quinta-feira, 4 de agosto de 2022

04.08.2022 - Solenidade de São João Maria Vianney

Queridos filhos e filhas, encerramos nossa Jornada Sacerdotal celebrando a memória, neste evento celebrada como solenidade, de São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes. As leituras escolhidas por nós para esta celebração possuem o mesmo plano de fundo: o prêmio pelo nosso ministério. Há uma inegável condição humana, por conta do pecado, de busca do poder e da recompensação munda, uma busca por reconhecimento. Mas, entre nós, não deve ser assim, alerta-nos Jesus. Não que haja um problema na premiação ou na recompensa. Percebemos no livro do Deuteronômio que enquanto cada casa de Israel recebia uma herança, a tribo de Levi não a recebeu. Não recebeu herança, pois recebeu o próprio Senhor. Isto é, tinha a satisfação do serviço a Deus. É este mesmo serviço e cuidado das coisas de Deus e do povo de Deus que São Pedro fala que nos fará receber a coroa imperecível da glória. Mas, para chegar a isso, é necessário dedicação. Percebam, porém, filhos, em nenhum dos dois textos se prometeu qualquer tipo de recompensa neste mundo, de reconhecimento neste mundo. Aqui, há apenas a satisfação do serviço que, como eu dizia ontem, brota do gosto e da amizade. Isto porque a dinâmica das coisas de Deus, e a dinâmica do próprio Deus, inverte o nosso modo de pensar. O Evangelho que ouvimos insere-se no contexto da Ceia, depois do Lava-Pés e da Instituição da Eucaristia, quando Jesus fala que seria traído. Então os discípulos começam a se perguntar quem seria o maior entre eles. Jesus propõe uma mudança de mentalidade aos seus discípulos ao afirmar que o maior dentre eles é aquele que serve e não o que está sentado a mesa, não o que se sente superior. O próprio Jesus havia-se feito servo, naquela mesma noite em que Instituiu o Sacerdócio ministerial. Nós servimos pela missa, pelos sacramentos, pela missão 'ad gentes', pelo testemunho, pelo contato com os outros, enfim, quando cumprimos com nosso dever de evangelizar. Vejam que grande exemplo, neste sentido, é para nós São João Maria Vianney. O padroeiro dos sacerdotes era um pároco simples, de uma aldeia com duzentos moradores, Ars, que copiava homilias de livros para poder fazê-las na missa, pois não tinha o dom da palavra. Mas, de tal modo ele se gastava nos confessionários, que se tornou patrono dos sacerdotes. Isto justamente porque o cuidado do Santo Cura D´Ars era um cuidado com as pessoas, com cada pessoa, aproximando-a do amor misericordioso de Deus. Por isto milhares e milhares de pessoas iam à pequena Ars buscar aquele piedoso padre: pois ele as aproximaria do amor de Deus. Esta é a missão que somos chamados a reproduzir e esta é a maior expressão do nosso serviço. Para isso somos sacerdotes. E é efetuando este nosso serviço que o próprio Cristo nos chamará a comer e a beber em sua mesa. Sua mesa eucarística e sua mesa na eternidade é a mesa dos serviçais. E não duvido que Deus nos recompensará por nosso apostolado aqui, já que por trás de cada tela, cada nick, há uma pessoa. Que Maria, grande serva do Senhor nos ajude e que nossa Jornada Sacerdotal nos anime para isso: para servirmos e amarmos, e a nossa recompensa será o próprio Senhor. Assim seja! Amém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário