terça-feira, 3 de outubro de 2023

03.10.23 | Abertura da Novena da Padroeira

Eminentíssimo Dom Fernando Cardeal Haddad, Arcebispo Metropolitano de Aparecida, em nome de quem saúdo os irmãos concelebrantes e os clérigos presentes, amados irmãos e irmãs. Estamos reunidos na abertura e primeiro dia da novena em honra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, celebrando a memória dos Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, Mateus Moreira e seus companheiros mártires de Cunhaú e Uruaçu. É belo iniciarmos a novena da Padroeira do Brasil com estes mártires, os primeiros mátires do Brasil. Se o Brasil logo de início foi chamado de Terra de Santa Cruz, estes homens e mulheres foram os primeiros a aqui derramarem seu sangue, como fez o nosso Divino Redentor na Santa Cruz. Quando os holandeses os martirizaram pela fé católica, eles resistiram bravamente na fé que haviam recebido. Diante disso, irmãos e irmãs, somos obrigados a questionar como anda o caminho da liberdade religiosa em nossa sociedade. Nós, católicos, fomos perseguidos desde o início do cristianismo e somos até os dias de hoje. Por um espaço de tempo, essa Igreja também tornou-se perseguidora, erro pelo qual a Igreja nunca cessa de pedir perdão. Não devemos nem perseguir e nem sermos perseguidos. Quando no Evangelho que ouvimos Jesus não é acolhido, Ele não se impõe e nem deixa os discípulos se imporem. Não é este o caminho de Jesus! Um dos grandes avanços do Concílio Vaticano II, com a Dignitatis Humanae, é justamente este diálogo inter-religioso, que reconhece a liberdade e o direito do outro em exercer a sua própria religião. Isso não nos impede de uma correta apologia, que não seja impositiva, nem amedrontadora. Fazer apologia em nossos dias, defender a fé em nossos dias, é muito mais apresentar a fé àqueles que não a conhecem, do que nos defender de heresias. Praticamente não existem novas heresias, mas temos a ignorância de tantos que ainda não conhecem a fé católica. Dar aos outros a fé católica, levá-los ao conhecimento da Igreja na qual subsiste a Igreja de Cristo, na linguagem da Lumen Gentium, é evangelizar e essa é também nossa missão como Igreja neste hotel. Iniciando a novena de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, celebramos também a padroeira do Habbo Hotel BR. Nossa Senhora sai das águas, sinal da morte, para simbolizar a vida e a vida do seu povo. É a imagem do batismo, onde mergulhados na morte de Cristo, ressurgimos para a vida em plenitude, para a liberdade de filhos e filhas de Deus. Maria, no Brasil, quer ser mãe de filhos e filhas livres. Filhos e filhas que sejam livres para prestá-la veneração, para exercer a fé, mas que também seja livres de toda espécie de maldade humana, de aprisionamento ou exclusão social, política, ou religiosa. Nossa Senhora aparece preta e nos ensina a defender todas as raças, línguas e nações. Nossa Senhora aparece grávida e nos ensina a defender a vida humana desde a concepção até a morte natural. Ela é "A Mulher" para nos ensinar a não fazer diferenças de gênero ou de orientação sexhual. Ela foi livre para escolher fazer a vontade do Senhor e quer ensinar também a seus filhos e filhas o caminho da liberdade. Assim seja! Amém.

domingo, 1 de outubro de 2023

01.10.23 | XXVI Domingo do Tempo Comum

Beatíssimo pai, Paulo V, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o vigésimo sexto Domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje nos coloca diante de 3 filhos: dois no Evangelho e um na segunda leitura. Os dois filhos da parábola do Evangelho não são perfeitos: um não tem coragem de enfrentar o pai e dizer que não quer ir à vinha; o outro, não aceita com prontidão o pedido do pai e só depois entende a importância do seu trabalho e vai para a vinha. A vinha não é de um patrão qualquer, a vinha é do seu pai. Aqueles filhos terão por herança a vinha. Israel, o povo de Deus, sente-se a vinha do Senhor. Mas, ainda assim, nem sempre o povo de Deus está disposto a fazer o que deve fazer como aqueles que receberão a herança do Senhor. É neste sentido que o Senhor, por meio do profeta Ezequiel corrige o povo de Deus que estava no exílio: a conduta correta é a conduta do Senhor. O exílio da Babilônia foi justamente consequência das alianças feitas entre os reis de Judá e de Israel com os povos pagãos, que desvirtuaram a cultura, a fé do povo de Deus. Nós, quando queremos seguir nossos caminhos, vamos para caminhos de ilusão, de perdição, caminhos que como constata a filosofia pós-moderna, tornam a sociedade um mundo líquido, que se esvai pelas nossas mãos. Aí nos deparamos com o terceiro filho, aquele que está na carta de São Paulo aos Filipenses na segunda leitura, e que o apóstolo nos convida a imitarmos e termos as mesmas atitudes: Jesus Cristo. Ele é o Filho obediente. Obediente até o extremo de oferecer a sua própria vida para cumprir a vontade do seu Pai, que é que o Reino aconteça e o povo seja salvo. Mas, não nos iludamos, irmãos e irmãs. Hoje este Filho obediente olha a nós, cristãos, como olhou aos religiosos de seu tempo e nos diz que os cobradores de impostos e as prostitutas nos precedem no Reino de Deus. Os cobradores de impostos eram os traidores do sangue. Eles traíram o povo de Deus para cobrar os impostos para o Império Romano. As prostitutas eram impuras e tornavam o povo impuro. Uma vez eu fiz um trabalho pastoral na casa de algumas travestis. A tristeza delas era que não se sentiam bem vindas nas igrejas. Mas, ao mesmo tempo elas me disseram que os homens dentro das igrejas que mais olhavam feio e julgavam elas eram os homens que pagavam seus serviços e as mulheres que mais torciam o nariz para a sua presença, as esposas deles. Os cobradores de impostos e as prostitutas hoje representam cada um que está fora da Igreja, mas que são homens e mulheres de boa vontade. São os homens e mulheres que não conhecem bem o Senhor, mas que ouvem a sua voz, estão dispostos a se converterem e começam a fazer o bem. Me lembro daquele Evangelho do Bom Samaritano, quando o sacerdote passa e não toca no homem ferido para não se tornar impuro... mal sabia o sacerdote que foi isso que o tornou impuro. Todos os batizados são sacerdotes pelo batismo e não podemos ser como os sacerdotes do tempo de Jesus, que vem, oferecem o culto e depois vão embora sem mudança de vida, sem conversão. A pessoa que reza, reza e reza e é uma desgraça na vida dos outros, não sabe fazer o bem, não é caridosa, é como o filho que diz que vai para a vinha e não vai. Rezar todo o dia "venha a nós o vosso Reino" é fácil, difícil é colaborar na construção desse Reino. E quando eu falo de caridade, não confundam com esmola, pois caridade é amor. Ser caridoso é olhar para todos com o mesmo olhar de Jesus. Eu penso que o Senhor olha para algumas orações nossas e pensa como profetizou Isaías: "estou farto dos vossos sacrifícios, o cheio do vosso incenso não me agrada, tenho nojo de vossas liturgias". Que nosso "sim" na oração torne-se "sim" também na vida de seguimento a Jesus Cristo no dia a dia ou, então, é como se hoje Jesus dissesse para nós: "aqueles que estão fora da Igreja vos precedem, porque vós, cristãos, fechastes o coração e não abraçastes o projeto de plantar o meu Reino, que é a vossa herança. Por isso, perdestes também esse Reino no céu".