domingo, 12 de novembro de 2023
12.11.23 | Aniversário de Ordenação Episcopal
domingo, 5 de novembro de 2023
05.11 | Missa por ocasião do dia de São Carlos Borromeu
Beatíssimo pai, amados irmãos e irmãs, celebramos hoje o trigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum e honramos o padroeiro dessa nossa capela, São Carlos Borromeu, celebrado ontem. O grande pedido da liturgia deste domingo é de servirmos a Deus como devemos. É nesta dinâmica que é colocado diante de nós as correções do profeta Malaquias aos sacerdotes. Os sacerdotes, em todas as religiões, são homens separados para o culto. E assim era também com os judeus. Mas, cada vez mais o povo pôde dizer adeus aos homens de Deus. Sim, porque aqueles que eram separados para o serviço do Senhor começaram, com o tempo, a afastar-se do Senhor e a distanciar dele o seu coração. Isso manifesta-se pela infecundidade do seu culto, que passou à exterioridade, já que no seu interior eles quebraram o pacto com Deus e passaram a discriminar as pessoas, a serem desonestos, desonrando o Senhor. E assim, Deus promete a maldição para os homens que outrora eram homens da bênção. Pois, quando a bênção não é abraçada e vivida, só nos resta uma existência amaldiçoada. No Evangelho, Jesus também adverte às multidões e aos discípulos sobre as figuras de autoridade religiosa: os mestres da Lei e os fariseus. Estes eram os homens que deviam guardar a lei no seu coração e também não guardaram. Eram homens que deviam abraçar a simplicidade, mas preferiram a suntuosidade. Eram homens que gostavam de chamar a atenção para si. Suas vestes eram para o seu louvor; seus lugares de honra eram para o seu louvor. E assim, louvando a si mesmos, esqueceram-se de louvar a Deus. E o que, para mim, parece ser o começo dessa desgrhaça toda: Eles "marram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.". Irmãos e irmãs, como essa Palavra deve nos tocar. Sim, porque muitas vezes somos nós que vivemos colocando sobre os outros fardos pesadíssimos e impondo para eles uma moral que nós não conseguimos suportar. Não podemos, claro, cair num laxismo. Mas, não podemos ir para um moralismo rigorista, que cumpre a lei pela lei, que impõe a lei com falsidade, que beira o puritanismo protestante. Essa tendência de muitos grupos dentro da Igreja, antes de defendê-la, a destrói, porque a destrói de dentro para fora. O Senhor nos quer santos, mas, santos pela liberdade do amor, e não pela imposição e pelo medo. Além disso, quando pensamos numa Igreja que não queira os lugares de honra, pensamos numa Igreja que assuma os últimos lugares. E, quantas vezes na história da Igreja não vimos os membros da Igreja querendo que a Igreja ocupe um lugar de honra e de estima, tão contrária àquilo que Jesus pensou para a sua Igreja? Hoje, além do rigorismo moral, um outro perigo é o fenômeno do tridentinismo. E, falar de tridentinismo, é falar de pessoas que querem viver uma realidade que nem o próprio Concílio de Trento pensou e imaginou. Falarmos disso, é pensarmos também na figura de São Carlos Borromeu, que é para nós um exemplo daquilo que escreveu São Paulo na segunda leitura: um homem que deu não só a Palavra de Deus, mas, a própria vida. São Carlos era sobrinho de Pio IV, o papa que presidiu a última sessão e encerrou o Concílio de Trento. Quando criança, de família nobre, dizem que era comum ver o menino Carlos brincando de celebrar missa no Castelo dos Borromeu. Mais tarde, antes mesmo de receber a ordenação, seu tio o fez cardeal. O jovem Carlos foi para o Concílio de Trento e atuou lado a lado com seu tio para construções na cidade de Roma e no termino do Concílio. Foi ordenado presbítero e bispo e foi ser Arcebispo de Milão, que hoje é a maior Arquidiocese em número de padres e uma das três maiores em número de fiéis. Ali, o Cardeal Carlos Borromeu desgastou a sua vida. Num tempo onde os padres nem sabiam rezar missa - que era a realidade anterior a Trento - São Carlos fundou seminários. Num tempo onde os Bispos nem viviam na sua diocese, ele viveu em Milão e realizou inúmeras visitas pastorais, sínodos provinciais e arquidiocesanos. Ele escreveu catecismos aos párocos e foi um homem preocupado com a pregação da Palavra. São Carlos, ainda, defendeu os direitos da Igreja frente os poderes temporais. Ele fez com que a Igreja passasse da contrarreforma protestante, onde apenas revidava o que diziam os protestantes, para uma verdadeira reforma católica. O fim de sua vida, foi o fim da vida de um Bom Pastor. Quando a peste chegou em Milão e fugiram os governantes e os ricos, o Cardeal ficou na cidade para organizar o cuidado com os empestados. São Carlos andava pela cidade com uma grande cruz, abençoando a todos, e lembrando-os de unirem seus sofrimentos ao de Cristo. Aos 46 anos, com peste, o Arcebispo e Cardeal Carlos Borromeu fez a sua Páscoa. 18 anos após sua morte, foi beatificado e 8 anos depois, foi canonizado. São Carlos Borromeu nos ensina a sensibilidade dos pastores: de rico fez-se servidor, sem precisar abandonar tudo e sendo um homem bem aos moldes do contexto de seu tempo, ele não se tornou hipócrita à Palavra de Deus, mas transformou-a em regra de vida e é para nós hoje exemplo e intercessor. São Carlos Borromeu, rogai phor nós.