Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do Advento, o domingo da alegria, quando aguardando fervorosos a chegada do Natal, pedimos a Deus a graça de celebrá-lo com júbilo na solene liturgia, como recitamos na oração coleta do dia de hoje. A liturgia de hoje fala-nos sobre o profetismo. O profeta tem uma dupla missão, uma dupla característica: o profeta anuncia e denuncia. Não existe profetismo sem essa dupla característica. Quando olhamos ao profetismo de Isaías, percebemos essa dupla realidade. O Espírito do Senhor que repousa sobre o profeta o unge e envia para anunciar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor. É por isso que o profeta exulta e se alegra no Senhor e reconhece a ação do Espírito em sua vida. O Espírito é o que reveste o profeta. Por isso, São Paulo na primeira carta aos Tessalonicenses ao convocar a alegria, interpela a não apagar o Espírito e não desprezar a profecia. A profecia sempre depende do Espírito Santo. Um grande problema de nossos tempos é uma dicotomia da ação do Espírito na profecia e as dimensões proféticas. Hoje, quando fala-se do profetismo, acha-se que o profeta fecha os olhos e começa a falar coisas aleatórias, profetizando na vida dos outros. Isso não é o profetismo bíblico. O profeta traz uma mensagem de acordo com a vontade do Senhor. Mas, não alienado. O profeta fala a partir de um locus vivendi, isto é, um lugar do qual se vive. Isaías profetiza a partir do exílio; São Paulo profetiza a partir da vida da comunidade de Tessalônica; João Batista profetiza a partir da vivência no meio do povo de Israel. João Batista, ainda, nos ressalta outra dimensão do profetismo: o profeta não se exalta por ser profeta. Pelo contrário, vive no escondimento. Mais importante do que o profeta é a mensagem que traz o profeta. Mais importante do que cada um de nós, é Espírito de Cristo que está presente em cada um de nós e que nos impele a anunciar a chegada de um novo Reino, e a denunciar o antigo reino, que é o reino do pecado. Quando olhamos aos problemas sociais, políticos e religiosos, percebemos que ainda estamos de certo modo ligados ao reino do pecado. Quando denunciamos as injustiças sociais, nós rompemos com este reino do pecado, que escraviza, que humilha, que diminui, que tira a dignidade de cada pessoa humana e aí anunciamos o reino de Deus, que já chegou, que está no agora e no ainda não. Preparemos pois, o caminho do Senhor e o caminho do seu reinado vivendo o profetismo que nos foi incubido pelo nosso batismo e, com sinceridade de coração, poderemos celebrar o nascimento do Senhor não como um evento salvífico do passado, mas, como salvação presente e sempre renovado em nossa vida. Assim seja! Amém.
domingo, 17 de dezembro de 2023
domingo, 12 de novembro de 2023
12.11.23 | Aniversário de Ordenação Episcopal
domingo, 5 de novembro de 2023
05.11 | Missa por ocasião do dia de São Carlos Borromeu
Beatíssimo pai, amados irmãos e irmãs, celebramos hoje o trigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum e honramos o padroeiro dessa nossa capela, São Carlos Borromeu, celebrado ontem. O grande pedido da liturgia deste domingo é de servirmos a Deus como devemos. É nesta dinâmica que é colocado diante de nós as correções do profeta Malaquias aos sacerdotes. Os sacerdotes, em todas as religiões, são homens separados para o culto. E assim era também com os judeus. Mas, cada vez mais o povo pôde dizer adeus aos homens de Deus. Sim, porque aqueles que eram separados para o serviço do Senhor começaram, com o tempo, a afastar-se do Senhor e a distanciar dele o seu coração. Isso manifesta-se pela infecundidade do seu culto, que passou à exterioridade, já que no seu interior eles quebraram o pacto com Deus e passaram a discriminar as pessoas, a serem desonestos, desonrando o Senhor. E assim, Deus promete a maldição para os homens que outrora eram homens da bênção. Pois, quando a bênção não é abraçada e vivida, só nos resta uma existência amaldiçoada. No Evangelho, Jesus também adverte às multidões e aos discípulos sobre as figuras de autoridade religiosa: os mestres da Lei e os fariseus. Estes eram os homens que deviam guardar a lei no seu coração e também não guardaram. Eram homens que deviam abraçar a simplicidade, mas preferiram a suntuosidade. Eram homens que gostavam de chamar a atenção para si. Suas vestes eram para o seu louvor; seus lugares de honra eram para o seu louvor. E assim, louvando a si mesmos, esqueceram-se de louvar a Deus. E o que, para mim, parece ser o começo dessa desgrhaça toda: Eles "marram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.". Irmãos e irmãs, como essa Palavra deve nos tocar. Sim, porque muitas vezes somos nós que vivemos colocando sobre os outros fardos pesadíssimos e impondo para eles uma moral que nós não conseguimos suportar. Não podemos, claro, cair num laxismo. Mas, não podemos ir para um moralismo rigorista, que cumpre a lei pela lei, que impõe a lei com falsidade, que beira o puritanismo protestante. Essa tendência de muitos grupos dentro da Igreja, antes de defendê-la, a destrói, porque a destrói de dentro para fora. O Senhor nos quer santos, mas, santos pela liberdade do amor, e não pela imposição e pelo medo. Além disso, quando pensamos numa Igreja que não queira os lugares de honra, pensamos numa Igreja que assuma os últimos lugares. E, quantas vezes na história da Igreja não vimos os membros da Igreja querendo que a Igreja ocupe um lugar de honra e de estima, tão contrária àquilo que Jesus pensou para a sua Igreja? Hoje, além do rigorismo moral, um outro perigo é o fenômeno do tridentinismo. E, falar de tridentinismo, é falar de pessoas que querem viver uma realidade que nem o próprio Concílio de Trento pensou e imaginou. Falarmos disso, é pensarmos também na figura de São Carlos Borromeu, que é para nós um exemplo daquilo que escreveu São Paulo na segunda leitura: um homem que deu não só a Palavra de Deus, mas, a própria vida. São Carlos era sobrinho de Pio IV, o papa que presidiu a última sessão e encerrou o Concílio de Trento. Quando criança, de família nobre, dizem que era comum ver o menino Carlos brincando de celebrar missa no Castelo dos Borromeu. Mais tarde, antes mesmo de receber a ordenação, seu tio o fez cardeal. O jovem Carlos foi para o Concílio de Trento e atuou lado a lado com seu tio para construções na cidade de Roma e no termino do Concílio. Foi ordenado presbítero e bispo e foi ser Arcebispo de Milão, que hoje é a maior Arquidiocese em número de padres e uma das três maiores em número de fiéis. Ali, o Cardeal Carlos Borromeu desgastou a sua vida. Num tempo onde os padres nem sabiam rezar missa - que era a realidade anterior a Trento - São Carlos fundou seminários. Num tempo onde os Bispos nem viviam na sua diocese, ele viveu em Milão e realizou inúmeras visitas pastorais, sínodos provinciais e arquidiocesanos. Ele escreveu catecismos aos párocos e foi um homem preocupado com a pregação da Palavra. São Carlos, ainda, defendeu os direitos da Igreja frente os poderes temporais. Ele fez com que a Igreja passasse da contrarreforma protestante, onde apenas revidava o que diziam os protestantes, para uma verdadeira reforma católica. O fim de sua vida, foi o fim da vida de um Bom Pastor. Quando a peste chegou em Milão e fugiram os governantes e os ricos, o Cardeal ficou na cidade para organizar o cuidado com os empestados. São Carlos andava pela cidade com uma grande cruz, abençoando a todos, e lembrando-os de unirem seus sofrimentos ao de Cristo. Aos 46 anos, com peste, o Arcebispo e Cardeal Carlos Borromeu fez a sua Páscoa. 18 anos após sua morte, foi beatificado e 8 anos depois, foi canonizado. São Carlos Borromeu nos ensina a sensibilidade dos pastores: de rico fez-se servidor, sem precisar abandonar tudo e sendo um homem bem aos moldes do contexto de seu tempo, ele não se tornou hipócrita à Palavra de Deus, mas transformou-a em regra de vida e é para nós hoje exemplo e intercessor. São Carlos Borromeu, rogai phor nós.
terça-feira, 3 de outubro de 2023
03.10.23 | Abertura da Novena da Padroeira
Eminentíssimo Dom Fernando Cardeal Haddad, Arcebispo Metropolitano de Aparecida, em nome de quem saúdo os irmãos concelebrantes e os clérigos presentes, amados irmãos e irmãs. Estamos reunidos na abertura e primeiro dia da novena em honra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, celebrando a memória dos Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, Mateus Moreira e seus companheiros mártires de Cunhaú e Uruaçu. É belo iniciarmos a novena da Padroeira do Brasil com estes mártires, os primeiros mátires do Brasil. Se o Brasil logo de início foi chamado de Terra de Santa Cruz, estes homens e mulheres foram os primeiros a aqui derramarem seu sangue, como fez o nosso Divino Redentor na Santa Cruz. Quando os holandeses os martirizaram pela fé católica, eles resistiram bravamente na fé que haviam recebido. Diante disso, irmãos e irmãs, somos obrigados a questionar como anda o caminho da liberdade religiosa em nossa sociedade. Nós, católicos, fomos perseguidos desde o início do cristianismo e somos até os dias de hoje. Por um espaço de tempo, essa Igreja também tornou-se perseguidora, erro pelo qual a Igreja nunca cessa de pedir perdão. Não devemos nem perseguir e nem sermos perseguidos. Quando no Evangelho que ouvimos Jesus não é acolhido, Ele não se impõe e nem deixa os discípulos se imporem. Não é este o caminho de Jesus! Um dos grandes avanços do Concílio Vaticano II, com a Dignitatis Humanae, é justamente este diálogo inter-religioso, que reconhece a liberdade e o direito do outro em exercer a sua própria religião. Isso não nos impede de uma correta apologia, que não seja impositiva, nem amedrontadora. Fazer apologia em nossos dias, defender a fé em nossos dias, é muito mais apresentar a fé àqueles que não a conhecem, do que nos defender de heresias. Praticamente não existem novas heresias, mas temos a ignorância de tantos que ainda não conhecem a fé católica. Dar aos outros a fé católica, levá-los ao conhecimento da Igreja na qual subsiste a Igreja de Cristo, na linguagem da Lumen Gentium, é evangelizar e essa é também nossa missão como Igreja neste hotel. Iniciando a novena de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, celebramos também a padroeira do Habbo Hotel BR. Nossa Senhora sai das águas, sinal da morte, para simbolizar a vida e a vida do seu povo. É a imagem do batismo, onde mergulhados na morte de Cristo, ressurgimos para a vida em plenitude, para a liberdade de filhos e filhas de Deus. Maria, no Brasil, quer ser mãe de filhos e filhas livres. Filhos e filhas que sejam livres para prestá-la veneração, para exercer a fé, mas que também seja livres de toda espécie de maldade humana, de aprisionamento ou exclusão social, política, ou religiosa. Nossa Senhora aparece preta e nos ensina a defender todas as raças, línguas e nações. Nossa Senhora aparece grávida e nos ensina a defender a vida humana desde a concepção até a morte natural. Ela é "A Mulher" para nos ensinar a não fazer diferenças de gênero ou de orientação sexhual. Ela foi livre para escolher fazer a vontade do Senhor e quer ensinar também a seus filhos e filhas o caminho da liberdade. Assim seja! Amém.
domingo, 1 de outubro de 2023
01.10.23 | XXVI Domingo do Tempo Comum
Beatíssimo pai, Paulo V, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o vigésimo sexto Domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje nos coloca diante de 3 filhos: dois no Evangelho e um na segunda leitura. Os dois filhos da parábola do Evangelho não são perfeitos: um não tem coragem de enfrentar o pai e dizer que não quer ir à vinha; o outro, não aceita com prontidão o pedido do pai e só depois entende a importância do seu trabalho e vai para a vinha. A vinha não é de um patrão qualquer, a vinha é do seu pai. Aqueles filhos terão por herança a vinha. Israel, o povo de Deus, sente-se a vinha do Senhor. Mas, ainda assim, nem sempre o povo de Deus está disposto a fazer o que deve fazer como aqueles que receberão a herança do Senhor. É neste sentido que o Senhor, por meio do profeta Ezequiel corrige o povo de Deus que estava no exílio: a conduta correta é a conduta do Senhor. O exílio da Babilônia foi justamente consequência das alianças feitas entre os reis de Judá e de Israel com os povos pagãos, que desvirtuaram a cultura, a fé do povo de Deus. Nós, quando queremos seguir nossos caminhos, vamos para caminhos de ilusão, de perdição, caminhos que como constata a filosofia pós-moderna, tornam a sociedade um mundo líquido, que se esvai pelas nossas mãos. Aí nos deparamos com o terceiro filho, aquele que está na carta de São Paulo aos Filipenses na segunda leitura, e que o apóstolo nos convida a imitarmos e termos as mesmas atitudes: Jesus Cristo. Ele é o Filho obediente. Obediente até o extremo de oferecer a sua própria vida para cumprir a vontade do seu Pai, que é que o Reino aconteça e o povo seja salvo. Mas, não nos iludamos, irmãos e irmãs. Hoje este Filho obediente olha a nós, cristãos, como olhou aos religiosos de seu tempo e nos diz que os cobradores de impostos e as prostitutas nos precedem no Reino de Deus. Os cobradores de impostos eram os traidores do sangue. Eles traíram o povo de Deus para cobrar os impostos para o Império Romano. As prostitutas eram impuras e tornavam o povo impuro. Uma vez eu fiz um trabalho pastoral na casa de algumas travestis. A tristeza delas era que não se sentiam bem vindas nas igrejas. Mas, ao mesmo tempo elas me disseram que os homens dentro das igrejas que mais olhavam feio e julgavam elas eram os homens que pagavam seus serviços e as mulheres que mais torciam o nariz para a sua presença, as esposas deles. Os cobradores de impostos e as prostitutas hoje representam cada um que está fora da Igreja, mas que são homens e mulheres de boa vontade. São os homens e mulheres que não conhecem bem o Senhor, mas que ouvem a sua voz, estão dispostos a se converterem e começam a fazer o bem. Me lembro daquele Evangelho do Bom Samaritano, quando o sacerdote passa e não toca no homem ferido para não se tornar impuro... mal sabia o sacerdote que foi isso que o tornou impuro. Todos os batizados são sacerdotes pelo batismo e não podemos ser como os sacerdotes do tempo de Jesus, que vem, oferecem o culto e depois vão embora sem mudança de vida, sem conversão. A pessoa que reza, reza e reza e é uma desgraça na vida dos outros, não sabe fazer o bem, não é caridosa, é como o filho que diz que vai para a vinha e não vai. Rezar todo o dia "venha a nós o vosso Reino" é fácil, difícil é colaborar na construção desse Reino. E quando eu falo de caridade, não confundam com esmola, pois caridade é amor. Ser caridoso é olhar para todos com o mesmo olhar de Jesus. Eu penso que o Senhor olha para algumas orações nossas e pensa como profetizou Isaías: "estou farto dos vossos sacrifícios, o cheio do vosso incenso não me agrada, tenho nojo de vossas liturgias". Que nosso "sim" na oração torne-se "sim" também na vida de seguimento a Jesus Cristo no dia a dia ou, então, é como se hoje Jesus dissesse para nós: "aqueles que estão fora da Igreja vos precedem, porque vós, cristãos, fechastes o coração e não abraçastes o projeto de plantar o meu Reino, que é a vossa herança. Por isso, perdestes também esse Reino no céu".
quinta-feira, 20 de julho de 2023
20.07 - Missa Anglicana
Beatíssimo pai, papa Paulo, caríssimos irmãos e irmãs em Cristo, estamos celebrando esta liturgia segundo o uso anglicano. Este rito, que a Igreja anglicana guardou e desenvolveu por muito tempo, traz muitas características das liturgias mais antigas da Igreja, dos tempos onde cada diocese tinha seu missal. De fato, o rito na Igreja só foi unificado na maior parte das dioceses com o Concílio Tridentino, respeitando apenas aqueles ritos que já tinham mais de duzentos anos de existência. Mas, por uma infelicidade do destino, nossos irmãos anglicanos, a Igreja da Inglaterra, já tinha se separado por causa dos interesses de Henrique VIII. Ainda assim, muitos de nossos irmãos mesmo separados, manteram íntegra a fé apostólica, a tradição da Igreja e vieram persistindo numa fé íntegra. Eles guardaram a verdadeira Aliança na ortodoxia da fé. Por isso, chegando o pontificado de Bento XVI, foram acolhidos muitos anglicanos de volta ao seio da Igreja Romana, e manteram-se celebrando este formidável rito, com todas as suas comunidades. Isto, irmãos, manifesta para nós o grande objetivo da comunhão. Mesmo celebrando ritos diferentes, mantemos uma mesma comunhão no mesmo Corpo e mesmo Sangue do Senhor, que todos nós cremos.
domingo, 16 de julho de 2023
17.07.2023 - Divina Liturgia
Beatíssimo pai, Paulo V, estimados irmãos concelebrantes e demais que oficiam nesta celebração, amados irmãos e irmãs, estamos iniciando os festejos do décimo sétimo aniversário de nossa Igreja, que será celebrado com esta terceira semana litúrgica. Enquanto prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, tenho a grande honra de dar a abertura para esta nossa semana e para os festejos de nosso aniversário. Esta semana litúrgica tem um intuito: prosseguir com o desejo do Concílio de Jerusalém de estimular a variedade da liturgia. E, com isso, esperamos fomentar o gosto pela liturgia e a admiração pela beleza da celebração deste mistério de amor que é a Eucaristia, aumentando até mesmo a nossa percepção da beleza do próprio rito romano. Esta Divina Liturgia é o modo da maioria dos nossos irmãos orientais de celebrarem a Eucaristia. Percebamos que é um rito longo, cheio de orações e gestos muito próprios. É uma liturgia extremamente suplicante. E, por mais que nós rezemos em honra a São Pedro e São Paulo, permitam-me falar sobre o autor desta Divina Liturgia: São João Crisóstomo. Quando pensamos num liturgo como ele, corremos o risco de não entender a profundade de sua liturgia e da sua compreensão do mistério. Mas, certo dia, os fiéis ao chegarem para a Divina Liturgia que este santo iria presidir, se depararam com uma placa escrita que naquele dia não haveria Eucaristia, pois um dos irmãos da comunidade havia morrido de fome. São João Crisóstomo entende que a Eucaristia não é apenas um rito, a liturgia não é apenas um rito, mas deve ser um reflexo da nossa vida. Nesse sentido, se aquela comunidade deixou um irmão morrer de fome, como agora ela poderia se alimentar do Corpo de Cristo? Seria muita hipocrisia. Irmãos e irmãs, nossa preocupação com a liturgia deve, sim, ser grande. Mas, não podemos ser rubricistas. Devemos encarnar a liturgia na nossa vida e fazer da nossa vida uma liturgia de amor. Toda a vida de Cristo foi uma liturgia: desde a encarnação, passando pela Páscoa, até a ascensção, mas também cada cura, cada milagre, cada pregação, cada refeição. Assumirmos uma vida litúrgica é deixarmos que nossa vida se transforme pelo mistério que celebramos. Sim, mistério. Pois cada vez que aqui estamos o céu e a terra trocam seus dons e nós entramos no grande mistério do amor de um Deus que se comunica pela Palavra e pela Comunhão. É tão triste que em nossos tempos, liturgia vire motivo de tantas brigas. A liturgia simplesmente deve ser seguida com fidelidade e amor. Conhecer estes ritos que celebraremos nesta semana deve nos ajudar a perceber que nunca houve na Igreja uma única forma de celebrar Eucaristia, embora hoje alguns queiram afirmar a superioridade de uma liturgia com argumentos inválidos, esquecendo-se até mesmo do que Jesus disse no Evangelho que ouvimos: Pedro liga e desliga. Irmãos e irmãs, toda liturgia corre o risco de se tornar palavras ao vento quando não alcança o íntimo da pessoa humana. Que Deus não permita que celebremos uma liturgia vazia de sentido e de vida, que não nos deixe nos tornarmos escravos de uma ideologia litúrgica; mas, que nos introduza em seu mistério de amor e comunhão, transforme nossa mentalidade e nossas ações, nos conceda a graça de experimentar já na terra a liturgia celeste; e a nós, aqui no habbo, nos dê a graça de que por meio da liturgia, possamos evangelizar, pois - como me recordaram de uma frase dita por mim há três anos - que cada pessoa que nos veja celebrando, lembre-se que há um Deus e Ele está no meio de nós. Assim seja! Amém.
sábado, 24 de junho de 2023
24.06.2023 - Abertura da Clausura
Eminentíssimos pares, irmãos no colégio cardinalício, aos quais saúdo na pessoa de nosso decano, Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, com esta celebração eucarística iniciamos a nossa clausura, celebrando a Solenidade da natividade de São João Batista. Celebramos sua natividade pois esta é um grande milagre: sinal de que Deus se recordou do seu povo. João Batista representa essa passagem do Antigo para o Novo Testamento. Deus que outrora falou pelos profetas, fala também por João Batista, que não só diz sobre o Salvador, mas, também, o aponta e o batiza. João Batista não só prepara os caminhos para o Senhor, Ele próprio aponta o Senhor. Oxalá todos nós fôssemos mais como o Batista, apontando o Senhor. Que fôssemos mais como João Batista, o maior entre os nascidos de mulher, mas, que ainda assim, fez-se tão pequeno, viveu uma vida tão simples, sem nenhuma outra preocupação a não ser o projeto do Reino de Deus. Que fossemos mais como João Batista, ainda, em sua austeridade e em seu silêncio. Morando no deserto, na solidão, ele pode ouvir melhor a voz do Senhor que o orientava em sua missão. Devemos entender a clausura que iniciaremos, eminentíssimos irmãos, não apenas como um momento de nos privarmos das opiniões externas, do contato com outras fontes, para garantir o nosso sigilo. Mas, a clausura para nós deve significar mais: deve significar um verdadeiro retiro espiritual. Sim, irmãos, pois é muito salutar esse nosso costume de um retiro em preparação para a eleição daquele que vai nos liderar. Pois, não nos liderará apenas como homem, mas, como aquele sobre o qual o Espírito Santo de Deus é profusamente derramado. Por isso, este é o momento de nos retirarmos, nos silenciarmos, e permitirmos que o Pai, pelo seu Verbo Jesus, fale conosco no Espírito Santo que mora em nós e que só depende de nosso silênciamento para ser escutado.
domingo, 18 de junho de 2023
18.06.2023 - Discurso no encerramento do Pontificado de Antonio
Beatíssimo pai, Antônio,
Hoje nos reunimos como comunidade de fé para expressar nossa profunda gratidão por seu pontificado curto, mas marcante. Embora não tenha sido fácil ao senhor, valorizamos os simbolismos significativos e a atenção especial que vossa santidade dedicou aos leigos, a cada um dos filhos e filhas de Deus que buscaram seu apoio e orientação. Permita-me recordar as palavras do evangelista Mateus: "Vendo as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor" (Mt 9, 36). Essas palavras ressoaram profundamente em seu coração, Santo Padre, e seu pontificado foi moldado pelo amor compassivo que você manifestou por aqueles que mais precisam e normalmente são esquecidos por nós. Assim como Jesus chamou seus discípulos, você também nos convocou, Santo Padre, a assumir a missão de cuidar uns dos outros. Sua voz, santidade, ressoou como um chamado ao serviço e à solidariedade, recordando-nos que todos somos responsáveis pelo bem-estar e crescimento da família humana, especialmente pelos marginalizados, oprimidos e esquecidos. Tu nos lembraste que cada pessoa é um dom valioso para nossa evangelização virtual e que nossa tarefa é estender a mão e acolher a todos, sem exceção. E, retomo aquilo que lhe disse na noite de sua renúncia: quando Antônio pregou e os da cidade não o quiseram ouvir, ele pregou aos peixes. Quando tu pregaste e a hierarquia da Igreja não quis te ouvir, muito mais ressoou a tua Palavra ao coração daqueles mais afastados da vida da Igreja. Por ser Palavra de Deus, também ela não voltará sem antes em nós frutificar. Hoje, em profunda gratidão pelo seu pontificado, renovamos nosso compromisso de seguir seus ensinamentos e exemplos. Como discípulos de Cristo, seguiremos sua mensagem de amor e misericórdia, levando-a a todos os cantos da Terra. Que o próprio Deus, em sua infinita bondade, te abençoe, Santo Padre, em sua nova jornada. Que as sementes de amor e justiça, de caridade e de missionariedade que vossa santidade plantou continuem a florescer nos corações daqueles que tiveram o privilégio de serem tocados por seu ministério. Seu pontificado é um testemunho poderoso de que cada um de nós pode fazer a diferença, independentemente do tempo que nos é concedido. Reverentemente, obrigado, Papa Antônio.
sábado, 8 de abril de 2023
08.04.2023 - Vigília Pascal
Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia! Verdadeiramente ressuscitou, aleluia, aleluia! Amados irmãos concelebrantes, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a noite santa em que nosso Senhor Jesus Cristo, vencendo o pecado e a morte, ressurge vitorioso do sepulcro. Esta é a noite em que outrora Deus criou o mundo e o ser humano, e agora recriou no seu Cristo; é a noite em que nós fomos poupados da morte, como Isaac; é a noite em que nós fazemos a experiência de sermos libertos dos grilhões dos pecados como o antigo povo de Deus passa pelo mar na fuga do Egito e nós passamos pelo mar no Batismo; é a noite em que Deus que nos abandonara volta a acolhermo-nos; é a noite que nos aproximamos do banquete a nós preparado desde a eternidade; noite em que nos é dado conhecer o que agrada a Deus; noite em que é arrancado de nós o coração de pedra e é dado um novo coração de carne; noite do Batismo; noite de trevas que é rompida pela luz do Cristo Ressuscitado. Irmãos e irmãs, nós fomos criados para esta gloriosa noite, existimos para essa grandíssima noite e por causa desta santa noite. Não que o que aconteceu foi mais importante do que qualquer evento anterior: pela paixão e morte de Cristo o preço do nosso pecado foi pago, mas agora nós recebemos também a vida nova. Jesus Cristo ressuscita não para o tempo e a história, mas, para a glória, em corpo glorioso. Seu corpo glorioso, porém, deixa-se ser visto e até tocado. E qual é o convite do Ressuscitado? Alegrai-vos. Sim, irmãos e irmãs, enchamo-nos de alegria e partamos para este feliz anúncio da Ressurreição. Este anúncio não é uma repetição de um evento do passado, mas é a certeza de uma salvação que acontece no hoje de nossa história. Anunciar que os outros se dirijam a Galiléia, é anunciar a esperança, anunciar a paz, anunciar um novo tempo que é o tempo da chegada do Senhor. A Galiléia é onde tudo começou e para onde tudo culmina, para nós, ela é o próprio Cristo. Viver a Ressurreição hoje é um convite a não só olharmos para este grande mistério do amor, mas também sermos partícipes da vida nova e renovada em Cristo, renovando nosso Batismo, nosso compromisso, e o dom de Deus em nós. Complete-se, agora, a Páscoa em nós: passemos da morte para a vida em Deus. Sim, Ele verdadeiramente ressuscitou, aleluia, aleluia!
quinta-feira, 6 de abril de 2023
06.04.2023 - Missa Vespertina da Ceia do Senhor
Amados irmãos concelebrantes, estimado Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Bispo Titular desta Igreja de Palestrina, irmãos e irmãs, estamos reunidos na abertura do Tríduo Pascal. Este Tríduo não prepara a Páscoa do Senhor, ele é a própria Páscoa do Senhor. Lembremo-nos que Páscoa é passagem, e nós iniciamos esta passagem do Senhor que não é apenas da morte para a vida eterna, mas também da vida para a morte e depois desta para a vida, não mais a mesma vida, mas, a vida em plenitude. Quando lemos nesta tarde o livro do Êxodo, percebemos todo o simbolismo de uma ceia que era celebrada em sinais prefigurativos. De fato, o sangue daqueles cordeiros não agradava o Senhor. Àquela celebração era útil, sim, para que o povo não se esquecesse da aliança. Mas, sequer a aliança alcançara a plenitude. A aliança encontra sua plenitude no Cristo, que a institui nova e eterna no seu Corpo e Sangue, não mais como memória, mas como memorial. Parece-nos, aqui, que o Pai é um Deus sangrento que se agrada com os sacrifícios. Na verdade, essa visão antiga permanece no imaginário do povo de Israel, porém, o sacrifício verdadeiro é o sacríficio do coração, que transborda em serviço. Foi neste sentido que Jesus Cristo ofereceu-se em sacrifício: para nos servir. Seu serviço por nós foi a reconciliação com o Pai. Se a humanidade pecara pela desobediência, Cristo nos reconcilia fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Ele é o fiel que paga o preço das nossas infidelidades. E nós ouvimos, na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios a primeira narrativa da instituição da Eucaristia que é o derramamento do amor do Cristo. Ele sabia que estava no momento de plenificar a reconciliação da humanidade com o Pai, e institui, na Ceia, a Eucaristia como sinal permamente, como presença real e substancial, Dele próprio. Naquela Ceia, não mais o cordeiro era o prato principal da mesa, mas o próprio Cordeiro de Deus fez-se pão e vinho e deu-se em alimento aos doze e deu-lhes não só a Eucaristia, mas o mandato de fazerem o mesmo, ordenando-os epíscopos pela força de suas palavras. Por fim, Jesus manifesta este serviço ainda de um outro modo: pelo ato de lavar os pés. Na celebração pascal judaíca, o presidente da mesa tem as mãos lavadas, mas Jesus levanta-se e ele próprio lava os pés dos seus apóstolos. Ensina-os que o lugar de quem quer ser seu discípulo não é acima dos outros, mas é de joelhos, olhando nos olhos, servindo. Ele ensina-nos que em quaisquer relações humanas, deve estar presente o serviço, pois cada vez que fechamos os olhos e nos colocamos em posição de senhorio, esquecemo-nos do outro. E o outro é o que caminha conosco, o outro é o que se encontra longe de nós, o outro é aquele pelo qual também nós devemos desgastar a nossa vida. Nenhuma existência vale a pena quando vivida fora da perspectiva deste amor transbordante que se faz presença e serviço. Por isso, o próprio Jesus institui o mandamento do amor, que é maior e que supera todos os outros mandamentos: "amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado". Ele torna-se a medida do amor para que nós saibamos do que a nossa humanidade, reconciliada e pacificada no amor, é capaz de transbordar. Ele amou-nos até o extremo, transbordou-se até o fim. Estes gestos, agora repetiremos, mas eles devem tornar-se verdade no dia a dia de nossa vida, até o fim.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
09.02.2023 - Missa de Encerramento do Pontificado
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando esta sagrada Eucaristia em ação de graças por estes sete meses que estive a frente da Cátedra de São Pedro. Hoje, concluímos este caminho de pastor e rebanho que nos trouxe até aqui. Quero, já no início desta, agradecer a todos aqueles que comigo fizeram este pontificado, todos que trabalharam, se empenharam e comigo construíram este tempo que vivemos na Igreja: Deus vos recompense. Celebrando esta missa em honra de Santa Maria Madalena, que acabamos de declarar co-padroeira de nossa Igreja, uma palavra marca profundamente a liturgia: amor. Deus é aquele pelo qual anseia nossa alma; é aquele pelo qual todo ser humano anseia mesmo que não saiba, mesmo que não reconheça. Ele é o amor que completa e satisfaz tudo aquilo que nossa humanidade sente de incompletude em seu ser. E é assim que Ele nos renova e nos faz novos pela força de sua Páscoa redentora, onde manifesta-se toda a força do seu amor. Santa Maria Madalena faz esse encontro profundo com o seu amor, com o seu Divino Mestre, Ressuscitado e seu corpo manifestou o desejo da sua alma de ir ao encontro do Senhor. Irmãos e irmãs, a Igreja nunca pode deixar este mesmo espírito de ir ao encontro do seu Mestre. Devemos lançarmo-nos e abandonarmo-nos neste ímpeto tão vital para a Igreja que é o de atrair-se pelo amor de Cristo. Às vezes este tema parece-nos tão batido, mas é cada vez mais necessário. O amor de Cristo nos impele e a Igreja nunca pode esquecer-se disso. Se nós nos esquecermos deste amor, e não termos nele a nossa motivação, poderemos fazer muitas coisas aqui, mas não seremos Igreja. E que este amor de Cristo, por nós experimentado, renove todas as coisas: todas as estruturas eclesiais, todos os clérigos, todos que nos encontrarem. Voltemos ao que é essencial, ou seja, à devota celebração da Eucaristia, sobretudo aos domingos, aos momentos de encontro, de evangelização e de missão, à formação presbiteral, à amizade bonita e sincera, à comunhão, deixando para trás todo pensamento de constante crise, de negatividade e de preguiça. Este é o futuro da Igreja. Mas, não se esqueçam, meus irmãos e irmãs, meus filhos e filhas, que é o amor do Senhor Jesus e pelo Senhor Jesus que tudo fez, que tudo faz e que tudo fará. Assim seja! Amém.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
08.02.2023 - Discurso aos Cardeais no Consistório Extraordinário
Meus amados irmãos, querido colégio cardinalício, vamos, por fim, ao principal motivo para tê-los convocado nesta tarde: agradecer-vos. Mas, permitam-me, antes disso, falar um pouco de mim e dizer-vos algumas palavras do coração. Amanhã eu encerro este meu pontificado: o meu mais longo, o segundo mais longo da história da Igreja, concluindo sete meses. Não foi fácil. Unindo todos os meus oito pontificados eu pontifiquei durante 28 meses da minha vida: 2 anos e 4 meses. Não digo isso para me engrandecer, de modo algum, mas digo para ressaltar que sinto como Deus é misericordioso para comigo. Como eu disse naquele 09 de julho do ano passado, na sacada das bênçãos: "É belo como Deus nos escolhe apesar de nossas fraquezas e limitações.". Vocês que me conhecem, sabem o quanto levo a sério este ministério, o quanto levo a sério a missão desta Igreja. Sim, temos uma missão, que não podemos perder de vista: fazer com que Jesus Cristo seja conhecido e amado. Todo o restante deve ser consequência disto, tanto o fortalecimento e surgimento de vocações, como o grandioso vínculo das amizades. Ah, meus irmãos, e como eu sou grato a Igreja do Habbo por isso. Se hoje sou o que sou na realidade, é graças ao Habbo. Conversando com minha mãe, esses tempos atrás, eu dizia pra ela que as vezes sinto um certo arrependimento por ter gastado tanto tempo e tanto dinheiro aqui. Ela, então, me recordou a minha alegria em fazer parte desta Igreja, o quanto isso vai satisfazendo, mesmo que as misérias, o meu gosto pela Igreja. E, de fato, tudo que aprendi e que aplico na Igreja da realidade, devo muito ao Habbo, especialmente em matéria de liturgia, a qual dediquei todos estes meus anos aqui e que é minha grande paixão. Não sei se chegarei ao presbiterado na realidade, mas sei que a Igreja do Habbo me trouxe ensinamentos não só dentro da Igreja, mas, também, como pessoa. Aqui eu aprendi a lidar com as diferenças, com o não ser gostado, com a conciliação, com a liderança, enfim, com micro-situações que estão presentes no macro do nosso cotidiano real. E isso é maravilhoso! Além disso, há os amigos. Amizades que sei que levarei para a vida toda. Pode ser que eu não fale com essas pessoas para sempre, mas sei que elas estarão para sempre impregnadas no meu ser, sempre guardas no meu coração. Faço esse discurso não como uma despedida, pois não estou me despedindo, ainda. Devo aparecer bastante, mas penso em não fazê-lo mais com tanta frequência. Digo-vos isso tudo, a fim de animar-vos e para que animados, vós também possais animar os mais jovens. Foi tão triste, em alguns momentos, ver este colégio desanimado. Tudo o que foi, simbolizou e tudo o que significará Bento VI para a história da Igreja, seja postivo ou negativo, tem parte de todos os senhores. Por isso, não só comigo, mas com todos os que pontificarem, lembrem-se dessa corresponsabilidade tão necessária. Infelizmente alguns projetos não foram concluídos, sobretudo os sinodais. Peço, desde já, com humildade, ao meu sucessor, que coloque esses projetos para sairem do papel. Eu tenho um defeito muito grande: não gosto de cobrar as coisas e não gosto de punir. Não gosto de cobrar pois não sou babá e não gosto de punir porque não faz parte do meu feitio. Mas, ao meu sucessor, eu recomendo que seja mais firme com certas questões. O que ficou feito pela metade, agora já ficou, e eu espero que seja concluído, não por minha causa, mas por causa da Igreja. Eu penso que o futuro da Igreja é este: lidar com naturalidade com os momentos de alta e de baixa de clérigos, sem querer ficar inventando crise em tudo, num caminho de comunhão, de reconciliação e de missão. Este caminho é o caminho de uma Igreja que sabe quem é, sabe para onde quer ir, e tem os meios de fazê-lo, basta um passo depois do outro. Passos iniciais foram dados, agora é hora de prosseguir com a caminhada. Ao que nos guiará neste prosseguimento de caminhada, ao meu sucessor, o futuro Sucessor de Pedro, que provavelmente está entre vós, eu prometo desde já minha filial reverência, respeito e obediência. Contudo, se vossas eminências tem culpa no que não deu certo, também tendes culpa em todas as coisas boas que puderam ser feitas, pois foram feitas pelas vossas mãos. Eu busquei um ritmo mais constante, uma Igreja que soubesse lidar com a normalidade. E isso em muitos momentos foi bem possível e proveitoso, mas em outros momentos, algumas ações foram realidas. Pois bem, quero colegialmente lamentar convosco o que não concluímos e agradecer-vos por todos os vossos trabalhos, pelo vosso empenho, pelo vosso esforço, em estarem comigo na condução desta Igreja nos diversos organismos curiais, nos trabalhos administrativos e pastorais, por tudo que os senhores fizeram pela nossa Igreja ao longo destes sete meses. Muito, muito, muito obrigado, eminências.
Permitam-me encerrar com um agradecimento nominal:
Dom Joseph Cardeal Ravassi, obrigado pelas tuas correções, por ser um contra-peso a mim e me ajudar a ver as coisas de outro ângulo.
Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer, obrigado pelo teu trabalho com os seminaristas e os presbíteros, tão necessário e tão querido.
Dom Vito Alberti Cardeal Lavezzo, o senhor não queria que eu fosse eleito porque tinha medo dados nossos problemas passados, obrigado por aceitar retornar como ativo, pela tua proximidade e ajuda, sempre sendo o "policial ruim", como o senhor diz, quando eu não consigo.
Dom Raul Cardeal Gabriel, obrigado pelo teu trabalho sempre cheio de esmero com os Bispos, que os faz hoje entenderem melhor seu ministério.
Dom Giuseppe Maria Médici Cardeal Betori, obrigado por todo teu empenho canônico para conosco.
Dom Raul Alberti Cardeal Damasceno, obrigado pela tua doação alegre e generosa, na medida da sua possibilidade.
Dom Wesley Oliveira Médici Cardeal Ravassi, obrigado pelo teu esforço.
Dom Darllan Médici Cardeal Messias, obrigado pelo teu cuidado com as ordens, com os franciscanos, e recentemente com a unidade dos cristãos, possibilitando que a Igreja vislumbrasse um caminho distinto do habitual.
Dom Nadson Paixão Cardeal Médici, meu filho querido no episcopado, que vi crescer e amadurecer ao longo destes anos, obrigado por ter dado fruto onde quer que eu tenha te plantado, obrigado pelo teu carinho, pelas palavras de ânimo. Se fossem vocês os apóstolos, o senhor seria o meu João.
Dom Cristiano Cardeal Baptista, que tive a graça de elevá-lo ao cardinalato depois de tanto tempo, obrigado pelo teu trabalho em Aparecida, pelo tempo que foi meu Mestre das Celebrações, pelo teu trabalho sempre muito vivo.
Dom Francisco Cardeal Reis, meu diácono! Obrigado, eminência, porque quase nunca o senhor me deixou oferecer o sacrifício sem tua tão zelosa colaboração. O senhor vinha meio que vai e volta, mas, também, foram cinco anos só como diácono. Teu trabalho na nunciatura vem nos mostrado a profundidade do que é ser servo. Obrigado.
Por fim, quero agradecer a Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, meu decano. Obrigado por ser meu amigo, conselheiro e irmão. É difícil achar as palavras para descrevê-lo. Obrigado pelas noites onde ficamos até tarde conversando sobre situações da Igreja. Obrigado pelo teu sigilo, o que sei que é bem difícil. Obrigado por nunca ter me deixado desamparado. Obrigado por ter ido onde eu não queria ou não podia estar. Sem todos os irmãos, esse pontificado não teria sido o que foi. Mas, sem o senhor, eminência, este pontificado nem existiria há muitos meses. Obrigado pelo ânimo. Obrigado por ser meu irmão!
A todos os senhores, eminências, meu paternal e fraternal afeto, meu carinho, minha gratidão. Deus vos abençoe. E vamos pedir a bênção Dele.
Sit nomen Domini benedictum.
sábado, 4 de fevereiro de 2023
05.02.2023 - V Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o quinto Domingo do Tempo Comum, o dia da Ressurreição, o Dia do Senhor. Neste domingo, somos chamados a ser sal da terra e luz do mundo. Mas, o quê Jesus está querendo dizer com isso? No texto do Evangelho que acabamos de ouvir, Jesus diz que "se o sal perder o sabor...", "ninguém acende a luz e coloca debaixo de uma vasilha". Jesus está falando sobre a serventia do sal e sobre a serventia da luz. Ora, irmãos e irmãs, a grande pergunta aqui é: para que nós estamos servindo? Na primeira leitura, Isaías faz um grande apelo para que nos voltemos ao outro e que sirvamos ao outro, para que assim brilhe a nossa luz. Nossa luz não brilha por meio das bonitas palavras que podemos dizer, mas por meio de nossa atitude generosa de serviço. Serviço, aqui, que não é mero proseletismo. Qualquer um pode ir lá e fazer um discurso, fundar uma ONG, defender tal causa e tal causa, mas só quem ama verdadeiramente irá servir: dar do que tem para o que nada tem. Não é mero proseletismo, ainda, porque como diz São Paulo na segunda leitura, não devemos nos servir da eloquência nem da sabedoria humana para pregar o Evangelho, mas, antes do Espírito Santo, que é dom de amor, e que só age em quem é verdadeiramente capaz de experimentar a abertura ao outro concreto, que é o irmão, e ao outro transcendente, que é Deus. E vem ao encontro disto, no mesmo Evangelho de São Mateus que ouvimos, mas mais adiante, o discurso escatológico de Jesus: tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; esta doente, nu, prisioneiro... Logo, logo, começará a Campanha da Fraternidade que irá falar sobre a fome. Muitas de nossas Igrejas irão se encher de cartazes, o povo todo vai aprender a cantar o hino, mas corre-se o risco de nada mudar, nada. Poderemos falar do pobre, falar da fome, criticar governos e elaborarmos discursos sobre tantas e tantas situações, mas, na nossa casa, comida estraga na geladeira, no armário, e quando um pobre bate-nos a porta, já vamos logo dizendo que nada temos, sendo que estamos com nossos estoques transbordantes. Recentemente todos nós nos supreendemos com a situação das tribos Yanomani e eu me pergunto: onde estavam os cristãos que viam aquilo acontecer e nada fizeram? Onde estavam os católicos? E pra falar com ainda mais concretude: Onde estamos nós, que somos contrários ao aborto, quando temos que ajudar financeiramente instituições como orfanatos e quando vemos os pivetinhos correndo pela rua, todos sujos, mendigando uma moeda no semáforo e nós subimos o vidro do carro para dizer que nada temos? É claro que também temos nossos limites, por uma questão financeira também. Mas será que nunca podemos fazer nada? Viveremos sempre fechados no nosso mundinho ou vamos nos tornar sal da terra e luz do mundo, vamos servir um pouco para essa existência tantas vezes tão miserável para os que não encontraram o amor? Papa Francisco, neste sentido, está fazendo algo muito interessante: um Sumo Pontífice marca uma visita ecumênica, onde concomitantemente o Sudão do Sul, um país marcado pela guerra entre facções e a pobreza, recebe o papa católico, o arcebispo principal da Igreja anglicana e o lider da Igreja da Escócia. Eles foram ser o quê? Sal da terra e luz do mundo. Foram ter serventia. Foram mostrar o amor de Deus e num gesto concreto mostrar sua unidade, voltando os olhos do mundo todo para aquele povo sofredor. Deixemos para trás, irmãos e irmãs, uma fé meramente abstrata, descompromissada e assumamos a concretude da nossa fé, como Cristo assumiu a concretude da nossa humanidade, na encarnação, paixão, morte e ressurreição, aí teremos serventia e os outros se atrairão a Jesus Cristo não por pregações, mesmo que belas, mas por gestos salvíficos, como os do Senhor, que lava os pés e morre na Cruz para nos dar amor e ensinar a amar. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
02.02.2023 - Festa da Apresentação do Senhor
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando neste dia a Festa da Apresentação do Senhor, dia dedicado também aos membros dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, ou seja, nossos irmãos e irmãs religiosos e religiosas. Esta festa de hoje ainda está em profunda relação com o Natal e se coloca no quadragésimo dia após a chegada do Salvador. A mensagem desta festa é muito clara: chegou a plenitude dos tempos e veio a luz. No velho Simeão e em Ana, presentes no Templo naquele dia, estão representados todos aqueles que esperaram o Senhor e que agora viam consumadas as suas esperanças. O Antigo Testamento preparou e esperou, a filosofia, a sociedade, os costumes, a política; tudo foi se preparando para aquele momento em que a nossa humanidade recebeu a presença de Deus. E agora, em Jesus, isso se cumpre. Todas as promessas, todas as profecias a respeito dele vão se cumprindo ao longo de sua vida. É a inauguração de um novo tempo, de modo que aqueles que viveram a expectativa podiam alcançar agora a liberdade, a salvação. E nós, que tanto tempo depois também vivemos cheios de esperança pela consumação do tempo do Senhor em nossas vidas, não podemos perder essa esperança e um dia diremos como Simeão: pois agora meus olhos viram a vossa salvação. Mas é como é difícil ver a salvação no meio deste mundo de trevas? Jesus vem ser luz. Jesus vem para salvar, mas sua salvação também é luz no meio do seu povo, pois é já transformadora. Diante das trevas de um mundo que se afastou de Deus, mas, ainda mais, diante das trevas do nosso coração quando se afasta de Deus, nós somos convidados a deixar que Cristo seja a luz. E como Jesus será a luz? Ele será luz quando sua Palavra iluminar a nossa existência. Quando isso acontece, conseguimos viver em equilíbrio com as divergências, com as dificuldades, porque tudo vai se enchendo de sentido. Talvez, hoje, uma das nossas maiores dificuldades para viver uma vida feliz, seja a falta de sentido, de entender o sentido das coisas. Quando Cristo ilumina as realidades, nelas se encontra sentido, mesmo no sofrimento. Vamos deixar que Cristo impregne o nosso ser com a sua suavidade, ilumine para nós quem somos, as situações da vida e o mundo onde estamos, para que possamos ver com clareza a Sua presença, os caminhos que devemos correr e como sermos, também nós, iluminadores no meio das trevas. Sim, iluminadores, pois mesmo a luz que é Jesus Cristo precisou chegar a nós por meio de outra luz, que hoje também é recordada em feliz memória: Maria Santíssima. Ela é ofuscada pela luz de Cristo, pois na verdade, nela resplandece como que num espelho a luz de seu Filho. Que Ela nos dê a graça de também irradiarmos a luz de Cristo, de acordo com nossos carismas e especificidades, para que a todos chegue está luz sem a qual o ser humano sempre caminhará na escuridão, sem a qual sempre estaremos perdidos, pois só nele encontramos o que sempre esperamos e sempre procuramos. Assim seja! Amém.
terça-feira, 31 de janeiro de 2023
31.01.2023 - Renúncia a Cátedra Petrina
Amados irmãos e filhos, quero, encerrando este momento de encontro, realizado para satisfazermos o que nos manda a Constituição Apostólica Domus Bethania, agradecer vossas presenças, exposições e sobretudo o vosso empenho nos vossos ofícios, bem como exortá-los a continuarem com fidelidade desempenhando a função que vos foi confiada. Para mim, sempre é belo quando os diversos organismos da Igreja funcionam em harmonia, não só como um mero mecanismo, mas, como um corpo. Sim, irmãos, somos o Corpo de Cristo. Em nossas veias deve correr sempre o sangue bombeado diretamente do Sagrado Coração de Jesus, que é o seu santíssimo Sangue que lava e purifica. Por isso, todas as vezes que celebramos a Eucaristia e vivenciamos o nosso sacerdócio batismal, somos animados e enviados para as atividades cotidianas, e é graças a Cristo, graças a esse sangue Redentor, que a Igreja continua sua divina missão. Para realizarmos essa missão é necessário ânimo e forças. No Senhor Jesus Crucificado, Morto e Ressuscitado, encontramos esse ânimo e essa força tão necessários ao nosso ministério apostólico. Eu, particularmente posso dizer, que sempre que recorro a estes divinos ofícios, nunca fico desamparado. Porém, com o passar dos tempos, venho percebido e sentido em mim que, como instrumento nas mãos do Senhor, chegou o momento de realizar outras obras, para as quais estarei mais apto, sempre para cumprir a vontade do meu Divino Redentor que quer consumar em mim a sua Divina Vontade. Por isso, bem consciente da gravidade do meu ato, RENUNCIO a cátedra petrina, a cátedra da diocese de Roma, a representação do sucessor de Pedro e legítimo sucessor de Gregório XVII, confiada a mim pelo colégio cardinalício aos nove de julho de dois mil e vinte e dois, de modo que a Sé de Roma estará vacante aos nove dias do mês de fevereiro do corrente Ano do Senhor de dois mil e vinte e três, às dezessete horas e um conclave deverá ser convocado pelas autoridades competentes. Quanto a mim, considero que chegou o momento de me retirar para, por meio da vida de oração, dedicar-me de outro modo a grandiosa obra que Deus confiou à sua Igreja, com o título de bispo emérito de Roma. Teremos a oportunidade de nos encontrarmos em outros momentos, mas quero já agradecer-vos pelo vosso empenho, ajuda, amizade e o espírito de unidade ao longo desses quase sete meses de pontificado, que se completará no dia nove. Sem cada um dos organismos vivos desta Igreja, nada teria sido possível e nada teria acontecido. Sei que tudo que fizeram foi por Cristo e não por mim, mas como instrumento de Cristo, e, portanto, vosso pai e pastor, quero agradece-los pelo vosso dócil ministério. Em vossos nomes, agradeço todos os que fizeram parte da minha vida e história. Não cessarei nunca de louvar a Deus por esta Igreja onde minha vocação e pessoa amadureceram, onde todas amizades foram construídas e sempre direi a todos os que me perguntarem o como é gratificante fazer parte desta Igreja. Ao Senhor Jesus, que nos faz Igreja, seu Corpo místico, louvor e glória neste dia e no dia sem fim na Igreja celeste. Assim seja! Amém.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
30.01.2023 - Dedicação do Altar da Capela Mater Ecclesiae
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos celebrando a dedicação deste altar a Deus. A primeira leitura que ouvimos fala-nos sobre a festa da dedicação do altar do templo de Jerusalém, que outrora havia sido profanado. A dedicação mostra a alegria do povo em poder novamente oferecer ali, a Deus os seus holocaustos. Porém, estes holocaustos, estes sacrifícios de animais ali oferecidos eram apenas imagem, figura do verdadeiro sacrifício de Cristo. De fato, quando chegou a plenitude dos tempos, o próprio Filho, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, entregou-se a morte para nos reconciliar com Deus e fez-se ele próprio o sacrifício: sacerdote, altar e cordeiro. Aqueles sacrifícios de animais, que não agradavam totalmente ao Senhor, são substituídos por um único e verdadeiro sacrifício: o de Cristo Jesus. Ele, na véspera da sua paixão, instituiu este sacrifício liturgicamente como Ceia e no dia santo em que consumou este sacrifício, transformou a cruz em altar, derramando seu próprio sangue e fazendo-se vítima, como um cordeiro levado ao matadouro. Com sua morte, Ele venceu a morte; com sua ressurreição gloriosa, Ele garantiu-nos a vida: ó grande e incomparável mistério que se celebra sobre os altares de todo mundo cada vez que celebramos a Eucaristia. Nós, aqui no Habbo, fazemos memória deste mistério, mas, na realidade, este mistério de amor é presentificado sobre a mesa e somos partícipes do mesmo Corpo e Sangue do Senhor, nos sinais do pão e do vinho que comungamos, como nos recordou São Paulo na primeira carta aos coríntios. Deste modo, o altar passa a ocupar um lugar central na vida do cristão: é o lugar da renovação da aliança, da presentificação do mistério Pascal, mistério da vida, mistério da fé e do amor, mistério da Salvação do mundo. Dentre tudo que temos dentro da igreja, nenhum lugar, nem mesmo o sacrário, é mais importante do que o altar, já nos recordava Pio XII. Sem o altar e sem o sacrifício, a oferta oferecida sobre o altar pelo próprio Deus, a igreja, o templo físico não teria sentido algum. É a mesa do altar, a mesa do banquete Divino e celeste no meio do seu povo, o centro de toda celebração e vida da Igreja, que tem como fonte e ápice a celebração da Eucaristia. Mesmo assim, irmãos e irmãs, a nossa participação nesta comunhão do altar pode não gerar em nós os devidos frutos, pois muitas vezes nós nos aproximamos do altar para a comunhão com Cristo, mas sem antes fazermos comunhão com os irmãos. Estas duas comunhões, porém, são indivisíveis. Por isso, o Senhor nos manda reconciliarmo-nos com os irmãos. De fato, quando estamos em paz, a Eucaristia gera em nós frutos abundantes de salvação. Não nos aproximemos, nunca, desta mesa, desta ceia, deste altar, desta comunhão, como se nada fosse, pois "todas as vezes que comemos deste pão, e todas as vezes que bebemos deste vinho, se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta". Assim seja! Amém.
domingo, 29 de janeiro de 2023
29.01.2023 - IV Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos, estamos reunidos neste quarto Domingo do Tempo Comum, o dia do Senhor, e juntos celebramos a Eucaristia. O profeta Sofonias, na primeira leitura que ouvimos, conclama-nos a seguir os preceitos do Senhor. Mas, quais são os preceitos do Senhor? São os mandamentos, apenas? Não. Os preceitos do Senhor estão para além dos mandamentos. Digamos que os mandamentos são o mínimo. E que esforçoso é fazer o mínimo, hein? É neste sentido que Jesus profere o sermão da montanha, do qual um trecho ouvimos no Evangelho de hoje e que é algo muito próprio da narrativa de São Mateus. Jesus coloca diante de nós o "o que mais" devemos fazer e ser. Somos chamados a sermos "bem-aventurados", "felizes", mas com bem-aventuranças que contradizem tudo aquilo que nós temos por felicidade. Mas, não há outro caminho que nos satisfaça completamente senão este: sermos pobres em espírito, aflitos, mansos, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz, perseguidos, com fome e sede de justiça, injuriados e perseguidos. E podemos até nos questionar como seremos felizes com tudo isso e quem nos responde é São Paulo na segunda leitura: "Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante". Que Deus nos conforme as bem-aventuranças para podermos alcançar a vida Nele. Assim seja! Amém.
domingo, 22 de janeiro de 2023
22.01.2023 - III Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do Tempo Comum, instituído pelo Santo Padre Francisco, como domingo da Palavra de Deus e iniciamos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A liturgia deste domingo nos apresenta o Senhor Jesus, que logo após a morte de João Batista, sai de Jerusalém e vai para Cafarnaum, para a Galiléia dos pagões. Jesus sai do centro da fé e vai para a periferia social e existencial, onde sua Palavra poderia ser acolhida. Não dá, irmãos e irmãs, para acolher a Palavra de Deus, com "P" maiúsculo, quando já estamos crentes na nossa própria palavra, com "p" minúsculo. Em Jerusalém, Jesus não foi bem acolhido, pois os crentes já tinham uma palavra estática, que não permitia movimento, mudança, e que, portanto, permaneceu fechada à Revelação do Senhor. A Palavra de Deus não é estática; é dinâmica; foi proferida por Deus para ser fonte de vida, de renovação. Tanto que, qual é o anúncio feito por Jesus chegando em Cafarnaum? "Convertei-vos e crede no Evangelho.". Jesus chama à mudança de vida. Jesus chama o povo a sair das trevas, para ir para a luz, cumpre o que profetizou Isaías na primeira leitura. E ele é a grande luz para a qual todos nós caminhamos pressurosos. É a partir deste primeiro anúncio de Jesus que Ele vai chamar os apóstolos, para que também eles repitam este convite ao amor, para que sua mensagem se perpetuasse na história, através dos tempos. Quando envia os discípulos, Ele os envia para anunciar o Evangelho e batizar. Por isso, a vida do anúncio não pode se distanciar da vida dos sacramentos e nem vice-versa. Não vale nada nossos rituais, se não temos uma atitude evangelizadora. Do mesmo modo só pregar e não viver os sacramentos é mero proseletismo de um ideal, e não amor por uma pessoa, uma pessoa, Jesus Cristo, que vivemos e experimentamos nos sacramentos e na Palavra. Além disso, um último aspecto vale a pena ser ressaltado deste Evangelho: depois de chamar os discípulos para segui-lo, Jesus continua indo pelas sinagogas e curando. Ou seja, irmãos e irmãs, a formação dos apóstolos, a formação dos seguidores de Jesus é por meio da Palavra de Deus; acontece na sinagoga. O culto sinagogal, diferente do culto do Templo de Jerusalém, não girava entorno dos altares dos sacrifícios, mas, unicamente da mesa e dos rolos da Palavra de Deus. É neste ambiente que Jesus forma os seus. Irmãos e irmãs, devemos fazer uma experiência com a Palavra de Deus para nos convertermos e seguirmos os caminhos do Senhor, em toda a força do seu dinamismo. Então seremos capazes de viver a unidade a qual São Paulo interpelou a comunidade de Corínto. Unidade, esta, que devemos promover com os irmãos e irmãs separados, mas, unidade também entre nós e unidade com Cristo. Não basta, porém, que tenhamos uma experiência com a Palavra de Deus, que nos convertamos, que vivamos na unidade, é então preciso dar um passo além: é preciso nos tornarmos anunciadores da Palavra de Deus. Mas, sermos anunciadores da Palavra, nem sempre é falarmos. Uma tradição franciscana diz que certo dia o santo de Assis saiu com um dos seus freis para pregar o Evangelho; e eles caminharam por toda a cidade e voltaram para sua casa. Ao retornar, o frei pergunta ao santo porque eles não falaram nada, se saíram para pregar. São Francisco o respondeu: "Anuncie o Evangelho a todo o tempo, se necessário use palavras.". Irmãos e irmãs, nossa vida pode ser o único Evangelho, a unica fonte da Palavra de Deus que os outros lerão. E mais importante do que falarmos, é o nosso testemunho vivo que chama e conclama para Cristo. Como já dizia Bento XVI: "A Igreja cresce por atração e não por proseletismo.". Nos esforcemos, portanto, para sermos boca de Deus, vivenciadores e anunciadores de sua Palavra, que transforma e salva, pois para isso fomos chamados. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
20.01.2023 - Encerramento do Congresso Sacerdotal e Solenidade de São Sebastião
Amados irmãos e irmãs, os quais saúdo no nome de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, que foi o presidente deste Congresso Internacional dos Sacerdotes, que estamos encerrando, e de Dom Francisco Assis, Bispo Diocesano de São Sebastião do Rio de Janeiro. Celebramos, hoje, a memória, e aqui elevada ao grau de solenidade, deste popular santo da Igreja: São Sebastião. Ressaltemos aqui a figura sacerdotal de São Sebastião. Mesmo sendo considerado diácono, o mártir Sebastião exerceu o seu sacerdócio batismal quando ofereceu a sua própria vida ao martírio. Nós conhecemos a história, e sabemos que este mártir, soldado do Império, poderia ter negado a fé e nada o teria acontecido. Por outro lado, Sebastião confirma sua fé em Jesus Cristo e oferece sua vida junto de Jesus, derramando seu próprio sangue. Oferecer a vida, derramar o sangue; são gestos tão próprios do Jesus Sacerdote, mas que os mártires imitaram e que nós também somos convidados a imitar em cada dia de nossas vidas. Quando celebra a Ceia, Jesus diz: "isto é o meu corpo, oferecido, entregue, por vós"; "isto é o meu sangue derramado por vós". São gestos simbólicos, mas que resumiram uma entrega toda real do Senhor Crucificado, Morto e Ressuscitado, mas, não só isso, resumiram toda a vida doada de Jesus para realizar o projeto de amor do Pai todo-poderoso. Aqui um questionamento deveria arder em nosso coração: estou doando a minha vida para realizar o projeto de amor do Pai? Poderíamos até pensar que se doar e se desgastar neste nosso apostolado virtual é inútil. Mas, não é. Se não aprendemos, aqui, a sermos fiéis nas pequenas coisas, não seremos nas coisas maiores que Deus quer nos confiar fora daqui. Estamos numa grande escola de fé, de fidelidade, de doação. Claro que tudo isso não pode desconsiderar todas as realidades exteriores a ressa realidade virtual: nossa vida, família, amigos, trabalho, e atividades na Igreja na realidade. Ainda assim, é possível sacrificar-se para estar aqui tanto quanto possível. Se não fizermos esse sacrifício, o nosso sacerdócio é fajuto: nada oferecemos, nada sacrificamos, nenhum sangue derramamos; e aí, irmão queridos, não vale a pena estarmos aqui. Não podemos nunca perder de mente que esse sacrifício, que esse "estarmos aqui" deve, sim, ser prazeroso. Não pode ser um fardo suportado com dor, e se for assim é melhor deixarmos o ministério. Tem que ser bom para nós, tem que nos trazer alegria, amizades, uma estranha satisfação de quem sabe que não está perdendo tempo, mas que está gastando seu tempo em algo que lhe alegra o coração, que estranhamente lhe satisfaz. Olhemos ao exemplo de São Sebastião e aos de tantos mártires, de tantos pastores, de tantos santos e santas, e imitemos deles a satisfação, a alegria, o amor em fazerem-se sacrifício e oferta nas mãos do Senhor, na certeza de que Ele, Sumo e Eterno Sacerdote, nos faz sacerdotes para podermos oferecer a Deus a nossa própria vida como Dom de amor. Assim seja! Amém.
sábado, 14 de janeiro de 2023
15.01.2023 - II Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando neste domingo, o segundo domingo do Tempo Comum. Celebramos, com esta primeira parte do Tempo Comum, a vida pública de Jesus. No domingo passado, Festa do Batismo do Senhor, nós ouvimos o primeiro canto do servo sofredor. Hoje, ouvimos o segundo canto do servo, na primeira leitura do livro do profeta Isaías. A Igreja interpreta o servo como o próprio Jesus. O servo reconhece sua missão: unir Israel, unir a terra prometida, Jacó e Israel num só povo. Mas, entende que isso não se fará pela guerra,mas, sendo luz das nações. Luz não só para Jacó e Israel, mas, luz para as nações. Esta é a missão dada pelo Pai, que Jesus aceita e cumpre com prazer: se tornar luz para as nações. Jesus é, assim, o caminho a ser seguido. Não é uma luz que ilumina outra coisa, de modo contrário, ele é a luz que atrai tudo para si: todos os povos, todas as nações, todas as pessoas. Por isso, São Paulo a se dirigir a comunidade de Corínto não tem medo de os interpelar a serem santos junto com aqueles que em qualquer lugar invocam o nome de Jesus. Independente do lugar em que estejam, todo homem e mulher é chamado a reconhecer Jesus e o seguir. João Batista, no Evangelho que ouvimos, reconhece Jesus e o aponta para os seus: é a Jesus que devem seguir. Seguir a Jesus é seguir o filho de Deus, o que batiza com o Espírito Santo, o manifestado a Israel. Mas, seguir Jesus também é seguir o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Seguir Jesus é seguir os caminhos daquele que aceitou oferecer-se como vítima inocente pelos nossos pecados. Iniciando este Tempo Comum, somos chamados a seguir Jesus. Nosso seguimento, porém, não pode ser um seguimento distante, que assiste os eventos a distância. Pelo contrário: somos chamados a adentrar na própria vida de Jesus. É assim que seremos batizados por Jesus com o Espírito Santo; mas, não sem antes, sermos sacrificados com Ele. Sermos cristãos é estarmos dispostos a reviver todo esse ciclo da vida de Jesus na liturgia, mas, não só nela, e sim, sobretudo, na nossa própria vida. Assim seja! Amém.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2023
09.01.2023 - Seis meses do pontificado
Meus amados irmãos e irmãs, que alegria tê-los celebrando comigo neste dia em que completo seis meses de Sumo Pontíficado, desde a minha eleição como Bispo de Roma naquele 09 de julho do Ano Sacerdotal de dois mil e vinte e dois. Neste dia, com estas leituras, tenho ainda mais consciência de que não são os meus méritos, mas a misericórdia de Deus que me colocou neste sagrado ofício. Na primeira leitura, ouvimos a unção de Davi. Samuel achava que Deus escolheria como rei de Israel um dos fortes filhos de Jessé, um dos robustos, de grande força física. Mas, o Senhor escolheu a Davi. Escolheu a Davi subvertendo os pensamentos do mundo e mandou que Samuel o ungisse com seu óleo. E é belo quando o texto bíblico diz que a partir da unção, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. Este espírito já era, na verdade, o Espírito Santo, que conduziria Davi. Sabemos que a marca de Davi é de ter sido um rei justo, que, por mais que tivesse pecado, se arrependeu e voltou aos caminhos do Senhor. Encontro neste texto bíblico a profunda misericórdia do Senhor. E ainda mais misericordioso foi o Senhor Jesus com São Pedro, no Evangelho que escutamos. O Senhor pergunta a Pedro três vezes se o amava. Mas, nas primeiras duas vezes, Jesus perguntava se Pedro o amava com um amor ágape e o apóstolo só consegue responder com um amor fileo. Jesus perguntava se Pedro o amava com um amor sacrifical, divino e Pedro respondia com um amor de amigo. Então, Jesus, em seu divino mistério de amor deixa de usar o amor ágape e pergunta se Pedro o amava, pela terceira vez, mas, desta vez, com um amor fileo. Pedro se entristece pois sente que Jesus o amava menos agora. Mas, na verdade, Jesus havia descido ao nível que Pedro conseguia amar para dizer que o amor que conseguimos ter por ele é o suficiente para ele. Amar a Deus é um dom que Ele nos concede. Podemos começar amando pouco, e Ele quem fará crescer em nós o amor por Ele. É como diz aquela frase atribuída a São Francisco de Assis: "Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.". Peço perdão, pelas vezes que não fiz nem o necessário. Escolhido pela misericórdia de Deus, reconheço as tantas vezes que ao longo desses seis meses não fui capaz de corresponder aos anseios da Igreja e aos anseios de cada um e de cada uma de vocês. Se grande é minha miséria, me coloco como barro nas mãos do oleiro para permitir que o Senhor me molde e me forme, me transforme. Irmãos e irmãs, peçamos a Deus a graça de reconhecermos a sua misericórdia em sua vida; de entrarmos em seu projeto de amor; e mesmo que sejamos instrumentos frágeis, simples, incapazes, permitamos que Ele haja através de nós para realizar o seu plano de salvação, de paz, de vida e de amor. Assim seja! Amém.
domingo, 8 de janeiro de 2023
08.01.2023 - Festa do Batismo do Senhor
Amados irmãos e irmãs, após termos celebrado a Solenidade da Epifania do Senhor, sua manifestação, celebramos neste domingo uma outra manifestação com a Festa do Batismo do Senhor. Se na Epifania o Senhor se manifesta por meio dos magos, e mostra-se como o Deus Salvador de todas as nações, dos judeus e dos pagãos, com o Batismo de Jesus, é toda a Santíssima Trindade que manifesta-se: o Espírito vem em forma de pomba e o Pai fala apontando Jesus como o Filho amado. Assim, Jesus que não precisava receber o Batismo, o recebe justamente para confirmar a missão de João Batista, indicar o caminho de conversão, e prefigurar o novo Batismo que viria. O batismo de João Batista é um batismo de conversão. A partir da morte de Jesus, quando a água sair do seu lado aberto pela lança com o sangue, e de sua Ressurreição, o Batismo adotará um caráter sacramental, marcando nossas vidas com um caráter indelével e tornando-nos filhos e filhas de Deus. No Batismo de Jesus, além de todo o simbolismo da manifestação, está também a abertura do caminho para o nosso Batismo. O Batismo Dele iniciou a sua missão profética: foi das águas batismais que Jesus saiu em missão, anunciando o Evangelho para todas as regiões desde a Judeia até a Galileia; o nosso Batismo inicia também uma missão profética. Pelo Batismo nós nos tornamos sacerdotes, profetas e reis; sacerdotizas, profetizas e rainhas; pois somos configurados ao próprio Cristo. Por isto, que esta Festa de hoje reavive em nós a chama do Batismo, para que, assumindo a nossa missão batismal nós possamos manifestar a todo o mundo o amor de Deus que se encarnou em Jesus Cristo, nos salvou e nos fez povo de Deus. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
06.01.2023 - Solenidade da Epifania do Senhor
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando esta que é a quarta mais importante solenidade do Ano Litúrgico: a Epifania do Senhor. Celebramos este dia da primeira manifestação do Senhor Jesus Cristo, ainda no presépio, ainda um bebê. A segunda manifestação é o Batismo e a terceira é o primeiro sinal nas Bodas de Caná. Esta primeira manifestação dá-se por meio da visita daqueles três magos vindos do oriente, que vêm para adorar o Senhor, conforme ouvimos no relato do Evangelho de São Mateus. Estes três homens simbolizam todos os pagãos que reconhecem Jesus Cristo como Deus e Senhor. A tradição afirma que um dos homens é asíatico, um europeu e um africano, e eles representam toda a humanidade conhecida. Deus se manifesta aos diferentes povos. Os magos são homens bem diferentes dos judeus: são estudantes das estrelas, não crentes no Deus único, mas também a eles estava destinada a salvação. Na antiga aliança, Deus tomava o povo de Israel por seu povo e era o seu Deus. Agora, porém, todos se tornam filhos e filhas de Jerusalém e toda a humanidade se reúne como povo de Deus, como já profetizara Isaías na primeira leitura; e os pagãos foram associados ao Corpo de Cristo, como nos recordou São Paulo na segunda leitura. E àqueles magos vão até Belém e o que fazem? Alegram-se; adoram; e oferecem. O encontro com o Senhor nunca pode ser um encontro triste, mesmo que não estejamos bem, a presença do Senhor deve trazer paz ao nosso coração, deve nos alegrar. A alegria pelo encontro com o Senhor é marca da vida do cristão. Depois, é preciso adorar. Adorar é contemplar o mistério. Por fim, oferecemos a Deus o que temos e somos. Não importa ao Senhor se vamos oferecê-lo ouro, incenso e mirra. Importa ao Senhor que nós nos ofereçamos. Mesmo que só tenhamos pecado e miséria, quase nada de amor, ofereçamos tudo isso ao Senhor. Contemplemos alegres o seu mistério de amor e nos coloquemos em adoração, e mesmo o pouco que temos para oferecer irá agradá-lo. O Senhor não se importa de onde viemos e o que trazemos, Ele quer que estejamos com Ele e Nele, para sermos uma manifestação viva de sua graça, seu amor e sua misericórdia. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
05.01.2023 - Missa Exequial do Papa Emérito Gregório XVII
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos celebrando a Missa Exequial na qual nos despedimos do nosso Papa Emérito Gregório XVII, fundador da Igreja Católica no Habbo Hotel. Quando ele e seus companheiros fundaram este nosso apostolado virtual, não sabiam até onde essa Igreja iria em sua missão: e hoje estamos aqui, quase dezessete anos depois, com o mesmo ardor e o mesmo espírito. Todos sabemos quais foram os caminhos seguidos pelo nosso fundador, de modo que esse momento de nos despedirmos oficialmente dele era inevitável. Em 2020, ele mesmo declarou que aquela seria sua última visita a Igreja. Chegado o momento oportuno, despedimo-nos oficialmente daquele que foi o primeiro homem a simbolizar o sucessor de São Pedro e que fundou esta Igreja da qual fazemos parte. Dela, diversas outras Igrejas se separaram, mas, todas saíram daqui, da cátedra de Gregório XVII, que a Divina providência quis confiar-me. Alguns costumes em nosso meio religioso dizem que só se prova uma ordem religiosa com a morte de seu fundador. Gregório deixou a Igreja em 2010 e num momento muito difícil a nossa Igreja passou por muitas dificuldades até que o seu primeiro sucessor fosse eleito, após quase um ano de interregno da Cátedra. Assim, a obra prosperou graças a ação do Espírito Santo. E nós estamos aqui reunidos para louvar e agradecer a Deus pelo dom da Igreja no Habbo Hotel, mas, também pelo dom deste primeiro Sumo Pontífice, do qual nos despedimos, com emoção e saudade. Agora o confiamos ao Senhor, para que Gregório entre nas verdes pastajens as quais nos cantou o salmo 22 e receba àquela alegria que profetizou Isaías na primeira leitura. A liturgia da Palavra que acabamos de ouvir nos ressalta a importância da fé para a nossa salvação. E nossa fé não é uma fé em algo abstrato: é a fé numa pessoa, em Jesus Cristo, e Jesus Ressuscitado! Ele é o vencedor da morte e dos infernos; àquele que derrotou o antigo inimigo, que nos reconciliou eternamente com o Pai e garantiu à nossa humanidade fazer parte do convívio de Deus na eternidade. E benditos somos nós, como afirma São Pedro, que sem termos visto o Senhor Ressuscitado, Nele acreditamos e esperamos. Esta mesma fé no Senhor teve o bom ladrão, com Ele crucificado, que conquistou um lugar Paraíso naquele instante que ouvimos narrado no Evangelho de São Lucas. Ali percebemos a ação de um Deus que não cansa de nos amar, de nos perdoar, pois nos quer todos com Ele. A nós, só basta darmos a abertura para Deus por meio da fé e tudo em nós Ele pode transformar. Por fim, a fé é também um ato de confiança, é um lançar-se. Não é um lançar-se no escuro: pois conhecemos a Deus. Ter fé é lançar-se nos braços do Pai todo-poderoso, como o Filho Jesus, que entrega ao Pai o seu espírito no ultimo momento de sua vida, consumando a confiança que Ele teve no Pai ao longo de toda a sua existência. Ele se derrama nas mãos do Pai, se joga em seus braços como uma criança que confia cegamente que o pai não o deixará cair no chão. De fato, o Pai não o deixa abandonado, mas o assiste descer a mansão dos mortos, que Cristo destrói e derrota, liberta a todos que ali estavam, e Ressuscita vitorioso, concedendo-nos também ressuscitar com Ele. A Cristo, morto e ressuscitado, louvor e glória neste banquete eucarístico e no banquete da eternidade. Amém.