domingo, 26 de setembro de 2021

26.09.2021 - Segunda-Feira da XXVI Semana do Tempo Comum

O que não vem te deixando ser como criança? O que não vem te deixado ser o menor? Puro? Incoente? O que vem te distanciado de Deus? O que você precisa cortar, arrancar, para não pecar? Quais são as podas que você vem precisando fazer em sua vida? O que vem te feito mal? Por que não cortar aquela amizade tóxica, com aquela pessoa que suga sua felicidade? Por que não deixar de andar em algumas companhias que sempre te levam para o caminho da desgraça e depois te abandonam nos momentos do sofrimento? Por que não deixar de ir a lugares que não condizem com a sua fé? Por que não terminar um relacionamento abusivo? Por que não deixar vícios? Por que não cortar essas ervas daninhas? Olhe para dentro do seu coração nesse momento e se pergunte: por que eu não sou feliz hoje? Ou, se você já se considera feliz: por que não sou mais feliz? Tantas vezes não deixamos algo que precisamos deixar para trás, simplesmente porque ainda estamos muito apegados e com medo da dor de deixar. Mas, o pecado, o mal, os caminhos errantes, sempre parecem remediar nossas misérias, só que, pelo contrário, vão piorando. Às vezes podemos pensar que um pequeno pecado, uma pequena atitude que "saia da linha" não vai mudar nada em nossas vidas. Pelo contrário, isso faz toda a diferença. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, cuja novena estamos celebrando, reconheceu como não tem valor as coisas deste mundo e escreve na História de uma alma: “no crepúsculo desta vida aparecerei diante de vós (Deus) com as mãos vazias”. Teresinha só queria ser o amor no coração da Igreja. Ela queria arder de amor por Jesus. Quem ama, luta para não fazer mal ao outro. O pecado é um mal. O mal, metafísicamente falando, é sempre a ausência de Deus. Então, onde está o mal, por que não enchermos da presença de Deus todos os ambientes de nossa vida que não tem a Deus? E mais, por que não enchermos de Deus a vida dos outros? Nós ouvimos no relato bíblico: Jesus não se opõe que alguém fora da Igreja expulse os demônios em seu nome. Tantas vezes nós, que estamos dentro, não conseguimos alcançar o coração das pessoas. Mas, precisamos todos nós sermos testemunhas. Sem sair de seu convento, Santa Teresinha foi reconhecida como padroeira das missões. Imaginemos, portando, o que nós não somos capazes de fazer... Irmãos e irmãs, deixemos para traz o que precisa ser deixado, cortemos, por amor, o que precisa ser cortado. Permitamos que Deus entre, que seu Espírito entre, em todos os lugares onde hoje há o mal, há a ausência do amor do Senhor. Que em cada lacuna de nosso ser, no ser de cada pessoa, e em todo o mundo Deus possa se fazer morada e encher com o seu amor. Assim seja! Amém.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

15.09.2021 - Coroação de Nossa Senhora do Carmo

Beatíssimo Pai, Inocêncio,
Eminentíssimo Dom Frei José Wesley Oliveira Médici Cardeal Ravassi, digníssimo prior, a quem agradeço o convite para pregar nesta noite solene,
Irmãos, gostaria de fazer um exercício com vocês. Nesta noite, nesta basílica romana, nós estamos no alto do monte Carmelo. É como se nosso Senhor nos transportasse para lá. Diante de nós, está toda a história deste lugar. Vemos, neste monte, Elias desafiando os profetas de Baal. Aqui os profetas de Baal clamaram pelo fogo e não foram ouvidos e o Nosso altar, encharcado pela água, foi aceso pelo fogo vindo dos céus graças a oração de Elias. De repente, vem os 50 soldados de Acazias e, pela oração de Elias, o fogo vindo dos céus os consome. Depois da saída de Elias, começam a se estabelecer os eremitas. Daqui, do alto do monte, vimos Elias na carruagem de fogo, onde entrou após bater o manto no Jordão, e esta indo para os céus. O tempo passa ao nosso redor, chegamos ao ano 33 e somos transportados para outro monte, o Calvário. Diante de nossos olhos há um homem crucificado. Lemos sobre sua cabeça que ele é Jesus Cristo, o rei dos Judeus. Ouvimos esse Jesus confiar a um tal de João a sua mãe, Maria. Percebemos que João não é só João, João representa alguém a mais que ele próprio e pensamos que possa representar seus irmãos, sua comunidade. Depois, ouvimos o Crucificado gritar: "Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!" e ele expira. Ao expirar, o seu Espírito sopra como um vento sobre o discípulo, sobre a comunidade, sobre a Mãe e sobre nós. Piscamos, e ao abrirmos os olhos vemos Jesus morto, com o lado aberto e a mãe indo embora com o discípulo, e ele diz que irão procurar reunir a comunidade. Num breve fechar de olhos vemos a Ressurreição e Ascensção de Jesus, e estamos de volta no alto do Carmelo, o monte da Vinha do Senhor. E em 1251, este monte que já fora consagrado a Virgem Maria, nós vemos diante de nossos olhos o aparecimento da própria Nossa Senhora. Nos damos conta de que é a mesma mulher, a Mãe de Jesus, que nós vimos ser entregue como mãe da comunidade. Ela, com escapulário em mãos, diz ao nosso irmão, Simão Stock: "Recebe, Meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da Minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas: o que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas". E então, sentimo-nos como membros daquela comunidade que recebeu Maria como Mãe, recebemos também o nosso escapulário e sentimos a sua proteção. Piscamos mais uma vez e acordamos novamente aqui, na basílica de Nossa Senhora do Carmo em Roma, em setembro de 2021, diante de nossos olhos está o Santo Padre, está a Senhora do Carmo, e olhando ao sacrário vemos o próprio que vimos Crucificado, Ressuscitado e subindo aos céus. Olhamos para a nossa história e nosso coração se enche de alegria e entusiasmo. Recebemos o escapulário como sinal de nossa proteção e sobre o amparo materno de Maria sentimo-nos cheios do amor deste rosto materno de Deus. Queremos declara-la como Rainha de nossos corações. Queremos dar-lhe tanto quanto pudermos. Sabemos que estamos constantemente protegidos por Deus, pois agora o monte Carmelo não está apenas num lugar, mas, em cada um de nós por meio de nosso escapulário. Por isso, honremos aquela que nos protege e que coloca em nós a marca de Deus. Nós somos, cada um de nós, o monte de Deus, por isso, nos aproximemos Dele dentro de nós. 
Assim seja! Amém.

domingo, 5 de setembro de 2021

05.09.2021 - XXIII Domingo do Tempo Comum

Irmãos, a Palavra de Deus precisa ecoar em nossos corações. Tantas e tantas vezes nós somos surdos e mudos diante da Palavra de Deus. Não somos capazes de ouvir e anunciar a Palavra pois estamos com o nosso coração cheio de coisas ruins. Abrimos a boca para maldizer, para xingar, para diminuir, para oprimir, para falar do diabo, do demônio, para fofocar e para destruir o outro. Não somos capazes de falar de Deus, mas, apenas de falar de desgraça. Assim, não criamos ânimo a ninguém e manteremos a terra seca do amor e da paz. Precisamos abrir o nosso coração para a ação da Palavra de Deus. Cristo é o Verbo de Deus. O Verbo não é apenas palavra. Verbo é Palavra em movimento, isto é, Palavra em ação. Devemos permitir que o Senhor cure nossa surdez para que sua Palavra possa agir em nós. E qual é sua ação? É a transformação interior, sim. Mas, também, é fazer com que sejamos curados de nossa mudez para anunciarmos, também, que Cristo faz bem todas as coisas e fez bem em nossa vida.