Amados irmãos e irmãs, estamos celebrando a memória de Santo
Atanásio, bispo e doutor da Igreja. Quero saudar com alegria e afeto os bispos
aqui reunidos no encerramento da visita ad limina. Vossas excelências vieram
aqui, literalmente no limiar da casa dos apóstolos, para se encontrarem com a
Cúria romana em momentos de comunhão e diálogo. Também já pudemos nos
encontrar. Espero que este momento de retornarem aos nossos trabalhos pastorais
seja animador para vós. Que possais voltar reabastecidos para a vossa missão, e
lá desempenhá-la com grande ardor missionário. E que hoje possamos nos inspirar
o exemplo de Santo Atanásio. Atanásio, que foi esse grande bispo padre da
igreja no momento após o concílio de Niceia, que mesmo que já tenha sido condenado
o arianismo, Atanásio vê ainda na igreja muito forte essa fé ariana, que negava
a consubstancialidade do Filho em relação ao Pai. Em outras palavras, os
arianos negavam a divindade de Cristo. Atanásio foi um grande lutador contra o
arianismo. Ele tinha um forte fervor na defesa da integralidade da fé. Era um
homem de palavras fortes de grande eloquência, mas também um homem de cabeça
quente na defesa da fé. Atanasio diversas vezes foi expulso e exilado de sua sé
episcopal justamente pela defesa da divindade de Cristo. Ao mesmo tempo, na
primeira leitura de hoje, ouvimos a narrativa sobre o concílio de Jerusalém.
Aquele momento em que os apóstolos e os anciãos se reuniram para discutir sobre
a necessidade da circuncisão para os cristãos, vindos do paganismo. Esperava-se
que Paulo seria o que traria palavras mais brandas. Porém, foi São Pedro aquele
que afirmou a descida do Espírito Santo também sobre os pagãos. E a solução vem
da boca de São Tiago, não lhes impor pesados fardos, mas apenas proibir aquilo
mais importante. Entendem assim que a circuncisão era o sinal da antiga
Aliança, mas que a Nova Aliança não é marcada pela circuncisão estritamente
dita, mas pela circuncisão do coração. Se a circuncisão marca Aliança pela
retirada do prepúcio, o que marca a Nova Aliança é o batismo e eucaristia. E a
esta decisão inspirada pelo Espírito Santo, os apóstolos chegaram de modo sinodal.
Vejam que aqui temos o relato dos bispos da Igreja nascente. Já todos
trabalhando unidos. Mas percebemos que logo essa unidade é posta em perigo,
pois ainda nos anos 300 temos Atanásio brigando com outros bispos para defender
a ortodoxia da fé. E aqui, irmãos queridos, percebemos a dificuldade de manter
a colegialidade. Os apóstolos têm diferenças, os bispos na Igreja patrística
tem diferença e hoje a nós ainda temos diferentes linhas de pensamento e de
ação. Isto não é um problema. O problema não é pensar diferente. O problema é
caminhar em direções diferentes. Naquilo que é matéria de fé, devemos crer
juntos. Mas naquelas outras coisas, nós podemos pensar diferente. Santo
Agostinho diz no essencial, unidade no que não é essencial liberdade e em tudo,
a caridade. O Senhor Jesus, que nos chama a permanecer unidos a ele no amor,
também nos chama permanecer unidos como irmãos e irmãs. Nos chama a permanecer unidos
como colégio episcopal. Nos chama a permanecer unidos como Igreja. Porque, como
ele disse alguns capítulos antes do evangelho de São João, nisto todos saberão
que vós sois os meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Que nós
possamos cultivar essa unidade como um dom. Apesar de tanta pluralidade, somos
o povo de Deus. Apesar de pensarmos diferente temos como centro único Jesus
Cristo, senhor nosso. Que possamos permanecer unidos ao amor de Cristo, para
experimentarmos a alegria unidade como Corpo místico do Senhor, que cresce quando
fazemos com que o Evangelho chegue a todos os homens e mulheres em nossa missão
apostólica. Assim seja! Amém.
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