Amados irmãos e irmãs, a história da Salvação é uma história de fidelidades e infidelidades nossa para com Deus. No tempo do profeta Oseias, o povo havia rompido a aliança com Deus por causa da idolatria. O povo tomou para si outros deuses. E isso tornou o Senhor Deus, o Deus da aliança, mais um entre os deuses. Mas, Deus, em Oseias, é um Deus ciumento. Não pode haver divisão do coração do povo entre Deus e os ídolos. Por isso, Deus, em seu ciúmes, se enfurece e derruba o altar e as imagens dos ídolos. No envio de Jesus dos doze, ele os ordena não irem aos pagãos e nem aos samaritanos, mas, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ou seja, não ir àqueles que pela cultura de Israel necessitavam da salvação, mas, ir aos que mais precisavam da salvação. Jesus não está sendo contrário a universalização da salvação, mas, antes, a começa operar no meio do povo da primeira aliança. Este povo que, no tempo de Jesus, se achava tão especial e mais importante que os outros povos, que não era capaz de ver as suas infidelidades, a sua idolatria. Só que eles são as ovelhas perdidas da casa de Israel. E até hoje o nosso risco como homens e mulheres religiosos é procurar a infidelidade dos outros, dos outros dentro da nossa comunidade e dos outros nas outras comunidades religiosas, nas outras religiões. Esquecemos aquele canto popular tão simples, tantas vezes usado na nossa liturgia: quem não te aceita, quem te rejeita, pode não crer por ver cristãos que vivem mal. Amados irmãos e irmãs, quantos ídolos ocupam o lugar de Deus em nossa vida? Pessoas, títulos, cargos, dinheiro, aceitação, os likes. Deus é ciumento conosco e nos convida a olharmos para a nossa infidelidade e destruirmos todos os altares e construímos para adorar nossos ídolos. Tantas vezes nos sacrificamos nestes altares, mas não nos consumimos no altar do Senhor. Não somos capazes de nos colocarmos com sinceridade diante de Deus. Seja pela nossa ilusão de perfeição, seja ainda pela nossa recusa de coração em deixar os nossos ídolos. Que a Mãe Aparecida, que nada tendo dito por meio desta imagem, mas, que com suas mãos postas nos aponta para Deus e que em seu ventre trás o Cristo, nos ensine que o caminho da fidelidade a Deus é também o caminho do reconhecimento da nossa infidelidade. Assim seja! Amém.
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