Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia! Verdadeiramente ressuscitou, aleluia, aleluia! Amados irmãos concelebrantes, amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a noite santa em que nosso Senhor Jesus Cristo, vencendo o pecado e a morte, ressurge vitorioso do sepulcro. Esta é a noite em que outrora Deus criou o mundo e o ser humano, e agora recriou no seu Cristo; é a noite em que nós fomos poupados da morte, como Isaac; é a noite em que nós fazemos a experiência de sermos libertos dos grilhões dos pecados como o antigo povo de Deus passa pelo mar na fuga do Egito e nós passamos pelo mar no Batismo; é a noite em que Deus que nos abandonara volta a acolhermo-nos; é a noite que nos aproximamos do banquete a nós preparado desde a eternidade; noite em que nos é dado conhecer o que agrada a Deus; noite em que é arrancado de nós o coração de pedra e é dado um novo coração de carne; noite do Batismo; noite de trevas que é rompida pela luz do Cristo Ressuscitado. Irmãos e irmãs, nós fomos criados para esta gloriosa noite, existimos para essa grandíssima noite e por causa desta santa noite. Não que o que aconteceu foi mais importante do que qualquer evento anterior: pela paixão e morte de Cristo o preço do nosso pecado foi pago, mas agora nós recebemos também a vida nova. Jesus Cristo ressuscita não para o tempo e a história, mas, para a glória, em corpo glorioso. Seu corpo glorioso, porém, deixa-se ser visto e até tocado. E qual é o convite do Ressuscitado? Alegrai-vos. Sim, irmãos e irmãs, enchamo-nos de alegria e partamos para este feliz anúncio da Ressurreição. Este anúncio não é uma repetição de um evento do passado, mas é a certeza de uma salvação que acontece no hoje de nossa história. Anunciar que os outros se dirijam a Galiléia, é anunciar a esperança, anunciar a paz, anunciar um novo tempo que é o tempo da chegada do Senhor. A Galiléia é onde tudo começou e para onde tudo culmina, para nós, ela é o próprio Cristo. Viver a Ressurreição hoje é um convite a não só olharmos para este grande mistério do amor, mas também sermos partícipes da vida nova e renovada em Cristo, renovando nosso Batismo, nosso compromisso, e o dom de Deus em nós. Complete-se, agora, a Páscoa em nós: passemos da morte para a vida em Deus. Sim, Ele verdadeiramente ressuscitou, aleluia, aleluia!
sábado, 8 de abril de 2023
quinta-feira, 6 de abril de 2023
06.04.2023 - Missa Vespertina da Ceia do Senhor
Amados irmãos concelebrantes, estimado Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Bispo Titular desta Igreja de Palestrina, irmãos e irmãs, estamos reunidos na abertura do Tríduo Pascal. Este Tríduo não prepara a Páscoa do Senhor, ele é a própria Páscoa do Senhor. Lembremo-nos que Páscoa é passagem, e nós iniciamos esta passagem do Senhor que não é apenas da morte para a vida eterna, mas também da vida para a morte e depois desta para a vida, não mais a mesma vida, mas, a vida em plenitude. Quando lemos nesta tarde o livro do Êxodo, percebemos todo o simbolismo de uma ceia que era celebrada em sinais prefigurativos. De fato, o sangue daqueles cordeiros não agradava o Senhor. Àquela celebração era útil, sim, para que o povo não se esquecesse da aliança. Mas, sequer a aliança alcançara a plenitude. A aliança encontra sua plenitude no Cristo, que a institui nova e eterna no seu Corpo e Sangue, não mais como memória, mas como memorial. Parece-nos, aqui, que o Pai é um Deus sangrento que se agrada com os sacrifícios. Na verdade, essa visão antiga permanece no imaginário do povo de Israel, porém, o sacrifício verdadeiro é o sacríficio do coração, que transborda em serviço. Foi neste sentido que Jesus Cristo ofereceu-se em sacrifício: para nos servir. Seu serviço por nós foi a reconciliação com o Pai. Se a humanidade pecara pela desobediência, Cristo nos reconcilia fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz. Ele é o fiel que paga o preço das nossas infidelidades. E nós ouvimos, na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios a primeira narrativa da instituição da Eucaristia que é o derramamento do amor do Cristo. Ele sabia que estava no momento de plenificar a reconciliação da humanidade com o Pai, e institui, na Ceia, a Eucaristia como sinal permamente, como presença real e substancial, Dele próprio. Naquela Ceia, não mais o cordeiro era o prato principal da mesa, mas o próprio Cordeiro de Deus fez-se pão e vinho e deu-se em alimento aos doze e deu-lhes não só a Eucaristia, mas o mandato de fazerem o mesmo, ordenando-os epíscopos pela força de suas palavras. Por fim, Jesus manifesta este serviço ainda de um outro modo: pelo ato de lavar os pés. Na celebração pascal judaíca, o presidente da mesa tem as mãos lavadas, mas Jesus levanta-se e ele próprio lava os pés dos seus apóstolos. Ensina-os que o lugar de quem quer ser seu discípulo não é acima dos outros, mas é de joelhos, olhando nos olhos, servindo. Ele ensina-nos que em quaisquer relações humanas, deve estar presente o serviço, pois cada vez que fechamos os olhos e nos colocamos em posição de senhorio, esquecemo-nos do outro. E o outro é o que caminha conosco, o outro é o que se encontra longe de nós, o outro é aquele pelo qual também nós devemos desgastar a nossa vida. Nenhuma existência vale a pena quando vivida fora da perspectiva deste amor transbordante que se faz presença e serviço. Por isso, o próprio Jesus institui o mandamento do amor, que é maior e que supera todos os outros mandamentos: "amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado". Ele torna-se a medida do amor para que nós saibamos do que a nossa humanidade, reconciliada e pacificada no amor, é capaz de transbordar. Ele amou-nos até o extremo, transbordou-se até o fim. Estes gestos, agora repetiremos, mas eles devem tornar-se verdade no dia a dia de nossa vida, até o fim.