Irmãos, semana passada falávamos de como Deus criou o mundo e o amou, como esse amou trouxe a aliança entre o povo e Deus. Mas, nessa história de amor, que tinha tudo para ser permanente, aconteceu um evento que a modificou: o pecado entrou no mundo. O relato do livro do Gênesis, capítulo 3 e versículos de 1 a 13 nos apresenta o paradigma do pecado original. O Catecismo da Igreja Católica nos coloca esse pecado como a desobediência. Embora muitos digam que o pecado tem um outro cunho, não é verdade. O pecado da humanidade é a desobediência. O pecado é não se subordinar a Deus, ser como deuses, que conhecem e determinam o bem e o mal. Assim, o homem ofende a solidariedade humana e torna os outros seres submissos a Ele. Na linguagem da Verbum Domine, n.26, o pecado é a "não escuta da palavra de Deus". O relato do gênesis nos mostra como não há um reconhecimento da culpa. Adão joga a culpa para Eva e Eva joga para a serpente. Na história de Caim e Abel nós encontramos um protótipo da humanidade manchada pelo pecado e da própria ambiguidade humana, tendo em vista que, em cada pessoa humana há um pouco de Abel e um pouco de Caim. Indo para o relato bíblico do Gênesis, no capítulo 4, versículo 1 a 16, vemos essa narrativa. Caim é CaIn, uma palavra que tem afinidade com o verbo "adquirir" e uma possível relação com "estável" e "permanente", menos flexível, menos dócil. Abel é haVEL, que tem afinidade com hevel, que é o verbo que quer dizer sopro, vapor, capaz de molde, flexível. Então em Caim vs Abel nós temos rigidez vs liberdade. E qual vai ser a consequência disto? Por que Deus acolheu a oferenda de Abel e não acolheu a de Caim? Ora, a resposta para a essa pergunta é aberta. Mas, quando Caim mata Abel nós percebemos nele a abertura para o pecado. Há um crescimento da mágoa e domínio do ódio em Caim. Caim deixa aquela liberdade que é o auto domínio, o poder escolher entre as possibilidades. O pecado condiciona, cega uma pessoa e o amor, o perdão, liberta. O pecado nos faz não nos preocuparmos com os outros, por isso quando o Senhor procura Caim e pergunta sobre Abel ele diz que não é guarda de seu irmão. Mas, o sangue do inocente Abel "grita/clama", representando o "grito", o clamor de todos os inocentes. Caim, é, então expulso da ADaMah. E aqui precisamos entender como expulsão da própria humanidade, pois o pecado não é próprio da humanidade. Mas, Deus não abandona mesmo o maior pecador, ele marca Caim. A marca tem um nome, OT, e tem um valor positivo e negativo. A marca protege, mas também marca como pecador. Isso nos recorda que o pecado sempre, sempre, deixa uma marca em nós. O pecado, então, marcara a história humana. Gênesis 6 nos mostra como houve uma corrupção quase total da humanidade, onde a maldade se multiplicou. O texto bíblico então traz um verbo, dizendo que Deus se arrependeu. Mas, também podemos traduzir como "Deus sentiu compaixão", isto é, "Dor de entranhas". Deus sente a dor por ver sua criatura corrompida. Deus, então, salva a Noé e sua família, pois ele era íntegro, um autêntico ADaMah, um homem não afetado pelo pecado. E por quarenta dias e quarenta noites cai a chuva. Quarenta é o tempo de purificação, o espaço privilegiado da ação de Deus. A água, nessa história, não é sinal de destruição, mas de nova criação, e no céu surge o Arco-íris, sinal da aliança, da B´RIT. Mas, ainda sim, os homens continuam no pecado. Em Babel o ser humano quer igualar-se a Deus e subir aos céus por conta própria. Ao contrário disso, o homem experimenta a divisão e destruída a comunicação com Deus. Só Deus poderá restabelecer a relação com a humanidade. Na História dos próprios patriarcas haverá a presença do pecado. Isaac, filho de Abraão, teve dois filhos: Esaú e Jacó. Jacó era o mais novo e ainda sim compra a primogenitura, como se o irmão mais novo tivesse morrido e Rebeca, envolvida na história, recebe quase toda a responsabilidade pelo "roubo" de Jacó. Com José, um dos filhos de Jacó, o povo de Deus vai trabalhar no Egito. E lá, a maldade humana torna o povo de Deus escravo dos egípcios. E mesmo quando sai do Egito e está em caminho da terra prometida o povo continua infiel. Moisés recebe as tábuas da lei, escrita dos dois lados como "lei plena", como Palavra de Deus gravada na pedra. Se só falada a lei já é eficaz, gravada na pedra ela é o próprio Deus presente. Mas, então, descendo das montanha, Moisés encontra a idolatria, como nos mostra o livro do Êxodo, no capítulo 32, versículos de 15 a 20. O que é um ídolo? É algo criado pelo idólatra, que não tem vida por si mesmo e que não dá vida. Quando Moisés vê que o povo tinha ídolos, ele quebra as tábuas, pois há outros deuses em Israel e o faz no pé da montanha, pois o povo está longe de Deus. O ser humano quer um Deus ao seu modo, e não como Ele é. Quando no tempo dos juízes, o povo não reconhece o reinado de Deus e vão ficar pedindo que Deus troque de reis. Até mesmo o rei Davi encontra-se com o pecado. O segundo livro de Samuel, no capítulo 11, nós vemos que Davi cobiça Betsabeia, mulher de Urias e trama para tomá-la. Mata-se Urias e Davi se torna pecador. Mesmo assim, no capítulo seguinte, Davi é o que escuta a Palavra de Deus e é perdoado. O problema de Deus não é com o pecador, mas, com a não-conversão, com não respondermos a palavra ouvida. Por isso, Davi morre com a dignidade de rei de Israel e como prova do perdão, dele nasce Salomão. Salomão também vai se desviar, pelas riquezas, casamentos e idolatria. E nós observaremos o exílio que o povo de Deus sofre quando vai para a Babilônia, pois o rei Jeoquim faz alianças com outros povos e vê Jerusalém sitiada, no ano de 597 a.C. E no exílio o povo vai sentir a saudade de Deus, pois como nos revela o Salmo 137 e o livro das Lamentações, o povo se sente abandonado por Deus e sem motivo para alegrias. Como consequência do pecado, o povo sente-se não-amigo de Deus, fora da relação com Ele. Não há mais profetas, nem Lei, nem palavra. O povo sente a consequência de seu pecado. Ali, há a saudade de Deus. O salmista do salmo 137 nos mostra que eles não querem cantar, pois cantar era alegria e que o povo pendurou suas harpas no salgueiro. O salgueiro são árvores sem frutos, como era sem fruto a vida espiritual dos exilados. Em toda a confusão desta história, nós vemos a presença do pecado. Mas, nesse ir e vir do pecado na história humana, chegará um momento que o homem precisará se reconciliar plenamente com Deus. Por isso, Jesus veio ao mundo para salvar a humanidade: tema da próxima semana.
quarta-feira, 30 de junho de 2021
30.06.2021 - Protomártires Romanos
segunda-feira, 28 de junho de 2021
29.06.2021 - Solenidade de São Pedro e São Paulo
Irmãos, São Pedro e São Paulo nos deram as primícias da fé. Pedro, fundador de Igrejas, primeiro Bispo de Roma e papa; Paulo, apóstolo das nações; o que une essas duas figuras de modo tão profundo? Ambos sustentam nossa fé íntegra. Os escritos de Pedro são pastorais, aliás, ele era aquela pedra sobre a qual foi edificada a Igreja e ele devia sustenta-la. Os escritos de Paulo são correções e exortações, doutrinais e pastorais. Paulo não conheceu Jesus, mas transforma a tradição oral em tradição escrita com maestria. A ele pertencem relatos antiquíssimos sobre a vida de Jesus, inclusive a Ceia. Pedro é o elo entre todas as Igrejas. Assim, fomos fundados sobre a pedra que é Pedro, mas, com Paulo presente no alicerce desta Igreja e Cristo como sua Pedra Angular. Somos a Igreja que vem de Pedro e Paulo e por vir de ambos vem do próprio Cristo. É Cristo Jesus que caminha com sua Igreja, como outrora estava ao lado de São Paulo e lhe deu forças para a missão. Mesmo no momento da partida, antes de ser decapitado por amor a Cristo e a Igreja, Paulo sente o amor e apoio de Deus. Quem nos dera termos essa mesma consciência de que quando estamos na Igreja, quando somos Igreja, estamos com Deus. É na Igreja que a manifestação Divina continua ocorrendo. Pedro também sente essa presença do auxílio de Deus à Igreja quando o anjo o liberta da prisão. Só que Pedro nos mostra o modo como somos diferentes quando Deus está conosco e em nós. Por que Pedro tinha uma guarda tão grande? Ele era tão perigoso e forte? Sim. Havia um grande risco de que os soldados olhassem em seus olhos e vissem Jesus. Pedro era tão apaixonado por Jesus que seu olhar e modo de falar encantava os outros e os leva a Jesus. NOSSO MODO DE OLHAR PARA OS OUTROS, DE FALAR, DE AGIR, PRECISA LEMBRAR JESUS CRISTO AOS OUTROS. Era assim que São Pedro e São Paulo faziam, por isso alicerçaram nossa fé. Neles só se via Jesus e só se falava de Jesus. Eles apaixonavam os outros por Jesus, por aquele pelo qual ambos se entregaram ao martírio. Nós, pessoalmente e como Igreja, estamos com esse mesmo olhar e fala que encanta as pessoas para Jesus? Estamos confiando que Deus caminha conosco. Que São Pedro e São Paulo fundamentem nossa fé e intercedam por nós, para que reconheçamos a presença de Deus e os outros enxerguem e ouçam Cristo por nós e em nós. Assim seja! Amém.
28.06.021 - Vigília de São Pedro e São Paulo
Irmãos, celebrando a Vigília de São Pedro e São Paulo nós pedimos a Deus que Ele nos conceda os auxílios necessários para a Salvação. Pedro e Paulo foram instrumentos que auxiliaram para que a Salvação chegasse a nós. É pela pregação da Igreja que a mensagem salvífica de Jesus continua a chegar aos homens até hoje. A missão dos pastores da Igreja é tornar todos anunciadores de Cristo. Quando São Pedro levanta aquele homem que pedia esmolas, ele o faz para que o homem se torne anúncio vivo da vitória de Jesus Cristo. É missão da Igreja, irmãos, levantar aqueles que estão as margens, sociais e existenciais. Temos, sim, uma opção preferencial pelos pobres. Isto não deve se dar por ideologias, mas, para que a vitória de Cristo aconteça na vida de todos. Quando levantamos os caídos, exaltamos a própria Igreja e fazemos que o som da Igreja se ressoe por toda a Terra, como trombeta que anuncia a vinda gloriosa do Senhor. Devemos ser essa trombeta que anuncia a vinda do Senhor glorioso. E vós, cardeais, que celebram nesta noite seu jubileu, comemorando os quinze anos de nossa Igreja, deveis ser constante anúncio, que clama e grita, como modelos para os demais irmãos vossos. Deveis, cardeais, ser manifestação na própria vida da glória de Cristo e da Igreja. Irmãos e irmãs, esse anúncio, essa manifestação gloriosa não acontece sem a comunhão com Pedro e seu sucessor. São Paulo sente essa necessidade de ir e estar com São Pedro, mesmo que já no meio de sua pregação. Paulo sabe que sem a comunhão com Pedro ele corria o risco de se afastar do anúncio de Jesus. Por isso, ele só faz questão de estar com Pedro, pois unido ao primeiro entre os apóstolos ele estaria unido com toda a Igreja. Mesmo quando São Paulo precisa corrigir São Pedro ele o faz em comunhão. Não o faz por trás, com fofocas, mas, com filial obediência. Quando falamos mal do papa ou dos irmãos pelas costas, fazendo fofocas, estamos cuspindo na própria Igreja. Nós podemos ser a glória da Igreja ou sua desgraça. O que escolhemos? Se escolhemos a glória da Igreja devemos nos lembrar que o caminho para ela passa pela cruz, pela dor, pela dificuldade. Depois de Pedro dizer que gosta de Jesus, o mestre anuncia a morte de Pedro pelo martírio. Ele será cingido e levado para onde não quer ir. Nós ouvimos na parábola "Quo Vadis?", que quando Pedro vai fugir de Roma para não ser martirizado ele se encontra com Jesus que vai na direção oposta. E Pedro pergunta: "Rabi, quo vadis?" ("Mestre, onde vais?"). Jesus lhe responde: "Vou para Roma ser crucificado outra vez." e Pedro volta para Roma, onde será crucificado de cabeça para baixo por não ser digno de morrer como seu Senhor. Não há outro caminho para glorificar a Igreja: a glória chega pelo sangue derramado, de Cristo e dos seus membros. Glorifiquemos a nossa Igreja. Assim seja! Amém.
28.06.2021 - Ordenações Presbiterais e Diaconal
Vossa primeira missão, como diácono e como presbíteros, é cumprir com o que lhes manda o Senhor, pois assim sereis seus amigos. E não só seus amigos, mas, também terão parte com Ele. Pelo ministério diaconal e presbiteral, Thomas, Murilo e Davidson, realizareis a vossa santificação. Os leigos e leigas também se santificam por seu trabalho e sua vida. Mas, os chamados ao ministério ordenado são chamados a uma doação e união mais profunda com Cristo Redentor. Todos devem amar a Deus sobre todas as coisas. Mas, nós, de modo chocante, precisamos ir ainda além: deixar para trás pai, mãe, filhos e filhas, e a própria vida para seguir o Senhor. Se não tomarmos a cruz, não seremos dignos Dele. Se não deixarmos a própria vida, não seremos dignos Dele. Irmãos queridos, mas há uma coisa que nos faz ser dignos Dele: perder a vida.
domingo, 27 de junho de 2021
27.06.2021 - XIII Domingo do Tempo Comum
Irmãos, Deus não é Deus dos mortos, mas Deus da vida. Deus não é o autor da morte. Cristo, sendo Deus, não deveria passar pela morte, mas aquele que não tinha pecado se fez pecado por nós e aquele que era rico se fez pobre por nós. Sua morte garantiu-nos a vida. E Cristo é este Senhor que nos lembra a importância da vida. Nós ouvimos a dois domingos, Jesus nas margens do mar da Galileia em Cafarnaum, onde ele faz o sermão sobre a semente. Depois, ele vai a outra margem do mar, e na viagem passa-se pela tempestade. Hoje, Jesus está voltando para a margem do lado de Cafarnaum quando encontra uma multidão a sua espera e nesta multidão duas figuras: Jairo e a mulher que tinha hemorragia. A mulher que tinha hemorragia vai até Jesus para tocar em sua veste, pois esperava que assim ficaria curada. Ela sabia que, perante a lei, ela era impura. Ela não tinha cura e não sabia mais o que fazer, estava desesperada. Então ela toca na veste de Cristo e sente a sua cura. Este é o poder da vida que vence a morte, o toque que pode trazer o poder de curar uma pessoa. Irmãos, qual é a veste de Jesus senão a Igreja e seus sacramentos? Que força de Jesus é essa senão os sacramentos? Os sacramentos são como que a veste de Jesus, o que pode ser tocado dele na nossa realidade. Quando entramos na vivência sacramental, queridos irmãos e irmãs, realizamos o toque no Senhor. Outro relato diz que essa mulher toca na orla do manto de Jesus. Irmãos, para vivermos com Jesus precisamos viver de joelhos, em oração e adoração. Quando Jesus pergunta quem o havia tocado, a mulher fica com medo de dizer que havia sido ela, pois ela tinha descumprido a lei. Mas, ela era ousada. Ela já tinha tocado o manto de Jesus, não podia ser pior. Ela teve uma fé ousada, uma fé atrevida. Nós precisamos dessa fé atrevida, dessa ousadia diante do Senhor. Jairo também teve uma fé ousada. Ele era chefe da sinagoga, e havia toda uma estrutura de poder que não devia querer que Jesus realizasse milagres. Ainda assim, Jairo vai até Jesus e pede-lhe que vá curar a sua filha. Mas, no caminho até a casa dele, chega a notícia que a menina já estava morta. E Jesus, então, chama a morte de sono. Ele vai e ressuscita a menina desse sono e ela volta para essa vida. Mas, um dia ela voltará a morrer. Só que Jesus, ali queria mostrar que Ele é o PODEROSO SOBRE A MORTE! Mas, no fim dos tempos, como a lagarta vira uma borboleta, nossos corpos serão restituídos e nós entraremos na vida eterna. Jesus, diante dos descrentes, diante daqueles que acreditavam na vitória da morte, os manda sair. Satanás pode sair vitorioso até o penúltimo dia. Mas, no último dia, a vitória é a vitória de Cristo Ressuscitado e glorioso. Se tivermos a ousadia da fé, nós deixaremos o estado de morte que nos encontramos em tantos momentos. Jesus hoje nos diz: TALITA, CUM! Menino levanta! Menina levanta! Venha, levanta! Continue crendo na vida! Continue esperando a vida! Mas, lembra-te, não te tirei a morte, a doença, a lágrima, a dor. Mas, um dia, eu te darei a vida eterna e você nunca mais vai se lembrar da morte e da dor. Depois do tempo de sofrimento, eu te darei a vida para sempre, pois o teu sofrimento é a passagem para a vida e vida eterna! Ousa em acreditar em mim e verás aonde te levarei!
quinta-feira, 24 de junho de 2021
24.06.2021 - São João Batista
Irmãos, estamos celebrando São João Batista, o precursor do Senhor e um dos padroeiros desta Igreja Catedral Arquibasílica do Santíssimo Salvador, sendo que o outro é São João Evangelista. O próprio Senhor se refere a São João como o maior entre os nascidos de mulher. Por isso, hoje celebramos sua natividade. Celebrarmos este nascimento, é celebrarmos a aproximação da plenitude dos tempos, pois, vem chegando o último dos profetas. Zacarias é a figura que representa muito bem toda a lei e os profetas. Ele era da raça sacerdotal, mas estava mudo. Estava emudecido como estava toda a lei e todos os profetas antes da chegada do Senhor. Mesmo digam muitas palavras, todo o Antigo Testamento só consegue falar verdadeiramente através de Jesus Cristo, que é a revelação última do Pai. Por isso, quando Zacarias escreve com a tabuinha que o nome do menino seria João, ele está rompendo com toda a sua tradição familiar. Na quebra desta tradição, quebram-se também todos os antigos costumes e tudo que era velho, pois não se pode por vinho novo em odres velhos. Cessaram as antigas tradições que oprimiam um povo e chegaria o Salvador. Agora, porém, chegava aquele que seria seu grande precursor. João sempre soube que ele não iria ser o Salvador, mas os mensageiros. Nós sabemos que João vai dizer que ele não é digno de desamarrar as sandálias do Senhor. Mas, muitas vezes não conseguimos entender o que isso significa. Quando um homem adentrava na casa de outro e este lhe desamarrava as sandálias, ele lhe estava oferecendo que o visitante fosse se deitar com a esposa do dono da casa. Então, quando João diz que não é digno de desamarrar as sandálias do Senhor, na verdade João está dizendo que sabe que não vai desposar a Igreja, não se tornará seu Esposo. Quem vai desposar a Igreja é Cristo e João é aquele que irá preparar uma esposa digna para o Senhor. Irmãos, nós também não possuímos a Igreja. Mesmo os clérigos não a possuem. Nós precisamos preparar a Igreja para ser esposa digna do Senhor e isso a fazemos santificando-a. Santificamos a Igreja com a nossa própria santificação pessoal, quando anunciamos o Senhor com palavras e com a própria vida. Assim, rogue por nós São João Batista, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
quarta-feira, 23 de junho de 2021
23.06.2021 - Vigília de São João Batista
Irmãos, estamos celebrando a Vigília de São João Batista. A Liturgia desta noite, a mais longa do ano no hemisfério sul e a mais curta no hemisfério norte, nos recorda sobre a vinda daquele que vai iluminar os caminhos para a chegada do Senhor. Sabemos que os filhos eram sinais de bênção. Zacarias, da classe sacerdotal, se sentia amaldiçoado, pois Ele e sua esposa Isabel estavam na velhice e não tinham filhos. Então Zacarias é sorteado para entrar no santuário e fazer a oferta do incenso. Enquanto queima o incenso e eleva a Deus suas preces, o próprio Senhor vai encontro de Zacarias e concede a graça de um Filho. Vemos, assim, irmãos, o modo como João Batista era uma figura preparada para ser o precursor do Senhor. Zacarias se enche do temor do Senhor, como João se encherá de temor diante do Cristo. É na oferta que Deus ouve as nossas súplicas é com um coração cheio de temor que precisamos estar em sua presença. É preciso se colocar diante do Senhor, principalmente em seus mistérios com muita gratidão, pois estamos vendo coisas que nem os profetas e nem os anjos contemplaram: a revelação de Deus que é mistério, mas, que vai se manifestando na história humana. É assim que Zacarias acolhe o mistério e é assim que João Batista nos aponta o Cordeiro de Deus, desvendando para nós um pouco mais de tão excelso mistério. Cabe a cada um de nós irmos experimentando cheios de temor, com um coração oferente e grato, o mistério do amor de Deus.
Irmãos, é muito bom celebrar com vocês neste dia em que rendo graças a Deus pelo dom de minha vida. Hoje, para mim, é dia de gratidão. Gratidão pelo dom da vida, mas, também, pelo chamado, pela família, pelas graças, pelas experiências boas e ruins da vida, por cada um de vocês e pela oportunidade de ser, com vocês, Igreja em nosso hotel. Agradeço a Deus por cada um de vocês, por cada pessoa que ele me concedeu o dom de zelar como pastor em nossa Igreja, mas, também de ter a honra de conhecer e ter perto de mim. Sou grato por cada um de vocês, irmãos e irmãs. Se eu ficasse listando os motivos pelos quais quero louvar o Senhor, a listaria seria enorme. A gratidão é a memória do coração. Por isso, irmãos, quero agradecer acima de tudo, pela cruz que o Senhor me concedeu. E ele sabe bem o tamanho da cruz. Ele sabe quantas vezes me sinto pressionado por essa cruz e quero desistir, sob influência daquilo que parece melhor para mim. Então o Senhor sempre me chama e recorda que é preciso "renunciar a si mesmo". Que ele me conceda a graça de continuar uma vida que escolha renunciar, que seja sinal vivo de sua presença, de busca de uma união com Ele no amor e uma vida que oferte e se consuma em oblação, como a oferta do incenso de Zacarias. Mesmo que hoje eu ainda seja tão incapaz e miserável, que eu possa ir crescendo Nele, com Ele e para Ele. Assim seja! Amém.
terça-feira, 22 de junho de 2021
22.06.2021 - Dedicação
22.06.2021 - Criação Cardinalícia de Dom Lucas Beni
22.06.2021 - Audiência Geral (Deus amou o mundo)
segunda-feira, 21 de junho de 2021
21.06.2021 - Reunião com o Clero de Roma
domingo, 20 de junho de 2021
20.06.2021 - XII Domingo do Tempo Comum
Irmãos, Deus não cessa de conduzir-nos no amor. Nós estamos, como estavam os discípulos no começo do Evangelho que ouvimos, no cair da tarde, nas sombras. De fato, a pandemia é uma escuridão total que cai sobre a nossa cabeça. Sabemos que Deus é bom. Então, por que Deus permite o mal, como é a pandemia? Quando Deus criou o mundo, ele não criou o mundo já pronto, mas, em aperfeiçoamento. Então existe um mal físico, ou seja, nas coisas, enquanto não chegarmos a perfeição do mundo. E Deus permite esse mal porque ele sabe que desse mal ele pode tirar um bem. Por exemplo, quando Jesus morre na cruz nós temos um exemplo de mal. Era mal que os homens matassem Jesus na cruz. Ainda sim, é pela cruz que nos veio a glorificação de Jesus e a nossa redenção. Nós só vamos conseguir entender isso plenamente quando conhecermos a Deus face a face. Mas, Deus não causa o mal. Ele permite o mal porque somos livres. Deus não quer a pandemia. Mas, as doenças acontecem porque somos seres humanos e não somos perfeitos, o mundo não é perfeito. Então a pandemia existe e Jesus quer nos tirar da pandemia. O Senhor quer acalmar a nossa Tempestade. Para isso acontecer, o mundo todo precisa rezar, pedir para que Deus nos livre da pandemia. Só que só isso não é suficiente. As pessoas precisam se propor a fazer o bem e se preocupar umas com as outras, tirar o bem de um mal que é a pandemia. Por que Deus não nos livra da pandemia sem pedirmos? Porque Deus não pode fazer nada que não queiramos. Por mais que ele seja todo-poderoso, ele só pode agir em nossa vida se nós quisermos, porque ele nos deu o livre arbítrio. É o livre arbítrio que faz com que as pessoas não usem máscara, não tenham cuidado umas com as outras e façam o mal, levem a doença para outras pessoas e o vírus continua a se espalhar. Se nós agíssemos bem, com cuidado com os outros, a pandemia já estaria acabando. Deus nos deu meios de não pegar o vírus e a pandemia acabar mais rápido. Nós escolhemos usar desses meios ou não. Nestes tempos, irmãos, muitos de nós questionamos onde está Deus? Será que o Senhor não se importa que estejamos perecendo? Ele está como que dormindo e parece ter se esquecido de nós. Mas, temos que confiar. Ele já nos deu os meios de vencermos todas as tempestades que passarmos, ele quer fazer de nós pessoas novas nele, como disse São Paulo na carta aos coríntios. Só que não acreditamos nisso, e Jesus nos pergunta: Ainda não tendes fé? Irmãos, ainda não temos fé? Ainda não nos confiamos no Senhor? Coloquemos em Cristo nossa esperança, nossa confiança e utilizemos daquilo que ele nos concede para vencermos qualquer tempestade em nossas vidas. Assim seja! Amém.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
16.06.2021 - Encontro com os Bispos em Ad Limina
terça-feira, 15 de junho de 2021
15.06.2021 - Catequese
No início os cristãos celebravam a Eucaristia nas casas, mas, por volta do ano 200, surgiram os primeiros lugares próprios para a celebração dos mistérios de Cristo. Os cristãos desde os primórdios entenderam o domingo como Dia do Senhor. Contudo, como o domingo era dia de trabalho, os cristãos se reuniam para celebrar antes de o dia clarear. Já nesses tempos o domingo aparece como dia da ressurreição, dia do sol e oitavo dia (dia da nova criação). E já no século II se fala da Páscoa, que foi até o século IV a única festa do cristianismo. Foi Vitor I que determinou a páscoa no domingo depois de 14 de Nisan. Já nesse tempo ocorria a vigília noturna, com bênção da luz e celebração do batismo. O autor apresenta a partir do relato de São Justino o relato da celebração Eucarística daqueles tempos, passando pela Oração Eucarística de Hipólito. Os cristãos queriam assumir o mínimo possível do paganismo. Com a conversão de Constantino ele constrói igrejas em estilo até então profano. Mas, a basílica cristã é uma boa solução a meio termo entre simplicidade das igrejas que até então existiam e as construções pomposas do império. Ao mesmo tempo os cristãos adotaram a música, porém, banindo todos os instrumentos musicais. Língua, estilos de oração, arte, maneiras de se portar, costumes provenientes do cerimonial da corte imperial, luz e incenso, dias de memórias dos falecidos também foram adotados e purificados pela liturgia cristã.
O autor expõe a ramificações da liturgia com as liturgias orientais, trabalhando as principais de forma individual. Por fim, trabalha acerca da liturgia latina desde a antiguidade até o Concílio Vaticano II. Desde os três principais sacramentários antigos (Leonino – ou Veronense, Gelasiano e Gregoriano), organiza-se a liturgia latina com textos para o sacerdote para as celebrações. O lecionário e o evangeliário também surgem nessa época. Essas liturgias são celebradas por diversos anos, até o século XVI, quando a reforma protestante obrigou o Santo Padre a convocar o Concílio de Trento, que unificou o missal e tornou mais rígida a forma de celebração da missa. Nesse tempo, a Igreja fortemente hierárquica se manifestou na liturgia e a participação do povo excluída. Ainda se tornou popular, como a Missa só era celebrada pela manhã, as adorações e terços pela tarde do domingo, muitas vezes tornando a adoração eucarística mais importante que sua própria celebração. Destaca-se, logo depois, as origens da liturgia das horas. Nos primeiros tempos eram orações pessoais dos fiéis nas horas recomendadas, mas, com a origem da vida monástica passou-se a uma ordem bem estruturada de oração. No século IX todos os clérigos também passaram a ser obrigados as orações das horas. Com o papa São Pio X tornou-se costume a comunhão diária e, posteriormente, a missa pôde ser celebrada ao longo de todo o dia. Ocorreu então, início do século XX, o Movimento Litúrgico que visava uma reforma da Sagrada Liturgia, que começará a acontecer com Pio XII na reforma da semana Santa. Por fim, o Sagrado Concílio Vaticano II ocupou-se de modo particular com a reforma e o incremento da liturgia, conforme a própria constituição Sacrosanctum Concilim (SC) diz logo em seu primeiro artigo. Esta, que foi o primeiro documento conciliar publicado, norteia toda a reforma litúrgica que ocorreu no Vaticano II. Não se deve pensar – como fazem alguns – que a constituição é fruto de si mesma. Ela tem precedentes históricos, o Movimento Litúrgico, a encíclica Mediator Dei, de Pio XII, que vem acompanhada da reforma da semana santa, entre outros que culminaram, durante o concílio, na SC. Logo no seu primeiro capítulo, a constituição expõe sobre os princípios gerais para a reforma e incrementação da liturgia. Inicia explicando sobre o culto litúrgico, onde se renova o sacrifício do Cristo, que veio ao mundo porque Deus quer salvar a todos e a todos levar ao conhecimento da verdade. No Cristo foi conquistada para nós a perfeita reconciliação com o Pai. A mesma reconciliação é conquistada para nós por meio das ações litúrgicas, quando o próprio Cristo, verdadeiramente presente, realiza o mistério pascal, que glorifica perfeitamente a Deus e santifica os homens. O Senhor enviou os apóstolos, não só para pregar o Evangelho, mas também para que levassem a efeito, por meio do sacrífico e dos sacramentos, sobre os quais gira toda a vida litúrgica, a obra de salvação que anunciavam. Assim, a liturgia não é a única ação da Igreja, embora seja o seu cimo, pois para chegar a ela são necessárias as missões. Ela deve inspirar todas as orações e atos de piedade, pois nos une a Igreja Celeste. Muito valorizou o Concílio Vaticano II a participação ativa dos fiéis. Por tal motivo, a constituição expõe sobre a necessidade da promoção da mesma. A fim de chegar a esta participação ativa, trabalha-se a necessidade da formação litúrgica, nos seminários e nas demais casas de formação do clero e das comunidades religiosas, pois é dever dos pastores instruírem o seu povo. O povo deve saber o importante papel que desempenha na sagrada liturgia, cumprindo um dos mais importantes deveres do fiel dispensador dos mistérios de Deus. O Concílio ordena a reforma da liturgia para permitir ao povo cristão o acesso mais seguro à abundância de graças que a liturgia contém. Leva-se em consideração que há uma parte mutável da liturgia, e uma imutável, suscetível de mudanças. De fato, muito foi acrescentado com o passar dos séculos na sagrada liturgia (os dois confiteor, a repetição por 3x do Dominus non sum dignus, as orações ao pé do altar, o longuíssimo ofertório, as orações leoninas ao final da missa, etc..) que não contribuiria com a fácil compreensão dos fiéis ou com a sua edificação, ao mesmo tempo que eram partes mutáveis. Por isso o concílio determina a remoção dessas partes, bem como o incremento de orações e outros elementos, bem como a revisão de todo o rito, para que apareça mais claramente a natureza específica de cada uma de suas partes. As sagradas escrituras deveriam enriquecer ainda mais a sagrada liturgia, pois o próprio Senhor fala por meio dela. E é necessário ao povo de Deus o conhecimento da mesma. Por isso, o Concílio ordena que se abram os tesouros da sagrada escritura, para que fossem lidas ao povo as suas partes mais importantes no decorrer de alguns anos (o que resultou nos anos A,B e C para os domingos e anos ímpar e par para os dias de semana. Também valorizou-se a homilia, tornando-a obrigatória aos domingos e dias de preceito, para que o povo ouça da voz de seu pastor a interpretação da Igreja sobre as escrituras. Estende-se o uso da concelebração (até então realizada de maneira diferente, na missa da ordenação e na missa crismal), que manifesta a unidade do sacerdócio de Cristo no oferecimento do sacrifício. Trabalha-se o uso da língua vernácula, para facilitar a participação frutuosa do povo na Eucaristia e também adiciona-se a oração dos fiéis ao culto litúrgico, para que eles tenham voz na liturgia, e rezem pela Igreja, pelos governantes, aflitos e todos os fiéis, enfim, por suas necessidades. É interessante o saudosismo da Igreja primitiva contido no Concílio Vaticano II. Este é perceptível não apenas no que se refere a simplificação do rito e resgate de antigas orações e tradições, mas também, entre outros, por meio da restauração do catecumenato como etapa para o batismo de adultos. Para tal, a constituição também ordena a revisão no rito do batismo, de forma especial para os adultos, mas também para as crianças. Claramente se faziam necessários a reforma de todos os ritos, para o bem dos fiéis. Em todos os ritos necessitava-se tornar mais explícita a sua função, por isso muito bem reformou o concílio os sagrados ritos, desde as exéquias (a mudança da cor litúrgica do negro para o roxo, as leituras, orações, a esperança da ressurreição que se torna mais explícita) e da unção dos enfermos (que deixa ali de ser chamada de “extrema-unção”), passando pelo rito da reconciliação, da confirmação, da ordenação, chegando ao rito do matrimônio. No último há um ponto que chama a atenção, que é a reforma da bênção sobre a esposa. Não mais a mulher é destacada como devendo obediência ao seu marido, mas ressalta os deveres de ambos, e o amor mútuo com que devem se amar “como Cristo amou a sua Igreja e se entregou por ela”. Foi válida a reforma do ofício divino (distribuindo o salmo em mais semanas, entre outras reformas), e da valorização do mesmo com função do sacerdócio de Cristo, a qual todos os fiéis são convidados a tomar parte, não apenas os clérigos. Do mesmo modo, a reforma do ano litúrgico, retirando os elementos que se acrescentaram e revalorizando o domingo, foi de extrema importância para que os fiéis possam participar do ciclo completo do ano litúrgico, e durante todo o ano, se aprofundarem nos mistérios da vida do Senhor. Desse modo a Igreja poderá levar a plenitude a sua missão e lei suprema: a salvação das almas.
15.06.2021 - Beato Padre Donizetti
Irmãos, estamos celebrando a memória do Beato Padre Donizetti, que desempenhou seu ministério no interior paulista, no Brasil. O Padre Donizetti, pároco de Tambaú, foi um homem que nos trouxe muitos ensinamentos, sobretudo de humildade. Em sua vida, Deus o concedeu o dom de realizar curas. O povo acorria ao padre e ele lhes curava pela força do Senhor Jesus. Irmãos, isso não seria possível se em seu ministério zeloso de pastor, o Padre não fosse um homem de intimidade com Jesus. Poderia satanás expulsar a satanás? É claro que não. Ora, essas curas são vistas com bons olhos, pois o Beato Donizetti não as realizava por suas próprias obras, mas, era um intercessor por meio da oração. Irmãos, tantas e tantas vezes nós nos esquecemos que uma relação de intimidade com o Senhor nos confere dons e graças que não somos capazes de medir. O Padre Donizetti podia ter se elevado pelas curas que eram realizadas por meio dele, mas, por outro lado, ele continuou sendo um homem simples, que vivia no escondimento. Tive a graça de conhecer a casa onde morava o Pe. Donizetti em Tambaú, e, irmãos, só nos revela que muitas vezes damos importância a tantas coisas e nos esquecemos daquilo que é o mais importante em nossas vidas: o Senhor. O Beato Padre Donizetti nos recorda mais uma coisa: que precisamos amar nossa Senhora. Ele era muito devoto de Nossa Senhora Aparecida. E assim, irmãos, estabelecendo intimidade com os santos, com Maria, criamos intimidade com Deus. Se formos amigos de Deus ele não recusará nossos pedidos e nos atenderá e faremos obras que não somos capazes nem de imaginar.
segunda-feira, 14 de junho de 2021
14.06.2021 - Início da Ad Limina e Envio da Cruz e do Ícone da JMJ
Irmãos, nessa noite quero acolher de modo especial os nossos Bispos para a abertura da Visita Ad Limina. Desejo ansiosamente que esse nosso encontro de irmãos possa render frutos para a vida pastoral em nossas arquidioceses. Estamos enviando nesta missa, votiva ao mistério da Cruz, a Cruz e o Ícone Mariano da Jornada Mundial da Juventude, que se dará em Aparecida entre 05 e 08 de Julho. É o ponta pé inicial que está sendo dado para a nossa Jornada, que será um encontro bonito e diferente da nossa realidade com a realidade do Habbo. Será, se tudo ocorrer como imaginamos, uma Jornada como nunca antes foi vista em nosso Hotel. A Jornada Mundial da Juventude quer ser um ir ao encontro, como Jornada Missionária, e não simples celebrações de reunião apenas do clero. Será uma Jornada do Testemunho. E é justamente sobre o testemunho de vida que São Paulo nos falava hoje. Aos cristãos não cabe escandhalizar ninguém. Mas, muitas vezes não somos testemunho vivo. Permitimos de tal modo que o egoísmo predomine em nós que não nos atentamos a imagem que estamos passando de cristãos para os outros. A maior dificuldade que a Igreja encontra é cristãos, e de modo especial clérigos, que não sejam testemunho vivo, que fazem com que os outros se afastem de Cristo. Aí de nós, irmãos, se alguém deixar a Igreja ou se perder por nossa falta de testemunho. Neste contexto, Cristo aparece para nós como paradigma daquele que soube cumprir a vontade do Pai, e deu mais do que lhe foi pedido. Oferecer o rosto para apanhar, caminhar, são atitudes que exigem uma profunda humildade e carinho pelo outro. O egoísta não é capaz disso: olhar para o outro. Queremos, irmãos e irmãs, sermos Igreja que olha para os outros e Igreja que olha para seu Senhor. Isto precisa acontecer de modo concreto, mas, também precisa começar em uma reflexão, e são esses dois passos que queremos dar em nossa JMJ 2021. Por isso, nosso tema para a Jornada Mundial da Juventude 2021, em Aparecida, será: "Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança." (Ef 4, 4).
domingo, 13 de junho de 2021
13.06.2021 - XI Domingo do Tempo Comum e Santo Antonio de Pádua
Irmãos, estamos celebrando esse XI Domingo do Tempo Comum com a memória de Santo Antônio de Pádua. Esta basílica há tanto tempo foi dedicada a Santo Antônio ao mesmo tempo que é dedicada a São Paulo, apóstolo. Irmãos, Deus ergueu o mais alto cedro - uma árvore de doce odor ao longo de toda a vida - e todos os pássaros vieram habitar em seus ramos. O grande cedro é Cristo, os pássaros somos nós. Nosso ninho é o Senhor. Isto é, nossa casa é o Senhor. O Senhor é o peito sobre o qual repousamos. Por isso São Paulo nos recorda que nossa alma espera deixar a realidade material para se unir com o Senhor. Mas, isso não quer dizer que o material é ruim. Santo Tomás de Aquino nos lembra que nossa alma, após a morte, anseia por unir-se novamente ao corpo. Deste modo, nós esperamos a glorificação de nossos corpos, quando integralmente nós nos uniremos ao Senhor, isto que já experimentamos nos sacramentos. E chegará o momento disso, irmãos. Chegará o momento da colheita onde seremos ceifados para o juízo. E como se encontrará nosso coração para esse momento? Estamos permitindo que a menor das sementes plantadas em nós, o Reino de Deus, floresça e se torne uma grande árvore? Estamos permitindo que Cristo cresça em nós ou o estamos sufocando? E mais: estamos trazendo os outros para habitar sobre a sombra de Cristo conosco? Precisamos anunciar o Evangelho, irmãos, mesmo que não queiram nos ouvir. Santo Antônio foi exemplo de pregador do Evangelho, de alguém que permitiu que o Reino de Deus acontecesse dentro de si e queria que acontecesse ao seu redor. Ele já era padre e religioso quando desligou-se de sua ordem e foi ser franciscano. Ele queria um seguimento mais profundo de Jesus e até chegou a omitir que era padre para isso. Mas não teve jeito. O Reino de Deus tinha crescido de tal modo dentro dele que precisava extrapolar os limites do seu coração e se irradiar para os outros. De tal modo isso aconteceu, que quando não quiseram o ouvir ele pregou aos peixes e estes pulavam nas águas para ouvir a pregação de Antônio. Mas, há um outro elemento que devemos levar em conta: o Reino não acontece e o amor não cresce de uma hora para a outra. É preciso ter paciência para a semente crescer e ela cresce por amor de Deus. Nós podemos até por adubo, mas, a semente cresce por ação de Deus. E cresce aos poucos, a cada dia, num processo lento. Há um ditado oriental que diz que quem planta tâmaras não come tâmaras. Isto porque a tamareira demora cem anos para produzir frutos. Não importa, irmãos, que não vejamos os frutos de nossa fé, de nossa caridade, do Reino que estamos plantando. O Reino está crescendo em nós por ação de Deus, e é nas pequenas coisas que ele vai aumentando e acontecendo. Não tenhamos pressas e nem sejamos egoístas. É Deus que frutificará nossas atitudes. Irmãos, nosso coração está extrapolando o amor, o Reino de Deus ou não estamos permitindo que o Reino seja presente em nós? Se fossemos ceifados hoje, quantos frutos teremos dado? Seríamos, irmãos, acolhidos como pássaros sobre a sombra do Senhor para a união eterna ou permaneceriamos no sol para queimar e secar?
sábado, 12 de junho de 2021
12.06.2021 - Imaculado Coração de Maria e 3 meses de Pontificado
Irmãos, a celebração do Imaculado Coração de Maria é a celebração de um coração que foi sempre bom, um coração que não conheceu malícia. Isso acontece porque a Virgem Imaculada associou o seu coração ao coração do Cristo oferente, que se deu ao Pai para salvar a humanidade. Maria deixa que seu coração seja transpassado por uma espada espiritual e sente a dor de seu Filho. Se do coração de Jesus brotou a Eucaristia e o Batismo, do coração de Maria brotou-nos a esperança, a consolação. Irmãos, sejamos também uma Igreja da esperança. Uma Igreja que não viva na malícia do mundo, mas, que leve a todos os cantos a pureza, a esperança e a docilidade. De modo especial, celebrando meus três meses de pontificado, peço que Deus me conceda a graça de ser clemente: atencioso para vossas necessidades e de constante oração. Coloco-me, mais uma vez, como vosso servo e desejo com vocês construir a Igreja de Cristo Jesus: serva, imaculada e dócil; Igreja reflexo do Imaculado Coração de sua Mãe, Maria.
sexta-feira, 11 de junho de 2021
11.06.2021 - Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Jesus, manso e humilde de coração.
Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
quarta-feira, 9 de junho de 2021
09.06 - Memória de São José de Anchieta e Abertura do Seminário Nossa Senhora da Confiança
Irmãos, estamos celebrando a memória de São José de Anchieta, presbítero, na abertura de nosso seminário romano maior, dedicado a Nossa Senhora da Confiança. Aqui neste lugar esperamos criar um seminário modelo, numa diocese que seja modelo. A Diocese de Roma há muito tempo teve um clero ativo, com presbíteros, de modo verdadeiramente pastoral. Agora, nosso objetivo é criarmos novamente esta estrutura. Roma deve ser o lugar do encontro de toda a Igreja. É o momento irmãos de começarmos as aplicações do que foi proposto pelo XI Sínodo dos Bispos, sobretudo no que diz respeito aos seminários. Nessa noite renovo o desejo de que toda a nossa Igreja seja uma Igreja de formadores. Precisamos, Bispos, presbíteros, diáconos e seminaristas, sermos agentes de uma formação presbiteral que realmente aconteça. Uma formação que não só seja um simples passar por certos aspectos mecânicos, mas que seja encontro com Jesus Cristo. Celebramos São José de Anchieta, que escreveu um catecismo em Tupi-Guarani para evangelizar os indígenas. É necessário que também nós utilizemos das linguagens midiáticas e de todos os meios possíveis para que Cristo seja conhecido e amado. Mesmo levando em consideração as nossas falhas e misérias, sermos formadores, sermos catequistas, sermos evangelizadores deve ser o nosso objetivo de vida. A Igreja precisa dar seu sangue pela causa de Jesus Cristo, principalmente os que vestem vermelho, mas também os que vestem violáceo, negro e eu, que visto o branco. Farei questão de pressionar sobre nós o peso da nossa missão, mesmo que nos machuque, mesmo que nos sangre, mesmo que nos esfole, mesmo que queiramos desistir, mesmo que pareça impossível, pois, sem fazer isso, nós não cumpriremos nossa missão e não nos uniremos a Cristo Jesus.
terça-feira, 8 de junho de 2021
08.06 - Terça-Feira da 10º Semana do Tempo Comum
Irmãos, fomos marcados com o selo de Deus, a força do Espírito Santo para sermos sal da terra e luz do mundo. Mas, precisamos, nesse processo, contemplarmos a face de Deus. Para isso, temos a necessidade de aderirmos inteiramente ao projeto de Jesus Cristo. São Paulo, na sua segunda carta aos coríntios, reforça que Cristo não é "não" e "sim", ele é apenas "sim". Ele não é "não" em momento algum, pois o próprio que "não" era pecado, fez-se pecado por nós e assumiu todo o ser em si mesmo, Ele que era a origem de todo ser. E Cristo faz da sua vida uma vida do "sim". Vida do "sim" nas peregrinações pelas estradas da Galileia, em cada gota de suor e lágrimas, em cada respingo de saliva que saia de sua boca quando pregava o Reino. Jesus não era uma pessoa do "não", mas, do "sim". Aceitava falar com todos, entrava em cada realidade e dizia "Amém", isto é, aceitava a vontade do Pai. Mas, nós tendemos a sermos "não" e escolhermos a nossa própria vontade e não a vontade de Deus. É preciso que nos tornemos pessoas do "sim" a vontade de Deus, ou esconderemos a luz que irradiamos, seremos sal sem sabor e não serviremos para nada. A vontade do Senhor é que manifestemos o seu próprio amor a todos, enchendo de luz e sabor, graça a vida dos que vivem ao nosso redor. Sejamos pessoas do "sim", não fechados em nosso egoísmo, mas, sempre dispostos a missão que Deus nos confiar.
segunda-feira, 7 de junho de 2021
07.06 - Catequese
Após a belíssima exposição do Cardeal Ratzinger na segunda parte, ele trabalha na terceira a questão da arte. Ao tratar sobre as imagens, ele lembra que já no antigo testamento dois anjos guardavam a arca. A imagem do Antigo Testamento tem sua importância mantida, mas tem novo significado: Deus não se esconde mais totalmente, mas mostra a face de Cristo. Já as antigas sinagogas eram ricamente decoradas com representações e cenas bíblicas. As imagens evocam as lembranças e atualizam a presença. Elas conduzem a quem as contempla através do olhar interior. O Deus invisível entra no espaço do visível, a fim de que nós possamos reconhecê-lo. A ausência total de imagens não é conciliável com a fé na encarnação de Deus. Sua essência é conduzir acima daquilo que é puramente constatável no plano material, ao encontro orante com o Senhor. O autor prossegue a terceira parte com a música litúrgica. O canto nas Escrituras aparece pela primeira vez na passagem do Mar Vermelho. O cantar supera o modo habitual de falar. O saltério se torna o livro de oração da Igreja a caminho. No cântico dos cânticos trata-se sobre as núpcias, e a Eucaristia é a presença do Esposo, e antecipação da festa nupcial por Deus. O Concílio da Laodiceia proibiu a utilização de cânticos que não fossem os canônicos na celebração da liturgia. Os tempos passaram, veio a inculturação, e hoje deve-se observar o que outrora foi observado no passado: a música teve ter sóbria embriaguez do Espírito Santo, e os novos hinos devem ser inspirados na Palavra, pois ela os dá fundamento e confiabilidade. Devemos cantar, pois o nosso canto é a participação no canto e na oração da grande liturgia que abraça a criação inteira. Na liturgia cantamos com os anjos e também hoje a alegria de Deus e o encontro com sua presença na liturgia são uma força de inesgotável inspiração. Enfim chegamos a quarta e última parte, onde o Teólogo aborda a forma litúrgica, as questões mais práticas dos detalhes da liturgia. Começa transcorrendo sobre a questão dos ritos, que existem pois o ser humano sempre procurou a maneira correta de honrar a Deus. O rito para os cristãos supera o tempo e o espaço. O autor não se limita ao trabalhar o aspecto histórico, onde partindo das três sedes primazes da Igreja (Roma, Alexandrina e Antioquia), e passando por Bizâncio, trabalha as tradições litúrgicas. Ao discorrer constata como cada um dos ritos faz referência aos lugares de origem apostólica, procurando um contato direto com o evento da Revelação, por isso entre os ritos há intercâmbio e fecundação recíprocos. No aspecto histórico, Roma foi unificando cada vez mais os vários ritos do Ocidente no rito comum romano, e a esta liturgia o papa se faz humilde servidor, embora tenha a legislação litúrgica. O rito é, enfim a expressão da eclesialidade que supera a história e amadurece sob o influxo do Espírito Santo. E, embora a unidade do rito romano, há nele também a inculturação, aquela válida, conforme vemos no Congo, com um missal próprio, mas que mantém o rito romano com suas certas variações. A participação ativa foi rapidamente mal compreendida. Nós tomamos parte naquilo que não é realizado nem pelas nossas mãos e nem pelas do sacerdote, é ação de Deus. Por isso todos juntos devemos olhar para o Senhor e ir ao seu encontro. Do corpo se pretende muito mais do que o carregar aleatório de apetrechos ou de outras coisas, o corpo deve rezar em suas diversas ações. Abordando essas ações, ele trabalha o aspecto do sinal da cruz, que é uma profissão de fé. Depois, discorre sobre o ato de ajoelhar-se, que lembra a humildade de Cristo que chegou ao extremo da cruz e diante dessa humildade nós nos ajoelhamos. Trabalha a prostração, a inclinação e a necessidade que esses atos corporais tenham sentido. Pois, quando a adoração é simplesmente espiritual, não exprime a essência do ser humano. A incapacidade de ajoelhar-se parece ser a própria essência do demônio. Ao mesmo tempo, ficar de pé era sobretudo a forma pascal da oração. Na liturgia, durante o tempo da Páscoa, os cristãos não deviam se ajoelhar, mas ficar em pé. O ficar em pé nos une a vitória de Cristo, e nos lembra também o respeito para a Palavra do Senhor. A liturgia é antecipação da promessa, ela implica o ficar de pé, enquanto o ajoelhar-se também é expressão indispensável do aqui e agora. A liturgia só pode atrair as pessoas se não olhar para si mesma, mas para Deus, e se Lhe permite estar presente e agir. Por isso, ao abordar a dança na liturgia, o autor afirma que ela não tem lugar na liturgia, embora possa haver procedimentos ritmicamente ordenados onde convir. Inculturação que se reduz apenas a uma mudança de formas exteriores não é de fato inculturação. O gesto mais antigo do cristianismo são as mãos abertas, a “atitude do orante”. Por isso, ao trabalhar os gestos, Ratzinger nos lembra que este é o gesto do Cristo, com os braços estendidos na cruz, sua máxima oração. Por sua vez, as mãos postas remetem a sociedade feudal, em que o que recebia um feudo colocava as mãos postas nas mãos do senhor, realizando uma expressão de confiança e fidelidade. Também a inclinação tem sua vez na liturgia, ela é expressão corpórea da humildade. Nós falamos na liturgia, estabelecemos um diálogo, pois no diálogo Deus fala e a sua acolhedora esposa a escuta e responde, se integrando mutuamente. Deve-se ter, porém, em mente que a liturgia também implica ao calar-se. O silêncio verdadeiro é mais que uma ausência de palavras e de ação, nele nos encontramos em nós mesmos e a educação litúrgica deveria prever a tarefa de auxiliar nesse processo interior. Isso se manifesta, além dos momentos totais de silêncio, também na Oração Eucarística, onde a tarefa sacerdotal se revela mais do que presidir intervenções de uma assembleia, é o momento em que o Cristo se dirige ao Pai. Os paramentos litúrgicos mostram o revestir-se de Cristo do sacerdote. Ele tira o sacerdote de si, para realizar a ação de Cristo. O grande arco que vai da criação e queda de Adão até a veste branca da eternidade está contido no simbolismo dos paramentos litúrgicos. O Cardeal Ratzinger, ainda no final da quarta parte, conclui que a liturgia católica é a liturgia da palavra tornada carne. As realidades materiais se tornam meios da ação de Deus por nós – água, óleo, pão, vinho. A água é elemento vital, e os outros três elementos típicos da região mediterrânea, que são expressão da bondade da criação. Os elementos se tornaram sacramento graças à sua ligação com a história única e irrepetível de Deus com os homens em Jesus Cristo. Justamente devido à particularidade de um evento único do aqui e agora, saímos da indeterminação. Com essa face particular, Cristo chega até nós além de todos os limites. Exatamente assim nós reconhecemos: é o Senhor.
domingo, 6 de junho de 2021
06.06.2021 - X Domingo do Tempo Comum
Irmãos, até quando permaneceremos sem assumir a nossa culpa? Por quanto tempo continuaremos a jogar nos outros a culpa que nos pertence? Foi Adão que optou por comer o fruto da árvore, mas, jogou a culpa em Eva. Eram os mestres da lei que causavam a divisão, a segregação do que era diferente, mas eles dizem que é Jesus que está possuído pelo divisor, pelo príncipe dos demônios. São os parentes de Jesus que estão loucos, que ainda não compreenderam que o Senhor precisava agir, mas eles acreditam que Jesus está louco e querem impedir sua ação. Somos nós, hoje, que não reconhecemos a ação do Espírito Santo e não o permitimos agir. Irmãos, é mais fácil retirarmos dos nossos ombros a culpa, nossos erros e misérias do que os aceitarmos. O problema não é simplesmente querermos retirar e depositarmos aos pés do Senhor e implorarmos seu perdão. O erro está em negarmos que erramos, que pecamos, que falhamos e necessitamos da misericórdia do Senhor. Quando negamos, não permitimos a ação do Espírito Santo que transforma e renova a nossa vida. Por isso a blasfêmia, o pecado contra o Espírito Santo é o único sem perdão. Deus não perdoa quem não lhe pede perdão. Ele iria ferir o nosso livre arbítrio se nos perdoasse sem o pedirmos. Além disso, é blasfêmia contra o Espírito quando negamos sua ação em nossa vida e na vida da Igreja. Quando nos negamos a seguir um concílio, um dogma, nos negamos a seguir o próprio Espírito Santo. É preciso, irmãos, seguirmos as palavras do Senhor. Os irmãos e irmãs de Jesus são os que ouvem sua palavra e a praticam e ninguém é capaz de pratica-la sem a ação do Espírito Santo. Renovemos a cada dia o nosso homem interior na força do Senhor, reconheçamos nossos erros, o que precisamos melhorar e cumpramos a vontade do Senhor, permanecendo unidos, fazendo com que o Reino de Deus já comece a acontecer enquanto ele nos prepara outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.
quinta-feira, 3 de junho de 2021
03.06 - Corpus Christi
Irmãos, como estamos preparando a Ceia do Senhor? Celebrando o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor, precisamos refletir como está a casa para a ceia. Jesus mandou que os apóstolos fossem preparar a ceia, num ambiente digno. Mais do que templos exteriores, como está a dignidade de nosso coração para acolher Jesus? Corremos o risco de irmos para a Eucaristia com um coração desleixado, como se nada fosse. Mesmo em nossa realidade, Eucaristia é algo: é memória. Enquanto memorial torna presente substancialmente e realmente o sacrifício pascal de Cristo com todo o seu efeito salvador e força vivificante, a memória traz ao nosso coração aquele momento sublime para encher-nos do desejo de adora-lo e ama-lo. Infelizmente muitos no clero até hoje não compreenderam isso e enquanto não compreenderem não irão desempenhar seus ministérios com seriedade e sinceridade. Nossos templos devem ser dignos para celebrarmos essa memória, mas também o nosso coração deve ser digno, limpo, ou a celebração dessa memória não nos encherá de amor, mas, permanecerá sem sentido. O altar de Moisés, purificado pelo sangue dos animais, e o povo aspergido pelo mesmo sangue são prefigurações de Cristo e nossa. A própria antiga aliança preparava a nova. E no Sangue do Senhor foi firmada uma nova e eterna aliança para sempre. A aliança continua a mesma: nos sermos o povo de Deus e ele ser o nosso Deus, cumprirmos sua lei. Mas, agora, ela não é mais quebrada pois foi firmada pelo próprio Cristo. Engana-se, porém, quem acha que por isso pode viver de qualquer modo, pois a consequência de sairmos da aliança é a nossa morte e condenação. E isso nos explica tão bem o autor da carta aos Hebreus, que utilizando toda a linguagem judaica a reinterpreta em Jesus Cristo. Seu Corpo e Sangue, embora ocultem sua humanidade e divindade, firmam e reestabelecem em nós a comunhão com Deus e nossa participação nos bens prometidos. Que outro Deus faria pão e vinho em próprio Deus para saciar de salvação o seu povo? Irmãos, participemos com amor da patena com pão e do cálice com vinho, para que os sinais que aqui recordamos, nos façam buscar com ainda maior amor, piedade e devoção, o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor, presença real e comunhão de amor.
terça-feira, 1 de junho de 2021
01.06.2021 - São Justino e Imposição dos Pálios
Queridos arcebispos, vossa missão exige seguir o crucificado. Nos vossos ombros levareis o pálio, a ovelha, e no pálio, as cruzes. Que ele vos seja sempre lembrança de que é impossível seguir Jesus Cristo sem o sofrimento, sem a cruz de cada dia. É impossível que vosso arcebispado seja tranquilo, e se for, estais fazendo algo errado, estais despreocupados. Lembrai de abraçar a cruz que o Senhor lhes impõe, mesmo que ela sangre sobre os vossos ombros. Que o branco de vossos pálios seja pressionado pela cruz e ensanguentado pelos sofrimentos que suportareis por amor a Jesus Cristo.
Por fim, irmãos e irmãs: Encontrarmos sentido nos sofrimentos desta vida, nas dores cotidianas, exige de nós um olhar amoroso para o Crucificado, para podermos compreender que nos momentos de maior dor, de maior solidão, temos um Deus que sofre conosco e que caminha conosco. Assim, termino com uma conhecida história: Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do Céu, passavam cenas da minha vida. Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia; Um era meu e o outro do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia. Notei também, que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso entristeceu-me deveras, e perguntei então ao Senhor.
O Senhor me respondeu:
"- Meu precioso filho. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando vistes na areia, apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que EU, nos braços...TE CARREGUEI"