Queridos filhos e filhas, quais são as consequências que estamos dispostos a abraçar por amor a Deus? Não há, filhos e filhas, amor sem sacrifício. Não há amor verdadeiro que não acarrete sofrimento. Não há verdade que não fira. Não há seguimento de Jesus Cristo sem suas consequências. E, se ainda não estamos enfrentando as difíceis consequências do seguimento de Jesus, é porque ainda não estamos seguindo direito. Isto, porque, o projeto de Jesus Cristo, a vida conforme seus ensinamentos, é controverso a proposta da sociedade. Por isso, seremos perseguidos. Vejam o exemplo do profeta Jeremias, na primeira leitura, jogado numa cisterna por anunciar o plano de Deus. O profeta sofreu as consequências justamente por ser profeta. Jeremias foi condenado a pagar com a própria vida o anúncio da verdade. Mas, vai além: o próprio Jesus fala no Evangelho que a consequência de segui-lo seria até mesmo a divisão dentro das famílias. Quantos de nós não temos, em nossas casas, em nossas famílias, pessoas que ainda não abraçaram a fé em Jesus Cristo? E essas pessoas não entendem o seguimento. Elas não entendem o nosso empenho e amor para seguir Jesus. Muitas vezes nos questionam se não estamos indo demais a Igreja. Filhos e filhas, isso é absolutamente normal. Jesus já disse que a consequência de abraçá-lo é uma divisão entre os que escolhem a ele e os que não escolhem. Não que Jesus seja o divisor, portanto, mas, a divisão é uma realidade que se fará presente enquanto o mundo todo, todos os povos, todas as famílias, não se converterem completamente ao Evangelho. E a proposta do Evangelho por si mesma é provocativa para aqueles que ainda não acreditam nele. A boa-nova de Jesus impõe sobre nós um outro modo de olhar a realidade, as injustiças, a liberdade, a responsabilidade, enfim, ela é inquietante. Nem por isso podemos nos descompromissarmos com o Reino de Deus, e qualquer tentativa de neutralidade para com ele é ilusão, já estamos compromissados pelo nosso batismo. Pelo batismo já estamos inseridos na luta que é sermos cristãos. Por isso que o autor da Carta aos Hebreus fala que estamos em combate, rodeados por testemunhas, os santos e santas de Deus. E de modo especial, hoje, temos como testemunha São Maximiliano Maria Kolbe, padre e prisioneiro do campo de concentração nazista, Maximiliano abraçou as consequências de ser cristão a ponto de ofertar a própria vida para morrer numa câmara de gás no lugar de um pai de família. Assim, também, irmãos e irmãs, Jesus também abraçou a cruz com grande amor. A cruz era consequência do seu projeto savífico, do seu plano de amor. Nós temos que ter os olhos fixos em Jesus Crucificado para sermos semelhantes a ele, autênticos cristãos. Ele foi o que primeiro resistiu até o derramamento do próprio sangue na luta contra o pecado, e nós devemos fazer o mesmo. De fato, o próprio Jesus anunciou na primeira parte do Evangelho que ouvimos, que Ele veio lançar fogo sobre a terra e que Ele devia receber um batismo. O batismo que Jesus iria receber era o batismo de sangue na sua morte e Ressuscitado Ele envia sobre nós o dom do Espírito Santo, o fogo do alto, para nos renovar e impulsionar na missão. Abracemos, portanto, o Evangelho, a fé em Jesus Cristo até as últimas consequências e confiemos que o Espírito Santo nos dará forças para lutar e para suportar a cruz, até o dia que toda humanidade de se converter para Cristo e Ele for tudo em todos. Assim seja! Amém.
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