Amados filhos e filhas, dos quais saúdo de modo especial os padres sinodais, em nome do Relator Geral do Sínodo, Dom Joseph Médici Cardeal Ravassi. Estamos celebrando a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora e abrindo o nosso décimo segundo Sínodo Geral dos Bispos. Esta solenidade que tão bem conhecemos, Maria, a Mãe do Senhor, foi imaculada de todo o pecado desde sua concepção no ventre de Sant´Ana, por antecipação dos méritos de Cristo, traz-nos uma belíssima mensagem: Maria, a Imaculada, não conseguia viver para si. Sim, pois sem a mancha do pecado que nos tende para o egoísmo, Nossa Senhora soube pensar nos outros, colocar-se no lugar dos outros. Tudo começa no anúncio do anjo que acabamos de escutar. Mesmo sendo a destinada para ser a Mãe do Redentor, o anjo oferece a Maria a opção de escolher. Para ela, sem dúvidas, seria mais cômodo não ser a Mãe do Salvador. Por conta da gravidez ela poderia perder José, a quem era prometida em casamento, e poderia até ser apedrejada. Mas, não tendendo a si mesma, abre-se aos planos de Deus e aceita a missão. Logo em seguida, ela parte ao encontro de Isabel para servi-la e chegando lá ela canta o belíssimo "magnificat", o canto de louvor a Deus pelas maravilhas que por meio dela chegariam a toda a humanidade. Imaculada, Maria vivia para os outros. Ela, como bem sabemos e cantamos num dos hinos marianos, muda de Eva o nome e torna-se obediente. Se outrora o pecado entrara no mundo, com Maria entra a Salvação na história humana. Porque ela disse sim, também nós, predestinados a sermos filhos de Deus, pudemos nos tornar filhos e filhas amados, pela força salvífica de Cristo e pelo santo batismo. Maria, a Imaculada, hoje resplandece para nós para que neste Sínodo nós, padres sinodais, não pensemos o melhor para nós, mas o melhor para a Igreja. Ela resplandece como Estrela da Evangelização, para que nós, neste Sínodo sobre a Evangelização, aprendamos a evangelizar. Este Sínodo não tem outro objetivo senão o de renovar as estruturas, rever alguns pontos que devem ser revistos, e propor um jeito diferente de agir frente a tantos desafios que a evangelização nos propõe. Para isso é preciso, em primeiro lugar, por os pés no chão para analisar a realidade, o palpável e vermos o que é possível e o que não é possível transformar e nos adaptarmos a isso. Em seguida, sim, é preciso alçar vôos mais altos, pois aí devemos transformar o que é possível transformar, e renovar o que deve ser renovado. Uma tendência nossa poderia ser pensar: "sempre foi assim". Aí nós nos tornamos bichos da goiaba. Para o bicho da goiaba, a goiaba é o mundo todo e nada existe fora da goiaba. Saíamos da goiaba, saíamos da nossa zona de conforto. Maria saiu; os discípulos saíram; o Senhor saiu; não se evangeliza fechado e não se renova estrutura nenhuma pensando que nada vai mudar. Vamos, irmãos, e a exemplo de Maria, renovemos todas as coisas em Cristo. Assim seja! Amém.
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