terça-feira, 2 de agosto de 2022

02.08.2022 - Abertura da Jornada Sacerdotal

Estamos aqui reunidos iniciando a Jornada Sacerdotal. Esta Jornada não tem outro objetivo senão ser um momento de reunião e encontro dos sacerdotes para refletir justamente o tema que define sua essência: o sacerdócio. Por isto que falarmos de Ano Sacerdotal ou de Jornada Sacerdotal não é falarmos de presbíteros. Sacerdote não é sinônimo de presbítero. Os Cardeais, os Bispos e os Presbíteros, até mesmo eu, somos todos sacerdotes ministerialmente. Isto é, pelo ministério que desempenhamos como serviço a Igreja, somos configurados a Cristo Sumo e Eterno Sacerdote. Ele, Jesus Cristo, é o sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec, não nós. Nós somos participantes neste sacerdócio. Por isso que este momento é momento de nos reunirmos para fazer comunhão. Mas, não apenas isso. É momento também de nos colocarmos em "Jornada". Este termo, "jornada" se aplica para nós também como caminho que percorremos. Não só que percorremos, mas, um caminho que percorreremos. E percorreremos não apenas nestes dias, mas que devemos percorrer em todos os dias. E qual caminho é este? Qual é esta Jornada? Esta Jornada é a Jornada de sermos sacerdotes. O sacerdote, desde o antigo testamento, é àquele que oferece sacrifícios. O serviço sacerdotal era justamente o de oferecer o sacrifício no templo. O sacerdócio de Jesus, porém, foi oferecer-se a si mesmo. É esta dimensão que nós devemos assumir. Sabemos que não ofertamos sacramentalmente o Cristo ao Pai, mas, por nossa dedicação, nosso esforço, nosso tempo gasto, somos capazes de nos oferecer somo vítimas. Tornamo-nos, assim sacerdotes-vítimas como afirmava o Venerável Dom Fulton Sheen. Esquecer-se da realidade do "ser vítima" aliena nosso trabalho, nossa missão, faz com que a Igreja se enfraqueça e somos nós próprios que a prejudicamos. Não prejudiquemos a Igreja! Precisamos sim reconhecer os momentos onde não podemos nos doar em nossa Igreja virtual e aí nos afastamos de modos lícitos. Isso não só é válido, é bom. Mas, quando nós não nos sacrificamos um pouco, nós tornamos nossa missão aqui, que tantos prazeres podem trazer para nós, tanta santificação e tanto crescimento pessoal, apenas num simples "tanto faz, tanto fez"; desviamos nossos olhos do foco. É nesta dinâmica que falo do Evangelho de hoje, com a figura que tanto gosto da barca na tempestade. A barca é a Igreja de Pedro, em meio ao mar que é o mundo, a realidade onde estamos inseridos. Não sejamos nós, caríssimos irmãos, as ondas fortes que tentam virar a barca. Não carreguemos esta culpa. Outra dimensão que apresento é a dimensão batismal deste Evangelho: o mar é símbolo da morte, mas é também representação das águas batismais. Pedro vai ao encontro de Cristo, mas quando afunda nas águas da morte, como todo batizado, confia em Cristo e o Senhor o puxa para fora, o salva. Mas, sobretudo, irmãos, quando Pedro falha na fé, é confiando no Senhor e pedindo que Ele o salvasse, que Pedro é salvo. Imagino a cena: Pedro se agarrando nas mãos do Senhor e olhando profundamente naqueles olhos amorosos do Mestre e clamando por misericórdia. Nunca, nunca, deixemos de olhar nos olhos de Jesus e assim nunca perderemos de vista a nossa meta e a nossa missão. Assim seja! Amém.

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