Irmãos, após saber que sua parenta, Isabel, estava grávida, a Virgem Maria vai a seu serviço. Não foi fácil o caminho. Maria era muito jovem e estava grávida. No percurso até a região montanhosa, corria o risco de ser assaltada, sequestrada, raptada, sofrer violência, inclusive shexhuais, e até ser assassinada. Mas, nenhum medo impede que Maria vá servir. Ela é imaculada, seu coração nunca tendeu ao egoísmo, a pensar apenas em si mesma. Maria poderia considerar que por ser a mãe do Salvador, agora todos deveriam ir até ela para lhe servir. Mas, como faria depois seu Filho, Jesus, ela vai servir. Apesar de todos os riscos, ela se põe a caminho de Isabel para lhe servir. Maria é modelo para a Igreja. Muitas vezes corremos o risco de nos fecharmos e nos tornarmos senhores, não servos. O nosso coração, tantas e tantas vezes tende a um egoísmo, a um egocentrismo, que nos coloca no centro da ação da Igreja, como se fossemos o mais importante. Por outro lado, precisamos ser servos. Quando caírem os tronos, e, com eles, o pseudo-poder que lhe está atrelado, então a Igreja poderá se fazer serva de todos. Não serva apenas com palavras, mas, serva com ações. Infelizmente, costumamos colocar rótulos nas pessoas e suas ações; se olhamos para alguém que se preocupa mais com o serviço da salvação das almas, rotulamos de tradicional; se olhamos para alguém que se preocupa mais com o serviço social, rotulamos de membro da teologia da libertação. Mas nos esquecemos que há uma linha tênue entre os dois, como dizia Dom Helder Câmara: "Quando dou comida aos pobres me chamam de santo e quando pergunto porque são pobres me chamam de comunista". Uma Igreja de rótulos não é capaz de ser serva, pois se preocupa mais em ajuntar pequenos grupos, do que em se unir para salvar ao homem integral. A salvação não pode ser nem só da alma e nem só do corpo, mas, sim, do corpo e da alma. Santo Tomás de Aquino coloca o homem como esse ser constituído de corpo e alma, por isso, deve ser salvo integralmente. Quando a Igreja se unir na salvação do homem integral, realizará plenamente seu serviço e encherá de sentido o que celebra. A celebração, assim, será confirmação daquilo que já vivemos: o serviço. O Magnificat nos lembra isso: Deus é o libertador do homem e da mulher integrais, e essa obra toda se inicia com o Verbo encarnado em Maria e que hoje nos ensina a ir e servir.
segunda-feira, 31 de maio de 2021
domingo, 30 de maio de 2021
30.05.2021 - Solenidade da Santíssima Trindade
Irmãos, neste domingo somos colocados diante do inexplicável mistério da Santíssima Trindade. Nós temos como fundamento de nossa fé a noção de que Deus é um. Desde Abraão, nosso Pai na fé, surge a concepção de que há um único Deus. Até aquele momento, os povos acreditam em diversos deuses e não tinham o conhecimento do Deus único e verdadeiro, logo, não existia o monoteísmo. Mas, a revelação de Deus para Abraão já era trinitária. Quando Abraão estava sob o carvalho de mambré, foram três homens que apareceram a ele, três pessoas. Ainda sim, Abraão compreende a unicidade de Deus e o povo hebreu vai sempre repetir: "Shema Israel, Adonai Elohenu, Adonai Echad.", isto é, "Ouve ó Israel, o Senhor é o teu Deus, um é o Senhor." Acontece, assim, um constante recordar-se que Deus é um só, e é o Senhor daquele povo. Moisés, ouvimos no Deuteronômio, recordava também ao povo que não haviam outros deuses, há um único Deus, o Senhor de Israel, o El Shaddai, Senhor dos Exércitos. Para o povo eleito, ter um Deus para chamar de seu era uma grande honra. Enquanto os povos possuíam diversos deuses, Israel tinha um Deus que era mais forte do que todos os outros deuses. Por isso, era necessário gravar nos corações as leis desse Senhor, para seguir seus passos, cumprir sua vontade, e estar em comunhão com Ele. E toda a História da Salvação vai se desenvolver como uma história de busca e comunhão do povo com seu Deus. Com Jesus Cristo, porém, nos chegará a Revelação de que Deus é trindade. Não são três deuses, é um único Deus. Não é, porém, uma única pessoa, são três: Pai, Filho e Espírito Santo. Onde há a ação do Pai, há a ação do Filho e do Espírito. Apesar disso, não se confundem nunca as pessoas. É diante desse inexplicável mistério que Cristo nos coloca. Não nos põe, porém, para confundir-nos, mas, para que façamos parte da comunhão dessa Trindade. Não seremos, nunca, deuses. Porém, fomos criador a imagem e semelhança da Trindade, capazes da comunhão, capazes de sermos glorificados por Deus. Pelo batismo, já temos o Espírito Santo que nos faz participar da comunhão com Deus. Jesus Cristo, a ação do Espírito Santo, nos fazem chamarmos a Deus de Abá, "meu pai". Temos a possibilidade de uma relação de intimidade com Deus. O batismo nos fez filhos e filhas de Deus, irmãos de Jesus Cristo, participantes na herança, nos dons de Deus. Originalmente na Igreja, se batizava tanto "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" como "em nome do Senhor Jesus", pois se considerava que no nome do Senhor já se inseria a pessoa em todo o mistério trinitário. Mas, essa fórmula caiu em desuso, e permaneceu aquela que até hoje fazemos: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Irmãos, pela nossa filiação na Trindade santíssima, podemos confiar que este mistério de comunhão nos permite participar do amor de Deus e fazermos comunhão com os irmãos, Isto porque, na comunidade dos batizados somos muitos, mas somos uma só Igreja, um só povo, reunido na Santíssima Trindade.
quarta-feira, 26 de maio de 2021
26.05.2021 - Audiência Geral
26.05.2021 - Ordenação Presbiteral
terça-feira, 25 de maio de 2021
25.05.2021 - Visita em Aparecida
segunda-feira, 24 de maio de 2021
24.05.2021 - Nossa Senhora Auxiliadora e Mãe da Igreja
domingo, 23 de maio de 2021
23.05.2021 - Pentecostes
Irmãos, estamos celebrando o nascimento da Igreja, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos com o Pentecostes. A solenidade que hoje celebramos, a terceira em grau de importância dentro do ano litúrgico, encerra para nós o Tempo Pascal. Encerrada a missão de Jesus, ele volta para o Pai, mas, permanece a Igreja e sua missão. Qual é a missão da Igreja? Unir todos os homens sob a mesma aliança firmada no sangue do Senhor. No fatídico episódio da Torre se Babel as línguas se confundiram, mas as línguas de fogo sobre os Apóstolos os apóstolos os possibilitaram reunir todos os povos e nações sob a Igreja de Cristo. Por isso, somos um só corpo, o Corpo de Cristo. Jesus sopra o Espírito Santo na cruz, quando inclina a cabeça e entrega o espírito ao Pai, e este sopro derrama o Espírito do amor sobre toda a humanidade. Quando Ressuscita, Jesus também se põe no meio dos discípulos e sopra sobre eles o Espírito Santo. Mas, o Pentecostes, é o novo sopro do Espírito Santo, que sempre agiu na História da Salvação. Descendo em línguas de fogo, Ele nos impele a professamos nossa fé, explícita em nós os seus dons e nos envia à missão. E os dons não existem para nada, existem para ser colocados em prática. Os dons só podem ser postos em prática numa vida comunitária. Quem não vive para servir, não serve para viver. A vida dos que receberam o Espírito Santo é uma vida que se volta à ação, missionária, evangelizadora, contemplativa, caritativa, enfim, no desenvolvimento dos dons particulares. Acima de tudo, é o Espírito que nos chama e nos possibilita alcançarmos a santidade. Sim, irmãos e irmãs, existimos para sermos santos, para nos unirmos plenamente a Deus. Mas só se une a Deus quem é capaz de construir pontes e não muros, de fazer unidade. O Espírito Santo é o que une nosso espírito humano a Deus, mas é quem também nos une como irmãos e irmãs. Em toda a humanidade, há germes desse Espírito que precisamos fazer florescer. As divisões existentes não são obras do Espírito Santo. Qualquer separação não acontece por vontade de Deus. Rezemos pelos Ortodoxos, Luteranos, Calvinistas, Batistas, Pentecostais, pelos Católicos Progressistas e Tradicionalistas, enfim, por todos os cismáticos, todos os que deixaram o corpo de Cristo, para que voltem à unidade. Quando cortamos um membro, não só o membro morre, mas o corpo fica ferido. O Corpo de Cristo está aleijado, com partes faltando, enquanto todas essas divisões continuarem a ocorrendo na Igreja. Precisamos entender que unidade não é uniformidade, e que o importante é todos permanecermos sob a ação do Espírito Santo, que inspirou as escrituras, os concílios desde Jerusalém até o Vaticano II, a verdadeira Tradição. Utilizemos dessa nova linguagem única que nos trouxe o Espírito Santo: o amor! Pois, o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo seu Espírito que habita em nós! Aleluia! Aleluia!
quinta-feira, 20 de maio de 2021
21.05.2021 - Vigília de Pentecostes e Encerramento do Sínodo dos Bispos
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Observações para a III Sessão Sinodal
segunda-feira, 17 de maio de 2021
17.05.2021 - Abertura do Sínodo
Irmãos, estamos reunidos para darmos abertura ao XI Sínodo dos Bispos, neste ano em que celebramos os quinze anos de nossa Igreja. O Sínodo este ano, tem, então, um tom diferente. A partir da realidade da formação de nosso clero, a Igreja quer dar passos significativos. Olhar para o nosso passado, nestes quinze anos, e observarmos erros e acertos poderá nos proporcionar passos concretos para atualizarmos a nossa formação nos seminários e, também, a formação permanente de nosso clero. Estes projetos, tão sonhados anteriormente, precisam ser revistos e colocados em prática, numa Igreja que se coloque verdadeiramente a escuta do Divino Mestre, para ser por Ele formada. E nossa formação conta com o auxílio do Espírito Santo. Nos Atos dos Apóstolos nós vimos que haviam pessoas que mal conheciam o Espírito Santo. Hoje, irmãos queridos, corremos o risco de mesmo conhecendo não o deixarmos agir. É preciso que vivamos um novo Batismo, uma nova descida do Espírito, um novo Pentecostes sobre toda a Igreja, para assim celebrarmos este Sínodo. Se fecharmos os nosso corações à ação do Espírito Santo, queridos Bispos, nosso Sínodo não levará a lugar algum. Agora, se abrirmos o nosso coração e nossa mente à inspiração do Espírito Santo, este infundirá em nós a Divina Vontade e nós a realizaremos. É o Espírito que nos dará aquela mesma convicção que Paulo tinha ao pregar na sinagoga. Agora, o Espírito nos concederá o dom da Verdade, o dom da Sabedoria, todos os seus dons, que em nossos corações humanos nos ensinarão a discernir a voz de Deus no meio de nossas vontades e desejos. Iniciamos este Sínodo, esta noite, com um único propósito: ouvirmos a voz de Deus e descobrirmos quais são os rumos que nossa Igreja deve tomar. Até pensamos em adiá-lo, para que mais gente possa participar. Mas, não, ele precisa ser agora. Precisa ser realizado com os poucos que sofrem na labuta diária pelo bem de nossa Igreja, com os que derramam suor e lágrimas o ano aqui conosco. Mediante a tantas tribulações que vivemos, queremos que este Sínodo seja momento de rever os passos e alcançar novas perspectivas. Por que temos medo de como vai se desenrolar este Sínodo? Está nas mãos do Senhor! E Ele é vitorioso! Nos abandonemos nas mãos de Cristo, abramos nosso coração a infusão do Espírito e iniciemos nosso Sínodo, para que ele seja do agrado do Pai. Nessa noite, é o próprio Senhor Jesus que nos anima: NO MUNDO, TEREIS TRIBULAÇÕES. MAS, TENDE CORAGEM! EU VENCI O MUNDO!
domingo, 16 de maio de 2021
16.05.2021 - VII Domingo da Páscoa
Irmãos, Cristo subiu aos céus não para se afastar de nós, mas, para que Deus nunca mais possa se esquecer de nós. Cada um de nós, com nossas particularidades, nunca mais seremos esquecidos por Deus. Pois toda a humanidade foi eternamente inserida no coração de Deus. E Cristo, agora junto do Pai, não cessa de interceder por nós. São João nos descreveu no seu Evangelho uma bonita oração que chamamos de oração Sacerdotal de Jesus. É Jesus que como sacerdote intercede ao Pai pelos seus. E essa oração está localizada entre a Ceia e a Cruz, lembrando que é nesse contexto que se insere nossa missão sacerdotal. E era ali, o momento em que Ele ia se fazer sacrifício, ali era o momento propício de pedir pelos seus. É a mesma coisa que fazemos na Eucaristia. Entre a Ceia, Consagração, e a Doxologia, a separação do Corpo e Sangue de Jesus, que o sacerdote faz as intercessões. Essas intercessões que fazemos não é em nosso próprio nome, mas, em nome da Igreja, em nome do Corpo do Senhor Ressuscitado. É ele quem faz da nossa missa a sua ação e não cessa de interceder por nós ao Pai, e o Pai o atende, nos guarda na verdade, que é o próprio Cristo, e nos sustenta na missão. Essa missão é dada por Jesus a cada um de nós. Em cada cristão há um coração missionário, ansioso por testemunhar Jesus Cristo. E quem não tem essa ânsia, não é cristão. Agora, nos céus, Jesus não está mais em um só lugar na humanidade, mas, está em todos os lugares, dentro do coração humano de cada um que o ama. Irmãos, Cristo intercede por nós, irmãos e Deus nunca se esquecerá de nós. E não se esqueceu de nós desde o começo da Igreja. Logo após a Ascensão do Senhor, os Apóstolos se reúnem e, por iniciativa de São Pedro, Matias é escolhido para ocupar aquele lugar vacante no colégio dos Apóstolos. Mas, Matias não é escolhido simplesmente por ação humana, é escolhido pela "sorte". Só que a sorte, aqui, não é a mesma sorte que nós compreendemos hoje. A sorte, aqui, pode ser compreendida como destino, como ação de Deus na história de Matias. Deus age na História e lhes concede São Matias. Depois disto, os Apóstolos não fundarão Igrejas para deixa-las vacantes, pelo contrário, sempre suscitarão Bispos, seus sucessores, para velarem por aquelas Igrejas, para as manterem íntegras na fé. Quanto mais Igrejas vão sendo fundadas, mais vai sendo necessária a criação de novas cátedras, de novos Bispos. Irmãos, por fim, hoje quantos homens não vivem na Igreja por um carreirismo desenfreado? Contudo, este é completamente inútil. Quem faz as coisas buscando chegar em algum lugar na Igreja, buscando uma mitra, um episcopado, um cardinalato, não merece chegar em lugar algum. No fundo, o importante é que Deus lança a sorte, isto é, é Ele que determina nosso destino. Podemos ser fieis trabalhadores, melhores do que muitos outros, só que Deus chama os que quer, como quer e quando quer. Que cada um se esforce, não para chegar em algum lugar, mas, para agradar a Deus e ele nos guiará para onde Ele quiser. Pois, no fundo, no fundo, não importa onde e como, importa sermos testemunhas do Senhor, para que em toda a Terra ele possa se fazer presente.
Irmãos caríssimos, a nossa comunidade está aqui reunida, com muita alegria, para fazermos a bênção deste altar. Participemos nesta ação sagrada com piedade e devoção, e peçamos a Deus que olhe com bondade para a oblação da Igreja que vier a ser colocada sobre este altar, e faça do seu povo uma oferenda eterna à sua glória.
quinta-feira, 13 de maio de 2021
13.05.2021 - Ascensão do Senhor
quarta-feira, 12 de maio de 2021
12.05.2021 - Dois meses do Pontificado
Irmãos, o Espírito Santo agiu desde o início da história da Igreja, revelando-nos a Verdade. Estamos, com o Evangelho, no contexto da última Ceia ainda, Cristo está andando com os discípulos, indo para o jardim, onde será entregue. Jesus anuncia aos discípulos que eles ainda não eram capazes de compreender a fé na integridade. Mas, ao longo da História, o Espírito Santo iria trazer a Revelação. A Revelação, por sua vez, é obra trinitária. E, foi a Revelação que se manifestou com o belíssimo discurso de São Paulo no Areópago. Para muitos gregos, existiam diversos deuses, um para cada realidade. Com medo de se esquecerem de algum deus, os gregos fizeram um altar para o "deus desconhecido". São Paulo, no Areópago, une a cultura grega com o cristianismo pela primeira vez, num processo de inculturação autêntico. São Paulo anuncia o Senhor Adonai, o Deus trindade, como aquele que os gregos ainda não conheciam e diz que esse Deus é superior a todos os outros deuses. Ele é Criador, e é Espírito, por isso não é idolatrado nos ícones. Irmãos, é bonito o modo como a história da filosofia já tinha preparado um lugar para a chegada de Jesus. A filosofia grega chegou ao seu auge com Platão e Aristóteles, mas, mesmo eles ainda estavam na ignorância. Agora, porém, chegara a Revelação de Deus, que deveria servir como base para toda a razão do homem. Apesar de que, naquele momento, nem todos aderiram a fé em Deus, mas, apenas alguns, a história mostrou-nos como o Cristianismo - sobretudo com Santo Agostinho, Santo Anselmo e Santo Tomás de Aquino - incorporaram as filosofias gregas, de tal modo que as cristianizaram. Hoje, deste modo, o império grego não existe mais, nem mesmo a força de sua filosofia, mas, permaneceu o nosso Deus - que, na ignorância, muitos não quiseram aderir, se tornou, porém, o único Deus, o digno de louvor e de glória. Mas, a Revelação, mesmo que esgotada em Jesus Cristo - como nos afirma a Igreja - não deixa de ser lida e interpretada através dos tempos. Por isso, em Fátima, nossa Senhora decide aparecer aos três pastorzinhos, festa que estamos celebrando. Maria, cheia do Espírito Santo, se faz boca para que Deus possa transmitir sua mensagem, pedindo que todos os homens se voltem para Ele. A mesma mensagem dada aos gregos, é dada por Fátima à sociedade hodierna. Este mundo que, cada vez mais se afasta de Deus, precisa urgentemente se recordar do seu Senhor, Daquele que hoje, para nós, já se tornou desconhecido. Conhece a Deus quem o ama, mas, não basta isso, é preciso ir até as Escrituras, ao altar, ter uma relação profunda com o Senhor. Maria pede, em Fátima, oração. E o que é oração, senão intimidade com o Senhor? Por fim, irmãos, que alegria estar reunido com cada um de vocês nessa noite, para rendermos graças a Deus pelo segundo mês do meu ministério petrino. Que nossa proximidade com Deus, nossa intimidade com Ele, de cada membro da Igreja, nos ajude a fazer uma Igreja cada vez mais reflexo do seu Divino Redentor, uma Igreja anunciadora, missionária, reunida entorno do altar. Obrigado, Jesus, muito, muito, muito obrigado pelo meu ministério como Bispo de Roma, por vossa ajuda, inspiração e sabedoria. Obrigado, Jesus, pelos fiéis colaboradores e pelos desafios. Obrigado, Jesus, pois não me deixastes desamparado. Me destes a tua Mãe, e minha Mãe, a Senhora hoje venerada sob o título de Fátima, e ela permanece com a Igreja, e nos guia a ti. Obrigado, Jesus! Como ato de agradecimento, celebramos essa Eucaristia e, agora, ofertamos nossa própria vida em teu altar.
domingo, 9 de maio de 2021
09.05.2021 - VI Domingo da Páscoa
Irmãos, nós somos amigos de Cristo. Não somos servos, obrigados a fazer o que ele manda. Somos amigos e podemos escolher fazer o que ele nos quer. Na verdade, só seremos amigos se fizermos o que Ele nos manda. E o que Ele nos manda? É um mandamento novo, superior a todos os outros mandamentos. É amar como Ele amou. É uma nova medida para o amor. Cristo torna-se a medida para tudo na nossa vida! Sermos como Cristo, assumirmos a sua semelhança, é o nosso objetivo de vida. Nesse domingo, a Liturgia continua a dinâmica do domingo passado. Devemos permanecer em Jesus. Mas, se ele vai aos céus, o que celebramos nesta quinta-feira com a Ascensão, como permaneceremos com Ele? Permaneceremos se permanecermos no amor. Pois o Cristo vai e nos enviará o Paráclito, o Espírito Santo que é a união do nosso espírito humano com o próprio Deus. O Espírito Santo é o Espírito do amor e que nos torna capazes de amar. Quem não tem o Espírito Santo não é capaz de amar, pois o próprio Deus é amor e nos concede o dom de amar. Não nos basta, porém, amar só aqueles que nos amam. Devemos amar a todos em Cristo Jesus. Nós ouvimos nos Atos dos Apóstolos o relato da conversão de Cornélio, o primeiro pagão a se converter ao Cristianismo. O próprio ministério de Jesus era, em primeiro lugar, para o povo da antiga aliança. Jesus sempre está passando pelas sinagogas, ou entrando e saindo das cidades, pois é um ministério ao povo hebreu. Mas, não se fechou neles o ministério. Assim, com Cornélio, o Espírito Santo se move no coração de São Pedro e o levará a batizar aquele pagão. E o próprio São Pedro vai dizer que ele percebe que Deus não faz distinção de pessoas. E isso é fato, irmãos, para Deus não importa sermos brancos, pretos, amarelos ou indígenas, homens, mulheres, transexuais, heterossexuais ou homossexuais, independente da posição política, todos somos iguais diante de Deus. Ele olha para todos nós com os mesmos olhos. O que define a nossa relação com Deus é o jeito que olhamos para Ele. Pois Deus acolhe os pecadores, mesmo não acolhendo o pecado, ama-nos mesmo que não o amemos o suficiente. Precisamos nós também sermos uma comunidade de acolhida para as mais diversas realidades e verdadeiramente amarmos a todos. Não só dizermos "eu te amo", pois isso é fácil. Precisamos amar com atitudes, demonstrar o amor. Muito mais do que falarmos, o amor se manifesta no carinho e cuidado. Quem ama, cuida. E Deus é aquele que cuida de nós acima de tudo. E que amor, humanamente, é maior que o de mãe? Neste dia das mães, louvamos a Deus por todas as mulheres que são mães, as que geraram, que criaram, que cuidam dos outros. As mães sempre tendem a cuidar dos outros. É um cuidado tão grande que cuida não apenas dos filhos. Assim nos lembramos o que disse o Papa João Paulo I: "Deus é mãe. É Pai, mas, também é mãe.". Que todos nós olhando para Deus e seus cuidados com a humanidade, para Maria, rosto materno de Deus, e para todas as mamães, possamos aprender a cuidar dos que vivem ao nosso redor, amando-os verdadeiramente, como o próprio Cristo amou.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
06.06.2021 - Visita a Salvador
Permanecer, permanecer, permanecer. Porque será que a Palavra insiste tanto em permanecer? Ontem Jesus diz 7 vezes que é preciso permanecer e hoje diz mais 3 vezes. Permanecer, irmãos, é estar junto. Permanecer é não se separar. Irmão, nessa noite eu te pergunto: o que vem te obrigado a não permanecer com o Senhor? Qual é a causa que te afasta de Jesus? Por que não permaneces? Por que não ficas junto? Por quê? Qual é o âmbito da sua vida que não vem te permitido fazer comunhão plena e sincera com Jesus? Quais são os pecados que você vem acorrentando dentro de você e não permite que saia? Por que você não se liberta dessa escravidão que te afasta de Jesus? Por acaso isso é melhor que o Senhor? O Senhor nessa noite te convida: "VOLTA PARA MIM, MEU FILHO, MINHA FILHA! Permanece em mim. Permanece em meu amor. Não te afastes! Queres a verdadeira alegria? Só eu posso te dar. Para de procurar no mundo o que só em mim encontrarás! Procure em mim a fonte da tua alegria e acharás uma alegria verdadeira, e ninguém poderá tirá-la de ti."
Irmão, irmã, está na hora de voltar teu coração a Jesus, unir teu coração ao Dele e permanecer aí para sempre. Apesar das quedas e limitações, é preciso sempre voltar e permanecer. Permanecer em Jesus: eis o nosso desejo, eis a nossa batalha, eis a nossa vitória!
quarta-feira, 5 de maio de 2021
05.05.2021 - Visita a Salvador
Irmãos, é preciso manter a unidade. A liturgia de hoje é uma liturgia da unidade, propícia para o encerramento desta Jornada de Comunhão. A primeira leitura nos apresentou o problema da circuncisão que levou ao Concílio de Jerusalém. Quando os apóstolos enfrentam uma dificuldade, eles não decidem sozinho, não agem sozinho. Pelo contrário, eles vão a Jerusalém para na unidade decidirem. Uma Igreja que não é Igreja de Unidade e Comunhão, é uma Igreja onde cada um caminha em uma direção. Indo em diferentes direções, mantemos a Igreja parada. Cada um quer puxar ela para o seu lado e ela não vai para lugar nenhum. Por outro lado, quando agimos na unidade, levamos a Igreja no caminho de Cristo. É preciso permanecermos unidos a Ele também. Sim, irmãos, não só nos unimos com a comunhão da Igreja, mas, também, nos unimos ao Senhor. Mantermos a comunhão com Jesus é a nossa garantia de seguirmos a estrada certa. Mesmo com nossas diferenças de posicionamentos eclesiológicos, teológicos, filosóficos e políticos, se nos mantermos unidos a Cristo e a sua Igreja, vamos estar caminhando na estrada certa. Mas, se não nos mantermos em comunhão, se formos diabos, divisores, rompermos com o Corpo de Cristo, então nosso caminho nos levará em direção ao inferno. Sejamos, irmãos, construtores da unidade e comunhão. Deste modo encontraremos a vida eterna unidos com Deus, pois o próprio Deus é comunhão na Trindade de amor.
domingo, 2 de maio de 2021
02.05.2021 - V Domingo da Páscoa
Irmãos, é preciso permanecermos unidos a Cristo. Sem Cristo nossas atividades não serão frutuosas. Nós sabemos que existem grupos na Igreja que querem plantar outras videiras, mas não querem permanecer unidos a videira verdadeira. Cristo é gerador de comunhão. A videira precisa de podas, mesmo dos bons frutos, para que dê ainda mais frutos. É nesse espírito que podemos interpretar os acontecimentos do Concílio Vaticano II. A Igreja já dava frutos, mas o Senhor sentiu a necessidade de podar sua Igreja, para que pudesse dar ainda mais frutos. Mas, tem gente que não aceita a ação transformadora e, ao invés de dar frutos, se tornou galho seco, pronto para ser queimado no inferno. Esses galhos chegaram até a se replantar em cismas, na esperança de produzir frutos, mas não estão mais unidos a videira verdadeira. E, assim se dá, em nossa realidade, com todos os irmãos separados. Pessoas que queríamos que estivessem aqui, mas, preferiram ir por próprios caminhos, não aceitaram a poda, não quiseram ser ramos da videira. É claro irmãos, que muitas vezes é nossa culpa. Vejam só Paulo na primeira leitura. Todos desconfiavam dele, mas Barnabé o insere na comunidade. Muitas vezes nós não somos acolhedores e afastamos as pessoas. E é nessa mesma dinâmica que São João com um carinho e um tapa na cara ao mesmo tempo nos lembra que devemos amar com gestos, não com palavras vazias. Amar a Cristo, amar os irmãos, pelos gestos. Precisamos urgentemente de mais gestos de acolhida com aqueles que vem até nós, principalmente aqueles que vem para trabalhar conosco, aqueles que vem com o verdadeiro desejo de se unir a essa videira que é Cristo e ser seus ramos. E os que não querem ser ramos, estando dentro ou fora da Igreja, os que querem se dividir da verdadeira videira, Jesus Cristo e sua Igreja - encabeçada pelo Santo Padre -, estes vão secar e serem lançados no fogo. Mas, quem permanece na videira e vive a Palavra, este vai se unir a Deus para sempre e viver a comunhão do amor.