de São João Paulo II, para presidir a Solene Eucaristia no dia nosso padroeiro e para nos confirmar
na fé e na comunhão da Igreja Romana, é uma grande alegria acolhê-lo em nossa casa. Saúdo-o
filialmente. Assim, também, saúdo como irmãos os demais senhores concelebrantes, que com
grande alegria vem a nossa Basílica nessa noite celebrar São João Paulo II. Por fim, saúdo a todos
aqueles presentes aqui, nessa casa de oração.
Hoje celebramos São João Paulo II, padroeiro de nossa basílica, e co-patrono da juventude. É com
grande alegria que recebemos a notícia, também, do pedido do episcopado polonês para que nosso
amado padroeiro seja declarado doutor da Igreja. Nos unimos, assim, em oração, para que, se for
da vontade de Deus e da Santa Igreja, assim seja feito.
Na liturgia desta solenidade, a primeira leitura e o salmo, tão intimamente ligados, nos expõe
sobre aquele que se confia ao Senhor. É um convite a todos nós a colocarmos as nossas esperanças
no Senhor. O autor diz que Levi não recebeu sua parte na herança, pois o próprio Senhor é sua
herança. E que bonito é refletirmos isso irmãos. Quantas vezes nós colocamos as nossas esperanças
em coisas deste mundo? Quantas vezes buscamos nas coisas deste mundo a felicidade verdadeira,
o sentido da existência humana e tantas outras coisas, que nunca encontraremos nesse mundo,
mas encontraremos apenas em Deus. Por isso, ressoa tão eloquente convite de São João Paulo II:
"ABRI AS PORTAS A CRISTO!" Abrir as portas aqui não é somente deixar o Senhor entrar,
mas,
também é confiar-se ao Senhor, deixar que Ele realize a sua ação. Quantas vezes nos fechamos
a vontade do Senhor e não deixamos que ele transforme nossa vida e nossa existência? Quantas
vezes não batemos no pheito dizendo que somos do Senhor, que confiamos no Senhor, mas não
esperamos Nele? Precisamos buscar em outras coisas o sentido da nossa existência e muitas vezes,
a razão para vivermos? Principalmente nós irmãos, pastores das almas, se não nos confiarmos
verdadeiramente ao Senhor, onde estará o sentido de nosso ministério? A segunda leitura retrata
muito bem este tópico ao dizer que devemos nos fortalecer com a graça de Jesus, guardando a Palavra
e a Doutrina. Quem guarda a Palavra e a Doutrina de Jesus não se confia a Ele? Seguindo seus
passos, não se torna igual a Ele? É isto que o Evangelho sempre nos pede: Nos tornarmos iguais
a Jesus. Iguais mesmo com nossas dificuldades, iguais mesmo com as nossas limitações. E assim,
que São João Paulo II subiu a honra dos altares. Pois se confiou e se deixou levar pelas mãos do Senhor,
sem medo de entregar a sua própria vida. Tão bem retrata os últimos momentos de sua vida o final
da segunda leitura: "Suporta os sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus." E foi exatamente
isso que São João Paulo II fez e que se torna exemplo para nós: Suportar os sofrimentos. Os sofrimentos
sempre vêm irmãos. Na vida de nosso padroeiro veio com a doença, mas eles também podem vir
de outros modos, e como nós reagimos a isso? Nós somos persistentes na confiança ao Senhor?
Ou nós sucumbimos? João Paulo se torna exemplo de quem, como líder máximo da Igreja, suporta
as dores e sofrimentos, que em tantos momentos vieram em sua vida presbiteral: Na perseguição
nazhista, na comunista, no seu ministério em uma cidade pobre, vendo seus amigos morrerem,
sozinho, sem pais, sem seu irmão, ele tinha tudo para ter desistido. Depois, os sofrimentos no episcopado,
a presença no Concílio Vaticano II, com grandes responsabilidades, o Arcebispado de Cracóvia,
e, por fim, o pontificado em um momento tão turbulento na história da Igreja. São João Paulo II
precisava confirmar a fé verdadeira da Igreja, daí o Catecismo da Igreja, as tantas encíclicas, os
sínodos, para manter a Igreja "sempre reformada", sempre atualizada e próxima da realidade
daqueles que fazem parte dela. Mediante a todas dificuldades, quantos momentos talvez não se
passou pela cabeça do nosso santo em desistir? Mas o que ele faz? Ele se confia ao Senhor. Ele
põe suas esperanças naquele que o levou por toda a vida. E levou por caminhos a Karol desconhecidos.
Mas Karol, talvez com medo, talvez com receio, se confia e se entrega as mãos do Senhor. Se deixa
fazer sacrifício vivo e sacrifício de louvor nas mãos do Pai. Foi desse modo que o Pai o levou a glória
do pontificado. Não porque Karol quisesse, mas porque Deus quis. Karol? Ele só se confiou.
E porque se confiou - volto a repetir o que no ano passado, nessa mesma basílica, durante a Sé Vacante,
eu dizia - ele foi se lançando as águas mais profundas. O próprio São João Paulo II, na homilia
do inicio do seu pontificado, diz que talvez Pedro quisesse ter ficado em seu barco na Galiléia,
mas deixou-se guiar pelo Senhor, deixou tudo e seguiu ao Senhor. Essa é a posição de quem se
confia: se abandona e segue. Irmãos, sim, é difícil deixarmos a nós mesmos para confiarmos em outro.
Mas o outro, aqui, é nosso Senhor! Ele não nos desamparará! Nós apenas precisamos nos abrir
verdadeiramente ao seu poder Salvador. Não tenhamos medo! É hora de nos abrirmos sempre
e cada vez mais, a Divina Vontade, que não nos deixará sozinhos. Temos, assim, um exemplo de abandono:
São João Paulo II, nosso padroeiro.
Ele, que em sua vida seguiu os exemplos do Cristo Bom Pastor, presente no Evangelho, com sua
pregação que chegou a todos os confins da Terra, convidando todos a relação com Deus, em suas
missões, em suas cartas, na teologia do corpo, na devoção a Nossa Senhora, na sua humildade,
em seus gestos, em seu perdão ao próprio homem que tentou o matar, quer nos dizer que é sim
possível se deixar levar pela vontade do Senhor. São João Paulo II nos aponta que aquele que
confia inteiramente ao Senhor, abre suas portas a Ele, será plenamente feliz. Mesmo na dor, mesmo
na solidão, no sofrimento, será plenamente feliz. Que seu exemplo ecoe sempre em nossos corações,
e que seus escritos e ensinamentos alimentando a nossa espiritualidade, nossa devoção e nosso
conhecimento do Senhor e da nossa fé, nos conduzam a verdade eterna: Cristo Jesus!
Por fim, confiando-nos em Deus, um dia poderemos dizer junto com nosso padroeiro, o que ele
disse no fim de sua vida: "Deixem-me voltar a casa do meu Pai". Sim, João Paulo II está na janela
da casa do Pai, e é para nós exemplo e intercessor. Que sejamos capazes de imita-lo em nossa vida!
Amém.