Irmãos, estamos reunidos para dedicarmos a Deus essa Igreja em honra de Nossa Senhora. O rito da dedicação existe para consagrarmos dois templos: o exterior e o interior. Precisamos consagrar a Deus esta construção, ao mesmo tempo que precisamos consagrar o nosso coração. É inseparável essas duas dedicações. A água aspergida sobre este altar, as paredes e nós é a mesma, relembrando-nos que todos aqui integramos um só Corpo, o de Cristo. O óleo que ungirá este altar e o preparará para o sacrifício, é o mesmo óleo que ungiu nossas testas no Batismo e na Confirmação, e nos preparou para participarmos da vida que nos concede o mesmo banquete sacrifical. O exemplo do que vai ocorrer aqui a partir de agora é o acontecimento do livro de Neemias, quando o povo volta do exílio. Ao voltar, o povo vê o templo de Deus profanado. Mas, em meio a tanta desesperança, eles celebram a Liturgia. Aqui é o lugar propício para a Liturgia, e será consagrado para tal. Mas, a posição diante da Liturgia, é a posição que nos é descrita por Neemias. Na Liturgia encontramos a alegria e não a desesperança. É uma visão reducionista chamarmos a Missa apenas de sacrifício. Ela é sacrifício. Ao mesmo tempo ela é Banquete Pascal, é Paixão, Morte e Ressurreição. Isolarmos qualquer um desses três momentos do mistério pascal é rompermos uma unidade essencial que existe entre eles. A Ceia ocorre em vista da Morte, que por sua vez ocorre para que haja a glorificação da Ressurreição. Cada momento traz consigo sua singular força salvifica e necessária para a Redenção do gênero humano. Por isso, em sinais prefigurativos, Neemias já nos chamava a comermos e a bebermos bebidas doces, pois é o dia do Senhor. Irmãos, sempre que entrarmos nessa Igreja que possamos nos recordar que todos os dias são o dia do Senhor. Que ao chegar ao nosso ouvido a Palavra e nos alimentarmos do Pão e do Vinho, nós choremos sempre emocionados e nos lembremos que o Senhor está conosco, no meio de nós e a sua alegria é a nossa força. Assim seja. Amém!
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