terça-feira, 30 de julho de 2024

30.07.2024 | Declaração

Amados irmãos, convoquei-os esta noite para celebrarmos juntos os dezoito anos da instalação da cátedra pontifícia em nosso hotel. De fato, em minha homilia penso já ter dito o suficiente sobre a importância e o sentido desta celebração para nós. Mas, convoquei-os também para declarar que, plenamente livre em meus atos, renuncio ao ministério de Bispo de Roma, a Sé de São Pedro, ao encargo de sucessor de Gregório XVII, que me foi confiado pelos cardeais no dia dezesseis de março do corrente ano de dois mil e vinte e quatro. Tenho plena consciência da gravidade de meu ato, mas creio que para governar a Igreja, principalmente nestes tempos tão diferentes daqueles passados, a Igreja precisa de uma mente jovem, de um pastor cheio de ideais, que tenha tempo, disposição e forças para o leme da barca petrina, tais características que nos últimos dias venho percebido diminuir em mim de tal modo que já não posso mais bem exercer este ministério. Deste modo, a cátedra do Bispo de Roma ficará vacante na próxima segunda-feira, quinto dia de agosto, às vinte e duas horas e trinta minutos, e um conclave deverá ser convocado pelas autoridades competentes. Quanto a mim, retornarei ao colégio cardinalício, e desde já me ponho a disposição de meu sucessor. Dentre as reformas que pudemos iniciar, concluímos grande parte delas. Desejo desde já, porém, pedir que meu sucessor se empenhe em trabalhar pela conclusão do Código de Direito Canônico, há tanto desejado pela nossa Igreja, para o qual estabeleci diretrizes que podem muito colaborar com nossa missão, e do catecismo para os leigos. Amados irmãos, além disso só tenho a agradecê-los por carregarem comigo o peso deste ministério. O que foi possível fazer, foi graças aos senhores. O que não foi possível fazer, também foi por causa dos senhores. Peço perdão pelos meus defeitos, minhas falhas e misérias. Amados irmãos, Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem faz crescer. Podemos fazer muito ou pouco. Mas, tudo só acontece, pela graça de Deus. A Ele, Supremo Pastor da Igreja, Senhor do tempo e da história, a quem pertence o Reino, a glória e a majestade, louvor e glória pelos séculos dos séculos. Assim seja! Amém.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

30.07.2024 | Comemoração da Instalação da Cátedra no Habbo Hotel

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando os dezoito anos da instalação da cátedra pontifícia no Habbo Hotel, isto é, o início do pontificado de Gregório XVII. Esta comemoração marca para nós o início de nossa Igreja como tal. Por isso, relembramos aquilo que declarou o Concílio de Jerusalém: a organização eclesial da Santa Igreja presente no Habbo demonstra sua principal missão: levar à glória da Igreja aos que se encontram neste parâmetro virtual, para que se sintam chamados, de fato, a cerne d'Ela, e, deste modo, possam encontrar-se com suas vocações – de modo especial os chamados ao presbiterado - e ter seu encontro com Deus, que usa-nos de diversas maneiras para conseguir almas para Ele. Celebrarmos a instalação desta cátedra, é celebrarmos a nossa própria Igreja como tal. Igreja que é lugar de encontro com Deus e encontro com os irmãos. Às vezes, podemos até nos sentir desmotivados. Olhamos para a nossa Igreja e pensamos onde está o seu futuro. Não temos ânimo para a missão, os irmãos tornam-se fardos para nós, a própria Igreja torna-se enfadonha. Como é triste quando vem alguns nos dizer que a Igreja está morta. A vontade é responder: sim, seu velho inútil, e o senhor a matou. Podemos contribuir pouco com a Igreja, mas o que fazemos se não contribuímos em nada? O que mais falta em nossa Igreja é esse sentimento de pertença e de corresponsabilidade, de saber que a missão depende de cada um e de todos nós. Nos falta o sentimento de que somos Igreja. Se o Concílio de Jerusalém declarou a necessidade de ser Igreja, é preciso lembrarmo-nos do que é a Igreja. A Igreja é o povo de Deus, é o Corpo místico de Cristo, o rebanho do Senhor, a vinha do Senhor, o edifício de Deus, a Jerusalém Celeste, nossa mãe, a esposa do Senhor. A Igreja foi fundada, na realidade, por Jesus Cristo, sobre Pedro e sua confissão de fé, como ouvimos no Evangelho. E o Pastor Supremo da Igreja é o próprio Jesus Cristo, e quem diz isso é o próprio São Pedro na segunda leitura que ouvimos. Nós somos pastores em nome de Cristo. Nos falta este senso que é em nome de Cristo. Não fazemos pelo papa, não fazemos por algum cardeal ou bispo. Fazemos, ou deveríamos fazer, em nome de Cristo. Cristo deve ser o centro de nossa Igreja. E não a Igreja deve ser o centro. Cristo é o centro. E este centro que é Cristo é aquele que derrama sobre nós o seu Espírito para enviar-nos para dar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor, como diz o profeta Isaías na primeira leitura que ouvimos. A nossa missão é levar Jesus Cristo às pessoas e as pessoas a Jesus Cristo. Isto se faz, sim, levando-as à Igreja da realidade, por isso o Concílio Vaticano VII já declarava que a Igreja no Habbo é reflexo da Igreja da realidade. Mas, não conduziremos ninguém à Igreja da realidade se antes não as levarmos ao encontro com a pessoa de Jesus Cristo. E, se tantas vezes não levamos as pessoas a Cristo é porque nós próprios não nos encontramos com ele, porque nosso testemunho é falho. Devemos levar Jesus Cristo principalmente aos que estão com o coração quebrantado. E quantas vezes não é o nosso próprio coração, nosso como membros da Igreja, que é o coração quebrantado? Quantas vezes não somos nós os desanimados, os tristes, os desesperançados? O ano de 2025 será o jubileu da esperança. Devemos entrar já no espírito deste ano jubilar e encher os nossos corações de esperança. A esperança é uma característica tão própria do cristão. Porque nossa esperança, diferente da esperança dos outros, é já uma certeza. O nosso Deus é um Deus que na promessa já a cumpre. Confiamos no Senhor Ressuscitado, soberano sobre o pecado e a morte. Neste ano da oração, em preparação para o Jubileu, rezemos a Deus pedindo a graça da esperança. Esperança para nós como pessoas. Mas, também, esperança em nossa Igreja. Quantos de nós rezamos por este nosso apostolado? Rezemos, irmãos. Rezemos de coração. A história de nossa Igreja que começou há dezoito anos não acabou, não chegou ao final. Me lembro no Jubileu dos dez anos da Igreja, que nos perguntávamos se chegaríamos a quinze anos. Chegamos a quinze, e ainda nos perguntamos se chegaremos a vinte. Enquanto houver Habbo Hotel, existirá aqui uma Igreja. Há muito ainda a ser feito. Muitas pessoas as quais devemos chegar, levando Jesus Cristo. Muitos corações aos quais devemos levar a esperança. Muitas vocações a surgirem ou se fortalecerem aqui dentro. Há uma comunhão a ser reestabelecida. Há uma Igreja  que será sempre reformada, sempre renovada, a medida que nós, seus membros, cheios de esperança, firmes na mesma profissão de fé de São Pedro, tivermos coragem para desempenhar cada qual a sua missão. Assim seja! Amém.

29.07.2024 | Missa Maronita

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando os Santos Marta, Maria e Lázaro, amigos de Jesus, com esta liturgia em rito maronita, para a qual, toda segunda-feira, reza-se em memória dos Santos Anjos. Somos chamados a sermos amigos do Senhor. E, amigos do Senhor, são aqueles que o amam. Por isso, na leitura, São João em sua primeira carta é tão enfático sobre o amor. O Evangelista nos aponta que primeiro Deus nos amou, por isso devemos amar. Não amamos com palavras vazias, mas, com gestos concretos. Justamente porque, por primeiro, Deus nos amou concretamente, criando o mundo, firmando a aliança, enviando o seu Filho para que pela Paixão e Ressurreição nos desse a vida em plenitude. O Evangelho que ouvimos, nos fala da relação de amizade entre Marta, Maria, Lázaro e Jesus. Jesus soube que seu amigo, Lázaro, havia morrido e vai para consolar Marta e Maria, suas irmãs. Marta que vai ao encontro, professa sua fé no Senhor. Não pede a ressurreição de Lázaro, porque sabe que Lázaro ressuscitará na ressurreição do último dia, essa crença que surgiu entre os judeus no tempo dos Macabeus. E, pouco antes de sua morte e ressurreição, o próprio Jesus se revela para Marta como a Ressurreição e a vida. É, de fato, este o último dos sinais do Evangelho de São João. E Marta faz a profissão que só poderia vir daquela pessoa que está na intimidade com o Senhor: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. Só quem está na intimidade, no amor de Cristo, sabe quem ele é. Quem não está, pode ter Jesus como alguém a mais, um filósofo, um espírito elevado, o que for. Mas, nós o conhecemos, sabemos que ele é Deus. Podem escarnecer de Jesus, zombar dele, esquecê-lo. Mas, quem está na intimidade de seu amor sabe quem ele é, o professa, o segue. Que sua graça nos conduza, cada vez mais, a intimidade de seu amor, para que, sabendo quem é Jesus Cristo para nós, possamos ser seus amigos. Jesus chamou Lázaro do sepulcro à vida e quis hospedar-se na casa de Marta; que ele nos condeca que, o servindo fielmente em nossos irmãos, mereçamos com Maria ser nutridos pela meditação da Palavra. Assim seja! Amém.

terça-feira, 16 de julho de 2024

16.07.2024 | 4 meses de Pontificado

Amados irmãos e irmãs, reunidos aqui para comigo renderem graças a Deus pelos quatro meses deste meu Pontificado, estamos celebrando a festa da Bem-Aventurada Vhirgem Maria do Monte Carmelo. Foi no Carmelo que Elias manifestou a presença do Deus único, e ali que no século XII os primeiros carmelitas se reuniram. Um deles, São Simão Stock, num momento de oração a Mãe de Deus, chamando-a de Flor do Carmelo, recebeu a visão da própria Vhirgem Maria que lhe entregara o escapulário para o uso pela ordem, como sinal de uma aliança com ela. Maria promete a São Simão que quem morrer com o escapulário não se perderá. Porém, nós perdemos o sentido do próprio escapulário, tornando-o um amuleto, quando o usamos achando que por conta do escapulário não nos perderemos após a morte. Contaremos, sim, com uma especial intercessão de Maria, nossa Mãe, que não quer que nenhum dos seus se percam. Por que, que mãe quer ver seus filhos e filhas perdidos? De fato, Jesus no Evangelho desta festa que ouvimos, amplia o próprio conceito de família: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Somos a família de Deus. Por isso, mais importante do que o uso em si do escapulário, é viver como família de Deus. O escapulário, então, torna-se manifestação de pertença a essa família, como um brasão em nossos pheitos. Um sinal, uma marca, que todos nós trazemos interiormente pelo Batismo, a suprema marca, manifesto exteriormente em nossos escapulários. Porque, se somos da família de Deus, somos também da família de Maria. Nossa Senhora ama todos os seus filhos e filhas, mesmo àqueles que não a amam de volta. Maria é nosso apego, porque às vezes parece que falar com Deus nos é tão distante. Então pedimos a intercessão de Maria, como uma criança que com medo do pai, vai pedir à mãe. Jesus no Evangelho que ouvimos nesta festa não anula o papel da Vhirgem Maria, antes, a exalta, pois nela exalta a todos nós. Mas, não nos iludamos, para sermos família de Deus, precisamos entrar no convívio de Jesus. Sua parentela, diz o texto sinótico de Marcos, achava que Jesus estava ficando louco, por isso vai até onde ele estava. Porém, eles permaneceram do lado de fora. Não dá pra permanecermos do lado de fora. É preciso entrar no convívio de Jesus. Para quem não convive com o Senhor, seus sinais, seus ações, suas palavras, são loucura e insensatez. Amados irmãos e irmãs, que o Senhor nos ajude a sermos de fato sua família, ouvindo sua Palavra e pondo em prática sua vontade. Que Deus também me dê sabedoria e fortaleza, para que possa prosseguir, cheio do seu Espírito Santo, a missão que a Igreja me confiou. Assim seja! Amém.

domingo, 14 de julho de 2024

14.07.2024 | XV Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o décimo quinto Domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje nos fala sobre a liberdade para o seguimento de Jesus Cristo. O profeta Amós, na primeira leitura, diante do sacerdote de Betel coloca-se como um profeta que não exerce o profetismo por profissão. Depois da divisão dos reinos do Norte e do Sul, Jeroboão instaurou outros santuários no reino do Norte. Estes santuários eram contrários a ordem divina de que só se adoraria em Jerusalém. Amós, então, que era pastor de gado e agricultor, é chamado para exercer a profecia. Mas, enquanto os profetas do rei eram contratados para exercer esta função, Amós vai pelo simples fato de ser chamado por Deus. Enquanto a mentalidade do profeta, do sacerdote do rei, era a de lucros, a vontade de Amós era simplesmente fazer a vontade de Deus. E, Amós denuncia a indiferença de Israel em relação ao Senhor, manifestada na idolatria. Mas, percebam o fato que Amós deixa para trás a vida de pastor e de agricultor, para exercer a profecia. No Evangelho que ouvimos, Jesus chama os doze e os envia para a missão. Jesus recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. Jesus envia seus discípulos na liberdade que é consequência do desapego. Apenas um coração desapegado pode seguir a Jesus Cristo. Quando o jovem rico se aproxima de Jesus querendo segui-lo, não consegue porque Jesus o manda vender tudo o que tem, para depois segui-lo. Fato é, que não se pode seguir a Jesus Cristo enquanto permanecemos presos no passado. Quando nos pomos a segui-lo, seja na vida ministerial, na vida laical, do modo que for, é preciso nos libertar daquilo que nos aprisiona. Os bens, tantas vezes nos aprisionam. Mas, também as pessoas, os títulos, tantas coisas nos impedem de viver a liberdade do chamado. Deus nos chama, não nos obriga. São Paulo canta no hino da carta aos Efésios que escutamos, que somos predestinados por Deus e fomos marcados com o selo do Espírito Santo. Mas, essa predestinação não é destinação. Não podemos acreditar que para cada um de nós há um único caminho traçado, que somos destinados para algo e que sempre terá de ser assim. Não! Somos livres. Mesmo predestinados, mesmo marcados com o selo do Espírito Santo, somos livres. Diante de Deus podemos responder com sim ou com não. É nossa a escolha. Mas, quando escolhemos, devemos assumir essa escolha como realidade de vida. Assumir Jesus Cristo como realidade de vida exige-nos que nos libertemos daquilo que não corresponde ao projeto de Deus. Libertarmo-nos, sim, em primeiro lugar, do pecado. Mas, libertarmo-nos, também, de todas aquelas outras bagagens, físicas, espirituais ou emocionais que estamos puxando e que pesam a nossa caminhada. Como eu disse na homilia na quinta-feira: não dá para seguir Jesus carregando o nosso passado. O nosso passado, muitas vezes são pessoas e situações, por mais que amadas, nos tiram a paz. Se não estamos em paz conosco mesmos, como cumpriremos o mandato do Senhor, de entrar numa casa e lhe desejar a paz? Os discípulos que expulsavam demônios e curavam os doentes com o óleo, foram aqueles que foram experimentando a graça de Deus também em suas vidas. Precisamos encontrar a paz dentro de nós, experimentar a graça de Deus, a libertação de Deus, também dentro de nós. Precisamos deixar todas as bagagens que não nos permitem prosseguir no caminho. Deus nos concede a graça de deixar as coisas para trás na medida que somos capazes de suportar. Porque não nos iludamos, nada dói mais do que deixar para trás aquilo que não gostaríamos. Mas, tantas vezes isso é uma exigência posta a nós. Que Deus nos dê a sua graça e coragem para podermos, com amor, viver a liberdade de filhos e filhas de Deus. Assim seja! Amém.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

10.07.2024 | 4ª feira da 14ª Semana do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, a história da Salvação é uma história de fidelidades e infidelidades nossa para com Deus. No tempo do profeta Oseias, o povo havia rompido a aliança com Deus por causa da idolatria. O povo tomou para si outros deuses. E isso tornou o Senhor Deus, o Deus da aliança, mais um entre os deuses. Mas, Deus, em Oseias, é um Deus ciumento. Não pode haver divisão do coração do povo entre Deus e os ídolos. Por isso, Deus, em seu ciúmes, se enfurece e derruba o altar e as imagens dos ídolos. No envio de Jesus dos doze, ele os ordena não irem aos pagãos e nem aos samaritanos, mas, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ou seja, não ir àqueles que pela cultura de Israel necessitavam da salvação, mas, ir aos que mais precisavam da salvação. Jesus não está sendo contrário a universalização da salvação, mas, antes, a começa operar no meio do povo da primeira aliança. Este povo que, no tempo de Jesus, se achava tão especial e mais importante que os outros povos, que não era capaz de ver as suas infidelidades, a sua idolatria. Só que eles são as ovelhas perdidas da casa de Israel. E até hoje o nosso risco como homens e mulheres religiosos é procurar a infidelidade dos outros, dos outros dentro da nossa comunidade e dos outros nas outras comunidades religiosas, nas outras religiões. Esquecemos aquele canto popular tão simples, tantas vezes usado na nossa liturgia: quem não te aceita, quem te rejeita, pode não crer por ver cristãos que vivem mal. Amados irmãos e irmãs, quantos ídolos ocupam o lugar de Deus em nossa vida? Pessoas, títulos, cargos, dinheiro, aceitação, os likes. Deus é ciumento conosco e nos convida a olharmos para a nossa infidelidade e destruirmos todos os altares e construímos para adorar nossos ídolos. Tantas vezes nos sacrificamos nestes altares, mas não nos consumimos no altar do Senhor. Não somos capazes de nos colocarmos com sinceridade diante de Deus. Seja pela nossa ilusão de perfeição, seja ainda pela nossa recusa de coração em deixar os nossos ídolos. Que a Mãe Aparecida, que nada tendo dito por meio desta imagem, mas, que com suas mãos postas nos aponta para Deus e que em seu ventre trás o Cristo, nos ensine que o caminho da fidelidade a Deus é também o caminho do reconhecimento da nossa infidelidade. Assim seja! Amém.

domingo, 7 de julho de 2024

07.07.2024 | XIV Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o décimo quarto domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje nos questiona: como vai o nosso profetismo? Deus não apenas suscitou profetas para anunciarem a vinda do Reino de Deus em Jesus Cristo, na plenitude dos tempos, mas, continua a nos fazer profetas pelo Batismo. E o profeta tem uma dupla missão, que é anunciar e denunciar. Ezequiel, levantado pelo Senhor para profetizar ao povo exilado na Babilônia, recebe a missão de denunciar o fechamento de Israel diante da voz do Senhor. Só que o Senhor já avisa a Ezequiel que ele pode não ser escutado pelo povo. Mas, ainda assim, saberão que há ali um profeta pela sua ação, pela sua palavra, pela sua missão. No Evangelho, Jesus também não é escutado pelo povo de sua própria terra. O Evangelista São Marcos passa da admiração do povo com as palavras proferidas por Jesus para o seu escândalo. Estavam escandalizados porque como alguém que havia crescido ali com eles, podia agora dizer tais coisas? Com Jesus não, mas conosco, tantas vezes acontece que as pessoas nos ouvem falar de Jesus e comparam o nosso discurso com a nossa prática, e aí, nós caímos num discurso insignificante. Porque a nossa vida não é um testemunho daquilo que falamos. Nós diminuímos o próprio Evangelho, com isso. Mas, com Jesus, o escândalo não era pela incoerência, e sim porque incomodava alguém daquele meio, dizer tais coisas. E aí está outra tentação nossa, que é a de menosprezar aqueles que conhecemos. Somos menosprezados pela incoerência, mas também menosprezamos os outros que ouvimos pregar. Porque pensamos como alguém que é tão simples, pode nos dar tão grandes lições. Não gostamos dos ensinamentos das coisas pequenas da vida. Não sabemos admirar os ensinamentos de uma flor que desabrocha, das formigas que trabalham ou do pão que se reparte. Vivemos esperando os grandes sinais de Deus, mas, não sabemos ouvir os pequenos ensinamentos do cotidiano. Não refletimos sobre a alegria, nem sobre a dor. Sentimos e pensamos que isto basta, mas, menosprezamos até mesmo o que se passa dentro de nós. Então, quando vem os irmãos e irmãs que agem em nossa vida como profetas, nós também nos fechamos a eles. Somos mais capazes de ouvir desconhecidos, de dar crédito ao que eles dizem, do que de dar crédito a aqueles que caminham conosco no dia a dia. Principalmente se eles nos dão um choque de realidade. Nesta dinâmica, São Paulo também nos orienta a não termos alta conta de nós mesmos como profetas. Ele afirma ele mesmo ter um espinho na carne, o que inúmeros exegêtas, e já Tertuliano no século III, afirmam que São Paulo se refere a uma doença crônica que possuia. E para o Apóstolo, essa doença servia tanto para que ele não se ensorbebece, quanto para que Deus operasse, o tornasse forte, a partir de sua fraqueza. Quantas vezes o nosso espírito profético não está fraco? Seja por nossa incoerência de vida, seja por pensarmos que somos os melhores, seja por nossa recusa em sermos profetas. Quantas vezes não nos fechamos à profecia? Seja por conhecermos os pregadores, seja pela nossa desatenção às pequenas coisas, seja por recusarmos a novidade de Deus em nossas vidas. Amados irmãos e irmãs, recuperemos em nós o dom da profecia que nos foi dado no Batismo. Não uma profecia de visões. Mas, a profecia do anúncio do amor de Deus, que se concretizou na econômia salvífica, em Jesus Cristo, Senhor nosso. E abramo-nos a aquilo que Deus quer nos comunicar ainda hoje. Assim seja! Amém.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

03.07.2024 | Festa de São Tomé, Bênção da Igreja e Posse do Bispo de Óstia

Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Bispo de Óstia, eminentíssimos senhores cardeais, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Festa de São Tomé, neste dia no qual abençoamos esta Igreja. A primeira leitura desta liturgia de São Tomé, parece casar tão bem com o rito de bênção da Igreja. Nós somos as pedras vivas, incorporadas no edifício que é a Igreja, que tem Cristo como a pedra angular. Repetimos tanto que somos a Igreja, mas, às vezes, não nos damos conta do que isso significa. Significa que todos nós somos responsáveis pela Igreja, e que se algo não vai bem, é culpa de todos. Porque um membro doente, interfere em todo o corpo. Do papa aos seminaristas, dos leigos e dos religiosos, se algo não vai bem, todos nós somos responsáveis. Ser Igreja não é ser da Igreja. Temos muita gente que é da Igreja, mas, pouca gente que é Igreja. Porque ser Igreja nos impele não apenas a uma pertença, mas a um ser, a algo que se torna inseparável de nós. E, neste sentido, quando as coisas não vão bem na Igreja, também não vão bem dentro de nós. A Igreja reflete o nosso interior. Mas, não tenhamos medo. Hoje, celebrando São Tomé, ouvimos o famoso relato de sua dúvida. Não corramos o risco, porém, de irmos apenas pela tradição popular de que Tomé era o Apóstolo incrédulo. O evangelista João não quer tanto enfatizar a descrença de uma pessoa, mas, o motivo dela. São Tomé não crê no Ressuscitado porque não fez a experiência com ele. Quando Jesus apareceu Ressuscitado, Tomé não estava com a comunidade. E aqui está o principal: só se faz experiência verdadeira de Jesus Ressuscitado com a comunidade. Senão, a nossa fé se torna intimista e individualista. E isso vem se expressado muito em nossos tempos, e se torna muito claro nas músicas religiosas. Uma religiosidade fundada no "eu", na minha experiência pessoal com Jesus, muitas vezes tão piegas. Esse movimento para a interioridade faz parte da nossa experiência de fé, mas, a fé não se resume na interioridade. Também faz parte dela a exterioridade. Porque a fé se vive na comunidade. A communitas fidelium, a comunidade de fé, é o local privilegiado da experiência com o Senhor. Por isso a celebração litúrgica é sempre um ato comunitário da Igreja toda, seja a missa, os outros sacramentos, sacramentais e a liturgia das horas. E aqui abençoamos esta igreja, como lugar da reunião da comunidade, no meio da qual se põe o Cristo Ressuscitado que nos convida a toca-lo em seu Sacramento Eucarístico, na Palavra proclamada, e nos irmãos reunidos conosco. Esta missa convocada com o Colégio Cardinalício é de modo especial para exprimir para a Igreja o dom da unidade e da comunidade destes que são os nossos colaboradores mais próximos. Amados irmãos e irmãs, se todos somos responsáveis pela Igreja, se a Igreja é comunidade, nós percebemos que de fato nós somos a Igreja, o novo povo de Deus. Assumamos para nós este ser a Igreja, para que possamos todos nós, pastores e rebanho, continuarmos os ministérios, a missão que temos dentro deste edifício vivo que é o Corpo do Senhor. Assim seja! Amém.