Irmãos e irmãs, dos quais saúdo de modo especial os eminentíssimos senhores cardeais aqui presentes na pessoa de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, decano do colégio cardinalício, e de Dom Cristiano Tavares, hoje inserido neste colégio. Que é este cardinalato, Dom Cristiano, que hoje estais recebendo? É um compromisso ainda mais íntimo com a Igreja do Senhor. Não pense, Dom Cristiano, em momento algum, que será cardeal por mérito seu. Nada é mérito nosso, tudo é mérito de Cristo. Não pense que receberás honrarias por este título, pois só receberás trabalhos e compromissos. Mas, tenha certeza, que se fizer isto bem feito, serás recompensado com uma enorme alegria e satisfação. E quanto mais o senhor se doar, quanto mais se desgastar no serviço da Igreja, mais feliz estarás, mais satisfeito, e mais vai querer se doar. Lembra-te sempre disso: és inserido num colégio de príncipes, mas que ao mesmo tempo são servos. Três termos: colégio, princípe e servo. Primeiramente, és inserido num colégio. Isso quer dizer que o senhor não estará sozinho como cardeal, mas, deve seguir o ritmo do colégio e no colégio, se se permitir, irá amadurecer muito e formar belas amizades que poderá levar para a vida toda. É um colégio de irmãos, com todas as suas dificuldades. Em segundo lugar, serás príncipe. Este termo, por mais que eu não goste muito, foi amplamente utilizado por tantos séculos. Mas, que fazer com este título? Lembrar-se que o príncipe é aquele que está próximo da corte, num lugar elevado da hierarquia e que este papel de destaque deve ser usado pelo bem do teu povo, não pelo teu próprio bem. O cardinalato que recebes é fruto do teu trabalho com os outros, não dos teus trabalhos contigo mesmo, por isso também é uma honra para eles e tu deverás honrá-los. Em terceiro lugar, serás ainda mais servo. Eu gosto de repetir em todo consistório que o símbolo do vermelho é do sangue que derramas: é aquele dá a vida. E quem nos deu a vida foi o Cristo, quando fez-se servo de todos nós. Não é um servo só de palavras, mas um servo em ações, que entrega sua vida a morte e morte de cruz para redimir e reconciliar a humanidade com o Pai. Nunca te esqueças deste trecho do Evangelho que ouvimos: "Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos.". Estarás num lugar elevado na hierarquia, mas, para que deste lugar, tu sirvas, próximo de Cristo, capaz de ser batizado pelo sangue. Não simplesmente o sangue do martírio, mas, o sangue derramado no dia a dia, nas pequenas coisas, nos caminhos da vida, nas renuncias que farás pela obra de Cristo aqui na Igreja. Não se desespere por isso tudo, nem pense que não vai ser capaz: entrega tua fragilidade nas mãos do Senhor e Ele fará todas essas coisas serem realidade na tua vida e na vida de todos nós que queremos ser autênticos apóstolos do Senhor Jesus. Assim seja! Amém.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2022
domingo, 25 de dezembro de 2022
25.12.2022 - Bênção Urbi et Orbi
Amados irmãos e irmãs, celebramos o Natal de Jesus. O Natal é sempre um momento de muita sensibilidade nos nossos corações. De fato, vendo o menino Jesus deitado na manjedoura, nosso coração se aquece e sente grande alegria, pois temos um Salvador. Porém, este espírito precisa ser mais presente em nós. É fácil se sensibilizar com as belas imagens do presépio. É muito mais difícil quando precisamos nos sensibilizar com Jesus onde não esperamos: nos pobres das nossas comunidades e cidades, nos que vivem em situação de rua, nos que estão prisioneiros, nos migrantes, nos idosos, nos doentes, nos que vivem em situações de precariedade, e porque não falarmos, nos desempregados, nos que fazem trabalhos análogos a escravidão ou humilhantes, nas prhostihthutas, nos que sofrem com ansiedade ou depressão. Nosso coração precisa se sensibilizar mais para os outros. É muito fácil viver uma fé descompromissada, mas que sequer reza por estes nossos irmãos. Sequer se reza. Passamos muito tempo rezando por nós mesmos e nos esquecemos de rezar pelos outros. Mas, nem sempre rezar é fazer muito. Se podemos fazer mais, devemos fazer mais. Talvez nosso trabalho mais importante seja conscientizar os outros sobre essas situações e levantar questionamentos: por que aquela pessoa cometeu um crime? por que aquele outro vive na drogadição? por que aquela se prhostithui? por que aquele migrante veio para cá? por que aqueles sofrem de ansiedade ou depressão? E então perceberemos que, muitas vezes, a culpa também é nossa. Sim, pois mantemos armadas estruturas de pecado. Existem estruturas sociais que quase induzem os outros ao pecado e algumas que quase que obrigam: quando não se tem o que comer ou a mínima dignidade, educação, saúde, escola, saneamento básico, mas, sobretudo, respeito, atenção, carinho e amor. E, assim, choramos diante do presépio, mas não conseguimos derramar sequer uma lágrima diante dos que sofrem; nos esquecemos que Jesus foi adorado pelos pequenos, pois os grandes do mundo o desprezaram. Não o desprezemos nos que precisam de nós. Jesus aceitou assumir a nossa carne humana, Ele sendo Deus. Assim, Ele se suja na nossa lama, na lama do nosso pecado e na nossa situação. Precisamos aprender, tantas e tantas vezes, a arregaçarmos nossas mangas para também nos sujarmos na lama, na sujeira de nossos irmãos, ou não seremos autênticos cristãos. Que Jesus sensibilize o nosso coração, para sermos mais a sua imagem, um Deus que se fez pequeno para nos salvar. Assim seja! Amém.
25.12.2022 - Natal do Senhor
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o Natal do Senhor. Celebramos o glorioso dia em que deu-se a plenitude da encarnação da Palavra de Deus na natureza humana, no nosso tempo e na nossa história. O Menino que nasce hoje, não é simplesmente um filho de Deus, mas é o próprio Deus Filho, a segunda pessoa da Santíssima Trindade que deixa de habitar com o Pai e o Espírito Santo para habitar com os seres humanos. Que grande mistério de amor! São João, no Evangelho que ouvimos, com uma profunda teologia, revela-nos este mistério do nascimento do Salvador. São João não explica o natal históricamente, mas, teologicamente. O Evangelho começa com um jogo de luz e trevas, onde as trevas não conseguem dominar a luz, mostrando para nós que mesmo antes de Cristo, a escuridão não era total. A Palavra vinha ao mundo por meio dos profetas, mas a mensagem dos profetas não foi acolhida como deveria. Então o Deus Filho, que era a Palavra, o Verbo, o Logos, isto é, a lei eterna de Deus ao criar o universo, assume nossa humanidade: a Palavra se faz carne e nós vimos a sua glória. E o Evangelista ainda afirma que por mais que não vejamos a Deus Pai, ao Filho, o unigênito de Deus, nós o conhecemos e o conhecemos num rosto humano. Deus Eterno, antes inimaginável (por isso dele era proibido fazer qualquer tipo de escultura), agora assume um rosto humano num pequeno e frágil menino. O autor da carta aos Hebreus revela com tamanha maestria que Jesus Cristo é aquele que foi gerado pelo Pai, adorado pelos anjos, a Palavra que agora nos purificará de todos os pecados. Os confis do universo podem ver a salvação do nosso Deus, porque não é uma salvação abstrata, mas, assume uma carne humana, assume o que nos é realidade. Não deixemos, irmãos e irmãs, que Jesus, o menino ou o crucificado, se tornem algo abstrato para nós. Não permitamos que Jesus se torne um ideal, uma filosofia, um projeto ou uma utopia. Jesus Cristo é uma pessoa humana, que nos rehumaniza, que nos torna pessoas, que nos torna filhos e filhas de Deus, porque se fez igual a nós, porque entrou em nossa história e assumiu a nossa carne e as glorificou para sempre. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
24.12.2022 - Missa da Noite do Natal
Amados irmãos e irmãs, os quais saúdo no nome de Dom Jorge Snaif Cardeal Médici, Arcipreste desta Basílica e Decano do Colégio Cardinalício. Estamos celebrando a noite do Natal, isto é, a noite em que nosso Senhor Jesus Cristo nasce em natureza humana. Deus eterno, o Filho do Eterno Pai, dignou-se assumir a nossa humanidade. O eterno entra na história. O divino ocupa um corpo de criatura. Ele vem nos trazer a salvação. O Filho se torna humano, o logos se encarna na natureza humana, para que nós, humanos, recebessemos a reconciliação com o Pai. Chegou a plenitude dos tempos e o que todos esperavam desde o Antigo Testamento se concretiza e é superado: Deus entrou na história. Ele entra na nossa história de modo que é fixado num tempo histórico, naquele em que houve o recensseamento, quando Quirino era governador da Síria. E, ao entrar na história, assume também as nossas histórias. Assume o papel do desprezado, do migrante, de todo sofredor. Assume para si a pequenez da pessoa humana e nasce como frágil menino. Ele que é a luz que brilha na escuridão do mundo, o Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, o Príncipe da paz, vem ser para nós o amor de Deus que nunca se esqueceu de sua promessa, que nunca se esqueceu de seu povo, que nunca se esqueceu de nós. Mas, Ele não foi acolhido e, renegado, nasceu onde os animais comiam. O amor de Deus nunca foi entendido ou compreendido. Quem foi adorá-lo foram os pastores, os simples, aqueles de coração humilde. Estes tiveram medo quando os anjos se aproximaram, mas, ainda assim, foram e adoraram Jesus. Eles tiveram a graça de ver o céu em festa, pois a criatura humana seria resgatada e por isso Deus é glorificado nas alturas e a paz chegaria aos homens amados por Deus. Sim, irmãos e irmãs, acolhamos no nosso coração este Senhor, entreguemos em suas mãos a nossa história e olhando para o menino no presépio, deixemo-nos encantar pelo amor que rompe a escuridão e frieza desta noite com a sua luz e o calor do seu amor, a quentura de seu amor inflamado pela humanidade. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
22.12.2022 - Imposição do Pálio
Amados irmãos e irmãs, dos quais saúdo de modo especial Dom Nadson Bob Paixão Cardeal Médici, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, que hoje recebeu o pálio pastoral. Estamos há dois dias de celebrarmos o Natal do Senhor e a liturgia deste tempo tão singular propõe para nós o cântico, o louvor de Maria, que chamamos de magnificat. Este louvor de Maria, nos recorda que devemos sempre louvar o Senhor por sua ação e bondade para conosco. Maria ressalta como Deus olhou com misericórdia para com ela. Interessante, irmãos e irmãs, é que a liturgia de hoje coloca um paralelo a este cântico da Mãe de Deus, que é a história de Ana, mãe de Samuel, e também o seu cântico de louvor. Ana havia orado e pedido a Deus um filho, na presença de Eli, com choro e sofrimento. Deus a concede este filho, Samuel. E o que faz Ana? Ana vai e o oferece ao sacerdote Eli, no Templo, e consagra o seu filho a Deus. Irmãos e irmãs, o nosso louvor deve ser também um gesto concreto. Devemos sim, dizer a Deus que o louvamos e louvá-lo ao nosso modo, mas também com os salmos e cânticos. Mas, devemos louvá-lo na concretude. O concreto do louvor de Ana foi o oferecimento de Samuel, o concreto do louvor de Maria foi a missão de ser Mãe do Redentor, o concreto do louvor do nosso Senhor Jesus Cristo foi sua crucifixão e morte de cruz. Nós também devemos fazermo-nos sacrifícios de louvor. Dom Nadson, tenha sempre isso em mente: devemos ser sacrifícios de louvor. Nós não nos pertencemos, pertencemos ao Senhor. Quero ressaltar, ainda, um aspecto que não está nos textos bíblicos de hoje, mas que faz parte da história de Samuel. Elcana, esposo de Ana, tinha também uma outra esposa, chamada Fenena. Fenena tinha filhos de Elcana, enquanto Ana não os tinha. Fenena provocava Ana por isso e a fazia chorar por conta disso. Foi por isso que Ana pediu, aos prantos, um filho ao Senhor. Com isso, irmãos e irmãs, quero dizer que não importa se vamos louvar ou chorar, se estaremos sorrindo ou abatidos, de braços abertos ou com as mãos juntas ao peito, o importante é que estejamos na presença do Senhor e ele não se esquecerá de nossa oração. Assim seja! Amém.
domingo, 18 de dezembro de 2022
18.12.2022 - IV Domingo do Advento
quinta-feira, 15 de dezembro de 2022
15.12.2022 - Encerramento do Sínodo
Amados irmãos e irmãs, estamos reunidos para encerrar o décimo segundo Sínodo Geral dos Bispos. O Senhor, pela boca do Profeta Isaías, diz-nos: "Por um breve instante eu te abandonei, mas com imensa compaixão volto a acolher-te.". Esta intervenção do Senhor, tão propícia ao Advento, é também conveniente a este momento que vivemos em nossa Igreja. Por vezes, pensamos que o Senhor abandona a sua Igreja. Quando vemos algumas coisas que caminham mal, que andam por caminhos que não são os melhores, os mais propícios, tendemos a pensar que as coisas não tem mais jeito e que o próprio Senhor abandonou sua Igreja, e, se Ele abandonou, nós também podemos abandona-la. Esta é uma de nossas maiores misérias: abandonarmos a Igreja, não nos preocuparmos com ela. Esta consequência da nossa falta de senso de corresponsabilidade, faz com que abandonemos nossos postos, nossas missões, e deixemos que as coisas simplesmente vão acontecendo, e a Igreja vai caminhando quase que sozinha. Eu não penso que exista uma crise na Igreja: vejo um momento como todos os outros de sua história, vejo um hotel vivenciando um tempo diferente e isso influenciando diretamente na Igreja. Diante desta inegável realidade, somos interpelados a não abandonarmos a Igreja também nós, mas, pelo contrário, assumirmos a responsabilidade de sermos Igreja, renovarmos todas as coisas em Cristo e reformarmos a própria estrutura da Igreja para que ela se torne mais evangelizadora, mais missionária, mais discípula e esposa do seu Senhor Ressuscitado. Se o problema é não sermos conhecidos, a Igreja deve ser presença nas mídias sociais; se o problema é com vocações, a Igreja deve se empenhar não só em formar quantitativamente, mas, qualitativamente, pois o pouco com Deus é muito; se o problema é na nossa ação missionária, devemos nos esforçar mais para que Cristo seja conhecido e amado; se os nossos não exercem o ministério como deveriam, devemos lembrar a seriedade da Igreja e ainda mais, a seriedade do anúncio que devemos fazer. Abandonar a Igreja não é uma opção, a não ser para os que não a amam. Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas Deus não afastará de nós a sua misericórdia e o seu amor, diz-nos o profeta. A misericórdia é o sinal que Ele não se esqueceu de nós e nós também não podemos nos esquecer dele e de nossos compromissos para com sua Igreja. Como diz São Lucas no Evangelho, acerca dos fariseus e dos mestres da Lei, não tornemos inútil para nós os projetos de Deus, por recusarmos os sinais dos tempos. Os sinais estão aí, a renovação necessária está proposta, o caminho está desenhado e traçado por este Sínodo: não o recusemos. Esforcemo-nos e renovemos todas as coisas em Cristo. Assim seja! Amém.
domingo, 11 de dezembro de 2022
11.12.2022 - III Domingo do Advento
Caríssimos filhos e filhas, estamos celebrando o terceiro domingo do advento, o domingo da alegria. Neste domingo, um binômio nos é apresentado pela liturgia: deserto e alegria. O profeta Isaías exorta a se alegrar a terra que era deserta; São Tiago fala do agricultor que espera pelas chuvas; no Evangelho, o próprio Senhor fala sobre a figura de João Batista, aquele que no deserto prepara os caminhos do Senhor. Sim, filhos e filhas, como bem nos recorda o salmista, foi no deserto que o Senhor achou e chamou o seu povo. É Deus quem nos tira do deserto. Muitas vezes, nossa vida neste mundo é muito conturbada, com muitos desertos: passamos por tantas situações em que parece que Deus não está presente. Hoje, porém, devemos nos recordar que o Senhor nos vem tirar desse deserto. Deus vem nos tirar das situações onde sentimos sua ausência, onde vivemos na aridez, nas dificuldades, nas dores, e vai nos levar para a alegria. O problema é que muitas vezes a nossa alegria, neste mundo, está baseada em coisas efêmeras. Confundimos pequenas realizações com alegria. E aí, nós que fomos feitos para voar como os pássaros do céu, nos contetamos em rastejar como as cobras. Nós, que fomos feitos para sermos possuidores do Reino dos Céus, nos contentamos com pequenas realizações. Alcemos voos mais altos, filhos e filhas. Sonhemos mais alto, busquemos, firmemente, as coisas mais elevadas. Isso não quer dizer que este mundo no qual vivemos, ou que a matéria, são coisas más. Pelo contrário, são coisas boas, porque criadas por Deus. As coisas deste mundo passageiro podem, sim, nos fazer contentes. Mas, apenas, se antes já formos alegres e felizes em Deus. Pois aí, o próprio Deus vai impregnando de sentido todas as pequenas coisas deste mundo e descobrimos, de fato, o que é alegria. Não mais uma alegria efêmera, mas, uma alegria verdadeira, pois parte de uma certeza: o Senhor está no meio de nós, é Emmanuel, Deus conosco. "Querem a prova?", perguntaria-nos Jesus, quase como perguntou aos discípulos de João Batista, "os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados". Se este não é o Reino dos Céus entre nós, não há Reino, se este não é o Deus conosco, não sei o que é. Abramos o nosso deserto para a presença do Senhor; deixemos que ele impregne nossas vidas com seu Espírito e seu sentido; e então teremos a alegria do Deus conosco. Assim seja! Amém.
sábado, 10 de dezembro de 2022
10.12.2022 - Ordenação Episcopal do Mons. Francisco Assis
quinta-feira, 8 de dezembro de 2022
08.12.2022 - Solenidade da Imaculada Conceição e Abertura do Sínodo
Amados filhos e filhas, dos quais saúdo de modo especial os padres sinodais, em nome do Relator Geral do Sínodo, Dom Joseph Médici Cardeal Ravassi. Estamos celebrando a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora e abrindo o nosso décimo segundo Sínodo Geral dos Bispos. Esta solenidade que tão bem conhecemos, Maria, a Mãe do Senhor, foi imaculada de todo o pecado desde sua concepção no ventre de Sant´Ana, por antecipação dos méritos de Cristo, traz-nos uma belíssima mensagem: Maria, a Imaculada, não conseguia viver para si. Sim, pois sem a mancha do pecado que nos tende para o egoísmo, Nossa Senhora soube pensar nos outros, colocar-se no lugar dos outros. Tudo começa no anúncio do anjo que acabamos de escutar. Mesmo sendo a destinada para ser a Mãe do Redentor, o anjo oferece a Maria a opção de escolher. Para ela, sem dúvidas, seria mais cômodo não ser a Mãe do Salvador. Por conta da gravidez ela poderia perder José, a quem era prometida em casamento, e poderia até ser apedrejada. Mas, não tendendo a si mesma, abre-se aos planos de Deus e aceita a missão. Logo em seguida, ela parte ao encontro de Isabel para servi-la e chegando lá ela canta o belíssimo "magnificat", o canto de louvor a Deus pelas maravilhas que por meio dela chegariam a toda a humanidade. Imaculada, Maria vivia para os outros. Ela, como bem sabemos e cantamos num dos hinos marianos, muda de Eva o nome e torna-se obediente. Se outrora o pecado entrara no mundo, com Maria entra a Salvação na história humana. Porque ela disse sim, também nós, predestinados a sermos filhos de Deus, pudemos nos tornar filhos e filhas amados, pela força salvífica de Cristo e pelo santo batismo. Maria, a Imaculada, hoje resplandece para nós para que neste Sínodo nós, padres sinodais, não pensemos o melhor para nós, mas o melhor para a Igreja. Ela resplandece como Estrela da Evangelização, para que nós, neste Sínodo sobre a Evangelização, aprendamos a evangelizar. Este Sínodo não tem outro objetivo senão o de renovar as estruturas, rever alguns pontos que devem ser revistos, e propor um jeito diferente de agir frente a tantos desafios que a evangelização nos propõe. Para isso é preciso, em primeiro lugar, por os pés no chão para analisar a realidade, o palpável e vermos o que é possível e o que não é possível transformar e nos adaptarmos a isso. Em seguida, sim, é preciso alçar vôos mais altos, pois aí devemos transformar o que é possível transformar, e renovar o que deve ser renovado. Uma tendência nossa poderia ser pensar: "sempre foi assim". Aí nós nos tornamos bichos da goiaba. Para o bicho da goiaba, a goiaba é o mundo todo e nada existe fora da goiaba. Saíamos da goiaba, saíamos da nossa zona de conforto. Maria saiu; os discípulos saíram; o Senhor saiu; não se evangeliza fechado e não se renova estrutura nenhuma pensando que nada vai mudar. Vamos, irmãos, e a exemplo de Maria, renovemos todas as coisas em Cristo. Assim seja! Amém.
terça-feira, 6 de dezembro de 2022
domingo, 4 de dezembro de 2022
04.12.2022 - II Domingo do Advento
Amados filhos e filhas, estamos celebrando o II Domingo do Advento. Hoje, o Senhor nos recorda pela boca de São João Batista, o precursor do Senhor, que não é suficiente dizermos ser filhos de Deus, mas é preciso vivermos como seus filhos e filhas. Sim, viver. Muitas vezes percebemos a incoerência de nossa vida para com o Evangelho de Jesus. Já veio o dia da paz, onde da raiz de Jessé nasceu o Salvador, como profetizou Isaías. Mas, nós, que acreditamos nesta promessa, que professemos Jesus Cristo como nosso salvador, muitas vezes não somos praticantes da Palavra que ele pregou. Cristo se fez nosso servo e é misericordioso para com todos nós, como recordou o apóstolo São Paulo, mas nós não vivemos na sua misericórdia e nem vivemos para servir. A liturgia deste domingo do Advento chama, então nossa atenção e nos adverte: já é hora de viver conforme aquilo que acreditamos. É preciso que façamos acontecer o dia do Senhor, onde floresce a justiça e a paz, é precisamos abandonarmos as obras que nos afastam do Senhor para vivermos a vida em plenitude que Ele nos oferece. Se não somos cristãos autênticos, não somos capazes de experimentar toda a graça salvífica do Cristo que vem aos nossos corações. O caminho, filhos e filhas, é a conversão. A conversão, porém, acontece a partir do encontro pessoal com Jesus Cristo. Só que este encontro é apenas um momento. Conversão não é um momento; é todo um processo, é toda uma vida. Por isso, não se desespere se até hoje você não é convertido. Mas, nem por isso deixe de buscar a conversão. Converta-se todo dia. Escolha todos os dias pelo Senhor e pelos seus caminhos, pela sua vontade, pela obediência a sua Palavra. Converter-se é escolher pelo Senhor. Escolhamos, pois o Senhor, e façamos suas obras. Assim seja! Amém.
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