segunda-feira, 31 de maio de 2021

31.05.2021 - Visitação de Nossa Senhora

Irmãos, após saber que sua parenta, Isabel, estava grávida, a Virgem Maria vai a seu serviço. Não foi fácil o caminho. Maria era muito jovem e estava grávida. No percurso até a região montanhosa, corria o risco de ser assaltada, sequestrada, raptada, sofrer violência, inclusive shexhuais, e até ser assassinada. Mas, nenhum medo impede que Maria vá servir. Ela é imaculada, seu coração nunca tendeu ao egoísmo, a pensar apenas em si mesma. Maria poderia considerar que por ser a mãe do Salvador, agora todos deveriam ir até ela para lhe servir. Mas, como faria depois seu Filho, Jesus, ela vai servir. Apesar de todos os riscos, ela se põe a caminho de Isabel para lhe servir. Maria é modelo para a Igreja. Muitas vezes corremos o risco de nos fecharmos e nos tornarmos senhores, não servos. O nosso coração, tantas e tantas vezes tende a um egoísmo, a um egocentrismo, que nos coloca no centro da ação da Igreja, como se fossemos o mais importante. Por outro lado, precisamos ser servos. Quando caírem os tronos, e, com eles, o pseudo-poder que lhe está atrelado, então a Igreja poderá se fazer serva de todos. Não serva apenas com palavras, mas, serva com ações. Infelizmente, costumamos colocar rótulos nas pessoas e suas ações; se olhamos para alguém que se preocupa mais com o serviço da salvação das almas, rotulamos de tradicional; se olhamos para alguém que se preocupa mais com o serviço social, rotulamos de membro da teologia da libertação. Mas nos esquecemos que há uma linha tênue entre os dois, como dizia Dom Helder Câmara: "Quando dou comida aos pobres me chamam de santo e quando pergunto porque são pobres me chamam de comunista". Uma Igreja de rótulos não é capaz de ser serva, pois se preocupa mais em ajuntar pequenos grupos, do que em se unir para salvar ao homem integral. A salvação não pode ser nem só da alma e nem só do corpo, mas, sim, do corpo e da alma. Santo Tomás de Aquino coloca o homem como esse ser constituído de corpo e alma, por isso, deve ser salvo integralmente. Quando a Igreja se unir na salvação do homem integral, realizará plenamente seu serviço e encherá de sentido o que celebra. A celebração, assim, será confirmação daquilo que já vivemos: o serviço. O Magnificat nos lembra isso: Deus é o libertador do homem e da mulher integrais, e essa obra toda se inicia com o Verbo encarnado em Maria e que hoje nos ensina a ir e servir.

domingo, 30 de maio de 2021

30.05.2021 - Solenidade da Santíssima Trindade

Irmãos, neste domingo somos colocados diante do inexplicável mistério da Santíssima Trindade. Nós temos como fundamento de nossa fé a noção de que Deus é um. Desde Abraão, nosso Pai na fé, surge a concepção de que há um único Deus. Até aquele momento, os povos acreditam em diversos deuses e não tinham o conhecimento do Deus único e verdadeiro, logo, não existia o monoteísmo. Mas, a revelação de Deus para Abraão já era trinitária. Quando Abraão estava sob o carvalho de mambré, foram três homens que apareceram a ele, três pessoas. Ainda sim, Abraão compreende a unicidade de Deus e o povo hebreu vai sempre repetir: "Shema Israel, Adonai Elohenu, Adonai Echad.", isto é, "Ouve ó Israel, o Senhor é o teu Deus, um é o Senhor." Acontece, assim, um constante recordar-se que Deus é um só, e é o Senhor daquele povo. Moisés, ouvimos no Deuteronômio, recordava também ao povo que não haviam outros deuses, há um único Deus, o Senhor de Israel, o El Shaddai, Senhor dos Exércitos. Para o povo eleito, ter um Deus para chamar de seu era uma grande honra. Enquanto os povos possuíam diversos deuses, Israel tinha um Deus que era mais forte do que todos os outros deuses. Por isso, era necessário gravar nos corações as leis desse Senhor, para seguir seus passos, cumprir sua vontade, e estar em comunhão com Ele. E toda a História da Salvação vai se desenvolver como uma história de busca e comunhão do povo com seu Deus. Com Jesus Cristo, porém, nos chegará a Revelação de que Deus é trindade. Não são três deuses, é um único Deus. Não é, porém, uma única pessoa, são três: Pai, Filho e Espírito Santo. Onde há a ação do Pai, há a ação do Filho e do Espírito. Apesar disso, não se confundem nunca as pessoas. É diante desse inexplicável mistério que Cristo nos coloca. Não nos põe, porém, para confundir-nos, mas, para que façamos parte da comunhão dessa Trindade. Não seremos, nunca, deuses. Porém, fomos criador a imagem e semelhança da Trindade, capazes da comunhão, capazes de sermos glorificados por Deus. Pelo batismo, já temos o Espírito Santo que nos faz participar da comunhão com Deus. Jesus Cristo, a ação do Espírito Santo, nos fazem chamarmos a Deus de Abá, "meu pai". Temos a possibilidade de uma relação de intimidade com Deus. O batismo nos fez filhos e filhas de Deus, irmãos de Jesus Cristo, participantes na herança, nos dons de Deus. Originalmente na Igreja, se batizava tanto "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" como "em nome do Senhor Jesus", pois se considerava que no nome do Senhor já se inseria a pessoa em todo o mistério trinitário. Mas, essa fórmula caiu em desuso, e permaneceu aquela que até hoje fazemos: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Irmãos, pela nossa filiação na Trindade santíssima, podemos confiar que este mistério de comunhão nos permite participar do amor de Deus e fazermos comunhão com os irmãos, Isto porque, na comunidade dos batizados somos muitos, mas somos uma só Igreja, um só povo, reunido na Santíssima Trindade.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

26.05.2021 - Audiência Geral

Irmãos, vamos iniciar hoje uma série de duas catequeses sobre a obra "Introdução ao Espírito da Liturgia" do Papa Emérito Bento XVI.                  
Vamos a um breve histórico de nosso autor: O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, nasceu em Marktl am Inn (Alemanha) no dia 16 de Abril de 1927 (Sábado Santo), e foi batizado no mesmo dia. Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951. No ano de 1953, doutorou-se em teologia. De 1962 a 1965, foi perito no Concílio Vaticano II. Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. Paulo VI criou-o Cardeal em 27 de Junho do mesmo ano. Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica. João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional. Em 19 de Abril de 2005 foi eleito papa, adotando o nome de Bento XVI. Desde 28 de Fevereiro de 2013 é Bispo Emérito de Roma.
No ano 2000, o Cardeal Ratzinger publica a obra que será o nosso objeto de exposição. Logo no inicio do texto, o autor explica a sua motivação ao escrever a obra: que seja uma contribuição para a renovada compreensão da Liturgia, que talvez pudesse servir de estímulo para um novo movimento litúrgico. Na primeira parte trata-se sobre a essência da liturgia. Ela é uma forma completamente diferente das demais de oração, pois é uma antecipação da liturgia celeste - este ponto será reafirmado diversas vezes ao decorrer do livro – e ela não existe por si própria. Já no antigo testamento, o Senhor sela com Moisés a aliança que se concretiza numa forma de culto minuciosamente regulamentado. A verdadeira liturgia pressupõe que Deus responda e mostre de que modo devemos adorá-lo, enquanto a história do bezerro de ouro é uma advertência contra um culto realizado segundo o molde pessoal e a busca de si mesmo. A liturgia demonstra a história de amor entre Deus e o homem. Ratzinger trabalha o aspecto do sacrifício, que em todas as religiões o núcleo fundamental parece ser o sacrifício. Mas, que satisfação teria Deus com a destruição? Na verdade, ela esconde um ato de reconhecimento da soberania de Deus sobre todas as coisas, e demonstra que a humanidade entrega tudo a Deus. Tem também, na liturgia, uma dimensão cosmológica, pois no culto se olha para o que existe acima de todo o ser, e é movimento de retorno e redenção. Esta última é entendida como libertação do peso da finitude. O sacrifício assume a forma da cruz de Cristo, do amor que se doa, a qual realiza uma nova criação, e continua a realizando esse mesmo ato em cada vez que se celebra a liturgia. Desde o sacrifício de Isaac, todos os costumes no que se refere ao sacrífico se mostraram provisórios. Eles indicam ao Justo que morre na cruz. Com a ressurreição do Cristo inicia-se uma nova visão do sacrífico e um novo templo para o sacrifício. Jesus Cristo que estará na presença de Deus será o lugar de todo culto. Quando os evangelistas narram que na hora da morte de Jesus o véu do templo se rasgou, querem dizer a função do templo antigo foi destruída. O culto antigo acabou. Agora é a hora do verdadeiro cordeiro.                  
A segunda parte trata sobre o tempo e lugar na liturgia. Ali o cardeal expõe que o ato interior da paixão do Senhor não teria consistência sem a crucificação, que supera o tempo. Assim o passado e o presente se interpenetram, o evento transmite toda a sua força aos presentes. Até o final dura o hoje de Cristo. O culto é celebrado pelo próprio Cristo diante do Pai, mas desde as origens os cristãos utilizam-se das casas de oração que tem uma íntima ligação com a sinagoga, sua estrutura e suas formas de culto. Os cristãos costumavam rezar voltados para o Oriente, para o sol que nasce. Não se trata de um culto solar, mas é o cosmos que fala de Cristo. Ele é representado pelo sol, ele é o lugar da Shekinah, verdadeiro trono de Deus, em várias partes da cristandade a direção do oriente é apontada pela cruz. Diante disso, Ratzinger trabalha que em nenhuma refeição da era cristã o presidente de uma assembleia de comensais ficava de frente para os participantes, todos eles ficavam do mesmo lado da mesa. Na verdade, isso dá ideia de um todo fechado em si mesmo. Mas há um ponto problemático nessa questão, pois muitos reconhecem o antigo como único critério de original, mas descartam tudo que houve na Idade Média e após Trento como lixo. Assim, dadas diversas objeções, demonstrou-se que não é necessário olhar para o oriente, mas sim para a cruz, que é o Oriente interior da fé. Ela deve estar situada no centro do altar, como ponto para onde converge tanto o olhar do sacerdote quanto da comunidade. Por fim, sobre este assunto, o Cardeal conclui falando sobre os que vêm um incomodo na cruz no centro do altar, questionando se o sacerdote é mais importante que o Senhor. Falando sobre a custódia do Santíssimo Sacramento, o autor trabalha que o tabernáculo só foi desenvolvido no segundo milênio para guardar o pão Eucarístico. Na Igreja Antiga sempre houve a consciência de que a transubstanciação uma vez realizada é permanente. E aos poucos, também graças ao movimento Franciscano, o tabernáculo toma sua forma, e realiza plenamente o objetivo pelo qual existia a arca da Aliança. E sobre o aspecto da transubstanciação, Ratzinger se alonga, dizendo que alimentar-se da Eucaristia também é adorá-la, por isso não se deve dizer que a Eucaristia é para ser comida e não adorada. Ao abordar a dimensão do tempo, o Cardeal expõe que o domingo adotou o sentido que outrora pertencia ao sábado. Cristo superou o tempo. Cristo ressuscita no oitavo dia (o dia seguinte ao sétimo), também por isso construíram-se batistérios de forma octogonal. O oitavo dia abre um novo tempo. A data anual da Páscoa une os calendários solar e lunar, ao colocar a Páscoa Cristã no domingo após o primeiro plenilúnio de primavera. O autor trabalha se estende ainda sobre a celebração do Natal, comprovando que a o 25 de dezembro não está ligado a festa pagã do nascimento de uma divindade mítica, mas está ligada a antigas tradições que estabeleciam o inicio da criação a 25 de março, por isso esse dia também está ligado a encarnação do Verbo e a Páscoa (que fora celebrada, outrora, nesse dia em alguns lugares).
Na próxima semana falaremos sobre a terceira e a quarta parte da obra, concluindo este tema da reflexão de Bento XVI na Introdução ao Espírito da Liturgia.


26.05.2021 - Ordenação Presbiteral

Irmãos, estamos aqui para ordenar Presbítero este nosso filho Breno Ferreira. O próprio Cristo, como o Pai o enviara, enviou também os Apóstolos ao mundo, a fim de continuar por meio deles e seus sucessores, os bispos, sua função de Mestre, Sacerdote e Pastor. E os Presbíteros são cooperadores dos Bispos, pois, unidos a eles na função sacerdotal, são chamados ao serviço do povo de Deus. Este irmão, após profundo exame, será constituído sacerdote na Ordem dos Presbíteros, para servir ao Cristo Mestre, Sacerdote e Pastor, que, por seu ministério, edifica e faz crescer o seu Corpo, que é a Igreja, como povo de Deus e Templo do Espírito Santo. Breno, filho querido, deverás cumprir no Cristo Mestre a tua função de ensinar. Transmite a todos a palavra de Deus, que recebeste com alegria. Seja, portanto, a tua pregação alimento para o povo de Deus e a tua vida, estimulo para os fiéis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo. Incorporando os seres humanos ao povo de Deus pelo Batismo, perdoando os pecados em nome de Jesus Cristo e da Igreja pelo sacramento da Penitência, confortando os doentes com a sagrada Unção, celebrando os ritos sagrados, oferecendo nas diversas horas do dia louvores, súplicas e ação de graças, não só pelo povo de Deus, como por todo o mundo, lembra-te de que foste escolhido dentre os seres humanos e colocado a serviço deles nas coisas de Deus. Desempenha, portanto, com verdadeira caridade e continua alegria, a missão de Cristo sacerdote, procurando não o que é teu, mas o que é de Cristo. Tem sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir, e para buscar e salvar o que estava perdido.

terça-feira, 25 de maio de 2021

25.05.2021 - Visita em Aparecida

Dom Jean Silva, digníssimo Arcebispo Eleito,
Dom Gregório Cardeal Magnus, digníssimo núncio apostólico,
Irmãos, o que estamos oferecendo em nosso sacrifício? Um coração manchado, maculado pelo pecado, não é capaz de oferecer-se a Deus em sacrifício puro. É claro que Cristo é aquele que se ofereceu ao Pai como hóstia, como vítima, pura, inocente, sem mancha alguma. Mas, e nós? Não precisaríamos nos oferecer do mesmo modo? Então porque continuamos a nos oferecer a Deus como sacrifícios podres? Como se fossemos dons estragados elevados em sacrifício? Como incenso da pior qualidade? O livro do Eclesiástico nos diz que o que agrada a Deus é deixarmos o mal e o que o aplaca é deixarmos a injustiça. Mas, isso não é suficiente. Isso é o suficiente para que ele olhe para nós com misericórdia, com perdão. Tanto isso é uma realidade, que aqueles que não tem reta intenção de deixar o pecado não recebem uma absolvição válida no sacramento da reconciliação. É preciso ir além, é preciso amar o Senhor. É preciso que nossa própria vida seja feita sacrifício. Na celebração Eucarística, todos os batizados oferecem algo a Deus. Enquanto o próprio Cristo é oferecido pelas mãos daqueles que receberam a ordem, cabe a cada um dos participantes da assembleia litúrgica oferecem a Deus a sua própria vida. Mas, esse oferecimento não se dá apenas no ofício litúrgico, mas acontece no dia a dia. No Evangelho, nós podemos perceber que o deixar a a casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos por sua causa e pela causa do Evangelho pode se dar de dois modos. Primeiro pode ser um deixar no sentido literal, abraçando uma vida de doação mais intensa a Cristo por meio dos ministérios ordenados e da vida religiosa. Mas, podemos deixar todas essas coisas também as possuindo. Como? As tendo como segundo plano. Jesus não quer que todos sejam padres, freis e freiras. Mas, quer que todos sejam santos. Por isso, irmãos, o Concílio Vaticano II na Gaudium et Spes nos recorda que todos somos chamados a testemunharmos Jesus Cristo, nos âmbitos variados da sociedade: nos ambientes acadêmicos, de trabalho, de lazer, enfim, em todos os lugares. Quando colocarmos a Cristo, a Deus, em primeiro lugar e todas as outras coisas em segundo plano, é que todas as outras realidade se encherão de sentido, darão verdadeira alegria e prazer ao nosso coração. Sem colocarmos Deus em primeiro lugar, sem fazermos de nossa vida uma oblação, não receberemos a recompensa, que é a vida eterna prometida a nós.
Coloquemo-nos inteiramente no altar do Senhor e firmemos um compromisso com Deus por meio do nosso ofertório. 

segunda-feira, 24 de maio de 2021

24.05.2021 - Nossa Senhora Auxiliadora e Mãe da Igreja

Digníssimo Dom Jean Silva, arcebispo eleito de Aparecida.
Digníssimo Dom Gregório Cardeal Magnus, núncio apostólico.
Digníssimo Mons. Lucas Beni, em nome do qual saúdo todos os concelebrantes aqui presentes.
Irmãos e irmãs, estamos celebrando Nossa Senhora Auxiliadora, solenidade aqui nesta Basílica e, numa coincidência deste ano, a memória de Maria, Mãe da Igreja. Esse último titulo, de Mãe da Igreja, já aparecera com Santo Ambrósio de Milão, mas volta a aparecer no Concílio Vaticano II, com São Paulo VI. Nos tempos do Concílio, havia uma discussão se Maria devia ser colocada no mesmo documento que falava sobre a Igreja ou se deveriam criar um documento só sobre ela. Então, sabiamente, o Concílio, na constituição Lumen Gentium, que fala sobre a Igreja, cria um capítulo unicamente para a Virgem Maria, pois, ela é membro da Igreja. E já fora assim na Igreja nascente. São João, colocando Maria aos pés da cruz, confere a ela um lugar privilegiado que ninguém, na época de Jesus, poderia ocupar: estar próximo a um condenado. Mas, São João não faz isso sem motivo, faz para que quando Jesus soprar o seu Espírito, ele recaia primeiro sobre Maria. Maria já era cheia do Espírito Santo pela concepção, mas, agora, recebia novamente o Espírito para ser Mãe da Igreja. Essa Igreja que brota do lado aberto do seu Senhor e que nasce no Pentecostes, recebe Maria como Mãe. Os discípulos deviam ter Maria próxima deles com grande carinho. Deviam sentar-se aos seus pés, pedindo para ouvir histórias sobre Jesus, pedindo para ela rezar com eles. Ela é Mãe da Igreja, e como Mãe não é alheia a vida dessa Igreja. Por isso, ela também é auxílio dos cristãos. Mesmo antes de São Pio V inserir este título na ladainha, Maria já era o auxílio dos cristãos. Foi auxílio da Igreja nascente e foi auxílio em cada momento. Em todas as aparições Marianas, ela não aparece em vão. Ela aparece para ser Mãe, e aparece para ser auxílio. Ela vem para nos ajudar nas dificuldades, nas confusões que os tempos propõem, e não deixa de ser presente na história de seus filhos. Não só foi auxílio em batalhas humanas, mas é auxílio nas batalhas espirituais. Depois dos nomes de Deus, é ao nome de Maria que o demônio mais teme, pois ela não conheceu a desobediência. Por fim, não podemos nos esquecer do que disse São João Bosco, há quase 160 anos atrás, mas que continua tão atual: "vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã".  Que a Mãe da Igreja nos seja auxílio nas batalhas humanas e também na defesa da nossa verdadeira fé, da Igreja e da dignidade da pessoa humana. Que ela continue sendo auxílio de toda a Igreja que sofre, de modo especial pelos cristãos da China e todo aquele país, que nas garras de poderes autoritários ainda não permitem que o reino de Deus se faça presente. Amém.

domingo, 23 de maio de 2021

23.05.2021 - Pentecostes

Irmãos, estamos celebrando o nascimento da Igreja, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos com o Pentecostes. A solenidade que hoje celebramos, a terceira em grau de importância dentro do ano litúrgico, encerra para nós o Tempo Pascal. Encerrada a missão de Jesus, ele volta para o Pai, mas, permanece a Igreja e sua missão. Qual é a missão da Igreja? Unir todos os homens sob a mesma aliança firmada no sangue do Senhor. No fatídico episódio da Torre se Babel as línguas se confundiram, mas as línguas de fogo sobre os Apóstolos os apóstolos os possibilitaram reunir todos os povos e nações sob a Igreja de Cristo. Por isso, somos um só corpo, o Corpo de Cristo.  Jesus sopra o Espírito Santo na cruz, quando inclina a cabeça e entrega o espírito ao Pai, e este sopro derrama o Espírito do amor sobre toda a humanidade. Quando Ressuscita, Jesus também se põe no meio dos discípulos e sopra sobre eles o Espírito Santo. Mas, o Pentecostes, é o novo sopro do Espírito Santo, que sempre agiu na História da Salvação. Descendo em línguas de fogo, Ele nos impele a professamos nossa fé, explícita em nós os seus dons e nos envia à missão. E os dons não existem para nada, existem para ser colocados em prática. Os dons só podem ser postos em prática numa vida comunitária. Quem não vive para servir, não serve para viver. A vida dos que receberam o Espírito Santo é uma vida que se volta à ação, missionária, evangelizadora, contemplativa, caritativa, enfim, no desenvolvimento dos dons particulares. Acima de tudo, é o Espírito que nos chama e nos possibilita alcançarmos a santidade. Sim, irmãos e irmãs, existimos para sermos santos, para nos unirmos plenamente a Deus. Mas só se une a Deus quem é capaz de construir pontes e não muros, de fazer unidade. O Espírito Santo é o que une nosso espírito humano a Deus, mas é quem também nos une como irmãos e irmãs. Em toda a humanidade, há germes desse Espírito que precisamos fazer florescer. As divisões existentes não são obras do Espírito Santo. Qualquer separação não acontece por vontade de Deus. Rezemos pelos Ortodoxos, Luteranos, Calvinistas, Batistas, Pentecostais, pelos Católicos Progressistas e Tradicionalistas, enfim, por todos os cismáticos, todos os que deixaram o corpo de Cristo, para que voltem à unidade. Quando cortamos um membro, não só o membro morre, mas o corpo fica ferido. O Corpo de Cristo está aleijado, com partes faltando, enquanto todas essas divisões continuarem a ocorrendo na Igreja. Precisamos entender que unidade não é uniformidade, e que o importante é todos permanecermos sob a ação do Espírito Santo, que inspirou as escrituras, os concílios desde Jerusalém até o Vaticano II, a verdadeira Tradição. Utilizemos dessa nova linguagem única que nos trouxe o Espírito Santo: o amor! Pois, o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo seu Espírito que habita em nós! Aleluia! Aleluia!

quinta-feira, 20 de maio de 2021

21.05.2021 - Vigília de Pentecostes e Encerramento do Sínodo dos Bispos

Veneráveis irmãos, estamos reunidos para celebrarmos o encerramento de nosso XI Sínodo dos Bispos, celebrando a Vigília de Pentecostes. A Liturgia dessa noite que nos prepara para a celebração da grande solenidade da descida do Espírito Santo é rica em simbolismos. Essa semana, queridos irmãos, nós vimos a ação, o derramamento do Espírito Santo sobre a nossa Igreja. É inegável que o que aconteceu foi ação do Espírito Santo na voz de nossos Bispos. No livro do Êxodo, nós vimos Deus que chama Moisés para o alto do Sinai, e com o monte em chamas, com terremotos, trovões e trombetas, Deus dá a Lei a seu povo. Foi com o monte incendiado pelo Espírito Santo que Deus escolheu seu povo para a Aliança. Foi a ação do próprio Espírito já no antigo testamento. E esse fogo é o fogo do Espírito, mas, Moisés pode entrar dentro do fogo, pois é um fogo que incendeia no amor. A voz no trovão era o próprio Verbo de Deus e as trombetas tocando mais alto é a voz de Deus que se aproxima do homem. Essa semana: a sala do Sínodo foi o monte Sinai e o Espírito Santo incendiou aquela sala com seu fogo renovador; a voz dos Bispos foram trovões, trombetas, vozes do próprio Deus; e toda a Igreja tremeu diante da vontade do Senhor Deus, que nos chamou a um novo compromisso. O Espírito Santo concedeu-nos a voz da profecia, para profetizarmos o reavivamento da formação presbiteral de nossa Igreja, que atualmente vem estado como que ossos ressequidos. Não apenas ossos, mas, ossos ressequidos, que há muito tempo já perderam a vida e estão no sol, secando. Agora, porém, o Espírito Santo nos reanimou, nos inspirou profetizarmos a vida para todos os ossos ressequidos. Nós estávamos sem esperança, mas o Espírito de Deus sopra sobre nós e nos concede a vida. Deus nos devolve o sopro da vida original, enche nossos pulmões Dele, para que possamos soprá-lo sobre os outros. Agora, porém, vem a parte difícil deste sínodo: precisamos aplicá-lo. Agora virá o desânimo, a vontade de deixar os projetos para trás, enfim, nossa fraqueza. Mas, São Paulo nos recorda que é o Espírito Santo que vem em socorro de nossa fraqueza. Por isso, nessa Vigília de Pentecostes, implorando a vinda do Espírito Santo, imploramos sua vinda sobre a nossa Igreja. Imploramos sua vinda em socorro de nossa fraqueza, para que não nos deixe desanimar, para que sejamos perseverantes. Agora, jorrarão para nós as fontes do Senhor, o Espírito Santo que não cessará de vir e nos renovarmos sempre que o implorarmos em nossos corações. Aguardemos e peçamos constantemente a vinda do Espírito Santo, que nossa própria vida seja uma Vigília pelo Espírito Santo. O Espírito é a promessa de Cristo para que permaneçamos animados, cheios de vida, pois permaneceremos unidos ao próprio Senhor Jesus que é a fonte da vida. É o Espírito que envia a Igreja para a missão. Agora, que Ele será derramado, ide e fazei que este sínodo se torne prática, que a inspiração do Espírito Santo se faça presente em nosso cotidiano. Ide, irmãos, pois é a hora da missão!

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Observações para a III Sessão Sinodal

Veneradíssimos irmãos, observo alguns pontos a serem melhorados no que diz no presente documento:
1- Está sendo trabalhado o pressuposto que quem chega até nós e quer ser padre, sabe o que é ser padre e sabe quem é Jesus Cristo:
1.1- Para mim, o início da formação deveria se dar com uma conversa franca do formador com o jovem sobre a necessidade de firmar um compromisso com a Igreja, e só após este aceitar este compromisso (ao menos o de discernir), o seminarista poderia vestir a batina. 
1.2- Em tempos de outrora eu cheguei até mesmo a propor que neste primeiro momento - após a conversa -o seminarista trouxesse a faixa azul, indicado como seminarista menor, até a Admissão às Ordens Sacras. 
1.3- Outro ponto, ainda sobre os pressupostos, é que não podemos subentender que a pessoa já tenha conhecimento sobre quem é Jesus Cristo. Por isso, acredito que logo depois da aula sobre os pronomes de tratamento (que por mim já poderia se unir a hierarquia), os recém-chegados PRECISAM receber o anúncio querigmático, e entenderem que: I. Deus te ama; II. O pecado entrou no mundo e você é pecador; III. Cristo veio para nos salvar por sua morte e ressurreição; IV. precisamos ter fé e nos convertermos; V. Ele nos enviou o Espírito Santo; VI. você precisa viver sua fé na comunidade.
2- O número 15 diz: "Eis, então, um novo desafio para a Educação Católica": acredito que a formulação dos textos é um desafio sim para a Educação Católica, mas, a implantação é para toda a Igreja.
3- Acredito que as aulas poderiam ter conteúdos por vídeos também, não por tele chamada, mas, vídeos prontos, postados em algum lugar.


segunda-feira, 17 de maio de 2021

17.05.2021 - Abertura do Sínodo

Irmãos, estamos reunidos para darmos abertura ao XI Sínodo dos Bispos, neste ano em que celebramos os quinze anos de nossa Igreja. O Sínodo este ano, tem, então, um tom diferente. A partir da realidade da formação de nosso clero, a Igreja quer dar passos significativos. Olhar para o nosso passado, nestes quinze anos, e observarmos erros e acertos poderá nos proporcionar passos concretos para atualizarmos a nossa formação nos seminários e, também, a formação permanente de nosso clero. Estes projetos, tão sonhados anteriormente, precisam ser revistos e colocados em prática, numa Igreja que se coloque verdadeiramente a escuta do Divino Mestre, para ser por Ele formada. E nossa formação conta com o auxílio do Espírito Santo. Nos Atos dos Apóstolos nós vimos que haviam pessoas que mal conheciam o Espírito Santo. Hoje, irmãos queridos, corremos o risco de mesmo conhecendo não o deixarmos agir. É preciso que vivamos um novo Batismo, uma nova descida do Espírito, um novo Pentecostes sobre toda a Igreja, para assim celebrarmos este Sínodo. Se fecharmos os nosso corações à ação do Espírito Santo, queridos Bispos, nosso Sínodo não levará a lugar algum. Agora, se abrirmos o nosso coração e nossa mente à inspiração do Espírito Santo, este infundirá em nós a Divina Vontade e nós a realizaremos. É o Espírito que nos dará aquela mesma convicção que Paulo tinha ao pregar na sinagoga. Agora, o Espírito nos concederá o dom da Verdade, o dom da Sabedoria, todos os seus dons, que em nossos corações humanos nos ensinarão a discernir a voz de Deus no meio de nossas vontades e desejos. Iniciamos este Sínodo, esta noite, com um único propósito: ouvirmos a voz de Deus e descobrirmos quais são os rumos que nossa Igreja deve tomar. Até pensamos em adiá-lo, para que mais gente possa participar. Mas, não, ele precisa ser agora. Precisa ser realizado com os poucos que sofrem na labuta diária pelo bem de nossa Igreja, com os que derramam suor e lágrimas o ano aqui conosco. Mediante a tantas tribulações que vivemos, queremos que este Sínodo seja momento de rever os passos e alcançar novas perspectivas. Por que temos medo de como vai se desenrolar este Sínodo? Está nas mãos do Senhor! E Ele é vitorioso! Nos abandonemos nas mãos de Cristo, abramos nosso coração a infusão do Espírito e iniciemos nosso Sínodo, para que ele seja do agrado do Pai. Nessa noite, é o próprio Senhor Jesus que nos anima: NO MUNDO, TEREIS TRIBULAÇÕES. MAS, TENDE CORAGEM! EU VENCI O MUNDO!

domingo, 16 de maio de 2021

16.05.2021 - VII Domingo da Páscoa

Irmãos, Cristo subiu aos céus não para se afastar de nós, mas, para que Deus nunca mais possa se esquecer de nós. Cada um de nós, com nossas particularidades, nunca mais seremos esquecidos por Deus. Pois toda a humanidade foi eternamente inserida no coração de Deus. E Cristo, agora junto do Pai, não cessa de interceder por nós. São João nos descreveu no seu Evangelho uma bonita oração que chamamos de oração Sacerdotal de Jesus. É Jesus que como sacerdote intercede ao Pai pelos seus. E essa oração está localizada entre a Ceia e a Cruz, lembrando que é nesse contexto que se insere nossa missão sacerdotal. E era ali, o momento em que Ele ia se fazer sacrifício, ali era o momento propício de pedir pelos seus. É a mesma coisa que fazemos na Eucaristia. Entre a Ceia, Consagração, e a Doxologia, a separação do Corpo e Sangue de Jesus, que o sacerdote faz as intercessões. Essas intercessões que fazemos não é em nosso próprio nome, mas, em nome da Igreja, em nome do Corpo do Senhor Ressuscitado. É ele quem faz da nossa missa a sua ação e não cessa de interceder por nós ao Pai, e o Pai o atende, nos guarda na verdade, que é o próprio Cristo, e nos sustenta na missão. Essa missão é dada por Jesus a cada um de nós. Em cada cristão há um coração missionário, ansioso por testemunhar Jesus Cristo. E quem não tem essa ânsia, não é cristão. Agora, nos céus, Jesus não está mais em um só lugar na humanidade, mas, está em todos os lugares, dentro do coração humano de cada um que o ama. Irmãos, Cristo intercede por nós, irmãos e Deus nunca se esquecerá de nós. E não se esqueceu de nós desde o começo da Igreja. Logo após a Ascensão do Senhor, os Apóstolos se reúnem e, por iniciativa de São Pedro, Matias é escolhido para ocupar aquele lugar vacante no colégio dos Apóstolos. Mas, Matias não é escolhido simplesmente por ação humana, é escolhido pela "sorte". Só que a sorte, aqui, não é a mesma sorte que nós compreendemos hoje. A sorte, aqui, pode ser compreendida como destino, como ação de Deus na história de Matias. Deus age na História e lhes concede São Matias. Depois disto, os Apóstolos não fundarão Igrejas para deixa-las vacantes, pelo contrário, sempre suscitarão Bispos, seus sucessores, para velarem por aquelas Igrejas, para as manterem íntegras na fé. Quanto mais Igrejas vão sendo fundadas, mais vai sendo necessária a criação de novas cátedras, de novos Bispos. Irmãos, por fim, hoje quantos homens não vivem na Igreja por um carreirismo desenfreado? Contudo, este é completamente inútil.  Quem faz as coisas buscando chegar em algum lugar na Igreja, buscando uma mitra, um episcopado, um cardinalato, não merece chegar em lugar algum. No fundo, o importante é que Deus lança a sorte, isto é, é Ele que determina nosso destino. Podemos ser fieis trabalhadores, melhores do que muitos outros, só que Deus chama os que quer, como quer e quando quer. Que cada um se esforce, não para chegar em algum lugar, mas, para agradar a Deus e ele nos guiará para onde Ele quiser. Pois, no fundo, no fundo, não importa onde e como, importa sermos testemunhas do Senhor, para que em toda a Terra ele possa se fazer presente.

BÊNÇÃO DO ALTAR
Irmãos caríssimos, a nossa comunidade está aqui reunida, com muita alegria, para fazermos a bênção deste altar. Participemos nesta ação sagrada com piedade e devoção, e peçamos a Deus que olhe com bondade para a oblação da Igreja que vier a ser colocada sobre este altar, e faça do seu povo uma oferenda eterna à sua glória. 

Bendito sois, Senhor nosso Deus, que aceitastes, para redenção do género humano, o Sacrifício de Cristo, vosso Filho, oferecido sobre o altar da cruz, e que, no vosso amor de Pai, reunis o vosso povo em volta da mesa do Senhor para celebrar o memorial desse mesmo Sacrifício. Olhai, pois, Senhor, para este altar, que nós preparámos para celebrar os vossos mistérios: seja ele o centro do nosso louvor e da nossa ação de graças; seja o altar onde oferecemos, de modo sacramental, o Sacrifício de Cristo; seja a mesa em que partimos o pão da vida e bebemos do cálice da unidade; seja a fonte perene donde jorra para nós a água da salvação, para que, aproximando-nos de Cristo, pedra viva, cresçamos n’Ele como templo santo, e, sobre o altar do coração, ofereçamos o sacrifício da vida santamente vivida, sacrifício agradável a vossos olhos, para louvor da vossa glória. Por Cristo, nosso Senhor.

Em seguida, o Bispo asperge o altar com água benta e incensa-o. Depois, volta à cátedra, põe a mitra, é incensado e senta-se. 0 ministro incensa o povo.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

13.05.2021 - Ascensão do Senhor

Irmãos, hoje Cristo ascende aos céus. São Lucas relata-nos nos Atos dos Apóstolos que, após quarenta dias da Ressurreição, o corpo glorioso de Jesus Cristo, com suas próprias forças, subiu aos céus. Depois de sua encarnação, natal, ministério, paixão, morte e ressurreição, Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, retorna aos céus. Mas, não vai mais aos céus do mesmo modo que veio. Ele saiu dos céus apenas Deus, e, retorna para lá levando consigo a nossa natureza humana. Temos, agora, um de nós no seio da Santíssima Trindade. Um homem, verdadeiramente homem, é parte de Deus e está com Deus eternamente. Cristo, elevando-se aos céus, eleva a dignidade todo homem e de toda mulher. Com a morte ele paga o preço de nossa culpa, com a sua ressurreição, ele garante-nos a vida, e, ascendendo aos céus, nos dá a certeza que vai conduzir-nos a glória da imortalidade. Mas, Jesus promete-nos que não nos deixa sós, ele nos enviará o Espírito Santo para que possamos partir em missão. Essa promessa feita como no relato dos Atos dos Apóstolos, é também apresentada a nós por São Marcos, no seu Evangelho. O Espírito Santo, que impulsionará os apóstolos, os permitirá curar os doentes, expulsar os demônios e falarão em novas línguas. Por isso, o último mandato de Cristo aos discípulos, decorrente daquele mandamento do amor, é que os discípulos anunciem o Evangelho a toda criatura, realizando o Batismo, isto é, tornando todos filhos e filhas de Deus. Agora era o momento dele dar essa ordem de forma plena, pois, com a ascensão, Cristo nos faz participantes de sua divindade, nos torna, enfim, filhos e filhas de Deus, membros da Igreja, e ele se configura, plenamente, como sua cabeça. Por fim, irmãos, após a subida de Cristo, os Atos dos Apóstolos nos diz que os discípulos ficaram parados, olhando para os céus. E então o anjo os diz: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. Irmãos, a Igreja não pode ficar só parada olhando para cima, como muitos querem. Não podemos só ficar olhando para os céus, numa vida só contemplativa. Esse é um ramo da Igreja, mas não pode ser o único. É preciso, também, uma vida missionária. É preciso que coloquemos a mão na massa e manifestemos a todos o amor de Deus com a vida e a obra. Fomos divinizados com a Ascensão do Senhor, agora, precisamos reunir todos na mesma Igreja, a fim de que todos, um dia, nos reunamos ao Senhor Jesus, que já nos prepara um lugar e nos levará com Ele. Sua ascensão já é nossa vitória e, com ele, receberemos a glória e a vida em plenitude.
Louvado seja o que ascendeu aos céus, levando consigo nossa humanidade, o Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

12.05.2021 - Dois meses do Pontificado

Irmãos, o Espírito Santo agiu desde o início da história da Igreja, revelando-nos a Verdade. Estamos, com o Evangelho, no contexto da última Ceia ainda, Cristo está andando com os discípulos, indo para o jardim, onde será entregue. Jesus anuncia aos discípulos que eles ainda não eram capazes de compreender a fé na integridade. Mas, ao longo da História, o Espírito Santo iria trazer a Revelação. A Revelação, por sua vez, é obra trinitária. E, foi a Revelação que se manifestou com o belíssimo discurso de São Paulo no Areópago. Para muitos gregos, existiam diversos deuses, um para cada realidade. Com medo de se esquecerem de algum deus, os gregos fizeram um altar para o "deus desconhecido". São Paulo, no Areópago, une a cultura grega com o cristianismo pela primeira vez, num processo de inculturação autêntico. São Paulo anuncia o Senhor Adonai, o Deus trindade, como aquele que os gregos ainda não conheciam e diz que esse Deus é superior a todos os outros deuses. Ele é Criador, e é Espírito, por isso não é idolatrado nos ícones. Irmãos, é bonito o modo como a história da filosofia já tinha preparado um lugar para a chegada de Jesus. A filosofia grega chegou ao seu auge com Platão e Aristóteles, mas, mesmo eles ainda estavam na ignorância. Agora, porém, chegara a Revelação de Deus, que deveria servir como base para toda a razão do homem. Apesar de que, naquele momento, nem todos aderiram a fé em Deus, mas, apenas alguns, a história mostrou-nos como o Cristianismo - sobretudo com Santo Agostinho, Santo Anselmo e Santo Tomás de Aquino - incorporaram as filosofias gregas, de tal modo que as cristianizaram. Hoje, deste modo, o império grego não existe mais, nem mesmo a força de sua filosofia, mas, permaneceu o nosso Deus - que, na ignorância, muitos não quiseram aderir, se tornou, porém, o único Deus, o digno de louvor e de glória. Mas, a Revelação, mesmo que esgotada em Jesus Cristo - como nos afirma a Igreja - não deixa de ser lida e interpretada através dos tempos. Por isso, em Fátima, nossa Senhora decide aparecer aos três pastorzinhos, festa que estamos celebrando. Maria, cheia do Espírito Santo, se faz boca para que Deus possa transmitir sua mensagem, pedindo que todos os homens se voltem para Ele. A mesma mensagem dada aos gregos, é dada por Fátima à sociedade hodierna. Este mundo que, cada vez mais se afasta de Deus, precisa urgentemente se recordar do seu Senhor, Daquele que hoje, para nós, já se tornou desconhecido. Conhece a Deus quem o ama, mas, não basta isso, é preciso ir até as Escrituras, ao altar, ter uma relação profunda com o Senhor. Maria pede, em Fátima, oração. E o que é oração, senão intimidade com o Senhor? Por fim, irmãos, que alegria estar reunido com cada um de vocês nessa noite, para rendermos graças a Deus pelo segundo mês do meu ministério petrino. Que nossa proximidade com Deus, nossa intimidade com Ele, de cada membro da Igreja, nos ajude a fazer uma Igreja cada vez mais reflexo do seu Divino Redentor, uma Igreja anunciadora, missionária, reunida entorno do altar. Obrigado, Jesus, muito, muito, muito obrigado pelo meu ministério como Bispo de Roma, por vossa ajuda, inspiração e sabedoria. Obrigado, Jesus, pelos fiéis colaboradores e pelos desafios. Obrigado, Jesus, pois não me deixastes desamparado. Me destes a tua Mãe, e minha Mãe, a Senhora hoje venerada sob o título de Fátima, e ela permanece com a Igreja, e nos guia a ti. Obrigado, Jesus! Como ato de agradecimento, celebramos essa Eucaristia e, agora, ofertamos nossa própria vida em teu altar.

domingo, 9 de maio de 2021

09.05.2021 - VI Domingo da Páscoa

Irmãos, nós somos amigos de Cristo. Não somos servos, obrigados a fazer o que ele manda. Somos amigos e podemos escolher fazer o que ele nos quer. Na verdade, só seremos amigos se fizermos o que Ele nos manda. E o que Ele nos manda? É um mandamento novo, superior a todos os outros mandamentos. É amar como Ele amou. É uma nova medida para o amor. Cristo torna-se a medida para tudo na nossa vida! Sermos como Cristo, assumirmos a sua semelhança, é o nosso objetivo de vida. Nesse domingo, a Liturgia continua a dinâmica do domingo passado. Devemos permanecer em Jesus. Mas, se ele vai aos céus, o que celebramos nesta quinta-feira com a Ascensão, como permaneceremos com Ele? Permaneceremos se permanecermos no amor. Pois o Cristo vai e nos enviará o Paráclito, o Espírito Santo que é a união do nosso espírito humano com o próprio Deus. O Espírito Santo é o Espírito do amor e que nos torna capazes de amar. Quem não tem o Espírito Santo não é capaz de amar, pois o próprio Deus é amor e nos concede o dom de amar. Não nos basta, porém, amar só aqueles que nos amam. Devemos amar a todos em Cristo Jesus. Nós ouvimos nos Atos dos Apóstolos o relato da conversão de Cornélio, o primeiro pagão a se converter ao Cristianismo. O próprio ministério de Jesus era, em primeiro lugar, para o povo da antiga aliança. Jesus sempre está passando pelas sinagogas, ou entrando e saindo das cidades, pois é um ministério ao povo hebreu. Mas, não se fechou neles o ministério. Assim, com Cornélio, o Espírito Santo se move no coração de São Pedro e o levará a batizar aquele pagão. E o próprio São Pedro vai dizer que ele percebe que Deus não faz distinção de pessoas. E isso é fato, irmãos, para Deus não importa sermos brancos, pretos, amarelos ou indígenas, homens, mulheres, transexuais, heterossexuais ou homossexuais, independente da posição política, todos somos iguais diante de Deus. Ele olha para todos nós com os mesmos olhos. O que define a nossa relação com Deus é o jeito que olhamos para Ele. Pois Deus acolhe os pecadores, mesmo não acolhendo o pecado, ama-nos mesmo que não o amemos o suficiente. Precisamos nós também sermos uma comunidade de acolhida para as mais diversas realidades e verdadeiramente amarmos a todos. Não só dizermos "eu te amo", pois isso é fácil. Precisamos amar com atitudes, demonstrar o amor. Muito mais do que falarmos, o amor se manifesta no carinho e cuidado. Quem ama, cuida. E Deus é aquele que cuida de nós acima de tudo. E que amor, humanamente, é maior que o de mãe? Neste dia das mães, louvamos a Deus por todas as mulheres que são mães, as que geraram, que criaram, que cuidam dos outros. As mães sempre tendem a cuidar dos outros. É um cuidado tão grande que cuida não apenas dos filhos. Assim nos lembramos o que disse o Papa João Paulo I: "Deus é mãe. É Pai, mas, também é mãe.". Que todos nós olhando para Deus e seus cuidados com a humanidade, para Maria, rosto materno de Deus, e para todas as mamães, possamos aprender a cuidar dos que vivem ao nosso redor, amando-os verdadeiramente, como o próprio Cristo amou.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

06.06.2021 - Visita a Salvador

Permanecer, permanecer, permanecer. Porque será que a Palavra insiste tanto em permanecer? Ontem Jesus diz 7 vezes que é preciso permanecer e hoje diz mais 3 vezes. Permanecer, irmãos, é estar junto. Permanecer é não se separar. Irmão, nessa noite eu te pergunto: o que vem te obrigado a não permanecer com o Senhor? Qual é a causa que te afasta de Jesus? Por que não permaneces? Por que não ficas junto? Por quê? Qual é o âmbito da sua vida que não vem te permitido fazer comunhão plena e sincera com Jesus? Quais são os pecados que você vem acorrentando dentro de você e não permite que saia? Por que você não se liberta dessa escravidão que te afasta de Jesus? Por acaso isso é melhor que o Senhor? O Senhor nessa noite te convida: "VOLTA PARA MIM, MEU FILHO, MINHA FILHA! Permanece em mim. Permanece em meu amor. Não te afastes! Queres a verdadeira alegria? Só eu posso te dar. Para de procurar no mundo o que só em mim encontrarás! Procure em mim a fonte da tua alegria e acharás uma alegria verdadeira, e ninguém poderá tirá-la de ti."

Irmão, irmã, está na hora de voltar teu coração a Jesus, unir teu coração ao Dele e permanecer aí para sempre. Apesar das quedas e limitações, é preciso sempre voltar e permanecer. Permanecer em Jesus: eis o nosso desejo, eis a nossa batalha, eis a nossa vitória!

quarta-feira, 5 de maio de 2021

05.05.2021 - Visita a Salvador

Irmãos, é preciso manter a unidade. A liturgia de hoje é uma liturgia da unidade, propícia para o encerramento desta Jornada de Comunhão. A primeira leitura nos apresentou o problema da circuncisão que levou ao Concílio de Jerusalém. Quando os apóstolos enfrentam uma dificuldade, eles não decidem sozinho, não agem sozinho. Pelo contrário, eles vão a Jerusalém para na unidade decidirem. Uma Igreja que não é Igreja de Unidade e Comunhão, é uma Igreja onde cada um caminha em uma direção. Indo em diferentes direções, mantemos a Igreja parada. Cada um quer puxar ela para o seu lado e ela não vai para lugar nenhum. Por outro lado, quando agimos na unidade, levamos a Igreja no caminho de Cristo. É preciso permanecermos unidos a Ele também. Sim, irmãos, não só nos unimos com a comunhão da Igreja, mas, também, nos unimos ao Senhor. Mantermos a comunhão com Jesus é a nossa garantia de seguirmos a estrada certa. Mesmo com nossas diferenças de posicionamentos eclesiológicos, teológicos, filosóficos e políticos, se nos mantermos unidos a Cristo e a sua Igreja, vamos estar caminhando na estrada certa. Mas, se não nos mantermos em comunhão, se formos diabos, divisores, rompermos com o Corpo de Cristo, então nosso caminho nos levará em direção ao inferno. Sejamos, irmãos, construtores da unidade e comunhão. Deste modo encontraremos a vida eterna unidos com Deus, pois o próprio Deus é comunhão na Trindade de amor.

domingo, 2 de maio de 2021

02.05.2021 - V Domingo da Páscoa

 Irmãos, é preciso permanecermos unidos a Cristo. Sem Cristo nossas atividades não serão frutuosas. Nós sabemos que existem grupos na Igreja que querem plantar outras videiras, mas não querem permanecer unidos a videira verdadeira. Cristo é gerador de comunhão. A videira precisa de podas, mesmo dos bons frutos, para que dê ainda mais frutos. É nesse espírito que podemos interpretar os acontecimentos do Concílio Vaticano II. A Igreja já dava frutos, mas o Senhor sentiu a necessidade de podar sua Igreja, para que pudesse dar ainda mais frutos. Mas, tem gente que não aceita a ação transformadora e, ao invés de dar frutos, se tornou galho seco, pronto para ser queimado no inferno. Esses galhos chegaram até a se replantar em cismas, na esperança de produzir frutos, mas não estão mais unidos a videira verdadeira. E, assim se dá, em nossa realidade, com todos os irmãos separados. Pessoas que queríamos que estivessem aqui, mas, preferiram ir por próprios caminhos, não aceitaram a poda, não quiseram ser ramos da videira. É claro irmãos, que muitas vezes é nossa culpa. Vejam só Paulo na primeira leitura. Todos desconfiavam dele, mas Barnabé o insere na comunidade. Muitas vezes nós não somos acolhedores e afastamos as pessoas. E é nessa mesma dinâmica que São João com um carinho e um tapa na cara ao mesmo tempo nos lembra que devemos amar com gestos, não com palavras vazias. Amar a Cristo, amar os irmãos, pelos gestos. Precisamos urgentemente de mais gestos de acolhida com aqueles que vem até nós,  principalmente aqueles que vem para trabalhar conosco, aqueles que vem com o verdadeiro desejo de se unir a essa videira que é Cristo e ser seus ramos. E os que não querem ser ramos, estando dentro ou fora da Igreja, os que querem se dividir da verdadeira videira, Jesus Cristo e sua Igreja - encabeçada pelo Santo Padre -, estes vão secar e serem lançados no fogo. Mas, quem permanece na videira e vive a Palavra, este vai se unir a Deus para sempre e viver a comunhão do amor.