quarta-feira, 15 de maio de 2024

16.05.2024 | Vigília de Oração pela Unidade dos Cristãos

Dom Gregório Cardeal Michels, eminentíssimo Prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, eminências, excelências, reverendos, irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos a Vigília de Oração pela Unidade dos Cristãos, momento alto da nossa Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que acontece nesta data aqui no hemisfério sul. De fato, esta Vigília de Oração foi pensada como Vigília Ecumênica e até mesmo divulgada como tal. Mas, diante das procuras incessantes de Dom Gregório Michels aos nossos irmãos separados, foi recusado não apenas o convite para esta celebração, mas para qualquer espécie de diálogo. De fato, uma das igrejas separadas afirmou sequer ter um prefeito para este encargo da Unidade dos Cristãos, pois este não é um assunto importante. Infelizmente, percebemos, que a Unidade desejada por Jesus não é importante. Sem estes irmãos separados, e sem outras denominações cristãs em funcionamento significativo no Habbo, a Vigília Ecumênica passou a ser uma Vigília de Oração nossa, para que todos os cristãos se convertam para a necessidade do diálogo ecumênico. Primeiro, por uma conversão nossa, que como Igreja tantas vezes não soubemos dialogar e quisemos impor. Sabermos o nosso lugar, sabermos da nossa primazia, não nos garante o direito de imposição. Segundo, por uma conversão dos nossos irmãos, não a nós, mas ao diálogo. O diálogo ecumênico e o diálogo inter-religioso, sempre necessitam dos dois lados estarem abertos, com espírito de humildade, com reconhecimento de si, mas também com reconhecimento de suas misérias. Lembro-me há muitos anos da visita de dois de nossos irmãos separados, sumos pontífices romanos de suas Igrejas, que vieram até a Basílica de São Pedro para rezarmos juntos. Mas, assim percebemos que nem todos os passos são para frente, alguns passos também são de retrocesso. Devemos ter em mente, irmãos, que como Igreja devemos ser sérios. A Igreja deve ser séria. Não estamos aqui brincando de Igreja. Não se resume a quartos, celebrações, a uma vivência hierarquica. O nosso apostolado é muito mais que isso: é anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, é ministério e é pastoral. O sonho de Deus é que sejamos um como um só corpo. E não vos digo apenas um só corpo com os irmãos separados aqui da nossa realidade virtual. Deus sonha com a unidade de todos os cristãos na realidade. Unir, respeitando o outro enquanto outro. Unir respeitando o direito do outro de ter sua religião, de acreditar e seguir Jesus Cristo de um outro modo. Jesus Cristo não se impõe, se propõe. Toda religião que se impõem é uma religião que não liga a Deus e que não liga ninguém a ninguém, mas destrói vínculos, ofende a dignidade e a liberdade da pessoa humana, e usa o nome de Deus para os benefícios próprios e para coisas totalmente contrárias à vontade de Deus. Irmãos e irmãs, se dizem que todos os caminhos levam à Roma, é a Igreja de Roma que deve partir em direção daqueles que estão separados, não para converte-los, mas, aproximá-los. Dizer isso parece tão anti-evangélico. Mas, é o nosso testemunho que pode atrair aqueles que virão para professar a fé conosco como comunidade de fé. Não imporemos mais, sobre ninguém a fé cristã-católica, antes, iremos propor e acompanhar a vivência desta fé. E aos nossos irmãos e irmãs, respeitaremos cada qual em seu credo ou culto. Sonhando, sim, com a unidade, mas compreendendo que essa unidade se constrói, como diz Papa Francisco, num processo lento e artesanal. Rezar pela unidade dos cristãos não é simplesmente rezar pela conversão de todos para a Igreja Católica. Rezar pela unidade dos cristãos é rezar para que todos nós possamos trilhar juntos o mesmo caminho, do amor e da paz, caminho que é o próprio Jesus Cristo, nos abrirmos e confiarmos que a obra da unidade é dom do Espírito Santo. Assim seja! Amém.

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