um e cada uma nesta tarde de Domingo na Basílica de São Pedro. Estamos celebrando o terceiro
Domingo do Tempo Pascal. Neste domingo, somos convidados a um encontro com o Jesus Ressuscitado.
Na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, São Pedro exclamava as multidões sobre Jesus Ressuscitado.
Os judeus tinham o Rei Davi como um grande líder político, um grande rei de Israel. E, de fato,
Davi reinou gloriosamente sobre Israel. Foi, quase em tudo, fiel a vontade do Senhor. Mas, os judeus
ainda estavam presos a Davi. Davi já fora passado por alguém maior. Pelo Cristo, Senhor. Por isso
São Pedro os adverte que Davi estava morto e eles sabiam onde estava sepultado. Mas, Jesus,
não. Jesus havia Ressuscitado. Seu sepulcro estava vazio. São Pedro narra com grande amor, tanto
ali nos atos dos Apóstolos, quanto depois reforça na segunda leitura, em sua carta, que o Pai ressuscitou
o seu Filho dentre os mortos. Irmãos e irmãs caríssimos, lembrai-vos que a última coisa dita pelo
Pai, no Evangelho de São João, seria que ele iria glorificar o seu Filho. Isso, antes da morte de Jesus.
Porém, quando o Cristo sofreu seu maior sofrimento, sua maior angústia, e súplica ao Pai que
afaste o cálice, quando questiona ao Pai se sentindo abandonado, o Pai se calou. O Pai assistiu
calado a morte do seu Filho amado. Mas, Deus não o abandonou na mansão dos mortos, como
canta Davi no salmo 15 que acabamos de escutar. Na noite Santa da Páscoa, que nós celebramos
em solene Vigília, o Pai ressuscitou o Filho. Deu-lhe de novo o Espírito para que Ele vivesse eternamente.
Porém, os discípulos não entendiam esse mistério. Eles não foram capazes de compreender que
essa era a Ressurreição que Jesus dizia. Por isso, no Evangelho de São Lucas que ouvimos, os dois
discípulos, naquela tarde do Domingo da Páscoa, voltam de Jerusalém a Emaús. Eles voltam desamparados,
desanimados, sem esperança, como se tudo aquilo que eles tinham tivesse acabado. E voltam
conversando. Provavelmente falavam sobre como estavam desapontados com tudo que acontecia.
E Jesus se põe a caminhar com eles. E pergunta-lhes o que havia acontecido naqueles dias. Eles
respondem comentando com aquele homem, que não reconheceram ser Jesus, tudo o que havia
acontecido. Porém, eles ainda não compreenderam que Jesus não era apenas um profeta, que os
seus sumos sacerdotes não eram mais os seus sumo sacerdotes, pois, agora, eles tinham um novo
e eterno sumo sacerdote. E Jesus, como este sumo sacerdote, celebra para eles a Santa Missa.
Começa explicando para eles a Escritura. Os discípulos gostam tanto de ouvir as palavras daquele
homem que o convidam para Cear. E Jesus fica com eles. Jesus entra com eles para a ceia e parte
o pão. Ele faz, com os discípulos Eucaristia. E então, some diante de seus olhos, pois não havia
mais necessidade de estar com eles fisicamente, pois se fez presença Eucaristicamente. Conseguimos
ver, aí, os dois momentos da Santa Missa: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. Mas, há um
detalhe especial: O fim da missa. Ao reconhecer Jesus os dois discípulos partem correndo de volta
para Jerusalém para anunciarem que viram Jesus Ressuscitado. Irmãos e irmãs, essa é a nossa
atitude quando celebramos a Eucaristia. É, depois, anunciarmos, testemunharmos a Ressurreição.
Irmãos e irmãs, a Liturgia de hoje nos questiona, nos deve incomodar: COMO ESTÁ SENDO
A
MINHA EXPERIÊNCIA COM O RESSUSCITADO? Como vem sendo a minha experiência com
a Palavra de Deus? Como vem sendo a minha experiência com a Eucaristia? O meu coração está
ardendo ao ouvir Jesus que fala e que se faz pão para mim? Ou eu venho vindo a Missa e saindo
daqui como um cavalo batizado? Para vir a Missa e não fazer uma verdadeira experiência de Jesus
é melhor ficarmos em casa. Mas, como fazer essa experiência? Nós precisamos ter um coração
aberto ao Senhor. Um coração que acolha o Senhor. Um coração que saiba perceber o Senhor.
Não é fácil ouvir a voz de Deus que fala no nosso íntimo, principalmente nos tempos de dificuldade.
Não é fácil ouvirmos a voz de Deus se o pecado fala mais alto ao nosso coração. Os discípulos
ficam como cegos e não conseguem reconhecer a presença de Jesus. Nós, também, muitas vezes
não somos capazes de reconhecer essa presença e vivemos como se ela não existisse. Mas, irmãos
e irmãs, o Ressuscitado vive entre nós e para sempre viverá. Precisamos aprender a reconhecer
essa presença. E só vamos reconhecer quando nos abrirmos a uma leitura da Palavra a uma vivência
Eucarística, que sejam verdadeiros encontros do nosso coração com o coração de Deus. Aí ele
poderá arder o nosso coração. Aí faremos essa grande experiência do Cristo que está conosco
e vive em nós. Contudo, o Senhor não vive apenas em sua Palavra, na Eucaristia e em cada um.
Embora esteja verdadeiramente na Palavra e na Eucaristia, esta última de forma sacramental.
Precisamos aprender a reconhecer a presença do Senhor no outro. Reconhecer a presença do
Senhor no outro que nos incomoda, que nos importuna, que nos chateia. Jesus está no irmão chato.
Jesus está nos que amamos e nos que não amamos. Jesus está nos pobres, nos sofredores, nos
aflitos. E nós, muitas vezes, não conseguimos ver o Senhor. Não vemos o Senhor pois temos um
coração fechado, rancoroso, mesquinho, egoísta. A nossa experiência com o Senhor, mesmo que
verdadeira interiormente, precisa gerar testemunho. E esse testemunho é o amor que se dá por
todos. Como, o próprio São Pedro diz, pois o Cristo deu seu sangue por nós. Assim, que façamos
a nossa experiência com o Ressuscitado em nós e em nosso coração, para vivermos como verdadeiros
discípulos e discípulas do Senhor, com um coração que arde de amor pelo Mestre. Amém.
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