quinta-feira, 9 de maio de 2024

09.05.2024 | Solenidade da Ascensão do Senhor

Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a Solenidade da Ascensão do Senhor na abertura deste caminho para o Jubileu de 2025, peregrinos da Esperança. Se, por um lado, estamos por assim dizer na conclusão da missão de Jesus com sua presença neste mundo, e aqui na liturgia lemos a conclusão do Evangelho de São Marcos, por outro lado estamos no início de um novo momento da história da Salvação, onde Jesus continua sua missão através da Igreja, no Espírito Santo. A ascensão do Senhor coroa a sua vida e a obra da salvação. Quando Ele se torna um de nós, nós já nos tornamos eternos. Com sua paixão e morte, Jesus nos reconcilia com o Pai, destrói e supera o pecado, e com sua ressurreição restaura-nos a vida em plenitude, abre-nos as portas da eternidade. Com sua Ascensão, Jesus nos precede e torna nossa humanidade divina. Agora um de nós está no céu. Um homem tão humano quanto nós agora está no coração da Trindade. E ele vai, já nos Revela a Sagrada Escritura, para ser o juiz. Não o juiz pavoroso, mas, o juiz misericordioso. Ele é a cabeça do corpo que é a Igreja, por isso temos a certeza de que ele nos precede ao céu, onde, como Igreja, esperamos um dia nos unir a ele. Mas, os apóstolos ainda não entenderam isso, meus irmãos. Tanto não entenderam ainda a missão de Jesus, mesmo quarenta dias após a Ressurreição, que agora lhe perguntam ainda se é agora a hora de restaurar o Reino de Israel. Ou seja, ainda estão esperando que Jesus seja o Messias político, que livre Israel das mãos do Império Romano. Eles ainda estão entendendo Jesus. Ou melhor, ainda estão entendendo o mistério, o fenômeno que foi Jesus Cristo não só em suas vidas, mas na história humana. Imaginem a cena: os apóstolos estão com o Ressuscitado, ele lhes ordena que vão batizar, segundo Marcos, ou lhes anuncia que serão batizados no Espírito Santo e começa a subir aos céus até sumir na nuvem, conforme diz São Lucas nos Atos dos Apóstolos. Eles ficam ali parados, estupefatos. Mas quero chamar a vossa atenção para que possamos meditar sobre três pontos: Jesus que sobe, os discípulos estupefatos e a missão continuada. Sobre este Jesus que ascende já refletimos bastante na dimensão do mistério, mas pensemos que este subir parece um afastar-se de Jesus. Agora, na verdade, ele estará mais unido a nós do que em qualquer outro momento de sua missão. Pois, agora não estará mais apenas no meio de nós, Ele estará em nós por meio do Espírito Santo. Agora, portanto, vivemos nesta tensão entre o Jesus Cristo distante e próximo de nós. Os discípulos que o vêem subir permanecem estupefatos. E como não ficarmos estupefatos diante de mistério? Quando o vemos ascender ao céu, quando o vemos se presentificar no altar, quando presenciamos a presença de Jesus Cristo como não nos genufletarmos e colocarmos em adoração diante do mistério? Esta estupefação sempre deve nos conduzir a adoração e contemplação do mistério. É, as vezes, ficarmos como os discípulos, com cara de bobo olhando para o céu. Mas o anjo nos recorda que não podemos ficar ali. Então vamos para a missão. A missão que os discípulos continuam e que nós hoje como discípulos e discípulas de Jesus devemos continuar é a missão de Jesus. Comemos seu Corpo e bebemos seu Sangue, seu Corpo e Sangue agora são nossos, sua vida é nossa, seus sonhos são nossos. O sonho de Jesus é nosso sonho. Se Ele sonha com a salvação de todos, nós também sonhamos com a salvação de todos. A missão de Jesus é tão simples que Pe. Zezinho reduz num simples refrão: amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver o que Jesus vivia, sentir o que Jesus sentia. A missão de Jesus Cristo agora é nossa missão. E não podemos ficar inertes, parados. Sim, erguemos as mãos e olhamos para o céu em oração, mas não podemos nos esquecer do anúncio do Reino que cabe a cada cristão e a transformação do mundo em Reino de Deus que é nosso dever. Por isso, peçamos o Espírito Santo sobre nós para que Ele nos dê a graça de nos cristificarmos a fim de realizarmos a missão de nosso Redentor, que agora no céu, nos aguarda e é razão de nossa esperança. Assim seja! Amém.

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