia que o relâmpago brilhar e nos encontrarmos com Ele face a face,
ele reconhecerá nossas virtudes e nossas misérias. E, ao olhar às misérias, Ele se lembrará que esteve
conosco, que estava CONFIGURADO EM NÓS, COMO SERVO E BOM PASTOR. Por fim, só podemos
nos lembrar de João 16, 33: NO MUNDO TEREIS TRIBULAÇÕES. MAS, TENDE CORAGEM:
EU VENCI O MUNDO!
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

domingo, 25 de outubro de 2020

27.10.2020 - Discurso na Coroação de Bento V

Santo Padre, hoje estamos no bonito dia em que o Senhor recebe o anel do pescador e o pálio pastoral.
O anel é o símbolo da fidelidade e da unidade. O pálio é a ovelha que o senhor traz em seus ombros.
E logo mais, receberá a coroa, a tríplice tiara. Tudo isso, Santo Padre, remonta o importante papel 
exercido por vossa santidade frente a Igreja de Cristo, nosso Senhor. Sabe, Santo Padre, a sua eleição 
já gerou controvérsias. Já ouvi alguns clérigos dizendo que agora sairão da Igreja. Como filho e como
amigo eu te digo: não se preocupe. Sim, não se preocupe com as saídas, não se preocupes com os atos
de reprovação, nem mesmo com os que tentarem lhe boicotar. Não se preocupe, Santo Padre, com os 
inimigos da Igreja. De fato, os inimigos estão dentro da própria Igreja. E quem são os inimigos? São
os que constantemente querem dividir a Igreja de Cristo. Houve, e isso é fato, uma certa briga partidária
durante essa sé Vacante. E sabem, irmãos e irmãs, EM QUALQUER MOMENTO NÓS NOS DIVIDIMOS
EM PARTIDOS OU FAMÍLIAS QUEM PERDE É A PRÓPRIA IGREJA! É Cristo quem sofre, é a 
Igreja quem sente a dor de nossa divisão! SE SOMOS CAPAZES DE CAUSAR TANTA DOR À IGREJA
É PORQUE NÃO A AMAMOS! Podemos dizer amar a Igreja, mas estamos fechados, olhando para
o nosso umbigo, preocupados conosco mesmos e com nossos interesses pessoais. Santo Padre, 
podem alguns ter votado no senhor por isso, mas te peço, filialmente, não permita que seus interesses
pessoais, que os interesses de alguns, sobreponham-se ao bem da Igreja. Isso já se fez em diversos
momentos e vimos o resultado. Pelo contrário, que cada atitude de vossa santidade seja pensando
no bem de toda a Igreja de Cristo: para que ela se reúna, seja OBEDIENTE e tenha PAZ. A paz é fruto
da solidariedade e é fruto do amor. A obediência constrói a paz e só obedece quem ama. O amor
do obediente pode não ser um amor à pessoa, mas ao que ela representa. Poderão haver e haverão
os que não gostarão do Papa Bento V, mas que eles amem ao papado, a Igreja e assim, sejam obedientes
a vossa santidade. Obedientes, porém, não é aceitar tudo de boca quieta, mas é respeitar, honrar
e seguir mesmo sem concordar. Obedecer é corrigir no silêncio e rezar pelos erros, é acatar a decisão
não por aquele que deu a ordem, mas em razão daquilo que ele é. Isso é a obediência na Igreja. E apenas
pela obediência a Igreja se fará Igreja da Paz. Igreja que vive em paz, sem divisões, sem nada daquilo
que desconstrói o reino de Deus, é Igreja que edifica o Corpo de Cristo, o reino de Deus, a Jerusalém
Celeste no aqui e agora de nosso tempo e história. Santo Padre, que seu ministério seja frutífero!
Que vossas decisões sejam tomadas inspiradas pelo Espírito Santo para que todos possam obedecer,
e assim, nós como Igreja e o senhor, construiremos um caminho bonito de paz e de amor, pois é
no amor que todos saberão que somos discípulos do Mestre, e do Mestre Ressuscitado. Bento, bendito
o que vem em nome do Senhor! Seja bendito tu, Bento, e bendiga esta Igreja!

terça-feira, 11 de agosto de 2020

11.08.2020 - Santa Clara

Irmãos e irmãs, estamos reunidos celebrando a Solenidade de Santa Clara de Assis, padroeira
de nossa Basílica, e fundadora da Ordem das Clarissas. Sabemos que Santa Clara é de Assis, na Itália,
e viveu no mesmo tempo que São Francisco, no século XII. Por isso, permitam-me não me fechar
na história de Santa Clara, mas, refletir convosco três temas. Santa Clara era uma mulher:
Em primeiro lugar: de OBSERVÂNCIA. Sim, na mesma dinâmica que Ezequiel na primeira leitura 

mostra o como ele consumiu a Palavra do Senhor para levá-la aos outros, Santa Clara também
se encheu da Palavra do Senhor e da Eucaristia para levar Cristo aos outros. Por isso toda a vida
de Clara de Assis foi uma vida profundamente Eucarística. Uma mulher da Eucaristia. Sempre fiel
seguidora e servidora da Eucaristia. Uma mulher atenta a adoração, a oração diante do Santíssimo
Sacramento. Ela, deixou-se levar pela adoração ao Senhor. Mas, a observância na vida da jovem 
e bela Clara, também se destaca em outro momento. Quando ela optou pela vida religiosa, ela o fez
pois observava Francisco. Sim, ela que amava a Francisco, ao observar o seu amor pela reconstrução
de Santa Maria, do cuidado com os pobres e pequeninos, também ela quis sentir esse amor que 
ele sentia. Por isso, a segunda palavra que podemos dizer aqui é AMOR. Amor em primeiro lugar
a Cristo. Mas, que se manifestava no amor aos outros. Como mulher da Eucaristia ela amou na adoração,
mas amou ao cuidar dos pobres, dos esquecidos por toda a sociedade daquela época. Ela amou aos
pequeninos, e amou-os com um coração de criança, semelhante a uma criança, como pede Jesus
no Evangelho. Ser semelhante a criança, é não olhar para os outros com preconceitos. É olhar
para todos, olhar para a vida, com serenidade e inocência, sem maldades, sem julgamentos, sem
nada que nos impeça de ver os outros como realmente são: filhos e filhas de Deus. Deste modo, 
Clara pode amar a todos, e além de tudo, pode se entregar a Deus e aos irmãos e irmãs. Esta é a
terceira palavra: ENTREGA. Depois de observar Francisco e a Palavra de Deus, aprendendo a amar,
ela se entregou completamente. Deixou a família rica, os belos cabelos loiros - isto é, a si mesma -
e entregou-se completamente ao amor. Essa entrega, esse desapego total de si mesma, fez com que
a simples Clara, mulher pobre, humilde, fosse considerada uma serva fiel do Senhor. Ela podia ter
se apegado a sua riqueza, ao seu status social, ao seu status dentro da própria ordem e também
dentro da ordem de Francisco, mas, não, ela desapegou-se completamente. Deste modo o amor 
dela por Francisco e vice-versa transbordou. Não eram capazes de amar só um ao outro, nem 
de doarem-se só um ao outro - se doando assim a Cristo, como casados. O amor deles transbordou.
Francisco se encantou, Clara abrilhantou, e o mundo todo colhe o exemplo que estes dois santos
nos deixaram. Reconstruindo a Igreja de Cristo, lembrando a todos o Evangelho, vivendo o amor, 
Clara e Francisco deixaram sua marca. E ela, que hoje solenemente celebramos, não nos deixa 
esquecer: Observância, Amor e Entrega são a receita da perfeita alegria. 

quarta-feira, 22 de julho de 2020

22.07.2020 - Aniversário da Igreja

Beatíssimo Pai, João Paulo VII, a quem agradeço o convite para proferir essa homilia, e o modo
que sempre olhou e cuidou deste bispo emérito, queridos irmãos nos colégios dos cardeais e dos bispos,
amados presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, leigos e leigas, enfim, Igreja 
Santa do Cristo Senhor, unida para celebrar a Eucaristia, minha saudação a cada um de vocês.
Estamos celebrando essa festa dos 14 anos da nossa presença como Igreja aqui no Habbo Hotel,
neste mesmo dia que a Igreja comemora Santa Maria Madalena, a apóstola dos apóstolos. A primeira
leitura canta uma história de amor. Este romance do livro dos cânticos dos cânticos, de alguém
que busca o amor e o encontra, o segura e não o deixa partir mais, é também a história de amor
de Maria Madalena por Nosso Senhor. Mas, além disso, é a história de amor da Igreja por Cristo.
Maria Madalena, ao contrário do que Dan Brown escreve em seu famoso livro, não tinha um amor
"eros", por nosso Senhor. Mas, tem por Cristo um amor que sem reservas. Ele ultrapassa o mero
interesse, as sensações e sentimentos humanos. Maria Madalena ama a Cristo pois encontra nele
o sentido de sua vida e de sua existência. Ela toma Cristo como seu Mestre. E é como seu Mestre
que Maria Madalena ensina a Igreja a ter Cristo como, também, seu Mestre. Maria Madalena 
nos ensina a ir com Cristo até a cruz, e nos ensina a estar com Ele no momento da sua ressurreição.
A mulher, que tinha uma alma com sede de Deus, que estava cheia de esperança, vai ao Sepulcro
na manhã do Domingo, e é a ela que o Senhor se manifesta primeiro. Enquanto ela estava lá, 
achando que Jesus fosse um jardineiro, Jesus se revela a ela e ela só consegue exclamar: MESTRE!
A exclamação de Maria Madalena é a felicidade, o espanto, o entusiasmo de alguém que tinha

encontrado novamente o sentido de sua vida e de sua existência, àquele a quem ela já tinha entregue
e continuaria a entregar a sua vida. Maria Madalena reencontra o Mestre. E o que ela queria fazer?
Queria abraça-lo e segura-lo como o amor da primeira leitura. Mas, ela não podia. Pois o amor de
Cristo não era só por ela, nem só pelos apóstolos, era pela humanidade toda. Ele não podia se 
reter a ela, pois foi a humanidade toda seu sacrifício. E, assim, Maria Madalena vai ser a apóstola
dos apóstolos. Ela não está no mesmo nível que os apóstolos. Maria Madalena não é bispa. Não 
é sucessora dos apóstolos. Ela é humilde servidora. E por sua humildade, ela é grande. Pois colaborou
com a missão dos Apóstolos de perto. Ela sabia o seu lugar, se colocou nele, e foi grande por isso.
Maria Madalena, por seu amor a Cristo, sabia que deveria servir o Mestre onde fosse colocada.
E assim, irmãos e irmãs, Maria Madalena é um exemplo para a Igreja do Habbo Hotel. Aqui, 
em nossa realidade - tomando fatos reais - não há sucessão apostólica. Há a sucessão de Gregório,
que nos garante a ligação com nosso fundador. Mas, mesmo Gregório, somos todos como Maria
Madalena. Nós não somos a finalidade, em si, de existir a nossa Igreja. Nós somos uma ponte.
Somos apóstolos dos apóstolos. Guiamos as almas aos Apóstolos, isto é, a verdadeira e una Igreja,
Católica Apostólica e Romana. Esse é o nosso trabalho. Essa é a nossa missão. Conduzirmos as 
almas. Devemos apaixonar as pessoas que frequentam o Habbo Hotel pela Igreja e por Jesus Cristo,
para que as pessoas por trás desses pixels busquem a Igreja e busquem a Jesus Cristo, com um
coração que está sempre ardendo de amor. Mas, não é apenas o lado bom de Santa Maria Madalena
que puxamos. Há também Maria da Madalena antes de encontrar seu amor. Há a phrostihtuta,
que vendia seu corpo, sua dignidade, por dinheiro. E quantas vezes a história da nossa Igreja foi 
manchada por homens que venderam a dignidade da Igreja, de nossos colégios, com barretes 
e mitras, ganhando dinheiro por isso? Quantas vezes nossa história não foi manchada por escândalos
de todo cunho, que nos impediram de ver a pureza da Igreja? Momentos de nossa história que
nossa Igreja conheceu a dor do pecado. E hoje, esse mesmo orgulho, faz com que conheçamos
a dor da divisão. Mas, como mãe misericordiosa, a Igreja abre os braços e perdoa os erros de todos
seus filhos e filhas, ansiosa por tê-los de volta. É assim, irmãos e irmãs, que aconteceu como Santa
Maria Madalena. De phrostihtuta, possuída por demônios, pecadora e tudo que Maria Madalena
era, ela se torna apóstola dos apóstolos. E se faz apóstola, pelo amor ao Mestre. O amor ao Mestre,
apagou os seus pecados e fez com que Maria Madalena mudasse de vida, se convertesse verdadeiramente.
Por isso, irmãos e irmãs, para concluir todo esse pensamento: Nós como Igreja, mas, também,
cada um de nós individualmente, deve se apaixonar novamente pelo Senhor. Deixar com que a 
vida do Senhor penetre as nossas vidas. E assim, permeados pelo Senhor, nós encontraremos
o sentido de sermos e existirmos e poderemos continuar a nossa missão que começamos a 14 anos,
e que continua espalhando o amor de Cristo. Fazer com que todos se apaixonem por Cristo e o 
amem verdadeiramente. Deste modo, irmãos e irmãs, receberemos aquela recompensa: Que os
olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem o coração humano imaginou, que Deus tem preparado
para aqueles que o amam. 


terça-feira, 21 de julho de 2020

21.07.2020 - Catequese

Queridos irmãos e irmãs, estamos reunidos para meditarmos sobre a nossa fé. O tema proposto 
para essa tarde é: Mistério Pascal: Salvação, Aliança e Perpétua Memória. Um tema que tem tudo
a ver com a Eucaristia, neste Congresso Eucarístico e que merece que o exploremos um pouco.
Em primeiro lugar, convém que destrinchemos o tema. O que é Mistério Pascal? Alguém pode responder?

O Mistério Pascal é a vida de Cristo. Alguns focam o mistério Pascal apenas na paixão, morte 
e ressurreição. Mas, eu sigo aqueles que não concordam com isso. Toda a vida de Cristo é pascal.
Toda a vida de nosso Senhor é uma passagem da morte para a vida. Num primeiro momento é
a passagem da morte dos reis magos, que conheceram o Salvador. Depois é passagem para Simeão
e para Ana. É passagem para tantos que estavam em situação de morte e por Ele foram curados,
em especial Lázaro. É passagem quando Ele passou da morte para a vida Eterna. E é passagem
quando Ele deu o Espírito de vida aos apóstolos. Por isso, todo o caminho de Cristo, desde a encarnação
até o Pentecostes, é o Mistério Pascal. E, por que este Mistério Pascal precisou ocorrer? Pois pecamos.
Irmãos, precisamos voltar ao livro do gênesis. Quando Deus criou o homem e a mulher e só os 
deu uma ordem - a de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal - e Adão
e Eva comeram, estabeleceu-se no mundo o pecado. Perdemos o Paraíso pelo pecado de Adão
e de Eva. Este pecado original é o da desobediência. Não tem nada a ver com questões de outras
naturezas. Não! O pecado original é a desobediência. Por isso, na Sexta-Feira Santa cantamos: 
SALVE CRISTO OBEDIENTE! Pois o pecado original é a desobediência. Então, passaram os anos
e Deus foi dando pequenas salvações. Deus foi dando e construindo com seu povo uma História
da Salvação. Esta Salvação foi dada a Noé e a sua família. E se firmou como promessa em Abraão. 
Deus fez aliança com Abraão. E que aliança é essa? "Eu serei o seu Deus e vós sereis o meu povo".
Esta aliança não parece nada, mas é muito. Ela quer dizer que Deus será o adorado por aquele 
povo, pelos filhos de Abraão. E, se eles o adorarem, Deus cuidará deles como o seu povo. Lembrem-se,
que na época de Abraão se acreditava em muitos deuses. Mas, a partir deste  momento, surge
o monoteísmo, a crença em um só Deus. E Abraão ainda não acredita em Deus como criador. 
A crença em Deus, neste momento, é uma crença num Deus GOEL. Goel é uma palavra que significa
"vingador". Quando acontecia algum crime, pela lei de talião, o criminoso devia sofrer a mesma 
coisa. Por exemplo: Se Snaif me cortar a perna, eu posso cortar a perna dele. Mas, há casos, onde
a pessoa que sofreu a injustiça não pode revidar. Por exemplo: Se Snaif me cortar os dois braços,
como eu vou cortar os dois braços Dele? Ou, se ele me tirar a vida, como eu tirarei a vida dele?
É então que entra o Goel. O Goel é aquele que fará a minha vingança em meu nome. E a primeira
crença do povo em Deus é a crença neste vingador. Um Deus que os protegeria dos inimigos e que
os vingaria se fosse necessário. É assim que surge a Aliança. A Aliança surge como uma fidelidade
entre Deus e seu povo. Este adorará a Deus. E Deus vai cuidar do seu povo. Pois bem, o problema 
está que o povo quebrou esta aliança. O povo quebrou a aliança adorando outros deuses. Quebrou
a aliança quando se aliou a outros líderes que eram contrários ao Senhor. Os reis de Israel, em 
muitos momentos romperam com a Aliança e Deus os tirou do trono. Isso tudo porque a Aliança
tinha sido firmada com o sangue. Quando Abraão e Deus passaram no meio dos animais mortos,
eles firmaram uma aliança em cima do sangue daqueles animais. Era um pacto de sangue. Quem
rompe com a Aliança, pagará pelo sangue dos animais. E o povo viveu continuamente rompendo
e voltando com a Aliança. Mas, todas as vezes, eles pagaram o preço. Uma das provas disso é o 
exílio da Babilônia. O povo foi se aliando a governantes que não seguiam o caminho do Senhor.
Deus desagradou-se, e a consequência foi Ele permitir o povo ir para o cativeiro. E lá, no cativeiro,
o povo sentiu a ausência de Deus, a ausência da aliança. Lá eles viram e reconheceram o seu erro.
É neste contexto que vão surgir profetas e belos salmos, animando o povo para o retorno a Terra 
Prometida, que o povo reconheceu ter perdido por ter desonrado o Senhor. E, quando voltou a Israel,
o povo de Deus precisou lidar com os Samaritanos, que haviam permitido misturar sua cultura
com a fé em outros deuses. É por isso que há uma forte briga entre judeus e samaritanos. Não por
maldade dos judeus, mas, por eles saberem a consequência de não servirem o Senhor Deus. Mas,
mesmo após tudo isso, a Aliança continuou sendo rompida e Deus sempre foi em busca de restaurar
essa mesma aliança. Então, surge no mundo o Cristo Jesus, nosso Senhor. Se a humanidade estava
perdida nas trevas do pecado e da morte, surge uma esperança. Chega o momento da Salvação.
Com toda a sua vida, e, de modo especial na paixão, morte e ressurreição, Cristo nos garantiu
a Salvação. Esta salvação é firmada na Nova e Eterna Aliança. Por isso, Salvação, Aliança e Perpétua
Memória estão completamente unidas. Quando na Ceia, Jesus entrega corpo e sangue liturgicamente,
e na cruz entrega fisicamente, Ele estabeleceu uma nova e Eterna Aliança. Não mais o sangue 
dos animais seria usado para marcar a Aliança. E qual é essa nova aliança? A salvação. É a promessa
de que todo aquele que participar da Perpétua Memória, do perpétuo memorial, do Corpo e Sangue,
celebrado nos altares do mundo, fará parte da Aliança, será salvo. Assim, irmãos e irmãs, quando 
nós comungamos, é como se fizéssemos a experiência de Abraão. É como se passássemos no meio
dos animais com Deus e firmássemos com Ele uma Aliança. Mas, no fundo, no fundo, é ainda 
mais. Nós passamos pela Cruz do Sangue do Cordeiro de Deus, e recebemos a Salvação. Eu gosto
muito da comparação da cruz com o Êxodo do Egito. Deus institui uma perpétua memória que é
a celebração pascal. O povo era escravo do Faraó no Egito, mas Deus tirou seu povo de lá. 
Essa Ceia que os judeus até hoje celebram, na verdade, prefigurava Jesus Cristo. Cristo é esse cordeiro, 
sem defeito, sem mancha, que devia ser imolado. O sangue do cordeiro devia ser passado no batente 
das portas para que o anjo exterminador não matasse os primogênitos que habitassem naquela
casa. Do mesmo modo o sangue de Cristo que vai ser derramado na cruz é o que nos poupa da 
morte eterna. Por isso, irmãos, Jesus manda seus discípulos fazerem uma Ceia para eles comemorarem 
a Páscoa. Mas, essa comemoração pascal de Jesus se dá um dia antes do dia que se devia celebrar a 
Páscoa. Isso porque chegou o tempo de uma nova Páscoa. Uma Páscoa que precedia em importância 
a primeira Páscoa, era o momento da passagem do Filho do Homem. Jesus rasga o pão, imaginem 
a cena, como um sinal que ele  próprio vai se rasgar. Ele próprio vai se partir, vai ter seu lado rasgado, 
para nos dar de comer. Quando Jesus rasga o pão ele nos deixa o sinal que une os dois momentos. 
Então ele diz aos apóstolos:  Isso é meu corpo, isso é meu sangue, dado por vós. Pronto, está instituída 
a Eucaristia.  Quando ele faz isso, ele sabe que não poderia mais voltar atrás. Já estava feito. Ele 
já tinha se entregado desde o começo,  a cada gota de suor derramada nos caminhos, mas, agora, 
sua entrega tinha se levado até o extremo.  Ele já se deu na Eucaristia. Jesus quis permanecer 
conosco, e por isso Ele deixa seu Corpo e Sangue.  Nós aqui celebramos a memória deste evento 
a cada celebração. Mas cremos, que no Santíssimo Sacramento, Jesus está realmente presente. 
Ali ele instituiu uma nova e eterna aliança. Que aliança? Deus ser nosso Deus e nós sermos o seu povo. 
A Aliança é a mesma, só que agora é nova. Uma aliança agora firmada eternamente. Não mais o 
nosso sangue vai ser usado na aliança. Apenas um sangue vai firmar essa aliança. É o sangue de Cristo. 
Quando nós rompermos a Aliança, não vai ser o nosso sangue que vai pagar os nossos crimes. 
É o Sangue de Cristo, derramado uma vez por todas que vai reafirmar a Aliança, que vai nos Reconciliar,
com o Pai e nos colocar de volta na Aliança. Essa Aliança nos garante a Salvação. Essa Aliança 
nos garante o Reino dos Céus. Essa Aliança vai se mostrar esplendorosa com a Ressurreição do 
Senhor, que nos apresenta que nós também ressuscitaremos. Passaremos todos deste mundo 
para o Pai. Seremos todos vitoriosos pelo Sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Isso, pois, em Cristo, a humanidade encontra a nova Criação. Sim, a criação do homem no sexto
dia conclui a obra da criação, e Deus descansa no sétimo dia. Mas agora, agora chegou o oitavo
dia. Chegou o dia sem fim. Chegou o dia de Cristo. Dia de tal luz que não conhece fim. Na Vigília
Pascal nós celebramos essa vitória eterna re-afirmamos nosso batismo. Nosso batismo nos marcou
como membros do povo de Deus, povo da Aliança. E a Eucaristia nos dá a graça de, na perpétua
memória, participarmos da Páscoa de Cristo. Bebemos, ali, seu sangue. Comemos ali, seu corpo.
Deste modo, participamos da Páscoa a cada missa, como povo da Aliança, Salvos e Libertos pelo
Senhor, celebrando a perpétua memória que é a Eucaristia, até o dia em que nossos olhos se fecharem
para este mundo. Neste dia, irmãos e irmãs, viveremos plenamente o que experimentamos aqui
na Terra, adoraremos o Cordeiro, seremos felizes eternamente, no local que esperançosos desejamos.
Deste modo, espero que essa catequese tenha feito seu coração arder do desejo de estar em comunhão
constante com o Senhor, compreendendo que você é membro do povo de Deus, do povo da Aliança,
que foi comprado pelo Sangue do Senhor, que você comunga na Eucaristia e assim recebe a Salvação.
Amém.

domingo, 12 de julho de 2020

12.07.2020 - XV Domingo do Tempo Comum

Caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus vem ao nosso encontro nesse XV Domingo do Tempo Comum.
Hoje a Palavra de Deus fala sobre a Ela própria. No tempo do exílio, o povo que havia recebido a 
promessa da libertação, aguardava, mas começou a desanimar e questionar-se sobre a veracidade
da Palavra em sua vida. O povo se sentiu abandonado por Deus no exílio. Então o segundo Isaías,
recorda ao povo que Deus é fiel, que Deus é cumpridor de sua Palavra. Ele não se esquecerá do
que prometeu ao seu povo. Sua palavra é viva, eficaz, libertadora e geradora de vida. A Palavra 
é cortante e penetrante como espada de dois gumes. Assim, Isaías, usando a dinâmica da chuva,
anima ao povo exilado nos seus sofrimentos, com a força do Senhor. É Deus que passa e não deixa
de fortalecer o seu povo. Por isso a Palavra é como chuva que passa mas que não volta aos céus
sem fazer o que devia. E o que a Palavra devia? Tocar o coração humano. Sim, se o povo exilado,
desanimado e descrente na Palavra, confiasse em Deus, permitisse Deus tocar seus corações pela
boca dos profetas, o povo não desconfiaria, mas, se encheria de esperança no Senhor. Pois Ele não
deixaria seu povo abandonado a sua própria sorte e em suas dificuldades, mas estava ali para 
ser sua esperança e libertação! Por isso, irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deve tocar os nossos
corações. É deste modo que Jesus, no Evangelho, conta-nos a parábola do semeador. Cristo é o semeador.
A semente é a Palavra. O terreno é o nosso coração. O problema não está, em nenhum momento
nem no semeador e nem na semente, mas, está no terreno. Muitas vezes o nosso coração não está 
pronto para acolher a Palavra de Deus. Por isso, nos cabe hoje o questionamento: Como está
o meu
coração para acolher a Palavra de Deus? Como vem sido a minha resposta a Palavra na vida? 
Muitas vezes o nosso coração está endurecido a escuta da Palavra. As vezes estamos na Eucaristia,
nos sacramentos, e fechamos o nosso coração a Palavra de Deus. Pensamos: Esta Palavra é para
outro. NÃO! A Palavra é para cada um. Se pensamos que já conhecemos aquele trecho lido na 
Missa e não prestamos atenção, estamos nos fechando a vida que a Palavra trás. A Palavra do Senhor
é viva e eficaz, é cortante e penetrante como espada de dois gumes. Mas, só corta, só penetra o nosso
ser se nós o permitirmos. A Palavra corta o nosso orgulho e indiferença, penetra a nossa existência
e nos faz existirmos em Deus. Mas, se nós achamos que a Palavra de Deus não tem nada a nos dizer,
não tem nenhuma novidade a nos trazer, se nos fechamos a uma experiência verdadeira da Palavra
nunca iremos ser transformados. Ficaremos fechados em nosso orgulho e iremos ignorar o Senhor
que fala ao íntimo dos nossos corações pela sua Palavra. Se não somos tocados pela Palavra, tão pouco
seremos tocados pela Eucaristia. Se nosso coração não acolhe a Palavra, comeremos o Corpo de
Cristo, mas não faremos comunhão com Cristo. Seremos como cães a mesa. Comeremos, mas não
nos alimentaremos. Como cavalos batizados, ouviremos, mas não terá efeito. Outro problema 
é quando não há raiz. Na primeira dificuldade da fé, que foi criada apenas num sentimento, eu 
desisto. Ou então, Jesus já explicou, eu crio espinhos e sufoco a Palavra. É quando o meu pecado
fecha o meu coração. Eu quero acolher a Palavra. Mas o meu pecado não permite que essa Palavra
produza frutos, pois ela sufoca a semente. Mas, há o coração que acolhe a Palavra e gera frutos.
Há o coração que acolhendo a Palavra de Deus faz a transformação desta terra, em Reino de Deus.
É o coração que transformou sua vida e que transforma a vida de todos aqueles que estão em sua 
vida. Pois a Palavra de Deus, a qual precisamos crer, Ela nos faz esperar e transformar. É na esperança,
na transformação, que no dia a dia nós vamos gerando frutos, nós vamos fazendo com que o Reino
de Deus se estabeleça. É isso que São Paulo pede na carta. Se toda a criação geme, sofre, que façamos
a nossa conversão pessoal, comunitária e mundial ao Senhor. Assim transformaremos não apenas 
a nós mesmos, mas a todo o mundo. É essa a ação do Espírito que quer ser libertado. É o Espírito
Santo que move a Palavra dos nossos ouvidos ao nosso coração. Mas Ele precisa ser libertado
por nós, para que Ele nos liberte de nós mesmos, do nosso orgulho e indiferença frente a Palavra 
de Deus e ao mundo. Para encerrar, irmãos e irmãs, celebrando a Palavra de Deus e o banquete
da vida, permitamos que a Palavra se enraíze em nosso coração. Sim, pois tudo depende da Palavra.
A própria Eucaristia acontece pela força da Palavra. Então permita que a Palavra fecunde seu coração.
Que todo nosso ser seja aberto e atento a Palavra do Senhor, pois Ele quer fazer uma grande obra
em nossa vida. E, sim, ele fará essa grande obra: com nosso auxílio, Ele nos salvará!

domingo, 17 de maio de 2020

17.05.2020 - VI Domingo da Páscoa

Saúdo os eminentíssimos senhores cardeais, os excelentíssimos senhores bispos, reverendíssimos
presbíteros e diáconos, os religiosos, religiosas, leigos e leigas, que celebram essa Eucaristia Dominical. 
Irmãos e irmãs, estamos no VI Domingo da Páscoa. Nos aproximamos do final do Tempo Pascal
e da celebração de Pentecostes e a Liturgia da Igreja vai nos preparando para a vinda do Espírito
Santo, depois de já ter meditado sobre a Ressurreição de Cristo e sobre a própria Igreja, corpo
místico do Senhor. Gostaria de começar minha reflexão convosco pelo Evangelho. Esse texto que
lemos se passa na noite da Quinta-Feira Santa durante o discurso da despedida. Jesus ia morrer
e afirma isso aos seus discípulos. Os discípulos, então, entram em um descontentamento. Em
primeiro lugar pois eles esperavam que o Mestre fosse um libertador político. Eles esperavam 
que Jesus fosse restaurar o reinado de Israel e eles fariam parte da corte. Os apóstolos vivem, 
naquele momento, o drama da desilusão. Cristo não veio para fazer a vontade deles e nem o que
esperava todo o povo. Ele vinha restaurar um outro reino, e era o Reino de Deus. E, de fato, Jesus
faz isso por meio de sua morte e ressurreição. Irmãos e irmãs, me permitam levar essa reflexão
para um outro lado. Talvez quando fui eleito papa muitos tiveram o mesmo pensamento, que 
fariam parte de alguma "corte". Porém, não foi isso que aconteceu. E isso causou, sem dúvidas,
um grande desconforto. Houve, sim, uma desilusão. Mas, tentei dar o melhor de mim, pela minha
palavra e pelo meu exemplo, na construção de uma Igreja da comunhão, uma Igreja da Palavra,
uma Igreja que seja esse sacramento para o Habbo. Se falhei vos peço perdão. Deixar-vos hoje
me faz sentir um pouco do drama de Jesus naquela noite. Meu coração se enche de tristeza. Por mim,
ficaria convosco mais muito tempo, e, de fato, não estou morrendo, João Paulo continuará a existir,
só não mais próximo, só não mais pai. Mas, meu coração se enche de tristeza pois queria poder
fazer muito mais convosco e por vós, mas, foi preciso que eu enchesse meu coração com toda 
a humildade possível reconhecendo que não tenho mais condições de dar o melhor de mim, e 
que não posso ser um peso para a Igreja. Por isso, deixarei daqui a pouco o ministério petrino
com alegria e sentimento de missão cumprida. Agora, porém, pedimos que Cristo envie a nós
aquela mesma realidade que ele prometeu aos Apóstolos depois da Ceia: o Espírito Santo. O Espírito
era aquele que seria enviado pelo Cristo para fortalecer os Apóstolos na missão que eles assumiram
com Jesus e iriam continuar, o projeto de Jesus Cristo. Hoje peço que o Espírito Santo permaneça
conduzindo a sua Igreja. Conduza os cardeais na escolha que logo farão. Conduza a cada um e 
cada uma para que a Igreja possa realizar a sua missão: Tornar todos discípulos e discípulas de 
Jesus Cristo. E é essa realidade que vemos nos Atos dos Apóstolos com a conversão da Samaria.
O povo samaritano que havia se misturado com outros povos e deixou de crer fielmente no Deus 
de Israel agora voltava para o Senhor, e voltava por meio de Jesus Cristo. A missão ali naquele
lugar deu resultados e muitos se converteram ao Senhor e muitos receberam, pela oração dos 
Apóstolos o dom do Espírito Santo. E, o dom do Espírito, é o que nos fala a segunda leitura, São Pedro
em sua carta. O dom do Espírito, ou melhor, os dons do Espírito é o que fortalece a sua Igreja.
Nessa tarde o sucessor de Pedro eleva aos céus uma súplica: Que venha sobre a Igreja o Espírito
Santo, para que nos fortaleça na missão, para que apesar das dificuldades nunca desistamos, para 
que apesar de todos os apesares, suportemos tudo pelo Senhor. Irmãos e irmãs, muito mais fácil
seriamos desistir. Vendo o fracasso da cruz os apóstolos pensaram em desistir. Vendo nossos
fracassos no dia a dia pensamos em desistir. Mas, acolhamos o Espírito Santo com sua fortaleza,
acolhamos o Espírito que vem habitar em nós para que possamos continuar a missão, continuar
com seriedade, assumindo a doação de cada gota de nosso sangue por Cristo e por sua Igreja.
Amém.

sábado, 16 de maio de 2020

16.05.2020 - Véspera do VI Domingo da Páscoa

Saúdo com alegria e afeto a nossa aniversariante, Irmã Suzana Battaglia, que hoje comemora 
mais um ano de vida. E saúdo a cada um e cada uma presente nessa Missa do Sexto Domingo
da Páscoa. Esse domingo que gira entorno da preparação para a vinda do Espírito Santo. A primeira
leitura trata sobre a situação de não-vinda do Espírito Santo e a de vinda na Samaria. É pela intercessão
dos Apóstolos que o Espírito Santo chega aos samaritanos. Assim, os Apóstolos assumem aquele
papel que, na verdade, era de Jesus. Jesus no Evangelho se mostra como aquele que rogaria a
vinda do Espírito Santo aos Apóstolos. Estes, por terem recebido, também o dariam aos outros.
O Espírito é aquele que iria dar força e fortalecer os Apóstolos na missão. O Espírito seria a presença
do Pai e do Filho no meio do seu povo. De fato, irmãos, o Espírito é a presença de Deus conosco
e em nós. Ele está dentro de nós e nos move. Se, filosoficamente falando, o espírito é a nossa união
com o Transcendente, é porque o nosso espírito humano nos une, teologicamente ao Espírito
Santo. E é assim que Cristo nos prepara para recebermos o Espírito. E é o Espírito que, como 
na segunda leitura, irá nos fortalecer para suportar todas as coisas, todas as dificuldades, pois,
é suportando, é fazendo o bem, que nos assemelhamos ao Cristo que morrendo foi Ressuscitado
na força do Espírito. Por isso Ele nos dá a mesma força. Para que experimentemos essa graça 
do Espírito que inspira o nosso coração, que nos fortalece, que nos fazer verdadeiros cristãos 
pelo nosso Batismo. Que nosso coração, na alegria do Ressuscitado, se prepare para a vinda do
Espírito. Que nosso coração se prepare para receber a força de Deus que vem em nosso socorro
e permanece conosco para sempre. Amém.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

15.05.2020 - Dedicação da Basílica da Natividade

Saúdo com alegria e afeto Dom Vito Cardeal Lavezzo, responsável por esta basílica, saúdo Dom 
Magnus Cardeal Lion, Custódio para a Terra Santa, e em seus nomes saúdo a cada concelebrante
e cada um e cada uma presente nesta Celebração de Dedicação desta Basílica da Natividade aqui
em Belém. Aqui sempre é Natal. Aqui o espaço sobrepõe-se ao tempo. Estamos num lugar sagrado
para a nossa fé. Recordamo-nos daquele momento em que os anjos dizem aos pastores: "Hoje,
em Belém da Judeia, nasceu para vós o Salvador que é Cristo, o Senhor". E, aqui, continua sempre
a ecoar esse "hoje" do nascimento de Cristo. Aqui sempre recordamos o amor de Deus. O amor
de Deus que fez com que o Verbo Divino se encarnasse. Quando pensamos no processo Kenótico
de Jesus, isso é, no seu rebaixamento, vemos que esse processo se inicia na encarnação. Jesus 
Cristo que já era Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho, se torna Homem. Cristo,
por amor da humanidade, se rebaixa a nossa condição de criatura. Estando presente na Criação,
passado o tempo de Adão e Eva, dos patriarcas, do Egito, do Exílio, dos profetas, e, chegando 
a plenitude dos Tempos, Jesus Cristo se encarna no sheio da Vhirgem Maria e se faz Homem.
Deus assume a carne e entra na história. Deus assume a carne humana, a realidade humana. 
Nós, aqui contemplamos sempre esse grande mistério. Pois, ao assumir a nossa realidade, Jesus
assume, também as nossas dores, nossos sofrimentos, angustias e mazelas. Jesus Cristo assume
o estado humano, a realidade humana em sua plenitude. Aqui, irmãos e irmãs, somos capazes
de olhar para Jesus Cristo como um completamente igual a nós. Jesus que seria tentado, que sofreria,
que seria descartado pela sociedade quando não satisfaz seus sonhos e seus desejos, Ele, aqui
assume essa realidade por amor ao homem. É com esse olhar que enxergamos Jesus na manjedoura.
Revestido da fragilidade humana, feito Menino, recém-nascido, do modo mais frágil do homem,
Cristo se apresenta para nós de modo dócil. É um Cristo do qual queremos nos aproximar. Que
nos chama a atenção. Um menininho. Quem não vê uma criança e não faz pelo menos uma gracinha
para a criança? Jesus quer ser isso. Quer nos atrair para Ele por meio deste seu mistério de ser
criança. Porém, essa fé vai amadurecer até chegar a idade adulta. E, ali ele será crucificado e ressuscitará.
Isso, irmãos e irmãs, que já aflige o coração de Maria, nos recorda que toda a vida do Cristo é
constituída para a Salvação, e toda a sua vida o dirige para a Cruz. Por isso, nas nossas vidas também
passaremos pela Cruz. A fé no Menino Jesus deve ser fé, também, no Senhor Crucificado. Pois,
se na manjedoura Jesus repousou por não ter lugar na hospedaria, na Cruz ele repousou para
nos dar um lugar no céu. E, agora, com essa dedicação. Queremos que ele habite aqui nesta Basílica
da Natividade. Se antes ninguém o acolhia, queremos que essa grande igreja seja sua habitação,
que aqui ele continue a repousar para nos dar a Salvação. Aqui repousará o Cristo menino e o Cristo
crucificado. Na gruta sob este altar repouse o Jesus menino. Sobre este altar repousará o Cristo 
crucificado e Ressuscitado, Verbo Eterno do Pai que outrora se encarnou como menino e agora
continuamos tornando presente por meio de sua memória. Aqui, o Corpo e Sangue assumido
por Cristo na gestação de Maria se fará memória no altar. Irmãos e irmãs, que nossos corações
também se abram para esse Cristo que habitará essa casa. Que nossos coração seja uma manjedoura,
sempre simples, sempre preparada, sempre pronta para receber o Senhor, que aqui sempre receberemos,
que aqui sempre se dará e se fará presente. E que, habitando em nós, Ele nos faça compreender
com amor o seu mistério; sermos gratos por sua encarnação; e o permitamos crescer em nós.
Se outrora o Espírito Santo fez de Maria a Basílica da morada do Senhor, seja agora essa casa
e o nosso coração constituídos, por esse mesmo Espírito, local do Natal, local de acolhida pelo
Senhor, local da habitação do altíssimo, que nos ama e nos chama ao Amor. Amém.