Queridos irmãos que concelebram esta Eucaristia, com a qual damos inicio ao Conclave,
Irmãos e irmãs,
Irmãos e irmãs,
Estamos celebrando a Missa Pro Eligendo Romano Pontífice, pedindo a Deus que nos conceda um novo
pontífice. Mas, não só pedimos a Deus um Bispo para Roma e papa para a Igreja. Pedimos a Deus que
Ele mesmo possa nos indicar essa pessoa. Pedimos que Deus nos conceda um Bom Pastor, como Ele
próprio é o Bom Pastor. Ao mesmo tempo, agradecemos a Deus pelos três meses do ministério petrino
de Bento V. Renovamos a Ele a nossa gratidão por tudo que fez pela nossa Igreja. Que suas boas e santas
atitudes sejam um exemplo ao próximo Romano Pontífice. Mas, agora, choramos a Deus pedindo
um novo Papa que seja tão bom, que venha até nós para ser presença do próprio Deus entre nós. E foi,
de fato, o Senhor que prometeu ao seu povo a sua presença. É isso que vem nos lembrar o trecho lido
do profeta Isaías. O povo estava exilado na Babilônia. O povo chorava e lamentava no exílio, pois sentia
a ausência de seu Deus. O povo exilado desejava a presença de Deus no meio deles e Deus faz uma
promessa. A promessa de um sobre o qual desce o Espírito Santo do Senhor para redimir os cativos,
libertar os que estavam aprisionados, é a promessa do próprio Salvador. E é a presença do Salvador
que nos remete o Romano Pontífice. Pois Ele, mais do que todos nós, deve estar configurado ao Cristo:
Rei, sacerdote, salvador e servo. É preciso irmãos, e surge-nos essa necessidade que todo o clero
procure se configurar a Cristo. Sobretudo o Romano Pontífice, que nos estimulará na fé, deverá
nos ajudar nessa difícil missão que é, cada vez mais urgente. Entre tantos relativismos encontrados
hoje em nosso clero, precisamos voltar à aquele amor original, à Aquele que nos impele nesta missão.
Estamos, ainda, começando a entender e a desvendar a profundidade dos textos do Concílio de Jerusalém,
e de tudo o que ele tem a nos ensinar. E, dentro de todas as definições que ele nos traz sobre o ser
da nossa Igreja ele diz que devemos ser um "reflexo da Igreja da realidade". E isso nos leva a uma
reflexão ainda mais profunda sobre o ser da Igreja na realidade. A mesma reflexão faz São Paulo,
que diz que na Igreja todos se organizam como um corpo, tendo Cristo como cabeça, que se edifica
no amor. E é este mesmo amor que nosso Senhor exalta ao dizer aos seus discípulos no Evangelho:
"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei... vós sois os meus amigos se fizerdes o que eu vos mando".
Não há, irmãos, no sermos cristãos, se não formos amigos de Jesus. E quem é o amigo? É quem
ama. E não simplesmente ama. O amigo é aquele que nos revela a sua intimidade, e nossos amigos
são aqueles com os quais nos permitimos ser quem realmente somos, revelamos nossos segredos,
permitimos que essa pessoa faça parte de nossa vida. E, com o passar do tempo, os amigos acabam
tomando uns as feições dos outros, os gostos do outro. Vejam, em nossa própria Igreja, quantas
brigas e divisões não foram causadas simplesmente por amizades? É por isso que Jesus nos chama
de amigos. Ele quer que o amemos e façamos parte da intimidade Dele. Ele quer que conheçamos
os seus mais íntimos segredos e nos formemos Nele, para termos as feições Dele, sermos como Ele é.
Poderão passar papas e mais papas, muitos conclaves, NADA MUDARÁ SE A IGREJA NÃO FOR,
VERDADEIRAMENTE, IGREJA DE JESUS CRISTO!
E não seremos Igreja de Cristo enquanto não crescermos no amor uns aos outros. Outra parte do texto
vai dizer: "Nisto todos saberão que sois os meus discípulos, se vos amardes uns aos outros."
Irmãos e irmãs, nada nos identifica mais como Igreja de Jesus Cristo do que o amor mutuo. Isso foi
o próprio Senhor que disse. Vivemos num tempo onde as pessoas querem, cada vez mais, dar outras
características à Igreja. Existe o mal da Teologia da Libertação e de tantos outros grupos que querem
que a Igreja tome suas características. Sobretudo, recentemente vimos o grande mal que é o tradicionalismo
para a Igreja de Cristo. Vimos homens e mulheres, destaco que são a maioria leigos e leigas, católicos
de rede social, atacando o colégio dos Bispos, o verdadeiro rosto da Igreja. A fim de salvar alguma alma?
NÃO! A fim de, simplesmente, dividir a Igreja do Senhor, criticar, desmoralizar, tentar impor à Igreja
suas próprias características. Mas, a única característica imposta obrigatoriamente a Igreja, é imposta
pelo seu próprio Mestre: "amai-vos uns aos outros". Se todo o restante não estiver ligado ao amor,
é vazio. As escrituras e a tradição podem ser vazias se não forem lidas com amor. Só quem ama
a Cristo, a Igreja, aos irmãos, é capaz de viver a tradição, as escrituras e o magistério em sua integridade.
Se não for assim, somos apenas sepulcros caiados, hipócritas, piores do que os próprios fariseus.
Mas, como São João Paulo II disse: "o amor me explicou tudo". Sim, irmãos e irmãs, é o amor que
enche de sentido quem somos, o que fazemos, o porque somos cristãos. Eu vos interpelo nesta tarde:
PERMITI-VOS AMAR! AMEM A DEUS! AMEM A IGREJA! AMEM AOS IRMÃOS E IRMÃS! AMEM!
Façamos este propósito de amar, principalmente aqueles irmãos que temos mais dificuldade de amar.
Que Deus conceda o Espírito de Sabedoria e discernimento a nós, cardeais, nessa tarde. Que nós
não elejamos um papa simplesmente por qualquer razão partidária. Mas, que o Espírito nos inspire
para elegermos um Pontífice que nos guiará com amor e para o amor, e, assim, que faça a Igreja
dar muitos frutos para a construção do Reino de Deus. E que, em nosso coração esteja sempre a ordem
do Senhor: "Isto é o que vos ordeno: que vos ameis uns aos outros."
Amém.