Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o sétimo domingo
do tempo da Páscoa. Este domingo nos convida a refletir sobre o dom da unidade.
Unidade primeiro a do colégio apostólico, que ouvimos na primeira leitura que
diante da traição e abandono de Judas, elegem Matias para ficar em seu lugar.
Unidade que é a unidade no amor, como prenuncia São João em sua primeira carta.
Unidade que é a unidade de Jesus Cristo com o Pai, sinal da sua unidade também
com a Igreja. No evangelho que ouvimos, está presente a grande oração
sacerdotal de Jesus, aquela oração feita por Jesus após os ensinamentos que se
seguiram à última ceia e que coroa a obra de Jesus. Esta oração, na verdade, se
concluirá com o Cristo crucificado, que eleva ao Pai plenamente esta e todas as
orações. E nesta oração, Jesus começa pedindo o dom da unidade. Que ele seja um
assim como nós somos um. É profundo este texto porque sabemos que na relação
pericorética da Trindade, o Pai não é o Filho e o Filho não é o Pai. Ainda
assim, são um. Porque são um no amor. Nós precisamos muito aprender a ser um no
amor. Porque nossa tendência é sempre mais dividir e dividir pelo ódio. O ódio
divide. Mas Jesus pede a unidade. Jesus pede ao Pai que permanecemos Unidos e
que nós sejamos guardados no nome do Pai. Jesus recorda ao Pai que deu aos
apóstolos a palavra. Mas o mundo não quis aceitar a palavra. Quando Jesus fala
que o mundo, Não podemos entender simplesmente como uma visão que separa 2
realidades, uma humana e uma divina. Se não, corremos o risco de cair num
maniqueísmo, Onde o que é corpóreo é sempre ruim. O mundo aqui é um mundo que
não aceita a Jesus. É o mundo que fechou o coração a Jesus. Não é o mundo que é
ruim. Nós vivemos no mundo. No mundo, em todas as suas esferas. Mas pertencemos
também ao mundo diferente. Que já é um mundo renovado e pacificado no amor de
Jesus Cristo. Que é um mundo que se prepara para viver a realidade da
eternidade. E o mundo que rejeita Jesus Cristo é o mundo que persegue os seus
apóstolos. Ao mesmo tempo que pedimos o dom da unidade, vemos que muitos
daqueles que não acolheram o evangelho semeiam ódio, divisão. Às vezes dentro
da Igreja. Às vezes, quem semeia o ódio, a divisão, quem tem o espírito do
mundo que não acolhe o evangelho, é gente daqui de dentro. Mas Jesus nos
consagra, na verdade. Na palavra que é a verdade. E, diante da verdade, nenhuma
máscara permanece. Todas as máscaras caem. Diante do evangelho, nós devemos
deixar cair a nossa máscara e revelarmos a nossa verdade diante de Deus. Assim
seremos enviados ao mundo e consagrados na verdade. Para continuarmos a missão
de Jesus, que ascende aos céus e nos prepara um lugar com ele. Quando deixamos
as máscaras caírem, recuperamos aquela dignidade da semelhança com Deus. Mas
para isso, precisamos entrar no espírito da verdade, deixarmos cair toda a
máscara, toda mentira, todo ódio, tudo aquilo que desune para fazermos comunhão
com o Pai, com Filho, com o Espírito Santo, com os irmãos, com a criação como
um dom de Deus. Deus não quer nos perder. Jesus guarda os apóstolos. Guarda
também a nós para que não nos percamos. Se nos perdermos, é por culpa nossa.
Porque Deus está sempre nos dando oportunidades e nos buscando de volta. Mas,
às vezes, queremos permanecer na nossa mentira. Na nossa ilusão. No nosso
mundinho. Ainda assim, Deus está nos procurando. Que possamos ter a mesma
atitude de Jesus, que ergue os olhos ao céu olha ao Pai amado e elevemos a ele
a nossa oração de perdão, de esperança, de propósito, de mudança, de pedido da
unidade e da paz. E agora, quando ir, temos os olhos, vemos junto do Pai Jesus,
que é ele próprio, modelo de unidade. Assim seja! Amém.
domingo, 12 de maio de 2024
12.05.2024 | VII Domingo da Páscoa
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário