Beatíssimo pai, papa Paulo, caríssimos irmãos e irmãs em Cristo, estamos celebrando esta liturgia segundo o uso anglicano. Este rito, que a Igreja anglicana guardou e desenvolveu por muito tempo, traz muitas características das liturgias mais antigas da Igreja, dos tempos onde cada diocese tinha seu missal. De fato, o rito na Igreja só foi unificado na maior parte das dioceses com o Concílio Tridentino, respeitando apenas aqueles ritos que já tinham mais de duzentos anos de existência. Mas, por uma infelicidade do destino, nossos irmãos anglicanos, a Igreja da Inglaterra, já tinha se separado por causa dos interesses de Henrique VIII. Ainda assim, muitos de nossos irmãos mesmo separados, manteram íntegra a fé apostólica, a tradição da Igreja e vieram persistindo numa fé íntegra. Eles guardaram a verdadeira Aliança na ortodoxia da fé. Por isso, chegando o pontificado de Bento XVI, foram acolhidos muitos anglicanos de volta ao seio da Igreja Romana, e manteram-se celebrando este formidável rito, com todas as suas comunidades. Isto, irmãos, manifesta para nós o grande objetivo da comunhão. Mesmo celebrando ritos diferentes, mantemos uma mesma comunhão no mesmo Corpo e mesmo Sangue do Senhor, que todos nós cremos.
quinta-feira, 20 de julho de 2023
domingo, 16 de julho de 2023
17.07.2023 - Divina Liturgia
Beatíssimo pai, Paulo V, estimados irmãos concelebrantes e demais que oficiam nesta celebração, amados irmãos e irmãs, estamos iniciando os festejos do décimo sétimo aniversário de nossa Igreja, que será celebrado com esta terceira semana litúrgica. Enquanto prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, tenho a grande honra de dar a abertura para esta nossa semana e para os festejos de nosso aniversário. Esta semana litúrgica tem um intuito: prosseguir com o desejo do Concílio de Jerusalém de estimular a variedade da liturgia. E, com isso, esperamos fomentar o gosto pela liturgia e a admiração pela beleza da celebração deste mistério de amor que é a Eucaristia, aumentando até mesmo a nossa percepção da beleza do próprio rito romano. Esta Divina Liturgia é o modo da maioria dos nossos irmãos orientais de celebrarem a Eucaristia. Percebamos que é um rito longo, cheio de orações e gestos muito próprios. É uma liturgia extremamente suplicante. E, por mais que nós rezemos em honra a São Pedro e São Paulo, permitam-me falar sobre o autor desta Divina Liturgia: São João Crisóstomo. Quando pensamos num liturgo como ele, corremos o risco de não entender a profundade de sua liturgia e da sua compreensão do mistério. Mas, certo dia, os fiéis ao chegarem para a Divina Liturgia que este santo iria presidir, se depararam com uma placa escrita que naquele dia não haveria Eucaristia, pois um dos irmãos da comunidade havia morrido de fome. São João Crisóstomo entende que a Eucaristia não é apenas um rito, a liturgia não é apenas um rito, mas deve ser um reflexo da nossa vida. Nesse sentido, se aquela comunidade deixou um irmão morrer de fome, como agora ela poderia se alimentar do Corpo de Cristo? Seria muita hipocrisia. Irmãos e irmãs, nossa preocupação com a liturgia deve, sim, ser grande. Mas, não podemos ser rubricistas. Devemos encarnar a liturgia na nossa vida e fazer da nossa vida uma liturgia de amor. Toda a vida de Cristo foi uma liturgia: desde a encarnação, passando pela Páscoa, até a ascensção, mas também cada cura, cada milagre, cada pregação, cada refeição. Assumirmos uma vida litúrgica é deixarmos que nossa vida se transforme pelo mistério que celebramos. Sim, mistério. Pois cada vez que aqui estamos o céu e a terra trocam seus dons e nós entramos no grande mistério do amor de um Deus que se comunica pela Palavra e pela Comunhão. É tão triste que em nossos tempos, liturgia vire motivo de tantas brigas. A liturgia simplesmente deve ser seguida com fidelidade e amor. Conhecer estes ritos que celebraremos nesta semana deve nos ajudar a perceber que nunca houve na Igreja uma única forma de celebrar Eucaristia, embora hoje alguns queiram afirmar a superioridade de uma liturgia com argumentos inválidos, esquecendo-se até mesmo do que Jesus disse no Evangelho que ouvimos: Pedro liga e desliga. Irmãos e irmãs, toda liturgia corre o risco de se tornar palavras ao vento quando não alcança o íntimo da pessoa humana. Que Deus não permita que celebremos uma liturgia vazia de sentido e de vida, que não nos deixe nos tornarmos escravos de uma ideologia litúrgica; mas, que nos introduza em seu mistério de amor e comunhão, transforme nossa mentalidade e nossas ações, nos conceda a graça de experimentar já na terra a liturgia celeste; e a nós, aqui no habbo, nos dê a graça de que por meio da liturgia, possamos evangelizar, pois - como me recordaram de uma frase dita por mim há três anos - que cada pessoa que nos veja celebrando, lembre-se que há um Deus e Ele está no meio de nós. Assim seja! Amém.