Amados irmãos e filhos, quero, encerrando este momento de encontro, realizado para satisfazermos o que nos manda a Constituição Apostólica Domus Bethania, agradecer vossas presenças, exposições e sobretudo o vosso empenho nos vossos ofícios, bem como exortá-los a continuarem com fidelidade desempenhando a função que vos foi confiada. Para mim, sempre é belo quando os diversos organismos da Igreja funcionam em harmonia, não só como um mero mecanismo, mas, como um corpo. Sim, irmãos, somos o Corpo de Cristo. Em nossas veias deve correr sempre o sangue bombeado diretamente do Sagrado Coração de Jesus, que é o seu santíssimo Sangue que lava e purifica. Por isso, todas as vezes que celebramos a Eucaristia e vivenciamos o nosso sacerdócio batismal, somos animados e enviados para as atividades cotidianas, e é graças a Cristo, graças a esse sangue Redentor, que a Igreja continua sua divina missão. Para realizarmos essa missão é necessário ânimo e forças. No Senhor Jesus Crucificado, Morto e Ressuscitado, encontramos esse ânimo e essa força tão necessários ao nosso ministério apostólico. Eu, particularmente posso dizer, que sempre que recorro a estes divinos ofícios, nunca fico desamparado. Porém, com o passar dos tempos, venho percebido e sentido em mim que, como instrumento nas mãos do Senhor, chegou o momento de realizar outras obras, para as quais estarei mais apto, sempre para cumprir a vontade do meu Divino Redentor que quer consumar em mim a sua Divina Vontade. Por isso, bem consciente da gravidade do meu ato, RENUNCIO a cátedra petrina, a cátedra da diocese de Roma, a representação do sucessor de Pedro e legítimo sucessor de Gregório XVII, confiada a mim pelo colégio cardinalício aos nove de julho de dois mil e vinte e dois, de modo que a Sé de Roma estará vacante aos nove dias do mês de fevereiro do corrente Ano do Senhor de dois mil e vinte e três, às dezessete horas e um conclave deverá ser convocado pelas autoridades competentes. Quanto a mim, considero que chegou o momento de me retirar para, por meio da vida de oração, dedicar-me de outro modo a grandiosa obra que Deus confiou à sua Igreja, com o título de bispo emérito de Roma. Teremos a oportunidade de nos encontrarmos em outros momentos, mas quero já agradecer-vos pelo vosso empenho, ajuda, amizade e o espírito de unidade ao longo desses quase sete meses de pontificado, que se completará no dia nove. Sem cada um dos organismos vivos desta Igreja, nada teria sido possível e nada teria acontecido. Sei que tudo que fizeram foi por Cristo e não por mim, mas como instrumento de Cristo, e, portanto, vosso pai e pastor, quero agradece-los pelo vosso dócil ministério. Em vossos nomes, agradeço todos os que fizeram parte da minha vida e história. Não cessarei nunca de louvar a Deus por esta Igreja onde minha vocação e pessoa amadureceram, onde todas amizades foram construídas e sempre direi a todos os que me perguntarem o como é gratificante fazer parte desta Igreja. Ao Senhor Jesus, que nos faz Igreja, seu Corpo místico, louvor e glória neste dia e no dia sem fim na Igreja celeste. Assim seja! Amém.
terça-feira, 31 de janeiro de 2023
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
30.01.2023 - Dedicação do Altar da Capela Mater Ecclesiae
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos celebrando a dedicação deste altar a Deus. A primeira leitura que ouvimos fala-nos sobre a festa da dedicação do altar do templo de Jerusalém, que outrora havia sido profanado. A dedicação mostra a alegria do povo em poder novamente oferecer ali, a Deus os seus holocaustos. Porém, estes holocaustos, estes sacrifícios de animais ali oferecidos eram apenas imagem, figura do verdadeiro sacrifício de Cristo. De fato, quando chegou a plenitude dos tempos, o próprio Filho, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, entregou-se a morte para nos reconciliar com Deus e fez-se ele próprio o sacrifício: sacerdote, altar e cordeiro. Aqueles sacrifícios de animais, que não agradavam totalmente ao Senhor, são substituídos por um único e verdadeiro sacrifício: o de Cristo Jesus. Ele, na véspera da sua paixão, instituiu este sacrifício liturgicamente como Ceia e no dia santo em que consumou este sacrifício, transformou a cruz em altar, derramando seu próprio sangue e fazendo-se vítima, como um cordeiro levado ao matadouro. Com sua morte, Ele venceu a morte; com sua ressurreição gloriosa, Ele garantiu-nos a vida: ó grande e incomparável mistério que se celebra sobre os altares de todo mundo cada vez que celebramos a Eucaristia. Nós, aqui no Habbo, fazemos memória deste mistério, mas, na realidade, este mistério de amor é presentificado sobre a mesa e somos partícipes do mesmo Corpo e Sangue do Senhor, nos sinais do pão e do vinho que comungamos, como nos recordou São Paulo na primeira carta aos coríntios. Deste modo, o altar passa a ocupar um lugar central na vida do cristão: é o lugar da renovação da aliança, da presentificação do mistério Pascal, mistério da vida, mistério da fé e do amor, mistério da Salvação do mundo. Dentre tudo que temos dentro da igreja, nenhum lugar, nem mesmo o sacrário, é mais importante do que o altar, já nos recordava Pio XII. Sem o altar e sem o sacrifício, a oferta oferecida sobre o altar pelo próprio Deus, a igreja, o templo físico não teria sentido algum. É a mesa do altar, a mesa do banquete Divino e celeste no meio do seu povo, o centro de toda celebração e vida da Igreja, que tem como fonte e ápice a celebração da Eucaristia. Mesmo assim, irmãos e irmãs, a nossa participação nesta comunhão do altar pode não gerar em nós os devidos frutos, pois muitas vezes nós nos aproximamos do altar para a comunhão com Cristo, mas sem antes fazermos comunhão com os irmãos. Estas duas comunhões, porém, são indivisíveis. Por isso, o Senhor nos manda reconciliarmo-nos com os irmãos. De fato, quando estamos em paz, a Eucaristia gera em nós frutos abundantes de salvação. Não nos aproximemos, nunca, desta mesa, desta ceia, deste altar, desta comunhão, como se nada fosse, pois "todas as vezes que comemos deste pão, e todas as vezes que bebemos deste vinho, se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta". Assim seja! Amém.
domingo, 29 de janeiro de 2023
29.01.2023 - IV Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos, estamos reunidos neste quarto Domingo do Tempo Comum, o dia do Senhor, e juntos celebramos a Eucaristia. O profeta Sofonias, na primeira leitura que ouvimos, conclama-nos a seguir os preceitos do Senhor. Mas, quais são os preceitos do Senhor? São os mandamentos, apenas? Não. Os preceitos do Senhor estão para além dos mandamentos. Digamos que os mandamentos são o mínimo. E que esforçoso é fazer o mínimo, hein? É neste sentido que Jesus profere o sermão da montanha, do qual um trecho ouvimos no Evangelho de hoje e que é algo muito próprio da narrativa de São Mateus. Jesus coloca diante de nós o "o que mais" devemos fazer e ser. Somos chamados a sermos "bem-aventurados", "felizes", mas com bem-aventuranças que contradizem tudo aquilo que nós temos por felicidade. Mas, não há outro caminho que nos satisfaça completamente senão este: sermos pobres em espírito, aflitos, mansos, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz, perseguidos, com fome e sede de justiça, injuriados e perseguidos. E podemos até nos questionar como seremos felizes com tudo isso e quem nos responde é São Paulo na segunda leitura: "Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante". Que Deus nos conforme as bem-aventuranças para podermos alcançar a vida Nele. Assim seja! Amém.
domingo, 22 de janeiro de 2023
22.01.2023 - III Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do Tempo Comum, instituído pelo Santo Padre Francisco, como domingo da Palavra de Deus e iniciamos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A liturgia deste domingo nos apresenta o Senhor Jesus, que logo após a morte de João Batista, sai de Jerusalém e vai para Cafarnaum, para a Galiléia dos pagões. Jesus sai do centro da fé e vai para a periferia social e existencial, onde sua Palavra poderia ser acolhida. Não dá, irmãos e irmãs, para acolher a Palavra de Deus, com "P" maiúsculo, quando já estamos crentes na nossa própria palavra, com "p" minúsculo. Em Jerusalém, Jesus não foi bem acolhido, pois os crentes já tinham uma palavra estática, que não permitia movimento, mudança, e que, portanto, permaneceu fechada à Revelação do Senhor. A Palavra de Deus não é estática; é dinâmica; foi proferida por Deus para ser fonte de vida, de renovação. Tanto que, qual é o anúncio feito por Jesus chegando em Cafarnaum? "Convertei-vos e crede no Evangelho.". Jesus chama à mudança de vida. Jesus chama o povo a sair das trevas, para ir para a luz, cumpre o que profetizou Isaías na primeira leitura. E ele é a grande luz para a qual todos nós caminhamos pressurosos. É a partir deste primeiro anúncio de Jesus que Ele vai chamar os apóstolos, para que também eles repitam este convite ao amor, para que sua mensagem se perpetuasse na história, através dos tempos. Quando envia os discípulos, Ele os envia para anunciar o Evangelho e batizar. Por isso, a vida do anúncio não pode se distanciar da vida dos sacramentos e nem vice-versa. Não vale nada nossos rituais, se não temos uma atitude evangelizadora. Do mesmo modo só pregar e não viver os sacramentos é mero proseletismo de um ideal, e não amor por uma pessoa, uma pessoa, Jesus Cristo, que vivemos e experimentamos nos sacramentos e na Palavra. Além disso, um último aspecto vale a pena ser ressaltado deste Evangelho: depois de chamar os discípulos para segui-lo, Jesus continua indo pelas sinagogas e curando. Ou seja, irmãos e irmãs, a formação dos apóstolos, a formação dos seguidores de Jesus é por meio da Palavra de Deus; acontece na sinagoga. O culto sinagogal, diferente do culto do Templo de Jerusalém, não girava entorno dos altares dos sacrifícios, mas, unicamente da mesa e dos rolos da Palavra de Deus. É neste ambiente que Jesus forma os seus. Irmãos e irmãs, devemos fazer uma experiência com a Palavra de Deus para nos convertermos e seguirmos os caminhos do Senhor, em toda a força do seu dinamismo. Então seremos capazes de viver a unidade a qual São Paulo interpelou a comunidade de Corínto. Unidade, esta, que devemos promover com os irmãos e irmãs separados, mas, unidade também entre nós e unidade com Cristo. Não basta, porém, que tenhamos uma experiência com a Palavra de Deus, que nos convertamos, que vivamos na unidade, é então preciso dar um passo além: é preciso nos tornarmos anunciadores da Palavra de Deus. Mas, sermos anunciadores da Palavra, nem sempre é falarmos. Uma tradição franciscana diz que certo dia o santo de Assis saiu com um dos seus freis para pregar o Evangelho; e eles caminharam por toda a cidade e voltaram para sua casa. Ao retornar, o frei pergunta ao santo porque eles não falaram nada, se saíram para pregar. São Francisco o respondeu: "Anuncie o Evangelho a todo o tempo, se necessário use palavras.". Irmãos e irmãs, nossa vida pode ser o único Evangelho, a unica fonte da Palavra de Deus que os outros lerão. E mais importante do que falarmos, é o nosso testemunho vivo que chama e conclama para Cristo. Como já dizia Bento XVI: "A Igreja cresce por atração e não por proseletismo.". Nos esforcemos, portanto, para sermos boca de Deus, vivenciadores e anunciadores de sua Palavra, que transforma e salva, pois para isso fomos chamados. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
20.01.2023 - Encerramento do Congresso Sacerdotal e Solenidade de São Sebastião
Amados irmãos e irmãs, os quais saúdo no nome de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, que foi o presidente deste Congresso Internacional dos Sacerdotes, que estamos encerrando, e de Dom Francisco Assis, Bispo Diocesano de São Sebastião do Rio de Janeiro. Celebramos, hoje, a memória, e aqui elevada ao grau de solenidade, deste popular santo da Igreja: São Sebastião. Ressaltemos aqui a figura sacerdotal de São Sebastião. Mesmo sendo considerado diácono, o mártir Sebastião exerceu o seu sacerdócio batismal quando ofereceu a sua própria vida ao martírio. Nós conhecemos a história, e sabemos que este mártir, soldado do Império, poderia ter negado a fé e nada o teria acontecido. Por outro lado, Sebastião confirma sua fé em Jesus Cristo e oferece sua vida junto de Jesus, derramando seu próprio sangue. Oferecer a vida, derramar o sangue; são gestos tão próprios do Jesus Sacerdote, mas que os mártires imitaram e que nós também somos convidados a imitar em cada dia de nossas vidas. Quando celebra a Ceia, Jesus diz: "isto é o meu corpo, oferecido, entregue, por vós"; "isto é o meu sangue derramado por vós". São gestos simbólicos, mas que resumiram uma entrega toda real do Senhor Crucificado, Morto e Ressuscitado, mas, não só isso, resumiram toda a vida doada de Jesus para realizar o projeto de amor do Pai todo-poderoso. Aqui um questionamento deveria arder em nosso coração: estou doando a minha vida para realizar o projeto de amor do Pai? Poderíamos até pensar que se doar e se desgastar neste nosso apostolado virtual é inútil. Mas, não é. Se não aprendemos, aqui, a sermos fiéis nas pequenas coisas, não seremos nas coisas maiores que Deus quer nos confiar fora daqui. Estamos numa grande escola de fé, de fidelidade, de doação. Claro que tudo isso não pode desconsiderar todas as realidades exteriores a ressa realidade virtual: nossa vida, família, amigos, trabalho, e atividades na Igreja na realidade. Ainda assim, é possível sacrificar-se para estar aqui tanto quanto possível. Se não fizermos esse sacrifício, o nosso sacerdócio é fajuto: nada oferecemos, nada sacrificamos, nenhum sangue derramamos; e aí, irmão queridos, não vale a pena estarmos aqui. Não podemos nunca perder de mente que esse sacrifício, que esse "estarmos aqui" deve, sim, ser prazeroso. Não pode ser um fardo suportado com dor, e se for assim é melhor deixarmos o ministério. Tem que ser bom para nós, tem que nos trazer alegria, amizades, uma estranha satisfação de quem sabe que não está perdendo tempo, mas que está gastando seu tempo em algo que lhe alegra o coração, que estranhamente lhe satisfaz. Olhemos ao exemplo de São Sebastião e aos de tantos mártires, de tantos pastores, de tantos santos e santas, e imitemos deles a satisfação, a alegria, o amor em fazerem-se sacrifício e oferta nas mãos do Senhor, na certeza de que Ele, Sumo e Eterno Sacerdote, nos faz sacerdotes para podermos oferecer a Deus a nossa própria vida como Dom de amor. Assim seja! Amém.
sábado, 14 de janeiro de 2023
15.01.2023 - II Domingo do Tempo Comum
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando neste domingo, o segundo domingo do Tempo Comum. Celebramos, com esta primeira parte do Tempo Comum, a vida pública de Jesus. No domingo passado, Festa do Batismo do Senhor, nós ouvimos o primeiro canto do servo sofredor. Hoje, ouvimos o segundo canto do servo, na primeira leitura do livro do profeta Isaías. A Igreja interpreta o servo como o próprio Jesus. O servo reconhece sua missão: unir Israel, unir a terra prometida, Jacó e Israel num só povo. Mas, entende que isso não se fará pela guerra,mas, sendo luz das nações. Luz não só para Jacó e Israel, mas, luz para as nações. Esta é a missão dada pelo Pai, que Jesus aceita e cumpre com prazer: se tornar luz para as nações. Jesus é, assim, o caminho a ser seguido. Não é uma luz que ilumina outra coisa, de modo contrário, ele é a luz que atrai tudo para si: todos os povos, todas as nações, todas as pessoas. Por isso, São Paulo a se dirigir a comunidade de Corínto não tem medo de os interpelar a serem santos junto com aqueles que em qualquer lugar invocam o nome de Jesus. Independente do lugar em que estejam, todo homem e mulher é chamado a reconhecer Jesus e o seguir. João Batista, no Evangelho que ouvimos, reconhece Jesus e o aponta para os seus: é a Jesus que devem seguir. Seguir a Jesus é seguir o filho de Deus, o que batiza com o Espírito Santo, o manifestado a Israel. Mas, seguir Jesus também é seguir o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Seguir Jesus é seguir os caminhos daquele que aceitou oferecer-se como vítima inocente pelos nossos pecados. Iniciando este Tempo Comum, somos chamados a seguir Jesus. Nosso seguimento, porém, não pode ser um seguimento distante, que assiste os eventos a distância. Pelo contrário: somos chamados a adentrar na própria vida de Jesus. É assim que seremos batizados por Jesus com o Espírito Santo; mas, não sem antes, sermos sacrificados com Ele. Sermos cristãos é estarmos dispostos a reviver todo esse ciclo da vida de Jesus na liturgia, mas, não só nela, e sim, sobretudo, na nossa própria vida. Assim seja! Amém.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2023
09.01.2023 - Seis meses do pontificado
Meus amados irmãos e irmãs, que alegria tê-los celebrando comigo neste dia em que completo seis meses de Sumo Pontíficado, desde a minha eleição como Bispo de Roma naquele 09 de julho do Ano Sacerdotal de dois mil e vinte e dois. Neste dia, com estas leituras, tenho ainda mais consciência de que não são os meus méritos, mas a misericórdia de Deus que me colocou neste sagrado ofício. Na primeira leitura, ouvimos a unção de Davi. Samuel achava que Deus escolheria como rei de Israel um dos fortes filhos de Jessé, um dos robustos, de grande força física. Mas, o Senhor escolheu a Davi. Escolheu a Davi subvertendo os pensamentos do mundo e mandou que Samuel o ungisse com seu óleo. E é belo quando o texto bíblico diz que a partir da unção, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. Este espírito já era, na verdade, o Espírito Santo, que conduziria Davi. Sabemos que a marca de Davi é de ter sido um rei justo, que, por mais que tivesse pecado, se arrependeu e voltou aos caminhos do Senhor. Encontro neste texto bíblico a profunda misericórdia do Senhor. E ainda mais misericordioso foi o Senhor Jesus com São Pedro, no Evangelho que escutamos. O Senhor pergunta a Pedro três vezes se o amava. Mas, nas primeiras duas vezes, Jesus perguntava se Pedro o amava com um amor ágape e o apóstolo só consegue responder com um amor fileo. Jesus perguntava se Pedro o amava com um amor sacrifical, divino e Pedro respondia com um amor de amigo. Então, Jesus, em seu divino mistério de amor deixa de usar o amor ágape e pergunta se Pedro o amava, pela terceira vez, mas, desta vez, com um amor fileo. Pedro se entristece pois sente que Jesus o amava menos agora. Mas, na verdade, Jesus havia descido ao nível que Pedro conseguia amar para dizer que o amor que conseguimos ter por ele é o suficiente para ele. Amar a Deus é um dom que Ele nos concede. Podemos começar amando pouco, e Ele quem fará crescer em nós o amor por Ele. É como diz aquela frase atribuída a São Francisco de Assis: "Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.". Peço perdão, pelas vezes que não fiz nem o necessário. Escolhido pela misericórdia de Deus, reconheço as tantas vezes que ao longo desses seis meses não fui capaz de corresponder aos anseios da Igreja e aos anseios de cada um e de cada uma de vocês. Se grande é minha miséria, me coloco como barro nas mãos do oleiro para permitir que o Senhor me molde e me forme, me transforme. Irmãos e irmãs, peçamos a Deus a graça de reconhecermos a sua misericórdia em sua vida; de entrarmos em seu projeto de amor; e mesmo que sejamos instrumentos frágeis, simples, incapazes, permitamos que Ele haja através de nós para realizar o seu plano de salvação, de paz, de vida e de amor. Assim seja! Amém.
domingo, 8 de janeiro de 2023
08.01.2023 - Festa do Batismo do Senhor
Amados irmãos e irmãs, após termos celebrado a Solenidade da Epifania do Senhor, sua manifestação, celebramos neste domingo uma outra manifestação com a Festa do Batismo do Senhor. Se na Epifania o Senhor se manifesta por meio dos magos, e mostra-se como o Deus Salvador de todas as nações, dos judeus e dos pagãos, com o Batismo de Jesus, é toda a Santíssima Trindade que manifesta-se: o Espírito vem em forma de pomba e o Pai fala apontando Jesus como o Filho amado. Assim, Jesus que não precisava receber o Batismo, o recebe justamente para confirmar a missão de João Batista, indicar o caminho de conversão, e prefigurar o novo Batismo que viria. O batismo de João Batista é um batismo de conversão. A partir da morte de Jesus, quando a água sair do seu lado aberto pela lança com o sangue, e de sua Ressurreição, o Batismo adotará um caráter sacramental, marcando nossas vidas com um caráter indelével e tornando-nos filhos e filhas de Deus. No Batismo de Jesus, além de todo o simbolismo da manifestação, está também a abertura do caminho para o nosso Batismo. O Batismo Dele iniciou a sua missão profética: foi das águas batismais que Jesus saiu em missão, anunciando o Evangelho para todas as regiões desde a Judeia até a Galileia; o nosso Batismo inicia também uma missão profética. Pelo Batismo nós nos tornamos sacerdotes, profetas e reis; sacerdotizas, profetizas e rainhas; pois somos configurados ao próprio Cristo. Por isto, que esta Festa de hoje reavive em nós a chama do Batismo, para que, assumindo a nossa missão batismal nós possamos manifestar a todo o mundo o amor de Deus que se encarnou em Jesus Cristo, nos salvou e nos fez povo de Deus. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
06.01.2023 - Solenidade da Epifania do Senhor
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando esta que é a quarta mais importante solenidade do Ano Litúrgico: a Epifania do Senhor. Celebramos este dia da primeira manifestação do Senhor Jesus Cristo, ainda no presépio, ainda um bebê. A segunda manifestação é o Batismo e a terceira é o primeiro sinal nas Bodas de Caná. Esta primeira manifestação dá-se por meio da visita daqueles três magos vindos do oriente, que vêm para adorar o Senhor, conforme ouvimos no relato do Evangelho de São Mateus. Estes três homens simbolizam todos os pagãos que reconhecem Jesus Cristo como Deus e Senhor. A tradição afirma que um dos homens é asíatico, um europeu e um africano, e eles representam toda a humanidade conhecida. Deus se manifesta aos diferentes povos. Os magos são homens bem diferentes dos judeus: são estudantes das estrelas, não crentes no Deus único, mas também a eles estava destinada a salvação. Na antiga aliança, Deus tomava o povo de Israel por seu povo e era o seu Deus. Agora, porém, todos se tornam filhos e filhas de Jerusalém e toda a humanidade se reúne como povo de Deus, como já profetizara Isaías na primeira leitura; e os pagãos foram associados ao Corpo de Cristo, como nos recordou São Paulo na segunda leitura. E àqueles magos vão até Belém e o que fazem? Alegram-se; adoram; e oferecem. O encontro com o Senhor nunca pode ser um encontro triste, mesmo que não estejamos bem, a presença do Senhor deve trazer paz ao nosso coração, deve nos alegrar. A alegria pelo encontro com o Senhor é marca da vida do cristão. Depois, é preciso adorar. Adorar é contemplar o mistério. Por fim, oferecemos a Deus o que temos e somos. Não importa ao Senhor se vamos oferecê-lo ouro, incenso e mirra. Importa ao Senhor que nós nos ofereçamos. Mesmo que só tenhamos pecado e miséria, quase nada de amor, ofereçamos tudo isso ao Senhor. Contemplemos alegres o seu mistério de amor e nos coloquemos em adoração, e mesmo o pouco que temos para oferecer irá agradá-lo. O Senhor não se importa de onde viemos e o que trazemos, Ele quer que estejamos com Ele e Nele, para sermos uma manifestação viva de sua graça, seu amor e sua misericórdia. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
05.01.2023 - Missa Exequial do Papa Emérito Gregório XVII
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos celebrando a Missa Exequial na qual nos despedimos do nosso Papa Emérito Gregório XVII, fundador da Igreja Católica no Habbo Hotel. Quando ele e seus companheiros fundaram este nosso apostolado virtual, não sabiam até onde essa Igreja iria em sua missão: e hoje estamos aqui, quase dezessete anos depois, com o mesmo ardor e o mesmo espírito. Todos sabemos quais foram os caminhos seguidos pelo nosso fundador, de modo que esse momento de nos despedirmos oficialmente dele era inevitável. Em 2020, ele mesmo declarou que aquela seria sua última visita a Igreja. Chegado o momento oportuno, despedimo-nos oficialmente daquele que foi o primeiro homem a simbolizar o sucessor de São Pedro e que fundou esta Igreja da qual fazemos parte. Dela, diversas outras Igrejas se separaram, mas, todas saíram daqui, da cátedra de Gregório XVII, que a Divina providência quis confiar-me. Alguns costumes em nosso meio religioso dizem que só se prova uma ordem religiosa com a morte de seu fundador. Gregório deixou a Igreja em 2010 e num momento muito difícil a nossa Igreja passou por muitas dificuldades até que o seu primeiro sucessor fosse eleito, após quase um ano de interregno da Cátedra. Assim, a obra prosperou graças a ação do Espírito Santo. E nós estamos aqui reunidos para louvar e agradecer a Deus pelo dom da Igreja no Habbo Hotel, mas, também pelo dom deste primeiro Sumo Pontífice, do qual nos despedimos, com emoção e saudade. Agora o confiamos ao Senhor, para que Gregório entre nas verdes pastajens as quais nos cantou o salmo 22 e receba àquela alegria que profetizou Isaías na primeira leitura. A liturgia da Palavra que acabamos de ouvir nos ressalta a importância da fé para a nossa salvação. E nossa fé não é uma fé em algo abstrato: é a fé numa pessoa, em Jesus Cristo, e Jesus Ressuscitado! Ele é o vencedor da morte e dos infernos; àquele que derrotou o antigo inimigo, que nos reconciliou eternamente com o Pai e garantiu à nossa humanidade fazer parte do convívio de Deus na eternidade. E benditos somos nós, como afirma São Pedro, que sem termos visto o Senhor Ressuscitado, Nele acreditamos e esperamos. Esta mesma fé no Senhor teve o bom ladrão, com Ele crucificado, que conquistou um lugar Paraíso naquele instante que ouvimos narrado no Evangelho de São Lucas. Ali percebemos a ação de um Deus que não cansa de nos amar, de nos perdoar, pois nos quer todos com Ele. A nós, só basta darmos a abertura para Deus por meio da fé e tudo em nós Ele pode transformar. Por fim, a fé é também um ato de confiança, é um lançar-se. Não é um lançar-se no escuro: pois conhecemos a Deus. Ter fé é lançar-se nos braços do Pai todo-poderoso, como o Filho Jesus, que entrega ao Pai o seu espírito no ultimo momento de sua vida, consumando a confiança que Ele teve no Pai ao longo de toda a sua existência. Ele se derrama nas mãos do Pai, se joga em seus braços como uma criança que confia cegamente que o pai não o deixará cair no chão. De fato, o Pai não o deixa abandonado, mas o assiste descer a mansão dos mortos, que Cristo destrói e derrota, liberta a todos que ali estavam, e Ressuscita vitorioso, concedendo-nos também ressuscitar com Ele. A Cristo, morto e ressuscitado, louvor e glória neste banquete eucarístico e no banquete da eternidade. Amém.