quarta-feira, 8 de abril de 2020

09.04.2020 - Missa da Ceia do Senhor

Digníssimos irmãos que comigo concelebram esta Eucaristia, 
Digníssima Irmã Suzana, superiora da Ordem das Clarissas,
Amados irmãos e irmãs,

estamos reunidos para a Santa Ceia, na qual Jesus Cristo, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja 
um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Hoje pela manhã encerramos a Quaresma 
e nesta tarde iniciamos o tríduo Pascal. A Páscoa do Senhor é celebrada em três dias. O primeiro 
dia é a Sexta-Feira, que já entramos, dia da entrega, a paixão e morte do Senhor. O segundo Sábado 
onde Cristo que permanece na morte. O terceiro dia é o Domingo da Páscoa, onde celebramos 
a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte com sua ressurreição, iniciamos sua celebração na 
Noite Santa e, depois, celebramos o Tempo Pascal por 50 dias. Cristo, hoje, se entrega liturgicamente. 
Mas, a tradição de celebrar a liturgia não foi instituída por Cristo. Por volta de 1313 anos antes de 
Cristo, Deus dá a Moisés e Aarão no Egito uma ordem, uma sequência litúrgica de como cear a Páscoa. 
É isto que nós vemos na primeira leitura. A Páscoa já era celebrada pelos judeus, que comemoravam 
a sua libertação do Egito. O povo era escravo do Faraó no Egito, mas Deus tirou seu povo de lá. 
Essa Ceia que os judeus até hoje celebram, na verdade, prefigurava Jesus Cristo. Cristo é esse cordeiro, 
sem defeito, sem mancha, que devia ser imolado. O sangue do cordeiro devia ser passado no batente 
das portas para que o anjo exterminador não matasse os primogênitos que habitassem naquela
casa. Do mesmo modo o sangue de Cristo que vai ser derramado na cruz é o que nos poupa da 
morte eterna. Por isso, irmãos, Jesus manda seus discípulos fazerem uma Ceia para eles comemorarem 
a Páscoa. Mas, essa comemoração pascal de Jesus se dá um dia antes do dia que se devia celebrar a 
Páscoa. Isso porque chegou o tempo de uma nova Páscoa. Uma Páscoa que precedia em importância 
a primeira Páscoa, era o momento da passagem do Filho do Homem. Ali, na Ceia com os discípulos, 
Jesus instituí o Sacramento do Amor, o Mandamento do Amor e o Ministério por Amor. O Sacramento 
do Amor, é narrado na segunda leitura. Jesus rasga o pão, imaginem a cena, como um sinal que ele 
próprio vai se rasgar. Ele próprio vai se partir, vai ter seu lado rasgado, para nos dar de comer. 
Lembre-se que do lado aberto de Cristo jorrou sangue e água, a Eucaristia e o Batismo. Quando 
Jesus rasga o pão ele nos deixa o sinal que une os dois momentos. Então ele diz aos apóstolos: 
Isso é meu corpo, isso é meu sangue, dado por vós. Pronto, está instituída a Eucaristia. Jesus celebra 
liturgicamente sua paixão. Como um sinal, sim, mas já como celebração verdadeira. Quando ele faz isso, 
ele sabe que não poderia mais voltar atrás. Já estava feito. Ele já tinha se entregado desde o começo, 
a cada gota de suor derramada nos caminhos, mas, agora, sua entrega tinha se levado até o extremo. 
Ele já se deu na Eucaristia. Jesus quis permanecer conosco, e por isso Ele deixa seu Corpo e Sangue. 
Nós aqui celebramos a memória deste evento a cada celebração. Mas cremos, que no Santíssimo 
Sacramento, Jesus está realmente presente. Irmãos e irmãs, ele se entregou. Entrega realizada 
ali para que nós celebremos em sua memória. Ali ele instituiu uma nova e eterna aliança. Que aliança? 
Deus ser nosso Deus e nós sermos o seu povo. Uma aliança agora firmada eternamente. Não mais o 
nosso sangue vai ser usado na aliança. Apenas um sangue vai firmar essa aliança. É o sangue de Cristo. 
Celebramos essa aliança a cada Eucaristia. Para isso, Jesus instituí o sacerdócio. Ao dizer, façam 
isso para celebrar minha memória, ele deu a ordem aos apóstolos. Jesus os instituía 
sacerdotes. 
Mas não sacerdotes por si próprios, sacerdotes ministeriais pelo ministério de Cristo. E esses 
seus sacerdotes exercerão este ministério pelo amor em seu lugar, para que nós recebamos, também, 
essa fonte salvadora. No Evangelho, Jesus instituí o mandamento do amor. Ao lavar os pés dos 
discípulos, ele deixa a eles o mandamento de amar como ele amou. Ele diz: Se vos lavei os pés 
vós também deveis lavar os pés uns aos outros. Mas, compreendamos o que é o lavar os pés. Não é 
um gesto de humildade de Jesus, simplesmente. Lavar os pés é se rebaixar abaixo dos discípulos. 
Lavar os pés é ele dizer que vai se derramar pelos amigos, por aqueles que ama, a humanidade 
toda. Por isso, quando São Pedro diz que o Senhor não o lavaria os pés, Jesus o repreende. Se Jesus 
não se derramasse por Pedro, se Jesus não morresse por Pedro, por todos nós, não haveria vida 
eterna. Ele precisava se derramar por todos. Para que todos tenham parte com Ele, para que todos 
tenham a vida e vida em plenitude. São João é o único evangelista que não narra a Ceia como 
instituição da Eucaristia, mas sim como Lava-Pés. Cristo que se derrama diante dos apóstolos,
de outro modo. E, depois, Jesus dá um mandamento novo, o mandamento do amor. O mandamento 
que resume todos os outros, que se sobrepõe sobre todos os outros. Não devemos mais amar o outro como 
nos amamos. Não! Devemos amar como ele amou. E ele amou dando a vida. Ele amou morrendo. 
Devemos nos amar com capacidade de nos doarmos completamente uns pelos outros, dando a nossa 
própria vida, morrendo por amor. Este é o amor de Cristo. Esta é a medida do amor. Sim, ele deu a vida
por cada um de nós, e nós queremos nos santificar por essa entrega, participando de sua Ceia, 
participando do seu amor. Que sejamos em nossa vida, capazes de entender esses mistérios, de viver 
esses mistérios, para chegarmos, no seguimento de Cristo, na plenitude do amor e da vida. Amém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário