quinta-feira, 30 de abril de 2020

30.04.2020 - Missa Pro Ecclesia

Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos celebrando essa missa encerrando o conclave.
Saúdo de modo particular os eminentíssimos irmãos cardeais, que no início da noite de ontem
elegeram este simples trabalhador da vinha do Senhor, como Sumo Pontífice da nossa amada
Santa Igreja Católica Romana. E saúdo a cada irmão que entorno deste altar concelebra esta Missa.
É um bonito costume este de o Romano Pontífice, recém eleito, celebrar a Missa em intenção 
de toda a Igreja. A liturgia desta missa nos norteia para qual é essa Igreja pela qual hoje pedimos.
Em primeiro lugar: É a Igreja do Pai e do Filho. Por isso São Pedro em sua primeira epístola  nos
recorda que a Pedra da Igreja é o próprio Cristo. Ele foi enviado pelo Pai para isso. Realizando
a sua obra redentora, Cristo Jesus deixa a sua Igreja como marca de continuidade de toda a sua
missão. Por isso, Ele, a pedra rejeitada, destruída e massacrada, foi restaurada no Pai para ser
a união de todas as coisas. A pedra angular, da qual fala o apóstolo Pedro na segunda leitura, 
era uma pedra colocada no topo da construção. Ela tinha que ser do ângulo perfeito. Ela tinha
que se encaixar perfeitamente. Sem essa pedra não era possível concluir a construção. E Cristo,
como pedra rejeitada, concluí a maravilhosa obra redentora do Pai. Ele é, do mesmo modo, a conclusão
de toda a obra da Igreja. O topo de toda a nossa obra.
Em segundo lugar: Somos a Igreja de Pedro. No Evangelho nós vimos Jesus que dá a São Pedro
as chaves do reino dos céus, a autoridade sobre todas as coisas, e o coloca como pedra fundamental.
Isso, irmãos e irmãs, pois fundada sobre Pedro, a Igreja leva a Cristo. Cristo sabia que missão
não terminaria. Ao mesmo tempo, Ele sabe que se deixasse os apóstolos desorganizados haveria
uma dispersão deles, e a missão não iria para frente. Então, o supremo Pastor organiza a sua 
Igreja hierarquicamente. E Pedro tem essa primazia sobre todos os apóstolos. Não porque Pedro
fosse melhor, nem porque fosse o mais preparado. Não é nada disso! A tal ponto que Pedro negou.
Pedro é o primaz pelo simples motivo da escolha de Deus. Deus nos escolhe sem sabermos o 
porquê.
Não há uma explicação para a vontade do Senhor. Ele simplesmente escolhe. E Pedro se torna
esse primaz. Ele sabe muito bem que ele não é a pedra angular. Ele não é o principal. Ele não
é 
o Mestre, o Rabi, o Cristo. Mas sabe que está no lugar do Mestre, que deve continuar a missão
como o Mestre continuaria. 
Em terceiro lugar: Somos a Igreja do Espírito Santo. A primeira leitura nos apresenta o Espírito
que repousa sobre o profeta e que o torna aquilo que toda a Igreja deve ser: anunciadora da boa
nova aos pobres, médica das feridas, anunciadora da liberdade, consolar os que choram. Por isso
toda a Igreja é constituída um povo sacerdotal. Essa missão de todos nós de anunciarmos a grande
libertação, a grande salvação, em Cristo Jesus, se dá na Igreja. E é o Espírito que nos interpela
e nos fortalece nessa missão do anúncio. É o Espírito que vai nos formando, nos plasmando, como
verdadeiros membros desse corpo de Cristo. Por isso, abramo-nos a ação do Espírito Santo em nós.
Hoje, irmãos e irmãs, cardeais, bispos, presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos, religiosas,
leigos e leigas, o sucessor de Gregório, eleito para presidi-los no amor e na fé, eleva uma grande
súplica aos céus para que Deus vele por nós. Vele por nossa missão. Vele para que sejamos verdadeira
Igreja do Cristo. Igreja do Mestre Ressuscitado. Igreja que não tem medo de anunciar. Igreja
da  
Verdade! Igreja santa que santifica os seus membros e aproxima a todos da comunhão com Ele.
Irmãos e irmãs, meus antecessores Bento IV e Paulo IV fizeram um bonito trabalho há muito
sonhado, de retirar dos altos cargos aqueles que tanto macularam a imagem da Igreja. Pessoas
as quais tenho grande carinho e grande história, não nego. Mas, com atitudes que nunca fui conivente.
Essa missão deles é a nossa missão agora. Pois, no fundo, no fundo, a missão não era de Bento,
não era de Paulo, é a missão da Igreja. É a missão da Igreja de ser santa. Ser santa não apenas 
neste aspecto, mas em tantos outros aspectos. Para mim é uma grande missão suceder um papa
tão grandioso como foi Paulo IV. Paulo IV soube guiar essa Igreja com um amor e atenção extremo,
se doou e se sacrificou pela nossa Igreja. Foi, sim, muito massacrado por coisas que nem eram
sua responsabilidade. Mas, ele honrou sua missão e será lembrado na história. A história é o lugar
para onde entram os grandes nomes. É fato que Paulo IV vive em nossos corações. É fato que 
não nos esqueceremos. É fato que adotamos a sua missão como nossa missão. E, amados e amadas,
continuemos essa nossa bonita missão. Somos uma Igreja que sempre caminha à frente. Nunca
voltamos para trás. Então, meu apelo a cada um e a cada uma nessa tarde, para que continuem
caminhando para frente. Sem mágoas, sem ressentimentos, sem olhar para trás. Que os momentos
bons sejam causa de alegria para os nossos corações e os momentos maus sejam motivo de aprendizado.
Mas, que não vivamos no passado, e não digo isso sobre Paulo IV não. Digo sobre tantas e tantas
coisas do passado. Olhemos para frente! Caminhemos adiante! No fim do caminho está o Ressuscitado
que nos espera para a Ceia Eterna. Essa ceia que agora faremos memória neste altar. Essa grande
festa de toda a Igreja. Então, irmãos e irmãs, caminhemos. E, no caminho, vamos dando o melhor
de nós em sacrifício pelo nosso bem e de toda a Santa Igreja. Amém. 

domingo, 26 de abril de 2020

16.04.2020 - III Domingo da Páscoa

Saúdo com afeto e estima os digníssimos irmãos que comigo concelebram esta Eucaristia e a cada
um e cada uma nesta tarde de Domingo na Basílica de São Pedro. Estamos celebrando o terceiro
Domingo do Tempo Pascal. Neste domingo, somos convidados a um encontro com o Jesus Ressuscitado.
Na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, São Pedro exclamava as multidões sobre Jesus Ressuscitado.
Os judeus tinham o Rei Davi como um grande líder político, um grande rei de Israel. E, de fato,
Davi reinou gloriosamente sobre Israel. Foi, quase em tudo, fiel a vontade do Senhor. Mas, os judeus
ainda estavam presos a Davi. Davi já fora passado por alguém maior. Pelo Cristo, Senhor. Por isso
São Pedro os adverte que Davi estava morto e eles sabiam onde estava sepultado. Mas, Jesus,
não. Jesus havia Ressuscitado. Seu sepulcro estava vazio. São Pedro narra com grande amor, tanto
ali nos atos dos Apóstolos, quanto depois reforça na segunda leitura, em sua carta, que o Pai ressuscitou
o seu Filho dentre os mortos. Irmãos e irmãs caríssimos, lembrai-vos que a última coisa dita pelo 
Pai, no Evangelho de São João, seria que ele iria glorificar o seu Filho. Isso, antes da morte de Jesus.
Porém, quando o Cristo sofreu seu maior sofrimento, sua maior angústia, e súplica ao Pai que 
afaste o cálice, quando questiona ao Pai se sentindo abandonado, o Pai se calou. O Pai assistiu
calado a morte do seu Filho amado. Mas, Deus não o abandonou na mansão dos mortos, como 
canta Davi no salmo 15 que acabamos de escutar. Na noite Santa da Páscoa, que nós celebramos
em solene Vigília, o Pai ressuscitou o Filho. Deu-lhe de novo o Espírito para que Ele vivesse eternamente.
Porém, os discípulos não entendiam esse mistério. Eles não foram capazes de compreender que 
essa era a Ressurreição que Jesus dizia. Por isso, no Evangelho de São Lucas que ouvimos, os dois
discípulos, naquela tarde do Domingo da Páscoa, voltam de Jerusalém a Emaús. Eles voltam desamparados,
desanimados, sem esperança, como se tudo aquilo que eles tinham tivesse acabado. E voltam
conversando. Provavelmente falavam sobre como estavam desapontados com tudo que acontecia.
E Jesus se põe a caminhar com eles. E pergunta-lhes o que havia acontecido naqueles dias. Eles
respondem comentando com aquele homem, que não reconheceram ser Jesus, tudo o que havia
acontecido. Porém, eles ainda não compreenderam que Jesus não era apenas um profeta, que os
seus sumos sacerdotes não eram mais os seus sumo sacerdotes, pois, agora, eles tinham um novo
e eterno sumo sacerdote. E Jesus, como este sumo sacerdote, celebra para eles a Santa Missa.
Começa explicando para eles a Escritura. Os discípulos gostam tanto de ouvir as palavras daquele
homem que o convidam para Cear. E Jesus fica com eles. Jesus entra com eles para a ceia e parte
o pão. Ele faz, com os discípulos Eucaristia. E então, some diante de seus olhos, pois não havia
mais necessidade de estar com eles fisicamente, pois se fez presença Eucaristicamente. Conseguimos
ver, aí, os dois momentos da Santa Missa: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. Mas, há um 
detalhe especial: O fim da missa. Ao reconhecer Jesus os dois discípulos partem correndo de volta
para Jerusalém para anunciarem que viram Jesus Ressuscitado. Irmãos e irmãs, essa é a nossa
atitude quando celebramos a Eucaristia. É, depois, anunciarmos, testemunharmos a Ressurreição.
Irmãos e irmãs, a Liturgia de hoje nos questiona, nos deve incomodar: COMO ESTÁ SENDO
A
MINHA EXPERIÊNCIA COM O RESSUSCITADO? Como vem sendo a minha experiência com 
a Palavra de Deus? Como vem sendo a minha experiência com a Eucaristia? O meu coração está
ardendo ao ouvir Jesus que fala e que se faz pão para mim? Ou eu venho vindo a Missa e saindo
daqui como um cavalo batizado? Para vir a Missa e não fazer uma verdadeira experiência de Jesus
é melhor ficarmos em casa. Mas, como fazer essa experiência? Nós precisamos ter um coração
aberto ao Senhor. Um coração que acolha o Senhor. Um coração que saiba perceber o Senhor. 
Não é fácil ouvir a voz de Deus que fala no nosso íntimo, principalmente nos tempos de dificuldade.
Não é fácil ouvirmos a voz de Deus se o pecado fala mais alto ao nosso coração. Os discípulos 
ficam como cegos e não conseguem reconhecer a presença de Jesus. Nós, também, muitas vezes
não somos capazes de reconhecer essa presença e vivemos como se ela não existisse. Mas, irmãos
e irmãs, o Ressuscitado vive entre nós e para sempre viverá. Precisamos aprender a reconhecer
essa presença. E só vamos reconhecer quando nos abrirmos a uma leitura da Palavra a uma vivência
Eucarística, que sejam verdadeiros encontros do nosso coração com o coração de Deus. Aí ele 
poderá arder o nosso coração. Aí faremos essa grande experiência do Cristo que está conosco
e vive em nós. Contudo, o Senhor não vive apenas em sua Palavra, na Eucaristia e em cada um.
Embora esteja verdadeiramente na Palavra e na Eucaristia, esta última de forma sacramental.
Precisamos aprender a reconhecer a presença do Senhor no outro. Reconhecer a presença do 
Senhor no outro que nos incomoda, que nos importuna, que nos chateia. Jesus está no irmão chato.
Jesus está nos que amamos e nos que não amamos. Jesus está nos pobres, nos sofredores, nos
aflitos. E nós, muitas vezes, não conseguimos ver o Senhor. Não vemos o Senhor pois temos um 
coração fechado, rancoroso, mesquinho, egoísta. A nossa experiência com o Senhor, mesmo que 
verdadeira interiormente, precisa gerar testemunho. E esse testemunho é o amor que se dá por
todos. Como, o próprio São Pedro diz, pois o Cristo deu seu sangue por nós. Assim, que façamos
a nossa experiência com o Ressuscitado em nós e em nosso coração, para vivermos como verdadeiros
discípulos e discípulas do Senhor, com um coração que arde de amor pelo Mestre. Amém.

domingo, 19 de abril de 2020

19.04.2020


ASPERSÃO
Irmãos e irmãs em Cristo, que pela aspersão desta água batismal da Vigília Pascal, nos recordemos 
o batismo que nos lavou e a misericórdia Divina que nos redimiu pelo Sangue e água que jorraram 
do lado de Cristo.

HOMILIA
Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, nós estamos celebrando o Segundo Domingo da Páscoa.
Esse segundo Domingo é Festa da Divina Misericórdia. Instituída por nosso patrono, São João
Paulo II no ano de 2.000. A Divina Misericórdia tem como seu ícone Jesus Cristo, onde do seu
lado jorram sangue e água. Caríssimos, foi do lado aberto na Paixão do Senhor, que jorrou esse
sangue e essa água. Do lado aberto do Senhor. Sim, do lado aberto de Cristo que jorra para nós
toda a fonte de misericórdia. Mas, agora com o Senhor ressuscitado, jorra gloriosamente. Porque
as próprias chagas do Senhor Jesus agora são chagas gloriosas. Suas chagas permanecem, mas
são gloriosas. Por isso, para que recebamos hoje a Misericórdia de Deus, não há mais dor ou sofrimento,
o lado aberto de Cristo foi aberto uma vez por todas e pela sua Ressurreição ficará aberto eternamente.
E do céu, onde Jesus Cristo reina glorioso a direita do Pai, ele não cessa de derramar sobre nós
a sua Divina Misericórdia. E, é sobre essas chagas gloriosas que trata o Evangelho desse domingo.
Ele começa na narração da noite do Domingo da Páscoa. Jesus vai até os discípulos e lhes anuncia
a paz. Os discípulos fechados, com as portas trancadas, e Jesus se põe no meio deles. Cristo agora
tem essa capacidade. Ele mostra, assim, que não está mais limitado ao espaço ou ao tempo, como 
nós. Por isso, ao pensarmos no céu, precisamos nos lembrar, que lá não há limitação de espaço,
nem há tempo. E Cristo, glorioso, experimenta essa realidade e a torna manifesta aos apóstolos.
E Jesus sopra sobre os apóstolos um novo sopro da vida. Ele batiza os apóstolos no Espírito Santo.
E depois, no pentecostes, eles serão confirmados nesse Espírito pelo derramamento do mesmo
em forma das línguas de fogo. Por fim, amados irmãos e irmãs, o Evangelho nos apresenta uma
questão. São Tomé não estava ali e ele quer ver para crer. Por isso, no oitavo dia, o dia de hoje,
o Senhor se põe de novo no meio dos discípulos e permite a São Tomé tocá-lo. Tomé não precisa
mais tocar. Ele não precisa mais encostar no Senhor. Ele vê e crê. E faz uma das mais belas profissões
de fé: "Meu Senhor e meu Deus." Irmãos e irmãs, quem acreditaria fácil numa história dessa
como 
a Ressurreição? Muitas vezes nós também somos como São Tomé. Mas, quando ele não toca o Senhor,
é porque o próprio Senhor o tocou. O tocou com sua misericórdia. O tocou com o seu coração.
O Senhor une os dois corações, o dele e o de Tomé. E Tomé se inflama de amor pelo Senhor. E o 
Senhor quer tocar também os nossos corações. Que sejamos capazes de nos permitir e de sentir
o toque misericordioso do Senhor até o dia que, com Ele, formos um só corpo no céu. Amém.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

15.04 - Profissão de Fé das Clarissas

Digníssimos irmãos que comigo concelebram esta Eucaristia,
Digníssima irmã Suzana, superiora da Ordem de Santa Clara, 
Digníssimas noviças que hoje professam seus votos,
Amados irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo, PAZ E BEM!
A gente pode ser muito mais feliz, seguindo o exemplo de Francisco de Assis. Hoje, essas nossas
irmãs escolhem consagrar-se por toda a vida, no seguimento de Jesus Cristo na ordem Clarissa.
Santa Clara escolhe a felicidade por meio do seguimento de Jesus, nos passos de seu amado Francisco.
Francisco e Clara vivem um amor profundo um pelo outro em Jesus Cristo. Uma amizade tão 
profunda que só podia virar santidade. O amor de um pelo outro não se contém e se torna caridade
pelos irmãos e irmãs. Por isso Santa Clara quer, como Francisco, doar-se ao Senhor. E Francisco
cria com Clara a Segunda Ordem Franciscana, o ramo feminino, as dhamhas pobres. E, dali, Santa
Clara se doa pela caridade e pela adoração ao Santíssimo, na Liturgia, com o apoio dos freis que 
sempre estão ali naquele convento de São Damião. Santa Clara era uma jovem bonita, de rica 
família, que tinha tudo, mas ela sente que tudo aquilo era superficial. Todas as riquezas deste
mundo, todas as aparências, tudo é superficial e apenas uma coisa é importante, seguir Jesus.
Queridas noviças, que hoje professarão seus votos, vocês entram vestidas de noivas. Vocês vêm
ao encontro de seu Esposo, Jesus Cristo. Vocês querem dar-se completamente a Ele. Isso é bonito.
Papa Francisco diz que quem não vive para servir, não serve para viver. As senhoras querem, do 
mesmo modo, empenhar sua vida em algo que vale a pena. E Cristo Jesus é esse Mestre a quem
vale a pena nos doarmos. As senhoras decidem preservar-se das coisas do mundo para merecerem
ser esposas daquele Amado de vossas almas. De fato, tendo Cristo como vosso amado, sois capazes
de compreender o que é o verdadeiro amor, como pode entender Santa Clara. O Senhor não chamou
apenas homens, Ele chama também vocês, mulheres, a servi-lo. E vocês são as mais fiéis. Por isso,
irmãs, não tenham medo dessa escolha que hoje vocês fazem. Pois o amado estará vos esperando,
no fim de vossas vidas, para que juntos vocês deitem-se no leito nupcial, isto é, no reino dos céus.
Hoje, irmãs, na primeira leitura, São Pedro, nosso primeiro papa, diz o que é essencial: Ele não 
tinha ouro, nem prata, como vós, mas tem a Jesus Cristo. As senhoras que escolhem a pobreza
Franciscana como modo de vida, podem não ter as riquezas, mas tem aquilo que é o mais importante
vocês tem Jesus Cristo. E quem o tem, tem tudo aquilo que verdadeiramente importa. E, tendo
Cristo, vocês são capazes de grandes milagres. O vosso grande milagre pode não ser a cura física.
Mas, o vosso grande milagre, é levar Jesus aos corações. É cuidar dos doentes, partilhar o pão,
fazer o vosso Amor ser amado por todos. Este é o vosso milagre. Que vocês sejam sempre sustentadas
pela oração, pela adoração e pela Liturgia. No Evangelho, os discípulos de Emaús reconhecem
Jesus Cristo no partir do pão. Irmãs, é na Eucaristia, na celebração da Liturgia, que vocês terão
seu íntimo encontro com Cristo, com o Ressucitado. Este encontro aquece o coração dos discípulos.
Por isso, irmãs, que cada vez que vocês se encontrarem entorno do altar, dessa mesa do banquete,
escutando Jesus que fala na Palavra, que é explicado na homilia, e que se dá na Eucaristia, vosso
coração seja um coração aquecido. E, um coração aquecido, é um coração cheio de amor. Que
vocês nunca deixem de se apaixonar por Jesus Cristo. Ele, vosso Amado, estará sempre aqui
presente,
para que vocês se amem, para que vocês façam comunhão. Assim, ele quer aquecer sempre o vosso
coração, para ser um coração completamente apaixonado e unido ao seu Sagrado Coração.
E a todos nós, irmãos e irmãs, que estamos aqui nessa Eucaristia, cada vez que vermos essas irmãs,
nos recordemos de Clara e Francisco, que andavam nas estradas de Assis, levando Jesus com 
seu exemplo, e aqueçamos também os nossos corações, e vendo tão grande prova de amor, também
nós nos sintamos interpelados a amar a Deus e a nos doarmos inteiramente por Ele, que Ressuscitado
parte o pão para nós e nos convida a mesa do seu amor. Amém.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

13.04.2020 - Dedicação Santa Clara

Beatíssimo Pai, Paulo IV,
Digníssimos irmãos no presbitério que comigo concelebram esta Eucaristia,
Digníssima Irmã Suzana, superiora da Ordem das Clarissas e em seu nome, saúdo todas as religiosas,
Amados irmãos e irmãs,
Estamos reunidos aqui para dedicarmos essa Igreja de Santa Clara de Assis, sede da Ordem de 
Santa Clara, as Ordem das Damas Pobres. A primeira leitura nos apresenta, no livro de Neemias,
o anúncio da Palavra de Deus feita por Esdras. Precisamos entender o contexto desta Leitura. 
O povo de Deus foi exilado na Babilônia por Nabucodonosor. Quando o povo finalmente pode 
voltar do exílio, eles encontraram o Templo de Jerusalém profanado, a raça misturada, muitos
outros deuses passaram a ser adorados por ali. O povo, então, entra numa profunda tristeza, 
mas Esdras reúne o povo na praça e faz a leitura da Palavra de Deus. A leitura da Palavra anima 
aquele povo. A Palavra do Senhor dá forças para aquele povo voltar as suas orações no Templo,
dedicar o Templo novamente ao Senhor. Assim, irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deve dar vida
a essa comunidade das Clarissas e a todos aqueles que aqui frequentarem a Missa. A Palavra 
deve animar, deve instruir. Aqui, nesse lugar, nessa igreja, a Palavra deve ressoar e atingir o coração
de cada um e de cada uma que aqui passar. E essa Palavra, que é o próprio Cristo, fará de todo 
o povo um só Corpo, o Corpo de Cristo, como vemos na Segunda Leitura. Apenas a Palavra pode
nos fazer Igreja. Se não fosse pela Palavra a Eucaristia não chegaria até nós. A Eucaristia nos alimenta,
mas é a Palavra que nos instrui como membros do Corpo de Cristo. Somos, irmãos e irmãs, um 
Corpo formado pelo nosso batismo. Por isso, esse edifício que hoje dedicamos, só é cheio de sentido,
se for o local do encontro do Corpo de Cristo. Somos pedras vivas que dedicam, santificam e consagram
este templo. Nós, que participamos dessa Solenidade, queremos nos esforçar para sermos edificadores
do Corpo de Cristo, pela Palavra e pelos Sacramentos que daqui serão distribuídos. Que essa igreja,
caríssimos irmãos e irmãs, e, de modo especial, queridas Clarissas, seja sinal de unidade da Ordem
das Irmãs de Santa Clara, como lugar de Caridade e de Adoração, como lugar do vosso encontro
com Cristo Ressuscitado, que aqui sempre se encontrará. Que daqui vocês ressoem, como Maria
Madalena, o feliz anúncio da Alegria do Ressuscitado, que aparece para nós no Evangelho de 
São Mateus. Nessa segunda-feira da Oitava Pascal, o evangelista nos apresenta a preocupação
dos judeus de acharem que roubaram o Corpo de Jesus. Nós cremos, fielmente, que o Corpo do
Senhor se tornou Corpo Glorioso, Ressuscitado, mesmo que até hoje alguns duvidem e achem 
que a Cruz foi o final da vida de Jesus e que seu Corpo foi roubado. Nós cremos que não, cremos
que o Cristo realmente venceu a morte e Ressuscitou. E, o Ressuscitado agora vive entre nós. 
Cremos ainda, que depois da Ascensão, esse Cristo Glorioso subiu aos céus e derramou sobre nós
o Paráclito, para fazer que todos nós sejamos membros do seu Corpo, membros da Igreja do Deus
Vivo e Ressuscitado. E nós, membros da Igreja, santifiquemos esse templo com nossa vida, nossas
obras e nossas orações, e o tornemos glorioso, como é o Corpo de Cristo, que vive para sempre.
Amém.

sábado, 11 de abril de 2020

11.04.2020 - Domingo da Páscoa: Vigília Pascal na Noite Santa

A esperança que trazemos em nós, qual firme e sólida ancora de nossa alma, e por ela, sustentamos
a certeza do terceiro dia. Cantaremos novo tempo de alegria!
Irmãos e irmãs: Não precisamos esperar mais. Não há mais Vigília. A cruz não é mais o final, pois:
CRISTO RESSUSCITOU. ALELUIA! VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU. ALELUIA!
Saúdo com alegria os digníssimos concelebrantes,
Saúdo com alegria a Irmã Suzana e todas as irmãs Clarissas que moram aqui em nosso território,
e acolho com muita alegria em meu coração a cada um e cada uma presente. Irmãos e irmãs, estamos
reunidos na Noite Santa em que Nosso Senhor Jesus Cristo venceu a morte e ressuscitou Vitorioso.
O mundo estava na escuridão. Vivíamos na escuridão do pecado, na escuridão da Morte de Cristo.
Mas, então, veio essa Noite. Só essa Noite sabe em que momento foi. Mas, ao longo dessa Noite,
Noite Santa, o Pai devolveu ao Filho o seu Espírito, e o Filho venceu a morte. Ninguém nunca
tinha vencido a morte. Todos os que ressuscitaram antes voltaram para este mundo. Jesus vence
a morte uma vez por todas. Ele ressuscita e assume um corpo glorioso. Por isso seu corpo é simbolizado
por esta vela grande, o Círio Pascal. Pois o Ressuscitado já não tem rosto simplesmente humano,
ele é glorioso, luminoso. Representado então por esta vela que acendemos no nosso primeiro
momento da Vigília, a Celebração da Luz. No Círio está a Cruz Vitoriosa, as letras alfa e ômega,
pois Cristo é princípio e fim. E estão os algarismos do ano de 2020, nos lembrando que Jesus
ressuscitou hoje. Nós, que como ha quase 2000 anos atrás estávamos aqui, na esperança do retorno
do Mestre, vimos a escuridão dessa noite ser rompida pela claridade, pela luz da ressurreição
de Jesus. Irmãos e irmãs, Cristo rompeu essa noite com uma luz que jamais se apagará. Nós ouvimos,
na primeira leitura, a criação do homem. Ouvimos essa leitura para nos recordar que a ressurreição
é muito maior que a criação do mundo. Mas também ouvimos, pois a criação do homem no sexto
dia conclui a obra da criação, e Deus descansa no sétimo dia. Mas agora, agora chegou o oitavo
dia. Chegou o dia sem fim. Chegou o dia de Cristo. Dia de tal luz que não conhece fim. Irmãos
e irmãs, Jesus viveu a morte em nosso lugar. Eu dizia isso quinta, no começo do tríduo, era preciso
um Deus sacrificado para redimir toda a humanidade e firmar a nova aliança. É isso que nós vemos
na segunda leitura. Isaac é poupado da morte, mas, um carneiro preso no espinheiro pelos chifres
é oferecido em seu lugar. Esse carneiro é a representação de Jesus. Ele, no lugar de todos nós,
é oferecido como sacrifício ao Pai. Ele, como o povo de Israel que vemos na terceira leitura, estava
numa condição de morte. O povo de Israel era escravo no Egito, era uma situação de morte. Mas,
na Páscoa antiga, numa noite como essa, o Pai abriu para eles o mar e eles saíram libertos. O mesmo
acontece com Cristo. Abre-se o mar da morte para que ele saia vitorioso. E não saí sozinho. Traz
consigo toda a humanidade. A terceira leitura, do livro do Êxodo, ainda diz que quando o povo
passou, Deus soltou as águas e matou os egípcios. Quando Cristo passou pela morte e a venceu,
Ele vence o inimigo, o Diabo. Por isso, essa noite, é uma noite batismal. Na Igreja primitiva só
se batizava nessa noite. Pois, nas águas batismais, somos levados. Na água batismal fica nossa
situação de morte e saímos filhos e filhas de Deus. É isso que, já já, pela aspersão da água, vamos
recordar. É isso que São Paulo nos recorda na epístola aos Romanos, a quarta leitura. Nós vivemos
essa Páscoa com Cristo. Essa celebração Pascal deve nos dar forças, agora, para vencer com Cristo.
Já somos vencedores, irmãos e irmãs, pois Ele já venceu. Nós só precisamos ser fortes e persistentes
na vontade do Senhor, nas palavras do Senhor, repetindo seus gestos, seu amor, para vencermos
com Ele. O silêncio dessa noite foi rompido também pelo grande Aleluia. Desde o começo da quaresma
nós não o ouvíamos. Mas ele rompe o silêncio dessa noite para nos anunciar que Jesus Ressuscitou!
Por fim, irmãos e irmãs, no Evangelho vemos o anjo que anuncia as mulheres que Jesus não estava
mais ali no Sepulcro. Elas não precisam de provas. Elas se alegram e vão contar aos discípulos.
Mas, como elas foram fiéis até o fim da vida terrena do Senhor, Ele próprio aparece a elas Ressuscitado.
Elas são as primeiras a vê-lo Ressuscitado. Isso nos lembra que é persistindo até o fim com o Senhor,
que um dia o veremos rosto a rosto, onde, agora, Ele vive e reina para sempre. Meus amados irmãos
e irmãs, que a luz dessa Noite Santa se infunda no mais íntimo de nossos corações. Que essa Noite
nos restaure a esperança e a alegria frente as adversidades que vivemos. Pois, se Cristo venceu
até mesmo a morte, Ele pode vencer qualquer coisa. Que a alegria do Ressuscitado não nos deixe
mais. Que esse novo dia que começamos, o dia da Páscoa do Senhor, o dia sem fim, seja o dia
também da nossa vitória. Vitória das coisas desse mundo. Vitória também sobre nossos pecados.
Vitória, irmãos e irmãs, pois essa é a Noite da Vitória. Sim, ele Ressuscitou e vive para sempre.
Amém.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

10.04.2020 - Sexta-Feira Santa

Por suas chagas nós fomos curados! Irmãos e irmãs, hoje somos todos exatamente iguais, olhando
para o maior mistério da história do mundo. Deus morreu na cruz. Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro
homem, se entrega completamente pela nossa redenção. Suas chagas nos resgatam. Nossa liturgia
de hoje é bem simples. Não estamos numa missa, estamos numa celebração. Fazemos aqui memória
ao grande evento da morte de Jesus. A primeira leitura nos apresentou este Cristo sofredor, no 
quarto canto do Servo. Lemos já os três cantos durante a semana. Hoje, lemos o quarto e último.
O Servo deveria ser maltratado, golpeado e humilhado. Ninguém se preocuparia com ele. Sequer
tinha aparência humana. É Jesus, que Pilatos mandou açoitar, antes de o mandar crucificar. Ele
já não tinha mais aspecto de homem, sua carne aparecia. Quase não havia pele. E ainda sim, Jesus
toma a cruz, e como cordeiro ao abate, vai. Jesus vai calado, pois sabe que é o Cordeiro de Deus.
O Cordeiro, para ser abatido, não grita como os outros animais. Ele vai em silêncio. E no momento
do abate, ele solta uma lágrima. Jesus vai como o cordeiro, maltratado, mas em silêncio. Ele sabe
a importância de seu sacrifício. Este sacrifício foi narrado no Evangelho que ouvimos. A narração
da Paixão por São João. Gostaria de destacar com vocês que no momento em que Jesus diz para
os que foram prendê-lo que ele era Jesus, ele diz: Sou eu. Mas, no hebraico, não importa o lugar
onde fica as palavras, logo, ele diz: Eu sou. Este é o nome de Deus. Jesus, antes da morte, diz que
ele é Deus. E mesmo assim, eles prendem a Deus. Os pecadores já não se importam com quem 
ele é. Seu coração se fechou. Mas, para se opor ao coração dos pecadores, Jesus abre seu coração,
e São João diz que do lado aberto do Cristo jorraram sangue e água, Eucaristia e Batismo. Do lado
do Cristo morto, nasce os sacramentos para a Igreja distribuir, para abrir os corações dos homens
e mulheres para ele. Não há como essa narrativa não nos deixar boquiabertos. Meditemos, irmãos
e irmãs, a grande morte do Senhor. Vos disse na quarta-feira que o Jesus na morte se separa,
o corpo vai para o sepulcro; a alma para a mansão dos mortos e o Espírito para o Pai. Há uma 
ruptura no coração da Santíssima Trindade que não veremos em nenhum outro momento. O coração
de Deus se parte com a morte do Filho. O Filho não deixa de ser Deus, mas está mais separado
do Pai do que nunca, embora esteja junto Dele. Esse mistério do Cristo morto, contemple amanhã,
passe o dia meditando o sentido da morte de Cristo. Mas, medite também o sentido da sua vida, 
o sentido da sua existência. Amanhã é o grande silêncio. Sim, irmãos e irmãs, pois Cristo agora 
penetrou na morte. Deus sente essa morte. Retorno com vocês para a segunda leitura, na carta aos 
Hebreus. O autor da carta coloca Jesus como o sumo sacerdote, que entrou no santuário pelo
seu próprio Sangue. Jesus não precisava da expiação de ninguém. Ele próprio, derramando seu
Sangue, sela com o Pai a nova e eterna aliança, redime ao Pai toda a humanidade, apaga as nossas
penas, se tornando causa de salvação eterna a todos lhe obedecem. Jesus nos mostra, no alto da 
cruz que devemos ser obedientes ao Pai. Obedientes a Deus até o fim. Não que fosse a vontade
do Pai que o Filho morresse. Mas apenas o sacrifício de Deus poderia redimir a humanidade toda.
Essa sim era a vontade do Pai. Que todos seus filhos fossem libertos da escravidão da morte e do
pecado. Irmãos e irmãs, não deixemos que a morte de Cristo tenha sido em vão. Nós também 
somos culpados por essa morte. Rezemos ao Senhor, pedindo a Ele que nos faça capazes de sofrer 
com Ele pelos nossos pecados, numa luta constante para nos afastarmos deles. Que tenhamos 
um coração agradecido, pois Jesus deu-se todo pela nossa salvação. Olhamos o Cristo morto na
Cruz, na aparente derrota, chagado e ferido: esse é o preço das nossas culpas. Pelas suas chagas,
ele pode curar as nossas. Pela sua morte, não morreremos mais. Sejamos agradecidos a Jesus.
Agradecidos pelo seu sacrifício de amor. Que nosso coração hoje seja um coração simplesmente
agradecido. Que nada mais se passe pela nossa cabeça do que: Obrigado por morrer por mim,
Jesus! Por suas santas chagas tu me curaste, só posso te agradecer! Eu te amo! 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

09.04.2020 - Missa da Ceia do Senhor

Digníssimos irmãos que comigo concelebram esta Eucaristia, 
Digníssima Irmã Suzana, superiora da Ordem das Clarissas,
Amados irmãos e irmãs,

estamos reunidos para a Santa Ceia, na qual Jesus Cristo, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja 
um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Hoje pela manhã encerramos a Quaresma 
e nesta tarde iniciamos o tríduo Pascal. A Páscoa do Senhor é celebrada em três dias. O primeiro 
dia é a Sexta-Feira, que já entramos, dia da entrega, a paixão e morte do Senhor. O segundo Sábado 
onde Cristo que permanece na morte. O terceiro dia é o Domingo da Páscoa, onde celebramos 
a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte com sua ressurreição, iniciamos sua celebração na 
Noite Santa e, depois, celebramos o Tempo Pascal por 50 dias. Cristo, hoje, se entrega liturgicamente. 
Mas, a tradição de celebrar a liturgia não foi instituída por Cristo. Por volta de 1313 anos antes de 
Cristo, Deus dá a Moisés e Aarão no Egito uma ordem, uma sequência litúrgica de como cear a Páscoa. 
É isto que nós vemos na primeira leitura. A Páscoa já era celebrada pelos judeus, que comemoravam 
a sua libertação do Egito. O povo era escravo do Faraó no Egito, mas Deus tirou seu povo de lá. 
Essa Ceia que os judeus até hoje celebram, na verdade, prefigurava Jesus Cristo. Cristo é esse cordeiro, 
sem defeito, sem mancha, que devia ser imolado. O sangue do cordeiro devia ser passado no batente 
das portas para que o anjo exterminador não matasse os primogênitos que habitassem naquela
casa. Do mesmo modo o sangue de Cristo que vai ser derramado na cruz é o que nos poupa da 
morte eterna. Por isso, irmãos, Jesus manda seus discípulos fazerem uma Ceia para eles comemorarem 
a Páscoa. Mas, essa comemoração pascal de Jesus se dá um dia antes do dia que se devia celebrar a 
Páscoa. Isso porque chegou o tempo de uma nova Páscoa. Uma Páscoa que precedia em importância 
a primeira Páscoa, era o momento da passagem do Filho do Homem. Ali, na Ceia com os discípulos, 
Jesus instituí o Sacramento do Amor, o Mandamento do Amor e o Ministério por Amor. O Sacramento 
do Amor, é narrado na segunda leitura. Jesus rasga o pão, imaginem a cena, como um sinal que ele 
próprio vai se rasgar. Ele próprio vai se partir, vai ter seu lado rasgado, para nos dar de comer. 
Lembre-se que do lado aberto de Cristo jorrou sangue e água, a Eucaristia e o Batismo. Quando 
Jesus rasga o pão ele nos deixa o sinal que une os dois momentos. Então ele diz aos apóstolos: 
Isso é meu corpo, isso é meu sangue, dado por vós. Pronto, está instituída a Eucaristia. Jesus celebra 
liturgicamente sua paixão. Como um sinal, sim, mas já como celebração verdadeira. Quando ele faz isso, 
ele sabe que não poderia mais voltar atrás. Já estava feito. Ele já tinha se entregado desde o começo, 
a cada gota de suor derramada nos caminhos, mas, agora, sua entrega tinha se levado até o extremo. 
Ele já se deu na Eucaristia. Jesus quis permanecer conosco, e por isso Ele deixa seu Corpo e Sangue. 
Nós aqui celebramos a memória deste evento a cada celebração. Mas cremos, que no Santíssimo 
Sacramento, Jesus está realmente presente. Irmãos e irmãs, ele se entregou. Entrega realizada 
ali para que nós celebremos em sua memória. Ali ele instituiu uma nova e eterna aliança. Que aliança? 
Deus ser nosso Deus e nós sermos o seu povo. Uma aliança agora firmada eternamente. Não mais o 
nosso sangue vai ser usado na aliança. Apenas um sangue vai firmar essa aliança. É o sangue de Cristo. 
Celebramos essa aliança a cada Eucaristia. Para isso, Jesus instituí o sacerdócio. Ao dizer, façam 
isso para celebrar minha memória, ele deu a ordem aos apóstolos. Jesus os instituía 
sacerdotes. 
Mas não sacerdotes por si próprios, sacerdotes ministeriais pelo ministério de Cristo. E esses 
seus sacerdotes exercerão este ministério pelo amor em seu lugar, para que nós recebamos, também, 
essa fonte salvadora. No Evangelho, Jesus instituí o mandamento do amor. Ao lavar os pés dos 
discípulos, ele deixa a eles o mandamento de amar como ele amou. Ele diz: Se vos lavei os pés 
vós também deveis lavar os pés uns aos outros. Mas, compreendamos o que é o lavar os pés. Não é 
um gesto de humildade de Jesus, simplesmente. Lavar os pés é se rebaixar abaixo dos discípulos. 
Lavar os pés é ele dizer que vai se derramar pelos amigos, por aqueles que ama, a humanidade 
toda. Por isso, quando São Pedro diz que o Senhor não o lavaria os pés, Jesus o repreende. Se Jesus 
não se derramasse por Pedro, se Jesus não morresse por Pedro, por todos nós, não haveria vida 
eterna. Ele precisava se derramar por todos. Para que todos tenham parte com Ele, para que todos 
tenham a vida e vida em plenitude. São João é o único evangelista que não narra a Ceia como 
instituição da Eucaristia, mas sim como Lava-Pés. Cristo que se derrama diante dos apóstolos,
de outro modo. E, depois, Jesus dá um mandamento novo, o mandamento do amor. O mandamento 
que resume todos os outros, que se sobrepõe sobre todos os outros. Não devemos mais amar o outro como 
nos amamos. Não! Devemos amar como ele amou. E ele amou dando a vida. Ele amou morrendo. 
Devemos nos amar com capacidade de nos doarmos completamente uns pelos outros, dando a nossa 
própria vida, morrendo por amor. Este é o amor de Cristo. Esta é a medida do amor. Sim, ele deu a vida
por cada um de nós, e nós queremos nos santificar por essa entrega, participando de sua Ceia, 
participando do seu amor. Que sejamos em nossa vida, capazes de entender esses mistérios, de viver 
esses mistérios, para chegarmos, no seguimento de Cristo, na plenitude do amor e da vida. Amém.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

08.04.2020 - Missa e Sermão das 7 Palavras

Amados irmãos e irmãs, estamos na quarta-feira dessa semana maior. Amanhã de manhã vamos
encerrar o tempo da quaresma e começarmos a celebração da Páscoa do Senhor. Neste último
dia da quaresma a liturgia nos apresenta o que é o nosso pecado. Nosso pecado é a traição de Jesus.
Por isso hoje lemos o Evangelho de São Mateus e estamos, como ontem em São João, na noite
da Ceia do Senhor. Se ontem a figura central era São Pedro, hoje é Judas Iscariotes. Judas traí
nosso Senhor. Se segunda-feira Maria gastou com Jesus um perfume de 300 moedas, hoje Judas
traí Jesus por apenas 30 moedas. Eis a diferença entre o pecador e que confia no Senhor. Para 
quem confia em Cristo, para quem o ama, ele tem um altíssimo valor. Para o pecador, não importa,
para ele qualquer coisinha é o suficiente para trair nosso Senhor. Nós também vendemos nosso 
Senhor por muito pouco. O nosso pecado, o nosso abandono a Jesus, traí Jesus. Vendemos o Cristo
por um valor muito baixo. Mas, o próprio Jesus, que manda os discípulos prepararem a Ceia e 
vai cear com eles, diz qual é a consequência de o vender, de o trair: melhor seria não ter nascido.
Isso quer dizer que a consequência do pecado é terrível, a consequência de trair a Jesus é inimaginável
para nós. Mas ainda sim Judas podia ter mudado. Podia ter se convertido e voltado a trás. Mas
ele não faz isso. Judas não se arrepende, mas, ao ver o que fez, ele sente remorso e vai acabar
com sua própria vida. Esse remorso de Judas é diferente do arrependimento do pecador. O pecador
volta para o Senhor. Judas não pode pedir perdão. Ele foi egoísta até o último instante. Olhemos
para a nossa própria vida e reflitamos: Como eu estou traindo a Jesus? Como posso mudar isso?
É agora o momento de mudarmos essas realidades. Logo a ceia vai acabar, logo o Cristo vai ser
morto, logo poderemos também nós morrermos por consequência de nossos pecados. E o que fica?
Mas, mesmo vendido e condenado, Jesus é o Servo Sofredor, como estou repetindo desde o começo
da semana. E hoje, nesse terceiro cântico do Servo que já ouvimos no domingo, vemos que Deus
é o auxiliador do seu servo. Ele justifica seu Servo. Por isso, ninguém pode condenar a Jesus Cristo.
Os homens, Pilatos, Judas Iscariotes, os judeus, todos pensavam estar condenando a Jesus, porém
eles condenavam a si próprios, pois Jesus terá a vitória final. Sim, ele vencerá o mundo e nós 
venceremos com Ele. Amém.

SERMÃO DAS 7 PALAVRAS
O leitor anúncia cada palavra, isto é, cada frase, que é seguida pela meditação do padre.
PRIMEIRA PALAVRA:
 “Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34);

É fácil amar os amigos. É difícil amar os inimigos. Jesus perdoa aqueles que o crucificam. Pede
ao pai que tenha misericórdia daquela gente. Gesto nobre, digno de um Rei, perdoar aqueles
que não mereciam o perdão. Perdoar aqueles que o tirariam a vida e que o causaram tanta dor.
Jesus quer nos ensinar a amar aqueles que nós não amamos. Amar os nossos inimigos. Amar
sem medidas. O amor perdoa. Apenas o amor é capaz de perdoar. Jesus ama a todos, mesmo
aqueles que o crucificam. Jesus ama os pecadores, mesmo condenando seus pecados. Ele ama
a pessoa humana, e não quer que nenhum de nós se perca, por piores que sejamos.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


SEGUNDA PALAVRA:
 “Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43);

Gosto muito daquela frase da música do Pe. Fabio de Melo: "Te tornas amigo do ladrão, só pra
lhe roubar o coração." Sim, irmãos e irmãs, aquele ladrão que provavelmente não sabia a história
de Jesus, não sabia o porque aquele homem estava ali, só sabe do que sabe por ter ouvido os comentários
que rondavam Jerusalém naquele dia, esse ladrão olha para Jesus e crê. Ele tinha tido uma vida
de pecado, mas olha para Jesus no alto da cruz e acredita. Eu fico tentando imaginar o olhar de Jesus,
o modo que Ele olhou para aquele ladrão que o converteu. Se nós olhássemos realmente para Jesus
veríamos a beleza do seu olhar, e não iriamos querer nenhum outro. E Jesus promete a esse homem
o paraíso. No alto da cruz, Jesus mostra que veio para salvar e não para condenar. E aquele ladrão,
São Dimas, é canonizado pelo próprio Jesus. Dimas é para nós sinal que não basta o quanto demoremos,
Jesus vai estar ali por nós, e vai nos oferecer a comunhão com Ele. Ele nos quer consigo.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


TERCEIRA PALAVRA:
 “Mulher, eis aí o teu Filho. Filho, eis aí a tua mãe” (Jo 19,26);

A Igreja não poderia permanecer sozinha. A Igreja não era filha de chocadeira. Ela nascerá em 
alguns instantes, do lado aberto do Cristo, com o sangue e a água, a Eucaristia e o Batismo que
brotarão do seu lado. E Jesus deixa sua mãe aos cuidados da Igreja. Isso era o que João pensava
que ele ia cuidar de Maria. Na verdade, era ela que ia cuidar dele. João era o mais novo, o menos
experiente, o que exigia mais cuidados, era como uma criança aos olhos de Jesus. Por isso ele 
era o mais amado. Jesus o confia aos cuidados de Maria. Ele tinha sido o único fiel até o fim, pois
era puro de coração. E então ele acolhe Maria e ela o acolhe. São agora Mãe e filho. Mas João não
era por si o filho. Toda a Igreja recebia a maternidade de Maria. Por isso pedimos: Mãe, cubra-nos
com teu manto, cuida de nós como crianças. Olha teu povo no meio dessas tempestades, mãe,
e permanece conosco, pois o nosso Senhor e teu Deus te deu a nós. 

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


QUARTA PALAVRA:
 “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mt 27,46);

Para ser sincero essa palavra sempre me causou confusão. Jesus se sente abandonado pelo Pai.
O Pai, que tantas vezes tinha falado e se anunciado nas escrituras, que falou no batismo, que falou
na transfiguração, agora se cala diante da morte do seu Filho. Jesus sente o abandono, a dor da
solidão. Não só do Pai, pois sabe que irá se separar do Pai para entrar na mansão dos mortos,
mas o abandono da humanidade toda. Jesus, utiliza-se de uma palavra do salmo 21, mostrando
que ele rezou até o fim de sua vida. Jesus é homem da oração, e por meio de sua oração, também
nos convida a sermos homens e mulheres de oração. Homens e mulheres que rezam. Homens
e mulheres que sabem que Deus não os abandona. Pois Deus não nos deixa sozinhos quando 
rezamos. Ele se une a nós em nossas orações. Ele está conosco. 

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


QUINTA PALAVRA:
 “Tenho sede!” (Jo 19,28);

A sede de Jesus não é apenas material. Ele tem sede de justiça. Ele tem sede da vida do seu povo.
Ele é a fonte de água viva. Mas, ainda sim, na cruz ele mostra-se humano. Ali, como nos diz aquele
belo hino "Adoro te devote", Jesus esconde sua divindade e mostra sua humanidade. Ele, sim, 
tem sede de água. Ele se revela completamente humano. Mas, ainda sim, ele tem sede da justiça.
Sede do momento em que todos os homens e mulheres da terra poderão ter vida. Ele tem sede
de dignidade. Ele tem sede da conversão dos pecadores. Jesus encontra muitas sedes naquele
momento. Sedes que todos esperavam que ele fosse saciar. Mas Jesus precisa que o coração do
homem se abra a Ele para que Ele possa sanar suas sedes, para que ele possa dar água viva ao
coração do homem. Ele tem sede, mas apenas nós podemos dar o nosso próprio ser, para sanar
sua sede, para que façamos sua vontade.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.


SEXTA PALAVRA:
 “Tudo está consumado” (Jo 19,30);

Apesar de tantas coisas a fazer, Jesus dá sua obra terrena como terminada. Agora não é mais
o momento dele fisicamente operar as obras divinas. É o nosso momento. É o momento da
Igreja levar a frente as obras do Senhor. É o momento da Igreja de batizar, de dar a Eucaristia,
de anunciar a Palavra. É o nosso momento de trabalhar. Ele fez sua parte. E continuará agindo
mas agora pelos seus seguidores e seguidoras, seus discípulos e discípulas missionários do amor.
Tudo está consumado, pois agora vai se dar a salvação de toda a humanidade no seu sangue
redentor. Pois agora o mundo todo vai ser justificado pela suas santas chagas, pela sua paixão.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.

SÉTIMA PALAVRA:
 “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46).

Com o último suspiro que lhe havia, Jesus devolve ao Pai o seu espírito. Ele confiou no Pai por
toda a sua vida. Agora não seria diferente. Ele devolve ao Pai o seu espírito, isto é, o Espírito Santo.
Este Espírito que há em cada cristão batizado. É o nosso espírito que nos liga ao Espírito de Deus.
Jesus entrega ao Pai o espírito num gesto de confiança. Pois, sabe que o Pai vai lhe devolver o 
espírito para o ressuscitar. O espírito era o que ligava Jesus ao Pai. Por isso, agora, para entrar
na morte, Jesus precisa se desconectar do Pai, e experimentar a morte como nós experimentamos.
Seu corpo irá para o sepulcro. Sua alma irá a mansão dos mortos. Seu espírito está nas mãos do Pai.
Sua alma na mansão dos mortos ficará até que o Pai devolva a Ele o Espírito, e então o Cristo
na mansão dos mortos, com a cruz nas mãos, irá libertar todos aqueles que ali experimentavam
a ausência de Deus. Irmãos, quando Jesus entrega o Espírito nas mãos do Pai, há uma ruptura
no coração da Santíssima Trindade. Mas Deus não deixa de ser Deus. Essa é uma questão teológica
difícil de entender. Mas, ela também não é importante. Importante é a confiança de Jesus no Pai.
Importante é que Jesus espera no Pai e o Pai não o abandona. Nós também precisamos esperar.
Esperar no Pai, que também nos dará a vida. Mas, para termos a vida, é preciso perde-la por amor
ao Pai e ao seu plano. Cristo morre. A nós resta a esperança da ressurreição.

Pres: Por vossas santas chagas nós fomos curados, Senhor Jesus.
Ass: Obrigado por suportar o suplício por nós.