Amados irmãos e irmãs, celebramos neste domingo a Solenidade da Santíssima Trindade, a Solenidade de Deus. O Pai que envia ao mundo o Filho, no Espírito Santo, revela para nós seu admirável mistério. Recordem-se àquilo que eu dizia numa catequese há algumas semanas: o mistério não é aquilo que não conhecemos; o mistério de Deus é àquilo que se revela a nós, que se deixa ser conhecido, e que ao se revelar, revela que há muito mais a ser revelado, porque este mistério é inexaurível, inesgotável. Portanto, somos capazes de compreender, ao menos particialmente, esta revelação de Deus como Trindade. Amados irmãos e irmãs, o próprio termo "Deus", em hebraico "Elohim", é um termo plural, tanto na nossa língua portuguesa, como também é no hebraíco. No Antigo Testamento, vários momentos apontam para a manifestação trinitária de Deus. Como o uso do "façamos" na criação do mundo já é sinal da Trindade e os três homens que aparecem a Abraão sob o carvalho de Mambré. Na primeira leitura, ouvimos Moisés ordena: "Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele." Mas, um pouco antes, disse: "Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações...?". Percebemos aqui a passagem da monolatria para o monoteísmo. Ou seja, diante de Israel, que antes acreditava que poderiam existir vários deuses, mas só adorava um Deus, agora passam a crer na existência de um único Deus. E este Deus, é o Deus de Israel. De fato, da descendência de Abraão surgem as três principais religiões monoteístas, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. Mas, apenas para os cristãos, Deus se revelou ainda mais e não só que é um único Deus. Deus revelou ser um só Deus em três pessoas. Jesus Cristo, a Palavra de Deus, é o revelador do Pai e do Espírito Santo, como ouvimos no evangelho da solenidade de hoje. Este Jesus que envia os seus discípulos a fazerem discípulos seus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. De fato, Santo Atanásio nos recorda em sua fórmula de fé, com maestria, que o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus, mas, não são três deuses, é um só Deus em três pessoas, "e nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas, as três Pessoas são coeternas e iguais entre si." Daqui a pouco vai rezar o prefácio de hoje que "adoramos cada uma das três pessoas, na mesma natureza e igual majestade". Sim, irmãos e irmãs, conhecemos a Deus como o Pai, àquele que nos criou, como Filho, que nos salvou, e como Espírito que é o santificador. Mas, quando uma pessoa da Trindade age, age toda a Trindade em comunhão. E comunhão é a palavra forte para falarmos da Trindade. Santo Agostinho diz que "Por isso, Ele (Deus) é Trindade! Porque o amor supõe alguém que ama, alguém que é amado e o próprio amor.". A Santíssima Trindade é plena comunhão, é relação pericorética, ou seja, um amor tão profundo, tão imenso, tão inesgotável, que não somos capazes de compreender ou imaginar. Mas, este Deus é nosso modelo de comunhão também. O filósofo francês Emmanuel Mounier afirma que "só em momentos milagrosos há uma certeza de comunhão que serve de viático para a vida toda.". Assim, diante da dificuldade de fazermos e vivermos em comunhão entre nós, como irmãos e irmãs, em todo o mundo onde precisa reinar a paz, somos chamados a olhar ao nosso Deus-Trindade. E, mesmo sem compreendermos, experimentar o amor de Pai, de Filho e do Espírito Santo, sem limite, como comunhão de amor, e de joelhos diante deste tão grande mistério, nos inspirarmos para sermos promotores da verdadeira comunhão também neste mundo. Esta comunhão que é, como filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos e irmãs de Jesus, com o Espírito Santo que é Deus que habita em nós, sermos irmãos e irmãs entre nós, irmãos e irmãs universais, promotores e construtores de um mundo melhor, sem tanta guerra, sem violência, sem destruição a natureza, sem miséria, sem fome, sem que hajam irmãos que morrem por causa da maldade humana, e nas nossas micro-relações, que sejamos mais respeitosos, que consideremos e cuidemos dos outros como nossos verdadeiros irmãos e irmãs. E que nos acompanhe o modelo a intercessão de São Filipe Néri, o apóstolo de Roma que desgastou sua vida no serviço aos doentes, aos pobres e aos jovens, como irmão de todos. Assim seja! Amém.
domingo, 26 de maio de 2024
quinta-feira, 23 de maio de 2024
23.05.2024 | Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora com os Salesianos
Amados irmãos e irmãs, querida família salesiana, aos quais saúdo no nome do Dom Fernando Cardeal Haddad, "foi ela que tudo fez". Estamos celebrando a Solenidade de Nossa Senhora Auxiliadora, grande padroeira desta família de Dom Bosco. Foi ele mesmo que disse que “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso”. De fato, a primeira leitura nos fala de uma mulher no céu, coroada de estrelas, vestida de sol, com a lua sob os pés. Irmãos e irmãs queridos, esta mulher é Maria, mas esta mulher também é a Igreja. Nós cremos que aquilo que viveu Maria na sua assunção, também viveremos na ressurreição da carne. Cremos que há uma festa para nós no paraíso, e que no caminho para esta festa, Maria é nosso auxílio. Nas Bodas de Caná, que ouvimos no Evangelho, ela é auxílio para aqueles esposos recém-casados, diante da humilhação da falta de vinho. O vinho traz alegria. O vinho pelo qual roga a Mãe Auxiliadora, deve ser também o vinho da família salesiana. Vinho da alegria, mas também um vinho novo. Sem nunca perder de vista a novidade do Evangelho que deve ser sempre novo em seu anúncio aos jovens, anunciado com alegria. Mas, também sem nunca perder de vista que o milagre acontece nas mãos dos que servem. Eles tiram água das talhas e em suas mãos a água se torna vinho. Jesus faz o milagre por meio dos que servem. Peçamos que Nossa Senhora seja sempre nosso auxílio em todas as necessidades, para que nunca fiquemos desamparados, mas sempre obtenhamos sua materna intercessão e cuidado. Não somos órfãos, temos uma mãe. Deus quis ter mãe. E sua mãe é nossa mãe, e é Mãe Auxiliadora. E que ela seja nosso auxílio no caminho para a plenitude da vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor, levando conosco os nossos jovens. Assim seja! Amém.
domingo, 19 de maio de 2024
19.05.2024 | Domingo de Pentecostes
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o Domingo de Pentecostes. Este domingo que é a terceira mais importante solenidade do ano litúrgico, depois da Páscoa e do Natal é a festa do Espírito Santo. Entremos, pois, no mistério que celebramos. Estamos no quinquagésimo dia depois da Páscoa, o Pentecoste, dia em que segundo o relato dos Atos dos Apóstolos, os discípulos ficaram cheios do Espírito Santo no cenáculo de Jerusalém. De fato, o Espírito já havia sido soprado sobre eles por Jesus Ressuscitado, conforme o relato de São João. Mas, a partir do Pentecostes, nós percebemos os frutos, os dons, o agir do Espírito Santo. O Espírito Santo age, ele é Deus em movimento, e movimento de amor. É ele quem distribui os ministérios, os carismas e os seus sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, ciência, fortaleza, piedade e temor de Deus. É o Espírito Santo que ora em nós e phor nós. Ele precisa de nossa abertura de coração. E do mesmo modo que no Batismo recebemos o Espírito Santo e na confirmação, na crisma, assumimos com maturidade o agir do Espírito em nós, hoje a Igreja que nasceu do lado aberto do seu Redentor crucificado, que dele Ressuscitado recebeu o sopro do Espírito, torna-se madura na missão pela ação do mesmo Espírito. E como percebemos essa maturidade da missão? Os discípulos começam a falar em línguas estranhas, ou seja, em outros idiomas, e anunciaram o Evangelho. Precisamos perceber, irmãos e irmãs, como está a maturidade de nossa Igreja, e de modo especial a nossa Igreja no Habbo Hotel, a partir da nossa missão. É justamente neste contexto que a partir desta semana irei eu mesmo, como primeiro, presidir a Celebração da Palavra nos quartos públicos de nosso Hotel. Nós precisamos reaprender os modos de evangelização. Precisamos falar nas novas línguas. Algumas vezes podemos olhar, tanto para a nossa Igreja virtual tanto para a Igreja real e percebermos que vem diminuído o número dos membros da Igreja, diante de cisões, do desânimo e da falta de fé. Irmãos e irmãs queridos, que a Igreja de Jesus tenha poucos membros, não há problema. Problema é se formos insignificantes. Se nossa palavra, que é a Palavra, não tiver mais eficácia no mundo, na sociedade, não for transformadora e renovadora. Nossa palavra precisa ser quase um novo sopro do Espírito Santo sobre os outros. Sopro no sentido da ruah de Deus, naquele sopro criador do livro do Gênesis que manifesta o Espírito Santo ainda na criação do mundo. Sopro do Ressuscitado. Sopro que é aquela brisa leve onde Elias sente a presença de Deus. Sopro que é a forte ventania do dia de Pentecostes, que sinaliza a vinda do Espírito. Isto manifesta a força do Espírito Santo. Precisamos desta força. Mas esta força se manifesta no amor. Porque o Espírito Santo é o amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai, este amor é uma pessoa divina. Deste modo, quando pedirmos o Espírito Santo, não o peçamos de um modo intimista e individualista, como que apoderando-se do Espírito Santo e principalmente o honrando como Deus. Não usemos do Espírito Santo em vão. Percebamos, porém, seu sopro, sua ação que ocorre com força e carinho, quando abrimos o nosso coração a Ele e dizemos: Vem, Espírito Santo. Venha não apenas sobre mim, mas sobre todos nós. Vem para nos abrir ao amor. Vem com toda a força de vosso poder divino e vossa generosidade bondosa. Vem e rasga o nosso coração para conhecermos os vossos mistérios. Encerrando este tempo Pascal, Espírito Santo, vem como água viva e purifica nossos corações. Vem, Pai dos pobres, e inflama nosso coração do amor caridade uns pelos outros, para que frutifique em nós os dons que nos concedestes desde o nosso Batismo e confirmastes na Crisma para que assumissemos a maturidade da fé. Vem, Espírito Santo, sobre a vossa Igreja e não permita que ela caia na insignificância de ser incapaz de se comunicar com o mundo moderno, onde ainda tens tanto a agir. Age, Espírito Santo, em nós e phor nós. Assim seja! Amém.
sexta-feira, 17 de maio de 2024
18.05.2024 | Missa da Vigília de Pentecostes
Amados irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos na vigília do domingo de Pentecostes, esta que é a principal solenidade do ano litúrgico após a Páscoa e o Natal. Estamos encerrando a semana de oração pela unidade dos cristãos aqui no hemisfério sul. Logo, a antífona de entrada dessa missa já canta para nós, o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito Santo que habita em nós. Amados irmãos e irmãs, celebramos hoje o mistério do Espírito Santo. Esta é a grande festa do Espírito Santo. Que também é festa da Igreja, porque a igreja que nasce no Coração de Jesus Cristo, recebe o dom do espírito para ser fortalecida em sua missão. A característica da vigília é sempre um momento de espera. Embora já celebremos o grande mistério de Pentecostes, o evangelho que ouvimos é Jesus que fala do Espírito Santo, fala daqueles e os de água viva, que jorram da pessoa que bebe nele, mas o Espírito ainda não havia sido dado. E nesta missa da vigília, o que queremos pedir é o dom do Espírito Santo. Que este Espírito repousa sobre nós. Mas não podemos pedir este dom do Espírito Santo sem entendermos quem é este espírito. Hoje fala-se muito de um Espírito Santo sem história. Um Espírito que vem quase como um servo. Um Espírito que parece que vem e que vai como se fosse uma mera incorporação. Devemos entender que o Espírito Santo é Deus. Estamos celebrando a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Aquele que pairava sobre as águas antes da criação do mundo. Aquele que, ao longo do antigo testamento, manifesta-se em muitos sinais e de vários modos, e que é revelado plenamente por Jesus Cristo. E por Cristo e pelo Pai enviado sobre nós. Não podemos pensar como Joaquim de Fiori, que há um tempo do Pai, um tempo do Filho e um tempo de Espírito Santo, porque, como bem sabemos, quando uma das pessoas da Trindade age, agem também as outras em comunhão. Mas se a ação do Espírito Santo é propriamente a de santificar, e ele quem continua santificando a todos nós, a Igreja as oblatas, o mundo todo. É belo que em toda eucaristia, oferecemos o Cristo no Espírito Santo. É ação do Espírito Santo que faz com que as nossas ofertas sejam consagradas e nós pedimos o Espírito Santo não apenas sobre as ofertas, mas também sobre nós. São as duas epicleses da missa. Na liturgia maronita a epiclese sobre as espécies eucarísticas o sacerdote. Movimentas mãos sobre as ofertas, como se fosse o bater das asas daquela pomba com a qual se manifestou o Espírito Santo quando desceu sobre Jesus no batismo. Ainda assim, o Espírito Santo não é uma pomba, não é o fogo, não é nada deste sinais. Eles são símbolos para se referir a essa realidade pohr nós, tão incompreendida, que é esse Espírito Santo. De fato, a Igreja oriental é muito mais pneumatológica do que nós, que somos totalmente cristocêntricos. Não que isso seja um problema, justamente porque só me conhecemos a Jesus Cristo por causa da ação do Espírito Santo que fez com que a mensagem da salvação chegasse até os nossos tempos. E se hoje pedimos o Espírito Santo, pedimos que ele abrase o nosso coração para a dádiva da unidade. O espírito que une tanta gente, tantas línguas diferentes numa mesma unidade, una também todos os cristãos sob um mesmo Senhor, sob um mesmo sentimento: sentimento comum de urgência do cuidado com a natureza que é dom de Deus; sentimento comum de urgência da paz entre as nações; sentimento comum da urgência do cuidado com os empobrecidos; sentimento comum de que mesmo sendo muitos os cristãos, se não cuidarmos de tudo isso, não somos, autenticamente cristãos sob o impulso do mesmo Espírito Santo. Assim seja! Amém.
quarta-feira, 15 de maio de 2024
16.05.2024 | Vigília de Oração pela Unidade dos Cristãos
Dom Gregório Cardeal Michels, eminentíssimo Prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, eminências, excelências, reverendos, irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos a Vigília de Oração pela Unidade dos Cristãos, momento alto da nossa Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que acontece nesta data aqui no hemisfério sul. De fato, esta Vigília de Oração foi pensada como Vigília Ecumênica e até mesmo divulgada como tal. Mas, diante das procuras incessantes de Dom Gregório Michels aos nossos irmãos separados, foi recusado não apenas o convite para esta celebração, mas para qualquer espécie de diálogo. De fato, uma das igrejas separadas afirmou sequer ter um prefeito para este encargo da Unidade dos Cristãos, pois este não é um assunto importante. Infelizmente, percebemos, que a Unidade desejada por Jesus não é importante. Sem estes irmãos separados, e sem outras denominações cristãs em funcionamento significativo no Habbo, a Vigília Ecumênica passou a ser uma Vigília de Oração nossa, para que todos os cristãos se convertam para a necessidade do diálogo ecumênico. Primeiro, por uma conversão nossa, que como Igreja tantas vezes não soubemos dialogar e quisemos impor. Sabermos o nosso lugar, sabermos da nossa primazia, não nos garante o direito de imposição. Segundo, por uma conversão dos nossos irmãos, não a nós, mas ao diálogo. O diálogo ecumênico e o diálogo inter-religioso, sempre necessitam dos dois lados estarem abertos, com espírito de humildade, com reconhecimento de si, mas também com reconhecimento de suas misérias. Lembro-me há muitos anos da visita de dois de nossos irmãos separados, sumos pontífices romanos de suas Igrejas, que vieram até a Basílica de São Pedro para rezarmos juntos. Mas, assim percebemos que nem todos os passos são para frente, alguns passos também são de retrocesso. Devemos ter em mente, irmãos, que como Igreja devemos ser sérios. A Igreja deve ser séria. Não estamos aqui brincando de Igreja. Não se resume a quartos, celebrações, a uma vivência hierarquica. O nosso apostolado é muito mais que isso: é anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, é ministério e é pastoral. O sonho de Deus é que sejamos um como um só corpo. E não vos digo apenas um só corpo com os irmãos separados aqui da nossa realidade virtual. Deus sonha com a unidade de todos os cristãos na realidade. Unir, respeitando o outro enquanto outro. Unir respeitando o direito do outro de ter sua religião, de acreditar e seguir Jesus Cristo de um outro modo. Jesus Cristo não se impõe, se propõe. Toda religião que se impõem é uma religião que não liga a Deus e que não liga ninguém a ninguém, mas destrói vínculos, ofende a dignidade e a liberdade da pessoa humana, e usa o nome de Deus para os benefícios próprios e para coisas totalmente contrárias à vontade de Deus. Irmãos e irmãs, se dizem que todos os caminhos levam à Roma, é a Igreja de Roma que deve partir em direção daqueles que estão separados, não para converte-los, mas, aproximá-los. Dizer isso parece tão anti-evangélico. Mas, é o nosso testemunho que pode atrair aqueles que virão para professar a fé conosco como comunidade de fé. Não imporemos mais, sobre ninguém a fé cristã-católica, antes, iremos propor e acompanhar a vivência desta fé. E aos nossos irmãos e irmãs, respeitaremos cada qual em seu credo ou culto. Sonhando, sim, com a unidade, mas compreendendo que essa unidade se constrói, como diz Papa Francisco, num processo lento e artesanal. Rezar pela unidade dos cristãos não é simplesmente rezar pela conversão de todos para a Igreja Católica. Rezar pela unidade dos cristãos é rezar para que todos nós possamos trilhar juntos o mesmo caminho, do amor e da paz, caminho que é o próprio Jesus Cristo, nos abrirmos e confiarmos que a obra da unidade é dom do Espírito Santo. Assim seja! Amém.
segunda-feira, 13 de maio de 2024
13.05.2024 | Nossa Senhora de Fátima
Eminentíssimo Dom Raul Cardeal Steiner, reitor desta Basílica de Nossa Senhora de Fátima, amados irmãos e irmãs, estamos aqui celebrando a solenidade de nossa padroeira, Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Nossa Senhora que naquele ano de 1917 aparece aos três pastorinhos, aquelas três crianças, São Francisco e Santa Jacinta Marto e Lúcia dos Santos, com uma mensagem sobre a necessidade da conversão. Diante daquele contexto da primeira guerra mundial, Nossa Senhora se manifesta com uma mensagem que era também de esperança, pois foi precedida pela manifestação do Anjo da Paz. Nossa Senhora, quando se manifesta, fala sobre o purgatório, sobre a oração pela paz, fala que o seu coração Imaculado é refúgio. Mostra às três crianças o inferno, revela seu Imaculado Coração e revela um atentado que ocorreria ao papa João Paulo II, que são os três segredos. Nossa Senhora pede penitência e oração. E para manifestar ainda mais a sua glória e coroar as aparições da Senhora que Ele havia permitido comunicar-se conosco, o Senhor realiza o milagre do sol em 13 de outubro daquele ano. Nossa Senhora se manifesta como a Senhora do rosário. Senhora do rosário, porque o rosário não se refere apenas a Nossa Senhora, mas é uma oração cristológica, quando bem rezado, porque remonta aos mistério do Senhor. Por isso, justamente, devemos meditar o rosário. No rosário, devemos justamente quase nos perder na repetição das palavras, para meditar o mistério. Às vezes nós rezamos e nos perdemos na repetição para pensarmos bobagens, compromissos, outras coisas. Mas, não deve ser assim. Devemos entrar justamente na meditação do mistério. Algumas vezes não rezamos o rosário ou o terço com a desculpa que nos perdemos na oração. Podemos, sim, nos perder, mas, para meditar o mistério. Esta é nossa oração pedida por Nossa Senhora. Me recordo sempre daquela belíssima oração que inicia a novena perpétua de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: em Maria, tudo se refere a Cristo e dele depende. Maria, de fato, é aquela que nos aponta como apontou aos serventes das bodas de Caná: "Fazei tudo que ele disser!". Nossa Senhora sempre nos aponta Jesus. O grande carinho que nós, peregrinos de Fátima, viemos apresentar diante da Senhora, apresentamos também diante do Senhor. É belo o modo como a Senhora de Fátima mostra em realidades palpáveis para aquelas crianças imagens que elas não poderiam entender de modo abstrato. De fato, crianças não entendem facilmente abstração. E diante do grande mistério de Deus, nós também não. Por isso, Nossa Senhora usa de imagens, usa da linguagem do contexto, para falar de coisas que são muito maiores. Por Maria, é o próprio Jesus que fala conosco. Não revela nada de novo, porque Nossa Senhora não tem essa autoridade, mas nos ajuda a compreender e a viver melhor aquela revelação que já se deu e se concretiza em Jesus Cristo e que continua se revelando em cada contexto e de acordo com cada necessidade. É Deus que nunca se esquece de se comunicar conosco, para nos animar neste caminho da história da Salvação, da qual nós fazemos parte. Que por intercessão de Nossa Senhora do Rosário de Fátima possamos, por meio da oração e da penitência, atualizarmos também para o nosso tempo o mistério do Senhor e concretizarmos na nossa história, a história da Salvação. Assim seja! Amém.
domingo, 12 de maio de 2024
12.05.2024 | VII Domingo da Páscoa
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o sétimo domingo
do tempo da Páscoa. Este domingo nos convida a refletir sobre o dom da unidade.
Unidade primeiro a do colégio apostólico, que ouvimos na primeira leitura que
diante da traição e abandono de Judas, elegem Matias para ficar em seu lugar.
Unidade que é a unidade no amor, como prenuncia São João em sua primeira carta.
Unidade que é a unidade de Jesus Cristo com o Pai, sinal da sua unidade também
com a Igreja. No evangelho que ouvimos, está presente a grande oração
sacerdotal de Jesus, aquela oração feita por Jesus após os ensinamentos que se
seguiram à última ceia e que coroa a obra de Jesus. Esta oração, na verdade, se
concluirá com o Cristo crucificado, que eleva ao Pai plenamente esta e todas as
orações. E nesta oração, Jesus começa pedindo o dom da unidade. Que ele seja um
assim como nós somos um. É profundo este texto porque sabemos que na relação
pericorética da Trindade, o Pai não é o Filho e o Filho não é o Pai. Ainda
assim, são um. Porque são um no amor. Nós precisamos muito aprender a ser um no
amor. Porque nossa tendência é sempre mais dividir e dividir pelo ódio. O ódio
divide. Mas Jesus pede a unidade. Jesus pede ao Pai que permanecemos Unidos e
que nós sejamos guardados no nome do Pai. Jesus recorda ao Pai que deu aos
apóstolos a palavra. Mas o mundo não quis aceitar a palavra. Quando Jesus fala
que o mundo, Não podemos entender simplesmente como uma visão que separa 2
realidades, uma humana e uma divina. Se não, corremos o risco de cair num
maniqueísmo, Onde o que é corpóreo é sempre ruim. O mundo aqui é um mundo que
não aceita a Jesus. É o mundo que fechou o coração a Jesus. Não é o mundo que é
ruim. Nós vivemos no mundo. No mundo, em todas as suas esferas. Mas pertencemos
também ao mundo diferente. Que já é um mundo renovado e pacificado no amor de
Jesus Cristo. Que é um mundo que se prepara para viver a realidade da
eternidade. E o mundo que rejeita Jesus Cristo é o mundo que persegue os seus
apóstolos. Ao mesmo tempo que pedimos o dom da unidade, vemos que muitos
daqueles que não acolheram o evangelho semeiam ódio, divisão. Às vezes dentro
da Igreja. Às vezes, quem semeia o ódio, a divisão, quem tem o espírito do
mundo que não acolhe o evangelho, é gente daqui de dentro. Mas Jesus nos
consagra, na verdade. Na palavra que é a verdade. E, diante da verdade, nenhuma
máscara permanece. Todas as máscaras caem. Diante do evangelho, nós devemos
deixar cair a nossa máscara e revelarmos a nossa verdade diante de Deus. Assim
seremos enviados ao mundo e consagrados na verdade. Para continuarmos a missão
de Jesus, que ascende aos céus e nos prepara um lugar com ele. Quando deixamos
as máscaras caírem, recuperamos aquela dignidade da semelhança com Deus. Mas
para isso, precisamos entrar no espírito da verdade, deixarmos cair toda a
máscara, toda mentira, todo ódio, tudo aquilo que desune para fazermos comunhão
com o Pai, com Filho, com o Espírito Santo, com os irmãos, com a criação como
um dom de Deus. Deus não quer nos perder. Jesus guarda os apóstolos. Guarda
também a nós para que não nos percamos. Se nos perdermos, é por culpa nossa.
Porque Deus está sempre nos dando oportunidades e nos buscando de volta. Mas,
às vezes, queremos permanecer na nossa mentira. Na nossa ilusão. No nosso
mundinho. Ainda assim, Deus está nos procurando. Que possamos ter a mesma
atitude de Jesus, que ergue os olhos ao céu olha ao Pai amado e elevemos a ele
a nossa oração de perdão, de esperança, de propósito, de mudança, de pedido da
unidade e da paz. E agora, quando ir, temos os olhos, vemos junto do Pai Jesus,
que é ele próprio, modelo de unidade. Assim seja! Amém.
quinta-feira, 9 de maio de 2024
09.05.2024 | Solenidade da Ascensão do Senhor
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade da Ascensão do Senhor na abertura deste caminho para o Jubileu de 2025, peregrinos da Esperança. Se, por um lado, estamos por assim dizer na conclusão da missão de Jesus com sua presença neste mundo, e aqui na liturgia lemos a conclusão do Evangelho de São Marcos, por outro lado estamos no início de um novo momento da história da Salvação, onde Jesus continua sua missão através da Igreja, no Espírito Santo. A ascensão do Senhor coroa a sua vida e a obra da salvação. Quando Ele se torna um de nós, nós já nos tornamos eternos. Com sua paixão e morte, Jesus nos reconcilia com o Pai, destrói e supera o pecado, e com sua ressurreição restaura-nos a vida em plenitude, abre-nos as portas da eternidade. Com sua Ascensão, Jesus nos precede e torna nossa humanidade divina. Agora um de nós está no céu. Um homem tão humano quanto nós agora está no coração da Trindade. E ele vai, já nos Revela a Sagrada Escritura, para ser o juiz. Não o juiz pavoroso, mas, o juiz misericordioso. Ele é a cabeça do corpo que é a Igreja, por isso temos a certeza de que ele nos precede ao céu, onde, como Igreja, esperamos um dia nos unir a ele. Mas, os apóstolos ainda não entenderam isso, meus irmãos. Tanto não entenderam ainda a missão de Jesus, mesmo quarenta dias após a Ressurreição, que agora lhe perguntam ainda se é agora a hora de restaurar o Reino de Israel. Ou seja, ainda estão esperando que Jesus seja o Messias político, que livre Israel das mãos do Império Romano. Eles ainda estão entendendo Jesus. Ou melhor, ainda estão entendendo o mistério, o fenômeno que foi Jesus Cristo não só em suas vidas, mas na história humana. Imaginem a cena: os apóstolos estão com o Ressuscitado, ele lhes ordena que vão batizar, segundo Marcos, ou lhes anuncia que serão batizados no Espírito Santo e começa a subir aos céus até sumir na nuvem, conforme diz São Lucas nos Atos dos Apóstolos. Eles ficam ali parados, estupefatos. Mas quero chamar a vossa atenção para que possamos meditar sobre três pontos: Jesus que sobe, os discípulos estupefatos e a missão continuada. Sobre este Jesus que ascende já refletimos bastante na dimensão do mistério, mas pensemos que este subir parece um afastar-se de Jesus. Agora, na verdade, ele estará mais unido a nós do que em qualquer outro momento de sua missão. Pois, agora não estará mais apenas no meio de nós, Ele estará em nós por meio do Espírito Santo. Agora, portanto, vivemos nesta tensão entre o Jesus Cristo distante e próximo de nós. Os discípulos que o vêem subir permanecem estupefatos. E como não ficarmos estupefatos diante de mistério? Quando o vemos ascender ao céu, quando o vemos se presentificar no altar, quando presenciamos a presença de Jesus Cristo como não nos genufletarmos e colocarmos em adoração diante do mistério? Esta estupefação sempre deve nos conduzir a adoração e contemplação do mistério. É, as vezes, ficarmos como os discípulos, com cara de bobo olhando para o céu. Mas o anjo nos recorda que não podemos ficar ali. Então vamos para a missão. A missão que os discípulos continuam e que nós hoje como discípulos e discípulas de Jesus devemos continuar é a missão de Jesus. Comemos seu Corpo e bebemos seu Sangue, seu Corpo e Sangue agora são nossos, sua vida é nossa, seus sonhos são nossos. O sonho de Jesus é nosso sonho. Se Ele sonha com a salvação de todos, nós também sonhamos com a salvação de todos. A missão de Jesus é tão simples que Pe. Zezinho reduz num simples refrão: amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver o que Jesus vivia, sentir o que Jesus sentia. A missão de Jesus Cristo agora é nossa missão. E não podemos ficar inertes, parados. Sim, erguemos as mãos e olhamos para o céu em oração, mas não podemos nos esquecer do anúncio do Reino que cabe a cada cristão e a transformação do mundo em Reino de Deus que é nosso dever. Por isso, peçamos o Espírito Santo sobre nós para que Ele nos dê a graça de nos cristificarmos a fim de realizarmos a missão de nosso Redentor, que agora no céu, nos aguarda e é razão de nossa esperança. Assim seja! Amém.
09.05.2024 | Encontro com os religiosos
Amados irmãos e irmãs, é com grande Alegria que nós estamos aqui reunidos para refletirmos sobre a vida religiosa. Este momento, antes de tudo, é um momento de encontro. Já destaquei com os bispos e destaco também conosco a importância de nos encontrarmos. O encontro nos impulsiona uns aos outros. Este momento do vosso encontro com o sucessor de Pedro, momento de reafirmar a vossa fé e a vossa comunhão com a Igreja. Bem sabemos que a vida religiosa aqui no habbo hotel é vive já a comunhão eclesial de modo singular. De fato, todos os religiosos estão também envolvidos com a pastoralidade e incardinados em cleros diocesanos. E isto é um ponto que quero abordar, convosco. Porque, às vezes, o fato de estarem inseridos nas dioceses pode fazer com que percais um pouco de vosso carisma. Meu convite é o contrário. Reavivai vossos carismas! Cada família religiosa deve viver a seu jeito. Não deixarão de viver nas dioceses. Não deixarão de ter trabalhos pastorais. Mas é preciso que a família religiosa tenha momentos de comunhão. Ao menos uma vez por semana, os religiosos devem se encontrar para um momento comunitário. Este momento comunitário deveria estar composto de um momento oracional e de um momento de partilha. Por exemplo, celebrar a missa na igreja principal e depois ter um jantar. É preciso criar laços. Os laços presentes nos grupos de WhatsApp, os laços das conversas, de modo que a família religiosa seja, de fato, família. O que nos falta, muitas vezes, essa identidade com carisma religioso. Em primeiro lugar, os religiosos são chamados a viver os conselhos evangélicos da castidade e da pobreza e da obediência, que se fundamentam nas palavras e nos exemplos do senhor. De fato, a partir da semente lançada por Deus, se foram desenvolvendo na história da igreja várias formas de vida religiosa, de vida comum, desde os tempos antigos. A vida religiosa não é um estado intermédio entre a condição clerical e a laical, mas de uma e de outra. Chama Deus alguns fiéis ao usufruírem este dom especial na vida da igreja e ajudarem, cada um de seu modo, nos desempenho da sua missão salvífica. Por isso, sempre há uma dupla perspectiva na vida religiosa: são como Cristo entregue à contemplação no Monte e evangelizando, o Reino de Deus, as multidões. E quando vos falo de reavivar os carismas, falo de voltarem aquilo que é próprio de cada congregação religiosa. O salesianos, por exemplo, devem se empenhar mais no trabalho com os jovens. Os franciscanos devem se empenhar mais no trabalho com os marginalizados. O redentoristas devem se empenhar mais no anúncio do Divino redentor. Se não perde, se a essência daquela consagração. De modo especial, quero destacar que deve ser vividos processos da vida religiosa e feitas as profissões de acordo com o novo pontifical Romano que irá sair no domingo de Pentecostes. Assim, cada família religiosa deverá preparar os livretos e enviá-Los para ser aprovados pelo Dicastério para o culto Divino e a disciplina dos sacramentos. Mas, voltando... Reavivar os carismas. Não apenas o hábito identifica o religioso. Porque se for para ser religioso apenas por causa de uma roupinha, não vale a pena. Se for pra ser religioso por causa de umas letrinhas depois do nome, não vale a pena. Só vale a pena ser religioso para viver a missão religiosa. Só vale a pena ser religioso para viver o carisma da família religiosa. E cada um vive o carisma a seu modo. Cada família deve viver o carisma, seu modo. Mas não pode deixar de viver o carisma. Porque o próprio Espírito Santo vos impulsiona o carisma. Não percais aquilo que lhes é próprio. Bonitos trabalhos com os leigos poderiam ser feitos por todas as nossas famílias religiosas. Mas não são. Bonitos trabalhos de evangelização de missão poderiam ser feitas por nossas famílias religiosas. Mas não são. Penso nas missões populares, penso nos Oratórios, penso na Ordem franciscana secular. Penso nisso tudo que pode vos impulsionar ao modo diferente de viver, o ser religioso dentro da nossa realidade. Mas para isso é preciso animação. Para isso, é preciso um inflamar do Espírito Santo. Que infla nos nossos corações da sua graça. Que sopra sobre nós. As famílias religiosas não se renovarão se não se renovarem no Espírito Santo. E se não se renovar em Espírito Santo, estão fadadas a em breve acabar. Porque a família religiosa serve enquanto serve a Igreja. E se deixa de servir a Igreja, e a missão não faz sentido de ser. Não digo isso para assustar ou ameaçar ninguém. Mas digo para vos dar ânimo. Nós estamos nos tempos da utilidade. Nós só queremos gastar tempo com o que é útil. Nós só queremos as pessoas que são úteis. Nós buscamos o útil o tempo todo. Por isso, pensem também na vossa utilidade. O Papa Francisco diz com sabedoria que quem não vive para servir, não serve para viver. E vida que estou falando, de vida autêntica. Que vós possais tornar as vossas famílias religiosas úteis. Não apenas uma estrutura que se reúne de vez em quando para eleger um novo ministro ou coisa do tipo. Às vezes, nós temos um fetiche em eleições. Não, não penso assim. Não penso que deva ser assim. Este não é o mais importante. Isso é secundário. O principal é no carisma, contemplar e anunciar Jesus Cristo. A partir do lugar em que estamos. A partir do modo que o experimentamos. E reavivar o carisma, também experimentar Jesus através do carisma. Experimentar Jesus através da Redenção, da Reconciliação, através dos jovens, através dos pobres. Sem a experiência de Jesus nestas realidades, cada um a seu modo, nós estamos perdendo tempo. Porque só faz sentido abraçar uma família quando nós temos com ela um sentimento de pertença. Um sentimento de encontro. Eu sei que estou no lugar certo, porque nele eu me encontro comigo mesmo. E me encontrando comigo mesmo, me encontro também com Cristo e com o outro. Que este nosso momento de encontro fraterno irmãos queridos, nos impulsionei a continuarmos a nos renovarmos para cumprirmos com a nossa missão. A medida é sempre alta. Que que Deus nos ajude a alcançá-la. Assim seja! Amém.
domingo, 5 de maio de 2024
05.05.2024 | V Domingo depois da Páscoa - Dia de São Pio V
Amados irmãos e irmãs, nesse dia em que o calendário antigo da igreja comemora o dia de São Pio V, estamos celebrando este rito romano promulgado por ele no quinto domingo depois da Páscoa. Jesus, no Evangelho deste rito, está se despedindo dos apóstolos para sofrer a Paixão. Estamos aplicando este Evangelho agora no contexto da despedida do Ressuscitado que parte para o céu e nos envia o Espírito Santo paráclito. O ambiente é todo um ambiente de despedida, mas também de deixar algumas coisas claras. Mais importante do que pensarmos no pedir e receber, é pensarmos no que pedimos. Pois o que somos chamados a pedir hoje é o próprio Espírito Santo que ora em nós e por nós. Usa da nossa boca e ora em nosso favor. A oração verdadeira precisa ser obra do Espírito Santo na nossa vida e se torna obra na concretude. São Tiago na epístola que ouvimos nos fala sobre a verdadeira religião. A verdadeira religião não é a religião que se divide por diferenças de ritos, não é uma religião tão vertical que se esquece da realidade presente, dos mandamentos que se referem a justiça, ao social e nem tão horizontal que se esquece de Deus. A verdadeira religião, ou melhor, o verdadeiro cristianismo e por consequência o verdadeiro cristão sabe rezar, sabe estar em comunhão com Deus, e estender a mão a quem precisa, ao órfão e a viúva. A sociedade em que vivemos é órfã e viúva. Órfã de pai, pois não conhece a Deus, viúva, pois matou o seu Deus. Nietzsche, ao afirmar a morte de Deus, diz que naquela manhã bem cedo os coveiros saíram gritando pela cidade: "e Deus está morto! Deus está morto! E nós o matamos, todos nós! Seu sangue está nas nossas mãos..." Este Deus morto do filósofo, morto pelas mãos dos homens, é um Deus que se tornou inútil às pessoas e por isso precisaria morrer. Há ocasiões onde nós cristãos, ainda que involuntariamente fazemos o mesmo. Quando vivemos os mandamentos, entendemos melhor o sentido das coisas e das ações de Deus. Que abramos o nosso espírito ao Espírito Santo, permitamos que Deus continue falando conosco, nos revelando seus mistérios e nos impulsionando na vivência do seu reino. Assim seja! Amém.
sábado, 4 de maio de 2024
04.05.2024 | VI Domingo da Páscoa
Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o sexto Domingo da Páscoa. Cantamos no já popularizado canto que resume a liturgia deste domingo: Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão! Eis que eu vos dou o meu novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado! Irmãos e irmãs, o Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações, que derrama o seu Espírito Santo, que é Espírito de amor, nos dá o mandamento do amor. Outrora seiscentos e treze mandamentos e prescrições guiavam a vida do povo de Deus, resumidos no decálogo, cujo maior mandamento era amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Os judeus repetiam isso todos os dias no Shemá. Agora, Jesus Cristo supera esta lei e se coloca como o modelo do amor, o exemplo do amor, a medida do amor. E a medida do amor de Jesus Cristo é amar sem medidas. Amar é dar a vida. Amar é se desgastar no outro e pelo outro que eu reconheço como meu semelhante e meu irmão. Se não amamos, diz a primeira carta de São João, não amamos a Deus, porque Deus é amor, se encarna por amor e se entrega por amor. Deus nos amou por primeiro e nós correspondemos a esse amor. E amor, aqui é ágape. Os gregos conheciam bem o amor eros, lindo também, do esposo e da esposa, conheciam o amor filia, dos pais pelos filhos, dos filhos pelos pais, o amor dos amigos. Mas, ninguém ainda conhecia propriamente dito o amor ágape. Usava-se ágape para outras funções. Ágape é refeição. São João se apropria do ágape para dizer desse amor gratuito e inconsequente. Inconsequente. Porque não mede esforços para amar. Depois do romantismo e da revolução sexhual do século passado, nos tempos em que vivemos onde experimentamos toda forma de liberdade, de experiências com o outro, falar de amor parece tão piegas. Mas, falar de amor, é falar de gratuidade, e viver o amor é desafio. O outro, diz Sartre, me revela o que há de pior em mim que eu não quero ver. Às vezes queremos impor empecilhos para viver o amor: não dou um prato de comida porque esse é drogado; não amo aquela irmã da comunidade porque fez um aborto; não amo aquele outro porque é de um grupo religioso diferente do meu, pensa numa política diferente; não amo aquela por isso, não amo aquele por aquilo. A prova que Deus nos ama é que ele amou quando eramos ainda pecadores. Se Deus não viu nosso pecado como empecilho para amar, por que nós colocamos empecilhos? Deus é amor. Arrisquemos viver por amor! Assim seja! Amém.
quinta-feira, 2 de maio de 2024
02.05.2024 | Memória de Santo Atanásio e Encerramento da Visita Ad Limina
quarta-feira, 1 de maio de 2024
01.05.2024 | Audiência Geral
Amados irmãos e irmãs, na sequência de catequese sobre a inefabilidade de Deus, celebrando hoje o dia de São José operário, eu quero refletir convosco sobre esta memória que celebramos. Não celebramos simplesmente São José. Celebramos São José operário. Quero refletir convosco sobre a revelação de Deus presente nesta memória. São José é um trabalhador. Bem sabemos todos que a profissão de São José é ser carpinteiro. E entendemos que, conforme a tradição judaica, Jesus também foi carpinteiro. Ele aprendeu a profissão de seu pai. De fato, São José foi alguém que ensinou muitas coisas para Jesus. José lhe ensinou o ofício, a profissão. José, lhe ensinou a rezar. José, lhe ensinou a ler a Torá. José o ensinou a honrar e estimar Maria. José ensinou o Filho de Deus a ser homem. Aquele que criou o ser humano foi ensinado por José a ser criatura. E ensinado a ser criatura, aprendeu também uma profissão. O trabalho, muitas vezes visto como algo negativo, irmãos e irmãs, é na verdade, uma parte da dignidade da pessoa humana. A pessoa humana é dignificada pelo seu trabalho. Mas a pessoa humana também pode ser corrompida pelo seu trabalho. Vivemos num tempo onde cada vez mais percebemos pessoas que desgastam muito tempo no trabalho. Este problema, que não é simplesmente um problema pessoal, mas um problema estrutural na nossa sociedade, faz com que o trabalho torne-se o centro do homem e não o homem a pessoa do trabalho. Ao invés de ser um trabalho, então, que dignifica, é um trabalho que tira a dignidade da pessoa. A lógica do lucro da sociedade que vivemos faz com que os grandes oprimam os seus trabalhadores, os impõem fardos pesados, longas horas de trabalho, sem tempo para a família, sem tempo para os amigos, sem tempo para viver. E muitas vezes nós vamos entrando nesta lógica. Achamos que o tempo todo precisa ser um tempo de produção. Eu preciso estar produzindo num ambiente ou eu preciso estar produzindo em outro ambiente, mas eu nunca posso estar no ócio. O ócio, o descanso também faz parte da dignidade da pessoa humana. É por isso que Deus cria o mundo em seis dias e no sétimo dia, ele descansa. O sétimo dia não apenas é o dia do Descanso de Deus, mas o dia da habitação. O termo hebraico que se refere a Descanso também se refere a habitar. É como se no sétimo dia, Deus tivesse deitado na criação e permanecido nela. Deus é o primeiro trabalhador. O verbo de Deus, Jesus Cristo é ação. E trabalhar é uma ação. Criar, salvar, santificar são ações. Este é o serviço de Deus. E nós somos co-criadores. O nosso trabalho, o nosso jeito de manipular, a criação de Deus para o bem nos dá essa condição de co-criadores. Mas não somos co-criadores quando manipulamos a criação de Deus como domínio, de modo a prejudica-la. Somos co-criadores enquanto a dominamos com a ética do cuidado. Por isso, a igreja sempre estimou o trabalho humano. Ao mesmo tempo que sempre se preocupou com as justas condições de trabalho. Ao bendizermos a Deus pelos dons no ofertório da missa, nós dizemos, obrigado, senhor, por este pão, por este vinho fruto da Terra, da Videira e do trabalho humano. O pão e o vinho são fruto do trabalho humano. E Jesus Cristo escolhe o pão e o vinho para fazer eucaristia como a nossa participação humana na criação, mas também na salvação. E nos nossos tempos onde avançam as ciências, cada vez mais nós percebemos o como os frutos do nosso trabalho podem salvar as pessoas. Podem salvar as pessoas diretamente, como aqueles que se dedicam a ciências biológicas, mas todo aquele que trabalha para o bem das outras pessoas, seja nos meios de produção, seja nas vendas, seja na área da limpeza, seja qualquer ofício no transporte, Na construção, enfim, qualquer trabalho feito pelo bem das outras pessoas também colabora na obra da criação e da salvação. E o trabalho foi santificado por Deus, não só naquele sábado, do Descanso, da habitação. Mas também nem quando Jesus Cristo, o filho de Deus, trabalhou. Imaginem que aquele sangue redentor que escorre quando os pregos traspassam a mão de Jesus crucificado também foi derramado lá em Nazaré, quando Jesus martelava os seus dedos sem querer ao fazer uma mesa, uma cadeira. Aquele suor derramado na via dolorosa também era o suor no final de um dia cansativo de trabalho. Isto também faz parte do mistério de Deus. Porque Jesus de Nazaré, durante 30 anos, devido oculta, foi um homem que viveu como qualquer outro. Trabalhou, se divertiu, teve uma vida humana. E durante este tempo foi entendendo a sua missão divina, foi entendendo aquilo que deveria fazer, foi assumindo a sua missão. Celebrarmos São José operário, celebrarmos o Dia do Trabalhador, é celebrarmos essa dignidade do trabalho humano. Peçamos a Deus que nunca falte trabalho aos que procuram. E para que não haja um situações de exploração do trabalho, mas que todos recebam salários justos, tenham tempos de férias, de Descanso, para que possam com dignidade, colaborar com a criação. Assim seja! Amém.