sábado, 4 de maio de 2024

04.05.2024 | VI Domingo da Páscoa

 Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando o sexto Domingo da Páscoa. Cantamos no já popularizado canto que resume a liturgia deste domingo: Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão! Eis que eu vos dou o meu novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado! Irmãos e irmãs, o Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações, que derrama o seu Espírito Santo, que é Espírito de amor, nos dá o mandamento do amor. Outrora seiscentos e treze mandamentos e prescrições guiavam a vida do povo de Deus, resumidos no decálogo, cujo maior mandamento era amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Os judeus repetiam isso todos os dias no Shemá. Agora, Jesus Cristo supera esta lei e se coloca como o modelo do amor, o exemplo do amor, a medida do amor. E a medida do amor de Jesus Cristo é amar sem medidas. Amar é dar a vida. Amar é se desgastar no outro e pelo outro que eu reconheço como meu semelhante e meu irmão. Se não amamos, diz a primeira carta de São João, não amamos a Deus, porque Deus é amor, se encarna por amor e se entrega por amor. Deus nos amou por primeiro e nós correspondemos a esse amor. E amor, aqui é ágape. Os gregos conheciam bem o amor eros, lindo também, do esposo e da esposa, conheciam o amor filia, dos pais pelos filhos, dos filhos pelos pais, o amor dos amigos. Mas, ninguém ainda conhecia propriamente dito o amor ágape. Usava-se ágape para outras funções. Ágape é refeição. São João se apropria do ágape para dizer desse amor gratuito e inconsequente. Inconsequente. Porque não mede esforços para amar. Depois do romantismo e da revolução sexhual do século passado, nos tempos em que vivemos onde experimentamos toda forma de liberdade, de experiências com o outro, falar de amor parece tão piegas. Mas, falar de amor, é falar de gratuidade, e viver o amor é desafio. O outro, diz Sartre, me revela o que há de pior em mim que eu não quero ver. Às vezes queremos impor empecilhos para viver o amor: não dou um prato de comida porque esse é drogado; não amo aquela irmã da comunidade porque fez um aborto; não amo aquele outro porque é de um grupo religioso diferente do meu, pensa numa política diferente; não amo aquela por isso, não amo aquele por aquilo. A prova que Deus nos ama é que ele amou quando eramos ainda pecadores. Se Deus não viu nosso pecado como empecilho para amar, por que nós colocamos empecilhos? Deus é amor. Arrisquemos viver por amor! Assim seja! Amém.

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