Santo Padre Sebastião, de quão grande alegria se enche o nosso coração nesta noite. Em primeiro lugar, alegria porque Cristo nos amou, Ressuscitou e subiu aos céus, e agora nos faz partícipes de seu mistério redentor. Mas, a esta tão grande alegria soma-se ainda outra, que é a vossa visita a nossa querida Basílica de São João Paulo II. Aqui, Santo Padre, quase todos os pontífices desde o Papa Pio V que fez desta igreja uma basílica, em 2015, se encontraram para celebrar a Eucaristia. Neste altar, dedicado pelo Papa João II em 2018, nossa família se reúne para partir o Pão da Vida. Esta igreja que já acolheu a Cátedra da Diocese de Roma e até mesmo os ossos do Bem-Aventurado Pedro em momentos de crise, e que guarda o corpo do venerável irmão Dom Agnelo Rossi, de saudosa memória, hoje se alegra com a visita de seu pastor. Que momento sublime este, Santo Padre, onde após exatamente uma semana de sua eleição e após participarmos de sua solene coroação, o senhor decide visitar esta nossa simples e amada igreja. Saiba, primeiramente, que as portas deste templo estão sempre abertos a vossa santidade, assim como a todos os irmãos, e assim como foi ao seu antecessor João III. Mas, também tenha ciência de que em cada Eucaristia que celebramos em qualquer Igreja, todo o Corpo Místico se reúne como acontecerá agora neste altar. É importante, Santo Padre, cada celebração eucarística. Já dizia o nosso padroeiro, São João Paulo II: "Ecclesia de Eucharistia"; "A Igreja vive da Eucaristia". Por isso, acredito que a primeira e grande missão de todo papa é cuidar com amor e carinho da própria celebração e de fomentar para que todos os clérigos, que toda a Igreja se reúna ao redor do altar. Portanto, agradeço sua presença nesta noite para celebrar conosco o VII Domingo da Páscoa e agradeço de modo especial o carinho e afeto com que o senhor trata este velho. Tens não só minha obediência, mas também meu carinho e estima! Vida longa à Sebastião II!
domingo, 29 de maio de 2022
sábado, 21 de maio de 2022
22.05.2022 - VI Domingo da Páscoa e Pro Eligendo
Você já se sentiu sozinho? Abandonado? Comece sabendo que nem no sofrimento você está sozinho e nem no abandono você pode cair, pois somos membros da Igreja. Às vezes nós nos confundimos quando falamos sobre Igreja porque pensamos no templo e na instituição que é a Igreja. Estou me referindo a Igreja que foi fundada por Jesus Cristo, que é sim a Igreja Católica, não sua instituição humana, mas a divina, a sua vivência de comunidade. Jesus, no Evangelho que ouvimos, prepara o coração dos discípulos. Em primeiro lugar Jesus prepara os discípulos para receberem o Espírito Santo. O Espírito Santo é quem vai guiar a Igreja em nome de Jesus. Se a Igreja nasceu do lado do Cristo morto na cruz, quando do seu lado aberto correu o Sangue e a Água, é o Espírito Santo que Jesus sopra sobre os discípulos, que o Pai envia como línguas de fogo no Pentecostes, que perpetua a obra de Jesus, que faz com que aquela água continue a jorrar para nós no Sacramento do Batismo e o sangue no Sacramento da Eucaristia. Isso tudo acontece por ação do Espírito Santo. Recebemos o Espírito Santo no nosso Batismo e sua presença em nós foi confirmada quando alcançamos a maturidade na fé no sacramento da Confirmação. Todos somos filhos de uma mesma mãe: a Igreja. A Igreja nos une. Quando nós renascemos para a fé foi num mesmo útero: a Pia Batismal. Estamos, então todos unidos por esse misterioso vínculo que só pode ser compreensível pela fé. Porém, na primeira leitura aparece para nós uma realidade difícil que foi o primeiro concílio de Jerusalém. Naquele tempo, alguns cristãos que vinham do judaísmo chegaram em Antioquia e começaram a exigir dos cristãos vindos do paganismo que estes assumissem as práticas judaicas. A principal prática judaica é a circuncisão, que tinha um sentido: ela era sinal da aliança do povo com Deus. Mas, a Igreja, os membros da Igreja no Concílio sob a inspiração do Espírito Santo decidem abolir a obrigatoriedade da circuncisão. Isto se dá em primeiro lugar porque Jesus veio para renovar todas as coisas. Uma nova e eterna aliança foi firmada quando Jesus se entrega e firma conosco este novo pacto. O sinal não é mais a circuncisão, é o Batismo. Em segundo lugar, removem a circuncisão para que a Igreja não seja alfândega. Nós fazemos da Igreja uma alfândega quando ficamos escolhendo: “esse entra, esse não; esse pode vir, esse não; esse é puro, esse é impuro; esse é digno, esse é indigno”. Nós fazemos da Igreja uma alfândega quando dentro da comunidade cristã nós ficamos criando divisões, quando ficamos impondo sobre os outros pesados fardos, fardos que nós mesmos não conseguimos suportar. Nós fazemos da Igreja alfândega quando criamos grupinhos, fofoquinhas, fazendo comentariozinhos sobre um e sobre outro e por conta disso acabamos afastando os irmãos da comunidade. UM DOS GRANDES MALES QUE PODE ESTAR NA NOSSA IGREJA É FAZERMOS DELA UMA ALFÂNDEGA, UM LUGAR ONDE SEPARAMOS O QUE PRESTA DO QUE NÃO PRESTA! Isso divide, isso nos torna diabos! Igreja é outra coisa: é unidade, é amor, é acolhida, é comunidade. Igreja é o onde devem entrar todos os que estão limpos, sujos, machucados, feridos, sãos, pecadores e santos. Igreja é onde nenhum de nós é melhor que o outro, mas somos todos iguais. Somos todos um só povo a caminho. A caminho de quê? A caminho da Jerusalém Celeste. A representação de São João na segunda leitura da cidade de Jerusalém nos céus nos marca, pois é também a representação da Igreja. Lá nos céus seremos Igreja. Essa Igreja brilha, pois brilha na glória do Senhor. Lá não teremos mais templos pois o próprio Senhor será o nosso Templo. Lá nós nos uniremos eternamente com Ele e com os Apóstolos, que deram continuidade, que são os alicerces da Igreja, e com todos os santos e santas, pois lá todos seremos santos e santas. Para isso, é preciso que aqui sigamos os mandamentos de Jesus. Não se esqueça que sobre você repousou o Espírito Santo e, então, você nunca está longe de Deus, pois Deus que é infinito, que está substancialmente presente na Eucaristia, que está nos irmãos e irmãs e quando nos unimos a eles somos comunidade – esse mesmo Deus está também dentro de você.
Professemos a nossa fé nesse Deus-Amor:
quarta-feira, 18 de maio de 2022
18.05.2022 - Encerramento do papado de João III
Será que estamos unidos a Jesus ou somos fracos e qualquer coisa nos sopra para longe?
Beatíssimo pai, João III, a quem saúdo com alegria e estima neste dia, agradecendo o convite de proferir a homilia nesta belíssima celebração na qual redemos graças a Deus pelo seu ministério petrino e veneráveis irmãos. Há exatos cinco meses eu dizia aos padres cardeais, as portas da abertura do conclave que corríamos o risco de elegermos o papa e jogarmos sobre ele um fardo do qual nos isentamos: edificar o Corpo de Cristo no amor. De fato, não elegemos alguém que se isentou de sua missão, mas que a abraçou até as últimas consequências. E isso não é fácil.
Não é fácil permanecermos unidos a Jesus quando os ventos contrários tentam nos derrubar. Quando passam na natureza fortes ventos é comum vermos folhas, ramos voando, se desprendendo das árvores. Assim também acontece na nossa vida: se não estivermos firmes no Senhor, quando vêm os ventos, as dificuldades, nós rapidamente nos desprendemos, deixamo-nos ir embora, nos distanciamos daquele que nos dá a vida, que nos sustenta.
Beatíssimo pai, João III, a quem saúdo com alegria e estima neste dia, agradecendo o convite de proferir a homilia nesta belíssima celebração na qual redemos graças a Deus pelo seu ministério petrino e veneráveis irmãos. Há exatos cinco meses eu dizia aos padres cardeais, as portas da abertura do conclave que corríamos o risco de elegermos o papa e jogarmos sobre ele um fardo do qual nos isentamos: edificar o Corpo de Cristo no amor. De fato, não elegemos alguém que se isentou de sua missão, mas que a abraçou até as últimas consequências. E isso não é fácil.
Não é fácil permanecermos unidos a Jesus quando os ventos contrários tentam nos derrubar. Quando passam na natureza fortes ventos é comum vermos folhas, ramos voando, se desprendendo das árvores. Assim também acontece na nossa vida: se não estivermos firmes no Senhor, quando vêm os ventos, as dificuldades, nós rapidamente nos desprendemos, deixamo-nos ir embora, nos distanciamos daquele que nos dá a vida, que nos sustenta.
Mas, o que acontece para que uma folha se desprenda?
A folha, o ramo, se desprende quando seca e seca quando deixa de receber a água da árvore. Assim também somos nós. Se deixarmos de beber das fontes do Senhor, de sua Palavra e da sua Eucaristia, também nós secaremos. Se não nos nutrirmos em Cristo, seremos fracos. Jesus é aquele que nos dá a vida e sustenta, nos fortalece e robustece. Nós somos fortes e firmes no Senhor, não por nós, mas por conta Dele, pela força Dele, porque Ele é a videira, a árvore, e nós os ramos, que só recebemos vida, força, que recebemos tudo dele.
Hoje rendemos graças a Deus pelo ministério do Santo Padre João III, que foi ramo unido ao Cristo, e que nos conduziu a Cristo. Todo este ministério petrino foi voltado a Cristo e também o nosso. Aproveito para agradecer a sua Santidade pela sua doação, pelo seu ministério, pelo seu carinho e amor. Não realizamos, irmãos, ao longo destes meses e nem devemos desempenhar um ministério em vista de encher Igreja em números. Os que falam em crise de números não entendem que o único problema é que nós que aqui estamos permanecemos fracos, pois não buscamos unir e conformar as nossas vidas no Senhor Jesus. Mas, quando nosso ministério está pautado em Cristo, em Jesus, na nossa união com Ele e em unirmos os outros a Cristo, como vem sendo em nossa Igreja, não há crise, não há distanciamento do Senhor, há apenas anúncio das maravilhas que Deus operou em nós, como faziam os Apóstolos, há apenas convite à união com Jesus Cristo e o Pai no Espírito Santo. Aí, irmãos, não há crise, não há ventos que nos derrubem. Unidos a Jesus, os ventos contrários virão, tudo tentará nos derrubar, nos soprar para longe, nada nos separará Dele, nem hoje e nem nunca, pois somos firmes e fortes no Senhor.
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