domingo, 23 de dezembro de 2018

24.12.18

Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando a Noite Santa do Natal do Senhor. É privilégio papal 
antecipar um dia a grande solenidade do Natal, para que haja a plena participação do clero, ou melhor,
daqueles que se interessam em viver este momento. 
Nós vagávamos errantes, cada qual seguindo o seu caminho, em meio a sombra e as trevas,
mas a primeira leitura nos traz a bonita dimensão da luz que surge nessa noite em que vivemos.
Sim, Deus sempre age no meio da escuridão da noite. Essa noite santa, noite fria lá em Belém,
surge para toda a humanidade a nova luz. Mas a luz não apenas surge, ela rompe, ela rasga essa noite,
pois o Salvador do Mundo chegou,e vem trazendo a esperança. Ele vem para dominar os tronos 
e ser poderoso. É um menino que herdará o trono do seu Pai Davi. E então, nos encaminhamos 
para o Evangelho dessa noite santa. São Lucas narra para nós com detalhes, a maneira que Cristo
assume a fragilidade humana. Deus, o todo-poderoso, faz-se criança e nem tem lugar para nascer.
Cristo nasce numa estrebaria, e é envolto em faixas e posto em uma manjedoura. Ali estava o 
Salvador da Humanidade, feito frágil, tão simples, tão pequeno. Parecia impossível que aquele
que já surgia no mundo sendo humilhado, na verdade fosse o Filho de Deus. Então Deus se revela
um tão grande mistério de amor. E o Natal é isso, é festa do amor. É festa do amor de nosso Deus
que fez com que ele assumisse a posição de ser servo. É maravilhoso o mistério dessa noite. 
Cristo surge como servo, assume a condição de servo, já sendo recusado, e tudo isso para iniciar
um caminho que seguirá até cumprir completamente a salvação da Humanidade. Hoje é dia de alegria,
pois se inicia o processo de nossa Salvação. Este processo que passa pela cruz e caminha até a ressurreição.
Hoje os anjos cantam nos céus, e os pastores seguem apressadamente para ver o menino na manjedoura!
Deus se fez homem! Deus está conosco! Sim, Ele veio! Sim, Ele nos ama! Sim, Ele quis se fazer
presente no meio de nós! Hoje, irmãos, o entranhado amor de Deus entrou no mundo. Hoje Cristo nasceu no tempo. Deus entrou na história. O incomparável e eterno hoje de Deus 
marcou presença nas realidades quotidianas do homem! Bendito seja Deus, que quis ser presente 
no meio de nós. Que o mistério do Natal do Senhor penetre em nossas vidas! Que este mistério
nos transforme, e que todos os povos de todos os cantos da Terra, possam ver e se admirar. Que todos possam ouvir o brado dos anjos e o nosso brado de alegria: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS!
Glória a Deus que nos ama! Glória a Deus menino! Glória, pois a luz nasceu! Glória, pois chegou o
Salvador! Confiemo-nos Nele, pois Ele veio fazer de nós um reino para vivermos na alegria eterna!
A todos um feliz e abençoado Natal! 

domingo, 16 de dezembro de 2018

16.12.18

Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o terceiro domingo do advento, o domingo da alegria.
Avistando a proximidade do Natal, a Igreja nos convida a alegria. A Liturgia desse domingo nos
convida a uma reflexão profunda sobre o que devemos fazer.
A primeira leitura do livro de Sofonias nos convida a alegria. Sofonias, ainda na dinâmica do 
grande exílio do povo de Israel para a babilônia, narra que o Senhor Javé iria salvar o seu povo. 
Ele libertaria os cativos que ainda estavam na babilônia, organizaria os que ficaram no país, iria
dar a eles uma nova identidade, sendo seu líder, seu rei. Mas adentremos mais profundamente
nessa dimensão. A função primordial da autoridade política de Israel, o rei, era defender o povo.
Mas os reis de Judá e os de Israel, foram incompetentes, gananciosos, corruptos e opressores.
Assim, o povo foi quem pagou por isso tudo. Foi levado para o exílio, enquanto outros tiveram 
que trabalhar para pagar a dívida do país. Assim nos surge Jesus Cristo, como aquele, que quando
o povo se perdeu, veio, na plenitude dos tempos, para pagar a dívida de nossos pecados. O próprio
profeta Isaías vai recordar isso no capítulo 53: "A punição a ele imposta foi o preço dos nossos pecados."
O Evangelho de hoje nos leva aos questionamentos dos que seguiam João Batista, sobre o que 
deveriam fazer, como deveriam seguir Jesus. E, como podemos reler depois em nossas casas
o texto, 
vemos que o grande profeta João Batista apresenta um programa de vida, que faz o povo se recordar
da promessa do Messias. João, na sua grande humildade, logo diz, que o Messias seria outro. 
O Messias é aquele que vai realizar com o povo uma nova história. O Messias é aquele que possuí 
um Espírito novo, o Espírito Santo. E João? O programa de vida apresentado por João é o de preparar
a acolhida do Messias; santificar-se. Pois, o próprio João aponta, que Jesus vai ser o justo juiz, 
que salvará, mas que condenará. É esse o Messias que aguardamos hoje, em sua segunda vinda,
e estamos sendo orientados para Ele, pela voz de João Batista, que exclama até mesmo em nossos
tempos, a nos convertermos e prepararmos o caminho. Por fim, a segunda Leitura nos lembra
que devemos fazer tudo isso na alegria. Filipos foi a primeira cidade européia a receber o anúncio do Evangelho.
Um dos temas mais fortes da carta a comunidade de Filipos, é justamente permanecer na alegria.
Pois o próprio ser cristão é motivo de alegria. Alegria pois a comunidade, seguindo o projeto de Deus,
deve propagar a todos a alegria. Alegria pois o Senhor montou sua tenda no meio do seu povo!
Alegria pois Cristo nos traz a paz. Paz que supera todo o entendimento humano, que mesmo sem entender, 
guardará seu pensamento e coroação em sintonia com o projeto de Cristo Jesus, que é o projeto
da libertação, não dos poderes desse mundo, mas libertação do que nos separa Dele. Para que um 
dia nós sejamos tudo nele, e Ele seja tudo em nós. Amém

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

12.12.18


Estamos celebrando a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas.
A primeira leitura da Liturgia de hoje nos lembra que por meio do nascimento de Jesus no sheio de 
Maria, nós fomos resgatados do pecado. E, por termos sido resgatados do pecado, nós nos tornamos 
filhos de Deus Pai, irmãos de Jesus e, assim, também somos filhos de Maria. O Evangelho continua 
aquele trecho do anúncio do anjo a Virgem Maria. Maria, mesmo após receber a mensagem que seria a 
Mãe do Salvador, sai da sua casa para servir Isabel. E quando chega a casa de Isabel, ao saudar sua 
prima, o próprio João Batista, ainda no ventre materno, se alegra e dá o seu primeiro anúncio de
que Aquele que estava no ventre de Maria, seria aquele que traria a alegria, a salvação. 
Assim, nós entramos hoje na história de Nossa Senhora de Guadalupe, que é a festa que hoje comemoramos. 
A nenhum outro povo Nossa Senhora apareceu de forma tão concreta como foi na aparição de Guadalupe.
Em 9 de dezembro de 1531, sobre a colina do Tepeyac, uma jovem de tom de pele misturado entre o indígena
 e o branco, com vestes brilhantes como o sol, aparece ao índio Juan Diego, que a pouco tempo tinha sido
 batizado. A jovem se revela sendo a Virgem Maria, e pede ao índio que solicite ao bispo uma construção de
 uma igreja naquele lugar.  Juan Diego vai falar com o bispo, que o pede um sinal para que possa construir a igreja.
Enfim, no dia 12 de dezembro, Maria pediu que o índio Juan Diego fosse recolher flores no alto do monte,
 que era pedregoso. Segundo ela, aquele seria o sinal. Não tendo onde colocar as rosas que recolheu, 
ele coloca as rosas no meio do seu manto e vai ao encontro do bispo.
Quando Juan Diego abre seu manto, aparece uma imagem de Nossa Senhora, impressa no tecido. 
Na imagem, Maria se mostra como uma jovem de mestiça, com a cor dos índios e a cor dos brancos.
Com a aparição em Guadalupe, Maria quer cessar as brigas entre os espanhóis que ali estavam e os índios. 
Maria vem mostrar que não eram mais precisos sacrifícios humanos para agradar aos deuses (como os índios faziam), 
pois o Filho único de Deus, que nasceu do seu ventre, já havia se oferecido pela Salvação de todos, 
e seu sacrifício já tinha agradado ao Pai eternamente. Por isso, após a aparição de Nossa Senhora de 
Guadalupe, muitos e muitos índios começaram a se converter, pois Maria se tinha feito igual a eles.
Maria, na dinâmica que nós vimos no Evangelho, é aquela que faz cessar, acabar, tudo o que é ruim, 
e traz a alegria e a paz, pois onde ela está, também está seu Filho. E, em Guadalupe, Maria se confirma de 
uma maneira extraordinária. Até hoje está na sua basílica, aquele manto usado pelo índio, feito com os cactos, 
e que deveria durar 10 anos, já dura mais de 400 anos. A imagem de Nossa Senhora pintada, foi pintada 
com tintas e com uma tecnologia que sequer existia naquele lugar e naquela época. Na aparição de 
Guadalupe, Maria muda a história de um povo e de um continente, e mostra que todos, mesmo aqueles 
indígenas, eram e são destinados a serem filhos e filhas de Deus. Pois Nossa Senhora quer conduzir todos
 ao Pai, quer que todos sejamos filhos de Deus, irmãos de Jesus e seus próprios filhos. Como mãe ela olhou 
para aqueles índios, aquele povo que parecia estar destinado a morrer e ser escravo para sempre, 
e os deu a liberdade. Como nossa mãe, ela olha hoje também para nós, que as vezes podemos nos
 sentir condenados, destinados a infelicidade, e ela nos traz o mesmo que trouxe aos índios e o mesmo que levou
 a Isabel; ela traz o Cristo, ela traz o seu Filho, que vem trazer a todos nós a alegria e a esperança. 
É ele que nos aponta a Maria: “Eis aí tua mãe!’’.
Rogai por nós Virgem de Guadalupe. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

sábado, 8 de dezembro de 2018

8/12/18

Digníssimo Dom Giuseppe Betori, arcipreste desta Basílica, em nome do qual saúdo todos os presentes.
Estamos celebrando a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A primeira leitura 
nos leva ao livro do gênesis. Ali vemos o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar 
de ser estranho ao primeiro pecado. Adão e Eva, por meio de seu pecado, afastaram-se daquele que
era o plano inicial de Deus para eles. Eva, então, se torna a Mãe de todos os viventes, e, sendo assim,
todos os viventes, todos nós, descendentes de Eva, estamos marcados com o mesmo pecado original.
Mas, o banho batismal e o banho da confissão, ou melhor, do sacramento da reconciliação, continua
nos tornando purificados. Assim, neste tempo do advento, onde nos preparamos para celebrarmos
Liturgicamente o Natal do Senhor, a Igreja nos convida, antes de tudo, a celebrarmos a Solenidade
da Imaculada Conceição. Celebrar a Imaculada, é celebrar a Esperança que brilhava. Cristo é a esperança,
Cristo é a luz. E todo essa luz, e toda essa esperança encontrada no Cristo, já se encontrava na Virgem Maria.
Sim, pois ela já havia sido a escolhida e predestinada para ser a Mãe do Salvador. Pois a graça do 
Senhor, desde sua concepção, já se tinha derramado sobre ela. E, na noite de ontem, na Vigília, 
eu destacava que todos nós também somos preparados para trazermos ao mundo Cristo, por meio do 
anúncio fiel do Evangelho. Pois a graça do Senhor também desceu sobre nós. Pois o Espírito está
sobre nós. Me atrevo a citar um Bispo da Igreja, que diz: "Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; 
hoje, começou a raiar a Aurora do Dia sem fim; hoje surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o Sol, 
que é o Cristo, nosso Deus!". Que esse inicio da Aurora, nos faça ver que Jesus Cristo é o Senhor,
e nos leve, a exemplo da Virgem Maria, nos tornarmos puros para podermos ser testemunhas
dos grandes feitos que o Senhor realizou. Amém.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Caríssimo Dom Pablo Maxi, em nome do qual saúdo todos concelebrantes,
amado povo de Deus, estamos celebrando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. A Missa
na Vigília. A primeira leitura vem nos falar da primeira mulher Imaculada, Eva, mãe de todos 
os viventes. Mas embora Eva tenha nascido Imaculada, ela escolhe o pecado. Maria, então se fazendo
nova Eva, nascendo Imaculada, sem mancha alguma do pecado, cresce e morre, ou adormece,
sem ter pecado em sua vida. Maria se faz então a nova Mãe da humanidade, pelos méritos de Jesus Cristo.
No Evangelho é exatamente isso que vemos, ela sendo agraciada pelo Senhor, através da mensagem
do Anjo Gabriel. Maria, que já havia sido escolhida antes do seu nascimento, agora tinha a opção
de ser ou não a mãe do Salvador. Mas, Maria então, diz o seu "sim", abraçando fielmente a vontade
daquele que já a tinha preparado para isso. Irmãos, todos nós também somos preparados para 
trazermos ao mundo Cristo, por meio do anúncio fiel do Evangelho. Pelo batismo e pela confissão, 
nos tornamos puros e preparados para isso. Que saibamos, como Maria, levarmos isso até as ultimas
consequências, fazendo tudo aquilo que for da vontade do Senhor. Que Maria pise na cabeça da 
serpente no mundo atual, e que nessa noite, onde tudo é trevas, Maria brilhe com a glória do seu Filho.
Amém.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

6/12/18

Caríssimo Dom Pablo Cardeal Maxi, decano do Colégio de Cardeais,
Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, Vigário Geral da Diocese de Roma,
Caríssimos concelebrantes, diáconos, seminaristas e demais servidores,
amado povo de Deus.
Estamos reunidos para celebrarmos a Dedicação desta Igreja sinal da nossa unidade e sucessão

da cátedra apostólica de Pedro. A primeira leitura dessa Liturgia da dedicação vai ao Livro de Neemias,
quando o sacerdote Esdras faz a leitura do livro de Deus, diante de todo o povo. Precisamos entender
o contexto dessa leitura. O povo estava voltando do exílio da Babilônia, e encontrou Jerusalém
destruída. Então o povo chorava, pois sabia que havia desobedecido ao Senhor, por isso estava exilado. 

Mas agora, Esdras os anuncia a alegria que estava ali naquelas escrituras. Alegria pois tinham encontrado novamente 
a graça diante do Senhor, pois aquele dia era um dia consagrado ao Senhor. Irmãos, quando eu

dedicava a Catedral do Rio de Janeiro, no primeiro dia após a volta dos hotéis falsos, eu dizia
que hoje nós temos essa mesma alegria, pois somos um povo que volto do exílio das doenças clericais.
Mas hoje, dedicando esse templo, nós precisamos voltar do exílio do nosso individualismo,
do exílio da nossa alma, que se afasta dos outros por razões políticas, e gera desunião e falta de comunhão.
E Esdras, faz algo que nós devemos levar a sério: ele explica a Palavra de Deus ao povo. Irmãos, nós precisamos aprender de Esdras, pois a dedicação dessa Igreja de São Pedro, deve 
nos levar a um colocar-se a disposição do povo, para explicar para ele a Palavra. Aqui, nessa Igreja
Basílica de São Pedro, se deve dispersar a Palavra de Deus, para todo o mundo pela voz do sucessor 
de Pedro, e pela voz dos sucessores de todos os apóstolos. Que bonito celebrarmos essa dedicação!
Dessa forma a segunda leitura, nós vemos São Paulo que quer nos recordar que somos todos nós
membros de um único grande corpo que é a Igreja. São Paulo nos interpela, nesse contexto atual,
a nos mantermos na unidade. Vivemos tempos de tão fácil dispersão, onde podemos inventar
desculpas para dispersão, mas a verdade é que queremos nos fechar em nossas doenças. Por isso,
é o momento oportuno de nos livrarmos de tudo que era do exílio, e iniciarmos a construção desse 
corpo. Assim dedicamos essa Igreja, sinal visível e externo do corpo de Cristo. Corpo de Cristo, 
que na dimensão do Evangelho proclamado, deve morrer e ressuscitar em 3 dias, pois o grande
templo é o corpo do próprio Cristo. E Jesus morre e ressuscita justamente para isso: fazer novas
todas as coisas. Que saibamos viver nesse espírito de renovação e que essa Igreja, construída de pedras,
possa representar o corpo de Cristo, Igreja militante, que caminha rumo a sua pátria definitiva.

Irmãos, que no dia da Dedicação da Basílica de São Pedro, nossa nova casa, possamos
re-afirmarmos 
o nosso compromisso com a missão de levarmos a todos o Evangelho de Cristo, a qual São Pedro amou
de tal maneira que não se considerou digno de morrer como ele. Que desse lugar onde está sepultado 
o príncipe dos apóstolos possa se espalhar pelos quatro cantos desse hotel, a boa nova:
O RESSUSCITADO VIVE ENTRE NÓS, ELE ESTÁ NA IGREJA E NOS IRMÃOS! Amém.