Amados filhos e filhas, dos quais saúdo de modo especial Mons. Giuseppe Siri, que hoje será ordenado Bispo para a Igreja. Estamos reunidos para este momento solene da nossa vida eclesial. Antigamente chamava-se este rito de sagração episcopal, termo que hoje caiu. Falamos, agora, de ordenação, isto é, de introdução do eleito na ordem dos Bispos, no Colégio Apostólico. Nunca podemos nos esquecer que o Bispo, uma vez introduzidos na Ordem, no Colégio, quando age pensando em si próprio e isolado, perde o próprio sentido e rumo. Os outros, os irmãos na Ordem, estão sempre aí para nos apoiar, para crescermos juntos. Quando queremos nos isolar, agir fora da comunhão, prejudicamos toda a missão e ferimos todo o tecido da Igreja. Como Bispos, somos guardiões da Igreja, responsáveis por prosseguir a obra salvífica que o Cristo confiou inicialmente aos apóstolos, mas também a cada cristão batizado. É o Bispo, porém, que está a frente desta missão. E hoje nós, Bispos, como Colégio Episcopal, imporemos sobre o Mons. Siri as nossas mãos e pediremos sobre ele o Espírito Santo Paráclito. É o Espírito que o enviará na missão do serviço da qual fala o profeta Isaías; é Ele quem o renovará em Cristo, como convida São Paulo na segunda carta aos coríntios; é Ele que nos reúne como amigos do Senhor. É salutar que reforcemos este aspecto que é sermos amigos do Senhor. Jesus nos chama a seu amor e é apenas experimentados no seu amor que somos enviados como seus embaixadores no mundo. Este é nosso serviço. Não somos os servos que não conhecem o seu Senhor. Cristo nos chama a sermos íntimos Dele, para podermos amar aos irmãos e irmãs. Assim, o nosso serviço é, tal como era o de Jesus: amar. O grande ato de serviço mas também de amor de Jesus foi a sua morte de cruz, vivenciado na véspera no lava-pés. E está é a Igreja que devemos ser e que exortamos este novo Bispo a experimentar e propor: a Igreja do lava-pés, da Ceia, da entrega generosa, da Cruz e da Ressurreição. Isto é, a Igreja deve vivenciar e se renovar completamente no mistério do seu Senhor. E para que amemos verdadeiramente é preciso criar vínculos de amor, de amizade e serviço com Deus, com os irmãos no ministério episcopal, com os presbíteros e diáconos e com o povo de Deus. Não há outro caminho! Qualquer caminho que fuja destes vínculos é ilusório. Exemplo disto são os Bispos que foram, infelizmente, demitidos no último mês: se perderam por não fortalecer estes vínculos. Quanto a ti, querido Mons. Siri, além de todas essas exortações, exorto-te com aquilo que recomenda o Pontifical Romano para a Ordenação do Bispo: lembra-te que foste tirado dentre os seres humanos, e colocado a serviço deles nas coisas de Deus. O Episcopado é um serviço e não uma honra; o Bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas. Prega a palavra de Deus, quer agrade, quer desagrade. Orando e oferecendo o sacrifício pelo povo que te foi confiado, procura haurir copiosamente da plenitude do Cristo as riquezas da graça. Distribui com prudência e guarda fielmente os mistério de Cristo. Vela, pois por todo o rebanho dos fiéis e cujo serviço te coloca o Espírito Santo, para reger a Igreja de Deus; em nome do Pai, de quem és imagem entre os fiéis; em nome do Filho, cuja missão de mestre, sacerdote e pastor exerces; e em nome do Espírito Santo, que dá vida a Igreja de Cristo, e fortalece a nossa fraqueza. Amém.
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
terça-feira, 30 de agosto de 2022
30.08.2022 - Encontro com os Presbíteros
Caríssimos presbíteros, hoje quero me aprofundar com os senhores no direcionamento para o ministério e a vida dos presbíteros. Sabemos que toda a Igreja foi tornada participante da unção sacerdotal de Cristo no Espírito Santo. O sacerdócio ministerial encontra a sua razão de ser nesta união vital e operacional da Igreja com Cristo. Com efeito, mediante tal ministério, o Senhor continua a exercer no seu Povo aquela atividade que só a Ele pertence enquanto Cabeça do seu Corpo. Portanto, o sacerdócio ministerial torna tangível a ação própria de Cristo Cabeça, e testemunha que Cristo não se afastou da sua Igreja, mas continua a vivificá-la com o seu sacerdócio perene. Por este motivo, a Igreja considera o sacerdócio ministerial como um dom que Lhe foi concedido no ministério de alguns dos seus fiéis. A identidade do sacerdote deriva, portanto, da participação específica no Sacerdócio de Cristo, pelo qual o ordenado se torna, na Igreja e para a Igreja, imagem real, viva e transparente de Cristo Sacerdote, uma representação sacramental de Cristo Cabeça e Pastor. Ao mesmo tempo, não se deve esquecer de que cada sacerdote é único como pessoa, e possui os próprios modos de ser. Cada um é único e insubstituível. Deus não anula a personalidade do sacerdote, antes, a requer completamente, desejando servir-se dela – a graça, de fato, edifica a natureza – a fim de que o sacerdote possa transmitir as verdades mais profundas e preciosas mediante as suas características, que Deus respeita e também os outros devem respeitar. Vossas diferenças são favoráveis à Igreja. Por meio do mistério de Cristo, o sacerdote, exercendo o seu múltiplo ministério, é inserido também no mistério da Igreja que, na fé, toma consciência de não existir por si mesma, mas pela graça de Cristo, no Espírito Santo. Deste modo, o sacerdote, enquanto é inserido na Igreja, coloca-se também à frente dela. A expressão eminente desta colocação do sacerdote na e diante da Igreja é a celebração da Eucaristia, na qual ele convida o povo a elevar os corações para o Senhor, na oração e na ação de graças, e associa-o a si na oração que ele, em nome de toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo. O sacramento da Ordem, efetivamente, torna o sacerdote participante não só do mistério de Cristo Sacerdote, Mestre, Cabeça e Pastor, mas, de alguma maneira, também de Cristo Servo e Esposo da Igreja. A vocação pastoral dos sacerdotes é grande e universal: destina-se a toda a Igreja e, portanto, é também missionária. Normalmente, está ligada ao serviço de determinada comunidade do Povo de Deus, onde cada fiel espera encontrar atenção, dedicação e amor . Por isso, o ministério do sacerdócio e também ministério de paternidade. Através da sua dedicação às almas, tantas são geradas à nova vida em Cristo. Trata-se de uma verdadeira paternidade espiritual, como exclamava São Paulo: "Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais; ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho" (1Cor 4,15). Uma manifestação ulterior da colocação do sacerdote à frente da Igreja está em ele ser o guia que conduz à santificação os fiéis confiados ao seu ministério, que é essencialmente pastoral, apresentando-se, porém, com aquele prestígio que fascina e faz com que a mensagem se torne credível. Toda autoridade deve ser exercida, efetivamente, em espírito de serviço, como amor ao ofício e dedicação desinteressada pelo bem do rebanho. O sacerdote não deve encarar a sua própria função como que reduzida a de um simples dirigente. Ele é mediador – a ponte –, isto é, aquele que deve recordar sempre que o Senhor e Mestre "não veio para ser servido, mas para servir"; que se ajoelhou a lavar os pés aos seus discípulos antes de morrer na Cruz e antes de enviá-los por todo o mundo. Assim, o presbítero, ocupado no cuidado do rebanho que pertence ao Senhor, procurará proteger a grei, alimentando-a e conduzindo-a para Ele, o Bom Pastor que deseja a salvação de todos. Por conseguinte, alimentar o rebanho do Senhor é um ministério de amor vigilante, que exige a dedicação total, até esgotar as próprias forças e, se for necessário, até ao sacrifício da vida. Os sacerdotes darão autêntico testemunho do Senhor Ressuscitado, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, se exercerem o próprio poder gastando-o no humilde e autorizado serviço em favor do rebanho e no respeito das tarefas que Cristo e a Igreja confiam aos fiéis leigos e aos fiéis consagrados pela profissão dos conselhos evangélicos. Às vezes, acontece que, para evitar este primeiro desvio, se cai no segundo, tendente a eliminar todas as diferenças de funções entre os membros do Corpo de Cristo que é a Igreja, negando na prática a distinção entre o sacerdócio comum e o ministerial. Entre as diversas formas desta negação, que hoje se notam, encontra-se o chamado democratismo, que leva a não reconhecer a autoridade e a graça capital de Cristo, presente nos ministros sagrados, e a desnaturar a Igreja como Corpo Místico de Cristo. A propósito, convém recordar que a Igreja reconhece todos os méritos e valores que a cultura democrática trouxe consigo para a sociedade civil. Além disso, a Igreja combate sempre com todos os meios à sua disposição para o reconhecimento da igual dignidade de todos os homens. Efetivamente, a Igreja deve a sua existência e a sua estrutura ao desígnio salvífico de Deus. Ela contempla-se a si mesma como dom da benevolência do Pai que a libertou mediante a humilhação do seu Filho na cruz. Portanto, a Igreja quer ser – no Espírito Santo – totalmente conforme e fiel à vontade livre e libertadora do seu Senhor Jesus Cristo. Este mistério faz com que a Igreja seja, por sua própria natureza, uma realidade diversa das puras sociedades humanas. Por conseguinte, não é admissível na Igreja certa mentalidade, que se manifesta por vezes em alguns organismos de participação eclesial, e que tende tanto a confundir as tarefas dos presbíteros e as dos fiéis leigos, quanto a não distinguir a autoridade própria do Bispo dos presbíteros como colaboradores dos Bispos, como a não dar a devida adesão ao Magistério universal, exercido pelo Romano Pontífice na sua função primacial, querida por Senhor. A incardinação em alguma Igreja particular constitui um autêntico vínculo jurídico que tem também um valor espiritual, já que dela provém a relação com o Bispo no único presbitério, a partilha da solicitude pastoral, a dedicação à cura evangélica do Povo de Deus nas condições históricas concretas e ambientais. Filhinhos, sede obedientes aos vossos Bispos e dialogai com eles. Sede amigos entre vós e com o vosso Bispo. O presbitério é o lugar privilegiado para o sacerdote poder encontrar os meios específicos de formação, de santificação e de evangelização e ser ajudado a superar as limitações e as fraquezas próprias da natureza humana que hoje particularmente se notam. Portanto, ele fará todos os esforços para evitar viver o seu sacerdócio de um modo isolado e subjetivista e favorecerá a comunhão fraterna dando e recebendo – de sacerdote a sacerdote – o calor da amizade, da assistência cordial, do acolhimento, da correção fraterna , muito consciente de que a graça da Ordem assume e eleva as relações humanas, psicológicas, afetivas, de amizade e espirituais e se concretiza nas mais variadas formas de ajuda recíproca, não só espirituais, mas também materiais. A capacidade de cultivar e viver amadurecidas e profundas amizades sacerdotais aparece como fonte de serenidade e de alegria no exercício do ministério, apoio decisivo nas dificuldades e ajuda preciosa no incremento da caridade pastoral, que o presbítero deve exercer dum modo particular precisamente para com os colegas em dificuldade, que têm necessidade de compreensão, ajuda e apoio. A fraternidade sacerdotal, expressão da lei da caridade, longe de reduzir-se a um simples sentimento, se torna para os presbíteros uma memória existencial de Cristo e um testemunho apostólico de comunhão eclesial. Para enfrentar um dos problemas atuais mais importantes da vida sacerdotal, que é a solidão do padre, nunca será demasiado recomendar aos sacerdotes a utilidade de certa vida comum entre eles, inteiramente orientada ao ministério propriamente espiritual; a prática de frequentes encontros, com fraternas trocas de idéias, de conselhos e de experiências; a promoção de associações que favoreçam a santidade sacerdotal. Como para Cristo, assim também para o presbítero, a obediência exprime a total e alegre disponibilidade de se cumprir a vontade de Deus. Por isso, o sacerdote reconhece que esta Vontade é manifestada também pelas indicações dos legítimos superiores. Esta disponibilidade deve ser entendida como uma verdadeira realização da liberdade pessoal, consequência duma escolha amadurecida constantemente diante de Deus na oração. A virtude da obediência, requerida intrinsecamente pelo sacramento e pela estrutura hierárquica da Igreja, é claramente prometida pelo clérigo, primeiro no rito da ordenação diaconal e, depois, no da ordenação presbiteral. Mediante ela, o presbítero fortalece a sua vontade de comunhão, entrando, assim, na dinâmica da obediência de Cristo, feito Servo obediente até à morte de Cruz. Na realidade, o presbítero está, pela natureza do seu ministério, ao serviço de Cristo e da Igreja. Portanto, estará disponível a acolher quanto lhe é justamente indicado pelos Superiores e dum modo particular, se não estiver legitimamente impedido, deverá aceitar e cumprir fielmente o encargo que lhe foi confiado pelo seu Ordinário. O presbítero deve uma especial obrigação de respeito e obediência ao Sumo Pontífice e ao Ordinário próprio, isto é, seu Bispo . Pelo fato de pertencer a um determinado presbitério, o presbítero está agregado ao serviço duma Igreja particular, cujo princípio e fundamento de unidade é o Bispo, que tem sobre ela todo o poder ordinário, próprio e imediato, necessário para o exercício do seu múnus pastoral. A subordinação hierárquica, requerida pelo sacramento da Ordem, encontra a sua atuação eclesiológico-estrutural na referência ao Bispo próprio e ao Romano Pontífice, o qual detém o primado do poder ordinário sobre todas as Igrejas particulares. O apelo à desobediência, especialmente ao Magistério definitivo da Igreja, não é uma via para a renovação da Igreja. A sua inesgotável vivacidade pode derivar apenas do seguimento do Mestre, obediente até a cruz, com cuja missão se colabora «com o transbordar da alegria da fé, a radicalidade da obediência, a dinâmica da esperança e a força do amor. Ninguém mais do que o presbítero está consciente de que a Igreja tem necessidade de normas, as quais servem para proteger adequadamente os dons do Espírito Santo confiados à Igreja, porque, com efeito, uma vez que a sua estrutura hierárquica e orgânica é visível, o exercício das funções confiadas por Deus, especialmente a de guia e a da celebração dos sacramentos, deve ser adequadamente organizado Precisamente para poder realizar frutuosamente o ministério pastoral, o sacerdote tem necessidade de entrar numa particular e profunda sintonia com Cristo bom Pastor, o qual permanece sempre o único protagonista principal de toda a ação pastoral: Cristo permanece sempre o princípio e a fonte de unidade da vida dos presbíteros. Eles alcançarão a unidade da sua vida, unindo-se a Cristo no conhecimento da vontade do Pai e no dom de si mesmos pelo rebanho que lhes foi confiado. Assim, fazendo as vezes do Bom Pastor, encontrarão no próprio exercício da caridade pastoral o vínculo da perfeição sacerdotal, que conduz à unidade de vida e ação. Tal vida espiritual deve ser encarnada na existência de cada presbítero mediante a liturgia, a oração pessoal, o estilo de vida e a prática das virtudes cristãs que contribuem para a fecundidade da ação ministerial. A própria conformação a Cristo exige que o sacerdote cultive um clima de amizade e de encontro pessoal com o Senhor Jesus, fazendo experiência de um encontro pessoal com Ele, e de colocar-se a serviço da Igreja, seu Corpo, à qual o sacerdote demonstrará amar pelo cumprimento fiel e incansável dos deveres próprios do seu ministério pastoral . É necessário, portanto, que na vida de oração não falte nunca a celebração eucarística cotidiana, com adequada preparação e sucessiva ação de graças; a confissão frequente e a direção espiritual já praticada no seminário e frequentemente antes; o exame de consciência; a oração mental propriamente dita; a lectio divina, os momentos prolongados de silêncio e de colóquio, sobretudo nos Exercícios e retiros Espirituais periódicos; as preciosas expressões da devoção mariana, como o Rosário; a Via Sacra e os outros pios exercícios; a frutuosa leitura hagiográfica; etc. Sem dúvida, o bom uso do tempo, por amor a Deus e à Igreja, permitirá ao sacerdote manter mais facilmente uma sólida vida de oração. De fato, aconselha-se que o presbítero, com o auxílio do seu diretor espiritual, procure ater-se com constância a este plano de vida, que lhe permite crescer interiormente num contexto em que as múltiplas exigências da vida poderiam induzi-lo, muitas vezes, ao ativismo e a descuidar a dimensão espiritual. Por isso, encerro com a pergunta feita hoje pelo Papa Francisco: vocês ainda se encantam quando pensam em Jesus? Ainda se maravilham? Ainda se permitem ficar estupefatos? O sacerdote não pode deixar esmorecer essa dimensão, ou se afastará da própria vocação.
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
29.08.2022 - Martírio de São João Batista
Amados filhos e filhas, estamos celebrando a memória do martírio de São João Batista. Hoje contemplamos o extremo do anúncio de Jesus Cristo. Se concretiza em João Batista aquilo que Jeremias profetizou: ele foi perseguido, mas não foi vencido. João Batista, em seu papel de precursor, o último dos profetas do Antigo Testamento, denunciava o mal e convidava a conversão. Herodes Antipas até gostava de ouvi-lo, mas Herodíades sabia que por conta da palavra de João, Herodes poderia abandoná-lo, pois eles estavam em uma união ilegítima. Porém, no martírio do precursor do Messias não houve uma vitória de Herodes Antipas, mas, a sua condenação. Antipas, era filho do Herodes pai, aquele que reinava em Israel no tempo do nascimento de Jesus. Ao condenar João Batista a morte por um motivo passional, entregando-se totalmente aos prazeres de Salomé, ao poder, Herodes Antipas se condena a, depois, ser o condenador do próprio Salvador. Assim, Cristo e seu precursor tiveram seu sangue derramado nas mãos de Antipas. Ele próprio condenou João, e não poupou Jesus, não o libertou, mas o enviou de volta para Pilatos. Celebrando o martírio de João Batista, celebramos justamente que aquele que havia exultado no ventre de Santa Isabel ao sentir a presença do Salvador, agora derrama seu sangue antes do Cristo. Isto é, aquele que preparou os caminhos do Cristo neste mundo, une-se a Paixão de Cristo pelo martírio, e agora vai ser o precursor também na mansão dos mortos. Aquele que anunciou a Palavra de Deus até o extremo de dar a sua vida por dizer a verdade, interceda também por nós para que assumamos o compromisso de evangelização até o derramamento de nosso sangue se for necessário. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 25 de agosto de 2022
25.08.2022 - Missa com as Ordens Religiosas
Queridos filhos, saúdo de modo especial nesta Eucaristia todos os irmãos membros dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Nesta semana celebramos a vocação à vida religiosa. É bela esta vocação a qual fostes chamados em nosso apostolado virtual, pois, confundem-se em vós a religiosidade e a diocesaniedade. Respirais, assim, com dois pulmões: o próprio de vossos carismas e o do Cristo Bom Pastor. Seja vivendo a exemplo do Cristo Redentor na árdua missão evangelizadora, seja seguindo o exemplo de São Francisco, no serviço aos pobres e na vida na pobreza sois chamados, queridos filhos, a serem empregados fiéis e prudentes. Isso é, sois chamados a praticar as obras do Senhor. Se agirem bem, diz o texto bíblico do Evangelho, sereis chamados a serem administradores de todos os bens de Deus. Sois, portanto, interpelados a administrarem bem os vossos carismas. Queridos filhos religiosos, não podeis deixar de suscitar em vossos Institutos e Sociedades o que é próprio de vossos carismas; não podeis ser mau administradores de vossos carismas e viverem hipocritamente. Um hábito, uma roupinha, não vos faz religiosos. O que vos faz religiosos é viverem com verdade e intensidade o carismas que escolhestes abraçar. Nenhum de vós foi forçado a ser membro de algum Instituto e nem os superiores foram obrigados a estes postos. Não! Vós escolhestes. Por isso, abraceis com amor o que vos é próprio. Redentoristas, onde estão vossas missões populares? Franciscanos, onde estão as atividades tão próprias de vosso seráfico pai? Óh, queridos filhos, não penseis que o Senhor está demorando, pois Ele sempre nos cobrará no momento oportuno. No início da Carta à comunidade de Corinto, que ouviremos de hoje em diante nos dias de semana do tempo comum, São Paulo exaltou a diversidade de dons e carismas existentes na comunidade. Por meio desses dons distintos, é confirmado no meio da comunidade o testemunho de Cristo. Vos exorto, assim como exortou o Apóstolo, a serem perseverantes e fiéis ao seguimento de Jesus Cristo e assim faremos de nossa própria vida um canto de bendição ao Senhor nosso Deus. Assim seja! Amém.
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
24.08.2022 - Catequese: Adoração e União com Deus
Queridos filhos e filhas, continuamos nossa série sobre a Liturgia como Mistério da Salvação, embasados na obra de mesmo título do Bispo de Tortona e ex-Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, Mons. Guido Marini. Hoje falaremos sobre a adoração e a união com Deus. A adoração é o reconhecimento repleto de admiração, também poderíamos dizer de êxtase - porque nos faz sair de nós mesmos e do nosso pequeno mundo - diante da grandeza infinita de Deus, da sua majestade inatingível, do seu amor sem fim, que se doa a nós com absoluta gratuidade, do seu senhorio onipotente e providente. Por consequência, a adoração conduz o homem e toda a criação à reunificação com Deus, a uma saída do estado de separação, de aparente autonomia, até à perda de si mesmos, que afinal é a única maneira de acontecer esse reencontro. Diante da beleza indizível da caridade de Deus, que toma forma no mistério do Verbo encarnado, morto e ressuscitado em nosso favor, e que encontra na liturgia a sua manifestação sacramental, não nos resta outra coisa senão permanecer em adoração. João Paulo II afirma na Encíclica Ecclesia de Eucharistia: "No evento pascal e na Eucaristia que o atualiza nos séculos, existe uma abrangência realmente grandiosa, na qual está contida a História toda, como destinatária da grande redenção. Esta admiração há de invadir sempre a Igreja recolhida na celebração eucarística" (n. 5). "Meu Senhor e meu Deus!" Assim nos ensinaram desde crianças a dizer no momento da consagração. Dessa maneira, acolhendo a exclamação do apóstolo Tomé, somos levados a adorar o Senhor presente e vivo nas espécies eucarísticas, unindo-nos a ele e reconhecendo-o como o nosso Tudo. E daí se pode retomar o caminho quotidiano, tendo reencontrado a ordem exata da existência, o critério fundamental à luz do qual se possa viver e morrer. Eis por que, na ação litúrgica, no sinal da nobreza, beleza e harmonia, tudo deve conduzir à adoração e à união com Deus: música, canto, silêncio, maneira de proclamar a Palavra do Senhor e o modo de orar, os gestos, as vestes litúrgicas e objetos sagrados, como também o edifício sagrado no seu conjunto. Exatamente nessa perspectiva é que se há de considerar a decisão de Bento XVI que, a partir da festa de Corpus Christi de 2008, começou a distribuir diretamente na língua a santa Comunhão aos fiéis ajoelhados. Com o exemplo desse gesto, o Papa nos convida a tornar manifesta a atitude de adoração diante da grandeza do mistério da presença eucarística do Senhor. Atitude de adoração que deverá ainda mais ser tomada ao se aproximar da santíssima Eucaristia nas outras for mas hoje concedidas. Agradou a Mons. Guido, a respeito citar ainda uma passagem da Exortação apostólica Sacramentum Caritatis, de Bento XVI: "Enquanto a Reforma dava os primeiros passos, às vezes não foi percebida de maneira suficientemente clara a relação intrínseca entre Santa Missa e adoração do Santíssimo Sacramento. Por exemplo, uma objeção então difundida partia exatamente do realce que se dava ao fato de que o Pão eucarístico não nos foi dado para contemplação, e sim para manducação. Na realidade, à luz da experiência de oração da Igreja, tal contraposição se revelava sem fundamento. O próprio Agostinho já tinha dito: 'Ninguém come desta carne, sem antes adorá-la. Pecaríamos se não a adorássemos'. Na Eucaristia, de fato, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-se a nós. A adoração eucarística não é mais que o óbvio desenvolvimento da celebração eucarística, a qual em si mesma já é o grande ato de adoração da Igreja. Receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração diante daquele que recebemos. Precisamente assim, e somente assim, nos tornamos uma coisa só com Ele e antecipadamente pregustamos, de alguma forma, a beleza da liturgia celeste" (n. 66). Entre as outras, penso que não tenha passado despercebida esta passagem do texto que acabamos de ler: "Em si mesma, (a celebração eucarística) é o maior ato de adoração da Igreja". Diz ainda Bento XVI: "Graças à Eucaristia, o estar diante de Deus, mediante a participação na doação de Jesus, esse participar do seu corpo e sangue torna-se união" (Deus caritas est, n. 13). Por essa razão, na liturgia, em particular na liturgia eucarística, tudo deve tender para a adoração, e tudo no desenrolar do rito ajuda a entrar no interior da adoração que a Igreja faz ao seu Senhor. Considerar a liturgia como lugar da adoração, da união com Deus, não significa perder de vista a dimensão comunitária da celebração litúrgica, nem muito menos esquecer o horizonte da caridade. Ao contrário, somente através de uma renovada adoração do mistério de Deus em Cristo, mistério que toma forma no ato litúrgico, poderá brotar uma autêntica comunhão fraterna e uma nova história de caridade, conforme a fantasia e heroicidade que só a graça de Deus pode doar aos nossos pobres corações. É o que nos relembra e ensina a vida dos santos. "A união com Cristo é ao mesmo tempo união com todos os demais, a quem ele se doa. Não posso ter Cristo só para mim; eu só posso pertencer a ele, se eu mesmo estiver unido a todos os que se tornaram ou se tornarão pertencentes a ele. A comunhão me afasta de mim mesmo em direção a ele, e assim em direção também à unidade com todos os cristãos" (Deus caritas est, n. 14). Continuamos nossa reflexão na próxima Audiência.
domingo, 21 de agosto de 2022
21.08.2022 - XXI Domingo do Tempo Comum, Liturgia de "Uso Anglicano"
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
17.08.2022 - Catequese: Orientação Litúrgica
Amados filhos e filhas, continuando nossa série de catequeses sobre a Liturgia como Mistério de Salvação, de sua excelência Mons. Guido Marini, falaremos hoje sobre a orientação litúrgica. Acima das mudanças que historicamente têm caracterizado a disposição arquitetônica das igrejas e espaços litúrgicos, uma convicção perdura sempre muito clara no interior da comunidade cristã, quase até nossos dias. Refere-se à oração voltada para o Oriente, tradição que remonta às origens do cristianismo. O que se entende com "oração voltada para o Oriente"? Entende-se o coração orante orientado para Cristo, do qual provém a salvação e para o qual todos tendem como para o Princípio e Termo da História. No Oriente nasce o sol. Ora, o sol é símbolo de Cristo, a Luz que surge no Oriente. Lembre-se a propósito a passagem do cântico messiânico do Benedictus: "O sol que surge no Oriente vem nos visitar" (Lc 1,78). Estudos muito sérios, e também recentíssimos, têm demonstrado que, em qualquer tempo da sua história, a comunidade cristã encontra a maneira de exprimir, também no sinal litúrgico exterior e visível, essa orientação fundamental para a vida na fé. De fato, encontramos as igrejas construídas de maneira tal que a abside esteja voltada para o Oriente. Quando tal orientação já não era possível na edificação do lugar sagrado, recorreu-se ao grande crucifixo colocado no altar e para o qual todos pudessem voltar os olhos. É de pensar também nas absides decoradas com esplêndidas representações do Senhor, para as quais todos eram convidados a erguer os olhos no momento da liturgia eucarística. Sem entrar nos detalhes de uma visão histórica, que nos colocaria no interior de uma reflexão sobre o desenvolvimento da arte cristã, neste contexto nos interessa afirmar que a oração orientada, ou melhor, voltada para o Senhor, é expressão típica do autêntico espírito litúrgico. Nesse sentido, como bem nos relembra o diálogo que introduz o Prefácio, no momento da liturgia eucarística somos convidados a voltar o coração para o Senhor: "Corações ao alto", exorta o sacerdote, ao que todos respondem: "O nosso coração está em Deus". Ora, se tal orientação deve ser sempre interiormente assumida por toda a comunidade cristã recolhida em oração, essa atitude deve ser expressa também com sinal exterior. De fato, o sinal exterior há de ser sempre verdadeiro, de modo que torne manifesta a correta atitude espiritual. Então, aí está o motivo da proposta feita a seu tempo pelo cardeal Ratzinger, e reafirmada no curso do seu pontificado: colocar o crucifixo no centro do altar, de maneira que todos, no momento da liturgia eucarística, possam efetivamente voltar os olhos para o Senhor, orientando assim a própria oração e coração. Vamos ouvir diretamente Bento XVI, que escreve, na introdução ao primeiro volume da sua Opera omnia, dedicado à liturgia: "A ideia de que sacerdote e povo deveriam, na oração, olhar um para o outro surgiu apenas no cristianismo moderno e é completamente estranha no antigo. Sacerdote e povo certamente não rezam voltados um para o outro, e sim para o único Senhor. Por isso é que, na oração, ambos olham na mesma direção: ou para o Oriente como símbolo cósmico do Senhor que vem, ou, nos lugares onde isso não é possível, para uma imagem de Cristo na abside, para uma cruz, ou simplesmente para o céu, como fez o Senhor durante a oração sacerdotal da última noite antes da Paixão (Jo 17.1). Entretanto, caminha-se cada dia mais, felizmente, rumo à proposta que fiz no final do capítulo em questão da minha obra [de Bento XVI] (Introdução ao espírito da liturgia, p. 70-80): não buscar novas transformações, mas colocar simplesmente a cruz no centro do altar, para a qual sacerdote e fiéis possam juntos olhar, para se deixarem guiar de tal maneira para o Senhor, a quem oramos todos unidos". E não se diga que a imagem do crucifixo obscurece a visão dos fiéis em relação ao celebrante. Os fiéis não devem olhar o celebrante, nesse momento litúrgico! Devem olhar para o Senhor! Assim também aquele que preside a celebração deve poder olhar para o Senhor. A cruz não impede a visão; ao contrário, lhe abre o horizonte para o mundo de Deus, e a faz contemplar o mistério, a introduz no céu, de onde provém a única luz capaz de dar sentido à vida neste mundo. Em verdade, a visão ficaria obscurecida, impedida, se os olhos permanecessem fixos naquilo que é apenas presença do homem e obra sua. Assim se compreende por que é ainda hoje possível celebrar a Missa nos altares antigos, quando as particulares características arquitetônicas e artísticas de nossas igrejas o devessem aconselhar. Também nisso o Papa nos dava um exemplo, quando celebrava a Eucaristia no antigo altar da Capela Sistina, na festa do Batismo do Senhor. Em nosso tempo, entrou em voga a expressão "celebrar voltado para o povo". É aceitável dizer assim, quando tal expressão entende descrever o aspecto topográfico, devido ao fato de que hoje o sacerdote, pela colocação do altar, se encontra em posição frontal em relação à assembleia. Mas, não se poderia absolutamente aceitar, se tal expressão tivesse conteúdo teológico. De fato, a Missa, teologicamente falando, está sempre voltada para Deus, através de Cristo nosso Senhor, e seria grave erro imaginar que a orientação principal da ação sacrifical fosse a comunidade. Por isso, tal orientação - voltada para o Senhor - deve animar em cada um a participação litúrgica interior. E é igualmente importante que isso possa ser bem visível também no sinal litúrgico... Nossa reflexão continua na próxima Audiência.
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
15.08.2022 - Solenidade da Assunção de Nossa Senhora
Amados filhos e filhas, estamos celebrando neste dia a Assunção de Maria ao céu. É dogma de fé, e todos devemos crer, que a "imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial". Porém, filhos e filhas, o dogma não define se Maria morreu ou dormiu, antes de momento. Os mariolólogos debatem ainda sobre esse assunto. Porém, sigo a linha de pensamento de São João Paulo II segundo o qual a morte teria aproximado ainda mais de Cristo, a experiência de Maria. E Maria vive a morte tal como foi preparada por Deus para nós. Essa morte como enfrentamos, triste, incerta, dolorosa, não era o plano de Deus para seus filhos e filhas. Por isso, o Pai, no seu desígnio amoroso, enviou o Filho para ser o primogênito entre os mortos. Isto é, quando Cristo vence a morte em sua Ressurreição, Ele permite a todos nós também vencermos a corrupção da morte. Assim, a morte se torna bendito momento de encontro com o Pai, em seus braços e abraços. E, se Cristo é o primogênito dentre os mortos, logo após Ele, vem aquela que é Imaculada, Maria. Ela é a Mãe do Senhor, preparada para este ministério, e é bendita porque confiou. Sem o pecado, após sua morte ou dormiçao, talvez entendendo esse sono como o "sono da morte", Maria é ressuscitada pela força do Filho, pela força de Jesus, e levada pelos anjos para junto do Filho no céu. Ela não permaneceu na desesperança, pois é aquela que acreditou e que viu se cumprir o que o Senhor lhe prometera. E no céu, a tradição acredita que Maria foi coroada, e colocada num lugar de honra, ou seja, no céu ela se tornou plenamente a cheia de graça, cantando para sempre os louvores do Senhor. Ela é a mulher do Apocalipse, no céu, com a lua sob os pés e na cabeça coroada. Mas, essa mulher é também a Igreja e sendo a Igreja é cada um de nós. Para cada um de nós, filhos e filhas, está reservado um lugar no céu. Todos nós ressuscitaremos, um dia, com Cristo. Agora, se seremos também assuntos em corpo e alma, pois cremos na ressurreição da carne, e se ocuparemos os lugares que nos foram preparados para a eternidade junto de Deus, depende de nossa luta contra o pecado e nossa disponibilidade a, como Maria, irmos ao serviço daqueles que mais precisam. Deus olhou para a humildade de Maria e a elevou aos céus, mas os orgulhosos, canta o Magníficat que ouvimos, ficaram de mãos vazias, mas a humilde foi exaltada. Que possamos, um dia, pelos méritos de Cristo e dando tudo de nós, chegarmos ao lugar que também a nós Deus preparou, quando Ele for vitorioso também em nós. Assim seja! Amém.
domingo, 14 de agosto de 2022
14.08.2022 - XX Domingo do Tempo Comum
Queridos filhos e filhas, quais são as consequências que estamos dispostos a abraçar por amor a Deus? Não há, filhos e filhas, amor sem sacrifício. Não há amor verdadeiro que não acarrete sofrimento. Não há verdade que não fira. Não há seguimento de Jesus Cristo sem suas consequências. E, se ainda não estamos enfrentando as difíceis consequências do seguimento de Jesus, é porque ainda não estamos seguindo direito. Isto, porque, o projeto de Jesus Cristo, a vida conforme seus ensinamentos, é controverso a proposta da sociedade. Por isso, seremos perseguidos. Vejam o exemplo do profeta Jeremias, na primeira leitura, jogado numa cisterna por anunciar o plano de Deus. O profeta sofreu as consequências justamente por ser profeta. Jeremias foi condenado a pagar com a própria vida o anúncio da verdade. Mas, vai além: o próprio Jesus fala no Evangelho que a consequência de segui-lo seria até mesmo a divisão dentro das famílias. Quantos de nós não temos, em nossas casas, em nossas famílias, pessoas que ainda não abraçaram a fé em Jesus Cristo? E essas pessoas não entendem o seguimento. Elas não entendem o nosso empenho e amor para seguir Jesus. Muitas vezes nos questionam se não estamos indo demais a Igreja. Filhos e filhas, isso é absolutamente normal. Jesus já disse que a consequência de abraçá-lo é uma divisão entre os que escolhem a ele e os que não escolhem. Não que Jesus seja o divisor, portanto, mas, a divisão é uma realidade que se fará presente enquanto o mundo todo, todos os povos, todas as famílias, não se converterem completamente ao Evangelho. E a proposta do Evangelho por si mesma é provocativa para aqueles que ainda não acreditam nele. A boa-nova de Jesus impõe sobre nós um outro modo de olhar a realidade, as injustiças, a liberdade, a responsabilidade, enfim, ela é inquietante. Nem por isso podemos nos descompromissarmos com o Reino de Deus, e qualquer tentativa de neutralidade para com ele é ilusão, já estamos compromissados pelo nosso batismo. Pelo batismo já estamos inseridos na luta que é sermos cristãos. Por isso que o autor da Carta aos Hebreus fala que estamos em combate, rodeados por testemunhas, os santos e santas de Deus. E de modo especial, hoje, temos como testemunha São Maximiliano Maria Kolbe, padre e prisioneiro do campo de concentração nazista, Maximiliano abraçou as consequências de ser cristão a ponto de ofertar a própria vida para morrer numa câmara de gás no lugar de um pai de família. Assim, também, irmãos e irmãs, Jesus também abraçou a cruz com grande amor. A cruz era consequência do seu projeto savífico, do seu plano de amor. Nós temos que ter os olhos fixos em Jesus Crucificado para sermos semelhantes a ele, autênticos cristãos. Ele foi o que primeiro resistiu até o derramamento do próprio sangue na luta contra o pecado, e nós devemos fazer o mesmo. De fato, o próprio Jesus anunciou na primeira parte do Evangelho que ouvimos, que Ele veio lançar fogo sobre a terra e que Ele devia receber um batismo. O batismo que Jesus iria receber era o batismo de sangue na sua morte e Ressuscitado Ele envia sobre nós o dom do Espírito Santo, o fogo do alto, para nos renovar e impulsionar na missão. Abracemos, portanto, o Evangelho, a fé em Jesus Cristo até as últimas consequências e confiemos que o Espírito Santo nos dará forças para lutar e para suportar a cruz, até o dia que toda humanidade de se converter para Cristo e Ele for tudo em todos. Assim seja! Amém.
sábado, 13 de agosto de 2022
13.08.2022 - Missa no Rito Ambrosiano
Caríssimos filhos e filhas, neste sábado, dia dedicado a Nossa Senhora, estamos celebrando esta liturgia no rito ambrosiano. Este rito cresceu e difundiu-se concomitantemente ao rito romano. Mas, enquanto em Roma celebrava-se o rito romano, em Milão e nos lugares ao redor celebrava-se o rito ambrosiano, atribuído originalmente a Santo Ambrósio, que foi Bispo de Milão. Este rito histórico foi mantido para a Igreja de Milão e outras regiões, mesmo quando o Concílio de Trento definiu o missal da Cúria Romana para toda a Igreja, extinguindo a maioria dos ritos diocesanos, exceto este e alguns e quando o Concílio Vaticano II ordenou a reforma dos ritos, também o Ambrosiano foi reformado. É belo celebrarmos neste dia este rito, pois recordamos aquilo que afirmou o Concílio de Jerusalém: "A Igreja quer ser aberta a variedade de dons e carismas, de modos de ser, sem perder sua catolicidade, e ao mesmo, tempo, sem perder seu rosto característico.". De fato, a Sagrada Liturgia foi o modo que Deus nos deu de chegar até nós a graça salvífica de Cristo. Na primeira leitura que escutamos, Ezequiel já dizia que o preço do pecado era a morte, mas Deus não quer a morte de seus filhos. Que Pai seria Deus se quisesse nossa morte? Que Deus seria esse que se alegra com o sofrimento das suas criaturas? Por isso, Jesus diz no Evangelho que o Filho do Homem, isto é, ele próprio, veio ao mundo para salvar o mundo. Veio para não permitir que nós experimentássemos a morte eterna mas, por seu amor, termos a vida eterna. E é essa graça maravilhosa de Deus que chega até nós cada vez que celebramos os ritos sagrados da Igreja. Deus quis que a salvação por meio da paixão, morte e ressurreição acontecesse uma vez por todas na história, mas fosse celebrada todos os dias nos altares do mundo todo. Por isso, filhos e filhas, aproveitemos os sacramentos como momentos de louvor a Deus, mas também de santificação, aproveitando-nos da força de salvação dos ritos Sagrados da Igreja, que Deus preparou para que por meio dele alcancemos a vida eterna. E que neste caminho, Maria Santíssima, a que primeiro experimentou a graça de ter em si o Corpo de Cristo, nos ajude a experimentarmos autenticamente o que o Pai nos concede na força do Sacramento. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
12.08.2022 - Sexta-Feira da XIX Semana do Tempo Comum
Amados filhos e filhas, aos quais saúdo em nome de Dom Cristiano, pároco deste Santuário. O Evangelho que ouvimos coloca-nos diante de duas vocações, dois chamados: ao matrimônio e ao celibato. São duas vocações que num primeiro momento parecem-nos totalmente antagônicas, mas que, na verdade, não são. Todo ser humano nasce para amar. Deus nos criou para o amor. Nós temos, portando, uma necessidade natural de corresponder ao chamado à amar. A nossa vocação universal é à santidade, mas mesmo a santidade não existirá em nós sem experimentarmos com profundidade a mística do amor. E o amor sempre exige uma renúncia. Não há, filhos e filhas, amor sem sacrifício. Vejam o Cristo na cruz: é a prova de amor maior; é o extremo do amor; o limite do amor; a exigência do amor. Por isso, no Evangelho que escutamos, quando perguntam a Jesus acerca da certidão do divórcio, Ele diz que isto não é o certo. Sabemos, sim, que existe um processo de nulidade na Igreja onde se analisa se aquele casamento foi ou não um sacramento. Mas, neste processo se investiga o pré-casamento: as intenções, se alguém foi obrigado, coagido, algo do tipo. Mas, uma vez que houve de fato um vínculo matrimonial, ninguém mais pode romper. O que muitas vezes destrói casamentos legítimos é justamente o esfriamento do amor, a medida em que um deixa de fazer sacrifícios pelo outro. Cada um do casal passa a olhar só a si e se preocupar apenas consigo. E do mesmo modo que ao optar por um casamento o homem ou a mulher renunciam todos os outros homens e mulheres do mundo, aqueles que abraçam o celibato o fazem. São duas realidades que exigem renúncias, exigem sacrifício, e esse sacrifício só faz sentido no amor a Deus. Nem o cônjuge, no caso dos casados, nem o povo de Deus ou a Igreja, no caso dos celibatários, corresponde completamente nosso anseio por amor, carinho, reconhecimento, enfim, todas nossas necessidades humanas. Mas, quando nos perdemos amorosamente nessas realidades, inebriados pelo amor de Deus, aí sim tudo faz sentido, a renuncia e o sacrifício acontecem com leveza e alcançamos a felicidade nessa vida e a vida na eternidade. Assim seja! Amém.
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
10.08.2022- Festa de São Lourenço
10.08.2022 - Dedicação da Catedral de Brasília
Amados filhos e filhas, saúdo-vos todos na pessoa de Dom Caio Medeiros, Arcebispo Metropolitano de Brasília e dos demais irmãos que concelebram esta Eucaristia. Estamos reunidos para dedicar a Deus esta Catedral de Brasília em honra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Lembramo-nos hoje, em nosso hotel, daquele sonho de São João Bosco pelo qual ele viu esta cidade no coração da América do Sul. De fato, Brasília também está no coração do território brasileiro. Dedicarmos está Catedral é, também, darmos um impulso ainda mais forte na missão desta Igreja Particular. Isto porque ao dedicarmos uma catedral, nós dedicamos a Deus o lugar que representa a cabeça da Igreja Particular. Mas, não apenas isso, esse rito de Dedicação quer impulsionar a Igreja de Brasília para três encontros: com Deus, com a formação presbiteral e com a sociedade. Acredito firmemente que o plano de encontro com os setores da sociedade, dos poderes, com os povos dos bairros e RPG's descentes, promovidos pela Igreja de Brasília, poderão sim colaborar muito com nossa missão evangelizadora. Jesus Cristo e seu plano, seu projeto de amor, não fica restrito as nossas sacristias e nem mesmo as nossas Igrejas: Ele deve ser anunciado em todos os lugares. Por isso, ao dedicarmos essa catedral, queremos dedicar também os nossos corações para o Senhor. No Evangelho que ouvimos Jesus fala justamente sobre a importância de dedicar o coração. Filhos e filhas, de nada vale a dedicação desta Igreja se não for para que nela a comunidade se reúna para rezar e mais, para adorar o Senhor em espírito e verdade. Chegou o momento de Jesus, onde Deus é adorado não apenas em lugares específicos, mas é adorado em todos os lugares. Basta que tenhamos um coração ungido, um coração dedicado a Deus, um coração voltado a Deus. Deus não está mais no alto dos montes, nem no templo de Jerusalém, Ele está no coração de cada discípulo e de cada discípula. Isso não diminui o valor do templo de pedras, pelo contrário, o dá ainda mais valor. Porque o templo atual não é mais lugar apenas de nós oferecermos um sacrifício, mas é o lugar onde Deus se oferece em sacrifício. O templo agora é lugar de morada ainda mais concreta de Deus com o seu povo. Por isso, não há mais um único templo, mas várias igrejas, vários templos espalhados. E em todos eles Deus está presente. Um templo não o limita, pelo contrário, expande ainda mais a sua presença em nosso meio. Assim se completam: templo e povo. É o povo reunido que dá sentido ao templo, e é o templo que representa e exprime de modo melhor a presença da comunidade e também a presença de Deus. Para o povo da primeira leitura de Neemias, ter se afastado do templo no tempo do exílio foi motivo de grande tristeza e de muita dor. Mas agora, retornando à terra prometida, o povo pode reconstruir o templo. E por isso eles se alegram e festejam. Festejamos também nós por este templo hoje dedicado, festejamos pois aqui está representada a presença de Deus entre nós, festejamos pois este é nosso lugar de adoradores para adora-lo em espírito e verdade e dediquemos a Ele os nossos corações, para que Igreja missionária em Brasília manifestemos que Deus está entre nós. Assim seja! Amém.
10.08.2022 - Audiência Geral
Como bem sabemos, o Concílio Vaticano II dedicou à liturgia todo um documento, aliás o primeiro na ordem de publicação. Seu nome é Sacrosanctum Concilium, que se define como a Constituição da sagrada liturgia. É o termo sagrado que pretendemos sublinhar como ligado à "liturgia". A respeito, não se trata de um caso ou de um aspecto de pouca importância. De fato, foi assim que os Padres conciliares entenderam dar força ao caráter sagrado da liturgia. Mas, o que se entende por caráter sagrado? Os orientais falariam de uma dimensão divina da liturgia. Ou seja, daquela dimensão que não se deixa ao arbítrio do homem, porque é dom que vem do alto. Em outras palavras, trata-se do mistério da salvação em Cristo, mistério confiado à Igreja, para que esta o torne disponível em qualquer tempo e lugar, através da objetividade do rito litúrgico-sacramental. Uma realidade, portanto, que nos supera e que se há de acolher como dom, e pela qual nos deixamos transformar. Realmente, como afirma o Concilio Vaticano II, "toda celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência..." (Sacrosanctum Concilium, n. 7). Colocando-nos nessa perspectiva, não é difícil convencer-nos da distância que vai entre alguns modos de agir e o autêntico espírito da liturgia. De fato, sob o pretexto de criatividade mal concebida, às vezes chega-se a distorcer, nas mais variadas maneiras, a liturgia da Igreja. Em nome do princípio de adaptação a situações locais e a necessidades da comunidade, assume-se o direito de tirar, acrescentar ou modificar o rito litúrgico de acordo com a própria subjetividade ou emoção. A esse respeito, nós sacerdotes temos grande responsabilidade. A propósito, assim já dizia o cardeal Ratzinger em 2001: "No mínimo, necessita-se de uma nova consciência litúrgica, é preciso subtrair espaço à tendência de agir sobre a liturgia como se fosse objeto de nossa habilidade manipuladora. Chegamos ao ponto de alguns grupos litúrgicos, por própria iniciativa, se apropriarem da liturgia dominical. O resultado é certamente fruto da inventividade de um grupo de pessoas hábeis e capazes. No entanto, dessa maneira se reduz o lugar onde se encontra comigo o totalmente Outro, e no qual o sagrado se oferece a nós como dom. O que estou enfrentando é apenas a habilidade de um grupo de pessoas. Então se percebe que não é o que estamos procurando. É muito pouco, e também algo diferente. Hoje é bem mais importante readquirir o respeito pela liturgia e a consciência de que ela não pode ser manipulada. É preciso reaprender a reconhecê-la no seu ser de criatura vivente que cresce e nos foi confiada, através da qual nós tomamos parte na liturgia celeste. Renunciar ao desejo de buscar nela a própria autor realização, para ao contrário ver nela um dom. Esta, creio eu, é a primeira coisa: vencer a tentação de um agir despótico, que concebe a liturgia como objeto de propriedade do homem, e despertar o senso interior do sagrado" (Dio e il mon do, Edizioni Paolo, Cinisello Bal samo, 2001). Portanto, afirmar que a liturgia é sagrada significa sublinhar o fato de que ela não vive de invenções esporádicas e "descobertas" sempre novas de alguma pessoa ou grupo. Ela não é um círculo fechado, no qual decidimos encontrar -nos, talvez para nos encorajarmos mutuamente e sentir-nos protagonistas de uma festa. A liturgia é convocação que provém de Deus, para estarmos em sua presença; é a vinda de Deus até nós, é Deus que se torna presente em nosso mundo. Certa forma de adaptação a situações particulares está prevista, e é ótimo que esteja. O próprio Missal a indica em algumas partes. No entanto, nessas partes, e somente nelas, não arbitrariamente em outras. O motivo é importante, e é preciso reafirmá-lo: a liturgia é dom que nos precede, tesouro precioso que nos foi confiado pela oração secular da Igreja, é lugar em que a fé da Igreja encontrou forma e expressão orante no tempo. Nada disso fica à nossa disposição subjetiva. Não está disponível para nós, por estar integralmente à disposição de todos, ontem como hoje, e ainda amanhã. "Em nossos tempos também - como escreveu João Paulo II na Encíclica Ecclesia de Eucharistia a obediência às normas litúrgicas deveria ser redescoberta e valorizada como reflexo e testemunho da Igreja una e universal, que está presente em cada celebração da Eucaristia". Na estupenda Encíclica Mediator Dei, citada com frequência na Sacrosanctum Concilium, Pio XII definia a liturgia como "o culto público... o culto integral do corpo místico de Jesus Cristo, isto é, da cabeça e de seus membros". Era como dizer, entre outras coisas, que na liturgia a Igreja reconhece "oficialmente" a si mesma, o seu mistério de união esponsal com Cristo, e aí "oficialmente" se manifesta. Portanto, com que insana falta de senso poderíamos nós arrogar-nos o direito de alterar, de maneira subjetiva, esses sinais santos que o tempo avalizou, e através dos quais a Igreja fala de si, de sua própria identidade, de sua própria fé? Existe um direito do povo de Deus que não pode jamais ser menosprezado. Em virtude de tal direito, todos precisamos estar em condições de alcançar o que não é simplesmente fruto pobre do agir humano, e sim obra de Deus, exatamente por isso é fonte de salvação e vida nova. Alongamo-nos ainda um momento sobre esse tema que, Monsenhor Guido testemunha, está bem no coração do Papa, ouvindo mais uma vez o trecho de Sacramentum caritatis, exortação apostólica de Bento XVI, que brotou do Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia: "Sublinhando a importância da 'arte de celebrar' – afirma o Papa -, coloca-se em luz, por conseguinte, o valor das normas litúrgicas... A celebração eucarística é valorizada exatamente onde os sacerdotes e os responsáveis da pastoral litúrgica se esforçam para tornar conhecidos os livros litúrgicos e relativas normas em vigor... Nas comunidades eclesiais, talvez se considere como algo usual o conhecimento deles e sua justa valorização, mas com frequência não é isso que acontece. Na realidade, são textos onde estão contidas riquezas que guardam e exprimem a fé e o caminho do povo de Deus ao longo de dois milênios da sua história".
terça-feira, 9 de agosto de 2022
09.08.2022 - Primeiro mês de pontificado
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
08.08.2022 - Encontro com os Bispos
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. Quem tem ouvidos, ouça!”.