Irmãos e irmãs, estamos reunidos celebrando a Solenidade de Santa Clara de Assis, padroeira
de nossa Basílica, e fundadora da Ordem das Clarissas. Sabemos que Santa Clara é de Assis, na Itália,
e viveu no mesmo tempo que São Francisco, no século XII. Por isso, permitam-me não me fechar
na história de Santa Clara, mas, refletir convosco três temas. Santa Clara era uma mulher:
Em primeiro lugar: de OBSERVÂNCIA. Sim, na mesma dinâmica que Ezequiel na primeira leitura
mostra o como ele consumiu a Palavra do Senhor para levá-la aos outros, Santa Clara também
se encheu da Palavra do Senhor e da Eucaristia para levar Cristo aos outros. Por isso toda a vida
de Clara de Assis foi uma vida profundamente Eucarística. Uma mulher da Eucaristia. Sempre fiel
seguidora e servidora da Eucaristia. Uma mulher atenta a adoração, a oração diante do Santíssimo
Sacramento. Ela, deixou-se levar pela adoração ao Senhor. Mas, a observância na vida da jovem
e bela Clara, também se destaca em outro momento. Quando ela optou pela vida religiosa, ela o fez
pois observava Francisco. Sim, ela que amava a Francisco, ao observar o seu amor pela reconstrução
de Santa Maria, do cuidado com os pobres e pequeninos, também ela quis sentir esse amor que
ele sentia. Por isso, a segunda palavra que podemos dizer aqui é AMOR. Amor em primeiro lugar
a Cristo. Mas, que se manifestava no amor aos outros. Como mulher da Eucaristia ela amou na adoração,
mas amou ao cuidar dos pobres, dos esquecidos por toda a sociedade daquela época. Ela amou aos
pequeninos, e amou-os com um coração de criança, semelhante a uma criança, como pede Jesus
no Evangelho. Ser semelhante a criança, é não olhar para os outros com preconceitos. É olhar
para todos, olhar para a vida, com serenidade e inocência, sem maldades, sem julgamentos, sem
nada que nos impeça de ver os outros como realmente são: filhos e filhas de Deus. Deste modo,
Clara pode amar a todos, e além de tudo, pode se entregar a Deus e aos irmãos e irmãs. Esta é a
terceira palavra: ENTREGA. Depois de observar Francisco e a Palavra de Deus, aprendendo a amar,
ela se entregou completamente. Deixou a família rica, os belos cabelos loiros - isto é, a si mesma -
e entregou-se completamente ao amor. Essa entrega, esse desapego total de si mesma, fez com que
a simples Clara, mulher pobre, humilde, fosse considerada uma serva fiel do Senhor. Ela podia ter
se apegado a sua riqueza, ao seu status social, ao seu status dentro da própria ordem e também
dentro da ordem de Francisco, mas, não, ela desapegou-se completamente. Deste modo o amor
dela por Francisco e vice-versa transbordou. Não eram capazes de amar só um ao outro, nem
de doarem-se só um ao outro - se doando assim a Cristo, como casados. O amor deles transbordou.
Francisco se encantou, Clara abrilhantou, e o mundo todo colhe o exemplo que estes dois santos
nos deixaram. Reconstruindo a Igreja de Cristo, lembrando a todos o Evangelho, vivendo o amor,
Clara e Francisco deixaram sua marca. E ela, que hoje solenemente celebramos, não nos deixa
esquecer: Observância, Amor e Entrega são a receita da perfeita alegria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário