domingo, 31 de julho de 2022

31.07.2022 - XVIII Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, a Liturgia deste décimo oitavo domingo do Tempo Comum nos insere na dinâmica da partilha dos bens. O livro do Eclesiastes, na Primeira Leitura, nos fala sobre a vaidade, aqui causada pela posse dos bens. Possuir bens pode ser um grande bem para a pessoa, mas também pode ser um grande mal. Tudo depende de como lidamos com os bens que possuímos.  É nesta dinâmica que Jesus conta a parábola do homem rico no Evangelho. Àquele homem possui muito, em excesso, e quer reservar tudo para si. Contudo, naquela mesma noite o homem morreria. E então, que havia feito ele de bom para os outros? Nada. Teria deixado a herança para os seus apenas. Mas, e seu cuidado para com a sociedade, para com os sofredores, para com os pobres, onde ficou? Irmãos e irmãs, sabemos e é comprovado: há, no mundo, capital suficiente, bens de consumo suficiente, alimentos suficientes para exterminar a fome e dar dignidade a todas as pessoas do mundo. O que falta, então? Uma justa distribuição dos bens. A Doutrina Social da Igreja desde o pontificado de Leão XIII já tem como um dos seus princípios a "destinação universal dos bens". Isso quer dizer que, como Deus criou a terra para o uso de todos os homens e mulheres, não é legítimo que ninguém seja possuidor de bens além de suas necessidades e satisfação de suas necessidades e prazeres "bons" enquanto os outros estão morrendo de fome, sofrendo sem receber a mínima dignidade que lhes é de direito. Por isso que São Paulo, na Segunda Leitura, nos fala que quem ressuscitou em Cristo precisa buscar as coisas do alto e não as coisas deste mundo. Por que as coisas deste mundo não são boas? Não, pelo contrário: pois os bens terrestres só fazem sentido se são revertidas para o cuidado com as coisas do alto. O homem novo é o homem que sabe usar do que é próprio deste nosso mundo para prover o necessário para os irmãos e irmãs, dando-lhes dignidade, e sabe não se apegar ciosamente as coisas e até mesmo as pessoas. Se amamos alguém mais do que amamos a Deus, por exemplo, temos uma relação do homem velho, isto é, do homem do pecado. Se nos apegamos a dinheiro, aos bens materiais, e não sabemos dele partilhar, estamos sendo como o homem velho. Ao nos renovarmos em Cristo, constantemente, nos tornamos capazes de experimentar o seu amor e criarmos em nós novas atitudes, que não se fecham em nós mesmos, mas, que se desprende de nós para doar-se. O homem vaidoso, avarento, é o homem que não consegue se doar, se por a serviço, exercer qualquer tipo de ministério. Mesmo que dê esmola, não faz caridade, pois o faz simplesmente por obrigação. Quem experimenta a Cristo e se renova nele, desprende-se de tal modo de si mesmo, que ao doar algo, doa-se. E este doar-se é quase que arrancar de si o coração, dar ao outro e dizer: como Jesus Cristo deu-se por mim, eu me dou a ti. Assim seja em nossa vida. Amém!

sexta-feira, 29 de julho de 2022

30.07.2022 - Festa do Estabelecimento da Cátedra

Amados irmãos, hoje celebramos dezesseis anos daquele dia em que os nosso fundadores, Vinicius, Carlos e Victor decidiram que um deles deveria estabelecer em nosso hotel uma cátedra que representasse a cátedra do Sucessor de Pedro. Com isto, nossos fundadores não queriam desvencilhar-se da Igreja Católica Apostólica Romana da realidade, nem fundar uma nova religião, mas, por inspiração divina, fazer com que a Igreja fosse reflexo da Igreja da realidade. Assim, Vinicius Soares tornou-se Gregório XVII e foi o primeiro Bispo de Roma no Habbo Hotel, sinal da unidade e vínculo da caridade de toda a Igreja. Esta é a missão que até hoje assumimos. Amados irmãos, somos a Igreja de Pedro. No Evangelho nós vimos Jesus que dá a São Pedro as chaves do reino dos céus, a autoridade sobre todas as coisas, e o coloca como pedra fundamental. Isso, irmãos e irmãs, pois fundada sobre Pedro, a Igreja leva a Cristo. Cristo sabia que missão não terminaria. Ao mesmo tempo, Ele sabe que se deixasse os apóstolos desorganizados haveria uma dispersão deles, e a missão não iria para frente. Então, o supremo Pastor organiza a sua  Igreja hierarquicamente. E Pedro tem essa primazia sobre todos os apóstolos. Não porque Pedro fosse melhor, nem porque fosse o mais preparado. Não é nada disso! A tal ponto que Pedro negou. Pedro é o primaz pelo simples motivo da escolha de Deus. Deus nos escolhe sem sabermos o  porquê. Não há uma explicação para a vontade do Senhor. Ele simplesmente escolhe. E Pedro se torna esse primaz. Ele sabe muito bem que ele não é a pedra angular. Ele não é o principal. Ele não é  o Mestre, o Rabi, o Cristo. Mas sabe que está no lugar do Mestre, que deve continuar a missão como o Mestre continuaria. Esta missão, considero que podemos repetir em nossa realidade àquilo que disse São Paulo VI: é estranha e singular. De fato, este santo papa certa vez fez um discurso que cabe muito bem a celebração de hoje e que faço de suas palavras as minhas: "Estamos na Igreja. Pertencemos à Igreja. Somos batizados. Somos filhos de Cristo! Temos a mesma fé! Quem pertence a esta sociedade, que se chama, hoje, o povo de Deus, que se chama a comunidade cristã, deve saber que esta comunidade é organizada. E não pode viver sem a inervação de uma organização precisa e potente que se chama hierarquia. Meus filhinhos, é a hierarquia que vos está falando. O Vigário de Cristo que está hoje diante de vós vos diz isto: que não somos feitos tanto para comandar quanto para servir! Posso pedir-vos, caríssimos filhinhos, esta graça que certamente não me negais: amai o Papa! Amai o papa, porque sem nenhum mérito seu, e sem certamente nenhuma sua ambição, foi-lhe dada esta estranha e singular vocação de representar Nosso Senhor! Não olheis para nós, mas para o Senhor que aqui representamos. Estamos ao vosso serviço!".

domingo, 24 de julho de 2022

24.07.2022 - XVII Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, neste décimo sétimo domingo do Tempo Comum, somos convidados a rezar sempre. A liturgia recorda para nós a importância da oração. Quando Abraão pedia pelo povo de Sodoma, que havia pecado, ele fica questionando a Deus por quantos justos Deus salvaria a cidade. Deus havia condenado a cidade por seu pecado e não havia em Sodoma quem rezasse por ela. Abraão busca entender a vontade de Deus e vai lhe perguntando o que era necessário para salvar aquela cidade. Deus diz que salvaria a cidade por certas quantidades de justos. Mas, ainda sim Sodoma é destruída. Havia, de fato, irmãos e irmãs, necessidade de único justo para salvar a cidade do pecado e da destruição: Jesus Cristo. Como nos disse a segunda leitura, Jesus é o justo que morreu em nossos lugares, nos justificou, pagou o preço do nosso pecado, removeu a lança que estava voltada contra nós. Por isso, Jesus Cristo crucificado é para nós o modelo de toda oração. Seus braços abertos na cruz realizaram na história humana a mais perfeita oração ao Pai, quando pede por nós o perdão que não merecíamos, mas que Ele por nós mereceu. E é pelo seu mérito que hoje podemos pedir ao Pai qualquer coisa, que Ele nos dará, isto é, porque Jesus nos colocou novamente em relação com o Pai. Deste modo, quando Jesus ensina a rezar, Ele ensina a oração que começa com "Pai nosso". Já podemos chamar novamente a Deus de Pai e elevar a ele nossas mãos, coração, olhares e vozes, para pedir tudo aquilo que pede a Oração do Senhor: o Reino, o pão, o perdão na medida em que perdoamos, não cair em tentação e sermos libertos do mal. E Deus atenderá estes nossos pedidos, na medida em que formos fiéis a Ele. Aos outros pedidos, Deus atenderá conforme sua vontade. Isto porque nem tudo que pedimos é bom para nós. Às vezes Ele não dá o que pedimos e nos revoltamos. Mas, devemos confiar e nunca cessar de orar, pois Ele nos dará tudo que for de melhor, pois é nosso Pai.

sábado, 23 de julho de 2022

23.07.2022 - Dedicação do Sagrado Coração de Cristo Rei

Saúdo com alegria e afeto Dom Iago Alves, Cardeal Diácono desta igreja e em seu nome saúdo todos os irmãos e irmãs aqui presentes. Estamos reunidos para dedicar a Deus esta igreja em honra do Sagrado Coração de Cristo Rei. Toda vez que dedicamos uma Igreja, a Liturgia nos evoca a retornarmos ao fim do exílio na Babilônia. Sim, pois o povo exilado havia sofrido por não ter contato com a Palavra de Deus e por não poder celebrar a liturgia no Templo em Jerusalém. Isso causou no povo a sensação de que Deus os havia abandonado, de que Deus não estava com ele. Tanto que canta o salmista que, no exílio, os opressores os pediam cantos de alegria, mas eles haviam pendurado suas harpas num salgueiro. E perguntam: como cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Tudo isso por quê? Porque o povo dependia do templo visível para compreender sua ligação com Deus. De fato, mas ao retornar para Jerusalém, o povo de Deus compreende o amor de Deus que não os abandonou e quando Esdras lê a lei de Deus o povo finalmente volta a se alegrar. Não havia mais motivo para tristeza, pois o próprio Deus estava com eles. Por isso, organizou-se dias de festa. Assim também nós, hoje dedicando esta Igreja recordamo-nos que Deus está conosco e celebraremos neste altar a festa da Eucaristia. As paredes e este altar são dedicados para aqui adorarmos a Deus em Espírito e verdade e zelarmos por este lugar como a própria casa de Deus. Mas, a unção deve ser derramada também sobre nossos corações, pois seremos nós que dia após dia consagraremos esta casa para que seja casa de Deus. A nossa experiência, portanto, nos mostra que já não somos mais o povo de ninguém, não somos um povo renegado, somos o povo de Deus, que escutando sua Palavra e celebrando seus sacramentos, reconhece que Deus está conosco e estará até o fim dos tempos. Assim seja! Amém.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

22.07.2022 - 16 anos da Igreja e Festa de Santa Maria Madalena

"Vinde todos vós que procurais o amor de vossas vidas; vinde todos vós que procurais o sentido de vossa existência; vinde e o encontrareis em Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado!": eis o anúncio que nesse hotel a Igreja ressoa há dezesseis anos. Amados irmãos e irmãs, celebramos o solene dia em que o Espírito Santo inspirou nossos fundadores, há dezesseis anos, e eles fundaram a nossa Igreja no Habbo. Hoje podemos repetir como São João XXIII, na noite da abertura do Concílio Vaticano II, que até mesmo a lua se adiantou no céu para assistir a nossa festa. Hoje, nossa Igreja ergue a Deus um hino de louvor, pois reconhece quantas maravilhas Deus operou pelas nossas mãos ao longo destes anos; quantos momentos de encontro nosso e dos outros com àquele cujo todo ser tem sede, isto é, o próprio Deus. Esta é a mensagem do Cântico dos Cânticos para nós: nós sempre procuramos a Deus. Neste hotel, há muitos que ainda procuram a Deus e que nós precisamos favorecer o encontro deles com Deus. Seja do modo mais simples, como venho reforçado, por meio de nossas celebrações e do nosso testemunho, seja por palavras e missões diretas, ou ainda por outros meios que nossa criatividade permitir. O importante, é que todos conheçam a Cristo por nossa causa. Contudo, é preciso primeiro que nós conheçamos a Cristo e só o conhece quem se encontra verdadeiramente com Ele. Vejam que exemplo é para nós hoje Santa Maria Madalena, e como é providencial que nossa fundação seja no dia da Festa da Apóstola dos Apóstolos. O encontro de Maria Madalena com Jesus se deu quando dela o Senhor expulsou sete demônios. Aqui, pergunto-nos hoje: quantos demônios o Senhor ainda precisa tirar de cada um de nós? Quantos demônios em nós ainda atrapalham a nossa missão? Irmãos e irmãs, quando se dá o encontro entre o Senhor e a Madalena, no Evangelho que ouvimos, há uma comunhão de almas, de seres, numa íntima comunicação de amor. Assim também deve ser nosso encontro com o Senhor: transformador e no âmago de nosso ser, gerando comunhão. Foi por conta disso que Maria Madalena foi a primeira testemunha do Ressuscitado: pois ela havia confiado imensamente Nele e Nele esperado. E então o encontro dela com o Ressuscitado é pessoal, pois Ele a chama pelo nome. Irmãos e irmãs, Deus nos chama pelo nosso nome. Nos conhece. Conhece nossa história, nossos pecados, nossos passados, e não cessa de nos chamar à comunhão com Ele no amor. E é pelo encontro de Maria Madalena com o Ressuscitado que ela se torna testemunha da esperança e vai anunciar aos Apóstolos que o Senhor está vivo e que torna novas todas as coisas, conforme diz São Paulo na Segunda Carta aos Coríntios. E mais, Maria Madalena, comunicando a ressurreição aos apóstolos, impulsiona-os a irem para a Galileia e de lá serão enviados para todo o mundo. Ela, como nós, permite-se esconder para dar força ao ministério dos apóstolos, como nós devemos nos ocultar para levar todos à Igreja da realidade. Renovemos, portanto, o nosso encontro com o Senhor, permitamo-nos apaixonarmo-nos novamente por Ele! Deixemos, irmãos e irmãs, que nossos olhos brilhem e que nosso ser resplandeça ao pensar, ao ver e ao falar de Jesus! Tornemo-nos, cada dia mais, testemunhas da esperança, anunciadores aos quatro cantos deste hotel que Jesus Cristo vive e que está no meio de nós, caminha ao nosso lado, nos salva e nos chama à comunhão com Ele! Assumamos, com coragem, àquilo que Deus nos pede e envolvamo-nos confiadamente com a nossa Igreja! Esta, irmãos e irmãs, é a missão que assumimos há dezesseis anos e hoje renovamos, por amor a Deus e aos outros. O próprio Mestre Ressuscitado nos envia no amor do Pai e na força do Espírito Santo. Amém.

domingo, 17 de julho de 2022

17.07.2022 - XVI Domingo do Tempo Comum

Saúdo Dom Joseph Cardeal Ravassi, decano do Colégio Cardinalício, e Dom Junior Assis, Arcebispo Metrpolitano de Aparecida, que hoje receberam o pálio pastoral e em seus nomes, saúdo todos irmãos e irmãs que celebram conosco. Este décimo sexto Domingo do Tempo Comum, nos leva a questionar sobre nossa atitude de acolhida. A acolhida de Maria a Jesus, no Evangelho, foi vista por Ele com bons olhos. Pois, nem sempre acolher alguém, é dar-lhe de tudo. Acolher vai além disso. Hoje, falamos sobre acolher os que passam por necessidades. Estes nossos irmãos e irmãs não precisam apenas de bem materiais, mas precisam também de conforto, de escuta, de atenção, de dignidade. O material é sim extremamente importante, mas deve ir além. Quando falamos de uma Igreja em saída, de uma Igreja que vá até as realidades do mundo, de uma Igreja ministerial, a serviço, falamos de uma Igreja que saiba acolher. Não podemos nos iludir que os homens e mulheres de nosso tempo buscam se conformar com os princípios da fé e da moral cristã, pois não buscam. Nós, por outro lado, temos sim necessidade de ouvi-los, de dar atenção a todas as situações particulares e acolher. Depois, sim, discernimos conforme o Evangelho. Mas, a primeira atitude que é extremamente importante é o acolhimento. Vejam só, irmãos e irmãs, que quando os três homens, representação ou até mesmo presença da Santíssima Trindade, passam por Abraão, ele não os deixa ir direto. Antes, Abraão os acolhe. E é por conta de sua acolhida que Deus faz com ele a promessa, dá-lhe um filho, constitui a partir dele um povo e o faz nosso pai na fé. Quantos povos surgiram da descendência de Abraão, porque ele não deixou Deus passar sem se deter antes a ele. Assim, também nós, pedimos hoje que Deus não passe por nós sem se deter e nos ensine a acolher a Ele próprio, no Pão, na Palavra e nos irmãos e irmãs. Que Ele nos ensine a como Igreja ser acolhedores e não alfandegários. E todos nós, possamos então, aproveitar da melhor parte, que é o próprio Jesus. Assim seja! Amém.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

15.07.2022 - Dedicação do Santuário Nacional

Saúdo com estima e afeto Dom Junior Assis, Arcebispo-Eleito de Aparecida, e em seu nome saúdo os concelebrantes e todos os que estão aqui presentes. Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para dedicar a Deus este Santuário Nacional em honra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Habbo Br. Para mim, dedicarmos este Santuário é a realização de um sonho pessoal: uma casa digna para a Mãe Aparecida que não dependa de algum tipo de "aluguel". Sou particularmente devoto de Nossa Senhora Aparecida e por isso estou aqui hoje como romeiro da casa da Mãe. Dedicamos esta Igreja para que ela seja morada de Deus. Mas, como Deus não se detém apenas a esta casa, a dedicamos sobretudo para que aqui seja lugar de encontro de cada pessoa com Deus e com os irmãos. Encontro com Deus, pois ao passar por aqui, o povo mais simples ao mais entendido, se recordará da existência de Deus, ao menos, e a Ele prestará seu culto. Por isso, Deus quis servir-se das igrejas: pois, não sendo prisioneiro delas, nelas habita para que seu povo possa encontrá-lo e adorá-lo em espírito e verdade. Assim, irmãos e irmãs, devemos ser zelosos para com as igrejas e nos empenharmos em edificar o próprio Corpo de Cristo com os irmãos e irmãs. O altar, que aqui tem, de fato, centralidade, deve ser o coração da Igreja toda, como lugar de comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs. Em nenhum outro lugar nos unimos tanto com Deus e tanto com os irmãos, como na mesa do altar. O altar é pedra do sacrifício e mesa da refeição: duas dimensões que se completam e que não podemos nos esquecer. Por fim, irmãos e irmãs, que todos que por aqui passarem encontrem-se, como o povo que voltava do exílio no livro de Neemias, a acertada Palavra de Deus que nos anima e consola. E que todos nós, filhos da Mãe Aparecida, nos empenhemos em oferecer a Deus esta igreja por meio de nossos trabalhos e santificação. Amém.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

14.07.2022 - Posse em Latrão

Irmãos e irmãs caríssimos, estamos aqui reunidos neste dia em que tomo posse desta cátedra da Diocese de Roma na Arquibasílica de Latrão, minha Igreja Catedral. Tomar posse desta cátedra e afirmar meu compromisso de ser pai e pastor da Diocese de Roma e por ser o seu Bispo, presidir na caridade todas as Igrejas do mundo. Na Liturgia de hoje, somos inspirados pelo Profeta Isaías a encontrarmos Deus em nosso íntimo. De fato, o profeta reconhece que nossa alma anseia por Deus. Isso é verdade, pois todo ser humano, mesmo que não saiba, tem uma constante sede de Deus. Os homens e mulheres de nossos tempos têm uma ainda maior sede de Deus, mas não sabem disso, não querem aceitar essa realidade. Pois, buscar a Deus é uma busca com a qual se compromete a vida toda e a nosso tempo é um tempo de muito pouco comprometimento e pouca consistência. É preciso gastar-se para encontrar a Deus, porque Deus se encontra num movimento constante, quando nós o buscamos, mas também quando Ele se revela a nós. São estes dois movimentos que sempre acontecem: o nosso e o de Deus. Assim, nós entramos no coração de Deus e Deus entra em nosso coração e em nosso íntimo. Por este motivo, também, é tão difícil buscar a Deus: pois Deus já está em nosso íntimo e no nosso íntimo precisamos encontrá-lo. Mas, para isso, não pode haver véus, não pode haver escondimentos. Precisamos nos encarar como somos, muitas vezes na crueza da realidade, e ali, dentro de nós, contemplaremos a presença de Deus que nunca nos abandona. Não nos abandona porque não nos olha como um juiz cheio do desejo de nos condenar a cada queda nossa. Ele compreende os pesados fardos que carregamos, conforme o próprio Jesus nos disse no Evangelho. E Jesus nos chama a tomar sobre nós o seu jugo suave e seu fardo leve, apontando para nós que o caminho é, tantas vezes, menos complicado do que achamos que é. Irmãos e irmãs, é quando permitimos que a presença de Deus em nós transforme os nossos corações que Ele mesmo nos introduz em seu Divino e Sagrado Coração; o coração manso e humilde, cheio de amor para dar. Portanto, somos convidados a buscar a Deus no íntimo de nosso ser, retirando todas as máscaras e nos desfazendo de todos os personagens que criamos para nos esconder de Deus, aí permitiremos que Ele nos transforme e nos introduza em seu coração. Aí nossa sede será cada vez mais saciada e nossa busca cada vez mais encontrará o que procura, quanto mais formos experimentando a ação e o amor de Deus em nós. Deixai-vos ser introduzidos no Coração de Deus!

terça-feira, 12 de julho de 2022

13.07.2022 - Entronização Pontíficia

Saúdo, no nome de Dom Joseph Cardeal Ravassi, todos os cardeais, bispos, presbíteros e diáconos, além de todos os membros dos institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica. Bem como saúdo aos irmãos com os quais não temos plena comunhão e todos que celebram conosco. Irmãos e irmãs, hoje marcamos solenemente o início de meu ministério como representante do sucessor de São Pedro e como sucessor de Gregório XVII com esta Eucaristia. Ressoou aos nossos ouvidos a Palavra de Deus, no livro do Gênesis, a promessa de Deus a Abraão. Também ao meu coração chegou a promessa de Deus. Assim como nosso pai na fé, me pergunto que poderia Deus me dar, se não tenho méritos para tal. E a promessa de Deus me alcança: meus filhos serão uma imensa multidão, que não poderei contar. Vós, queridos irmãos e irmãs, que Deus me confia também como filhos e filhas, sois a bênção de Deus para a minha vida. E reconheço, que vós não sois obra minha, a Igreja não é obra minha e tudo aquilo que eu fizer, não é obra minha: tudo é obra de Deus. Eu me coloco e me deposito confiantemente nas mãos de Deus, a exemplo de Abraão, pois sei que tudo será feito por Ele, que é o supremo e Bom Pastor que conduz a mim e a toda a Igreja. Mas, na dinâmica da Carta de São Pedro, também sou chamado a me configurar ao Cristo Bom Pastor, tornando-me também um bom pastor. Por isso, um dos símbolos que recebi é o pálio pastoral, como sinal da ovelha que devo trazer nos ombros. Outro símbolo é o anel do pescador: pois assim como São Pedro disse que em obediência a palavra de Cristo lançaria as redes, também eu devo lançar as redes da barca da Igreja e pescar, no mar agitado, homens e mulheres para formarem o povo de Deus, que é a Igreja. Jesus Cristo, no Evangelho, afirmou que sobre Pedro construiria a sua Igreja. Mas, a Igreja de Cristo, fundada sobre a rocha que é Pedro, cresce e se multiplica pela ação de homens e mulheres que decidem lançar as redes. Por isso, essa missão de não exclusiva de Pedro. A missão de Pedro é confirmar a Igreja na fé e ser sinal da unidade da Igreja, presidindo as Igrejas na caridade: esta é a missão que tomo solenemente sobre mim. Mas, a missão de edificar a Igreja, o Corpo de Cristo, não é só minha, é de todos nós. Por isso, nessa noite, o novo representante do sucessor de Pedro vos pede e vos implora: CONSTRUÍ COMIGO UMA IGREJA QUE SEJA TODA ELA MINISTERIAL! Uma Igreja ministerial é uma Igreja de servidores e servidoras, pois "ministério" é "serviço". Como afirmava São Paulo VI: a hierarquia da Igreja existe para servir. Mas, não só a hierarquia deve servir. Todos nós devemos ser servos, tal como Cristo, que se fez servo de todos. Se tomarmos para nós o serviço com amor, ele se desenvolverá de modo leve, simples e eficaz. Assim, a própria evangelização será mais efetiva, pois não nos esqueçamos que - como ensinou-nos Bento XVI - a Igreja cresce por atração e não por proselitismo. O serviço, irmãos e irmãs, é tradução de nosso testemunho de fé e de amor. Será o nosso serviço e ministério, pessoal e como Igreja, que cumprirá nossa missão de fazer com que nesse hotel Cristo seja cada dia mais conhecido e amado. Iniciemos portanto este caminho, como pastor e rebanho, como pastores, como ministros, como servidores, como Igreja do Senhor, e peçamos que Cristo nos conduza sempre mais à perfeição. Assim seja! Amém.

domingo, 10 de julho de 2022

11.07.2022 - Memória de São Bento

Irmãos, de nada vale o nosso culto se este não for um culto do coração. O nosso culto se torna vazio se não está de acordo com a nossa vida. É isso que está dizendo para nós hoje o profeta Isaías. Nossa vida deve ser uma vida de acordo com aquilo que celebramos: o próprio Senhor. Não podemos promover a injustiça, a divisão, enfim, o pecado, e depois nos aproximarmos de Deus para oferecer nossa adoração. Esse é um culto exterior. A adoração, a missa, o culto, deve sair do nosso coração, brotar dele de modo natural, como fruto de um coração cheio de amor. Este amor, irmãos e irmãs, é o amor de Deus. Mas, que precisa ser procurado. E só encontra a Deus, só se encontra com seu amor, quem se perde em Deus. É por isso que é preciso amar mais a Deus do que ao pai, mãe, filhos, esposo, esposa, e até mesmo mais do que a si próprio: pois o ser humano só se encontra, só encontra aquilo que realmente é, o sentido da vida, a própria vida, quando se perde em Deus. É quando entramos no coração de Deus, que Ele também faz morada em nosso coração!  E aí somos capazes de, como discípulos, introduzir os outros nesta mesma comunhão com Deus. Assim foi a vida de São Bento, que hoje celebramos: um homem que se perdeu de amores no coração de Deus e que deu-nos, em sua regra e em seu exemplo, um intinerario pára sermos todos nós benditos, bentos, abençoados pelo Senhor. Quando isso acontece, não nos contentamos com uma vida medíocre e um culto vazio, mas, fazemos de nossa própria vida uma oferenda agradável ao Senhor. Façamos agora, também, da nossa vida, um sacrifício com o pão e o vinho que iremos oferecer: preparemos os dons com o nosso ofertório.

10.07.2022 - Pro Ecclesia

Saúdo Dom Joseph Cardeal Ravassi, decano do Colégio de Cardeais, e em seu nome saúdo a cada cardeal presente. Saúdo os demais irmãos que celebram conosco esta Eucaristia em honra de Jesus Cristo, nosso Senhor, pedindo por toda a Igreja. Irmãos caríssimos, hoje somos inseridos na dinâmica do sentido da lei. No livro do Deuteronômio, Moisés convida o povo ao seguimento daquelas leis do decálogo. Moisés exortou o povo a seguir os mandamentos do Senhor, pois eles não são impossíveis. Pelo contrário, é possível cumprir os mandamentos, as leis do Senhor. Mas, só consegue seguir os caminhos do Senhor aqueles que permanecem dóceis a sua Palavra, aqueles que reconhecem que não é pela sua força, mas pela força de Deus. Mas, desde que o pecado entrou na história da humanidade, nós tendemos para ele. É Deus que pode nos fortalecer no caminho oposto, no caminho para a vida eterna, pelos méritos de Jesus Cristo que nos reconciliou com o Pai por sua cruz, conforme explica São Paulo na Carta aos Colossenses. Contudo, antes da Salvação em Jesus Cristo, o povo experimentou a própria fraqueza, assim como nós também experimentamos quando nos afastamos de Deus para seguir a vida do pecado. De fato, o povo de Israel viveu duas grandes experiências como decorrência de seu pecado: a escravidão no Egito e o exílio na Babilônia. A experiência de ser retirado de sua terra, de seu lugar de pertença, por decorrência de seu pecado, como punição pelo seu pecado, fez com que o povo de Israel se lembrasse da importância de Deus em suas vidas. E o povo de Deus cada vez mais se apegou a Lei de Deus. Os dez mandamentos se tornaram 613 prescrições que deveriam ser seguidas pelos judeus. Mas, a Lei, em si, esvaziou-se. Tornou-se cumprimento vazio de um dever. Tanto que, nós percebemos na pergunta do mestre da lei a Jesus: "o que devo fazer?". O mestre da lei quer fazer o mínimo. De fato, quando ele pergunta a Jesus quem é o seu próximo, ele está pensando no mínimo. O próximo para o judeu era apenas outro judeu. Não eram próximos os pecadores, os estrangeiros, os leprosos, os samaritanos. E vejam que, na parábola do Bom Samaritano, contada por Jesus, o próximo do homem que estava ferido foi o samaritano. E, aqui, um puxão de orelha para nós, como Igreja: o sacerdote e o levita olham para o homem caído, mas continuam seu caminho. A IGREJA NÃO PODE OLHAR PARA OS CAÍDOS, PARA OS SOFREDORES DE NOSSO TEMPO E DE NOSSA REALIDADE E FICAR ALHEIA. NÓS, HOMENS DA IGREJA, NÃO PODEMOS FICAR ALHEIOS AS DIFICULDADES DOS NOSSOS IRMÃOS! E quais são as dificuldades de nossos irmãos? Depressão, ansiedade, outros tipos de sofrimentos. São as periferias existenciais que nossa realidade virtual nos permite alcançar, mas que só alcançaremos quando formos capazes de olhar para os nossos irmãos e tocarmos nas suas feridas. Saíamos por esse hotel e vamos ao encontro dos que estão feridos: eles sempre se revelarão para nós. Vamos nos sujar com os nossos irmãos machucados e vamos permitir que o seu sangue se impregne a nossa pele, como Cristo impregnou com o seu sangue o madeiro da Cruz. Sim, irmãos, pois também nós somos pecadores, nós também somos os machucados. O pecado nos assaltou e nos deixou lá jogados, caídos, condenados a morte eterna. Mas Cristo vem, nos toma em seus ombros e nos cura. Suas chagas nos curaram. O Senhor não nos leva mais a uma hospedaria, mas para a Casa do Pai, para a Ceia da Comunhão eterna, a qual já experimentamos aqui e agora sob o véu do sacramento.

sábado, 9 de julho de 2022

09.07.2022 - Discurso na sacada

Amados irmãos e irmãs, boa tarde!
É belo como Deus nos escolhe apesar de nossas fraquezas e limitações. 
É bonito percebermos que Deus nos escolhe com misericórdia. 
Não poderia deixar de me questionar sobre os designíos do Senhor.
E então, me vem a mente àquele poema sobre vocação, de Dom Hélder Câmara:
"Da galheta cheia uma só gota foi chamada a participar da Oferenda Divina.
Por que aquela e não outra?
Não vemos nada! Não sabemos nada!
Comoveu-me a placidez da água restante que logo a seguir lavou, humilde e feliz,
as minhas mãos de pecador!"
Reconhecendo na eleição dos meus irmãos cardeais a eleição do próprio Mestre,
hoje só posso dizer: "Eis-me aqui!".
Eis-me aqui, para vos servir. Minha missão é vos servir!
Façamos juntos uma Igreja bonita, unida, evangelizadora e testemunha viva do Senhor Ressuscitado.
Conto com cada um de vocês, irmãos e irmãs, pois sozinho não sou a Igreja.
Peço, também, que rezem por mim e pelo ministério que Deus e que vocês me confiam.
Peçamos que Deus abençoe a nós e a todos os homens e mulheres de boa vontade.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

09.07.2022 - Pro Eligendo

Saúdo os veneráveis irmãos cardeais, de modo especial, o subdecano, Dom Joseph Médici, e em seu nome quero saudar a cada cardeal presente nesta tarde nesta sacrossanta basílica. Saúdo a cada um e a cada que aqui constitui assembleia celebrativa. Mais uma vez sentimos o suave vento do Espírito Santo que sopra sobre as velas desta barca que é a barca do Apóstolo Pedro, a fim de conduzir sua Igreja para onde for de acordo com a Divina Vontade. É o Espírito que sopra para conduzir a eleição do novo timoneiro da barca. Sim, timoneiro, pois a função do papa não é a função de capitão. O capitão é o Cristo, que dá as ordens para que o seu timoneiro conduza a barca para onde quer o capitão. E o profeta Isaías tão bem diz para onde o Senhor quer que guiemos a barca, qual é o caminho a seguir: o caminho que dá a boa-nova aos humildes, que cura as feridas da alma, prega a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; e proclama o tempo da graça do Senhor. Esta é a missão da qual a Igreja não pode se esquecer! Não podemos falar de nos compromissarmos, já estamos compromissados com a causa do Reino de Deus, isso é parte de sermos Igreja. São Paulo, na Carta aos Efésios, nos diz que como Igreja devemos crescer em Cristo. Assim, diz Ele, "não seremos mais crianças ao sabor das ondas, arrastados por todo vento de doutrina, ludibriados pelos homens e induzidos por sua astúcia ao erro". De fato, irmãos e irmãs, é preciso ouvirmos a voz de Jesus Cristo para sabermos para onde irmos como Igreja e pessoalmente. Que os eminentíssimos senhores cardeais, mas que todos nós, sempre tenhamos isso em mente: a necessidade de deixarmo-nos inspirar pelo Senhor. Sim, pois é Ele que nos motiva. De fato: "Sempre Motivados pelo amor queremos ater-nos à verdade e crescer em tudo até atingirmos aquele que é a Cabeça, Cristo." - diz-nos, São Paulo. É muito bom, irmãos, estarmos todos aqui unidos e reunidos no Senhor depois de tantos momentos de separação que causaram tanta dor ao Corpo de Cristo, a Barca de São Pedro que é a Igreja. Hoje ressoa para todos nós, Igreja, discípulos e discípulas do Mestre Ressuscitado, aquele mesmo mandamento que ressoou aos Apóstolos: "Amai-vos uns aos outros.". Óh, irmãos, oxalá sejamos reconhecidos pelo amor. Não um amor que é simples proselitismo, mas que se traduz em atos. O amor, irmãos queridos, é o que nos une como comunidade. Nesta tarde, permitamos que o amor de Cristo, dom do Santo Espírito, dilate o nosso coração, nos faça disponíveis a servir e a crescer como Igreja, atentos a voz de Cristo que convida a todos nós a sermos profetas do seu Reino. E que a nós, cardeais, o Pai e o Filho enviem o Divino Espírito para concedermos, não conforme as nossas vontades, mas conforme a Divina Vontade, um pastor para ser o timoneiro da barca de Pedro. Assim seja! Amém.