Irmãos, como estamos preparando a Ceia do Senhor? Celebrando o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor, precisamos refletir como está a casa para a ceia. Jesus mandou que os apóstolos fossem preparar a ceia, num ambiente digno. Mais do que templos exteriores, como está a dignidade de nosso coração para acolher Jesus? Corremos o risco de irmos para a Eucaristia com um coração desleixado, como se nada fosse. Mesmo em nossa realidade, Eucaristia é algo: é memória. Enquanto memorial torna presente substancialmente e realmente o sacrifício pascal de Cristo com todo o seu efeito salvador e força vivificante, a memória traz ao nosso coração aquele momento sublime para encher-nos do desejo de adora-lo e ama-lo. Infelizmente muitos no clero até hoje não compreenderam isso e enquanto não compreenderem não irão desempenhar seus ministérios com seriedade e sinceridade. Nossos templos devem ser dignos para celebrarmos essa memória, mas também o nosso coração deve ser digno, limpo, ou a celebração dessa memória não nos encherá de amor, mas, permanecerá sem sentido. O altar de Moisés, purificado pelo sangue dos animais, e o povo aspergido pelo mesmo sangue são prefigurações de Cristo e nossa. A própria antiga aliança preparava a nova. E no Sangue do Senhor foi firmada uma nova e eterna aliança para sempre. A aliança continua a mesma: nos sermos o povo de Deus e ele ser o nosso Deus, cumprirmos sua lei. Mas, agora, ela não é mais quebrada pois foi firmada pelo próprio Cristo. Engana-se, porém, quem acha que por isso pode viver de qualquer modo, pois a consequência de sairmos da aliança é a nossa morte e condenação. E isso nos explica tão bem o autor da carta aos Hebreus, que utilizando toda a linguagem judaica a reinterpreta em Jesus Cristo. Seu Corpo e Sangue, embora ocultem sua humanidade e divindade, firmam e reestabelecem em nós a comunhão com Deus e nossa participação nos bens prometidos. Que outro Deus faria pão e vinho em próprio Deus para saciar de salvação o seu povo? Irmãos, participemos com amor da patena com pão e do cálice com vinho, para que os sinais que aqui recordamos, nos façam buscar com ainda maior amor, piedade e devoção, o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor, presença real e comunhão de amor.
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