Meus amados irmãos e irmãs, que alegria tê-los celebrando comigo neste dia em que completo seis meses de Sumo Pontíficado, desde a minha eleição como Bispo de Roma naquele 09 de julho do Ano Sacerdotal de dois mil e vinte e dois. Neste dia, com estas leituras, tenho ainda mais consciência de que não são os meus méritos, mas a misericórdia de Deus que me colocou neste sagrado ofício. Na primeira leitura, ouvimos a unção de Davi. Samuel achava que Deus escolheria como rei de Israel um dos fortes filhos de Jessé, um dos robustos, de grande força física. Mas, o Senhor escolheu a Davi. Escolheu a Davi subvertendo os pensamentos do mundo e mandou que Samuel o ungisse com seu óleo. E é belo quando o texto bíblico diz que a partir da unção, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. Este espírito já era, na verdade, o Espírito Santo, que conduziria Davi. Sabemos que a marca de Davi é de ter sido um rei justo, que, por mais que tivesse pecado, se arrependeu e voltou aos caminhos do Senhor. Encontro neste texto bíblico a profunda misericórdia do Senhor. E ainda mais misericordioso foi o Senhor Jesus com São Pedro, no Evangelho que escutamos. O Senhor pergunta a Pedro três vezes se o amava. Mas, nas primeiras duas vezes, Jesus perguntava se Pedro o amava com um amor ágape e o apóstolo só consegue responder com um amor fileo. Jesus perguntava se Pedro o amava com um amor sacrifical, divino e Pedro respondia com um amor de amigo. Então, Jesus, em seu divino mistério de amor deixa de usar o amor ágape e pergunta se Pedro o amava, pela terceira vez, mas, desta vez, com um amor fileo. Pedro se entristece pois sente que Jesus o amava menos agora. Mas, na verdade, Jesus havia descido ao nível que Pedro conseguia amar para dizer que o amor que conseguimos ter por ele é o suficiente para ele. Amar a Deus é um dom que Ele nos concede. Podemos começar amando pouco, e Ele quem fará crescer em nós o amor por Ele. É como diz aquela frase atribuída a São Francisco de Assis: "Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.". Peço perdão, pelas vezes que não fiz nem o necessário. Escolhido pela misericórdia de Deus, reconheço as tantas vezes que ao longo desses seis meses não fui capaz de corresponder aos anseios da Igreja e aos anseios de cada um e de cada uma de vocês. Se grande é minha miséria, me coloco como barro nas mãos do oleiro para permitir que o Senhor me molde e me forme, me transforme. Irmãos e irmãs, peçamos a Deus a graça de reconhecermos a sua misericórdia em sua vida; de entrarmos em seu projeto de amor; e mesmo que sejamos instrumentos frágeis, simples, incapazes, permitamos que Ele haja através de nós para realizar o seu plano de salvação, de paz, de vida e de amor. Assim seja! Amém.
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