quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31.12.2020

Caríssimos irmãos em Cristo, a liturgia de hoje nos propõe refletirmos sobre o início do tempo da 
graça de Deus. A bênção comunicada por Deus na primeira leitura, ao povo de Israel quando peregrinava 
do Egito à terra prometida, foi-lhes sinal da presença poderosa do Senhor dos exércitos. A bênção 
era valiosa para aquele povo. A bênção fora, antes, comunicada a Abraão, Isaac e Jacó, nossos patriarcas. 
Jacó até roubou a bênção de seu irmão. A bênção é a própria mão do Senhor, do Adonai, que toca 
o seu povo. E bênção maior ainda foi quando Deus não só tocou o seu povo, mas se fez presente 
em sua história pela encarnação do Cristo. Por isso, São Paulo nos recordou que a bênção, a graça
de Deus chegou a nós pelo Filho, que nos fez filhos. Em Cristo fomos feitos filhos de Deus, recebemos 
a filiação adotiva. Nos tornamos eternos herdeiros da bênção e da graça de Deus. E, para que isso 
acontecesse, São Paulo destaca, o Filho nasceu de uma mulher. Nasceu sujeito a lei, isto é, com as 
mesmas obrigações incumbidas ao homem por sua natureza. Santo Atanásio afirma que ao se unir 
com o Verbo de Deus, o corpo humano teve um engrandecimento sem par: “de mortal tornou-se 
imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno, transpôs as portas do céu”. Isso porque Jesus 
nasceu de uma mulher, Maria Santíssima. E estamos no oitavo dia depois do seu nascimento, celebrando 
o dia da circuncisão de Jesus. Neste dia, Jesus recebeu o seu nome: Yeshua, Deus Salva, memória 
que celebraremos em alguns dias. E o santo Evangelho nos destacou que Maria guardou em seu 
coração todos os acontecimentos do nascimento de Jesus e os meditava. Maria compreendia o tamanho 
da missão de seu Filho e foi fiel colaboradora dele. Ela sabia que não era mãe de um profeta, dela 
nasceu a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho. Ele, gerado antes dos tempos, não criado 
pelo 
Pai, mas, gerado na mesma substância do Pai, assumiu a condição humana em Maria. Dentro de Maria, 
Deus se fez homem, não apenas Jesus humano saiu dela, o próprio Deus habitou em Maria. Ela
se tornou Theotokos, portadora de Deus, o primeiro dos dogmas sobre Maria. E, retornando a reflexão 
de Santo Atanásio, vemos que o anjo Gabriel, com que prudência e sabedoria, já anunciara Jesus 
a Maria; “não lhe disse simplesmente: aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava 
de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti, para se acreditar que o fruto desta concepção 
procedia realmente de Maria”. Deste modo, continua o santo bispo, “mesmo tendo o Verbo tomado 
um corpo no seio da Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição. 
É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um 
único Deus no Pai e no Verbo”. Este é o grande mistério da solenidade de hoje. Por isso, exaltando 
Maria no término deste ano de 2020, entrando no ano de 2021, pedimos a ela, que do mesmo modo 
que Deus cumulou nela todas as graças para fazer dela a Mãe de Deus, Ele possa cumular todas 
as bênçãos em sua Santa Igreja e fazer de nós verdadeiros portadores e anunciadores da Salvação 
que Cristo veio comunicar a nossa humanidade.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

24.12.2020

Chegou o Natal do Senhor. Um natal diferente e num tempo atípico. É claro, não passamos por um 
ano fácil. Este ano vivemos a dor do distanciamento e sofremos com inúmeras perdas. 
Mas, 
nesta santíssima noite, resplandece para nós o nascimento de Jesus Cristo. Hoje recordamos que Cristo, 
Deus eterno, Filho do Pai, assumiu a nossa fraqueza e se fez homem. Tão grande mistério enche o 
nosso coração de esperança. Jesus, trazendo consigo sua natureza humana, é capaz de entender as 
nossas dores e angústias e se compadecer de nós. Há dois mil e vinte anos atrás ele nascia da Virgem 
Maria em Belém e trazia ao mundo a certeza da Salvação. Hoje ele nasce em nosso coração e nos traz 
a certeza de que não estamos sozinhos, temos um Deus conosco. Ele está em nós e nos salva. Está 
em nós e nos enche com a sua alegria. Mesmo que neste ano pareça que nos faltam motivos para nos 
alegrarmos, que Cristo seja o grande motivo de nossa felicidade e razão de nossa esperança em dias melhores. 
Um feliz e santo Natal, irmãos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

07.12.2020 - Abertura da Porta Santa BSJPII

Ave, do mar Estrela, De Deus mãe bela, sempre virgem, da morada, celeste feliz entrada.
Beatíssimo Pai, Bento, e veneráveis irmãos no sacramento da ordem, amados irmãos e irmãs,
Estamos abrindo a Porta Santa de nossa basílica, celebrando as primeiras vésperas da Solenidade da
Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A liturgia desta solenidade com beleza nos leva a um percurso
pela história da salvação. Num primeiro momento vemos Eva, que conhece o pecado. Eva, mãe de 
todos os viventes, e seu marido Adão, desobedecem a Deus. Adão até tenta justificar seu erro e jogar
a culpa toda em Eva. Mas, sabemos que a culpa recaí sobre os dois. Adão e Eva são os pais da humanidade,
e os primeiros pecadores. Seu pecado? Nenhum pecado de cunho moral como muitos costumam dizer.
Seu pecado foi a desobediência. Eles simplesmente não podiam comer do fruto da árvore e comeram.
Foi o desrespeito a vontade de Deus que fez com que eles rompessem a relação com o Pai. Ao longo
de toda a história da salvação o Pai foi oferecendo a aliança aos homens e as mulheres e os intruiu
nos caminhos da salvação. Mas, foi na obediência de uma mulher, que Deus encontrou o meio de salvar
a humanidade caída no pecado e na morte. Não que por sua obediência seríamos salvos. Mas, por ela,
nos viria o salvador, o supremo obediente, que se faria obediente até a morte e morte de Cruz. Vejam,
irmãos, o fato de Maria ter sido preservada da mancha do pecado original desde sua concepção
em Santa Ana, o que cremos dogmaticamente, garantiu-nos uma mulher que não poderia ser desobediente.
Pois, se a desobediência, como vimos, é consequência do pecado, ela não conseguiria ser desobediente.
Pelo contrário, Maria responde ao anjo Gabriel, no Evangelho que ouvimos: Eis aqui a escrava do Senhor.
E, ao aceitar a missão de ser mãe do Salvador, com perfeita obediência, Maria nos dá o Redentor.
O Cristo, por sua vez, nascido de Maria, morto e ressuscitado, nos garante aquilo que São Paulo diz
na segunda leitura, na carta aos Efésios: Sermos santos e irrepreensíveis pelo amor. A santidade,
irmãos e irmãs, é conquistada pelo amor. Amor a Deus e amor aos irmãos. Amor que nos impulsiona
a deixarmos a desobediência e abraçarmos os planos e projetos de Deus para nós. Nem sempre 
esses planos são os mais fáceis. Porém, são os planos Dele que nos garantirão verdadeira felicidade.
Irmãos e irmãs, abrimos hoje a Porta Santa desta basílica, neste ano Jubilar. Mas, devemos abrir mais.
Devemos abrir o nosso próprio coração aos planos de Deus. Devemos abrir nosso ser a ação de Deus.
Ele não vai nos decepcionar. Pelo contrário, nos garantirá uma alegria que nem nós mesmos e nem
ninguém mais nos garante. Longe de Deus o nosso coração se angustia em buscá-lo. Isso é natural.
Somos homus religiosus. Isto é, buscamos naturalmente a religião. O nosso coração anseia e desfalece
por se unir ao coração do nosso Supremo Amor. E é a santidade que une nosso coração ao de Deus.
Que possamos, na alegria desse jubileu que celebramos, elevar para Deus os nossos corações e nos
unirmos plenamente a Ele. Assim, mesmo que não sejamos imaculados, imitaremos a Imaculada.
Desse modo, a obediência e o amor vão formar e gerar Cristo em nós. E nosso coração, tão estritamente
unido ao Sacratíssimo Coração de Jesus, poderá nos fazer servidores e construtores do Reino de Deus,
do povo Sacerdotal neste orbe habbiano. Amém.