sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

18.12.2021 - Pro Eligendo

Irmãos caríssimos, devemos edificar o Corpo de Cristo no amor. É com esta mensagem da Carta de São Paulo aos Efésios que somos convidados a rezar pela eleição do novo Pontífice e a nós, cardeais, entrar no Conclave. Sermos edificadores do Corpo de Cristo no amor! O Corpo de Cristo, a Igreja, não se constrói na divisão, na raiva, na força. Não! Se constrói no amor. É o amor que deve construir a Igreja. A Igreja precisa de um papa que seja amor para com ela, isto é fato. Mas, ao mesmo tempo, ela precisa que cada um de nós sejamos amor. Nesta tarde corremos o risco de elegermos o papa e jogarmos sobre ele um fardo do qual nos isentamos: edificar o Corpo de Cristo no amor. Se colocarmos no papa esta missão e não formos seus fiéis colaboradores, se não o encorajarmos para tal, se não formos, cada um de nós, sujeitos desta construção, estaremos destruindo a Igreja e estamos agora gastando o nosso tempo, perdendo tempo. Por outro lado, se nós elegermos o papa e nos colocarmos a caminho com ele, o ajudarmos, o estimularmos, num caminho sinodal construindo juntos a Igreja, aí sim a edificaremos no amor. Devemos nos amar uns aos outros, como nos diz Jesus no Evangelho. Mas, o amor não é somente um sentimento, ele nos impele a uma ação. Não podemos ficar sentados de pernas cruzadas esperando que outros façam. O Espírito elegerá hoje, de modo especial, um papa. Mas, o Espírito Santo já nos elegeu, pelo Batismo, para "dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor", como nos recorda o profeta Isaías. Já estamos comprometidos, não podemos fugir deste compromisso. Já estamos na batalha, não podemos fugir da luta. Não há valor que não nasça da luta: da justiça social ao Reino de Deus. Não podemos ser alheios ao Reino que quer acontecer entre nós. Nada mudará só pelo papa... cada um de nós precisa mudar. Aproveitemos esta brisa leve do Espírito de Deus que sopra sobre nós, deixemos o comodismo, e vamos juntos do novo Santo Padre, nos colocar a caminho, sermos operários do Reino. Se fizermos isso, muitos nos seguirão e no meio de nós estará o próprio Emmanuel, Deus conosco, o Cristo Jesus, ao qual esperamos ansiosos o seu Natal, ao passo que dizemos: Maranatá! Vem Senhor Jesus!

domingo, 14 de novembro de 2021

14.11.2021 - XXXIII Domingo do Tempo Comum

Amados irmãos e irmãs, diante das leituras desse XXXIII Domingo do Tempo Comum nós corremos o risco de nos assustarmos e espantarmos. Os anúncios sobre o fim dos tempos assusta-nos. Pensamos, sempre, na existência humana como uma existência humana, encarnada neste mundo, na história, espaço e tempo. Mas, nós estamos sendo convidados a refletirmos justamente sobre esse momento em que o Cristo virá pela segunda vez. Sabemos que Cristo veio já uma vez na história humana, encarnando-se e assumindo as nossas fraquezas. Pela sua paixão, morte e ressurreição, fomos redimidos dos nossos pecados. Depois, Cristo subiu aos céus onde está sentado a direita do Pai, no seu trono glorioso e acreditamos que de novo há de vir para julgar os vivos e mortos, na sua segunda vinda. Nós estamos nesse tempo entre a primeira e a segunda vinda. Os membros de algumas profissões religiosas constroem mapas e fazem esquemas, preocupados com quando tudo isso vai acontecer. Muitos filmes e livros trabalham em cima dessa temática do fim dos tempos, do fim do mundo, e em diversos momentos da história as pessoas temeram que chegasse o momento. As pessoas, vivem então ocupadas, tantas e tantas vezes, com essa preocupação inútil. Não nos cabe saber a hora, quando será. É bobagem! Sabemos que o crescimento da figueira, como Jesus se refere no Evangelho, é um sinal silencioso da ação de Deus na história. Assim também acontece em nossa história hoje, onde percebemos que Deus está agindo e estamos vendo seus sinais. Não nos adianta preocupações com o fim dos tempos, pois, o que mais importa, é estarmos vigilantes. Jesus pode voltar e arrebatar-nos, deixar-nos, ou, podemos, ainda, morrer antes deste momento. Nossa preocupação, irmãos e irmãs, deve ser como estamos vivendo a nossa vida hoje. Nossa preocupação deve ser se estamos amando. Nossa preocupação deve ser se estamos abraçando quem devemos abraçar, ajudando a quem devemos abraçar, socorrendo os que precisam, sendo próximos dos outros, principalmente dos pobres. De fato, irmãos e irmãs, isso é o que mais importa e o resto deve depender disso. Seremos, sim, no fim dos tempos ou no momento que nossos olhos se fecharem para este mundo, julgados pelo Senhor. Mas, não nos esqueçamos, que nosso juiz é o nosso Salvador que nos perguntará se fizemos ou não a doação dele valer a pena. 

Louvado seja o nosso Senhor, Jesus Cristo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

12.11.2021 - Memória de São Josafá

Beatíssimo pai, Leão III, 
Querido Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, com quem hoje me rejubilo pelo nosso aniversário de ordenação episcopal,
Queridos irmãos e irmãs, que alegria tê-los conosco para celebrarmos a ação de Deus em minha vida e na de Dom Snaif.
Se somos capazes de conhecer as coisas deste mundo, se as ciências em tanto avançaram e podemos conhecer os eventos do universo, por que ainda não conhecemos profundamente a Deus? De que nos adianta conhecer todos os mistérios deste mundo, toda filosofia, toda retórica, todos saberes, se não conhecemos a Deus? Pois este não é visível aos nossos olhos, nem pode ser concebido pelo intelecto humano. A sabedoria nos permite aproximarmo-nos desse grande mistério que é Deus e vamos nos introduzindo neste grande mistério de amor. Somos impelidos a aproximar o nosso coração do coração de Deus. Dom Snaif e eu, em nosso ministério episcopal, e cada um dos irmãos aqui presentes não podemos nos esquecer que temos essa necessidade, esse anseio, de nos aproximarmos de Deus. A ordenação episcopal que recebemos, como ministério, nos invoca a um serviço que é impossível sem a proximidade com tão grande mistério de amor que nos torna sensíveis e amorosos para com Ele e para com os outros. Nos aproximando de Deus vamos nos tornando capazes de compreender os seus sinais em sua vida e em nossa história. Para mim e para Dom Snaif, é compreendermos a ação de Deus em nossa vida. Sim, nós escolhemos. Quando Jesus está falando que um será levado e outro será deixado, ele se refere ao próprio Deus que levará os eleitos para junto de si. Mas, irmãos e irmãs, cada um de nós é eleito pelo Senhor, somos escolhidos, cada qual a um ministério, a um chamado específico, a uma missão, mas, todos chamados. Sobretudo, somos chamados a união com o Senhor. Alguns, porém, não querem se unir a Deus. Estes serão os deixados. Não serão abandonados por Deus, mas, eles próprios já abandonaram a Deus. Estes são os abutres que rodeiam o cadáver. São aqueles que podem experimentar a Deus, que podem ser introduzidos no mistério de Deus, mas, preferem rodear o que é podre, ficar envoltos da sujeira, da morte e não escolher a Deus. Escolhamos, irmãos e irmãs, penetrar no amor de Deus, sermos próximos Dele. São Josafá, o Bispo que hoje celebramos, nasceu cismático e voltou à Comunhão da Igreja. Dom Snaif, continuemos eu e o senhor a sermos instrumentos para a unidade para a Igreja. Construímos ao longo desses anos um vínculo de unidade entre nós, ao qual me atrevo hoje a chamar de irmão e filho. Por isso, te peço irmão, que continuemos com os bons propósitos que temos sempre. Sou grato a Deus pelo teu ministério. Sejamos nós dois, e sejamos cada um dos irmãos aqui presentes, o Santo Padre, construtores da unidade da Igreja. O mistério de Deus é mistério da unidade e da comunhão no amor. Irmãos e irmãs, arrisquemos viver por amor.

domingo, 17 de outubro de 2021

17.10.2021 - XXIX Domingo do Tempo Comum

Queridos Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Dom Wesley Ravassi Cardeal Médici, que hoje comemoram seu aniversário de criação cardinalícia: Dom Snaif, 3 anos e Dom Wesley, 1 ano. Agradeço em primeiro lugar o convite para pregar nesta noite. Irmãos e irmãs queridos, a Liturgia deste domingo vem na dinâmica do serviço. Jesus Cristo aparece para nós como o grande servidor. Seu serviço é a cruz. É sobre isso que está falando o autor da carta aos Hebreus e é isto que Isaías prefigurava: Cristo, o servo de Deus. A vida de Cristo foi toda doação de serviço. O máximo de seu serviço seria a sua própria Paixão e Morte para que o ser humano fosse libertado da escravidão do pecado e da morte. Aquele que não tinha pecado, se fez pecado por nós. No Evangelho nós estamos acompanhando Jesus que sobe para Jerusalém. O Senhor está indo para a morte. Ele já havia anunciado aos seus discípulos que iria morrer e os discípulos, naquele momento, estavam preocupados com quem seria o maior e quem seria o menor. Jesus, então, colocou uma criança e disse que deveríamos ser como crianças para entrar no Reino dos Céus. Mas, o que os discípulos entenderam disso? Nada... bulhufas! A preocupação deles, enquanto o mestre sobe para Jerusalém, é quem vai se sentar a direita e a esquerda. Se eles pedem isso na perspectiva de que Jesus será o novo Rei de Israel, nós podemos compreender que o que os discípulos estão fazendo é nada mais e nada menos do que dividindo os ministérios do governo de Jesus. Eles querem é saber quem vai ter o posto mais importante, de maior destaque. Os discípulos estão preocupados, como muitos de nós hoje, com quem vai ser o maior, quem vai ser o menor, quem vai ser o prefeito da congregação X ou o arcebispo de Y. A preocupação dos discípulos está muito longe do que era a preocupação de Jesus. Precisamos tomar cuidado, queridos irmãos e irmãs, pois corremos o risco de estarmos, também, acompanhando Jesus para ser crucificado e preocupados com o lugar que teremos em sua glória. Mas, Jesus nos destaca, que dentre nós não deve ser assim. É bonita esta expressão de Jesus: "entre vós, não deve ser assim". Nós devemos ser a diferença num mundo que quer permanecer na briga de poderes. Devemos ser diferentes dos sistemas atuais que não só oprimem os que são inferiores numa cadeia de poder, mas, fere o desejo de Jesus Cristo para nós. São Paulo VI em seu belíssimo discurso numa igreja romana, lembrava que ele deveria ser mais servidor. De fato, a palavra de Jesus é dura, pois nos chama a sermos escravos uns dos outros. A escravidão é sempre a perca da liberdade. Precisamos deixar de lado, portanto, as nossas escolhas, as nossas opções, as nossas preferências, aquilo que queremos, para podermos servir a Igreja, a Deus e aos outros. Queridos Dom Jorge, Dom Wesley e demais irmãos aqui presentes: quantas vezes nós, como Igreja, como hierarquia, não precisamos renunciar as nossas vontades por um bem maior? Hoje falam de nos destruir, pois de algum modo, há quem julgue-nos como corruptores. Mas, pensemos bem na história e vejamos como existiram e ainda vão existir, grupos preocupados com o seu interesse pessoal, se terão lugar ou não a direita ou a esquerda de um papa. Depois de 7 anos no clero, irmãos, eu vos digo: não importa. Nada disso importa. Mas, alguns ainda se prendem a isso. Porém, proponho aos aniversariantes e aos demais cardeais presentes, como também a mim, uma reflexão: se não fossemos cardeais, será que ainda estaríamos aqui servindo a Igreja? Vimos tantos que, pela perca de um vermelho, abandonaram todo o seu discurso, a sua história e o pouco de moral que lhes restava, em troca de uma ideia fantástica, de uma ilusão, que no fundo não passa de uma fuga. Fuga esta que é a fuga de si mesmos. Corremos o risco dessa mesma fuga: fugirmos da nossa incapacidade de sermos servidores, ao invés de encararmos de frente, quebrando nosso orgulho e soberba, para contemplarmos no serviço a ação constante de Deus. Sejamos, queridos irmãos, servos. Como diz Papa Francisco: quem não vive para servir, não serve para viver. Sejamos, irmãos, próximos, como destacava Papa Francisco hoje pela manhã, do povo, dos sacerdotes, dos irmãos no episcopado e de Deus. Fortaleçamos a nossa comunhão no serviço que nos une a Cristo Jesus. Assim seja! Amém.

domingo, 26 de setembro de 2021

26.09.2021 - Segunda-Feira da XXVI Semana do Tempo Comum

O que não vem te deixando ser como criança? O que não vem te deixado ser o menor? Puro? Incoente? O que vem te distanciado de Deus? O que você precisa cortar, arrancar, para não pecar? Quais são as podas que você vem precisando fazer em sua vida? O que vem te feito mal? Por que não cortar aquela amizade tóxica, com aquela pessoa que suga sua felicidade? Por que não deixar de andar em algumas companhias que sempre te levam para o caminho da desgraça e depois te abandonam nos momentos do sofrimento? Por que não deixar de ir a lugares que não condizem com a sua fé? Por que não terminar um relacionamento abusivo? Por que não deixar vícios? Por que não cortar essas ervas daninhas? Olhe para dentro do seu coração nesse momento e se pergunte: por que eu não sou feliz hoje? Ou, se você já se considera feliz: por que não sou mais feliz? Tantas vezes não deixamos algo que precisamos deixar para trás, simplesmente porque ainda estamos muito apegados e com medo da dor de deixar. Mas, o pecado, o mal, os caminhos errantes, sempre parecem remediar nossas misérias, só que, pelo contrário, vão piorando. Às vezes podemos pensar que um pequeno pecado, uma pequena atitude que "saia da linha" não vai mudar nada em nossas vidas. Pelo contrário, isso faz toda a diferença. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, cuja novena estamos celebrando, reconheceu como não tem valor as coisas deste mundo e escreve na História de uma alma: “no crepúsculo desta vida aparecerei diante de vós (Deus) com as mãos vazias”. Teresinha só queria ser o amor no coração da Igreja. Ela queria arder de amor por Jesus. Quem ama, luta para não fazer mal ao outro. O pecado é um mal. O mal, metafísicamente falando, é sempre a ausência de Deus. Então, onde está o mal, por que não enchermos da presença de Deus todos os ambientes de nossa vida que não tem a Deus? E mais, por que não enchermos de Deus a vida dos outros? Nós ouvimos no relato bíblico: Jesus não se opõe que alguém fora da Igreja expulse os demônios em seu nome. Tantas vezes nós, que estamos dentro, não conseguimos alcançar o coração das pessoas. Mas, precisamos todos nós sermos testemunhas. Sem sair de seu convento, Santa Teresinha foi reconhecida como padroeira das missões. Imaginemos, portando, o que nós não somos capazes de fazer... Irmãos e irmãs, deixemos para traz o que precisa ser deixado, cortemos, por amor, o que precisa ser cortado. Permitamos que Deus entre, que seu Espírito entre, em todos os lugares onde hoje há o mal, há a ausência do amor do Senhor. Que em cada lacuna de nosso ser, no ser de cada pessoa, e em todo o mundo Deus possa se fazer morada e encher com o seu amor. Assim seja! Amém.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

15.09.2021 - Coroação de Nossa Senhora do Carmo

Beatíssimo Pai, Inocêncio,
Eminentíssimo Dom Frei José Wesley Oliveira Médici Cardeal Ravassi, digníssimo prior, a quem agradeço o convite para pregar nesta noite solene,
Irmãos, gostaria de fazer um exercício com vocês. Nesta noite, nesta basílica romana, nós estamos no alto do monte Carmelo. É como se nosso Senhor nos transportasse para lá. Diante de nós, está toda a história deste lugar. Vemos, neste monte, Elias desafiando os profetas de Baal. Aqui os profetas de Baal clamaram pelo fogo e não foram ouvidos e o Nosso altar, encharcado pela água, foi aceso pelo fogo vindo dos céus graças a oração de Elias. De repente, vem os 50 soldados de Acazias e, pela oração de Elias, o fogo vindo dos céus os consome. Depois da saída de Elias, começam a se estabelecer os eremitas. Daqui, do alto do monte, vimos Elias na carruagem de fogo, onde entrou após bater o manto no Jordão, e esta indo para os céus. O tempo passa ao nosso redor, chegamos ao ano 33 e somos transportados para outro monte, o Calvário. Diante de nossos olhos há um homem crucificado. Lemos sobre sua cabeça que ele é Jesus Cristo, o rei dos Judeus. Ouvimos esse Jesus confiar a um tal de João a sua mãe, Maria. Percebemos que João não é só João, João representa alguém a mais que ele próprio e pensamos que possa representar seus irmãos, sua comunidade. Depois, ouvimos o Crucificado gritar: "Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!" e ele expira. Ao expirar, o seu Espírito sopra como um vento sobre o discípulo, sobre a comunidade, sobre a Mãe e sobre nós. Piscamos, e ao abrirmos os olhos vemos Jesus morto, com o lado aberto e a mãe indo embora com o discípulo, e ele diz que irão procurar reunir a comunidade. Num breve fechar de olhos vemos a Ressurreição e Ascensção de Jesus, e estamos de volta no alto do Carmelo, o monte da Vinha do Senhor. E em 1251, este monte que já fora consagrado a Virgem Maria, nós vemos diante de nossos olhos o aparecimento da própria Nossa Senhora. Nos damos conta de que é a mesma mulher, a Mãe de Jesus, que nós vimos ser entregue como mãe da comunidade. Ela, com escapulário em mãos, diz ao nosso irmão, Simão Stock: "Recebe, Meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da Minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas: o que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno. Este é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos e prenda de paz e de aliança eternas". E então, sentimo-nos como membros daquela comunidade que recebeu Maria como Mãe, recebemos também o nosso escapulário e sentimos a sua proteção. Piscamos mais uma vez e acordamos novamente aqui, na basílica de Nossa Senhora do Carmo em Roma, em setembro de 2021, diante de nossos olhos está o Santo Padre, está a Senhora do Carmo, e olhando ao sacrário vemos o próprio que vimos Crucificado, Ressuscitado e subindo aos céus. Olhamos para a nossa história e nosso coração se enche de alegria e entusiasmo. Recebemos o escapulário como sinal de nossa proteção e sobre o amparo materno de Maria sentimo-nos cheios do amor deste rosto materno de Deus. Queremos declara-la como Rainha de nossos corações. Queremos dar-lhe tanto quanto pudermos. Sabemos que estamos constantemente protegidos por Deus, pois agora o monte Carmelo não está apenas num lugar, mas, em cada um de nós por meio de nosso escapulário. Por isso, honremos aquela que nos protege e que coloca em nós a marca de Deus. Nós somos, cada um de nós, o monte de Deus, por isso, nos aproximemos Dele dentro de nós. 
Assim seja! Amém.

domingo, 5 de setembro de 2021

05.09.2021 - XXIII Domingo do Tempo Comum

Irmãos, a Palavra de Deus precisa ecoar em nossos corações. Tantas e tantas vezes nós somos surdos e mudos diante da Palavra de Deus. Não somos capazes de ouvir e anunciar a Palavra pois estamos com o nosso coração cheio de coisas ruins. Abrimos a boca para maldizer, para xingar, para diminuir, para oprimir, para falar do diabo, do demônio, para fofocar e para destruir o outro. Não somos capazes de falar de Deus, mas, apenas de falar de desgraça. Assim, não criamos ânimo a ninguém e manteremos a terra seca do amor e da paz. Precisamos abrir o nosso coração para a ação da Palavra de Deus. Cristo é o Verbo de Deus. O Verbo não é apenas palavra. Verbo é Palavra em movimento, isto é, Palavra em ação. Devemos permitir que o Senhor cure nossa surdez para que sua Palavra possa agir em nós. E qual é sua ação? É a transformação interior, sim. Mas, também, é fazer com que sejamos curados de nossa mudez para anunciarmos, também, que Cristo faz bem todas as coisas e fez bem em nossa vida.

domingo, 29 de agosto de 2021

29.08.2021 - XXII Domingo do Tempo Comum

Irmãos queridos, a liturgia deste domingo nos invoca a refletirmos o que estamos escolhendo no caminho de Jesus Cristo, Deus ou nós mesmos? O Senhor concedeu ao seu povo a sua lei, lei que preza pela vida, mas, o povo de Israel escolheu a morte ao invés da vida. Não escolheram a lei, não escolheram a Deus. Escolheram as leis que eles próprios criaram. Dentre seus preceitos e decretos haviam vários livros. Mas, um livro em específico, era todo escrito sobre o modo de lavar as coisas. Essa lei, inicialmente por justos motivos de higiene, se tornou o mais importante. A tradição humana, não Tradição Divina, mas, humana, tomou o lugar de Deus. Cuidado! Corremos o risco de fazer o mesmo em nossa Igreja. Corremos o risco de impormos tradições como verdades absolutas e nos esquecermos da vontade de Deus. Podemos achar que tradição é repetir simplesmente ritos e não encher os ritos de sentido e significado! "HIPÓCRITAS": Grita-nos Jesus. Esvaziamos os seus sagrados ritos de sentido e significado e o tornamos espetáculos, dos mais loucos à aqueles celebrados em latim. Shows, lindos por fora, que podem atrair muitos, mas, que são usados para a divisão. A lei foi usada pelos mestres para maltratar, dividir e oprimir. Hoje, podemos usar da própria Palavra de Deus e de seus ritos, instrumentos de divisão, de opressão, separando-nos do verdadeiro sentido. Mas, qualquer seguimento de Jesus Cristo que se esvazia, mesmo que por mais embasado nos estudos, que vai perdendo seu sentido evangélico, é um seguimento hipócrita, um culto vazio, uma vida vazia e sem sentido e nos faz escravos de nós mesmos e não servos e amantes de Deus.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

13.08.2021 - Audiência Geral

Irmãos e irmãs, um misto de sentimentos toma meu coração neste momento. Sabeis que ainda sou o Sucessor de Pedro, mas, em breve não mais o serei. É difícil resumir em poucas palavras todo o meu sentimento e tudo que gostaria de dizer-vos. Há um ditado francês que diz que a gratidão é a memória do coração. Meu coração, nesta noite, está repleto de memórias e cheio de gratidão. Corro o risco de falar alguns nomes e acabar me esquecendo de alguém que tenha sido muito importante, e, de fato, cada um foi muito importante. Por isso, resumo os vossos nomes a dois nomes, que é o de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici e Dom João Maria Cardeal Kekeison. Estes dois diletos irmãos foram meus braços neste pontificado. Sou grato a Deus por ter colocado os dois na minha vida e por todos os desafios que eles compraram comigo. Sou grato por cada um de vocês, queridos irmãos e irmãs, que comigo fizeram a Igreja acontecer.  Rubem Alves, de modo muito belo, disse: "Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro." Irmãos e irmãs, de fato, nossos tempos e lugares se encontraram. O tempo é o Kairós, o momento da ação de Deus em nossas vidas, o lugar é a Igreja do Habbo Hotel, o local da construção do Reino de Deus. Sou grato por cada um que trabalhou e se esforçou comigo no projeto que nunca foi meu, mas, que é de Jesus Cristo. Alguns se assustaram com crescimento de cismas e até com baixas de clérigos. Eu já disse e repito: o Concílio de Jerusalém nos impôs uma medida alta com a definição do que é a Igreja, e já não podemos voltar ao que éramos antes. Não há, em nossa Igreja, mais espaço às futilidades, ganâncias e atos destrutivos. Só há, agora, lugar aos que querem ser Igreja, fazer Igreja, amar a Igreja. Como destacou recentemente e muito me encantou Dom Licínio Cardeal Rangel, as pessoas devem nos ver celebrando a missa, mesmo que sozinhos, e se lembrarão que Deus existe. Muito mais do que nossos grandes eventos e longos discursos, as pessoas devem olhar no mais simples dos altares e na mais bela das catedrais, e se lembrarem que Deus existe. Esta é a nossa missão. Não permitais, irmãos, o que alguns quiseram fazer no ano passado, que é tornar a Igreja um simples movimento político, onde todos os discursos se voltam para esse fim. Façais que o único foco da Igreja seja Cristo e seu Evangelho. Vos digo como um homem velho: amai a Igreja e amai ao papa! Amai verdadeiramente. Na minha coroação, eu vos disse que aceitava a tiara como símbolo da coroa de espinhos, como o sofrimento que viveria. E, de fato, vivi. Deixei outros programas, renunciando horas de sono, de descanso, de lazer, de encontro com os amigos e até familiares, para honrar meu compromisso para convosco. E vos digo, com sinceridade de coração, que valeu a pena cada renúncia. Não vos digo para deixar de lado a vida e se dedicarem apenas a nossa Igreja. Mas, não vos esqueçais dela e não a deixeis em último lugar. Nem todos conseguem fazer isso. É claro que dentro de todos nós há coisas boas e ruins, luzes e trevas, coisas boas e ruins. Mas, saiba renunciar o que pode ser renunciado, se quer estar aqui dentro da Igreja. Adotei como lema de vida essa frase, "renuncie a si mesmo", não porque é fácil e consigo. Mas, porque na dificuldade em renunciar a mim mesmo sou capaz de abraçar a cruz pela qual me encantei. Vos permitais encantar-se pela cruz. Inúmeros momentos importantes vivenciamos neste nosso pontificado - Nosso, pois também é vosso - como foi o XI Sínodo dos Bispos, a JMJ, os jubileus mensais, a grande celebração Jubilar dos 15 anos... Mas, o momento mais marcante que permanecerá em meu coração foi, sem dúvidas, a Semana Santa. A celebração da Semana Maior que pude presidir nas nossas basílicas romanas marcaram a direção de meu pontificado: a direção da cruz e da Ressurreição, promovendo a todos o encontro com Jesus na Ceia, na Paixão e Vida. Deixo, com este, 115 textos publicados, entre homilias e discursos, além da nossa carta encíclica, dos Motus Proprios, Exortações, Breves, e outros momentos que não foram escritos. Tenho esta firme certeza dos meus bons propósitos, agradeço aos que estiveram comigo, lamento pelos que não estiveram, peço perdão pelas minhas faltas e de coração digo: muito, muito, muito obrigado a cada um de vocês. Não vos esqueçais que a Ressurreição vem da Paixão, a Vida vem da vitória sobre a Morte, por isso, abracemos os espinhos e as flores. Jesus, se despedindo dos discípulos, disse: "no mundo tereis tribulações, mas, tende coragem, eu venci o mundo". Sim, nosso amor nos fará, sempre, sempre, sempre, vitoriosos como Igreja do Senhor.

13.08.2021 - Memória dos Santos Ponciano e Hipólito

Irmãos, nossa história faz parte de quem somos. Fomos construídos e seremos construídos a partir de nossa história. Josué tem, com o povo de Israel, uma experiência de fazer anamnese, de recordar-se, com o coração agradecido, de tudo aquilo que Deus fez com o seu povo e em sua história. Louvado seja Deus por suas obras em nossa história. Bendito seja Deus pela bonita história de nossa Igreja. É o esforço, o trabalho, o empenho de cada um, que constrói a história da Igreja. Ela nunca será o que um papa faz dela, ou alguns fazem dela. A Igreja é o que cada um, que cada pessoa, faz dela. Nós somos os construtores da história da Igreja. 

REPITAM COMIGO:
CONSTRUTORES DA IGREJA!

Por sua vez, ela vai acontecendo e tornando presente o Reino de Deus pela graça santificante do Espírito Santo. Mas, ela não deixa de contar com o nosso compromisso. Precisamos ser homens e mulheres compromissados com nossa Igreja. Quando Jesus faz todo o discurso sobre o matrimônio, os discípulos tem medo do compromisso, das dificuldades da união, e dizem que seria melhor o homem não se casar. Mas, mesmo os que trabalham na construção do Reino de Deus não podem viver nesse medo. Não há como sermos Igreja sem compromisso. Há, sim, dificuldades que precisamos enfrentar. Mas, não podemos ficar parados e alheios, com medo, achando que seria melhor não dar os passos que precisamos dar. São Ponciano, papa, e Santo Hipólito, presbítero, que hoje celebramos, foram homens, clérigos, que foram às consequências do que é ser Igreja e nos devem ser exemplo. De tal modo, nos diz São Cipriano que Jesus Cristo, "que uma vez venceu a morte em nosso lugar, sempre vence em nós. Ó feliz Igreja nossa, iluminada pela honra da divina condescendência, que em nossos tempos o glorioso sangue dos mártires ilustra. Antes, alva pelas boas obras dos irmãos, fez-se agora purpúrea pelo sangue dos mártires. Entre suas flores não faltam nem os lírios nem as rosas. Lute cada um agora pela magnífica dignidade de ambas as honras. Ganhem coroas alvas pelas boas obras ou vermelhas pelo martírio." 

REPITAM COMIGO:
ASSUMIR AS CONSEQUÊNCIAS!

É sempre momento de dar um passo adiante, nos esforçarmos, de nos arriscarmos, de irmos às consequências do "ser Igreja". Assim seja! Amém.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

12.08.2021 - 5 meses do Pontificado

Irmãos, é sempre momento de passagem. Estamos celebrando, hoje, meus cinco meses de ministério petrino, as vésperas do dia em que deixo a Sé Apostólica. É um momento de muita alegria e ação de graças. Ação de graças pois Deus nos trouxe até aqui e agora, nos convida a passarmos o Jordão e iniciarmos uma nova fase em nossas vidas, como foi a experiência do povo de Deus que voltava para a terra prometida. O povo que passara quarenta anos no deserto, guiado por Moisés, agora tendo como líder Josué, revive a experiência do Êxodo. Outrora o mar vermelho se abrira e agora se abre o Jordão, para a passagem do povo de Deus e uma vida nova. E a Igreja vive constantemente esta passagem, esta renovação que deve acontecer. A renovação é em primeiro lugar interior, pois, se não nos renovamos interiormente e mudamos a nossa atitude, entrará papa e saíra papa e estaremos no mesmo lugar, imutáveis e alheios, como tantos foram ao longo destes cinco meses. Mas, sou grato a Deus por aqueles que comigo aderiram o projeto do Reino de Deus e colaboraram para que este acontecesse ao longo de todo este período de pontificado. Há cinco meses, na noite em que os cardeais me elegeram para sentar-me nesta cátedra romana, precisei escolher um nome para meu ministério. Escolhi Clemente. Acabara de ler as obras de São Clemente Romano, que tanto me inspiraram. Mas ao mesmo tempo, Clemente era um nome que representaria as minhas atitudes. Ser bondoso, acolhedor e suave fora meus objetivos. É claro que, em muitos momentos precisamos ser mais duros frente a algumas realidades, embora sempre abertos a reconciliação dos que nos procuraram. Foi assim que Jesus nos pediu para ser. A parábola que hoje ouvimos nos leva a compreender isso. Todos nós, pelo batismo, recebemos o perdão de Deus. Devemos, então, perdoar uns aos outros. Isso não quer dizer sermos bobos dos outros. Mas, quer dizer, sermos abertos a aventura que é amar mesmo aqueles que não podem estar junto de nós. Como Igreja, dou-vos este desafio: sejais clementes; não endureçais vosso coração nem a Deus e nem aos irmãos, pois, ao nos fecharmos, corremos o risco de perder o vínculo da comunhão, que nos faz Igreja. Louvemos a Deus por este ministério que há cinco meses iniciemos e peçamos que tudo que realizamos se transforme num grande sacrifício ao Pai. Assim seja! Amém. 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

11.08.2021 - Santa Clara de Assis

Irmãos, o nome do Senhor dos reúne. Moisés foi essa figura que, no Antigo Testamento, em nome do Senhor, reuniu o povo com o seu Senhor. Moisés, desde a libertação do Egito, foi o guia da comunidade do povo Eleito, o conduzindo à Jerusalém. Contudo, o próprio Moisés não entrou na Terra Prometida. Isso, porém, não diminuiu o seu valor, e ele portanto, não teve o seu vigor diminuído, mas, sim, esteve na vontade do Senhor até o último dia de sua vida. Muitas vezes, temos dificuldade de encontrar essa vontade do Senhor que nos dá vigor, não conseguimos encontrar o caminho certo. Como Jesus disse no Evangelho, podemos precisar ser corrigidos e corrigir. Precisamos, sim, corrigir os que estão no erro, mas, também, precisamos permitir a correção dos outros e a correção da Igreja, estas correções que vão fazendo de nós pessoas mais abertas ao outro, mais dispostas e mais atentas a vontade do Senhor, mais humildes. Hoje celebramos a memória de Santa Clara, que aqui neste Santuário é elevado ao grau de Solenidade, como padroeira. Santa Clara é esse exemplo de alguém que aceitou as correções, se abriu ao outro, e foi ficando mais disposta a vontade do Senhor e mais humilde. Clara, a jovem bela de Assis, bem sabemos, amava Francisco de Assis. Francisco, por sua vez, também amava Clara. Se parássemos aqui, já teríamos uma linda história de amor e um casal que poderia ter sido um dos mais santos de toda a história da Igreja. Mas, quis Deus que São Francisco se apaixonasse por Ele por meio da pobreza. Assim, Francisco amou a Deus e aos pobres, aos que mais precisavam e começava a reunir seguidores, sempre homens. Clara vai viver este mesmo encanto. Ela não vai querer apenas se unir a Francisco. Não, Clara quer se unir a Deus! Ela vê no modo de vida do seu amigo, o modo de extrapolar o amor. E ambos, Clara e Francisco, extrapolam os níveis do amor que poderiam sentir apenas um pelo outro e fazem deste amor uma outra extrapolação, que ir aos extremos do cumprimento da vontade do Senhor. "Há entre Francisco e Clara algo misterioso que conjuga Eros e Ágape, fascinação e transfiguração". Apesar dos boatos que deviam ter em Assis sobre a relação dos dois, Francisco e Clara mantém frequentes encontros, mesmo depois da fundação das Damas Pobres. O relato histórico não poderia ser mais carregado de densidade amorosa. Francisco combinara com Clara que na noite do domingo de Ramos, belamente adornada,  fugisse de casa e viesse encontrá-lo na capelinha que havia construído, a Porciúncula. Efetivamente ela fugiu. Chegou à igrejinha e lá estavam Francisco e seus companheiros com tochas acessas. Alegres a aplaudiram e a receberam com extremo carinho. Francisco lhe cortou os belos cabelos louros. Era o símbolo de sua entrada no novo caminho religioso. Agora eram dois num só e mesmo caminho e até hoje não se separaram. Quando Francisco morreu em 1226, seu corpo passa por São Damião para ser mostrado a Clara. Santa Clara vai ser mulher forte e importante para a Igreja de seu tempo. No momento em que as tropas de Frederico II iriam atacar onde viviam, Clara, com o Santíssimo Sacramento, afasta os soldados. Por fim, ela volta ao Pai em 11 de agosto de 1253, com suas exéquias sendo celebradas por Inocêncio IV, que abre seu processo de canonização. Assim, Clara clareia até hoje a nossa história, ensinando que quando observamos os irmãos, os que nos corrigem, nos ensinam e os que precisam de nós, nos tornamos verdadeiros amantes de todos e do Senhor. Que assim seja em nossa vida. Amém.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

10.08.2021 - Consistório de Criação de Dom Marcos Messias

Irmãos, quanto mais alto subimos, de maior altura podemos cair. Os discípulos Tiago e João pediram lugares a direita e a esquerda de Jesus, pois queriam receber um pouco da glória que Jesus receberia. Mal sabiam, que a ascensão deles passaria pela experiência da queda. Hoje, estamos aqui reunidos para concedermos a Dom Marcos Messias este título de Cardeal. Este título que é honorífico nos recorda alguém que trabalha mais próximo do Romano Pontífice, mas, também, que desempenhando o exercício de seu ministério, foi visto com bom grado pelo Santo Padre e por seus irmãos, para receber esta honraria. Mas, esta honra vem com um serviço. O serviço que já vem sido feito, deve ser feito com ainda mais esmero. É a doação da própria vida, feita com alegria e generosidade que deve continuar permeando a vida deste nosso irmão, mas, também de todos os cardeais. Nós tendemos a achar que quando nos colocamos numa situação de poder e glória, nada nos tirará de lá. Porém, deste local alto, quando caímos, a queda muito alta. A queda é alta pois, muitas vezes, nos locais de poder, corremos o risco de dele usurpar e, ainda, de dele nos apegarmos. Tivemos, por exemplo, um irmão que se achou no direito de criticar a Igreja em suas redes sociais e por isso foi exonerado e depois demitido e hoje está cismando. É um claro exemplo de quem estava no topo e de lá caiu. Caiu não porque foi derrubado, mas, pelo contrário, porque de lá se precipitou. Normalmente, veneráveis irmãos, não são os outros que nos derrubam, somos nós que nos derrubamos. Em nossas atitudes de desprezo pela Igreja, quando não doamos a vida, e pior, quando cuspimos no rosto visível da Igreja, que é sua hierarquia, por meio de mensagens de ódio e de desobediência, na falta de comunhão com os irmãos, também quando usamos a Igreja para satisfazer as nossas necessidades e sedes, enfim, em todos estes momentos que nós maltratamos a Igreja, somos nós que nos derrubamos. Nos derrubamos pois a Igreja não merece ser escarrada por aqueles que estão dentro dela. E estes que tanto cospem em nossa cara, são os mesmos que depois recorrem pedindo retorno em meio a promessas políticas de campanhas inexistentes. Isto serve para todo o clero. Cuidado! O caminho da Igreja é o caminho para Jerusalém e Jerusalém é o lugar da Paixão e da Morte, mas, é também o lugar da Ressurreição. Nosso caminho no seguimento de Jesus deve ser este mesmo caminho, para bebermos deste mesmo cálice que é dar a vida. Neste caminho, não desonremos nosso Senhor com nossa soberba, mas, coloquemo-nos em humilde serviço. Por fim, volto-me aos cardeais para um público pedido. Bem sabeis que em poucos dias a Sé de São Pedro estará vacante. Quando fordes fazer a eleição para o meu sucessor, observai bem em quem votar. Não elejam, eminências, por favor, não elejam cardeais que falem de assuntos políticos. Não elejam quem fica preocupado falando só de crise na Igreja, porque disso estamos fartos de ouvir há muitos anos. Aliás, recordo que os chamamos momentos de glória da Igreja ali em 2014 e 2015 eram momentos de missas com 6 ou 7 pessoas. O momento da glória da Igreja é sempre o momento atual, por isso, falar de crise é buscar viver num constante e desnecessário medo, já que o que nos garante a vitória não é o número de membros, mas, o grau de comprometimento. Por isso, eminências, elejam alguém que fale de Jesus Cristo convosco. Se virem alguém fazendo campanha por si mesmos, caiam fora. Mas, se este alguém é alguém que vos fala de Jesus Cristo, que vá anunciar conosco Jesus Cristo, que vá mostrar aos outros Jesus Cristo em sua vida e obras, elegei este. É o meu conselho paterno e fraterno. Já sofremos demais com gente que viveu em constante guerra entre facções. Nos preocupemos, portanto, apenas com o que é necessário, Jesus Cristo, e doemos nossa vida em seu serviço e em serviço de sua Igreja. Assim seja! Amém.

10.08.2021 - São Lourenço, Mártir

Irmãos, o serviço é o que nos concede a honra de Deus. A Festa de São Lourenço, padroeiro dos Diáconos vem nos lembrar a beleza que é o ministério da Diakonia na Igreja. Mas, esta diakonia, este serviço, não são próprios dos diáconos. Embora, de fato, os diáconos sejam os maiores responsáveis pelo serviço da caridade, com os pobres, as viúvas e os órfãos, e, também, pelo serviço ao altar, todos nós temos que imitar este ministério do Cristo Servo. De fato, os presbíteros e epíscopos devem ser diáconos, pois foram ordenados diáconos. Mas, todos nós, cristãos, devemos desempenhar este papel do cuidado e do serviço com os outros. O serviço muitas vezes se faz nas pequenas coisas, nos pequenos gestos de cuidado. O serviço está nos grandes gestos, mas, pode estar também nos pequenos. Quando ajudamos alguém com uma caixa pesada, ou simplesmente acompanhamos uma senhorinha com suas sacolas, para atravessar a rua, ou, ainda, colaborando na limpeza de nossas casas, enfim, são todos gestos de serviço. E Cristo foi o grande diácono, o grande servidor, quando lavou os pés de seus discípulos para que nós também nos sirvamos uns aos outros. Hoje celebramos este grande diácono, Lourenço. A antiga tradição conta que São Lourenço, ao ver que iam matar o pontífice, Sisto II, disse-lhe: “Meu pai, vais sem levar o teu diácono?”. E o papa respondeu: “Meu filho, em poucos dias me seguirás”. Antes de ir ao martírio, Lourenço chama os pobres, as viúvas, os órfãos, enfim, seus assistidos, e diz ao prefeito que estes são o verdadeiro tesouro da Igreja. Queimando na fogueira, São Lourenço não sente a dor das chamas, mas, adentra com serenidade na vida eterna. Ele havia feito de sua vida um serviço, e, no final, recebeu a honra e a glória de Deus sem a sensação da dor e do sofrimento que traz lágrimas, pois suas lágrimas já haviam sido derramadas aos pés daqueles que em sua vida ele havia servido. Que em nossa vida possamos ter esta mesma disponibilidade de servir, para que, quando chegar o momento da consumação de nossa vida, possamos receber a mesma honra que nos é preparada. Assim seja! Amém.


segunda-feira, 9 de agosto de 2021

09.08.2021 - Memória de Santa Teresa Benedita da Cruz

Irmãos, a busca pela verdade nos leva ao encontro de Jesus Cristo. Estamos celebrando essa mulher, nascida como Edith Stein, que foi uma grande filósofa. Ela tinha sido nascido judia e havia abandonado a sua fé, tinha se tornado ateia. Sua vida era uma busca pela verdade. A filosofia alemã, no contexto de sua época, era permeada pelo idealismo, que se centrava no que existia na ideia do homem. Depois, Edith se encontra com a fenomenologia, a busca pelo sentido na própria realidade. Mesmo aí, Edith não vê em seu devido lugar. Mas, quando entra em contato com a vida de Santa Teresa, a carmelita, Edith Stein se encontra com a verdade, pois se encontra com Jesus Cristo. Ela, então se debruça nos estudos sobre a Igreja e depois foi batizada, e, após longo período, entrou no carmelo e se tornou Teresa Benedita da Cruz. Por fim, ela foi martirizada em campo de concentração nazista de Auschwitz, vivendo o extermínio que viviam tantos que tinham a mesma origem que a sua, mas, ainda mais, por ser cristã. Santa Teresa Benedita da Cruz não se apegou ao que era humano e que só se podia ver num nível humano, seu intelecto a exige dar um salto em sua vida. Este salto, por sua vez, não foi dado pelos cobradores de impostos, como vimos no Evangelho. Eles ainda estavam presos a uma visão muito reduzida, que buscava a verdade meramente no cumprimento de uma lei e não eram capazes de ir além disso. Jesus, por outro lado, vai além da própria visão humana ao mandar Pedro pescar um peixe e pegar a moeda que estaria em sua boca. Em outras palavras podemos dizer que a resposta de Deus à limitação do nosso intelecto é sempre uma resposta que extrapola tudo aquilo que somos capazes de conceber. Além disso, Deus sempre subverte o que tende a ser o nosso pensamento, como vimos na primeira leitura. Percebamos, então, como Deus não se encontra nem nos fenômenos, pois nestes só percebemos sua ação, e nem nas ideias, pois nelas não imaginaríamos a imensidão de Deus. Por sua vez, Deus se encontra na imensidão do universo enquanto onipotente, mas, também, em nosso coração quando encontramos Nele a verdade que nada pode nos dar, nos propomos amá-lo e vamos, como Santa Teresa Benedita da Cruz, até as últimas consequências de termos escolhido Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. Assim seja! Amém.

sábado, 7 de agosto de 2021

08.08.2021 - XIX Domingo do Tempo Comum

Você já parou e pensou em dizer ao Senhor para lhe tirar a vida? Já se sentiu exausto a este ponto? Essa foi a experiência de Elias. O profeta estava exausto, queria desistir. O caminho era difícil e a marcha dura. Parecia, para Elias, que não tinha para que prosseguir e ele próprio já não encontrava mais forças para dar um passo sequer. Ele sabia que estava fazendo a vontade do Senhor e mesmo assim precisou parar. A vontade do Senhor, os caminhos do Senhor, nem sempre são realidades simples. Pelo contrário, normalmente são realidades complexas e exigentes. Sermos seguidores de Jesus Cristo nos exige, nos impele, nos obriga a muito mais do que somos capazes de oferecer. Então, no meio do caminho, temos a tendência a nos jogar no chão e querer desistir. Paramos, olhamos para trás e nos perguntamos se vale a pena. Será que vale a pena continuar? Mas, somos filhos e filhas amados de Deus e conhecemos seu Filho único, Jesus Cristo. É o próprio Jesus que grita para nós, como o anjo bradou a Elias: "Levanta-te e come... o caminho é longo"! Não podemos desistir. Então, quando nos levantamos e olhamos, vemos o altar repleto. O Banquete a nós oferecido, o sustento para nossa vida, é a própria Ceia do Senhor. Ele próprio, Jesus, é o alimento da vida, o pão da vida. Jesus nos alimenta de si próprio para que possamos prosseguir a vida com Ele. A Eucaristia é esse pão da vida, que nos sustenta na vida. Não, porém, em qualquer vida, mas, sim, na vida com o Senhor, nos caminhos da santidade e na missão. Se estamos acostumados a comer o pão da morte, o pão que o Diabo amassou, somos agora chamados a comer o pão que amassou o Diabo, o pão da Vida. Nos alimentemos deste banquete salutar que nesta vida nos é oferecido, enquanto caminhamos para o nosso Horeb, para o monte de nosso encontro com Deus. O Horeb, o encontro, se dá no já e no ainda não. Hoje, no já da história, o Horeb é esta Catedral do Sagrado Coração de Jesus. Mas, no ainda não, o Horeb, o monte de Deus, é a Jerusalém Celeste, os céus para o qual caminhamos. Vinde, pois e coma o Pão da Vida: provai e vede quão suave é o Senhor. Ele é teu sustento, Ele te dará a vida com Ele. Assim seja! Amém.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

07.08.2021 - Ordenação Episcopal do Mons. Thomas Hatcan

Irmãos, estamos aqui reunidos para ordenarmos como Bispo o Mons. Thomas Hatcan. Esta é uma tarde de muita alegria para toda a Igreja. Por isso, meditemos sobre o ministério episcopal que será conferido a este nosso irmão. É pela ação do Espírito Santo que Mons. Thomas será inserido no colégio apostólico. Foi o Espírito Santo que pousou sobre Ele e o impulsionou para a missão por meio dos sacramentos da Igreja. Agora, em nosso ministério, terá como função continuar com esse impulso do Espírito Santo, empenhando-se pela sua salvação e pela salvação de todo o rebanho. Com sua juventude, Mons. Thomas pode ser comparado a figura de Timóteo que ouvimos na primeira leitura. Mas, apesar de sua juventude, será pai para a comunidade e deve presidi-la na fé e na caridade. Ser jovem não seja motivo de ser considerado como despreparado. Pelo contrário, que o fato de ser jovem seja motivo para que muito mais de sua vida possa ser doada e desgastada no serviço apostólico, configurando-se ao Cristo Bom Pastor. O parâmetro para o que desempenha o ministério episcopal não é outro senão a figura de Jesus Cristo, nosso supremo e Bom Pastor. Ele mesmo estabelece que a medida do Bom Pastor é dar a vida por suas ovelhas. Por isso, Mons. Hatcan, não há outro caminho para o teu ministério episcopal. É preciso doar e desgastar a sua vida, querido monsenhor, para que ela frutifique e para que você seja um verdadeiro Bispo. Já há muitos mercenários, que desprezam o rebanho, que o fazem se perder e que as ovelhas não ouvem ou conhecem a voz. Seja, portanto, Bom Pastor. Que todos conheçam a sua voz, a voz de sua Palavra que deve ser Palavra da Salvação, Palavra da Vida, Palavra de Cristo. Mas, acima de tudo, querido Mons. Hatcan e todos os Bispos aqui presentes, nós devemos ser amigos de Jesus. Nossa palavra diz muito, mas, nosso testemunho grita. Se vivermos como testemunho vivo de Jesus Cristo, de sua vida, nosso ministério será verdadeiramente ministério de bons pastores. Unamos, agora, nossos corações, e permitamos que o Bom Pastor transforme sua Igreja, seu rebanho, num rebanho que seja digno de seu nome. Assim seja! Amém.

06.08.2021 - Despedida do Brasil

Irmãos, nós não vamos fazer aqui três tendas e permanecermos aqui, sobre o Tabor. É hora de voltarmos para as nossas Dioceses, para as nossas paróquias e colocarmos em prática a ordem do Pai de fazermos o que Jesus nos diz. Nossa visita apostólica, do meu ponto de vista, foi demasiadamente frutífera. Agradeço a cada um que se empenhou para que ela acontecesse. Agradeço a Arquidiocese de São Paulo, de Aparecida e de Salvador pelo empenho e dizer aos senhores em unidade que a Igreja espera o esforço de cada um de vocês, para que a Igreja de Cristo seja bela e gloriosa como seu Divino Mestre. A Igreja acontece com a atitude de vocês e não com os atos da Cúria Romana. A formação presbiteral, que deve ser a vossa prioridade, é o que motivará todas as outras atitudes na vida arquidiocesana e Pastoral da Igreja. Não me resta dúvidas que meu sucessor baterá na mesma tecla que tanto bati e, provavelmente, com ainda mais cobrança do que eu mesmo cobrei. Não se esqueçam que sempre é preciso descer do Tabor. Contemplamos, sim, a glória do Senhor, mas é preciso voltarmos a realidade. É preciso que desçamos do monte e nos encontremos com tantas realidades que precisam ser trabalhadas em âmbito eclesial, diocesano, mas, também em âmbito pessoal de cada um de nós. Deste modo, iremos ir assumindo as feições de Jesus Cristo como nossas feições. Neste final de viagem apostólica, peço que cessem as brigas por razões bobas e por coisas poucas. O que precisa ser corrigido deixem que os devidos superiores corrijam. Cessemos as fofocas e intrigas por razões tão fúteis como uma simples bandeira de um movimento que merece nossa atenção. Sabemos que aquele não era o lugar para ela, mas, entre aceitar uma bandeira de um movimento que defende a dignidade da pessoa independente de sua orientação shexhual e ferir uma celebração transformando-a numa balbúrdia e grande fofoca, foi preferível aceitar aquela simples bandeira. Como Igreja, precisamos nos lembrar do silêncio e da obediência de Pedro, Tiago e João quando descem do Tabor. Não saem fofocando sobre o acontecido, mas, guardam aquilo e só comentam entre si. Uma Igreja de intrigas e fofocas será sempre uma Igreja ferida, não uma Igreja que resplandece a glória de seu Senhor Jesus Cristo. Volto à Roma com este desejo: de que ao invés de criticarmos uns aos outros e ficarmos sentados sem fazer nada, gastemos nossas energias no exercício de nosso ministério e nos desgastemos para que todos conheçam a Jesus Cristo que nos chama a nos transfigurarmo-nos Nele. Assim seja! Amém. 

06.08.2021 - Missa na Paróquia Nossa Senhora das Graças

Irmãos, precisamos ter atenção e ousadia. A palavra de Deus que ouvimos, na primeira leitura nos apresentou uma imagem bonita do trono de Deus, e de Deus mesmo, pois aquele ancião representa o próprio Deus. Imagem que nos consola, que nos faz perceber que Deus é o Senhor da história, que ele acompanha os fatos e acontecimentos da vida do dia a dia. Precisamos ser atentos a Palavra de Jesus Cristo. Da nuvem, o Pai nos convida a ouvirmos o seu Filho. Ouvir Jesus, como ouvi-lo hoje? Ele nos fala hoje, através da sua Palavra proclamada em cada celebração; na oração; no irmão. O Senhor continua a nos falar hoje. É preciso nos colocarmos na sua escuta. É ouvindo-o que se forma o coração do discípulo-missionário. O Senhor nos continua a falar através das Escrituras. São Jerônimo dizia: “Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”. A Escritura forma o coração do discípulo-missionário. Esta cena nos remete à centralidade das Escrituras na vida da Igreja e na vida de cada católico. Diante deste grande mistério que é Jesus Cristo corremos o risco de deixar que o impacto nos paralise e não sabermos o que fazer. Podemos achar que não somos capazes de cumprir a Palavra de Deus e nos deixarmos estagnar. Aí precisamos ter a mesma atitude de Pedro que é aproximar-se de Jesus e falarmos o que nos vem a cabeça. Mesmo quando não entendemos o que está acontecendo, Deus tem um propósito, um desígnio. Se nos deparamos com um momento onde não sabemos o que fazer, o que temos a fazer é sermos ousados e nos arriscarmos. Sem esses gestos, ficaremos apenas parados, olhando para cima, tentando compreender, e nada mudará. Quando agimos, por outro lado, damos passos concretos, não necessariamente para a nossa compreensão, mas, para a manifestação do projeto de Deus em nossas vidas. 


06.08.2021 - Missa da Transfiguração e Posse em Salvador

Irmãos, transfiguremo-nos nas vestes gloriosas do Senhor. Estamos celebrando a Transfiguração do Senhor, o dia onde Jesus sobe com Pedro, Tiago e João à montanha e se transfigura diante deles. Jesus revela aos seus discípulos a glória que ele terá quando ressuscitar dos mortos. Suas vestes brancas e brilhantes são as vestes da pureza, vestes gloriosas. E Pedro então diz: "Mestre, é bom ficarmos aqui". É bom estarmos com o Senhor no momento de sua glória. É bom olharmos ao Senhor e o vermos glorioso e detentor de todo o poder, como é descrito pela profecia de Daniel. Mas, precisamos nos lembrar que o que concede novamente a Cristo essa glória tão grande foi a sua ressurreição, e sua ressurreição, por sua vez, depende completamente de sua cruz, sua morte obediente para cumprir a vontade do Pai. Quando Jesus está transfigurado, o Pai brada dos céus para cumprirmos o que Ele diz. Somente se cumprirmos o que diz Jesus poderemos nos revestir dessas suas mesmas vestes gloriosas. Seremos insensatos se buscarmos a glória mas não procurarmos a nossa completa transfiguração a Jesus Cristo. Transfigurarmo-nos em Jesus é assumirmos a sua imagem como nossa imagem e sermos, verdadeiramente outros cristos. Devemos assumir o ser de Jesus em nosso ser e repetir seus gestos e palavras no cotidiano de nossa vida para recebermos, no final, as mesmas vestes gloriosas que Ele recebeu ressuscitado. Mas, precisamos ir além, precisamos transfigurar toda a Igreja a figura gloriosa de Jesus Cristo. Corremos o risco de termos uma Igreja que busca, sim, a glória. Mas, não busca a glória Divina, mas, a glória humana. O nosso encontro de discípulos com a glória Divina resultará em querermos estar juntos do Senhor. Mas, não me surpreende que nem todos clérigos consigam fazer a experiência de Jesus, que nem todos consigam buscar a glória Divina e não a glória humana, pois o próprio Jesus não levou consigo ao Tabor todos os discípulos. Dos 12, apenas 3 foram levados com Jesus para o alto do monte. Todos o clero e todo o povo de Deus pode estar perto de Jesus Cristo, mas, nem todos conseguem fazer a experiência transformadora do Senhor, nem todos conseguem completar a sua beleza e assumirem para si esta Divina beleza. Contemplando a beleza de Cristo, encontramos Nele o verdadeiro sentido da vida humana. Em Cristo, o homem encontra o que é ser homem. Nele, o ser humano encontra o seu caminho, pois o mistério de Cristo revela ao homem o que é ser homem, pois Cristo é o homem segundo o projeto de Deus. Devemos passar do rosto transfigurado de Cristo ao rosto da Igreja e nos empenharmos na construção de um rosto bonito para a Igreja. A santidade da Igreja nos compromete, compromete a cada um de nós. A beleza ou feiúra do rosto da Igreja está traçado no rosto de cada um de nós. Nós somos a Igreja hoje. O rosto resplandecente da Igreja na história depende da doação alegre, generosa e bonita de cada um de nós. Hoje, subimos a montanha na companhia de Pedro, Tiago e João e contemplamos a cena da transfiguração, a montanha para nós é esta catedral de São Salvador da Bahia. Tomamos consciência de que esta gloria da transfiguração resplandece também em nós, seus filhos adotivos. Daí a pouco, voltaremos para nossas Dioceses, paróquias, casas com o coração alegre, pois contemplamos esta belíssima cena da transfiguração, beleza que nos Salva. Assim seja! Amém.

06.08.2021 - Chegada a Catedral de Salvador

Queridos irmãos em Cristo, é uma grande alegria chegar nessa tarde a cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos para este encontro fraterno com vocês. Iremos, em alguns instantes, dar posse como Arcebispo Primaz do Brasil, ao excelentíssimo Dom Marcos Messias, que também será elevado ao cardinalato na próxima semana. Dom Marcos, apesar de jovem, conta com um grande empenho e amor pela Igreja, o que já é um grande começo. Sua experiência como Bispo Auxiliar e tudo que já sofreu no passado, em situações as quais resistiu bravamente, o colocaram aos nossos olhos. Desejamos que no exercício de seu ministério nestas terras, Dom Marcos possa promover a unidade do clero que corre o risco de dispersar-se e ao mesmo tempo, empenhe-se com seus presbíteros na formação presbiteral dos seminaristas. Essa Igreja de Salvador poderá, deste modo, encher-se de vocacionados e movimentar-se com muitas admissões, instituições e ordenações. Cada passo desta história, Dom Marcos e queridos irmãos, depende do empenho dos senhores. Quem já demonstrou o seu amor pela Igreja de Cristo, agora precisa prova-lo por meio destes gestos concretos. Que a Igreja de São Salvador floresça e dê muitos frutos para a Igreja de Cristo e que venha em nosso auxílio a intercessão de todos os santos e santas de Deus aos quais os primeiros europeus nesta Terra de Santa Cruz, dedicaram esta Bahia. Assim seja! Amém.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

05.08.2021 - Missa no Santuário Nacional

Irmãos, venho como romeiro de Nossa Senhora a casa da Mãe Aparecida. Venho, nessa noite, num gesto de agradecimento a Mãe de Deus e nossa, pelos inúmeros benefícios realizados em meu favor. Venho, também, conceder a posse canônica ao vosso Arcebispo, Dom Miguel Dolezzio. Na verdade, Dom Miguel acha que é ele quem está tomando posse, mas, são vocês que devem tomar posse dele. É o povo que toma posse de seu pastor e que deve exigir dele que todas as necessidades desta Igreja Particular sejam bem atendidas. Aqui deve se iniciar um trabalho entre povo e rebanho, entre filhos e filhas de Deus, que se põe a serviço. O milagre acontece nas mãos dos servos. Quando acontece as Bodas de Caná, o primeiro sinal de Jesus, simbolizando as suas núpcias com a humanidade, falta vinho. Pela intercessão de Nossa Senhora, Jesus transforma a água em vinho. Jesus manda que as talhas sejam enchidas de água e quando os servos terminam de encher, imediatamente retiram a água e levam ao mestre sala. É na mão dos servos que se faz o milagre da transformação da água em vinho. É nas mãos de vocês, arcebispo, bispos, presbíteros e povo de Deus, que o milagre pode acontecer. O milagre não vem só de cima, mas, exige uma atitude de vocês. Tomarmos atitudes e não ficarmos esperando que as coisas caiam do céu é algo extremamente difícil, principalmente em tempos onde vemos realidades que precisam ser mudadas. Mas, as mudanças se iniciam nas pequenas atitudes que realizamos. O crescimento do clero, o crescimento de nossa missão, não precisa acontecer em grandes atos. Pelo contrário, é na celebração de uma missa, numa conversa, numa confissão, nos mais simples atos de amor e carinho que iniciamos grandes mudanças. Não pensem que Deus vai mandar que o Arcebispo fira a pedra e saia a água. Vai ser bem diferente. Vejam as grandes árvores; elas não surgiram de uma hora para outra. Pelo contrário, elas cresceram pouco a pouco, no dia a dia. Assim devem ser as grandes mudanças que esperamos: precisamos começar de algum lugar e, se iniciarmos no pouquinho que podemos fazer hoje, logo veremos o grande milagre acontecer.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

04.08.2021 - Dedicação da Catedral da Sé

Irmãos queridos, é Cristo que nos preside na fé. Dedicarmos esta Igreja catedral nessa noite é dedicarmos o lugar de onde o digníssimo Arcebispo desta Igreja, Dom Gregório Michels, presidirá na caridade esta Igreja Particular em comunhão com a Sé de Roma. Esta é a cabeça de todas as igrejas da Arquidiocese de São Paulo e deve ser lugar do encontro fraterno entre irmãos. Dedicamos essa Catedral na esperança de que nela sejam ordenados muitos diáconos, presbíteros e bispos, muitas missas sejam celebradas, mas, acima de tudo, que seja o encontro de muitos com Jesus Cristo. Não há outro sentido para uma Igreja se não ser morada de Deus e local do encontro. Este encontro se faz com o Senhor, em espírito e verdade, e também nos irmãos e irmãs. Não somos como o povo que voltava do cativeiro da Babilônia e não tinha um templo para o encontro. Temos um lugar onde fazer o encontro e ouvir a Palavra de Deus que nos anima o coração. Mas, é preciso ir além, é preciso encher de sentido o que estamos fazendo. Este rito só se enche de sentido, a unção do altar e das paredes só ganha sentido, se aqui se fizerem presentes homens e mulheres ungidos pelo Senhor. E o que é a unção? A unção é a eleição. Quem deve encher de significado estes ritos sagrados que realizamos são os eleitos pelo Senhor, o povo de Deus, batizado por Cristo na força do Espírito Santo, que aqui realizarão o seu encontro sagrado. Mas, não apenas isso, o ungido pelo Senhor é o que anuncia a boa nova aos humildes, cura os corações feridos, anuncia a libertação aos cativos, a liberdade aos presos, que consola os aflitos e canta a glória em lugar do desespero. Aqui, nesta Catedral, devem se encontrar estes, que não ficam esperando cair as coisas dos céus, mas, que se alimentam da Palavra e da Eucaristia e vão em missão por tantos quartos. Mas, além disso, esta Catedral deve lembrar aos outros que Deus existe. Quantos caminhas sem fé pelos nossos quartos? O nome Catedral da Sé é muito conhecido e se o clero daqui for esperto atraíra muita gente para cá. E o que as pessoas encontrarão aqui? Jesus Cristo. Assumo o que foi dito por Dom Licínio Cardeal Rangel e digo: as pessoas devem encontrar aqui um padre celebrando a missa, mesmo que sozinho, e se lembrarão que Deus existe e está no meio de nós. Deus habita esta cidade e Deus habita este lugar. No meio dos altos edifícios brilha uma luz: é Jesus Cristo nos chamando para o encontro. Assim seja! Amém.


terça-feira, 3 de agosto de 2021

04.08.2021 - Discurso na Chegada ao Brasil

Eminentíssimos senhores cardeais,
Excelentíssimos senhores bispos,
Reverendíssimos presbíteros e diáconos,
Religiosos e religiosas,
Seminaristas,
Irmãos e irmãs em Cristo,
estamos dando início a mais uma visita apostólica. Essa visita, contudo, tem um tom diferente. Todos já sabem que na noite de ontem anunciei minha renúncia ao trono de São Pedro. Isso, porém, não deve alterar a nossa alegria de nos encontrarmos, pois não retira minha alegria de vir ao vosso encontro. Vir ao vosso encontro é, para mim, olhar para o futuro da Igreja. Vocês são o futuro da Igreja. Cada um de vocês, clérigos ou leigos, são o futuro da Igreja. Todos os velhos um dia vão embora, mesmo quem achamos que não vai, e vocês são os responsáveis por guiar a Igreja de Cristo. De fato, vocês já são os responsáveis e não serão. Vocês, aqui no Brasil, tem essa missão de fazer a Igreja acontecer. Longe dos assuntos burocráticos e intermináveis ladainhas romanas, sois os responsáveis por fazer a Igreja acontecer, indo ao encontro das realidades. Sempre insisti e volto a insistir sobre a nossa necessidade de ir ao encontro do laicato. A Igreja não acontece em Roma, nos escritórios, ela acontece no Brasil, na terra de Santa Cruz. A Igreja acontece quando a doação alegre, bonita e generosa de cada um de nós se concretiza no atrairmos os outros para Jesus Cristo. Que nossa visita, nosso encontro convosco, não seja mais uma visita, mais um momento com o papa, mas, seja o encontro de irmãos que fazem a Igreja acontecer e o Reino de Deus se tornar presente no aqui e agora da história da humanidade. Desde já, muito obrigado pela vossa acolhida fraterna! Deus abençoe o Brasil!


03.08.2021 - Comunicado de Renúncia

Eminentíssimos senhores cardeais,
É preciso renunciar a si mesmo, tomar a cruz e seguir a Jesus Cristo. Quem não é capaz de abraçar a sua cruz, de aceitar os desígnios do Senhor não consegue ser discípulo de Jesus. O discipulado, o seguimento, exige de nós sacrifícios. De fato,   quem não toma a cruz e não segue a Jesus Cristo não é digno dele e quem busca a sua vida vai perdê-la e quem perde a vida por Ele vai encontrá-la. Nós precisamos encontrar o encanto da cruz e sermos homens apaixonados pelo Senhor Crucificado, que imolou-se como Cordeiro Pascal para dar vida aos que viviam na morte.  Nos nossos sacrifícios particulares, experimentamos um pouco da Paixão de Cristo, morrendo nós um pouquinho por dia. Precisamos ir morrendo e nos desgastando, derramando nosso sangue e abraçando nossas cruzes no dia-a-dia. Essa passagem dos dias vem me feito perceber como as coisas hoje acontecem muito rápido e como as demandas da Igreja crescem cada vez mais e precisam ser respondidas com urgência. Os tempos que vivemos, são, de fato, tempos onde o tempo passa mais rápido e precisamos de atitudes concretas. Vendo o esgotamento de minhas forças, o que me impede de corresponder ao que a Igreja necessita nestes tempos, consciente da gravidade da minha decisão e livre em meus atos, RENUNCIO a cátedra de São Pedro, ao Bispado de Roma, ao ofício de Sucessor de Gregório XVII, que me foi confiado pelo Colégio de Cardeais na noite de 12 de março de 2021. Deste modo, a cátedra ficará vacante às 22h30 do dia 13 de agosto do presente ano de 2021 e um conclave deverá ser convocado pelas autoridades competentes. Até lá, temos diversos processos iniciados que desejo concluir, bem como a visita apostólica ao Brasil que iniciaremos amanhã num clima de despedida. Completaremos 5 meses de pontificado, e agradeço a cada um dos senhores que dele fizeram parte. Peço perdão por minhas muitas falhas. Conto com cada um dos senhores até o último dia deste exercício do meu ministério petrino e, desde já, prometo fidelidade ao meu sucessor. Obrigado por elegerem a mim, um velho, que tem tão poucas habilidades para lidar com a Igreja nos dias de hoje e que muitas vezes não foi o que esperavam. Não deixo essa cátedra sem dor no coração, mas, na certeza que realizei tudo quanto me foi possível. 
Obrigado a todos por seu sacrifício comigo!

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

02.08.2021 - Perdão de Assis

Irmãos, celebramos o dia do Perdão de Assis. Fazemos, hoje, memória daquele dia em que São Francisco de Assis pede a Cristo que perdoe os pecados daqueles que visitassem a igrejinha de Nossa Senhora da Porciúncula em Assis. Francisco, em oração, faz a Deus esse pedido e é envolvido por um manto de luz do próprio Cristo, indo pedir ao papa Honório que concedesse essa indulgência que foi, então estabelecida. É dia propício de nos voltarmos ao Senhor e apresentarmos a Ele, pela intercessão de Nossa Senhora, as nossas máculas e nossas falhas. De modo especial, precisamos voltar os nossos olhos para o nosso egoísmo, que tantas vezes impede a ação de Deus em nossas vidas e na vida dos que convivem conosco. Moisés sente o peso do exercício que realiza e pede a Deus até mesmo que lhe tire a vida. Moisés é, por aquele instante, incapaz de pensar que o povo precisava dele, mesmo diante de sua incapacidade. Ele se fechou diante daquilo que considerava impossível e não soube recorrer a outros, e nem mesmo pensar nos outros. Quando Jesus estava no deserto com os discípulos e a multidão, só havia cinco pães e dois peixes para acontecer. Os discípulos se preocupam com o que o povo irá comer ou será que só estão preocupados que eles próprios não fiquem sem comida? Diante da incapacidade de assumirmos o lugar dos outros, de nos colocarmos no lugar dos outros, o próprio Senhor levanta que somos nós que temos que nos preocupar com os outros. O pecado original, a desobediência, tornou o homem egoísta. Pedirmos o perdão, procurarmos a reconciliação neste dia do perdão de Assis, precisa se concretizar no nosso seguimento a Jesus Cristo, tendo como exemplo a figura de São Francisco de Assis. Somente no desapego de nós mesmos poderemos nos reconciliar plenamente com Deus. Se não formos capazes de deixar o nosso ego para irmos ao encontro do coração dos outros, ficaremos imóveis diante do que tem o seu coração machucado e ferido por razões sociais e sobretudo pelo pecado. Se não formos capazes de deixar o nosso ego, se não seguirmos o exemplo de Francisco de Assis, se não contarmos com a intercessão de Nossa Senhora, poderemos até procurar a Deus, mas só seremos capazes de encontrar o nosso próprio umbigo. 

02.08.2021 - Audiência Geral (Tema: Fé, Conversão e Comunidade)

Irmãos, encerramos hoje o nosso ciclo de catequeses sobre o Querigma com os últimos dois passos do anúncio da fé: Fé e conversão, e comunidade. A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida. O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso. Quem tem fé em Deus o obedece e essa obediência é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus, que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão e a sua realização mais perfeita é de Nossa Senhora. Mas, precisamos compreender que a fé é uma graça, um dom de Deus que Ele próprio infunde no coração humano. Tanto que, quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o Senhor o diz que esta revelação não veio nem da carne nem do sangue, mas do seu Pai que está nos Céus. Assim, ter fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que outras pessoas nos dizem acerca de si próprias e das suas intenções, e confiar nas suas promessas. Por isso, não contrário à nossa dignidade prestar, pela fé, submissão plena da nossa inteligência e da nossa vontade a Deus revelador e entrar assim em comunhão intima com Ele. Sabemos, portanto, que a fé é o ato onde a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina. Justamente por isso, o motivo para crer não é que as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz da nossa razão natural. A fé é certa, mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda na própria Palavra de Deus, que não pode mentir. Sem dúvida, as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas; mas a certeza dada pela luz divina é maior do que a dada pela luz da razão natural. Mas, ao mesmo tempo, nossa fé procura compreender. É inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou; um conhecimento mais profundo exigirá, por sua vez, uma fé maior e cada vez mais abrasada em amor. A graça da fé abre os olhos do coração para uma inteligência viva dos conteúdos da Revelação, isto é, do conjunto do desígnio de Deus e dos mistérios da fé, da íntima conexão que os Liga entre si e com Cristo, centro do mistério revelado. Ora, para que a compreensão da Revelação seja cada vez mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé, mediante os seus dons. Assim, conforme o dito de Santo Agostinho, "eu creio para compreender e compreendo para crer melhor". De fato, a fé é tão necessária que para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n'Aquele que O enviou para nos salvar. A fé é, portanto, um ato pessoal, uma resposta livre do homem à proposta de Deus que Se revela. Mas não é um ato isolado. Ninguém pode acreditar sozinho, tal como ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo, como ninguém a si mesmo se deu a vida. Foi de outrem que o crente recebeu a fé; a outrem a deve transmitir. O nosso amor a Jesus e aos homens impele-nos a falar aos outros da nossa fé. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé. Antes de mais, é a Igreja que crê, e que assim suporta, nutre e sustenta a minha fé. A salvação vem só de Deus. Mas porque é através da Igreja que recebemos a vida da fé, a Igreja é nossa Mãe.  A Igreja, que é coluna e apoio da verdade, guarda fielmente a fé transmitida aos santos de uma vez por todas. É ela que guarda a memória das palavras de Cristo. É ela que transmite, de geração em geração, a confissão de fé dos Apóstolos. Tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé. Desde há séculos, através de tantas línguas, culturas, povos e nações, a Igreja não cessa de confessar a sua fé única, recebida de um só Senhor, transmitida por um só Batismo, enraizada na convicção de que todos os homens têm apenas um só Deus e Pai. Falamos, aqui, da nossa Igreja: a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica. Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si  indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja não os confere a si mesma; é Cristo que, pelo Espírito Santo, concede à sua Igreja que seja una, santa, católica e apostólica, e é ainda Ele que a chama a realizar cada uma destas qualidades. Só a fé pode reconhecer que a Igreja recebe estas propriedades da sua fonte divina. Mas as manifestações históricas das mesmas são sinais que também falam claro à razão humana.  A Igreja é una: tem um só Senhor, professa uma só fé, nasce dum só Batismo e forma um só Corpo, vivificado por um só Espírito, em vista duma única esperança, no termo da qual todas as divisões serão superadas. A Igreja é santa: é seu autor o Deus santíssimo; Cristo, seu Esposo, por ela Se entregou para a santificar; vivifica-a o Espírito de santidade. Embora encerra pecadores no seu seio, ela é a sem-pecado feita de pecadores. Nos santos brilha a sua santidade; em Maria, ela é já totalmente santa. A Igreja é católica: anuncia a totalidade da fé, tem à sua disposição e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada a todos os povos; dirige-se a todos os homens; abrange todos os tempos; é, por sua própria natureza, missionária. A Igreja é apostólica: está edificada sobre alicerces duradouros, que são os Doze apóstolos do Cordeiro; é indestrutível; é infalivelmente mantida na verdade: Cristo é quem a governa por meio de Pedro e dos outros apóstolos, presentes nos seus sucessores, o Papa e o colégio dos bispos. É na Igreja Católica que subsiste, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos que estão em comunhão com ele, embora numerosos elementos de santificação e de verdade se encontrem fora das suas estruturas. Somos membros dessa Igreja e temos essa fé, temos essa história que ouvimos na última semana. Que esse conhecimento nos ajude a nos santificarmos e amadurecermos a nossa fé. Assim seja. Amém.

domingo, 1 de agosto de 2021

01.08.2021 - XVIII Domingo do Tempo Comum

Irmãos, nunca ficamos satisfeitos com aquilo que Deus faz por nós. Por isso, Deus sempre se dá ainda mais e se revela ainda mais. Depois de sair do Egito, onde o povo era escravo, ele se deparou com o deserto e sentiu saudades da escravidão, pois lá tinha o que comer. Para o povo não bastou ser liberto por Deus, por isso, Deus os deu de comer o Maná. Este alimento que caia a cada dia, menos aos sábados, eram como que pequenos grãos, com os quais o povo hebreu se alimentou. Depois de Jesus ter alimentado o povo, quando multiplicou 5 pães e 2 peixes, conforme ouvimos no Evangelho do domingo passado, o povo ainda continuo seguindo Jesus. O povo não queria saber mais, queria comer mais. Não era o suficiente o que Jesus já tinha feito para eles, eles ainda queriam mais. Jesus tinha acabado, também, de realizar um sinal e antecipar a sua hora. Ainda sim, para aquele povo, o sinal não foi o suficiente e eles queriam ainda mais. Por isso, o Senhor Jesus se apresenta como pão da vida, como pão que sacia a fome e a sede que a humanidade tem. Precisamos deixar para trás o homem velho e a mulher velha, que eram famintos e insaciáveis e que, por isso, buscavam se saciar em tantas coisas e não em Deus. É em Deus que nos saciaremos. É no banquete Eucarístico que nos alimentamos do pão da vida eterna. Mas, em todas as experiências de Deus que fazemos nós nos deparamos com um sentimento de alegria imenso. Quando rezamos o santo terço, o breviário, as jaculatórias ou outras orações, diante do sacrário ou a Nossa Senhora e aos santos, nós sentimos paz pela oração que acabamos de fazer. Do mesmo modo, quando saciamos a fome e a sede dos que tem fome e sede, dos abandonados, quando vamos ao encontro dos sofredores, que sofrem de dores físicas ou psíquicas, nossa alma também se sente plena, pois neles nós nos encontramos com Deus. Nos encontramos com Deus em tantas realidades, mas, devemos aprender a percebe-lo e experimenta-lo. Dom Lindomar realizou essa experiência diversas vezes e de modo especial há seis anos, quando recebeu o barrete cardinalício. Desde lá, se empenhando para que os outros também faça essa experiência, deve ser tido pelos mais jovens como um exemplo de empenho e de fidelidade. Os arcebispos que hoje levam os seus pálios para serem impostos em suas arquidioceses devem favorecer lá uma cultura do encontro. O encontro deve se dar com os que estão afastados. Hoje, tive oportunidade de ler um comentário em uma rede social, onde o irmão dizia que o nosso erro como Igreja no Habbo Hotel foi nos esforçarmos tanto para chegarmos aos leigos. Me pergunto se vale a pena vivermos uma Igreja só de rosto, com muitos clérigos, sobretudo bispos e cardeais carreiristas e antissociais que não sabem fazer vida de comunidade. Por outro lado, não precisamos ser rosto que atraí os outros para Cristo? Aos que desejam uma análise de conjuntura sobre nossa situação atual, com poucos padres, eu respondo com simplicidade: desde o dia que descobrimos o que somos, nunca mais seremos os mesmos. Nós nos tornamos muito mais exigentes conosco mesmo e com os outros. Nós descobrimos para onde devemos ir e esse "onde" não é em busca só de clérigos a qualquer custo para encher uma "Igreja de Sacristia". A maturidade de nossa Igreja nos trouxe uma crise, pois os que não experimentaram Jesus querem sempre mais cargos e títulos e nunca mais ofícios e trabalhos. Se não fizermos a experiência de Deus no pouco que Ele nos dá e nos concede, jamais iremos realizar essa experiência no muito que ele está disposto a nos entregar. 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

30.07.2021 - Festa do Estabelecimento da Cátedra

Irmãos, estamos celebrando os 15 anos daquele dia em que os nossos fundadores decidiram conceder a nossa Igreja um pai e pastor. Nossos fundadores, inspirados por Cristo, sabiam que a Igreja precisava de alguém que fosse timoneiro dessa barca. Sabemos que o Sumo Pontífice em nossa Igreja não partilha da complexidade do ministério Petrino que ghozha o legítimo sucessor de Pedro. Ainda assim, termos um Bispo de Roma nos concede a firmeza de caminharmos rumo a uma direção na unidade. A função do Santo Padre em nossa Igreja sempre foi a de nos fortalecer no vínculo da unidade. Sobretudo nos momentos onde a unidade da Igreja foi rompida, vimos fortes pontífices que garantiram que o Corpo de Cristo permanecesse íntegro, apesar dos seus traidores. Nomes como o do Magno Pio V constam na nossa lista dos papas como verdadeiros homens que foram pedras, rochas firmes, que guiaram a nossa Igreja. Ao mesmo tempo, nomes como o Anti-papa Paulo IV nos mostram a frouxidão e a podridão dos que hipocritamente guiaram a nossa cátedra com uma visão política e humana, e não como agentes e construtores do Reino dos Céus. Com os bons e maus pontífices de nossa história, construímos a bonita Igreja que temos hoje. E precisamos trabalhar e construir o futuro de nossa Igreja. Hoje deveríamos estar formando os futuros sumos pontífices, futuros bispos e cardeais, a futura hierarquia de nossa Igreja. O futuro está em nossas mãos. Podemos estar formando bons ou maus pastores e corremos o risco de nem mesmo estarmos formando algo. Precisamos trabalhar na formação nossa e do futuro clero. Não podemos falar de novos cardeais e novos bispos enquanto não tivermos novos padres. O futuro da Igreja é este: formarmos os presbíteros, para escolhermos bispos dentre os nossos presbíteros e cardeais dentre os nossos bispos e no futuro um destes se assentará nesta cátedra. Se não formos nós a construirmos este futuro, permaneceremos estagnados. Esta cátedra é sinal da unidade e celebrarmos o estabelecimento dela por Gregório XVII é celebrarmos a nossa unidade e a construção da nossa Igreja. E Cristo irá coroar a nossa obra, pois a obra é Dele e nós somos seus trabalhadores, tendo o Sumo Pontífice como o mestre de obras. Construamos o Reino de Deus. Assim seja! Amém.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

29.07.2021 - Abertura da Vigília de Oração pela Igreja

 Irmãos e irmãs, é preciso crer para ver a ação do Senhor acontecer. Estamos celebrando a memória de Santa Marta e de seus irmãos, Santa Maria e São Lázaro. Jesus tinha o costume de estar próximo daquela família. Ainda assim, quando Lázaro vem a falecer, Marta e Maria ainda não tinham compreendido o que era estar perto do Senhor. Marta olha para o que é humanamente possível. E diz a Jesus que acredita na ressurreição no último dia. Marta não consegue ter a visão espiritual de que para Deus nada é impossível e que Jesus era Deus. Para Jesus nada seria impossível. Marta não tinha entendido esse glorioso mistério e o próprio Jesus precisou se revelar para Ela. E, quando Ele se revela, ela crê. Crendo que Jesus é Deus, Marta pode ver a ressurreição de seu irmão. E, meus queridos irmãos e irmãs reunidos nessa noite. Eu vos pergunto: Quantos dos seus sonhos você vem deixado morrer? Quantas realidades na sua vida vivem como que mortas, por que você não as confia ao Senhor? Por mais quanto tempo você vai deixar essa morte, essa tristeza, esse desânimo agindo dentro de você e existindo em você? Crê e confia, irmão e irmã, crê e confia em Jesus Cristo. As nossas doenças físicas e espirituais, e as doenças com as quais convivemos como Igreja, podem ser curadas por Jesus Cristo. Mas, nós não o procuramos. Ainda vemos Jesus com um olhar muito humano e não confiamos que Ele possa nos libertar de tantos males. Precisamos acreditar que Ele é Deus e age como Deus em favor de cada um de nós. Crendo, tomaremos posse das curas, das libertações, das bênçãos, na vida pessoal e na vida de Igreja. Não esperemos para crer amanhã. Creiamos agora. Ressuscitemos, agora, tudo aquilo que está morto dentro de nós. Ressuscitemos sonhos, projetos, pessoas que deixamos morrer em nossos corações. Ressuscitemos a fé em Deus e a confiança nele e tomemos posse da graça, da cura, da benção e da ressurreição que Ele nos concede.

domingo, 25 de julho de 2021

25.07.2021 - XVII Domingo do Tempo Comum

Irmãos, o preço da nossa Salvação é demasiadamente elevado. Neste Ano Litúrgico B, de São Marcos, damos uma pausa na leitura do Evangelho de Marcos e nos voltamos para o Evangelho de São João, tendo em vista que o texto de Marcos é curto. Nós ouvimos no texto bíblico de São João a multiplicação dos pães. Devemos observar que nem mesmo duzentas moedas de prata poderiam alimentar toda aquela multidão que estava ali para ouvir Jesus. Lembremo-nos que quando Judas Iscariotes vende a Jesus, ele o faz por trinta moedas de prata. O pão com o qual Jesus ia saciar a multidão valia muito mais do que o preço da sua própria vida. De fato, o pão que o povo comeu naquele dia era prefiguração do pão Eucarístico que seria partido e repartido nos altares do mundo. Com a multiplicação dos pães, Jesus adianta a sua hora. Sim, pois a Eucaristia está diretamente conectada com a hora da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Podermos celebrar a Eucaristia nos garante dignidade e libertação. Naqueles tempos, só podia sentar-se o homem livre. O homem escravo, o servo, tinha a obrigação de permanecer em pé diante de seus senhores. Jesus manda que o povo se sente. A Eucaristia concede-nos dignidade. Sermos participes da Ceia do Senhor nos concede libertação da escravidão do pecado e nos reconhece como pessoas. Entorno da Ceia do Senhor não há escravos ou livres, ricos ou pobres, brancos, pretos, amarelos ou pardos, nem mesmo pecadores ou santos. Aqui, somos um só Corpo e um só povo, todos iguais. Junto do Altar do Deus da vida somos todos o povo liberto que diante dos seus olhos vê Jesus repetir aquele mesmo gesto de pegar o pão, elevar os olhos ao céu, dar graças, partir e o dar aos discípulos para que nós possamos comer Dele. Cristo é pão dos pobres, famintos e necessitados. Mas, não dos que tem fome e sede das coisas deste mundo, apenas. Ele é pão que sacia a fome mais intensa que o ser humano sente que é a fome de Deus. Nossos anseios, projetos e sonhos, o que temos e somos, nada disso nos realiza completamente, nos sacia completamente. Arthur Schopenhauer fala exatamente sobre essa nossa busca de felicidade nas coisas e quando conseguimos o que desejávamos, retornamos a infelicidade. Só Cristo sacia completamente o ser humano e seu coração. Mas, para isso, precisamos entrar em comunhão com Ele. De tal modo, disse Bento XVI: "a transformação da substância do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo é fruto do dom que Cristo fez de si mesmo, dom de um Amor mais forte que a morte, Amor divino que o fez ressuscitar dos mortos. Eis porque a Eucaristia é alimento de vida eterna, Pão da vida." Entremos em comunhão com Cristo por meio da participação neste Banquete da Vida e Libertação. Assim seja! Amém.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

22.07.2021 - Solenidade Jubilar

Exulte e se rejubile, Igreja Santa, cante e se alegre no Senhor Jesus Cristo, pois há 15 anos desempenhamos nossa missão neste hotel. Esta é a noite de uma das nossas grandes celebrações como Igreja, pois é o dia de nossa fundação. Graças a Vinicius Soares, Vitor Severino e Carlos Cardozo o anúncio da grande razão da nossa fé, a encarnação, paixão, morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo chegou ao nosso Hotel. Essa parcela do povo de Deus que muitas vezes caminha por esses quartos pode conhecer a Jesus Cristo pois aqueles três jovens, inspirados pelo Espírito Santo, tiveram coragem de estabelecer, aqui, a Igreja Católica Romana. Nós, reflexo da Igreja da realidade, levamos as pessoas a conhecerem e se apaixonarem pelos nossos ritos e celebrações e, sobretudo, pela incrível e maravilhosa memória do mistério da Salvação e pelo próprio Senhor Jesus. Nós temos essa missão de, pela vida e palavra, fazermos que todos se apaixonem por Jesus Cristo. 
OLHA PRA QUEM ESTÁ DO SEU LADO E DIGA:
SE APAIXONE POR JESUS!
Esta Igreja, que fermentou tantas vocações para a Igreja da realidade, também foi instrumento de aproximação de tantos outros com Jesus. Ele é a razão de nosso anúncio e razão de nossa alegria. De fato, com beleza canta o nosso Hino Jubilar: é tempo de agradecer. 
REPITA COMIGO:
É TEMPO DE AGRADECER!
Exultantes e jubilosos, nós agradecemos a Deus por todas as maravilhas que operastes na História da humanidade, pela maravilha ainda maior da nossa Salvação e nos chamar para fazer parte da Igreja Católica Apostólica Romana e por nos permitir desempenharmos esse nosso ministério como povo sacerdotal neste hotel. Como batizados, aqui, desempenhamos nosso sacerdócio batismal, oferecendo a nossa vida a Deus e somos profetas, como anunciadores de sua Palavra. O Senhor nos chamou das trevas para a luz em Jesus Cristo e fez Dele a Pedra Angular da nossa Igreja. Assim, o próprio Deus mora conosco, nós que somos reflexo da Jerusalém Celeste. Enfeitemo-nos, portanto, com a santidade e com nosso amor, para alegrarmos a Jesus Cristo, nosso esposo. Somos sua Igreja, sua Esposa, o povo que Ele conquistou com seu Sangue quando venceu e aniquilou a morte, quando Ele fez nova todas as coisas em sua Eterna Vitória. 
REPITA COMIGO:
CRISTO É VITORIOSO!
REPITA:
A IGREJA É VITORIOSA!
Por isso, pedimos que Jesus continue a rezar por nós, como rezou ao Pai pelos seus discípulos. Deste modo, nós, que fomos batizados e enviados, queremos continuar unidos apesar das dificuldades; fiéis a vocação a que fomos chamados; consagrados na verdade; reflexos da glória de Deus; enviados para o anúncio do Reino; e cheios do amor uns pelos outros e por Deus, pois o Amor nos trouxe até aqui e nos levará adiante. 
REPITA COMIGO: 
O AMOR NOS TROUXE ATÉ AQUI!
REPITA DE NOVO:
O AMOR NOS LEVARÁ ADIANTE!
Assim seja! Amém.

terça-feira, 20 de julho de 2021

21.07.2021 - Celebração Ecumênica

Irmãos, o Amor amou até o extremo. Quando pensei nesta celebração ecumênica, para nos unirmos celebrando os 15 anos da fundação da Igreja no Habbo Hotel, não tive outra intenção senão a de nos unirmos no amor. Sabemos que nesta gloriosa história da Igreja, desde aquele 22 de Julho de 2006 muita água passou por baixo dessa ponte que é a Igreja. Muitas brigas e muitas divisões ocorreram. Se hoje estamos separados, é porque essas divisões macularam a nossa história e as feridas permanecem até hoje. Infelizmente assistimos, muitas vezes, ataques de membros de um clero contra os de outro clero e só consigo me questionar porque permitimos que isso ocorra. Somos irmãos. Foi da fundação da Igreja por Gregório XVII neste hotel que brotaram, também, outras Igrejas em outros hotéis. Ora, não viemos, então, todos de um mesmo lugar? Ainda mais, não estamos todos reunidos num só Senhor? Penso que, a cada vez que celebramos a Eucaristia e dizemos que bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo, deveríamos nos lembrar que fazemos parte deste amor. Somos o povo que brotou do amor do Cristo Imolado, Crucificado, Morto e Ressuscitado, banhados com um só Batismo. Fomos, por Jesus, inseridos no grande mistério do amor. Quando Ele lava os pés dos discípulos, prefigura com eles o seu sacrifício redentor, que nos reuniu no amor. Por isso, o Senhor nos deu o mandamento do amor. Amar como Ele amou, é amar até o extremo. Jesus é Deus e Deus é amor. Amar como Ele amou é, para nós, paradigma da nossa santidade e da nossa Salvação. Jesus deu-nos, na Ceia, este mandamento novo que é estabelecido em seu Corpo e Sangue, que são nova e eterna aliança. A aliança nos refez como povo de Deus. Todos nós, independente da Igreja que fazemos parte, somos membros do único povo de Deus. Então, devemos viver nesse único amor e amarmo-nos uns aos outros. Não há outro meio de reconhecerem que somos seguidores de Jesus, se não nos amando. Bento, Paulo, e todos os membros das outras Igrejas, eu vos amo. Digo isso sem intenção de fazer um espetáculo, mas, com sinceridade de coração: vos amo. Precisamos, irmãos, como pede Papa Francisco, sermos construtores de pontes e não de muros. Eu tenho um sonho. Meu sonho é que nossas Igrejas superem todas as divisões e se unam completamente. Enquanto este sonho está distante, dadas as diversas circunstâncias que bem sabemos, não nos cabe fazer outra coisa se não nos amarmos uns aos outros. Na noite da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, o Senhor Jesus nos deu este mandamento de nos amarmos. Que nós, povo sacerdotal nos nossos hotéis, e aqui no Habbo reunido há 15 anos, possamos nos amar verdadeiramente. O amor mútuo nos une a Cristo e Cristo nos une como irmãos. Assim seja! Amém. 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

20.07.2021 - Dedicação de São Clemente Romano

Irmãos, a alegria brotará nos que adoram a Deus em espírito e verdade e será a nossa força. Quando o povo de Deus viveu a experiência de ser exilado na Babilônia, sentiu a experiência de estar distante de Deus. O templo, em Jerusalém, havia sido profanado e destruído e os sacrifícios haviam ficado para trás. O povo foi afastado de tudo que lhe era mais sagrado: o templo com seus sacrifícios e a lei de Deus. Quando retornam à Jerusalém, eles sentem que não tem onde adorar a Deus. Então, Esdras, sobe um pequeno palanque, lê o livro da lei. Isso traz ao povo uma nova esperança. Neemias os manda celebrar aquele dia, pois o próprio Senhor há de ser a sua força. Sabemos que, com Zorobabel, alguns anos depois, se iniciará a reconstrução do Templo, que tem seu lugar de importância. Mas, naquele momento, o mais importante era que o povo se alimentasse da Palavra do Senhor, que é capaz de trazer vida e esperança. O Templo só serviria ao povo, verdadeiramente, se este já estivesse próximo do Senhor. Não era o novo templo que santificaria o povo de Deus. Pelo contrário, é o povo que santificaria o novo templo com os seus sacrifícios e seus atos de fé em Deus. Justamente por isso, falando com a Samaritana, Jesus reforça a importância de, sim, adorar no templo. As igrejas são os locais próprios da adoração e da reunião da comunidade como assembleia litúrgica. Mas, nós devemos adorar a Deus em Espírito e verdade. Não nos vale vir aos templos, às Igrejas, de coração vazio, fechado, sem o mínimo anseio por Deus. Vir a igreja e dedicarmos essa igreja nesta tarde, só faz sentido se formos adoradores de Deus em Espírito e verdade. Isto é, se nós já nos tivermos dedicado a Deus. Não esperemos, deste templo de pedras, a nossa santificação. Pelo contrário, o santifiquemos pelas nossas ações e pelo nosso encontro com o Deus amor que aqui se dará no pão da Palavra e no pão Eucarístico. Mas, adorarmos em espírito é difícil. Por isso, São Clemente Romano nos ensinou que o meio para fixarmos os olhos em Deus, é os fixarmos no Senhor Jesus Cristo. Hoje, dedicamos a Deus este templo em honra de São Clemente I ou São Clemente Romano. Ele foi o quarto Bispo de Roma, depois de São Pedro, São Lino e São Cleto. Foi autor de inúmeros textos e talvez seja o autor da Carta aos Hebreus que temos no novo Testamento. Clemente foi, verdadeiramente, envolvido com a pastoral e sua carta aos coríntios que estavam se dividindo demonstra o valor de permanecermos unidos com a Igreja. Que esta Catedral de Velletri-Segni também seja sinal da nossa comunhão como uma só Igreja, Católica e Romana, feita de homens e mulheres que santificam esse templo e toda a igreja, com a verdadeira alegria e força de Cristo, pois adoramos a Deus em espírito e seu Espírito nos plenifica. Assim seja! Amém.

domingo, 18 de julho de 2021

18/07/2021 - XVI Domingo do Tempo Comum

Irmãos, Jesus Cristo é o nosso supremo pastor. Ele nos fez um só rebanho sob seu pastoreio. Não nos fez com separações, embora nós nos separemos. Nós, homens e mulheres, construímos muro de divisão por raça, pela região de origem ou por orientação sexual, e, de modo especial, por religião. Fomos nós, homens e mulheres, que separamos a Igreja de Cristo, por exemplo. Não foi Deus quem fez a divisão e nem podemos culpar só o diabo. Quantos homens e mulheres foram verdadeiros diabos, divisores, e causaram divisões no Corpo de Cristo? O Senhor nos fez unidos e nos separamos, nos distanciamos da voz do Pastor para ouvir a nossa própria voz, a voz da divisão. Essa semana, por exemplo, o Motu Proprio que limita a celebração da Missa segundo os ritos anteriores a 1970, trouxe grande conturbação à Igreja. Houveram pessoas que foram contrárias a essa decisão e se rebelaram contra o Sumo Pontífice, e causaram novas divisões. Aliás, as divisões foi o que motivou a decisão do Motu Proprio. É o risco, sempre, de seguirmos a própria voz e vontade e não a do Bom Pastor, Jesus Cristo.  Nossos tempos nos querem fazer um rebanho sem pastor, como era o rebanho dos tempos de Jesus. Era um rebanho cansado e exausto das leis e dos mestres das leis, dos fariseus que já não atingiam os corações. Nós, hoje, também nos cansamos das vozes do mundo, da mídia, do mercado e precisamos ouvir uma voz que deve falar ainda mais alto ao nosso coração, que é a voz do Cristo Senhor. Irmãos e irmãs, ouçamos a voz do Pastor. Não somos um rebanho sem pastor, temos um pastor e este é Jesus Cristo. Agora, porém, volto-me de modo especial aos diáconos, presbíteros, bispos e cardeais: ai de vós que deixam o rebanho se perder. Nós podemos até descansar, como Jesus chamou seus discípulos a descansarem. Mas, não podemos desistir. Descansar, sim, mas, desistir, não. Muitos clérigos, com a desculpa de descansarem, nestes tempos, estão desistindo. Procuram motivos para se desanimar, mas, não procuram motivos pra se animar. Mas, lembrem-se, que quando nosso Senhor atravessou o mar com os discípulos, eles estavam tão cansados, tão cansados, tão querendo desistir, que mal remavam e deixavam que só o vento levasse o barco. Enquanto isso, o povo corria ao encontro de Jesus. Mesmo querendo descansar, os discípulos descem do barco e Jesus começa a pregar. Cuidado, vós que sois pastores, não desanimeis, não descuideis do rebanho. Se não, vosso rebanho e ofício, como o Senhor já profetizara por Jeremias, o rebanho será tirado e será entregue a novos pastores. Vós, cardeais sereis exonerados. Vós bispos e presbíteros, demitidos. Vós sereis castigados e vossos lugares serão dados a novos pastores, que estão dispostos a cumprir a missão que vós, com preguiça e desanimo, que perdidos, não souberam cumprir.