Beatíssimo pai, Papa Paulo, que preside esta celebração eucarística, reverendíssimos irmãos concelebrantes, Dom Jorge Snaif Cardeal Médici que hoje, comigo, também comemora seu aniversário de ordenação episcopal, celebramos hoje o trigésimo segundo Domingo do Tempo Comum. Antes de nos voltarmos a liturgia do dia de hoje, quero agradecer a vocês pela presença para renderem graças a Deus, comigo e com Dom Snaif, pelo nosso ministério episcopal. Aqui há amigos queridos e especiais, pessoas importantes para nós e àqueles que se unem a nós para partilhar desta alegria do ministério. Digo em nome dos dois, que buscamos exercer os nossos ministérios, eu há 9 anos e Dom Snaif há 5 anos, num espírito de caridade e de serviço. Com nossas falhas e nossas misérias, chegamos até aqui e não chegaríamos se não reconhecessemos que o ministério do episcopado é um ministério do serviço. Não chegaríamos aqui se não fossemos dois homens apaixonados pela Igreja de Jesus Cristo e por este apostolado que aqui exercemos, se não acreditassemos e fossemos felizes com o que aqui realizamos. Dom Snaif, mal sabia eu que no dia que escolhi te ordenar bispo no meu quarto aniversário de ordenação episcopal, eu ganharia um irmão no ministério. E meu ministério nos últimos anos é inimaginável sem sua figura, sua presença e amizade. Por isso, Dom Snaif, a ti a minha gratidão. E a nossa gratidão conjunta aos amigos e amigas que ao longo destes anos fizeram parte dos nossos ministérios, que colaboraram conosco, que enxergaram em nosso exercicío ministerial sinais do Cristo Bom Pastor. Irmãos e irmãs, neste domingo a Igreja nos convida a sermos inteiramente disponíveis para o serviço do Senhor. Este tom escatológico da liturgia seguirá até a metade do Advento, conosco refletindo sobre o nosso encontro definitivo com o Senhor e sua segunda vinda. Agora, no Tempo Comum, pensando mais sobre o nosso encontro pessoal com Ele e no Advento na perspectiva da segunda vinda. A Sabedoria, meus irmãos, que aparece na primeira leitura de hoje, é imagem do próprio Jesus. É ele que quem por ele madruga não se cansará, pois o encontrará sentado à sua porta. Nesta perspectiva do autor veterotestamentário, é o Senhor quem espera sentado a porta, mas nós devemos madrugar. Sim, irmãos e irmãs, o Senhor espera ansioso por nós, mas nós precisamos nos levantar antes da aurora para irmos ao seu encontro. A dinâmica da madrugada é a dinâmica das vigílias. Às vezes nós sentimos isso no nosso dia a dia, quando ficamos angustiados, ansiosos por algo e sequer conseguimos dormir. O olhar do livro da Sabedoria se aproxima desta visão, pois, é como se nós não descansassemos enquanto não se encontrasse com o Senhor. Nós somos inquietos procurando um lugar para nós. Tantas vezes queremos um lugar na sociedade, queremos um lugar num grupo, queremos nos sentir pertencentes a algo. Mas, nós somos profundamente ansiosos pelo Senhor, como diz o salmo: "A minh’alma tem sede de vós e vos deseja, ó Senhor!" . E, às vezes, podemos nem ter o encontro com o Senhor dentro da Igreja. Aí, irmãos e irmãs, continuamos a procurar e encontramos fagulhas desta realização, mas, ela é ilusória. Só somos satisfeitos e plenos em Deus. E nós precisamos madrugar para o encontrarmos a nossa porta. Ou seja, o momento do nosso encontro com o Senhor nessa vida precisa ser logo, para que possamos nos encontrar com Ele na eternidade. O Evangelho das jovens previdentes segue a mesma dinâmica: "Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora". Não adianta, irmãos e irmãs, se não estivermos sempre renovados no encontro com o Senhor, se não o buscarmos em vida, se não enchermos nossas lâmpadas com o óleo, não encontraremos o Senhor na eternidade: ele nos dirá que não nos conhece. Este Evangelho está no capítulo 25 de São Mateus, já caminhando para a grande conclusão dos discursos de Jesus e que ouviremos em Cristo Rei: o que fizestes a um dos pequeninos foi a mim que fizestes. Tendo esta imagem como plano de fundo, entendemos melhor o Evangelho que ouvimos, já que nos dá um caminho concreto para o seguimento do Senhor. Irmãos e irmãs, Deus nos dá a vida para procurá-lo, a morte para encontrá-lo e a eternidade para possuí-lo. Por isso, mesmo quando dizemos não a Deus, ele vai sempre tentar buscar contornar o nosso não em sim. Nós não podemos, porém, relaxar por conta disso e deixar para procurar o Senhor ou para sermos pessoas melhores amanhã. O amanhã pode não chegar. As virgens prudentes e as improdudentes lidam com um problema que era o problema das primeiras comunidades: o Noivo está demorando Jesus estava demorando pra voltar e alguns acabaram dormindo na comunidade. Muitas vezes nós também temos esse sentimento de que o Senhor está demorando, e ficamos nos perguntando até quando precisamos persistir nessa vida, até quando temos que ficar seguindo a Jesus Cristo, até quando temos que ficar sofrendo e chorando nesta vida sendo persistentes na Palavra do Senhor? E alguns de nós acabamos dormindo. E às vezes todos nós cansamos e acabamos dormindo. Mas, no meio da noite, veio o Noivo e todas as dez jovens se levantaram. Mas, aí está a diferença: as previdentes são àquelas que esperaram o Senhor durante a vida e as imprevidentes não o esperaram, não o seguiram. E as imprevidentes pedem o óleo às outras e na parábola elas até mandam ir comprar com os vendedores, ou seja, ter uma outra oportunidade, só que não deu tempo delas voltarem a tempo. O amor, irmãos e irmãs, a luz de Deus, não se pede emprestado, se vive. Não dá pra pegarmos o óleo, a luz do outro, o encontro com Deus do outro, a experiência de Deus do outro, emprestado. Depende de nós. Nenhum de nós sabe quando vai fechar os olhos para este mundo e abri-los para a eternidade. Portanto, aproveitemos bem a nossa vida para procurar o Senhor e para levá-lo por meio das nossas obras aos outros que o procuram mesmo sem saber, se não, se amanhã nossa vida aqui acabar, corremos o risco de não sermos reconhecidos pelo Senhor. Mas, se o encontrarmos agora, acontecerá conosco aquilo que promete São Paulo aos Tessalonicenses, que ouvimos na segunda leitura: "estaremos sempre com o Senhor.". Assim seja! Amém.
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