Irmãos, é impossível conhecer a Cristo se não entrarmos no louco mistério da sua cruz. Celebrando São Justino, recordamos desse grande pai da Igreja. São Justino de Roma é o primeiro padre apologista, ou seja, que realizou a defesa da doutrina da Igreja. Ele escreveu uma dura crítica ao imperador e ao senado de Roma sobre o modo como eram castigados os cristãos e interpretando as Escrituras, descreve o cristianismo à cultura Romana. São Justino vai realizar uma profunda hermenêutica, interpretando os textos do Antigo Testamento à luz da Paixão do Senhor. Diante do obstáculo à fé, que era a imagem do Cristo Crucificado, Justino interpreta as passagens bíblicas, mostrando o modo como a cruz já estava predestinada para o Cristo. Sendo assim, Jesus leva sua cruz por amor a todo o gênero humano e permite cair sobre si mesmo a maldição que cairia sobre todos. Diante do exemplo de tão grande pai na fé, diante deste exímio apologista, precisamos recordar que temos que defender a doutrina católica. Enfrentando a sociedade hodierna, que teme o sofrimento, e busca o prazer desmedido, num hedonismo desmascarado, precisamos recordar a necessidade do retorno à Cruz do Senhor. Sermos "sal da terra" e "luz do mundo" é cumprirmos a nossa vocação de batizados e sermos testemunhas do Senhor. Mas, é também enchermos de sentido todas as realidades que já não encontram mais sentido. Quantas pessoas no mundo, diante da pandemia da COVID-19, perderam o sentido de viver. Viktor Frankl, uma grande mente do século passado, nos recorda a necessidade que a humanidade traz em si de possuir um sentido para a vida. São Justino, por exemplo, abraça o martírio por ter sentido para a vida. E seu sentido? É seguir a Cristo Crucificado.
Queridos arcebispos, vossa missão exige seguir o crucificado. Nos vossos ombros levareis o pálio, a ovelha, e no pálio, as cruzes. Que ele vos seja sempre lembrança de que é impossível seguir Jesus Cristo sem o sofrimento, sem a cruz de cada dia. É impossível que vosso arcebispado seja tranquilo, e se for, estais fazendo algo errado, estais despreocupados. Lembrai de abraçar a cruz que o Senhor lhes impõe, mesmo que ela sangre sobre os vossos ombros. Que o branco de vossos pálios seja pressionado pela cruz e ensanguentado pelos sofrimentos que suportareis por amor a Jesus Cristo.
Por fim, irmãos e irmãs: Encontrarmos sentido nos sofrimentos desta vida, nas dores cotidianas, exige de nós um olhar amoroso para o Crucificado, para podermos compreender que nos momentos de maior dor, de maior solidão, temos um Deus que sofre conosco e que caminha conosco. Assim, termino com uma conhecida história: Uma noite eu tive um sonho.
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do Céu, passavam cenas da minha vida. Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia; Um era meu e o outro do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia. Notei também, que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso entristeceu-me deveras, e perguntei então ao Senhor.
"- Senhor, Tu me disseste que, uma vez que eu resolvi Te seguir, Tu andarias sempre comigo, todo o caminho mas, notei que durante as maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas. Não compreendo porque nas horas que mais necessitava de Ti, Tu me deixastes."
O Senhor me respondeu:
"- Meu precioso filho. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando vistes na areia, apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que EU, nos braços...TE CARREGUEI"
O Senhor me respondeu:
"- Meu precioso filho. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando vistes na areia, apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que EU, nos braços...TE CARREGUEI"
Nenhum comentário:
Postar um comentário