terça-feira, 30 de outubro de 2018

Caríssimos irmãos e irmãs,
esta celebração marca o inicio de nossos trabalhos. Não é chamada de posse, mas sim, de entronização.
É o vosso Bispo, cabeça da Igreja e imagem terrena de Cristo, que é entronizado no ministério
de sucessor do apóstolo Pedro. Se sou chamado de cabeça visível da Igreja, ou imagem de Cristo,
ou ainda, de Santidade ou Santo Padre, não é porque sou santo. Sou como vocês, um pecador,
um homem simples, alguém que não é digno, como reconhece São João Batista, de tocar nas correias
da sandália do Mestre. Sim irmãos, é por ele e para ele, o Mestre, que nós fazemos todas as coisas.
A primeira leitura é Deus dando a posteridade para Abrão. Abrão não tinha filhos, e isso não era um sinal bom
era um sinal de maldição, era um sinal de que Deus não o olhava com bons olhos. Mas o Senhor olhava sim,
por isso o Senhor derramou a sua benção sobre Abrão e o transformou em Abraão, o transformou
em Pai de muitos. O transformou em Pai de gerações.
Assim também, somos chamados nós, sacerdotes, sobretudo os bispos, e aqueles que me antecederam,
e eu, neste momento, somos chamados a nos tornarmos Pai de gerações e Pai do povo de Deus.
Assim, da mesma forma, no Evangelho vemos o chamado de Pedro para ser pescador de homens,
pescador de almas para Deus. Nossa missão: PESCAR ALMAS PARA DEUS!
Logo depois, irmãos, nós vimos Jesus que passa e chama São João e seu irmão São Tiago, para o seguir.
Irmãos caríssimos, eu escolhi o nome de João. João pois João era o que mais amava. João, pois João 
viu o Senhor, deixou tudo e o seguiu. João, pois é assim que todos nós devemos ser, Joões, que deixam
tudo, largam as redes, largam o pai, e vão seguir Jesus. 
Irmãos, que bonito vocês estarem aqui, largando tudo que queriam fazer, para juntos iniciarmos
este caminho. Largando tudo para se doarem 

sábado, 27 de outubro de 2018

27/10/2018

Amados e amadas de Deus, estamos celebrando o trigésimo domingo do Tempo Comum,
e nesse domingo vemos Jesus que se aproxima ainda mais de Jerusalém, onde deverá sofrer
sua paixão, morte e deverá vencer a morte ressurgindo dos mortos.
A primeira leitura do profeta Jeremias nos leva a utopia dos céus, quando Deus chamará os sofredores, 
e chamará também todos os povos, e não haverá mais sofrimento, nem dor, nem cegueira.
Deus mesmo, pela boca do profeta, diz que ele se tornará um Pai para o povo de Israel, 
e como Pai toma o povo pelas mãos. Nós somos o povo da nova Aliança, que além de ter o Pai,
tem também o Cristo como nosso irmão, feito igual a nós, carne de nossa carne, Deus e homem.
O autor da carta aos Hebreus,(que não é São Paulo, e que aliás, nem é carta e nem aos Hebreus),
nos diz que Cristo, sumo-sacerdote por excelência, só o é, pois o Pai quis assim. Sim, é pelo Pai
que o Cristo Jesus se faz sacerdote, imolou a si mesmo; foi para nos reconciliar com o Pai.
A humanidade encontrava-se perdida, cega, e Cristo vem oferecer sacrifício da nova e eterna aliança,
sacrifício que além de nos unir novamente com o Pai, nos une como irmãos e irmãs.
Eu gosto muito dessa dimensão da carta aos Hebreus, que expõe também o centro da missão
dos sacerdotes da nova aliança, que é o de oferecer os sacrifícios, é buscar a remissão do povo.
Irmãos caríssimos, nos voltemos agora ao Evangelho desse domingo. Nos domingos anteriores,
Jesus vai subindo para Jerusalém e fazendo o anúncio da sua paixão, e hoje chegamos a um ponto
extremamente importante. Ele faz seu último milagre, que é a cura do cego Bartimeu.
Bartimeu não conhecia Jesus, e ainda sim faz o que os discípulos até agora não conseguiram fazer,
ele compreendeu que Jesus é o Filho de Davi, isto é, que ele é o Messias. Bartimeu pede a cura,
pois ele era cego. Bartimeu aqui representa os discípulos, que estão cegos, e precisam ter os olhos 
abertos para reconhecem a Divindade de Jesus Cristo. Irmãos, lembrem-se do Domingo passado,
os discípulos estavam pedindo para sentar-se um a direita e outro a esquerda de Jesus,
os outros discípulos ficaram com inveja, e não prestam atenção a Jesus que anuncia-se como Deus.
Jesus cura Bartimeu, e ele, imediatamente, começa a seguir Jesus. Jesus não pede a Bartimeu,
como pediu aos outros antes, que guarda-se silêncio. Bartimeu começa a manifestar a todos
que o Senhor tinha realizado essa maravilha nele, que o Filho de Deus tinha agido nele.
Com certeza isso deixou os mestres da lei furiosos, mas Jesus sabia que já estava chegando a sua hora.
Irmãos, Jesus caminha rumo a sua morte, mas antes, precisa abrir os olhos de todos nós,
precisa nos curar de nossa cegueira. Precisa nos curar da nossa cegueira, que nos impede de ir
até a sua luz, que nos impede de caminharmos até a cruz, até a ressurreição.
Nós somos como os discípulos, não nos permitirmos ver a glória do Senhor, queremos ficar
fechados em tantas coisas, e enquanto isso o Senhor vai falando conosco. Ele quer nos curar,
como a Bartimeu quer abrir os nossos olhos, curar nossa cegueira, mostrar-nos o caminho da 
salvação, que passa pela Cruz, mas leva a glória do triunfo sobre o pecado e a morte.
Peçamos ao Senhor que ele nos cure e reconheçamos que ele é Deus, professemos que ele é Deus,
professemos que só Ele pode nos salvar. E, quando curados de nossa cegueira, o sigamos no caminho.
Amém.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

26/10

Caríssimo Dom Carlo Cardeal Ventresca, Decano do Colégio de Cardeais,
Caríssimos senhores cardeais,
amados de Deus,
estamos celebrando nessa noite a Missa Pro Ecclesia, isto é, pela Igreja. Por uma antiga tradição, 
os bispos de Roma iniciam o seu ministério rezando a Santa Missa nas intenções da Igreja do mundo.
A primeira leitura nos diz que de Sião deve sair a Lei, e de Jerusalém a Palavra do Senhor.
A segunda leitura nos coloca que em Sião está a Pedra de grande valor, 
a pedra que os construtores rejeitaram. Mas, que ainda o texto lido nos coloca, essa pedra é a angular.
Unindo estes dois trechos nós vemos Jesus Cristo, que como sucessor do trono de Sião, dá a nova lei,
que em Jerusalém anuncia a Salvação, e morrendo e ressurgindo vitorioso, torna-se Pedra angular.
De fato, Cristo é o ponto comum, é a união de toda a nossa Igreja. Sem Cristo nossa Igreja não seria 
capaz de sustentar-se, pois faltaria o principal, faltaria o que sustentasse os muros e cimento no lugar.
No Evangelho, a Pedra da Igreja, Cristo, deixa uma outra Pedra, visível aos nossos olhos humanos,
para sustentar a Igreja. E assim nos aparece São Pedro, com os poderes pontifícios, para guiar
a barca da Igreja, como pescador do homens.
Nessa noite elevo uma prece clamorosa aos céus, que o Senhor me conceda sustentar a Igreja,
faze-la crescer, pescar homens e mulheres para a vida eterna.
Ó SENHOR DEUS, NÃO PASSE, TE ROGO, SEM TE DETERES!
Sem te deteres não passe, te rogo, Senhor, pare aqui entre nós, fica aqui conosco, permanece aqui,
permanece aqui, Senhor, pois não somos capazes sozinhos, somos necessitados de vossa graça,
somos necessitados do teu olhar paternal, somos como crianças que precisam ser levadas a mão.
Irmãos caríssimos, que o Senhor guie essa barca de São Pedro, que sem medo de lançar-se
vai para águas mais profundas, vai em missão, vai em busca de salvação para sí mesma e
para os que estão distantes deste povo eleito.
Sim, somos o povo eleito, raça escolhida, nação santa, sacerdócio régio, mas somos pecadores.
E precisamos tomar cuidado, para que o nosso pecado não leve outros a pecar, ou pior,
que o nosso pecado leve os outros a se afastarem da fé. Como diz aquela música de ato;
"os que rejeitam, que não te aceitam, podem não crer por ver cristãos que vivem
mal"
E como é triste quando isso acontece. Por isso sou claro com todos: 
NÃO SAIAM DO ARMÁRIO EM PÚBLICO!
Quer sair? Saia no privado, saia num quarto fechado, só com os que você mais confia, 
sem escandalizar, sem a minima possibilidade de afastar algum irmão,
que talvez não compreendido de sua própria opção, ou que viva em um moralismo extremo,
de qualquer forma, peço-vos e imploro-vos que tenhamos esse cuidado com a imagem própria,
e com a imagem da Igreja.
Esse não é o único erro que temos, mas se eu ficar aqui apontando erro por erro, não sairemos.
Então irmãos, que nós possamos nos dedicarmos para a edificação de uma Igreja mais bonita,
de uma Igreja que dissemine o amor do Ressucitado, mas não nos assustemos quando nos rejeitarem;
a Pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se a pedra angular. Que maravilhas ele fez aos nossos
olhos! Que maravilhas ele quer fazer aos nossos olhos e conosco, basta que nos abramos e ele fará!
Amém.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

25/10/18

Eminentíssimo irmão, Dom Carlo Cardeal Ventresca,
eminentíssimos irmãos cardeais, senhores bispos, presbíteros, seminaristas, 
religiosos, religiosas, amado povo de Deus,
estamos aqui reunidos para iniciarmos o Conclave, com essa missa chamada de pro eligendo. 

As orações desta solene celebração eucarística pedem a Deus que nos conceda 
um Bispo para a Diocese de Roma e um pai para toda a Igreja. 
Por isso, é um momento forte de comunhão da Igreja, que vendo-se sem uma cabeça visível, se volta a Cristo e pede com insistência que envie alguém para conduzi-la na caridade.

A primeira leitura, retirada do livro do profeta Isaías, reflete a dimensão daquele escolhido
para o ministério, que tem sobre si o Espírito Santo, enviado pelo Pai, para realizar as obras do Reino. 
De fato, essa leitura reflete o próprio Cristo, mas também reflete sobre nós, ministros ordenados, 
que devemos ser o doce odor do Senhor. E mais, reflete a todos os cristãos, que pelo banho batismal 
e pela unção com o óleo dos catecúmenos e com o Santo Crisma, recebem a unção do Espírito Santo, 
para se tornarem discípulos e discípulas, anunciadores do Reino de Deus. 

Repitam comigo: EU PRECISO TOMAR PARTE NA MISSÃO!

Irmãos, muitas vezes nós ficamos esperando que o papa tome todas as atitudes, e nos esquecemos que 
todos nós recebemos o sacerdócio comum, não o ministerial, mas o sacerdócio batismal. 
E não recebemos apenas o sacerdócio, somos também profetas e reis. 
A segunda leitura continua nessa mesma dinâmica, ao dizer que cada um de nós, do seu jeito, 
fazendo o que pode, deve tomar parte na "edificação no amor" do Corpo de Cristo a Igreja. 
Por isso, precisamos também nós, mesmo os leigos, tomarmos parte na missão, 
e não ficarmos parados esperando que outros tomem a solução.

Por sua vez, o Evangelho dessa missa nos interpela a sermos amigos de Cristo. 
Os amigos de Cristo são os que o conhecem, o conhecem profundamente, pois ouviram sua Palavra, 
fizeram seu encontro pessoal com ele, tomaram parte na sua Ceia, o banquete do sacrifício da Cruz. 
Amigos de Jesus são os que não param por aí, mas se tornam, como eu disse antes, anunciadores; 
homens e mulheres que tomem parte na missão.

Irmãos e irmãs, em tempos de tanta dificuldade, em tempos onde parece difícil evangelizar, parece difícil ser amigo de Jesus, parece ser difícil edificar o Reino de Deus, a Igreja, 
nós devemos ser homens e mulheres destemidos e abertos a proposta de Jesus. 

Que assim, todos nós possamos ser membros ativos do corpo de Cristo, e, 
Ele mesmo nos conceda um pastor, que como cabeça visível do corpo, nos edifique no amor. Amém.

Vamos nos levantar, irmãos e irmãs, e professar a nossa fé: Creio...

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

22/10/18


Caríssimos irmãos cardeais, e demais irmãos no clero,
Amados e amadas de Deus,
Estamos celebrando nosso padroeiro paroquial, São João Paulo II.
São João Paulo II brilhou como sinal profético para toda a Igreja no século XX e XXI.
Logo cedo órfão de mãe, depois perdendo o irmão e o pai, Karol soube se confiar ao senhor, soube se deixar entregar nas mãos daquele que é o Pai todo amoroso.
A vida de Karol não foi fácil:  viu o nazismo e o comunismo tentarem destruir a fé em sua pátria.
E numa vida de tantos sofrimentos, Karol não podia ver esperanças de um bom futuro, mas como a Levi na primeira leitura, é o Senhor quem planejava seus passos, é o Senhor que o havia escolhido para ser fiel anunciador da Boa Nova as nações, por isso foi o Senhor que o deu um bom futuro, por isso foi o Senhor que o deu a sua herança! Sim, foi o Senhor que o escolheu e preparou para ser o grande profeta dos nossos tempos.
E, se podemos encaixar o sofrimento e a herança de São João Paulo II na primeira leitura, podemos encaixar a sua escolha por Jesus Cristo no Evangelho proclamado.
Jesus vai até aqueles homens simples, pescadores, menosprezados pela sociedade, pecadores, como o próprio Pedro se diz, e os chama a ir para águas mais profundas e lançar as redes, e depois, os diz o que simboliza lançar as redes em águas mais profundas: ser pescadores de homens.
Nesta dimensão, São João Paulo II é aquele que abraçou com amor a missão e ir para águas mais profundas; sofrendo o risco de ser preso e morto por estar estudando para ser padre, no regime nazista; lutando contra o regime comunista, que queria proibir a fé do povo; abraçou a missão de ir para águas mais profundas no seu pontificado, quando lutou pela dignidade da vida humana, expondo a Teologia do Corpo, condenando as injustiças do sistema capitalista, e condenando o comunismo, que queria banir Deus do mundo. Nas águas mais profundas as quais se lançou, São João Paulo II foi um fiel peregrino, que sem medo levou o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo aos cantos do mundo, as periferias sociais e existenciais, anunciando a todos a paz e a esperança que só pode ser encontrada em Deus: Sim, ele anuncia Deus, ele anuncia aquele a quem ele se apaixonou e foi até as últimas consequências para provar o seu amor, não se deixando calar por ameaças, por tiros, pelas vozes sufocantes do mundo que tentam calar a Deus! São João Paulo II é para nós exemplo de que não devemos nos calar, não devemos ter medo de nos lançarmos para as águas mais profundas, não podemos ficar presos no raso, mas devemos ir, ir buscar as almas, ir atrás daqueles que estão afastados do Senhor, e reconduzi-los neste bonito caminho de salvação.
Irmãos e irmãs: NÓS PRECISAMOS IR PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS!
Nós precisamos deixar o nosso mundinho, o nosso mundinho de egoísmo, nosso mundinho onde eu sou o mais importante, onde a minha felicidade é a única coisa que importa, onde eu não saio do raso: BALEIA NA PRAIA MORRE! Cristão no raso não dá fruto, morre, pois não fez a sua missão, não deu fruto, não se arriscou, teve medo. Sim, é difícil sairmos do nosso Narciso e irmos para águas mais profundas, é amedrontador. O próprio São João Paulo II, na homilia do inicio do seu pontificado, diz que talvez Pedro quisesse ter ficado em seu barco na Galiléia, mas deixou-se guiar pelo Senhor, deixou tudo e seguiu ao Senhor.
Nós precisamos aprender deixar tudo, seguir ao Senhor, indo para as águas mais profundas. São João Paulo II nos é apenas um dos muitos exemplos de homens e mulheres, ao longo de toda a história da salvação, que fizeram isso.
E a história da salvação ainda não acabou, pois agora é a nossa hora, é a nossa vez, de sermos salvos e levarmos a salvação aos irmãos e irmãs, irradiando a todos a luz que vem de Deus, a fim de que todos, como na dinâmica da segunda leitura, possam receber a coroa da glória, para que todos abram suas portas a Cristo, pois é necessário que Ele reine, que ele reine nesse mundo de sofrimento, de dor e indiferença, nesse mundo onde a vida humana perde o seu valor, nesse mundo onde tudo parece estar perdido, é necessário que Ele reine, que Ele venha e renove toda a terra! Amém.