Saúdo de modo particular os eminentíssimos irmãos cardeais, que no início da noite de ontem
elegeram este simples trabalhador da vinha do Senhor, como Sumo Pontífice da nossa amada
Santa Igreja Católica Romana. E saúdo a cada irmão que entorno deste altar concelebra esta Missa.
É um bonito costume este de o Romano Pontífice, recém eleito, celebrar a Missa em intenção
de toda a Igreja. A liturgia desta missa nos norteia para qual é essa Igreja pela qual hoje pedimos.
Em primeiro lugar: É a Igreja do Pai e do Filho. Por isso São Pedro em sua primeira epístola nos
recorda que a Pedra da Igreja é o próprio Cristo. Ele foi enviado pelo Pai para isso. Realizando
a sua obra redentora, Cristo Jesus deixa a sua Igreja como marca de continuidade de toda a sua
missão. Por isso, Ele, a pedra rejeitada, destruída e massacrada, foi restaurada no Pai para ser
a união de todas as coisas. A pedra angular, da qual fala o apóstolo Pedro na segunda leitura,
era uma pedra colocada no topo da construção. Ela tinha que ser do ângulo perfeito. Ela tinha
que se encaixar perfeitamente. Sem essa pedra não era possível concluir a construção. E Cristo,
como pedra rejeitada, concluí a maravilhosa obra redentora do Pai. Ele é, do mesmo modo, a conclusão
de toda a obra da Igreja. O topo de toda a nossa obra.
Em segundo lugar: Somos a Igreja de Pedro. No Evangelho nós vimos Jesus que dá a São Pedro
as chaves do reino dos céus, a autoridade sobre todas as coisas, e o coloca como pedra fundamental.
Isso, irmãos e irmãs, pois fundada sobre Pedro, a Igreja leva a Cristo. Cristo sabia que missão
não terminaria. Ao mesmo tempo, Ele sabe que se deixasse os apóstolos desorganizados haveria
uma dispersão deles, e a missão não iria para frente. Então, o supremo Pastor organiza a sua
Igreja hierarquicamente. E Pedro tem essa primazia sobre todos os apóstolos. Não porque Pedro
fosse melhor, nem porque fosse o mais preparado. Não é nada disso! A tal ponto que Pedro negou.
Pedro é o primaz pelo simples motivo da escolha de Deus. Deus nos escolhe sem sabermos o
porquê.
Não há uma explicação para a vontade do Senhor. Ele simplesmente escolhe. E Pedro se torna
esse primaz. Ele sabe muito bem que ele não é a pedra angular. Ele não é o principal. Ele não
é
o Mestre, o Rabi, o Cristo. Mas sabe que está no lugar do Mestre, que deve continuar a missão
como o Mestre continuaria.
Em terceiro lugar: Somos a Igreja do Espírito Santo. A primeira leitura nos apresenta o Espírito
que repousa sobre o profeta e que o torna aquilo que toda a Igreja deve ser: anunciadora da boa
nova aos pobres, médica das feridas, anunciadora da liberdade, consolar os que choram. Por isso
toda a Igreja é constituída um povo sacerdotal. Essa missão de todos nós de anunciarmos a grande
libertação, a grande salvação, em Cristo Jesus, se dá na Igreja. E é o Espírito que nos interpela
e nos fortalece nessa missão do anúncio. É o Espírito que vai nos formando, nos plasmando, como
verdadeiros membros desse corpo de Cristo. Por isso, abramo-nos a ação do Espírito Santo em nós.
Hoje, irmãos e irmãs, cardeais, bispos, presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos, religiosas,
leigos e leigas, o sucessor de Gregório, eleito para presidi-los no amor e na fé, eleva uma grande
súplica aos céus para que Deus vele por nós. Vele por nossa missão. Vele para que sejamos verdadeira
Igreja do Cristo. Igreja do Mestre Ressuscitado. Igreja que não tem medo de anunciar. Igreja
da
Verdade! Igreja santa que santifica os seus membros e aproxima a todos da comunhão com Ele.
Irmãos e irmãs, meus antecessores Bento IV e Paulo IV fizeram um bonito trabalho há muito
sonhado, de retirar dos altos cargos aqueles que tanto macularam a imagem da Igreja. Pessoas
as quais tenho grande carinho e grande história, não nego. Mas, com atitudes que nunca fui conivente.
Essa missão deles é a nossa missão agora. Pois, no fundo, no fundo, a missão não era de Bento,
não era de Paulo, é a missão da Igreja. É a missão da Igreja de ser santa. Ser santa não apenas
neste aspecto, mas em tantos outros aspectos. Para mim é uma grande missão suceder um papa
tão grandioso como foi Paulo IV. Paulo IV soube guiar essa Igreja com um amor e atenção extremo,
se doou e se sacrificou pela nossa Igreja. Foi, sim, muito massacrado por coisas que nem eram
sua responsabilidade. Mas, ele honrou sua missão e será lembrado na história. A história é o lugar
para onde entram os grandes nomes. É fato que Paulo IV vive em nossos corações. É fato que
não nos esqueceremos. É fato que adotamos a sua missão como nossa missão. E, amados e amadas,
continuemos essa nossa bonita missão. Somos uma Igreja que sempre caminha à frente. Nunca
voltamos para trás. Então, meu apelo a cada um e a cada uma nessa tarde, para que continuem
caminhando para frente. Sem mágoas, sem ressentimentos, sem olhar para trás. Que os momentos
bons sejam causa de alegria para os nossos corações e os momentos maus sejam motivo de aprendizado.
Mas, que não vivamos no passado, e não digo isso sobre Paulo IV não. Digo sobre tantas e tantas
coisas do passado. Olhemos para frente! Caminhemos adiante! No fim do caminho está o Ressuscitado
que nos espera para a Ceia Eterna. Essa ceia que agora faremos memória neste altar. Essa grande
festa de toda a Igreja. Então, irmãos e irmãs, caminhemos. E, no caminho, vamos dando o melhor
de nós em sacrifício pelo nosso bem e de toda a Santa Igreja. Amém.