domingo, 17 de outubro de 2021

17.10.2021 - XXIX Domingo do Tempo Comum

Queridos Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Dom Wesley Ravassi Cardeal Médici, que hoje comemoram seu aniversário de criação cardinalícia: Dom Snaif, 3 anos e Dom Wesley, 1 ano. Agradeço em primeiro lugar o convite para pregar nesta noite. Irmãos e irmãs queridos, a Liturgia deste domingo vem na dinâmica do serviço. Jesus Cristo aparece para nós como o grande servidor. Seu serviço é a cruz. É sobre isso que está falando o autor da carta aos Hebreus e é isto que Isaías prefigurava: Cristo, o servo de Deus. A vida de Cristo foi toda doação de serviço. O máximo de seu serviço seria a sua própria Paixão e Morte para que o ser humano fosse libertado da escravidão do pecado e da morte. Aquele que não tinha pecado, se fez pecado por nós. No Evangelho nós estamos acompanhando Jesus que sobe para Jerusalém. O Senhor está indo para a morte. Ele já havia anunciado aos seus discípulos que iria morrer e os discípulos, naquele momento, estavam preocupados com quem seria o maior e quem seria o menor. Jesus, então, colocou uma criança e disse que deveríamos ser como crianças para entrar no Reino dos Céus. Mas, o que os discípulos entenderam disso? Nada... bulhufas! A preocupação deles, enquanto o mestre sobe para Jerusalém, é quem vai se sentar a direita e a esquerda. Se eles pedem isso na perspectiva de que Jesus será o novo Rei de Israel, nós podemos compreender que o que os discípulos estão fazendo é nada mais e nada menos do que dividindo os ministérios do governo de Jesus. Eles querem é saber quem vai ter o posto mais importante, de maior destaque. Os discípulos estão preocupados, como muitos de nós hoje, com quem vai ser o maior, quem vai ser o menor, quem vai ser o prefeito da congregação X ou o arcebispo de Y. A preocupação dos discípulos está muito longe do que era a preocupação de Jesus. Precisamos tomar cuidado, queridos irmãos e irmãs, pois corremos o risco de estarmos, também, acompanhando Jesus para ser crucificado e preocupados com o lugar que teremos em sua glória. Mas, Jesus nos destaca, que dentre nós não deve ser assim. É bonita esta expressão de Jesus: "entre vós, não deve ser assim". Nós devemos ser a diferença num mundo que quer permanecer na briga de poderes. Devemos ser diferentes dos sistemas atuais que não só oprimem os que são inferiores numa cadeia de poder, mas, fere o desejo de Jesus Cristo para nós. São Paulo VI em seu belíssimo discurso numa igreja romana, lembrava que ele deveria ser mais servidor. De fato, a palavra de Jesus é dura, pois nos chama a sermos escravos uns dos outros. A escravidão é sempre a perca da liberdade. Precisamos deixar de lado, portanto, as nossas escolhas, as nossas opções, as nossas preferências, aquilo que queremos, para podermos servir a Igreja, a Deus e aos outros. Queridos Dom Jorge, Dom Wesley e demais irmãos aqui presentes: quantas vezes nós, como Igreja, como hierarquia, não precisamos renunciar as nossas vontades por um bem maior? Hoje falam de nos destruir, pois de algum modo, há quem julgue-nos como corruptores. Mas, pensemos bem na história e vejamos como existiram e ainda vão existir, grupos preocupados com o seu interesse pessoal, se terão lugar ou não a direita ou a esquerda de um papa. Depois de 7 anos no clero, irmãos, eu vos digo: não importa. Nada disso importa. Mas, alguns ainda se prendem a isso. Porém, proponho aos aniversariantes e aos demais cardeais presentes, como também a mim, uma reflexão: se não fossemos cardeais, será que ainda estaríamos aqui servindo a Igreja? Vimos tantos que, pela perca de um vermelho, abandonaram todo o seu discurso, a sua história e o pouco de moral que lhes restava, em troca de uma ideia fantástica, de uma ilusão, que no fundo não passa de uma fuga. Fuga esta que é a fuga de si mesmos. Corremos o risco dessa mesma fuga: fugirmos da nossa incapacidade de sermos servidores, ao invés de encararmos de frente, quebrando nosso orgulho e soberba, para contemplarmos no serviço a ação constante de Deus. Sejamos, queridos irmãos, servos. Como diz Papa Francisco: quem não vive para servir, não serve para viver. Sejamos, irmãos, próximos, como destacava Papa Francisco hoje pela manhã, do povo, dos sacerdotes, dos irmãos no episcopado e de Deus. Fortaleçamos a nossa comunhão no serviço que nos une a Cristo Jesus. Assim seja! Amém.

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