quarta-feira, 22 de julho de 2020

22.07.2020 - Aniversário da Igreja

Beatíssimo Pai, João Paulo VII, a quem agradeço o convite para proferir essa homilia, e o modo
que sempre olhou e cuidou deste bispo emérito, queridos irmãos nos colégios dos cardeais e dos bispos,
amados presbíteros, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, leigos e leigas, enfim, Igreja 
Santa do Cristo Senhor, unida para celebrar a Eucaristia, minha saudação a cada um de vocês.
Estamos celebrando essa festa dos 14 anos da nossa presença como Igreja aqui no Habbo Hotel,
neste mesmo dia que a Igreja comemora Santa Maria Madalena, a apóstola dos apóstolos. A primeira
leitura canta uma história de amor. Este romance do livro dos cânticos dos cânticos, de alguém
que busca o amor e o encontra, o segura e não o deixa partir mais, é também a história de amor
de Maria Madalena por Nosso Senhor. Mas, além disso, é a história de amor da Igreja por Cristo.
Maria Madalena, ao contrário do que Dan Brown escreve em seu famoso livro, não tinha um amor
"eros", por nosso Senhor. Mas, tem por Cristo um amor que sem reservas. Ele ultrapassa o mero
interesse, as sensações e sentimentos humanos. Maria Madalena ama a Cristo pois encontra nele
o sentido de sua vida e de sua existência. Ela toma Cristo como seu Mestre. E é como seu Mestre
que Maria Madalena ensina a Igreja a ter Cristo como, também, seu Mestre. Maria Madalena 
nos ensina a ir com Cristo até a cruz, e nos ensina a estar com Ele no momento da sua ressurreição.
A mulher, que tinha uma alma com sede de Deus, que estava cheia de esperança, vai ao Sepulcro
na manhã do Domingo, e é a ela que o Senhor se manifesta primeiro. Enquanto ela estava lá, 
achando que Jesus fosse um jardineiro, Jesus se revela a ela e ela só consegue exclamar: MESTRE!
A exclamação de Maria Madalena é a felicidade, o espanto, o entusiasmo de alguém que tinha

encontrado novamente o sentido de sua vida e de sua existência, àquele a quem ela já tinha entregue
e continuaria a entregar a sua vida. Maria Madalena reencontra o Mestre. E o que ela queria fazer?
Queria abraça-lo e segura-lo como o amor da primeira leitura. Mas, ela não podia. Pois o amor de
Cristo não era só por ela, nem só pelos apóstolos, era pela humanidade toda. Ele não podia se 
reter a ela, pois foi a humanidade toda seu sacrifício. E, assim, Maria Madalena vai ser a apóstola
dos apóstolos. Ela não está no mesmo nível que os apóstolos. Maria Madalena não é bispa. Não 
é sucessora dos apóstolos. Ela é humilde servidora. E por sua humildade, ela é grande. Pois colaborou
com a missão dos Apóstolos de perto. Ela sabia o seu lugar, se colocou nele, e foi grande por isso.
Maria Madalena, por seu amor a Cristo, sabia que deveria servir o Mestre onde fosse colocada.
E assim, irmãos e irmãs, Maria Madalena é um exemplo para a Igreja do Habbo Hotel. Aqui, 
em nossa realidade - tomando fatos reais - não há sucessão apostólica. Há a sucessão de Gregório,
que nos garante a ligação com nosso fundador. Mas, mesmo Gregório, somos todos como Maria
Madalena. Nós não somos a finalidade, em si, de existir a nossa Igreja. Nós somos uma ponte.
Somos apóstolos dos apóstolos. Guiamos as almas aos Apóstolos, isto é, a verdadeira e una Igreja,
Católica Apostólica e Romana. Esse é o nosso trabalho. Essa é a nossa missão. Conduzirmos as 
almas. Devemos apaixonar as pessoas que frequentam o Habbo Hotel pela Igreja e por Jesus Cristo,
para que as pessoas por trás desses pixels busquem a Igreja e busquem a Jesus Cristo, com um
coração que está sempre ardendo de amor. Mas, não é apenas o lado bom de Santa Maria Madalena
que puxamos. Há também Maria da Madalena antes de encontrar seu amor. Há a phrostihtuta,
que vendia seu corpo, sua dignidade, por dinheiro. E quantas vezes a história da nossa Igreja foi 
manchada por homens que venderam a dignidade da Igreja, de nossos colégios, com barretes 
e mitras, ganhando dinheiro por isso? Quantas vezes nossa história não foi manchada por escândalos
de todo cunho, que nos impediram de ver a pureza da Igreja? Momentos de nossa história que
nossa Igreja conheceu a dor do pecado. E hoje, esse mesmo orgulho, faz com que conheçamos
a dor da divisão. Mas, como mãe misericordiosa, a Igreja abre os braços e perdoa os erros de todos
seus filhos e filhas, ansiosa por tê-los de volta. É assim, irmãos e irmãs, que aconteceu como Santa
Maria Madalena. De phrostihtuta, possuída por demônios, pecadora e tudo que Maria Madalena
era, ela se torna apóstola dos apóstolos. E se faz apóstola, pelo amor ao Mestre. O amor ao Mestre,
apagou os seus pecados e fez com que Maria Madalena mudasse de vida, se convertesse verdadeiramente.
Por isso, irmãos e irmãs, para concluir todo esse pensamento: Nós como Igreja, mas, também,
cada um de nós individualmente, deve se apaixonar novamente pelo Senhor. Deixar com que a 
vida do Senhor penetre as nossas vidas. E assim, permeados pelo Senhor, nós encontraremos
o sentido de sermos e existirmos e poderemos continuar a nossa missão que começamos a 14 anos,
e que continua espalhando o amor de Cristo. Fazer com que todos se apaixonem por Cristo e o 
amem verdadeiramente. Deste modo, irmãos e irmãs, receberemos aquela recompensa: Que os
olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem o coração humano imaginou, que Deus tem preparado
para aqueles que o amam. 


terça-feira, 21 de julho de 2020

21.07.2020 - Catequese

Queridos irmãos e irmãs, estamos reunidos para meditarmos sobre a nossa fé. O tema proposto 
para essa tarde é: Mistério Pascal: Salvação, Aliança e Perpétua Memória. Um tema que tem tudo
a ver com a Eucaristia, neste Congresso Eucarístico e que merece que o exploremos um pouco.
Em primeiro lugar, convém que destrinchemos o tema. O que é Mistério Pascal? Alguém pode responder?

O Mistério Pascal é a vida de Cristo. Alguns focam o mistério Pascal apenas na paixão, morte 
e ressurreição. Mas, eu sigo aqueles que não concordam com isso. Toda a vida de Cristo é pascal.
Toda a vida de nosso Senhor é uma passagem da morte para a vida. Num primeiro momento é
a passagem da morte dos reis magos, que conheceram o Salvador. Depois é passagem para Simeão
e para Ana. É passagem para tantos que estavam em situação de morte e por Ele foram curados,
em especial Lázaro. É passagem quando Ele passou da morte para a vida Eterna. E é passagem
quando Ele deu o Espírito de vida aos apóstolos. Por isso, todo o caminho de Cristo, desde a encarnação
até o Pentecostes, é o Mistério Pascal. E, por que este Mistério Pascal precisou ocorrer? Pois pecamos.
Irmãos, precisamos voltar ao livro do gênesis. Quando Deus criou o homem e a mulher e só os 
deu uma ordem - a de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal - e Adão
e Eva comeram, estabeleceu-se no mundo o pecado. Perdemos o Paraíso pelo pecado de Adão
e de Eva. Este pecado original é o da desobediência. Não tem nada a ver com questões de outras
naturezas. Não! O pecado original é a desobediência. Por isso, na Sexta-Feira Santa cantamos: 
SALVE CRISTO OBEDIENTE! Pois o pecado original é a desobediência. Então, passaram os anos
e Deus foi dando pequenas salvações. Deus foi dando e construindo com seu povo uma História
da Salvação. Esta Salvação foi dada a Noé e a sua família. E se firmou como promessa em Abraão. 
Deus fez aliança com Abraão. E que aliança é essa? "Eu serei o seu Deus e vós sereis o meu povo".
Esta aliança não parece nada, mas é muito. Ela quer dizer que Deus será o adorado por aquele 
povo, pelos filhos de Abraão. E, se eles o adorarem, Deus cuidará deles como o seu povo. Lembrem-se,
que na época de Abraão se acreditava em muitos deuses. Mas, a partir deste  momento, surge
o monoteísmo, a crença em um só Deus. E Abraão ainda não acredita em Deus como criador. 
A crença em Deus, neste momento, é uma crença num Deus GOEL. Goel é uma palavra que significa
"vingador". Quando acontecia algum crime, pela lei de talião, o criminoso devia sofrer a mesma 
coisa. Por exemplo: Se Snaif me cortar a perna, eu posso cortar a perna dele. Mas, há casos, onde
a pessoa que sofreu a injustiça não pode revidar. Por exemplo: Se Snaif me cortar os dois braços,
como eu vou cortar os dois braços Dele? Ou, se ele me tirar a vida, como eu tirarei a vida dele?
É então que entra o Goel. O Goel é aquele que fará a minha vingança em meu nome. E a primeira
crença do povo em Deus é a crença neste vingador. Um Deus que os protegeria dos inimigos e que
os vingaria se fosse necessário. É assim que surge a Aliança. A Aliança surge como uma fidelidade
entre Deus e seu povo. Este adorará a Deus. E Deus vai cuidar do seu povo. Pois bem, o problema 
está que o povo quebrou esta aliança. O povo quebrou a aliança adorando outros deuses. Quebrou
a aliança quando se aliou a outros líderes que eram contrários ao Senhor. Os reis de Israel, em 
muitos momentos romperam com a Aliança e Deus os tirou do trono. Isso tudo porque a Aliança
tinha sido firmada com o sangue. Quando Abraão e Deus passaram no meio dos animais mortos,
eles firmaram uma aliança em cima do sangue daqueles animais. Era um pacto de sangue. Quem
rompe com a Aliança, pagará pelo sangue dos animais. E o povo viveu continuamente rompendo
e voltando com a Aliança. Mas, todas as vezes, eles pagaram o preço. Uma das provas disso é o 
exílio da Babilônia. O povo foi se aliando a governantes que não seguiam o caminho do Senhor.
Deus desagradou-se, e a consequência foi Ele permitir o povo ir para o cativeiro. E lá, no cativeiro,
o povo sentiu a ausência de Deus, a ausência da aliança. Lá eles viram e reconheceram o seu erro.
É neste contexto que vão surgir profetas e belos salmos, animando o povo para o retorno a Terra 
Prometida, que o povo reconheceu ter perdido por ter desonrado o Senhor. E, quando voltou a Israel,
o povo de Deus precisou lidar com os Samaritanos, que haviam permitido misturar sua cultura
com a fé em outros deuses. É por isso que há uma forte briga entre judeus e samaritanos. Não por
maldade dos judeus, mas, por eles saberem a consequência de não servirem o Senhor Deus. Mas,
mesmo após tudo isso, a Aliança continuou sendo rompida e Deus sempre foi em busca de restaurar
essa mesma aliança. Então, surge no mundo o Cristo Jesus, nosso Senhor. Se a humanidade estava
perdida nas trevas do pecado e da morte, surge uma esperança. Chega o momento da Salvação.
Com toda a sua vida, e, de modo especial na paixão, morte e ressurreição, Cristo nos garantiu
a Salvação. Esta salvação é firmada na Nova e Eterna Aliança. Por isso, Salvação, Aliança e Perpétua
Memória estão completamente unidas. Quando na Ceia, Jesus entrega corpo e sangue liturgicamente,
e na cruz entrega fisicamente, Ele estabeleceu uma nova e Eterna Aliança. Não mais o sangue 
dos animais seria usado para marcar a Aliança. E qual é essa nova aliança? A salvação. É a promessa
de que todo aquele que participar da Perpétua Memória, do perpétuo memorial, do Corpo e Sangue,
celebrado nos altares do mundo, fará parte da Aliança, será salvo. Assim, irmãos e irmãs, quando 
nós comungamos, é como se fizéssemos a experiência de Abraão. É como se passássemos no meio
dos animais com Deus e firmássemos com Ele uma Aliança. Mas, no fundo, no fundo, é ainda 
mais. Nós passamos pela Cruz do Sangue do Cordeiro de Deus, e recebemos a Salvação. Eu gosto
muito da comparação da cruz com o Êxodo do Egito. Deus institui uma perpétua memória que é
a celebração pascal. O povo era escravo do Faraó no Egito, mas Deus tirou seu povo de lá. 
Essa Ceia que os judeus até hoje celebram, na verdade, prefigurava Jesus Cristo. Cristo é esse cordeiro, 
sem defeito, sem mancha, que devia ser imolado. O sangue do cordeiro devia ser passado no batente 
das portas para que o anjo exterminador não matasse os primogênitos que habitassem naquela
casa. Do mesmo modo o sangue de Cristo que vai ser derramado na cruz é o que nos poupa da 
morte eterna. Por isso, irmãos, Jesus manda seus discípulos fazerem uma Ceia para eles comemorarem 
a Páscoa. Mas, essa comemoração pascal de Jesus se dá um dia antes do dia que se devia celebrar a 
Páscoa. Isso porque chegou o tempo de uma nova Páscoa. Uma Páscoa que precedia em importância 
a primeira Páscoa, era o momento da passagem do Filho do Homem. Jesus rasga o pão, imaginem 
a cena, como um sinal que ele  próprio vai se rasgar. Ele próprio vai se partir, vai ter seu lado rasgado, 
para nos dar de comer. Quando Jesus rasga o pão ele nos deixa o sinal que une os dois momentos. 
Então ele diz aos apóstolos:  Isso é meu corpo, isso é meu sangue, dado por vós. Pronto, está instituída 
a Eucaristia.  Quando ele faz isso, ele sabe que não poderia mais voltar atrás. Já estava feito. Ele 
já tinha se entregado desde o começo,  a cada gota de suor derramada nos caminhos, mas, agora, 
sua entrega tinha se levado até o extremo.  Ele já se deu na Eucaristia. Jesus quis permanecer 
conosco, e por isso Ele deixa seu Corpo e Sangue.  Nós aqui celebramos a memória deste evento 
a cada celebração. Mas cremos, que no Santíssimo Sacramento, Jesus está realmente presente. 
Ali ele instituiu uma nova e eterna aliança. Que aliança? Deus ser nosso Deus e nós sermos o seu povo. 
A Aliança é a mesma, só que agora é nova. Uma aliança agora firmada eternamente. Não mais o 
nosso sangue vai ser usado na aliança. Apenas um sangue vai firmar essa aliança. É o sangue de Cristo. 
Quando nós rompermos a Aliança, não vai ser o nosso sangue que vai pagar os nossos crimes. 
É o Sangue de Cristo, derramado uma vez por todas que vai reafirmar a Aliança, que vai nos Reconciliar,
com o Pai e nos colocar de volta na Aliança. Essa Aliança nos garante a Salvação. Essa Aliança 
nos garante o Reino dos Céus. Essa Aliança vai se mostrar esplendorosa com a Ressurreição do 
Senhor, que nos apresenta que nós também ressuscitaremos. Passaremos todos deste mundo 
para o Pai. Seremos todos vitoriosos pelo Sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Isso, pois, em Cristo, a humanidade encontra a nova Criação. Sim, a criação do homem no sexto
dia conclui a obra da criação, e Deus descansa no sétimo dia. Mas agora, agora chegou o oitavo
dia. Chegou o dia sem fim. Chegou o dia de Cristo. Dia de tal luz que não conhece fim. Na Vigília
Pascal nós celebramos essa vitória eterna re-afirmamos nosso batismo. Nosso batismo nos marcou
como membros do povo de Deus, povo da Aliança. E a Eucaristia nos dá a graça de, na perpétua
memória, participarmos da Páscoa de Cristo. Bebemos, ali, seu sangue. Comemos ali, seu corpo.
Deste modo, participamos da Páscoa a cada missa, como povo da Aliança, Salvos e Libertos pelo
Senhor, celebrando a perpétua memória que é a Eucaristia, até o dia em que nossos olhos se fecharem
para este mundo. Neste dia, irmãos e irmãs, viveremos plenamente o que experimentamos aqui
na Terra, adoraremos o Cordeiro, seremos felizes eternamente, no local que esperançosos desejamos.
Deste modo, espero que essa catequese tenha feito seu coração arder do desejo de estar em comunhão
constante com o Senhor, compreendendo que você é membro do povo de Deus, do povo da Aliança,
que foi comprado pelo Sangue do Senhor, que você comunga na Eucaristia e assim recebe a Salvação.
Amém.

domingo, 12 de julho de 2020

12.07.2020 - XV Domingo do Tempo Comum

Caríssimos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus vem ao nosso encontro nesse XV Domingo do Tempo Comum.
Hoje a Palavra de Deus fala sobre a Ela própria. No tempo do exílio, o povo que havia recebido a 
promessa da libertação, aguardava, mas começou a desanimar e questionar-se sobre a veracidade
da Palavra em sua vida. O povo se sentiu abandonado por Deus no exílio. Então o segundo Isaías,
recorda ao povo que Deus é fiel, que Deus é cumpridor de sua Palavra. Ele não se esquecerá do
que prometeu ao seu povo. Sua palavra é viva, eficaz, libertadora e geradora de vida. A Palavra 
é cortante e penetrante como espada de dois gumes. Assim, Isaías, usando a dinâmica da chuva,
anima ao povo exilado nos seus sofrimentos, com a força do Senhor. É Deus que passa e não deixa
de fortalecer o seu povo. Por isso a Palavra é como chuva que passa mas que não volta aos céus
sem fazer o que devia. E o que a Palavra devia? Tocar o coração humano. Sim, se o povo exilado,
desanimado e descrente na Palavra, confiasse em Deus, permitisse Deus tocar seus corações pela
boca dos profetas, o povo não desconfiaria, mas, se encheria de esperança no Senhor. Pois Ele não
deixaria seu povo abandonado a sua própria sorte e em suas dificuldades, mas estava ali para 
ser sua esperança e libertação! Por isso, irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deve tocar os nossos
corações. É deste modo que Jesus, no Evangelho, conta-nos a parábola do semeador. Cristo é o semeador.
A semente é a Palavra. O terreno é o nosso coração. O problema não está, em nenhum momento
nem no semeador e nem na semente, mas, está no terreno. Muitas vezes o nosso coração não está 
pronto para acolher a Palavra de Deus. Por isso, nos cabe hoje o questionamento: Como está
o meu
coração para acolher a Palavra de Deus? Como vem sido a minha resposta a Palavra na vida? 
Muitas vezes o nosso coração está endurecido a escuta da Palavra. As vezes estamos na Eucaristia,
nos sacramentos, e fechamos o nosso coração a Palavra de Deus. Pensamos: Esta Palavra é para
outro. NÃO! A Palavra é para cada um. Se pensamos que já conhecemos aquele trecho lido na 
Missa e não prestamos atenção, estamos nos fechando a vida que a Palavra trás. A Palavra do Senhor
é viva e eficaz, é cortante e penetrante como espada de dois gumes. Mas, só corta, só penetra o nosso
ser se nós o permitirmos. A Palavra corta o nosso orgulho e indiferença, penetra a nossa existência
e nos faz existirmos em Deus. Mas, se nós achamos que a Palavra de Deus não tem nada a nos dizer,
não tem nenhuma novidade a nos trazer, se nos fechamos a uma experiência verdadeira da Palavra
nunca iremos ser transformados. Ficaremos fechados em nosso orgulho e iremos ignorar o Senhor
que fala ao íntimo dos nossos corações pela sua Palavra. Se não somos tocados pela Palavra, tão pouco
seremos tocados pela Eucaristia. Se nosso coração não acolhe a Palavra, comeremos o Corpo de
Cristo, mas não faremos comunhão com Cristo. Seremos como cães a mesa. Comeremos, mas não
nos alimentaremos. Como cavalos batizados, ouviremos, mas não terá efeito. Outro problema 
é quando não há raiz. Na primeira dificuldade da fé, que foi criada apenas num sentimento, eu 
desisto. Ou então, Jesus já explicou, eu crio espinhos e sufoco a Palavra. É quando o meu pecado
fecha o meu coração. Eu quero acolher a Palavra. Mas o meu pecado não permite que essa Palavra
produza frutos, pois ela sufoca a semente. Mas, há o coração que acolhe a Palavra e gera frutos.
Há o coração que acolhendo a Palavra de Deus faz a transformação desta terra, em Reino de Deus.
É o coração que transformou sua vida e que transforma a vida de todos aqueles que estão em sua 
vida. Pois a Palavra de Deus, a qual precisamos crer, Ela nos faz esperar e transformar. É na esperança,
na transformação, que no dia a dia nós vamos gerando frutos, nós vamos fazendo com que o Reino
de Deus se estabeleça. É isso que São Paulo pede na carta. Se toda a criação geme, sofre, que façamos
a nossa conversão pessoal, comunitária e mundial ao Senhor. Assim transformaremos não apenas 
a nós mesmos, mas a todo o mundo. É essa a ação do Espírito que quer ser libertado. É o Espírito
Santo que move a Palavra dos nossos ouvidos ao nosso coração. Mas Ele precisa ser libertado
por nós, para que Ele nos liberte de nós mesmos, do nosso orgulho e indiferença frente a Palavra 
de Deus e ao mundo. Para encerrar, irmãos e irmãs, celebrando a Palavra de Deus e o banquete
da vida, permitamos que a Palavra se enraíze em nosso coração. Sim, pois tudo depende da Palavra.
A própria Eucaristia acontece pela força da Palavra. Então permita que a Palavra fecunde seu coração.
Que todo nosso ser seja aberto e atento a Palavra do Senhor, pois Ele quer fazer uma grande obra
em nossa vida. E, sim, ele fará essa grande obra: com nosso auxílio, Ele nos salvará!