quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

02.02.2024 | Festa da Apresentação do Senhor

"O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e nem sequer o coração humano imaginou, isto é o que o Senhor tem preparado para aqueles que o amam". Eminentíssimo Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, decano do Colégio Cardinalício, eminentíssimos senhores cardeais, excelentíssimos e reverendíssimos aqui presentes, amados irmãos e irmãs, celebramos hoje a Festa da Apresentação do Senhor, que também comemora o dia de Nossa Senhora da Candelária. Hoje, no quadragésimo dia após o Natal, Maria e José sobem ao templo para apresentar Jesus, como ordenava a lei. Jesus que já era circuncidado, agora vai junto de seus pais para o oferecimento do sacrifício. Um primeiro sinal que deve chamar nossa atenção na liturgia de hoje é o trânsito, o caminhar. Nossa Senhora e São José que levam o menino ao templo e o de Simeão que vai ao templo. Irmãos e irmãs caríssimos, não é possível haver encontro se permanecermos imóveis. O encontro de Cristo Luz que ilumina o seu povo só é possível se formos ao encontro de Cristo, e o próprio Cristo vai ao nosso encontro. Mas, ele não percorre o caminho todo sozinho. Ele também espera a nossa iniciativa de ir ao seu encontro. E Simeão, movido pelo Espírito Santo, vai ao templo, e lá se encontra com o Senhor. E, se o movimento para o encontro é importante, ainda maior é o que ele causa, o segundo sinal de nossa liturgia: ele, o encontro, ilumina. Se este encontro com o Senhor não ilumina a nossa vida e a nossa história, os nossos caminhos de agora em diante, nós ainda não nos encontramos com ele, de fato. E nossas igrejas estão cheias disso: de gente que tem uma vida de fé até boa, pratica a moral, trabalha na comunidade, mas lhe falta ainda deixar-se iluminar por Cristo. Quem se deixa iluminar por Cristo não vai ser isento de momentos de trevas, de pecado, mas, vai sempre saber em qual direção olhar, e qual é a luz que ilumina a sua vida. Simeão teve toda sua história iluminada pelo Senhor, por isso, agora podia partir em paz. Ele viu em sua história a ação de Deus e a ação de Deus agora concretizada no Cristo. Que todos os dias, ao rezarmos as Completas, no cântico de Simeão, nos perguntemos: Hoje, Cristo me iluminou? Eu me permiti ser iluminado por ele? Eu iluminei os outros, como Ana, que saiu falando a todos os que esperavam a libertação sobre o menino Jesus? Se sim, que o Senhor nos deixe ir em paz, ao menos para nossas camas, pois aquele dia foi um dia bem vivido. Um terceiro sinal nesta liturgia, porém, parece contraposto a este da luz, e é o sacrifício. A família de Jesus vai ao templo para cumprir a lei e oferecer um par de rohlas ou dois pombinhos. Primeiro que este não era o sacrifício normal. Este é o sacrifício dos pobres, dos que só tem condições de comprar isso e não um boi ou um carneiro. Mas, além deste simples sacrifício, que nos mostra que para Deus basta o pouco que temos a oferecer, há dois importantes sacrifícios aqui manifestos: o de Maria, que se une ao seu Divino Filho e tem a espada que lhe transpassará a alma; e o de Jesus. Os sacrifícios dos animais ainda são prefigurativos e só cumprem a lei prefigurativamente. Jesus Cristo é a própria lei e como aquele que cumpre plenamente a lei, ele próprio se faz sacrifício. Olharmos para o menino Jesus, ainda bebê, é olharmos para a segunda pessoa da Santíssima Trindade que se fez homem dar a vida por amor a nós, para nos reconciliar com o Pai. Sua existência humana já é um sacrifício e ainda mais será sacrificado quando ele se oferecer na cruz, e do mesmo modo que os dois pombinhos foram um sacrifício para apresentá-lo no templo, Jesus é o sacrifício que sobe ao céu para apresentar cada um e cada uma de nós ao Pai. Nesta festa, somos chamados a irmos ao encontro de Jesus, sermos iluminados por ele, iluminadores para os outros, vivendo uma vida digna na nossa condição humana, dignidade esta que custou o sacrifício de Deus, até o dia que pudermos oferecer as nossas próprias vidas como sacrifício ao Pai no céu. E que o nosso próximo pontífice, que amanhã entraremos em conclave para eleger, faça o suave sacrifício de sua vida enquanto nos ilumina como Igreja nos caminhos do Senhor, e nós, irmãos cardeais, votemos sabendo que em nossa missão de ajudarmos o futuro Sumo Pontífice, precisaremos também ser sacrifício com ele. Irmãos e irmãs, que a chama de nossas velas queime-nos, na graça do Espírito Santo, como sacrifício ao Pai, pois não há amor sem sacrifício. Assim seja! Amém.